rio torto

rio torto

25 julho 2004

Ou se ganha, ou se perde... (para que, ao menos, não percamos tudo!)- (desta vez, com o texto completo!)

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Foi este Presidente que elegemos? Para isto, tal como há dias muito bem dizia Miguel Sousa Tavares, não vale mais a pena votar num Presidente da República. Desta vez, como se calhar em mais nenhum momento depois do 25 de Abril, um Presidente é prisioneiro completo e total da política aventureirista de um Governo fantoche, que irá "governar" o País durante 2 anos e que vai destruir o pouco que resta daquilo que já se construiu; na realidade esta "governação", "espalhada" agora pelo País, irá construir um cenário fictício de modernidade e de eficiência; aliás basta ver a grande maioria (na realidade quase todos...) dos comentadores políticos, sempre muito moderados nas suas análses, muito bem comportados, muito politicamente correctos, a malhar neles forte e feio!

Para onde vamos, ninguém sabe muito bem. Como diria o grande José Régio, "só sei que não vou por aí...".

Mas não basta não ter certezas; é absutamente necessário apelar á indignação geral e massiva contra estes fantoches que, tal como o outro nos EUA nem sequer foram eleitos para isto e a quem alguém, certamente com alguma falta já de capacidades, doou o Poder. Eles não nos representam, eles representam para nós e nós não gostamos deles como actores, nem aprovamos o guião que representam. Eles terão forçosamente que cair, mais tarde ou mais cedo, para que este País não se torne numa coutada dos seus interesses mais mesquinhos!

Vamos trabalhar para que eles caiam depressa; que acham???
Ou se ganha, ou se perde... (para que, ao menos, não percamos tudo!)

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Foi este Presidente que elegemos? Para isto, tal como há dias muito bem dizia Miguel Sousa Tavares, não vale mais a pena votar num Presidente da República. Desta vez, como se calhar em mais nenhum momento depois do 25 de Abril, um Presidente é prisioneiro completo e total da política aventureirista de um Governo fantoche, que irá "governar" o País durante 2 anos e que vai destruir o pouco que resta daquilo que já se construiu; na realidade esta "governação", "espalhada" agora pelo País, irá construir um cenário fictício de modernidade e de eficiência; aliás basta ver a grande maioria (na realidade quase todos...) dos comentadores políticos, sempre muito moderados nas suas análses, muito bem comportados, muito politicamente correctos, a malhar neles forte e feio!

Para onde vamos, ninguém sabe muito bem. Como diria o grande José Régio, "só sei que não vou por aí...".

Mas não basta não ter certezas; é absutamente necessário apelar á indignação geral e massiva contra estes fantoches que, tal como o outro nos EUA nem sequer foram eleitos para isto e a quem alguém, certamente com alguma falta já de capacidades, doou o Poder. Eles não nos representam, eles representam para nós e nós não gostamos deles como actores, nem aprovamos o guião que representam. Eles terão forçosamente que cair, mais tarde ou mais cedo, para que este País não se torne numa coutada dos seus interesses mais mesquinhos!

Vamos trabalhar para que eles caiam depressa; que acham???






>PAREDES PARA SEMPRE...UM MOVIMENTO PERPÉTUO

Perdidos na tortuosa fúria dos dias, nem damos pelo que acontece à nossa volta, num ápice as pessoas desaparecem e recordamos delas a saudade imensa, numa tristeza desmedida. Carlos Paredes era (é) a imagem nobre da cultura portuguesa, a sua guitarra, a nossa guitarra portuguesa que o Carlos elevou à dignidade que merecia, ela que deixou a choradeira dum passado de medo e de vergonha e que levou o nome de Portugal a vários cantos do Mundo. Um homem de uma simplicidade notável, longe do estrelato, mas perto das pessoas de que ele gostava, de um povo que lutou (e luta ainda) pela sua emancipação. Paredes, cuja genialidade ultrapassa os “Verde Anos”, ao sentir da alma portuguesa e à sua implicação com as transformações sociais.

Morreu a saudade da nossa vida!

Tantas perdas que sofremos neste tempo! Sofia, Pintassilgo, Regiani e agora Paredes, pessoas que marcaram o nosso tempo de forma definitiva. Num mundo cada vez mais desumanizado, pautado pela intolerância, pelo arrivismo, por uma tremenda falta de qualidade, é triste ver partir aqueles que foram referências incontornáveis.

“Uma história triste e injusta para quem descobriu o lado luminoso da guitarra portuguesa”, assim classificava João Miguel Tavares a circunstância de há já 5 anos Carlos Paredes ter sido impedido por doença de tocar a sua guitarra.

Para sempre Carlos Paredes, a tua guitarra não vai parar nunca de tocar, por um Mundo melhor, um autêntico “Movimento Perpétuo”!

11 julho 2004

>Injustiças relativas….

Sim, porque as injustiças são sempre relativas e é sempre muito difícil classificar estas coisas…

1. Injustiça nº1
Então que fomos quase campeões e ninguém se lembrou de promover o treinador a figura nacional; ou será que o foi e eu não dei conta? De qualquer forma, é de salientar que o Presidente (o da Federação, claro…) lhe renovou o contrato; quanto é que ele ganhava durante estes dois últimos anos? 50.000 contos, não era? Nada de especial, a quem consegui colocar uma bandeira em cada lar português, ele que nem sequer o é, apesar de falar a língua pátria… Somos um país rico, o melhor da EU, pelo menos o que deve ter mais estádios novos por m2, o que organizou o melhor campeonato do século (claro que neste século, este foi o único…) e que consegui a proeza admirável de esquecer durante mês e meio (mais ou menos, claro…) a famosa crise e apesar disso, sem que ninguém tivesse dado conta, veio a "retoma" (por falar nisso, onde é que ela está?), temos 1 presidente português da EU, temos 1 novo 1º ministro que planta palmeiras em qualquer sítio, faz buracos monstruosos também em qualquer praça do país, aparece muitas vezes nas revistas, e é fervoroso adepto do futebol, aliás com um notável currículo de comentador desportivo, presidente do Sporting (um clube fino), etc…. Não sei o porquê de tanta polémica acerca do sujeito, e se calhar foi por isso (aquilo) mesmo que o Presidente (não, não é o da Federação, é mesmo o da Republica, agora) lhe deu a "pasta do Poder", aliás com grande sentido de justiça, porque senão ia gastar-se imenso dinheiro em mais eleições e a gente tem mais que fazer, aliás está quase a começar a nova época, a Liga dos campeões e isso tudo… Claro que aquilo da Grécia, estragou um bocado a coisa, mas que diabo, fomos quase; menos ais, menos ais, queremos muito mais (futebol, claro..). Por falar nisso, já repararam que o nosso Presidente (o da República, claro…) também é do Sporting?

2. Injustiça nº 2
Não reconhecermos as vantagens da qualificação e da formação a que os nossos governantes têm sistematicamente prestado atenção. Claro que há estudos muito sérios que provam que a utilização dos fundos comunitários para a formação profissional por parte do governo cessante, com base em dados do Eurostat e que mostra que o nosso País é, após o alargamento da UE a 25 países, o ultimo em qualificações. É o Eugénio Rosa, do Instituto Bento de Jesus Caraça que o diz. E diz mais, citando o referido estudo, 79,4% da população activa portuguesa fica-se pela escolaridade básica ou menos, 11,3% por cento pelo ensino secundário, e apenas (imaginem…) 9,3% pelo ensino superior. A percentagem média de activos com formação superior nos 15 anteriores países da UE é de 21,8% e, nos 10 recentes países de 14,5%. Os 10 novos países superam aliás os 15 mais desenvolvidos em formação, ao nível do ensino secundário; reparem: 66,2% dos trabalhadores do Leste têm estudos de nível secundário, enquanto Portugal fica nos 11,3% e a média dos 15 fica nos 42%. Claro está que quem nos lembra estas coisas, como por exemplo o Santana Castilho no Publico de Sábado passado (e eu naturalmente), estão é manifestamente interessados em lançar a confusão e baralhar as pessoas. E esquecendo que fomos quase, quase, e que temos auto-estradas e betão (armado?) por todo o lado. Menos ais, menos ais, ….

3. Injustiça nº3
Esta é mesmo a sério. A perda de 2 grandes mulheres da cultura portuguesa, a Sofia e a Maria de Lurdes, é realmente uma grande injustiça. Vamos perdendo os melhores, neste caso, as melhores. E reparem, fez-se uma homenagem de Estado a um tipo que enriqueceu durante a outra senhora, fugiu para o Brasil após o 25 de Abril, voltou depois de o Estado lhe ter dado uma indemnização choruda que o próprio considerou abastada e à Maria de Lurdes que foi 1ª ministra, representante de Portugal na UNESCO e muitas outras coisas de uma vida dedicada ao País, nem nada, a não ser umas quantas declarações de circunstância, as do costume…

Isto tudo não deixa de ser curioso, numa altura em parece que está tudo ao contrário… Ficamos contentes com o fausto, com o aparente, com a ilusão e, com aqueles que cuidadosamente, dia a dia, vão trabalhando (não na sombra, às claras…) a euforia colectiva, a festa de circunstância, a notícia do tablóide, a contratação do dia, o "fofoquice" da semana, o comentário mais picante e mais uma data de coisas que eu não sei, nem estou interessado em saber.

Queremos mais, queremos mais, queremos muito mais!...

30 maio 2004








"Time is on my side"(Mike Jaeger e Keith Richard, 1969)




Se eu pudera fazer uma viagem no tempo…Medir o tempo. Dominar o tempo. Filosofar sobre o tempo. E depois descer á realidade. Ver, por exemplo, os relógios do nosso imaginário. Sonhar com eles, Estar dentro deles. Saber como os artesãos antigos fabricavam os seus instrumentos.

A história da medição do Tempo é realmente cheia de surpresas e de soluções altamente criativas. A força e a vontade de todos aqueles que pensam e trabalham vale a pena ser referida como motor de desenvolvimento da humanidade, no que tem de mais belo…

Há coisas que vale a pena recordar. Num mundo onde o Tempo talvez já não faça sentido, um outro Tempo começa a guiar a nossa imaginação colectiva. "Venho do fundo do tempo, não tenho tempo a perder, minha barca aparelhada, solta o pano rumo ao norte, meu desejo é passaporte, para a fronteira fechada", dizia António Gedeão em 1972, num tempo difícil para todos e de grandes transformações já anunciadas. Da mesma foram, há 30 anos atrás, falava Ivan Lins, "No novo tempo, apesar dos castigos, estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos…",

>Há coisas que vale a pena lembrar. O interessante é que todos os dispositivos criados pelo homem tentam medir uma abstracção: o Tempo. Depois da Teoria da Relatividade de Einstein é válido perguntar: medida de qual tempo? O facto é que, queiramos ou não, a humanidade acabou por orientar as suas actividades de acordo com o relógio... e o relógio tornou-se um dispositivo indispensável.

Há coisas que vale a pena dizer. Desde o Século III em que surgem referências aos primeiros relógios de areia, passando pelo Século VIII em que Hang, astrônomo chinês, constrói uma clepsidra mecânica que indicava o movimento dos astros, indo até ao Século IX, quando Alfredo o Grande usava velas para medir o tempo e pelo Século XVI, quando os portugueses introduziram no Japão os relógios mecânicos e, chegando ao Século XIX quando se inicia o uso dos relógios de pulso. E mais, muito mais, até aos dias de hoje, onde os artífices do tempo usam a sua imaginação e a sua arte para nos brindar com objectos fantásticos que nos enchem a vista. Por exemplo, o mais recente, um relógio atómico que usa átomos de césio tem uma precisão de um segundo em 15 milhões de anos!

Tudo isto a propósito de uma Exposição que tive o privilégio de ajudar a construir. Que apresenta e representa a vontade e o esforço de pessoas que gostam desta arte. Que será uma homenagem a todos os trabalhadores que passaram por uma empresa centenária, que é o orgulho das gentes de Famalicão. Ela própria, um símbolo da cidade e da região. Ela que passou por dificuldades várias, que se ergue agora de novo, com a vontade e o trabalho de um pequeno grupo de sonhadores, nos quais me incluo com muita honra.
Uma Empresa é sempre (ou deveria ser…) o fruto de vontades individuais e de sinergias colectivas de ordens diversas que projecta na sociedade o melhor da arte, da ciência, da técnica e da força do trabalho. Que se insere na Comunidade e na Região. Que se afirma em parcerias com instituições variadas. Que aposta na qualificação dos seus trabalhadores e na formação profissional. Que aposta ainda na criatividade e na inovação. Que tenta sempre fazer melhor. Este é o modelo que pretendemos.

Há coisas que vale a pena ver! Ver esta EXPOSIÇÂO, é certamente uma delas
. (a)

(a) Exposição: "A BÔA REGULADORA: uma Viagem no TEMPO". Vila Nova de Famalicão, de 5 de Junho até 30 de Setembro: Rua Adriano Pinto Basto (antiga Casa Malheiro), nº 59. Mesmo no centro da Cidade. Aberta á semana, das 11:00 às 19:00 horas; aos Sábados, das 15:00 ás às 19:00 horas; aos Domingos, das 11:00 às 14:00 horas.

03 maio 2004





A FORÇA de MAIO






É a força de quem trabalha. Evocar o 1º de Maio, é também saudar Abril. O Zeca Afonso dizia: "Venham ver, Maio nasceu, que a voz não te esmoreça, a turba rompeu".
Cantar MAIO é lembrar a força que está dentro de nós; para lutar, para vencer; mas, que força é essa?
Vejam só, escrito há mais de 30 anos e sempre, sempre actual:

"Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa, que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo, que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes
"

Sérgio Godinho

25 abril 2004



30 anos de LIBERDADE!






Deixa exprimir um desejo
que exalte a nossa voz
transmitir mais do que a esperança
que habita dentro de nós.
Nós que fizemos Abril crescer
Contra o fascismo e a opressão
contra a ignorância e as trevas
contra a guerra e a repressão.

O desejo de lutar agora e sempre
ao lado dos ainda querem na verdade
a "paz, o pão, saúde, habitação"
em qualquer "vila morena, terra da fraternidade"
Para nós, não existe "evolução"
com miséria, desemprego e fome
Abril é mais do que uma ideia
é a força dos que não têm nome!

Abril "saiu à rua num dia assim",
libertou companheiros de armas
calou 50 anos de tirania
e deu às pessoas dignidade e cidadania.
"Venham mais cinco", mais mil, mais cem mil
todos são poucos p´ra saudar Abril,
que aos 30 anos é juventude e entusiasmo,
P´ra lutar contra o marasmo,
Contra os novos senhores do dinheiro
aqui e no mundo inteiro
Apetece de novo gritar com vontade:
"o povo é quem mais ordena, dentro de ti oh cidade!"

28 março 2004



>A PONTE

"A ponte é uma passagem
p'rá outra margem
Desafio, pairando sobre o rio,
a ponte é uma miragem …
"
Mário Barreiros / Luís Portugal (Já Fumega), Porto, 1981

Uma miragem. Afinal, estava ou não estava lá? Desafio pois, pairando sobre o rio? Sim, sem dúvida. Tristeza? Claro, já não é mais "passagem p'rá outra margem"…!

Uma ponte que cai por obra e capricho da natureza. Um episódio triste, um acontecimento trágico, um acidente lamentável? Não, uma inevitabilidade da mãe natureza; ela tinha mesmo que cair mais tarde ou mais cedo; era isso que tinha que acontecer; assim mesmo!

Para quê pensar pois em manutenção programada, em revisão constante dos materiais, das estruturas, etc..? Não, parece que não vale mesmo a pena; as coisas acontecem, afinal os únicos culpados foram de facto os 50 e tal parvos que se aventuram a passar a ponte, naquele dia, naquela hora, naquele preciso momento.

É este o estado triste e absurdo da justiça em Portugal; este episódio, esta monumental sentença vem logo a seguir aquela outra do polícia que matou o jovem à caçadeira. Na mesma semana, 2 exemplos da forma como se faz justiça neste País. É este o exemplo lamentável que damos a conhecer ao mundo, sobre a forma como é administrada em Portugal. Sucedem-se os exemplos; se calhar procurando com mais afinco, iríamos encontrar outros do mesmo género. Isto tudo ao mesmo tempo que se avolumam os processos intermináveis, com uso (e abuso) de todos ao álibis possíveis e imaginários sobre a forma de contornar a realização de julgamentos, eternizando os processos, lançando nomes de pessoas na lama e, ao mesmo tempo, não protegendo devidamente as vítimas (veja-se o processo Casa Pia, por exemplo…); há até quem diga (…) que tudo assim acontece, para no final, nada mesmo se apurar, nada mesmo se decidir; será?
A credibilidade da "nossa" justiça deixa a desejar, como quase tudo o resto. As pessoas de bem não entendem estas artimanhas, estas cambalhotas sucessivas; nem muito menos entendem as anunciadas reformas na justiça. Tudo é feito na sombra, para perpetuar as sombras e parece até que há uma maquinação completa, que pode eventualmente remeter para uma teoria da conspiração constante, em que nem sequer sabemos se somos ou não personagens…
Mais palavras para quê? Congressos da justiça, declarações bombásticas dos mais altos responsáveis, descrições idílicas da forma como as coisas se passam e depois os factos; factos como este que falam por si e que contribuem para o desprestígio completo e para mais absurda das realidades!

Mas..., vejam a forma como fala a ministra Cardona, essa excrescência do regime; vejam a prosápia e a arrogância da senhora e depois digam-se se neste momento a justiça em Portugal é ou não é a imagem negra da personagem que vai ao leme…

25 março 2004

De volta ao Blogue, após uma forçada ausência, não posso deixar de abordar algumas questões quentes da actualidade...

1. O 11 de Março em Madrid
Num momento de luto por todos as vítimas anónimas da estação de Atocha, questionam-se mais uma vez as razões porque tudo isto acontece e quantas mais mortes serão necessárias para que o imperialismo, a opressão e a submissão ao poder do dinheiro, conduzam e alimentem o trafico de armas, o branqueamento de capitais, o saque ao petróleo, a proliferação de armas nucleares, a miséria generalizada que atinge 1/3 do planeta, a morte diária de milhares de crianças no 3º mundo com fome, etc…, etc…, etc…

2. O assassinato de Ahmed Yassin
Que já sabíamos o tipo de personagem (custa até dizer pessoa…) que é Ariel Sharon, que já conhecíamos do que ele é capaz, que deveríamos (…) saber que ele não passa de um criminoso de guerra que, de acordo com as suas próprias leis, já deveria ter sido executado, enfim… Agora que o governo de Israel seja capaz de mandar eliminar fisicamente o líder do Hamas, (uma personagem nada simpática, de facto!), assassinando mais 7 ou 8 pessoas, isto sim, roça o mais abominável conceito de justiça, ou de cidadania política! E claro, que o Estado de Israel é um estado democrático, onde há eleições, partidos, assembleias e parlamentos, e essas coisas todas que servem para "nos" distinguir da barbárie muçulmana e outros quejandos que pululam por aí… Praticamente tudo o que é governo (…) condenou o assassinato de Yassin; tudo? Não, porque de facto o governo dos EUA (ao menos são coerentes) o que fez foi pedir que este facto não sirva para acicatar os ânimos no extremo Oriente; fantástico!
Por outro lado, no próprio estado de Israel, no dia de ontem - 24 de Março - o dirigente da oposição trabalhista israelita Shimon Peres considerou "mais importante lutar contra as causas do terrorismo do que contra os próprios terroristas"; trata-se obviamente de um israelita, nitidamente anti-israelita e anti-americano.

3. A absolvição do polícia
Em Portugal, este jardim à beira-mar plantado, em Março de 2003, um polícia é absolvido em tribunal, depois de ter assassinado um cidadão (um jovem ao que parece), com uma arma disparada a 50 cm de distância, com a "atenuante" de o pobre polícia (coitado) não saber que a mesma era uma arma mortal…Mas que raio é isto? Que merda de justiça é esta que temos? Que porcaria (que nojo) de juízes estes que se deixam intimidar pelo chefe máximo da polícia, que foi a tribunal defender o esbirro que concerteza nem sequer conhece? E ainda querem mais poderes!
O facto é que, quando precisamos de um polícia, quando realmente queremos uma ajuda, uma orientação, eles não aprecem; dizem que são poucos, que não têm condições, que têm de pôr dinheiro do bolso para o material de limpeza, que isto que aquilo. O que eu vos digo (e é boa hora de o lembrar) é que após o 25 de Abril defendi (como muitos defenderam) a extinção imediata da PSP e da GNR e a sua substituição por um corpo de segurança desmilitarizado e de tipo novo, em defesa da revolução de Abril

4. Os 20% de pobreza em Portugal
Isto sim, são coisas que ninguém gosta de ouvir, porque é desagradável, é chato, é politicamente incorrecto, ninguém se conforma, muito menos o nosso (meu não, claro!) governo, porque representa a face mais visível do fracasso absoluto e rotundo das suas políticas sociais, que tanto se esforça por explicar, um falhanço da sua "luta" por uma situação melhor (que cada vez é pior), uma demonstração de que todos, todos os passos que dão em termos de políticas fiscais, de políticas económicas, de políticas de consumo, todas elas acertaram numa coisa: cada vez o País está pior, cada vez o país está mais pobre, mais endividado, mais abaixo nos rankings europeu e mundial. Deve ser desanimador para os responsáveis desta direita e desta extrema-direita verificar que não acertam uma que seja (ou pelo menos que alguém reconheça que acertam!).
Mas quem raio é que votou neste tipos? Quanto tempo mais é que teremos de os aturar?

5. As causas deles (e a nossa)
Termino com uma questão de causas. Todos nós ouvimos e lemos, todos os dias, as mais redondas declarações de circunstância, relativas ao que chamo da mais estúpida conversa da treta que existe e que consiste em nos querer passar uma mensagem do que é aquilo que realmente não é.
Vejam uma pequena colecção de frases-tipo da direita que servem para justificar a sua impotência (…) na verdadeira luta contra o terrorismo:
"não é possível capitular contra o terrorismo…"
"nós somos pela vida e não pela morte…"
"é uma luta contra o ocidente e as suas mais consagradas instituições…"
"nós somos contra todas as formas de totalitarismo…"
"nós somos pela democracia, contra todas as formas de autoritarismo…"
"…apoiar os EUA e o Ocidente na sua luta de legitima defesa contra o terrorismo…"
Há mais, muitas mais, todas elas eivadas das mais violentas formas de atentado contra a inteligência de muita gente de bem, que ainda existe por aí. Eles não são capazes de fazer melhor, usam a demagogia como arma letal contra a inteligência, pela manutenção do estado de trevas, um estado de ignorância permanente em que querem mergulhar a maioria das pessoas, para poderem manter a sua política de mentira e de opressão.
Trata-se de uma questão de ideias; e os ideais deles nada têm a ver com a maioria das pessoas de bem!
Quando eles dizem (ainda estou a ouvir o Durão Barroso hoje no debate do parlamento…"o nosso ideal de paz, de liberdade e de democracia" , nada disto que se passa no Mundo hoje tem a ver com Paz, nem com Liberdade, nem com Democracia.
Não tem a ver com PAZ, porque eles de facto querem a guerra, com está amplamente demonstrado, com todas as consequências daí inerentes, com toda a carga negativa que arrasta; os EUA foram para a guerra por razões que têm a ver com a industria do armamento e com a do petróleo e o resto é conversa; resultado: o mundo está muito mais perigoso e os equilíbrios muito mais frágeis.
Não tem nada a ver com LIBERDADE; a liberdade deles é continuar a oprimir o 3º mundo, ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres…; tudo o resto é conversa!
Não tem a ver com DEMOCRACIA; ou acham que é Democracia permitir que estejam à frente de governos de Estados democráticos, tipos como um Berslusconi (um vulgar patife, um ladrão que devia era estar preso), um Bush (que nem sequer ganhou as eleições!), um Kadhafi (um esquizofrénico, agora convertido a defensor dos direitos humanos…), um Sharom (um assassino, criminoso de guerra…)? Isto só para citar alguns.
Todavia eles sabem (como se viu em Espanha) que vão cair mais tarde ou mais cedo; mas enquanto estão lá, vão MATANDO todos os dias (embora essas mortes não tenham a visibilidade de New York, de Bali, de Madrid) e não passem nas TVs, nem nas rádios, nem nos jornais, nem em sitio nenhum, porque são notícias que não vendem, porque eles são também os donos da comunicação social, como muito bem se sabe (ou não se tinham lembrado disso também????) .
Por tudo isto, não me venham agora dizer que "cada vez estão mais atenuadas as diferenças entre direita e esquerda" e alarvidades do género; isso é que eles querem que acreditemos!
Eu digo; é exactamente ao contrário!

08 março 2004








A METADE DO CÉU …


Năo sei se acredito no céu; acho que năo! Os chineses dizem que a mulher é "a metade do céu", invocando a sua aproximaçăo provável com uma pretensa perfeiçăo e beleza (…)
O certo é que se calhar, pelo menos em termos de imaginário, as mulheres tęm tido até agora mais inferno que céu. Por isso me veio ŕ lembrança a imagem chinesa neste dia tradicionalmente ligado aos direitos das mulheres; isto desde 1859, em Chicago - EUA, onde foram mortas centenas de mulheres que protestavam contra as suas condiçőes de vida abjectas.
Por todos os cantos do mundo, a mulher sofre de discriminaçăo; em muitos países do chamado 3ş mundo, a mulher chega a ser vista como inferior e privada de falar e dos mais elementares direitos; todos nos lembramos dos apedrejamentos até ŕ morte para a mulher que teve um filho fora do casamento, por exemplo…
Poderá porventura equacionar-se se, nos tempos de hoje, ainda faz sentido lutar por direitos específicos, ŕ semelhança do que se faz desde a Revoluçăo Francesa. O certo é que hoje, em pleno século XXI faz tanto ou mais sentido essa luta, dados os tristes exemplos que determinadas "democracias avançadas" nos văo infelizmente dando. A começar pela nossa porta, onde mulheres săo criminalizadas por fazer um aborto, expostas na praça pública da comunicaçăo social e dos tribunais; na nossa porta, onde o INE nos diz hoje que as mulheres auferem de uma forma geral salários mais baixos…
Para todas as mulheres que ao lado dos homens lutam por uma sociedade mais justa, hoje e sempre um grande e solidário bem-haja!

E finalmente para ti Ana (*) que escreves ao PM uma carta que o devia fazer corar de vergonha (se a tivesse…) um beijo de solidariedade.

Metade do céu? Que céu?
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(*) Ana Drago, na sua Carta Aberta a Durăo Barroso, no "Público" de hoje

04 março 2004














PUROS E ARIANOS

Há coisas que por si só causam repugnância, nojo mesmo. As atitudes ficam com quem as tomam, só eles (ou elas) acarretam com a responsabilidade inerente. Assim parece ŕ primeira vista. Mas de facto nem sempre é assim.
Refiro-me ŕ decisăo da Câmara de Santana Lopes em convidar as escolas a seleccionar alunos interessados em assistir a jogos do Euro 2004. Até aqui, tudo bem. Só que o convite vem da Mac Donalds e pasme-se: "as crianças năo devem possuir nenhuma deficięncia física ou mental".
Que a empresa americana pense desta forma, năo me admiro nada. Agora que uma Câmara alinhe numa enormidade destas é que custa definitivamente a engolir. A ilegalidade é visível e năo deixa margem de dúvida possível. Mas sinceramente, năo é este aspecto que me preocupa. De facto, aquela Câmara, aquela figura detestável, que sonha ser PR, para nossa desgraça, assume uma posiçăo verdadeiramente anti-social, de descriminaçăo abominável e impensável nos tempos de hoje.

Ouvi absolutamente abismado as declaraçőes de uma vereadora da CML na TSF, a justificar-se perante tal decisăo; ouvi também aquela figura execrável que colocaram na presidęncia da federaçăo de futebol, a chutar para canto, como habitualmente. Como é possível que no nosso País indivíduos destes continuem com responsabilidades de chefia e de decisăo? A vereadora, por exemplo, dizia que acordou com o convite para năo descriminar 5 crianças que, dessa forma, poderăo estar perto dos seus ídolos!

Porque năo louros, de olhos verdes (ou azuis, tanto vale!). E se tiverem um olho de cada cor, caso bastante frequente, por sinal? Isso é deficięncia? E se forem pretos, ou ciganos (pois, há quem considere tal facto como deficięncia: coitadinho, é pena é ser preto…). Vamos lá, porque năo PUROS e ARIANOS?
A mais descarada postura, verdadeiramente nazi, assumida por aqueles (ou aquelas) que poderíamos classificar, elas sim, de atrasados mentais. Mas na realidade năo o săo! O que săo entăo estas personagens? Reparem: a vereadora em causa é (só) a responsável pela Educaçăo! Năo deve ter nenhum atraso mental; o que tem, isso sem dúvida, é simpatia latente por ideias que deveriam estar banidas e arredadas da sociedade actual.

Năo há mais palavras possíveis; é tudo tăo triste, tăo obscuro, que mais uma vez, como no caso do aborto, parece que vivemos em Portugal no reino das trevas!
Que poderemos fazer?

29 fevereiro 2004






O GOLPE DE ASA

A propósito de um comentário de café, de um amigo meu, sobre a previsibilidade de certo tipo de escritos ou crónicas, a começar pelas minhas. Dizia (e bem…) ele: "eu leio as crónicas mas, a partir de certa altura, já sei como văo acabar, ou o que văo dizer…".E realmente, vendo bem, quando escrevemos, existe um esquema conceptual, uma ideia base, um objectivo ou finalidade, e vai daí, apontamos baterias para qualquer sítio que nos sirva para descarregar a nossa fúria (digo eu!) contra uma situaçăo, uma imagem, uma coisa que achamos estar mal. Ou entăo, pelo contrário, a nossa aprovaçăo por aquilo que julgamos estar bem. Correcto ou, simplesmente conforme o nosso ponto de vista. Ou seja, uma visăo estrita de "pró" e/ou "contra", ŕs tantas demasiado redutora. Será isto? Se assim for, significa que năo somos capazes de "um golpe de asa", que nos transporte para um estádio de sentimento expresso pela palavra e, para que queremos (eventualmente) transportar quem nos lę.
No famoso "Quase", Mário Sá Carneiro diz-nos, com muita propriedade:

"Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém..
."

Entăo, o que nos falta para na realidade conseguirmos o golpe de asa, surpreendendo assim quem (com muito gosto) nos lę, afastando a previsibilidade? Enfim, penso que resposta năo existe ou, pelo menos năo sou eu que a tenho. Por isso mesmo apreciamos, nas nossas leituras, os escritores, os jornalistas, os que usam a palavra como uma forma de arte, como arquitectos de um edifício que gostamos de visitar e de nos surpreender.

É de facto uma aprendizagem que fazemos, e como qualquer outra aprendizagem năo é só uma simples modificaçăo de comportamentos, mas sim um estado de aceitaçăo do conhecimento, das técnicas, de estar em consonância com o mundo que nos cerca e que, com todas as transformaçőes rápidas e sistemáticas, nos implica uma adesăo de aderir a ela (aprendizagem) ao longo da vida.
Enfim, vamos escrevendo como sabemos e podemos (para já!) e vamos adquirindo alguma responsabilidade para quem nos lę e a que devemos corresponder com a tal capacidade de surpreender, que afinal constitui a verdadeira arma da escrita, como muito bem dizia Alexandre O' Nei, na "Criaçăo"l:

"Da folha de papel, amarfanhada,
A mosca sobe aos montes.
Desce aos vales,
Evola-se.

A măo, armada,
Recomeça a planar
Sobre outra folha lisa,
De papel
."

19 fevereiro 2004







Resultados do Jogos Amigáveis desta semana





Tribunal Aveiro: 0 Mulheres acusadas: 7
Uma vitória rotunda da liberdade, da justiça, dos direitos individuais, do bom senso, contra a intolerância, a injustiça, a demagogia e o obscurantismo. Num tempo de incertezas em todos os campos, é de salientar a frontalidade do árbitro (juiz) que afirmou năo se sentir nada incomodado com as manifestaçőes das claques, durante o decurso do jogo. Calcula-se já como devem ter ficado os defensores da criminalizaçăo, a começar pelo treinador da equipa da casa (um tal de delegado do MP) que, acusando um mau perder pior que o do Mourinho, acabou protestando o jogo. Com 0-0 ao intervalo, este jogo foi dos mais concorridos da época e deve ter arrumado em definitivo a outra equipa para o caixote do lixo deste estranho campeonato.

Celeste Cardona: 2 Reforma da Justiça: 0
Este o resultado das últimas contrataçőes desta destacada treinadora da conhecida equipa "Direita na Justiça". Tratam-se de 2 jovens de 29 e 30 anos, bastante experientes, contratados para o Gabinete de Auditoria e Modernizaçăo, que tinha sido considerado perfeitamente inútil pela própria Celeste, tendo pensado até em extingui-lo. Este Gabinete, onde já trabalharam 16 funcionários conta apenas com o motorista, já que todos ...os outros foram tranferidos. Contrataçőes de muito "peso", já que um deles vai receber 5.541,00 euros e o outro vai receber 5.380,00, săo consideradas fundamentais para a chamada Reforma da Justiça, mas que (azar?) continua a ser a principal adversária da Celeste. Uma explicaçăo possível para este resultado, que nunca tem sofrido alteraçăo desde o início da partida reside (talvez?) na circunstância de a tal Celeste só contratar reforços que jogam na extrema-direita, lugar muito da preferęncia da dita sujeita.

http://www.tsf.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF141439

Morais Sarmento: 0 Saudosistas do Passado: 11
Entăo năo é que este homem, com profunda provas dadas ŕ Democracia Portuguesa, a começar por um esperançoso estágio no Casal Ventoso, continuando nos ataques cerrados com 4 ou 5 pontas de lança ao mesmo tempo, sem substituiçőes, ŕ equipa da RTP, onde chegou a oferecer viagens aos estúpidos ouvintes do "Acontece", que năo pagou (pelo menos a mim, năo me pagou!) vem agora atacar (sempre a atacar) o 11 de Março de 1975? Ora que me conste, nesse ano o homem năo tinha ainda equipa formada, portanto năo podia jogar, donde năo devia estar a mandar palpites, pois me parece que năo conhecia bem, nem o terreno de jogo, nem a constituiçăo das equipas; eu acho até que ele nem conhecia sequer o campeonato…Daí a vitória da equipa adversária a qual, diga-se de passagem, năo lhe adiantou de muito, dado que uns meses depois (mais propriamente 8), acabaria por perder o desafio, numa 2Ş volta muito polémica, que ainda hoje se comenta em determinados meios, dado que parece que o jogo năo teve árbitro nomeado…

APIFARMA: 4 Hospitais: 0
Este é um dos tais jogos que năo tem história, dada a disparidade das equipas em disputa. Que os hospitais năo pagam, năo é novidade nenhuma, que o Estado é o principal responsável por este resultado também parece pacifico. Agora o que é fantástico é ser a equipa do Amadora-Sintra a principal responsável por este resultado; é que é giro de todo ser esta equipa a que mais deve e leva mais tempo a pagar, mais ou menos na casa dos seiscentos e tal dias! Entăo năo era esta equipa considerada exemplar, em termos de gestăo privada dos hospitais? Apetece dizer, com o Jorge Palma: "…deixa-me rir…"

Realmente, com jogos destes, prognósticos só no fim do jogo (onde é que eu já ouvi isto?)

06 fevereiro 2004






À PESCA ? HÁ PESCA ?


A cena do navio espanhol a pescar nas águas territoriais portuguesas, ao largo dos Açores e a resposta das autoridades portuguesas é mais um episódio que mostra o total desnorte a mais completa incompetências do "nosso" Governo.
Vejamos os factos; um navio é descoberto nas nossas 200 milhas e o Governo dos Açores, pede explicações à Direcção-Geral sobre a abrangência de um acordo feito entre os Governos de Espanha e de Portugal.
1ª questão: então o Governo dos Açores não conhece os acordos efectuados pelo Governo Central? De quem é a responsabilidade?
2ª questão: o Governo do País também (pelos vistos) já não sabe bem o que assinou! Admirados? Eu nem por isso; então os nossos Governos (de facto não é só este!) não assinam tudo o que os espanhóis pretendem? Não tem sido sempre assim, desde a destruição praticamente completa da frota dos tempos do cavaquismo (lembram-se?)
É realmente patético que o Secretário de Estado Frazão Gomes venha pedir um parecer à Comissão Europeia sobre a questão da pesca nos Açores para confirmar se Madrid cometeu ou não uma ilegalidade. Não dá para acreditar em tanta estupidez!
As notícias na comunicação social de ontem não deixam margem para dúvidas quanto à mais descarada ilegalidade da decisão espanhola de passar licenças para a faina nas águas açorianas; sob o título "Pesca ilegal nos Açores e Madeira", o Diário de Notícias dava conta na sua edição

Pelo contrário, as autoridades portuguesas ainda têm dúvidas e vão pedir o tal parecer; perante tal enormidade, o que apetece perguntar é o que estes indivíduos andam realmente a fazer pelo País. Andam à pesca? E já agora, apetece perguntar ainda: mas, …ainda há pesca?
Querem um conselho polido e educado? Ouçam o Otis Redding, vão para a doca, à espera do fim da tarde, ver os navios partir e chegar; e já agora contem se há algum que seja português…

"Sittin' in the morning sun
I'll be sittin' when the evening come
Watchin' the ships roll in
Then I watch 'em roll away again
"

Isto claro para não vos mandar ao sítio que realmente merecem!

04 fevereiro 2004









COISAS DA GRAMÁTICA


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.

Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vivido pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, ate ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: óptimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a movimentar-se: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo. Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo o seu ditongo crescente: abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.

Estavam nessa enclise quando ela confessou que ainda era virgula: ele não perdeu o ritmo e sugeriu um longo ditongo oral, e quem sabe, talvez, uma ou outra soletrada em seu apostrofo. E claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítonas as vontades dele, e foram para o comum de dois géneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz activa.

Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objecto, ia tomando conta dela inteira. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisto a porta abriu-se repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjectivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar diminuiu os seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois olharam-se, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal.
Que loucura, aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto! Aproximou-se dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objectos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesoclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela, e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel a língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.


Autor desconhecido, SecXXI

01 fevereiro 2004








A CAVERNA DO JOSÉ


José conta-nos uma história. Uma história simples, uma história de todos os dias. Uma história dos dias de hoje, dos dias que passam, devagar para uns, depressa para outros, mas que vão passando, sem que na maior parte das vezes nos demos conta que somos constantemente envolvidos por um ritmo que parece não ser o nosso, um ritmo que somos obrigados a seguir, sem muitas vezes nos questionarmos porquê.

José conta-nos a história de Cipriano, um oleiro que vive com a filha Marta e que fabrica peças de cerâmica para o Centro, onde tudo se compra e tudo se vende. O Centro é a cidade, ou melhor como diz Cipriano, "por vezes o Centro parece maior que a cidade". De um momento para o outro, sem que nada o fizesse prever, os responsáveis informam Cipriano que já não querem mais peças da olaria, porque os clientes preferem comprar peças em plástico, que fica mais barato. Em face da previsível situação de deixar de ter a quem vender, Marta tem a ideia brilhante de diversificar a produção da olaria e, em vez das peças habituais, os pratos, as travessas, produzir bonecos decorativos; então vai Cipriano apresentar ao Centro a nova proposta que é aceite. A partir daí, dá-se uma verdadeira revolução na olaria, com novos produtos, que originam novos processos de fabrico, descoberta de novas técnicas, nova vida empresarial. Paralelamente a tudo isto, a história orienta-nos para uma espécie de determinismo fatal: é que Marçal, marido de Marta, é guarda no Centro e, mais cedo ou mais tarde terá de ir viver para um apartamento lá mesmo situado e, para Cipriano não ficar sozinho, irá com eles, deixando a olaria.

Vale mesmo a pena determo-nos na leitura da história para nos apercebermos do crescente processo de desumanização que vamos vivendo e que o autor quer naturalmente alertar. Para nos darmos conta daquilo que está bem à vista, com as nossas cidades cheias das novas catedrais do consumo. Esses centros, onde tudo é igual, até os cheiros (a hambúrguer e pipocas), as mesmas marcas, as mesmas lojas, as mesmas salas de cinema, …As pessoas vão entrando nas cavernas de todos os dias, uma espécie de lugar onde se vão sentando, olhando em frente, para uma parede por onde passam sombras, julgando que essas sombras são a realidade (Platão, Alegoria da Caverna)

Cada vez é maior o fosso entre o conhecimento e a ignorância e parece à primeira vista que a grande maioria das pessoas está dominada e ofuscada por meia dúzia de estereotipos fúteis, incapaz do exercício de simplesmente pensar, "aceitando" ser formatada por padrões de vulgaridade, de baixo gosto e de ausência de conceitos. Essa tentativa de formatação é visível em todos os sectores da sociedade, e necessária para que a elite do poder se vá perpetuando, sem grandes choques. É contra esta lógica perversa que José escreve, lançando questões e fazendo avisos.
No mundo dos computadores, quando queremos formatar uma vulgaríssima disquete, o sistema avisa, para o caso de estarmos a formatar algo onde temos gravado dados importantes, através de uma mensagem: "Aviso: A formatação apagará TODOS os dados contidos neste disco. Para formatar o disco, clique em OK. Para sair, clique em CANCELAR."

A questão é que para a "nossa formatação" não haverá um aviso semelhante; ou melhor, haver há; os avisos são os livros como os de José, que nos chamam a atenção, que nos despertam, nos ligam à vida, às pessoas, aos ideais, enfim ao encontro de um sentido para a existência. Face a isto, dizemos simplesmente "OK", ou rejeitamos em definitivo e dizemos "CANCELAR"?

Ao interrogarmos a nossa própria entrada para uma qualquer caverna, saibamos parar e perguntar como faz José: "... o que me preocupa neste momento é saber: que diabo de gente somos nós?"

26 janeiro 2004



MIKI FEHER



A morte de alguém é sempre um momento de grande dor. A morte de um jovem de 24 anos é sempre uma tragédia. A morte de um atleta de alta competição em pleno jogo, no máximo da sua energia disponível deixa qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade num estado de interrogação sobre o verdadeiro valor da vida humana. Miki Feher morreu junto dos seus camaradas de trabalho, que choraram por ele, que sentiram de perto o drama da perda de alguém que está muito próximo. A forma como cai fulminado no terreno do jogo, num dia cinzento em que a água caía e castigava aqueles que davam o seu melhor, pelo seu clube, pelas suas cores, num espectáculo de alto sacrifício, ou como dizia hoje o Fernando Alves, "a morte num estranho bailado à chuva.."

Que mágica suprema, que injustiça esta que leva desta já curta passagem alguém que, por certo tinha imenso gosto pela vida; que carga terrível de ver alguém sorrindo para o arbitro que lhe tinha mostrado um cartão amarelo e segundos depois a cair desamparado, qual árvore abatida ou fulminada por um raio.
Sim a morte, uma realidade tão palpável, tão presente em todos nós, tão longe e tão perto, à distância apenas de cada um de nós…

25 janeiro 2004

DAVOS

"
Um total de 34 chefes de Estado e de governo participaram nos debates do Fórum Económico Mundial, que terminou este domingo em Davos. As manifestações "anti-fórum" marcaram o encontro", Desceu o pano sobre o Forum Económico Mundial

Para que serve o Fórum Económico Mundial? Algumas questões singelas:

a) Serve para aproximar os países e as nações numa perspectiva de encontro de pessoas e de alguns interesses imediatos, como por exemplo, a crise internacional?
Não, não serve; serve é para aproximar aqueles que dedicam "o melhor do seu esforço" na pilhagem de recursos dos povos e das nações que submetidas a poderes imperiais ou fantoches, não têm outra forma de mascarar a pobreza.

b) Serve para debater a dívida do III Mundo, de molde a não penalizar ainda mais o estado de dependência?
Não, não serve; a manutenção e o agravamento da dívida é uma das formas de gerir o desequilíbrio e a pobreza; dir-se-ia até que a manutenção da dívida é uma moeda de troca entre os poderes imperiais e as oligarquias instaladas.

c) O que significa na realidade "… trabalhar para desenvolver o comércio livre"?
Significa promover condições de equidade entre as nações de molde a diminuir as diferenças entre ricos e pobres?
Não, que ideia! Significa, antes pelo contrário, criar mecanismos de estrangulamento de algumas pequenas economias florescentes, asfixiando mercados e restringindo as trocas directas, impondo mecanismos draconianos de modo a tornar improvável (impossível?) o aparecimento de alternativas aos grandes fornecedores.

d) Será que este movimento reúne consensos entre maiorias significativas?
Não, de todo! Trata-se de 220 empresários das 500 maiores empresas mundiais, a definir (leia-se, a impor) o destino da humanidade, onde dois terços vivem abaixo dos limiares mínimos de pobreza.
Para terminar um Fórum, que se poderia em boa verdade chamar o "Fórum da Pilhagem", o secretário americano Dick Cheney sublinhou "a importância da Europa no desenvolvimento das liberdades no Médio Oriente", que naturalmente tem a tradução prática: "a subserviência de alguns estados (como o nosso!) à política de terror permanente e de legitimação do poderio económico e militar dos senhores da guerra".

23 janeiro 2004



A GREVE


Hoje é dia de greve. Não pertenço à função pública; já lá trabalhei em tempos e conheço alguma coisa em termos de funcionamento e de lógica interna.
As tentativas feitas nos últimos anos para equiparar a função pública à privada esbarraram sempre na pretensa falta de credibilidade, falta de produtividade, falta disto e daquilo da FP. O que acontece é que, de há uns anos a esta parte, os trabalhadores da FP têm perdido poder de compra de uma forma absolutamente inacreditável e que contraria até a tão falada convergência com a Europa.
Claro que este problema não é só da FP; mas há que sublinhar as diferenças relativas ente o nosso País e a Europa comunitária; de facto, Portugal tem neste momento bens de primeira necessidade mais caros que a Espanha, tem as taxas cobradas em electricidade, telecomunicações, água, gás, preço dos automóveis, … dos mais caras de toda a Europa.
E tem paralelamente os mais baixos salários, os mais baixos níveis de escolarização e de formação profissional, com números que envergonham o País nos fóruns internacionais.
Mas também tem uma política verdadeiramente aventureirista, no que concerne aos alinhamentos internacionais mais conservadores, em bicos de pés relativamente aos senhores do poder e da guerra.
O estado de saúde do país é preocupante, dado que não se vêm sinais autênticos de tão desejada "retoma", apesar do discurso demagógico dos responsáveis que oscila entre o troliteiro e o ridículo (o que diz hoje a secretária de estado); temos 10 estádios de futebol, para tapar os olhos a uma grande maioria da população, para exaltar o patriotismo caseiro e parolo, fazendo esquecer o essencial das questões.
E continuamos, cantando e rindo, ao ritmo de um samba sem brilho, iluminados por uma chama fátua, exaltando ao domingo pela vitória do clube e dizendo baixinho que isto está mau, mas poderia ser pior e que .. a política deve ser para os políticos, e outras coisas mais ou menos conexas.
O manifesto do Bertolt Brecht que transcrevo é um contributo para a mudança em que penso nos devemos envolver e deixar envolver; é um manifesto de raiva e de paixão; que ele sirva de incentivo e de lição (porque não?) neste dia de GREVE!

"O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, o corrupto e lacaio das multinacionais
."

Bertolt Brecht