“O direito
de ter razão é também o direito de não a ter…”
Do Livro dos Conselhos
A
TSF promove de novo uma sessão de propaganda, no fórum que diariamente
organiza. Desta feita, está Carlos Moedas (CM), um entre dezenas de
governantes, secretários e subsecretários de estado, que passeiam pela estação
de rádio, desde a tomada de posse deste governo, precisamente há 100 dias. Uma das
premissas assinalada por CM é o aspecto
positivo que descreve como a dupla medida, fim das golden-shares, por um
lado e privatizações, por outro lado. É a estafada teoria que tudo que é Estado
é mau e tudo que é privado é bom, uma das bandeiras da elite social-democrata,
um argumento bacoco, desprovido de qualquer sentido e impossível de explicar,
do ponto de vista de política económica. Uma outra medida salientada por CM, é
a das mudanças nas políticas laborais, leia-se a facilitação dos despedimentos.
Diz ele que têm de ser protegidos os
interesses sociais, fantástica alegoria, que tem a interpretação que se
sabe…
Culpa
CM, a situação que este Governo encontrou, um argumento conhecido que os 2
partidos do centrão utilizam de cada vez que chegam ao poder. Nem vale a pena
lembrar-lhes que toda a política económica é devidamente concertada entre
ambos, desde os famigerados PECs, à partilha incessante dos postos-chave do
aparelho de Estado, passando pela intervenção cúmplice nas parcerias
público-privadas, na última década.
Viver acima das possibilidades…, sempre a mesma conversa fiada. Que é sempre atirada
à cara daqueles a quem são pedidos, ou seja exigidos, os maiores sacrifícios. Claro
que há quem viva acima das possibilidades, os melhores exemplos estão nos quadros
dirigentes das empresas públicas, institutos e fundações, que são praticamente
todos, membros dos 2 partidos, mais do CDS, que sempre ajuda nesta
contabilidade.
O
jornalista de serviço, ajuda à propaganda: perguntas óbvias, sempre amaciadas,
uma moderação ligeira, mais que duvidosa, numa encenação grotesca do que poderia
ser um programa acutilante, de confronto, de contraditório. Nada disso, o mar
na TSF estará sempre calmo, com a brandura de uma comunicação social,
perfeitamente domesticada pelo poder do centrão, incapaz de cumprir o seu papel
informativo, limitando-se a ser formativa,
no mau sentido, uma vez que se dispõe a formar uma opinião publica, cúmplice do
poder de que se alimenta e que vai sucessivamente alimentando…

