14 novembro 2016
UM ESTRANHO NO MEIO DE NÓS?

Existem muitos trumps por aí. Escondidos
quiçá num discurso pacífico alguns. Outros, porventura mais ousados, envoltos
numa capa de nacionalismo radical. Muitos, são hoje, os lídimos representantes
de uma direita passadista, que encontraram um lugar nas chamadas “democracias
ocidentais” e que representam a franja lúmpen de uma pequena e média burguesias
desencantadas com o “progresso” do capitalismo agonizante.
O discurso oficial é porém hoje
muito mais poderoso. O discurso da subjugação ao poder da finança é amparado e
confortado por uma elite da comunicação social, entretanto agrilhoada pelo
poder férreo de empresas privadas que foram crescendo à medida que se
desenvolvia uma teia de interesses confessados. Se tal não bastasse, a circunstância
de uma pérfida manipulação de consciências, levada sistematicamente a peito
durante aproximadamente as duas últimas décadas, acabou por traçar o cenário
ideal para o esvaziamento completo do esquema formal de funcionamento dessas “democracias”.
Vale tudo para esses agentes infiltrados do capital. Redacções completamente
acéfalas produzem diariamente em programas de rádio e de televisão a mais
rasteira informação, eivada de pequenos factos, subjugada ao poder do futebol,
interessada na pequena intriga e , muitas vezes, na mais despudorada mentira. Que
alimentam nos cidadãos, no mínimo, a convicção da inevitabilidade, a mais
poderosa das armas que invoca, subtil ou expressamente, a indiferença.
Os dados estariam potencialmente
lançados para colocar no poder uma besta. Não difere em nada de um Pinochet, ou
de um Obiang, ou até de um Erdogan que, de forma subtil, caminha a passos
largos para uma ditadura feroz, a pretexto da luta contra o terrorismo. Aparenta
semelhanças com todos os representantes da extrema-direita, na França e no
Reino Unido. Significativamente ou não, o seu primeiro gesto político foi precisamente
com estes últimos. E continuará decerto com todas e todos aqueles que, em
qualquer parte do mundo, se dedicam à “doce tarefa” do extermínio de todas as
resistências. Acaso será inocente o apoio desse grupo abjecto que dá pelo nome
de Ku Klux Klan e a festa que fizeram após a “eleição”?
A ilusão aparente de que seria
um anti-sistema apenas cai nas consciências vazias da ignorância a que foram
reduzidas algumas franjas do eleitorado do seu País. A fantochada, idiota de
tão evidente, que significa uma eleição nos EUA, produziu o resto. Está para se
saber se o pretenso falhanço de todas as sondagens não foi senão mais uma das
encenações em que o sistema é pródigo. O anti-sistema é então uma máscara, um
embuste completo, que apenas representa a tábua de salvação possível para uma “causa”
que parecia perdida. O personagem não passa de um testa de ferro do sistema
mais corrupto e indigno, que é no fundo o sistema financeiro, que gera crises
em seu próprio proveito, semeando crimes impunes e desigualdades permanentes.