24 Abril 2012
“Foi então que o povo armado/percebeu qual a
razão/porque o povo despojado/lhe punha as armas na mão”. Anos são ora 38, poucos se calhar para marcar uma sociedade, um país,
muitos serão de desespero permanente, no ansiar do cumprimento de velhas
promessas. Antes, a 24, sabíamos o que não tínhamos, sofríamos na pele a
repressão de um regime de força bruta e de ignorância completa. Hoje, após uma
revolução, vemos a coisa a voltar para trás. Claro que nunca teremos o mesmo
filme, as técnicas são outras, reprime-se de outra maneira, tão subtil é o
regime da paz pobre de uma democracia que da formalidade não passa. A realidade
está nas estatísticas que colocam Portugal na cauda da Europa, em termos de
desigualdade. Força bruta sim, temo-la agora de volta, tal e qual como antes, a
reprimir manifestações, uma polícia que já não é de choque, mas que choca só de
vê-la actuar. Um País assustado e triste que parece nem reagir ao atropelo
constante de que é vitima. Um País cada vez mais pobre, cada vez mais dominado,
cada vez menos autónomo. Um País amordaçado, apesar da “liberdade de
expressão”. Um país diariamente anestesiado por uma comunicação social
vendida aos grande interesses dos grupos económicos. Um País condenado a viver
na austeridade permanente, por um governo execrável, do pior que existe,
composto por personagens menores, com ideais autoritários e profundamente
avesso ao desenvolvimento e à justiça social. Um País de novo com medo, com as
pessoas limitadas nos seus direitos e uma grande parte privadas do direito mais
essencial, o direito ao trabalho. Um País amordaçado. Um País vendido a preço
de saldo à ganância de alguns e com a bênção daqueles que governando,
desgovernam de facto o País. Um País maltratado. Um País, entretanto perigosamente
submisso.
Sabemos que urge mudar, não sabemos bem por
onde começar, não é fácil, porque muito provavelmente é preciso mudar tudo.
Procuramos a inspiração no Poeta, “Foi então que Abril abriu/as portas da
claridade/e a nossa gente invadiu/a sua própria cidade”, sentindo que ás
tantas só virando isto tudo do avesso…
06 Abril 2012
CONQUISTADOR
Da notícia épica
feita para europeu ver, reza a crónica de uma cidade vendida por 900 mil
dólares, a um vietnamita. Pelo que vejo, uma pequena cidade, a mais pequena
cidade norte-americana, de seu nome Buford, vendida na passada 5ª feira, em
leilão. Quem vende assim uma cidade, mesmo uma cidade pequena, sem estar a
espera de um troco, mesmo que somente para compensar algum dinheiro investido,
em infra-estruturas, edifícios, rotundas…? A circunstância tremendamente evidente
de o Conquistador ser um vietnamita, mais curiosa faz a estória, ilustrando quiçá
uma pequena, mas saborosa vingança. Quem sabe, para ser servida fria a qualquer
americano mais patriota. O sabor da conquista é tanto mais enleante, quanto o
sabor a vitória conquistada. Todos os que, como nós, navegamos para lugares
desconhecidos, partem com um desejo secreto de um dia poder reclamar algo de
seu na tal conquista. Mesmo que seja num leilão, onde o objecto exposto está
sujeito a todos os olhares, cobiçado por mil desejos, sendo que a maior parte
deles nunca se poderão realizar, por nítida falta de fundos. Seja então o
Conquistador, aquele que logra a esperança
de algo encontrar, mesmo disfarçado, And
in your death-masked face / There are no signs which can be seen (1) . Que faça seu
o triunfo, mesmo que efémero, de uma conquista de duvidoso sabor, que seja o
seu, tudo bem, que não envolva mais que isso, mas ao qual devemos prestar a
devida homenagem, como vem na canção. Num tempo em que há quem nada saiba, nem
possa nunca conquistar, porque simplesmente não possui, nem a classe, nem o
saber, nem muito menos a virtude, para poder a tal aspirar. Porque lhe faltará
audácia, perspicácia e tudo o mais que o conquistador tem que ter, para de
facto Conquistar…
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(1)
Extracto de “Conquistador”, Gary Brooker and Keith Reid, Procol Harum, 1967
29 Março 2012
Os novos fascistas…
Passos Coelho e seus amigos fascistóides querem fazer de Portugal um país de trabalho escravo, esta a realidade. Estão a lançar diariamente o País na recessão, provocada obviamente pelas famigeradas políticas de austeridade. Alguém terá que os travar, seja de que maneira for…
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Mariana Aiveca, deputada do Bloco de Esquerda
“A funcção do partido conservador é a manutenção da ordem
contra todas as invasões que directa ou indirectamente ameacem a integridade da
organisação existente. Em todas as velhas sociedades os governos são por essa
rasão, os inimigos natos do progresso. A evolução progressiva da humanidade
realisa-se, a despeito d'elles, pela elaboração irresistivel das idéas fora da
esphera official, sob a acção das descobertas da sciencia ou das suggestões da
arte. O mais que fazem os governos é submetterem-se ás transformações sociaes
que a solução de cada novo problema resolvido pela sciencia impõe á existencia
dos povos. Os governos, portanto, sempre que uma forte effervescencia
intellectual não agita a sociedade e os não abala constantemente na eminencia
do seu posto forçando-os a concessões successivas, tendem ao retrocesso".
Ramalho
Ortigão / Eça Queiroz, “As Farpas, Tomo
VIII, Jan a Fev 1877
A propósito da abertura do debate parlamentar sobre as alterações
ao Código do Trabalho promovidas pelo Governo, o ministro Álvaro disse “Esta é uma proposta que salvaguarda os
direitos dos trabalhadores e o seu direito ao trabalho”. Desmistificar esta
linguagem, este conceito, torna-se agora, mais que nunca, uma necessidade. O ministro
Álvaro, já o sustentei antes, é um dos muitos membros do governo que utiliza
uma linguagem protofascista, com uma carga ideológica assustadoramente
conservadora. Para além de errada, do pondo de vista prático. Alguém lhe disse (1),
relativamente ao despedimento por inadaptação, que a serem adoptadas hoje, o
primeiro a ser despedido seria o próprio Álvaro. Ontem, no debate promovido
pela inefável estação TSF, o Secretário de Estado do Emprego, ignorou por
completo as estatísticas europeias, que colocam o nosso país na cauda da
Europa, nos índices que reportam a baixos salários, à desigualdade e à
distribuição da riqueza. E, lá bem no topo, nomeadamente, no valor do IVA e nos
preços dos combustíveis. Estes agentes que nos governam são a expressão mais
vil da baixeza intelectual e da mediocridade mais atávica. Falam do que não
sabem, defendem posições insustentáveis, como por exemplo de que a
produtividade tem a ver com o aumento das horas de trabalho, ou com a diminuição
dos dias feriados. Curiosamente, dados publicados pelo Eurostat, no final do
ano 2011, indicam que os gregos são quem trabalha mais horas na UE e os
portugueses estão em 4º lugar, logo a seguir a Áustria, Grécia e Reino Unido. Por
outro lado, segundo estudo da OCDE, também de 2011, Portugal é o país europeu
onde se trabalha mais horas, com e sem vencimento, por dia. Em média, os
portugueses trabalham no total cerca de 8 horas e 47 minutos todos os dias,
ocupando o terceiro lugar no ‘ranking' dos países da OCDE. Os portugueses são ainda,
os que mais horas diárias trabalham sem vencimento, com cerca de 3 horas e 53
minutos, volume de trabalho que representa 53% do PIB nacional e que nos
classifica em quarto lugar da tabela da OCDE.
Há quem diga que estes agentes,
prefiro chamar-lhes assim, acreditam mesmo nestas patranhas. E mais, que acreditam
mesmo que estas “soluções” servem mesmo para “levantar” o País. Prefiro de
longe a realidade e o que ela mostra. Primeiro, estes agentes defendem os seus
interesses e os dos parceiros da banca e dos poderosos, como se pode constatar
pela troca sucessiva de cargos públicos que a clique dirigente, que agrupa a
grande família PS+PSD+CDS vai ocupando, garantindo o pleno de um aparelho de
estado que lhes pertence e que judiciosamente vão partilhando. Segundo, porque
a frieza dos números publicados dia a dia, mostra a falência completa dos seus desígnios,
como sejam por exemplo, os dados publicados hoje, pelo Banco de Portugal, que fez
uma revisão em baixa das suas previsões para a economia portuguesa em 2012 e
2013 e que afirma que a economia portuguesa vai encolher 3,4% em 2012 e
estagnar no próximo. Para além das previsões, mais uma vez a realidade: em Janeiro
deste ano, verificou-se um aumento de 175% (!) da despesa com juros na execução
orçamental. Passos Coelho e seus amigos fascistóides querem fazer de Portugal um país de trabalho escravo, esta a realidade. Estão a lançar diariamente o País na recessão, provocada obviamente pelas famigeradas políticas de austeridade. Alguém terá que os travar, seja de que maneira for…
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Mariana Aiveca, deputada do Bloco de Esquerda
21 Março 2012
Um dia de Poesia e Luta
Um dia como qualquer outro, de certa forma penteado aqui e ali por coisas
boas e outras más, notícias telúricas e aterradoras, polvilhadas com o tempero
amargo da austeridade, declarações mais ou menos parvas dos idiotas que governam
o País, evidências bem pouco evidentes da inevitabilidade, um fascismo branco
numa Europa que cedeu por completo a um império que lembra o antigamente, um medo
que se instala. Enfim, Perdoai-lhes
Senhor/Porque eles sabem o que fazem…. Todavia, há Uma pequena luz
bruxuleante/brilhando incerta mas brilhando/aqui no meio de nós/entre o bafo
quente da multidão, que pode significar a
esperança, se esta não ficar pelo baixar de braços á espera de nada, se for
actuante, onde Tudo é incerto ou falso ou
violento: brilha, onde Tudo é terror
vaidade orgulho teimosia: brilha.
Um dia, pelo menos um, que a Poesia brilhe. E que o Poeta seja heróico como Sena,
terno como Florbela, sensível como Sofia, corrosivo como O'Neill, militante
como Ary. E que o Poema Cante no cimo das chaminés /que se levante e faça
o pino em cada praça, e que seja microfone e fale/uma noite destas de
repente às três e tal/para que a lua estoire e o sono estale/E A GENTE ACORDE
FINALMENTE EM PORTUGAL!!!
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Referências:- Jorge de Sena: “Uma pequenina luz bruxuleante”
- Fernando Pessoa: “Isto”
- Manuel Alegre: “Poemarma”
- Sophia de Mello Breyner Andresen: “As pessoas sensíveis”
14 Março 2012
Alguém amigo queria um relato da minha experiencia no Hospital, durante uma semana.
Aí vai, foi você que pediu um RELATO???
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Logo aos 6 minutos de jogo, jogada perigosa da PSA. Um cruzamento do lado esquerdo, bombeado na área, antecipação do extremo Biopsia e, golo. 1 a zero portanto, resultado que nem se pode dizer justo, com tão pouco tempo de jogo e as equipes a estudarem-se, como é vulgar nestas situações. Jogo empapado a meio-campo, com a equipa vencedora a resguardar-se, nada a assinalar para já, a não ser a actuação mais que insidiosa do árbitro, sempre a proteger a equipa forasteira. Foras de jogo mal assinalados pelo fiscal de linha, cuja passa agora a ser dura e, uma linha dura tem as consequências que se advinham, como por exemplo, a mostragem de cartões amarelos fora de tempo e com a nítida persuasão de confundir o adversário, com atitudes deveras neoplásicas. Finta de um lado, finta do outro, o ponta de lança dos Próstaticos 2011, enfia a bola na baliza, mas o árbitro anula o lance, por alegada falta sobre o guarda-redes da PSA. O campo cirúrgico, ou seja, o estádio, levanta-se perante tamanha grosseria do árbitro. Este, de apito entre as pernas, dirige-se ao banco dos Próstaticos 2011 e, sem mais nem menos, expulsa o técnico local. Sem mais delongas, chovem no relvado, pinças, cateteres, algálias, compressas, drenos, epidurais, e um sem número de paracetamois chineses, cuja utilização, diga-se entrementes, está interdita nos campos nacionais. O intervalo chega com o 1 a zero, uma injustiça para a equipa da casa, que merecia pelo menos, o empate.
Muito decerto a mudar ao intervalo pelo médico-treinador dos Próstaticos 2011. Umas substituições para segurar o meio-campo e reforçar o ataque. Este relato tem o patrocínio exclusivo de Radical 2000, a melhor forma de remover a sua próstata, sem dor e sem irritação: remova a sua próstata já e não pense nela amanhã! Aproveite os sensacionais descontos de início de época: remova a sua próstata e leve 2 algálias para casa de oferta. Uma algália é melhor que uma Amália!
Inicio da 2ª parte. Substituídos ao intervalo, na equipa da casa, Vesícula por Uréter e ainda Prostatito por Drenno, unidades que, no entender do treinador, deveriam desequilibrar a balança, para o lado desejado. Por outro lado, diga-se de passagem, os 2 jogadores substituídos não tinham rendido o suficiente. 15 minutos da 2ª parte, lance de ataque perigoso, Uréter entra pela esquerda, cruza e Drenno faz golo de trivela. Empate, o jogo está vivo. Um penalti não assinalado aos 32 minutos sobre Ingua, poderia ter contribuído para que a equipa da casa se colocasse em vencedora, mas as coisas são assim mesmo. Até que aos 41 minutos, um centro da direita de Testículo e Pénis de cabeça estabelece o 2 a 1, que haveria de manter-se até ao final, consagrando a vitória da equipa da casa, com todo o mérito e justiça.
No flash interview, o médico-treinador dos Próstaticos 2011 sublinhou a justeza da vitória, dizendo a propósito que a equipa adversária não tinha jogado para ganhar, e aconselhou ao técnico da equipa contrária, uma consulta de estomaterapia. Queixou-se de violência física, não se sabe de quem, a um dos jogadores da sua equipa, que saiu com uma lesão na mão esquerda, ao que foi depois foi averiguado ser um problema no túnel… Já o responsável pela equipa PSA, declarou-se urostomizado e recomendou ao colega adversário, o uso cuidado do ureterorenoscópio.
E prontos….
Aí vai, foi você que pediu um RELATO???
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RELATO-QUASE-CLÍNICO
Logo aos 6 minutos de jogo, jogada perigosa da PSA. Um cruzamento do lado esquerdo, bombeado na área, antecipação do extremo Biopsia e, golo. 1 a zero portanto, resultado que nem se pode dizer justo, com tão pouco tempo de jogo e as equipes a estudarem-se, como é vulgar nestas situações. Jogo empapado a meio-campo, com a equipa vencedora a resguardar-se, nada a assinalar para já, a não ser a actuação mais que insidiosa do árbitro, sempre a proteger a equipa forasteira. Foras de jogo mal assinalados pelo fiscal de linha, cuja passa agora a ser dura e, uma linha dura tem as consequências que se advinham, como por exemplo, a mostragem de cartões amarelos fora de tempo e com a nítida persuasão de confundir o adversário, com atitudes deveras neoplásicas. Finta de um lado, finta do outro, o ponta de lança dos Próstaticos 2011, enfia a bola na baliza, mas o árbitro anula o lance, por alegada falta sobre o guarda-redes da PSA. O campo cirúrgico, ou seja, o estádio, levanta-se perante tamanha grosseria do árbitro. Este, de apito entre as pernas, dirige-se ao banco dos Próstaticos 2011 e, sem mais nem menos, expulsa o técnico local. Sem mais delongas, chovem no relvado, pinças, cateteres, algálias, compressas, drenos, epidurais, e um sem número de paracetamois chineses, cuja utilização, diga-se entrementes, está interdita nos campos nacionais. O intervalo chega com o 1 a zero, uma injustiça para a equipa da casa, que merecia pelo menos, o empate.
Muito decerto a mudar ao intervalo pelo médico-treinador dos Próstaticos 2011. Umas substituições para segurar o meio-campo e reforçar o ataque. Este relato tem o patrocínio exclusivo de Radical 2000, a melhor forma de remover a sua próstata, sem dor e sem irritação: remova a sua próstata já e não pense nela amanhã! Aproveite os sensacionais descontos de início de época: remova a sua próstata e leve 2 algálias para casa de oferta. Uma algália é melhor que uma Amália!
Inicio da 2ª parte. Substituídos ao intervalo, na equipa da casa, Vesícula por Uréter e ainda Prostatito por Drenno, unidades que, no entender do treinador, deveriam desequilibrar a balança, para o lado desejado. Por outro lado, diga-se de passagem, os 2 jogadores substituídos não tinham rendido o suficiente. 15 minutos da 2ª parte, lance de ataque perigoso, Uréter entra pela esquerda, cruza e Drenno faz golo de trivela. Empate, o jogo está vivo. Um penalti não assinalado aos 32 minutos sobre Ingua, poderia ter contribuído para que a equipa da casa se colocasse em vencedora, mas as coisas são assim mesmo. Até que aos 41 minutos, um centro da direita de Testículo e Pénis de cabeça estabelece o 2 a 1, que haveria de manter-se até ao final, consagrando a vitória da equipa da casa, com todo o mérito e justiça.
No flash interview, o médico-treinador dos Próstaticos 2011 sublinhou a justeza da vitória, dizendo a propósito que a equipa adversária não tinha jogado para ganhar, e aconselhou ao técnico da equipa contrária, uma consulta de estomaterapia. Queixou-se de violência física, não se sabe de quem, a um dos jogadores da sua equipa, que saiu com uma lesão na mão esquerda, ao que foi depois foi averiguado ser um problema no túnel… Já o responsável pela equipa PSA, declarou-se urostomizado e recomendou ao colega adversário, o uso cuidado do ureterorenoscópio.
E prontos….
23 Fevereiro 2012
Zeca Afonso, a
Voz da Cidadania
“Viva a malta e trema a terra
Aqui ninguém arredou
nem há-de tremer na Guerra
Sendo um homem como eu sou".
“Viva a malta e trema a terraAqui ninguém arredou
nem há-de tremer na Guerra
Sendo um homem como eu sou".
“Canta
camarada”, Zeca Afonso, 1969
Ousaste um dia dizer, O Povo é quem mais ordena, num tempo em a negra noite cobria
Portugal e os cidadãos não tinham voz. E, em Abril, serias a bandeira que
jamais renegaremos. Passados tantos anos, sabes que cantamos ainda contigo, na cidade que tem
praças de palavras abertas, onde Não
há céu de palavras/não há rua de sons
que a palavra não corra/à procura da sombra de uma luz que não há. Ali,
mais além há mulheres e homens que lutam, e tu, sempre presente para lhes dares
a Voz que nunca tiveram, nunca terão, Quem
dera que a gente tenha/De Agostinho a valentia/Para alimentar a sanha/De
esganar a burguesia, sábias palavras, tão actuais quanto no
tempo dos Índios, que na Meia-Praia moravam, ali mesmo ao pé de Lagos. Recordo os tempos em que te ouvi, em
Coimbra, em caves, onde entravamos um ou dois de cada vez e donde saíamos por
traseiras que acabamos por conhecer de cor. E, durante tantos anos de boa
memória, não havia concerto digno desse nome, que não terminasse com a malta
toda no palco, cantando a Terra da
Fraternidade, uma Grândola de um Alentejo que produzia e que agora transformaram
num deserto com gente. E se, um dia destes viermos gritar bem alto, Dum botão de branco punho/Dum braço de fora preto/Vou pedir contas ao
mundo, será que
alguém vai prestar contas da forma desastrosa como este nosso Portugal tem sido
vendido ao desbarato? Tu avisaste, Mandadores
de alta finança/Fazem tudo andar p´ra trás/Dizem que o mundo só anda/Tendo à frente
um capataz, e aqui estamos agrilhoados a uma austeridade que
exclui cada vez mais cidadãos e inverte completamente as promessas de Abril.
Para eles, apenas um Redondo Vocábulo,
para nós A fúria cresce/Clamando vingança. Contra os novos Vampiros,
seremos
sempre, como tu, Filhos de uma Madrugada, navegando de Vaga em vaga/Para
não se apagar a chama/Que dá vida na noite inteira. Porque sabemos bem o
que queremos, 25 anos que hoje cantamos, Cidade
sem muros nem ameias/Gente igual por dentro/Gente igual por fora. Sim, a
tua Utopia, Zeca: Toma o fruto da terra/É teu a ti o deves/Lança
o teu desafio. Corramos com o Gastão
que era perfeito/conduzido por seu dono e proclamemos: Já o tempo/Se habitua/A estar alerta…
----
Excertos: “Grandola Vila
Morena”, “A Cidade”, “Os Indios da Meia-Praia”, ”Avenida de Angola“, “Redondo
Vocábulo”, “Utopia”, “Canto Moço”; “Gastão era perfeito”, “Já
o tempo se habitua”
14 Fevereiro 2012
“Pára para pensar, ao menos para ler o que os outros pensam…”
Do Livro dos Conselhos
Na cidade há um jardim para os namorados (1), com sabor a português e a mar, na doce e quente aragem da África profunda. A subtil diferença entre “de” e “para” fica ao sabor da imaginação, neste dia em que as diferenças contam porventura mais que nunca. No dia em que convocamos Sofia, para atravessar com ela o deserto do mundo, Por ti deixei meu reino meu segredo / Minha rápida noite meu silêncio / Minha pérola redonda e seu oriente (2), um apelo vigoroso de entrega e de partilha. Será isto o amor, aquele sentimento que o Autor diz ser louco, porque sábio e o mais sublime que a alma pode alcançar (3)? No jardim pode-se namorar, sem ser piegas, uma moda posta em cena, por alguém insuspeito de se dedicar a coisas dessas, ocupado que está em nos levar para um mundo deserto, sem atravessar coisa nenhuma e sem a loucura surrealista dos anos 30. Que pena. Por nós, alinhamos com a pichagem de parede, algures para os lados do Principie Real, uma das pérolas da cidade do lado de cá. Um convite, uma tentação, uma provocação claro. Passamos de novo para o outro lado, onde faz calor quando cá nem por isso, convocando Viriato (4), ensinando um doce Namoro, Mandei-lhe uma carta em papel perfumado / e com letra bonita eu disse ela tinha / um sorrir luminoso tão quente e gaiato…Aí Benjamim, quem não sabe, quando mandou recado pela Zefa do Sete, para ver se pegava. E não é que pegou mesmo, a gente sabe de cor… Do lado de cá, andámos porém tão atarefados, que nem reparamos a quem nos pisca o olho malandro, no autocarro ou no metro. Amai-vos porra!, pode ser o abanão que precisamos. A vida é nossa, porra!
(1) Referência ao Jardim dos
Namorados, cidade de Maputo, entre o Miradouro e o Quartel General (Moçambique)
(2) “Para atravessar contigo o deserto do mundo”, Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)
(2) “Para atravessar contigo o deserto do mundo”, Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)
(3) Referência a Andre Breton “O Amor Louco”, 1934
(4) Viriato Clemente da Cruz, poeta angolano
01 Fevereiro 2012
“Uma mão lava a outra,
o champô só lava cabeças. Duras, claro!”
Do Livro dos Conselhos Inúteis
Com polvo e algum champô à mistura se vai fazendo justiça em
Portugal. Uma verdadeira justiça de classe, não uma justiça com classe. Um octópode
que se preza tem oito
tentáculos ao redor da boca e não lava a cabeça. Um champô digno desse nome,
tem marca, logotipo e vende-se numa loja da Baixa, pelo módico preço de 25
euros. Imagino um isaltino enredado nas pernas sebosas do polvo, fumando
charuto e sorrindo de soslaio para o magistrado. Interpus recuso, diz o polvo,
aliás uma providência cautelar para não ser cozinhado. Na peça, o champô
transita do jaguar do autarca, para a bicleta do sem-abrigo. Roubada, claro. E,
subtraindo o preço do quilograma do molusco, ao do mililitro do champô,
obtemos o delicioso resultado, 100 dias de precária, mais as coimas e o lanche
do defensor oficioso. E, somando a lata do polvo, já em conserva claro, à
parvoíce declarada do funcinário de justiça, obtemos uma variável muito comum em
Portugal: a puta que os pariu! A diferença entre o roubo do lavado molusco e o
subtil desvio do isaltino é apenas uma questão de retórica. A vida continua
entretanto, a luva branca e a cartola valem o que sabemos, o sem-abrigo é
abaixo de cão e só mesmo o medo que se vai instalando, impede que alguém bem-intencionado
um dia acorde mal disposto e faça uma asneira daquelas.
Para que serve abrir um ano judicial?
22 Janeiro 2012
Ao homem que clama estar a passar dificuldades por ter abdicado do vencimento a que o cargo compete, vivendo exclusivamente das suas reformas, que rodam os 10 mil euros mensais e que diz que, somente o facto de ter sido poupado toda a vida, arrecadando uns tostões para se ir sustentando, lhe permite agora fazer frente a tanta despesa (!), só podemos aventar que assim continue, como exemplo da poupança nacional a que obrigam os tempos que correm. Embora se possa pensar também que é estulto quem vive acima das suas possibilidades, regra de ouro e, ao mesmo tempo um estigma, que justifica a imposição da austeridade. Seguindo a norma de quem nos ensina todos os dias, voltamos ao homem que se supõe representar o País, para avaliar a profundidade das suas declarações em Guimarães, capital europeia da cultura, termo aliás que para o homem deve ser coisa estranha, que ao largo lhe passa. Não poderá dizer, como Homero, De muitos homens vi as cidades e conheci os pensamentos, dado que parece só se ver a si próprio e limitado aos pequenos círculos que vai traçando, à volta das suas conhecidas amizades e das paragens protegidas da sua coutada algarvia. Um homem que não aprende, será porventura a melhor definição e o pior insulto. Saber se o “merece” só dele depende. Poderia, citando Italo Calvino, perder-se a memória, em termos civilizacionais, sem a marca do passado e um projecto de futuro. Como a não perdemos e temos do futuro uma visão dinâmica, voltamos ao homem que não aprende, apenas para o colocar no lugar a que tem direito, lixo será porventura pouco preciso para ataviar, muito embora se tenha rodeado dele, nomeadamente quando chamou para o conselho de Estado, um ladrão de cartola, com quem mantinha relacionamento conhecido. Como sabemos que não aprende, não saberá sequer medir o tremendo insulto que fez a todos aqueles a quem diariamente são exigidos sacrifícios, areia de mais para uma camioneta carregada de cinzentismo e hipocrisia. Um cidadão a quem se exige exemplo, mostra a verdadeira face da sua pequenez. Como ainda nos lembramos, Nunca me engano e raramente tenho dúvidas, de facto a melhor definição para quem não sabe nem quer aprender, deixamos para o homem o conselho de Hemingway, São precisos dois anos para aprender a falar e sessenta para aprender a calar, esperando que se cale de vez!
18 Janeiro 2012
OS AMARELOS
Não se trata então de um acordo. O problema reside também no aspecto psicológico. Das pessoas e também das instituições. Pretende-se passar a mensagem de que houve um acordo tripartido: governo, patrões e trabalhadores. E esta mensagem vai passando, dia após dia, hora após hora, na comunicação social, vendida aos grandes interesses. Começa sempre da mesma maneira, “foi assinado um acordo laboral entre os parceiros sociais e o governo…”, “…a CGTP pôs-se de fora, abandonando as negociações”. Umas horas depois, já nem se fala da CGTP, mas somente do acordo que foi assinado e … garante apoio da sociedade às medidas do governo…, o governo fica agora numa situação mais confortável, após o acordo assinado…, a nova situação criada pela assinatura do acordo…. Perante este cenário, as pessoas que só lêem os títulos, que só têm tempo, quando têm, de ouvir os telejornais oficiais, passam a ficar automaticamente convencidas de 2 coisas. A primeira, que houve um conjunto de organizações (…) que se esforçaram por chegar a um acordo. A segunda, como sempre, a CGTP auto exclui-se do processo, os mesmos de sempre, nunca assinam qualquer acordo. Todos os portugueses têm que estar unidos, com o se fosse uma equipa de futebol, diz o fascistóide Álvaro, que veio do Canadá ensinar a teoria do pastel de nata e outras alarvidades. A união nacional do antigamente, está de volta, pelas vozes autorizadas e sensatas destes governantes medíocres, de que o Álvaro é porventura o expoente máximo. Vejamos, aos trabalhadores impõem-se as medidas que se conhecem, aos patrões nada é pedido, aos fabulosos gestores que temos oferecem-se ordenados de 45 mil euros mensais, para além de reformas de 9 mil, como o caso do homem do pintelho… Vão ser reclamadas verbas indevidamente pagas pela Segurança social a trabalhadores, sem dizer se que em muitos desses casos a responsabilidade é mesmo do sistema, e os roubos descarados no BPN e no BPP continuam sem rosto. Arrecadar dinheiro mal pago pela Segurança Social, uns tostões, comparados com os escândalos financeiros de Dias Loureiro, por exemplo. E dos outros amigos do Cavaco, o tal que anda por aí a espalhar boa-vontade e caridade, aos pobrezinhos e desfavorecidos e muito preocupado com as desigualdades.
O lema parece agora ser: trabalhar mais a receber menos, com menos direitos e um aumento da exploração com trabalho forçado. Tal e qual!
Como é, de um momento para o outro viraram para
amarelo? Não, nem por isso, sempre o foram. E, nos momentos decisivos, assumem
a sua verdadeira face de traidores do movimento sindical e dos trabalhadores. Até,
pelos vistos, dos seus próprios associados, a acreditar nas notícias vindas a
terreiro após a assinatura do acordo.
Aliás, foi assim que apareceram, uma organização inventada pelo Mário Soares,
para lutar contra a unidade sindical. Constituída ao contrário, isto é de cima
para baixo, será sempre o rosto da divisão, dos interesses partidários do PS e
do PSD /CDS, na capitulação intolerável aos mais elementares princípios de
ética sindical. O que não significa que não existam na dita organização,
trabalhadores empenhados na luta pelos seus legítimos direitos. O que estão é
enganados. Vão sempre a tempo de rever a sua posição. A única organização que
defende os trabalhadores é, sem qualquer dúvida, a CGTP – Intersindical Nacional.
Assim mesmo.
O pretenso acordo
na concertação social, não é pois um verdadeiro acordo. Não passa de uma
imposição do governo e dos patrões, para legitimar as alterações na legislação
laboral e a instauração de um estado de sítio, em termos de direitos dos
trabalhadores. Serve para tornar mais fácil e mais barato despedir e reduzir indemnizações,
subsídios, férias e feriados. A CGTP afirma, a propósito, “É um compromisso que coloca o Estado e o dinheiro dos nossos impostos
ao serviço dos grandes grupos económicos e financeiros e fragiliza a segurança
social, ao forçá-la a financiar as empresas para baixar salários, generalizar a
precariedade e, de seguida, enviar os trabalhadores para o desemprego.”Vale
a pena atentar ainda no que diz o PM, “Acordo laboral é mais inovador e audaz do que previa o memorando com a troika”. E finalmente
no que diz um porta-voz do PS, “Este é um
mau acordo”. Entretanto e, para lançar ainda mais confusão, o agente João
Proença, diz que “A paz social não está
garantida…” Claro que não está, ainda bem que não está!Não se trata então de um acordo. O problema reside também no aspecto psicológico. Das pessoas e também das instituições. Pretende-se passar a mensagem de que houve um acordo tripartido: governo, patrões e trabalhadores. E esta mensagem vai passando, dia após dia, hora após hora, na comunicação social, vendida aos grandes interesses. Começa sempre da mesma maneira, “foi assinado um acordo laboral entre os parceiros sociais e o governo…”, “…a CGTP pôs-se de fora, abandonando as negociações”. Umas horas depois, já nem se fala da CGTP, mas somente do acordo que foi assinado e … garante apoio da sociedade às medidas do governo…, o governo fica agora numa situação mais confortável, após o acordo assinado…, a nova situação criada pela assinatura do acordo…. Perante este cenário, as pessoas que só lêem os títulos, que só têm tempo, quando têm, de ouvir os telejornais oficiais, passam a ficar automaticamente convencidas de 2 coisas. A primeira, que houve um conjunto de organizações (…) que se esforçaram por chegar a um acordo. A segunda, como sempre, a CGTP auto exclui-se do processo, os mesmos de sempre, nunca assinam qualquer acordo. Todos os portugueses têm que estar unidos, com o se fosse uma equipa de futebol, diz o fascistóide Álvaro, que veio do Canadá ensinar a teoria do pastel de nata e outras alarvidades. A união nacional do antigamente, está de volta, pelas vozes autorizadas e sensatas destes governantes medíocres, de que o Álvaro é porventura o expoente máximo. Vejamos, aos trabalhadores impõem-se as medidas que se conhecem, aos patrões nada é pedido, aos fabulosos gestores que temos oferecem-se ordenados de 45 mil euros mensais, para além de reformas de 9 mil, como o caso do homem do pintelho… Vão ser reclamadas verbas indevidamente pagas pela Segurança social a trabalhadores, sem dizer se que em muitos desses casos a responsabilidade é mesmo do sistema, e os roubos descarados no BPN e no BPP continuam sem rosto. Arrecadar dinheiro mal pago pela Segurança Social, uns tostões, comparados com os escândalos financeiros de Dias Loureiro, por exemplo. E dos outros amigos do Cavaco, o tal que anda por aí a espalhar boa-vontade e caridade, aos pobrezinhos e desfavorecidos e muito preocupado com as desigualdades.
O lema parece agora ser: trabalhar mais a receber menos, com menos direitos e um aumento da exploração com trabalho forçado. Tal e qual!
Sempre e ainda a inevitabilidade. O mesmo discurso de
culpabilização, patente nas afirmações dos políticos e comentadores do regime
sobre produtividade e competitividade. Um exercício diário e constante, para
fazer crer que a falta de uma e a diminuição da outra, são causadas pelos
salários dos trabalhadores, pelas faltas ao trabalho, pela apertada legislação
laboral, entre outras falsas asserções. Nunca está em causa o desempenho dos
responsáveis, gestores, presidentes ou directores. Nunca. Aliás, até há prémios
para tal: um autarca, caloteiro a uma empresa do Estado, que passa agora para
gestor dessa mesma empresa.
Este acordo significa pois, um retrocesso
civilizacional de várias décadas, a nível dos direitos do trabalho, como
bem afirmou Carvalho da Silva. Que a Força esteja com ele, com a nossa CGTP e
com todas/os aquelas/es que realmente defendem os direitos dos trabalhadores!12 Janeiro 2012
Prefiro chamar-lhes pedreiros. Embora com avental e sem martelo, são figuras essenciais da estória. Porque se dedicam à construção. Parece, à primeira vista, não estarem sindicalizados, nem terem contribuído em nenhuma das greves. Meu caro, a coisa é assim, Entras pela Ongoing, viras à direita na secreta, vais sempre em frente até ao Oriente e aí apanhas o metro para o Parlamento, é perto da estação do rato; aí chegado, sobes uma escadaria, procuras duas salas, ambas começam por P, uma com um S e a outra com um S e um D, fiz-me entender, ou queres que faça um desenho. O chefe não sabe de nada, nem quer saber, o outro da TVI não entrou porque quis fazer-se de fino. Mas o que raio será uma Ongoing, nunca ouvi falar, pode ser uma daquelas tretas de publicidade dos bancos, que nos impingem todos os dias, tenho que me desenrascar, parece que é urgente. Encontro na Avenida uma data de fulanos a falar da loja do Mozer, foi o que me pareceu, sei que era do Benfica e treinou na Naval, mas nem sei onde pára agora. Ou então é outro qualquer, os meus conhecimentos de música andam um pouco por baixo. Sabes que mais, é preciso seres iniciado para entrar, Já tenho idade para jogar nos seniores, mas pronto.
Please allow me to introduce myself, I’m a man of wealth and taste, Pleased to meet you, hope you guess my name, But what’s puzzling you, is the nature of my game, pensei que se adequava à cena, sabia lá eu que o gajo me enfiava na cozinha, com o tal avental, e me mandava estrelar uns ovos, se calhar para me experimentar. A coisa era contudo mais complicada, tinha que ir espiar para a Quinta da Marinha, eu que até sou uma pessoa simples, paragens de ricaços não era bem o meu forte, vai o outro aos arames, Quem pensas que és para mandar bitaites, faço já queixa ao grande mestre, eu ouvi assim e lembrei-me do outro do filme, que era o do crime, oh valha-me deus, que é grande e está por toda parte…
Tens que fazer confiança com ele e depois sacas a informação e vens contar tudo. Penso, Foi para isto que eu aprendi a profissão de meu pai, levantar paredes e outras mandar abaixo, conforme o desejo do cliente, agora pôr-me à escuta. Depois talvez se arranje alguma coisa numa daquelas empresas dele, já me estava a ver a arranjar a equipa do meu primo, para assentar o tijolo, Qual primo, qual carapuça, não estás mesmo a topar a cena, ouviste, muito complicada a situação, ainda por cima queria ir para casa, horas do futebol em canal aberto, Eu é que te digo the nature of my game, aí fiquei mesmo lixado, mandei o gajo às urtigas. Resultado, apanho uma pazada com a trolha, que dizem ser um instrumento neutro e símbolo da tolerância, pois sim, fiquei com elas e uma dor de costas do caraças…
Quando for grande, não quero ser pedreiro…
11 Janeiro 2012
A melhor notícia de 2012!
Os trabalhadores dos CTT processaram o Estado por causa dos cortes salariais aplicados no ano passado, decorrentes do Orçamento do Estado. Carris e Metro estão entre as empresas visadas. Muito embora, a acção tenha tido contestação, este é um excelente sinal de resistência neste novo ano e significa um bom prenúncio. De facto, a decisão do Tribunal do Trabalho de Lisboa em relação aos CTT pode ter aberto um precedente. Os juízes deram razão ao sindicato, obrigando a empresa a devolver o dinheiro que retirou à remuneração dos funcionários. Para além disso, terá de pagar juros de mora, incluindo as partes pecuniárias dos subsídios de refeição, trabalho suplementar, trabalho nocturno e abono de ajudas de custo e transporte referentes àquele período.
Sabe-se que, pelo menos quatro ou cinco sindicatos de empresas públicas do sector dos transportes e comunicações seguiram o exemplo dos trabalhadores dos CTT. E, da parte da CGTP surgiu também a confirmação de que há várias acções a decorrer, abrangendo praticamente todos os sindicatos de empresas públicas afectas à central sindical.
Os trabalhadores dos CTT processaram o Estado por causa dos cortes salariais aplicados no ano passado, decorrentes do Orçamento do Estado. Carris e Metro estão entre as empresas visadas. Muito embora, a acção tenha tido contestação, este é um excelente sinal de resistência neste novo ano e significa um bom prenúncio. De facto, a decisão do Tribunal do Trabalho de Lisboa em relação aos CTT pode ter aberto um precedente. Os juízes deram razão ao sindicato, obrigando a empresa a devolver o dinheiro que retirou à remuneração dos funcionários. Para além disso, terá de pagar juros de mora, incluindo as partes pecuniárias dos subsídios de refeição, trabalho suplementar, trabalho nocturno e abono de ajudas de custo e transporte referentes àquele período.
Sabe-se que, pelo menos quatro ou cinco sindicatos de empresas públicas do sector dos transportes e comunicações seguiram o exemplo dos trabalhadores dos CTT. E, da parte da CGTP surgiu também a confirmação de que há várias acções a decorrer, abrangendo praticamente todos os sindicatos de empresas públicas afectas à central sindical.
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800 presos políticos teriam passado pelas celas da prisão, 160 será o número que actualmente lá se encontra, tudo isto porém envolto num secretismo, mais próximo da Guerra Fria, do que da era dourada que muitos acreditariam ser o consulado Obama. Não deixa também de ser no mínimo curioso, o ataque cerrado que os EUA fazem habitualmente a Cuba, por causa dos presos políticos e dos direitos humanos…
Exigir o encerramento de Guantánamo e a realização de inquéritos aos autores, é um acto de cidadania. Exigir ao mesmo tempo, o fim das detenções arbitrárias, das detenções ilimitadas sem julgamento e da utilização da tortura. Exigir finalmente que as transferências de prisioneiros sejam efectuadas segundo as leis internacionais, bem ao contrário da prática corrente, que já ocasionaram aliás, em várias situações, protestos da comunidade internacional.
10 Janeiro 2012
"Eu revolto-me, logo existo"
Albert Camus
O
início deste novo ano nada de novo traz, no plano político. A nível interno, as
trapalhadas do costume, as habituais mensagens de ano novo, completamente
vazias de conteúdo e do resto, mais as outras que, apesar de terem alguma
substância, apenas significam mais do mesmo, austeridade, sacrifício e
inevitabilidade. A nível externo, a politica de dominação e exploração da
riqueza, continua, agora descaradamente, com a ditadura alemã a sobrepor-se a
todo e qualquer processo de equilíbrio europeu, ao menos conjuntural.
As
escolhas do governo português, espelham a mais ignóbil ideologia ultraliberal,
que como se sabe, conduz apenas ao desastre económico dos países e das
populações e ao enriquecimento de um pequeno grupo de agiotas, que se alimenta
do sistema e que, nunca pode perder um cêntimo que seja, na chamada crise dos
mercados. A venda da EDP, por exemplo, significa a cedência do sector da energia, estratégico em qualquer
país, ao capital estrangeiro. Mas esta é apenas uma das muitas que se irão
seguir: vender tudo, se possível a preço de saldo, que é a época deles. Deve
dizer-se a propósito que, aquele senhor que ora ocupa o cargo de Presidente da
República, e que agora se preocupa com os pobrezinhos e os reformados, foi o
primeiro responsável pelas privatizações e pela sucessiva hipoteca do País.
Mesmo que possa parecer à primeira vista que estão em desacordo, um e outro,
Presidente e Governo, seguem exactamente a mesma linha ideológica, os mesmos
princípios da economia da desgraça, que o primeiro quer mascarar com as ditas
preocupações sociais, de cariz meramente assistencialista, enganador porém,
pelos vistos, para a maioria da população. Exactamente o mesmo que o partido
Socialista fez, durante o tempo em que esteve no poder. E, perante o episódio
consumado que foi a de o grupo Jerónimo Martins transferir a sede social das
suas empresas para a Holanda, os comentadores que diziam aqui del rei que se
impomos novas condições aos empresários, eles vão embora daqui, estão agora
preocupados em justificar a atitude do grupo…Ficamos a saber, neste início do ano, que a fortuna acumulada de Américo Amorim, Alexandre Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo, supera o rendimento anual de cerca de três milhões de portugueses. E que o preço das novas taxas de saúde, ditas moderadoras, duplicou, no mínimo, com custos que atingem, por exemplo 20 a 50 euros nas urgências hospitalares, mais um negócio chorudo para meia dúzia de especuladores e, provavelmente um impedimento na prestação de cuidados médicos para uma grande fatia da população. E também que, na distribuição de energia, iremos ter aumentos no consumo domésticos de mais de 25%. E nos transportes, portagens e telecomunicações, bem como no sector alimentar, mais aumentos, absolutamente indiscriminados, com aqueles arredondamentos do costume, sempre em prejuízo de quem paga, de quem tem necessidade dos serviços respectivos, ou dos bens em questão.
Sabemos ainda oficialmente, sempre o soubemos
afinal, que é impossível baixar o famoso défice para a meta acordada. E que vai
haver necessidade, sempre se disse, de renegociar a divida. Porque este governo
e estas políticas só o conseguem fazer, roubando dinheiro e direitos a quem
trabalha, nomeadamente aos funcionários do Estado. É muito fácil cumprir metas,
desta forma. E, mesmo assim, parece que não as cumprem…
A comunicação
social, paga pelos grandes interesses, vai cumprindo o seu papel de preparar as pessoas, para a
inevitabilidade. É espantoso notar, dia após dia, nas notícias e nos
comentários, cuidadosamente elaborados pelos mesmos comentadores de sempre, a
preocupação em passar, nos últimos dias, a mensagem Será que vão ser necessárias mais medidas de austeridade agora em 2012?
A TSF é disso um triste exemplo, com os fóruns que diariamente organiza, e onde
inclui, no início de cada debate, um comentário económico-político de um dos
inevitáveis amigos especialistas do
Diário Económico, Dinheiro Vivo, etc… O objectivo é claramente manter a maioria
da população num estado contínuo de ansiedade e numa situação de insegurança e
angústia e que acaba por justificar a adopção de toda e qualquer medida, sem se
questionar se existe alternativa. Ao fim e ao cabo, quem defende alternativas,
não é propositadamente consultado, nem ouvido, não tendo assim qualquer direito
a existir.Esta é a versão actual de Democracia. O nosso País, como outros na Europa, está progressivamente a ser anexado, os sucessivos governos não são mais que agências de interesses, puxados por cordelinhos, cumprindo as decisões alemãs e francesas, de uma forma perfeitamente acrítica e escandalosamente submissa.
Resta apenas
RESISTIR. A partir do ponto a que isto chegou, todas as formas de resistência
são válidas.
23 Dezembro 2011
NATAL 2011
sob a capa diáfana da inevitabilidade
descobrimos uma dura realidade
é só para alguns a prosperidade!
E perante tanta adversidade
só me resta uma palavra de Amizade:
Umas Boas Festas, uma família a sorrir
mas com uma vontade enorme de resistir!
Passamos o nosso tempo a tentar perceber o que de mal fizemos para mereceremos tamanho castigo, que todos os dias nos entra portas dentro, pela rádio, televisão, jornais e revistas, um séquito requentado de comentadores pagos para pregarem a inevitabilidade, para nos ensinar que temos que ficar mais pobres, para depois podermos crescer de novo. O que eles nos querem dizer é tão simplesmente que devemos fazer sacrifícios mil e entregar as nossas pequenas mais-valias aos detentores do poder económico, aos ricos deste mundo, aos 1%, que se alimentam dos 99, de que parte fazemos. Com troikas, PECs, e agora Entendimentos. Leia-se, que vale a pena, o escrito do João Paulo Guerra, no dia de ontem, no DE, curiosamente um dos arautos mais significativos da desgraça. A Coluna Vertebral do João é um oásis no deserto de ideias daquele pasquim e ensina-nos, por exemplo, Esta bizarra relação entre governantes e governados, em que os primeiros só apontam como saída para a crise, a porta da rua.
E porque nesta quadra, que se diz festiva, nos lembramos
dos outros, tentemos por agora desconstruir esta miserável demissão de responsabilidades
dos tais que, governando se acham responsáveis. Indignos representantes,
ignóbeis agentes, tristes intérpretes, que apenas são capazes de andar pela
trela da ditadora alemã e do seu parceiro, o palhaço francês. Não há uma única ideia
de progresso para o País, uma réstia de esperança para os trabalhadores, desta
autêntica agência de liquidação, que é o governo da direita.
Nem numa quadra como esta lhes podemos dar tréguas,
nem sequer desejar-lhes as costumeiras boas-festas. Festa faremos quando,
espera-se que breve, os virmos partir, se possível para o país da outra, que
ora os domina como quer. Só merecem o nosso desprezo e a um desejo imenso de
reforçar a Luta porque, como bem diz
o cartaz, Só com Ela se constrói o Futuro.
01 Novembro 2011
Que rebente!
Perante o anúncio do Governo grego ter anunciado que vai referendar o segundo pacote de resgate acordado na última cimeira europeia e que tem como pressuposto o perdão de 50% da dívida grega pelos credores privados, as bolsas europeias abriram esta manhã em queda acentuada. A notícia, algo inesperada, deixa mais uma vez mais nervosos os mercados financeiros, que provocaram a crise. E porquê nervosos? Precisamente porque lhes está a sair o tiro pela culatra. Parece que finalmente as pessoas começam a pensar pela sua cabeça e concluem que o único resultado prático das soluções que lhes impõem, é o empobrecimento progressivo dos povos e dos Estados. Toda a panaceia, que dizem milagrosa, da austeridade, apenas tem como objectivo a retirada de direitos de quem trabalha, no mais violento ataque ao estado social, de que há memória, desde o final da II guerra mundial,. A pouco e pouco, os cães de fila do capitalismo selvagem e ultra-liberal, que na Europa chefiam os governos, tentam aplicar as medidas impostas pelos mercados, condenando á miséria prematura, milhões de trabalhadores.
Que rebente pois esta situação de hipocrisia politica. Que as pessoas vão metendo nas suas cabeças que as ajudas, os empréstimos, os resgates, não são mais do que tentativas desesperadas de salvar o capital financeiro e nunca, mas mesmo nunca, terão em vistas as pessoas, a não ser daquele reduzido número que se alimentam da situação, enriquecendo sempre cada vez mais. Pasme-se com os dados: nos últimos 12 meses, o crescimento da fortuna dos mais ricos foi 2 vezes superior ao aumento da riqueza a nível mundial. Os mais ricos do mundo, 1% da população mundial, controlam quase 40% (exactamente 38,7%) da riqueza mundial!
Que rebente pois esta Europa falsa, anti-social e protofascista, comandada pela pata imperial alemã, da abjecta Merkl e da fidelidade canina francesa, do palhaço Sarkosy. Nada se perderá, a não ser lixo.
Que rebente nas ruas a revolta. A situação no nosso País está perigosamente calma. Este governo de tecnocratas, liberais e conservadores prepara-se para desferir o mais rude golpe nos trabalhadores, desde o 25 de Abril. Ou melhor, já está em acção, desde o primeiro dia, com a compressão dos salários, a delapidação do sector público produtivo, os cortes do Estado social, os aumentos indiscriminados nos impostos. O PM mais incompetente de que há memória, advoga o empobrecimento, como medida de salvação; não o dele claro, o dos outros…
Que rebente, seria bem feito, nas próprias mãos, a bomba chamada euro…, temos por cá bons mestres, que sempre nos disseram ser esta a melhor das medidas. À imagem e semelhança do marco imperial alemão se construi, pois que morra de vez, arrastando na queda os seus mentores!

“Antigamente, baptizavam-se os convertidos;
Hoje é preciso converter os baptizados".
Padre António Vieira
Perante o anúncio do Governo grego ter anunciado que vai referendar o segundo pacote de resgate acordado na última cimeira europeia e que tem como pressuposto o perdão de 50% da dívida grega pelos credores privados, as bolsas europeias abriram esta manhã em queda acentuada. A notícia, algo inesperada, deixa mais uma vez mais nervosos os mercados financeiros, que provocaram a crise. E porquê nervosos? Precisamente porque lhes está a sair o tiro pela culatra. Parece que finalmente as pessoas começam a pensar pela sua cabeça e concluem que o único resultado prático das soluções que lhes impõem, é o empobrecimento progressivo dos povos e dos Estados. Toda a panaceia, que dizem milagrosa, da austeridade, apenas tem como objectivo a retirada de direitos de quem trabalha, no mais violento ataque ao estado social, de que há memória, desde o final da II guerra mundial,. A pouco e pouco, os cães de fila do capitalismo selvagem e ultra-liberal, que na Europa chefiam os governos, tentam aplicar as medidas impostas pelos mercados, condenando á miséria prematura, milhões de trabalhadores.
Que rebente pois esta situação de hipocrisia politica. Que as pessoas vão metendo nas suas cabeças que as ajudas, os empréstimos, os resgates, não são mais do que tentativas desesperadas de salvar o capital financeiro e nunca, mas mesmo nunca, terão em vistas as pessoas, a não ser daquele reduzido número que se alimentam da situação, enriquecendo sempre cada vez mais. Pasme-se com os dados: nos últimos 12 meses, o crescimento da fortuna dos mais ricos foi 2 vezes superior ao aumento da riqueza a nível mundial. Os mais ricos do mundo, 1% da população mundial, controlam quase 40% (exactamente 38,7%) da riqueza mundial!
Que rebente pois esta Europa falsa, anti-social e protofascista, comandada pela pata imperial alemã, da abjecta Merkl e da fidelidade canina francesa, do palhaço Sarkosy. Nada se perderá, a não ser lixo.
Que rebente nas ruas a revolta. A situação no nosso País está perigosamente calma. Este governo de tecnocratas, liberais e conservadores prepara-se para desferir o mais rude golpe nos trabalhadores, desde o 25 de Abril. Ou melhor, já está em acção, desde o primeiro dia, com a compressão dos salários, a delapidação do sector público produtivo, os cortes do Estado social, os aumentos indiscriminados nos impostos. O PM mais incompetente de que há memória, advoga o empobrecimento, como medida de salvação; não o dele claro, o dos outros…
Que rebente, seria bem feito, nas próprias mãos, a bomba chamada euro…, temos por cá bons mestres, que sempre nos disseram ser esta a melhor das medidas. À imagem e semelhança do marco imperial alemão se construi, pois que morra de vez, arrastando na queda os seus mentores!










