Seguimos ainda o malfadado cherne?
Verdade seja dita, para que conste, que eu não decididamente . Mas penso que valerá a pena, revisitar o O'Neil.
"… Em cada um de nós circula o cherne
Quase sempre mentido e olvidado
Em água silenciosa de passado
Circula o cherne: traído
Peixe recalcado…
Sigamos pois o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume da água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais que solidão e mágoa…"
Na verdade o O'Neil era profético; foi preciso vir a mulher do tal Barroso, chamar a atenção para coisas como "peixe recalcado", "mentido a vida inteira", (…); a senhora descobriu de facto o peixe ideal para retratar o fiel seguidor; mais tarde veio a saber-se quem de facto ele queria seguir; escolheu bem, seguir o líder da guerra, levando-nos todos atrás; pelo menos, em teoria.
Eu não quero seguir este peixe; eu até nem gosto de cherne …
E desta vez, cito de novo o O'Neil, que acertadamente nos confessa:
"Quem espera por mim não espera por mim
e talvez me encontre por um acaso distraído,
Mas no meu obsceno mostruário de gestos,
Guardo o mais obsceno
Para quando a ilusão se der…"
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A Ferreira Leite
Sigo a discussão do orçamento de estado para 2004 e confesso que a única coisa que me conseguiu comover foi a forma como a mulher debita o mesmo discurso de sempre, o triste relambório do défice, que penso nada dizer às pessoas de boa vontade. Acontece que, mesmo com uma boa dose da dita, não consigo descobrir nada de positivo nas lamentações da mulher. Arrastada, azeda, antipática, arrevesada, intrincada, imagem de melancolia permanente, ar de quem quer bater em alguém, ar de quem está à espera que alguém lhe bata, enfim chata! Como é possível uma pessoa assim, tão cheia de nada?
Reparem, é (que eu saiba) a única mulher deste País que é tratada pelo apelido; ninguém a conhece como Manuela, não deve haver ninguém que lhe chame Manela, ou Nela, ou Nelinha, ou simplesmente Dona Manuela; é simplesmente a Ferreira Leite, um leite demasiado azedo, porque claramente já (há muito tempo) lhe acabou o prazo de validade ….
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Fahrenheit 451- versão David Justino
Desta vez foi o fim: descobriram o que toda a gente sabia, há bastante tempo: os estudantes não tiram boas notas a Matemática, por causa das calculadoras; muito bem, é de facto uma brilhante conclusão, do nosso ministro, que agora se prepara para "decretar" a proibição das máquinas no ensino básico; não, não é ele que é básico, é mesmo o ensino.
Pois bem, assim é que é: e já agora, também por arrastamento, os livros técnicos que falem dessas esconjuradas maquinetas; daí aos computadores é um passo: imediatamente "limpar" todas as aplicações informáticas que ostentem uma calculadora, a começar pelo próprio sistema operativo; vendo bem, para que servem os computadores no ensino básico; se calhar, os professores, em vez de "darem as aulas" vão mas é para a Net com as criancinhas verem sabe-se lá o quê; meu Deus, que não me tinha lembrado disso!
Lembram-se do filme do Truffaut, Fahrenheit 451, onde se queimavam os livros e a sanha destruidora dos polícias á procura deles? Podemos imaginar uma cena do género, à porta de uma escola primária, com um grupo de GNRs (regressado há pouco tempo do Iraque) a queimar 20 calculadoras Casio; caso arrumado? Não, o mesmo grupo a obrigar as criancinhas a recitar a Tabuada dos 9, com a professora amordaçada ao canto da sala.
Francamente, não há ninguém que convença o tipo a ir dar uma volta ao bilhar grande?