De volta ao Blogue, após uma forçada ausência, não posso deixar de abordar algumas questões quentes da actualidade...
1. O 11 de Março em Madrid
Num momento de luto por todos as vítimas anónimas da estação de Atocha, questionam-se mais uma vez as razões porque tudo isto acontece e quantas mais mortes serão necessárias para que o imperialismo, a opressão e a submissão ao poder do dinheiro, conduzam e alimentem o trafico de armas, o branqueamento de capitais, o saque ao petróleo, a proliferação de armas nucleares, a miséria generalizada que atinge 1/3 do planeta, a morte diária de milhares de crianças no 3º mundo com fome, etc…, etc…, etc…
2. O assassinato de Ahmed Yassin
Que já sabíamos o tipo de personagem (custa até dizer pessoa…) que é Ariel Sharon, que já conhecíamos do que ele é capaz, que deveríamos (…) saber que ele não passa de um criminoso de guerra que, de acordo com as suas próprias leis, já deveria ter sido executado, enfim… Agora que o governo de Israel seja capaz de mandar eliminar fisicamente o líder do Hamas, (uma personagem nada simpática, de facto!), assassinando mais 7 ou 8 pessoas, isto sim, roça o mais abominável conceito de justiça, ou de cidadania política! E claro, que o Estado de Israel é um estado democrático, onde há eleições, partidos, assembleias e parlamentos, e essas coisas todas que servem para "nos" distinguir da barbárie muçulmana e outros quejandos que pululam por aí… Praticamente tudo o que é governo (…) condenou o assassinato de Yassin; tudo? Não, porque de facto o governo dos EUA (ao menos são coerentes) o que fez foi pedir que este facto não sirva para acicatar os ânimos no extremo Oriente; fantástico!
Por outro lado, no próprio estado de Israel, no dia de ontem - 24 de Março - o dirigente da oposição trabalhista israelita Shimon Peres considerou "mais importante lutar contra as causas do terrorismo do que contra os próprios terroristas"; trata-se obviamente de um israelita, nitidamente anti-israelita e anti-americano.
3. A absolvição do polícia
Em Portugal, este jardim à beira-mar plantado, em Março de 2003, um polícia é absolvido em tribunal, depois de ter assassinado um cidadão (um jovem ao que parece), com uma arma disparada a 50 cm de distância, com a "atenuante" de o pobre polícia (coitado) não saber que a mesma era uma arma mortal…Mas que raio é isto? Que merda de justiça é esta que temos? Que porcaria (que nojo) de juízes estes que se deixam intimidar pelo chefe máximo da polícia, que foi a tribunal defender o esbirro que concerteza nem sequer conhece? E ainda querem mais poderes!
O facto é que, quando precisamos de um polícia, quando realmente queremos uma ajuda, uma orientação, eles não aprecem; dizem que são poucos, que não têm condições, que têm de pôr dinheiro do bolso para o material de limpeza, que isto que aquilo. O que eu vos digo (e é boa hora de o lembrar) é que após o 25 de Abril defendi (como muitos defenderam) a extinção imediata da PSP e da GNR e a sua substituição por um corpo de segurança desmilitarizado e de tipo novo, em defesa da revolução de Abril
4. Os 20% de pobreza em Portugal
Isto sim, são coisas que ninguém gosta de ouvir, porque é desagradável, é chato, é politicamente incorrecto, ninguém se conforma, muito menos o nosso (meu não, claro!) governo, porque representa a face mais visível do fracasso absoluto e rotundo das suas políticas sociais, que tanto se esforça por explicar, um falhanço da sua "luta" por uma situação melhor (que cada vez é pior), uma demonstração de que todos, todos os passos que dão em termos de políticas fiscais, de políticas económicas, de políticas de consumo, todas elas acertaram numa coisa: cada vez o País está pior, cada vez o país está mais pobre, mais endividado, mais abaixo nos rankings europeu e mundial. Deve ser desanimador para os responsáveis desta direita e desta extrema-direita verificar que não acertam uma que seja (ou pelo menos que alguém reconheça que acertam!).
Mas quem raio é que votou neste tipos? Quanto tempo mais é que teremos de os aturar?
5. As causas deles (e a nossa)
Termino com uma questão de causas. Todos nós ouvimos e lemos, todos os dias, as mais redondas declarações de circunstância, relativas ao que chamo da mais estúpida conversa da treta que existe e que consiste em nos querer passar uma mensagem do que é aquilo que realmente não é.
Vejam uma pequena colecção de frases-tipo da direita que servem para justificar a sua impotência (…) na verdadeira luta contra o terrorismo:
"não é possível capitular contra o terrorismo…"
"nós somos pela vida e não pela morte…"
"é uma luta contra o ocidente e as suas mais consagradas instituições…"
"nós somos contra todas as formas de totalitarismo…"
"nós somos pela democracia, contra todas as formas de autoritarismo…"
"…apoiar os EUA e o Ocidente na sua luta de legitima defesa contra o terrorismo…"
Há mais, muitas mais, todas elas eivadas das mais violentas formas de atentado contra a inteligência de muita gente de bem, que ainda existe por aí. Eles não são capazes de fazer melhor, usam a demagogia como arma letal contra a inteligência, pela manutenção do estado de trevas, um estado de ignorância permanente em que querem mergulhar a maioria das pessoas, para poderem manter a sua política de mentira e de opressão.
Trata-se de uma questão de ideias; e os ideais deles nada têm a ver com a maioria das pessoas de bem!
Quando eles dizem (ainda estou a ouvir o Durão Barroso hoje no debate do parlamento…"o nosso ideal de paz, de liberdade e de democracia" , nada disto que se passa no Mundo hoje tem a ver com Paz, nem com Liberdade, nem com Democracia.
Não tem a ver com PAZ, porque eles de facto querem a guerra, com está amplamente demonstrado, com todas as consequências daí inerentes, com toda a carga negativa que arrasta; os EUA foram para a guerra por razões que têm a ver com a industria do armamento e com a do petróleo e o resto é conversa; resultado: o mundo está muito mais perigoso e os equilíbrios muito mais frágeis.
Não tem nada a ver com LIBERDADE; a liberdade deles é continuar a oprimir o 3º mundo, ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres…; tudo o resto é conversa!
Não tem a ver com DEMOCRACIA; ou acham que é Democracia permitir que estejam à frente de governos de Estados democráticos, tipos como um Berslusconi (um vulgar patife, um ladrão que devia era estar preso), um Bush (que nem sequer ganhou as eleições!), um Kadhafi (um esquizofrénico, agora convertido a defensor dos direitos humanos…), um Sharom (um assassino, criminoso de guerra…)? Isto só para citar alguns.
Todavia eles sabem (como se viu em Espanha) que vão cair mais tarde ou mais cedo; mas enquanto estão lá, vão MATANDO todos os dias (embora essas mortes não tenham a visibilidade de New York, de Bali, de Madrid) e não passem nas TVs, nem nas rádios, nem nos jornais, nem em sitio nenhum, porque são notícias que não vendem, porque eles são também os donos da comunicação social, como muito bem se sabe (ou não se tinham lembrado disso também????) .
Por tudo isto, não me venham agora dizer que "cada vez estão mais atenuadas as diferenças entre direita e esquerda" e alarvidades do género; isso é que eles querem que acreditemos!
Eu digo; é exactamente ao contrário!