05 janeiro 2026
DEPOIS DO GOLPE, A “NORMALIZAÇÃO”
Dois dias depois do golpe norte-americano que entrou na Venezuela, sequestrou Maduro e Cilia e anunciou a intenção de governar o País e os seus recursos naturais, quem esperava a natural condenação do maior acto de pirataria dos últimos anos, tem hoje como resposta, a normalização.
Logo pela manhã, dois exemplos vindos das rádios: Antena 1 falava do acto como uma “operação dos EUA” e apresentava a exploração de petróleo na Venezuela cheia de defeitos, com maquinaria ultrapassada e comandada por um “ditador”; TSF lembrava a possibilidade de entrada em cena de Edmundo Gonzalez, declarado pelo ocidente decadente “vencedor” das últimas eleições presidenciais, sem nunca ter apresentado as devidas provas. Este conhecido “democrata” foi um dos participantes da Operação Condor [i]e, na era Reagan, o número dois da Embaixada da Venezuela em El Salvador, à frente da qual estava Leopoldo Castillo, Com a sua “amiga” Corina, “prémio nobel da Paz 2025”, terá organizado em 2009, segundo documentos desclassificados da CIA, a eliminação de oposicionistas salvadorenhos no âmbito da chamada Operação Centauro, uma das vertentes da referida Operação Condor. Na mesma TSF, o conhecido fórum versou o assunto, em que o jornalista Ricardo Alexandre introduziu o tema, avançando a possibilidade de um “entendimento” entre a Presidente interina Delcy Rodríguez e a administração norte-americana, a pretexto da última declaração pública da Presidente interina.
Os títulos dos jornais burgueses, Público, CM e Observador apontam no mesmo sentido da propaganda, “Maduro caiu”. Dizer que Maduro não caiu coíssima alguma, mas que foi sequestrado, será irrelevante para a imprensa dominada completamente pela propaganda e seguindo, normalizando, o crime cometido pela administração norte-americana, apoiada (ainda que veladamente) pelo governo português e pela camarilha não-eleita da dita “união” europeia.
A normalização em curso, se nada for feito para a contrariar e impedir, produzirá um efeito catastrófico nas relações internacionais e um recuo considerável na luta pela libertação do jugo capitalista e colonialista, na Venezuela, na América Latina e em todo o mundo. O discurso oficial será (já está a ser) adoptado a nível mundial e, daqui por uns dias, rádios, televisões e jornais da comunicação social burguesa dominante irá consolidar o que já são tidos como “factos” consumados: o regime da Venezuela caiu, Maduro será julgado pelos EUA, as empresas de petróleo serão muito mais geridas por Washington, a “transição democrática” no país está em curso, etc..., etc... A narrativa será adoptada (já está a ser), estamos a ver, a ouvir e a ler, marteladas e expandidas à força bruta do Império e à força “benigna” da manipulação das consciências.
Mais logo (daqui a pouco) estaremos na rua, pelo menos no Porto e em Lisboa, (muito tarde porque, à semelhança de tantas cidades por esse mundo que, desde o dia do golpe têm saído à rua).
É preciso resistir.
· Exigir a libertação imediata de Cilia e Maduro.
· Exigir que os ianques tiram a pata da Venezuela.
· Denunciar a atitude miserável do governo português e da chamada “união”.
· Apoiar os trabalhadores venezuelanos na sua luta de classe contra a dominação e a exploração!
· Apoiar os trabalhadores de todo mundo, em solidariedade com os trabalhadores venezuelanos na sua luta!
[i] A Operação Condor, nascida oficialmente em Santiago do Chile em 28 de Novembro de 1975, completa 50 anos como uma organização criminosa das ditaduras de 8 países sul-americanos para perseguir e matar opositores políticos, até mesmo em Portugal. Em: https://comunidadeculturaearte.com/operacao-condor.../ (Jorge Campos, em 3 de Janeiro 26)