Um direito fundamental não é referendável. Não se referenda um direito do ser humano em usar o seu corpo e decidir em relação à concepção. Sabem as mulheres que por tal já passaram o sofrimento físico e moral que tal significa; todos os testemunhos apontam para isso. Não basta à mulher tais sofrimentos, ainda tem que passar pelo enxovalho público de ser arguida, julgada e potencialmente condenada por uma decisão que sóa ela deveria caber. Os moralistas de todos os quadrantes, os fundamentalistas de todas as matizes, apregoando a defesa da vida, querem imiscuir-se e ditar a sua lei; não os ouvimos contudo defender a vida que existe num Mundo cruel, desumanizado, em que mulheres e crianças morrem de 3 em 3 segundos. O mesmo para as igrejas, principalmente a católica, que para além de pura e simplesmente não respeitarem a mulher como ser humano de pleno direito, ainda querem impor a sua prédica reaccionária e atrasada não sei quantos séculos de um discurso do pecado e da condenação; nem dá para acreditar que estamos no século XXI!
A mulher decide, a sociedade respeita, o estado garante a IVG é o título da petição entregue na AR, conta já com perto de3000 assinaturas e chama a atenção daquele órgão de soberania para ... a capacidade, a legitimidade e a responsabilidade de mudar a lei. Isto, afirmam ainda os subscritores, porque ao Estado compete garantir às mulheres que necessitem de interromper voluntariamente uma gravidez, o direito de decisão em segurança para a sua saúde e dignidade, de acordo com as várias recomendações das Nações Unidas e do Parlamento Europeu. A petição solicita a despenalização do aborto na Assembleia da República, a pedido da mulher até às 12 semanas de gravidez.
E aqui cabe uma palavra para aqueles que deveriam em principio preservar a sua coerência de uma politica de ataque ao atraso do Pais; esta é apenas mais uma das vertentes em que a sua decisão não deveria vacilar. Contudo preferem escudar-se no formalismo de um referendo, quando a questão poderia (deveria) limitar-se á afirmação politica do voto na própria AR. E também uma outra palavra para todos os que (pelos vistos...) se decidiram agora pelo politicamente correcto que sempre atacaram noutras ocasiões... Enfim, não deixa de ser um coro engraçado, em que só não entra a extrema-direita parlamentar (vá lá...)
Ainda há, nestes tempos de indiferença, quem assuma aquilo que considero uma certa radicalidade, em termos da defesa de princípios e direitos fundamentais da pessoa humana, nesta caso da mulher. Que decididamente não se referendam!
21 outubro 2005
ESTE HOMEM NÃO!
Ele diz: "Posso contribuir para a melhoria do clima de confiança, para o reforço da credibilidade e para vencer a situação muito difícil em que o nosso país se encontra." Mais uma vez, após longos anos de exílio político, com intervenções episódicas, surge o homem-forte, o salvador da Pátria em perigo.
E continua, dizendo que pretende ajudar o Governo a governar, graças "à experiência e conhecimento da vida política nacional" e das "dificuldades que se colocam a qualquer governo em tempos de mudança como aqueles em que vivemos". Depois vem com as mais que estafadas declarações sobre a economia e a necessidade do seu rápido crescimento, lamenta os 400 mil desempregados e pinta o retrato negro assinalando o afastamento "do nível de desenvolvimento da União Europeia e da nossa vizinha Espanha".
Convencido (será que é um mero convencimento?) de que o seu currículo e formação lhe permitem enfrentar os problemas que enuncia, diz estar em condições de ajudar o país a reencontrar o caminho pelo seu conhecimento da realidade portuguesa "e pela reflexão que ao longo dos últimos anos" tem "vindo a fazer sobre a razão das dificuldades que atravessamos". Conclui o seu discurso, com a velha (e gasta) máxima que a direita usa quando quer enganar os incautos: "Candidato-me para ajudar o país a vencer as dificuldades em que está mergulhado e construir um futuro melhor".
Ora vejamos. Em primeiro lugar, como se vê, o homem não tem realmente nada para dizer, ou para dar ao País, além do já disse e deu. Todos se recordam da personalidade cinzenta que numa bela tarde foi fazer a rodagem do carro àFigueira da Foz e lá se instalou na liderança daquele partido (como ele dizia...). A ascensão a primeiro foi um passo, todos (todos não!) esperavam por um salvador, à boa maneira portuguesa, por um Salazar qualquer, que nós somos assim... Lembram-se também que o homem nunca se enganava e raramente tinha dúvidas (era mais ou menos isto...), que nunca lia jornais, mas ouvia sempre a sua Maria. Recordo também os famosos tabus, as referências aos opositores (todos!) como forças de bloqueio e finalmente o deixem-nos trabalhar.... Não sei se esqueci alguma outra citação, mas estas bastam de todo para as pessoas se lembrarem do homem.
Em segundo lugar, convém não esquecer que o homem chega ao poder no momento em que o País beneficia dos fundos estruturais do I QCA (Quadro Comunitário de Apoio), que esteve em vigor entre os anos de 1989 e 1993. O homem comemorou no passado dia 6 de Outubro precisamente 20 anos da vitória nas eleições legislativas, que lhe permitiram constituir o seu primeiro Governo (1985-1987) e a que se seguiram mais dois governos de maioria absoluta (1987-1991 e 1991-2001). E que convém que se lembre sobretudo que ele foi o primeiro responsável pelo desbaratar de milhões sobre milhões de contos em betão, por exemplo em auto-estradas que hoje praticamente ninguém usa (vejam os índices de utilização das auto-estradas do interior...), em detrimento do investimento na educação e na formação. Estamos a pagar hoje o fracasso completo da política de opções estratégicas do homem e dos seus apaniguados. Tenho para mim que se há fracassos de politica em Portugal no final do século XX, esta étalvez das mais graves e prova a capacidade do homem que agora aparece a candidato a PR. No dia de ontem, após a apresentação, alguém disse que os portugueses tem de ter memória. Essa é de facto a marca principal do dia de apresentação da candidatura do homem que afronta a memória de todos nós, ao pretender limpar a face, apresentando-se (mais uma vez...) como um não-político. Ao dizer o que disse, Jerónimo tem toda a razão do Mundo: é preciso ter memória, é preciso não esquecer que, se estamos como estamos, bem podemos agradecerao homem que ontem se apresentou. É preciso pois desmistificar o discurso do homem, é preciso recordar o que não se fez e devia ter sido feito, não deixar passar (mais uma vez?) a imagem do rigor, da honestidadee de outras coisas que na boca deste homem soam a falso, porque já deu provas do mais rotundo falhanço... Diz ele que não se candidata contra ninguém. Diz que se candidata ...para ajudar o País a vencer as dificuldades em que está mergulhado e construir um futuro melhor. Termino dizendo que, por um lado até acredito que ele não se candidate contra ninguém mas, por outro lado, que recuso a ajuda dele para construir o tal futuro melhor: o futuro que ele ajudou a construir está aí à vista de toda a gente...
Estou disposto a contribuir com a minha campanha para desmistificar o discurso deste homem que ora se nos apresenta, depois de uma patética cena de um novo tabu. Os responsáveis políticos devem pegar neste tema, de imediato e mostrar às pessoas a realidade que está por trás do homem...
Não, este homem decididamente não serve!
Ele diz: "Posso contribuir para a melhoria do clima de confiança, para o reforço da credibilidade e para vencer a situação muito difícil em que o nosso país se encontra." Mais uma vez, após longos anos de exílio político, com intervenções episódicas, surge o homem-forte, o salvador da Pátria em perigo.
E continua, dizendo que pretende ajudar o Governo a governar, graças "à experiência e conhecimento da vida política nacional" e das "dificuldades que se colocam a qualquer governo em tempos de mudança como aqueles em que vivemos". Depois vem com as mais que estafadas declarações sobre a economia e a necessidade do seu rápido crescimento, lamenta os 400 mil desempregados e pinta o retrato negro assinalando o afastamento "do nível de desenvolvimento da União Europeia e da nossa vizinha Espanha".
Convencido (será que é um mero convencimento?) de que o seu currículo e formação lhe permitem enfrentar os problemas que enuncia, diz estar em condições de ajudar o país a reencontrar o caminho pelo seu conhecimento da realidade portuguesa "e pela reflexão que ao longo dos últimos anos" tem "vindo a fazer sobre a razão das dificuldades que atravessamos". Conclui o seu discurso, com a velha (e gasta) máxima que a direita usa quando quer enganar os incautos: "Candidato-me para ajudar o país a vencer as dificuldades em que está mergulhado e construir um futuro melhor".
Ora vejamos. Em primeiro lugar, como se vê, o homem não tem realmente nada para dizer, ou para dar ao País, além do já disse e deu. Todos se recordam da personalidade cinzenta que numa bela tarde foi fazer a rodagem do carro àFigueira da Foz e lá se instalou na liderança daquele partido (como ele dizia...). A ascensão a primeiro foi um passo, todos (todos não!) esperavam por um salvador, à boa maneira portuguesa, por um Salazar qualquer, que nós somos assim... Lembram-se também que o homem nunca se enganava e raramente tinha dúvidas (era mais ou menos isto...), que nunca lia jornais, mas ouvia sempre a sua Maria. Recordo também os famosos tabus, as referências aos opositores (todos!) como forças de bloqueio e finalmente o deixem-nos trabalhar.... Não sei se esqueci alguma outra citação, mas estas bastam de todo para as pessoas se lembrarem do homem.
Em segundo lugar, convém não esquecer que o homem chega ao poder no momento em que o País beneficia dos fundos estruturais do I QCA (Quadro Comunitário de Apoio), que esteve em vigor entre os anos de 1989 e 1993. O homem comemorou no passado dia 6 de Outubro precisamente 20 anos da vitória nas eleições legislativas, que lhe permitiram constituir o seu primeiro Governo (1985-1987) e a que se seguiram mais dois governos de maioria absoluta (1987-1991 e 1991-2001). E que convém que se lembre sobretudo que ele foi o primeiro responsável pelo desbaratar de milhões sobre milhões de contos em betão, por exemplo em auto-estradas que hoje praticamente ninguém usa (vejam os índices de utilização das auto-estradas do interior...), em detrimento do investimento na educação e na formação. Estamos a pagar hoje o fracasso completo da política de opções estratégicas do homem e dos seus apaniguados. Tenho para mim que se há fracassos de politica em Portugal no final do século XX, esta étalvez das mais graves e prova a capacidade do homem que agora aparece a candidato a PR. No dia de ontem, após a apresentação, alguém disse que os portugueses tem de ter memória. Essa é de facto a marca principal do dia de apresentação da candidatura do homem que afronta a memória de todos nós, ao pretender limpar a face, apresentando-se (mais uma vez...) como um não-político. Ao dizer o que disse, Jerónimo tem toda a razão do Mundo: é preciso ter memória, é preciso não esquecer que, se estamos como estamos, bem podemos agradecerao homem que ontem se apresentou. É preciso pois desmistificar o discurso do homem, é preciso recordar o que não se fez e devia ter sido feito, não deixar passar (mais uma vez?) a imagem do rigor, da honestidadee de outras coisas que na boca deste homem soam a falso, porque já deu provas do mais rotundo falhanço... Diz ele que não se candidata contra ninguém. Diz que se candidata ...para ajudar o País a vencer as dificuldades em que está mergulhado e construir um futuro melhor. Termino dizendo que, por um lado até acredito que ele não se candidate contra ninguém mas, por outro lado, que recuso a ajuda dele para construir o tal futuro melhor: o futuro que ele ajudou a construir está aí à vista de toda a gente...
Estou disposto a contribuir com a minha campanha para desmistificar o discurso deste homem que ora se nos apresenta, depois de uma patética cena de um novo tabu. Os responsáveis políticos devem pegar neste tema, de imediato e mostrar às pessoas a realidade que está por trás do homem...
Não, este homem decididamente não serve!
07 outubro 2005
UM DOMINGO DIFERENTE???
Duvido sinceramente que o próximo Domingo seja particularmente interessante, do ponto de vista da maioria das pessoas, que já não deposita grandes esperanças no poder autárquico deste País. Os exemplos que se multiplicaram nos últimos anos (10, 20 anos, ou mais?) não dignificam em nada a vida politica local, apostado que foi pelos intervenientes directos, no exercício mais rasteiro do poder de que há memória depois do 25 de Abril.
A profusão das rotundas nos sítios mais incríveis, a multiplicação das benesses ao betão, a cumplicidade (activa ou passiva) com o sub-mundo do futebol, a incapacidade em apostar na qualidade de vida dos cidadãos através de uma cultura de bem estar para todos, bem como de politicas culturais consentâneas, fez o que está agora à vista: um afastamento das pessoas, um alhear mais que preocupante mas real, um deixa-andar até ver...
Depois, as elites dos partidos do centrão, fazem o resto: promessas mais que falaciosas, discursos patéticos, afirmações bacocas de amor áterra, conversas para atrasados mentais, verdadeiros atentados à inteligência. E tudo isto porquê? Por alguma razão os 2 partidos do poder se esforçam por se parecerem um com o outro, enquanto se degladiam em ataques constantes, sem substância... Vejam-se os múltiplos exemplos (de que Lisboa é um caso paradigmático) onde o Partido Socialista não foi capaz de entender a necessidade da abrangência de uma candidatura de esquerda plural, porque não écapaz de se libertar das grilhetas e dos complexos que tem... Alguém de boa fé é capaz de entender que se classifiquem como socialistas, autarquias como Braga, Matosinhos, Felgueiras, ...? Isto sóparar citar alguns exemplos conhecidos de gestão ruinosa, de destruição de património, de desrespeito pelos direitos de cidadania, de completa submissão ao poder do dinheiro fácil e das tentativas mais ou menos evidentes para calar as vozes incómodas que de quando em vez se levantam...
A esperança vincada pela estrondosa derrota da direita nas últimas eleições não é devidamente alimentada pela situação actual, nem é capitalizada em termos de manifestação colectiva de rejeição de politicas que não servem os interesses da maioria. Infelizmente o tempo é de esferográficas, sacos de plástico, electrodomésticos e até... chouriços! Alastra a estupidez colectiva, as parangonas das televisões independentes e a miséria intelectual chocante das declarações dos políticos de carreira: "estamos aqui para servir Portugal, estamos aqui para servir os portugueses..."
Para mim não servem, vão "servir" para a rua deles, vão "servir" para o raio que os parta!
A profusão das rotundas nos sítios mais incríveis, a multiplicação das benesses ao betão, a cumplicidade (activa ou passiva) com o sub-mundo do futebol, a incapacidade em apostar na qualidade de vida dos cidadãos através de uma cultura de bem estar para todos, bem como de politicas culturais consentâneas, fez o que está agora à vista: um afastamento das pessoas, um alhear mais que preocupante mas real, um deixa-andar até ver...
Depois, as elites dos partidos do centrão, fazem o resto: promessas mais que falaciosas, discursos patéticos, afirmações bacocas de amor áterra, conversas para atrasados mentais, verdadeiros atentados à inteligência. E tudo isto porquê? Por alguma razão os 2 partidos do poder se esforçam por se parecerem um com o outro, enquanto se degladiam em ataques constantes, sem substância... Vejam-se os múltiplos exemplos (de que Lisboa é um caso paradigmático) onde o Partido Socialista não foi capaz de entender a necessidade da abrangência de uma candidatura de esquerda plural, porque não écapaz de se libertar das grilhetas e dos complexos que tem... Alguém de boa fé é capaz de entender que se classifiquem como socialistas, autarquias como Braga, Matosinhos, Felgueiras, ...? Isto sóparar citar alguns exemplos conhecidos de gestão ruinosa, de destruição de património, de desrespeito pelos direitos de cidadania, de completa submissão ao poder do dinheiro fácil e das tentativas mais ou menos evidentes para calar as vozes incómodas que de quando em vez se levantam...
A esperança vincada pela estrondosa derrota da direita nas últimas eleições não é devidamente alimentada pela situação actual, nem é capitalizada em termos de manifestação colectiva de rejeição de politicas que não servem os interesses da maioria. Infelizmente o tempo é de esferográficas, sacos de plástico, electrodomésticos e até... chouriços! Alastra a estupidez colectiva, as parangonas das televisões independentes e a miséria intelectual chocante das declarações dos políticos de carreira: "estamos aqui para servir Portugal, estamos aqui para servir os portugueses..."
Para mim não servem, vão "servir" para a rua deles, vão "servir" para o raio que os parta!
23 setembro 2005
A CAMINHO DO 3º MUNDO
Aqui se dá (justo) relevo a excertos de uma carta de um português atento (1), que eu subscrevo na íntegra, consciente de que é preciso cada vez mais uma posição de critica sistemática a esta mediocridade...
"Um cidadão português é apanhado a 200 Km por hora e não lhe é aplicada a multa de lei nem é apreendida a carta ao motorista. O cidadão em causa éo presidente do Tribunal Constitucional. O primeiro-ministro inaugura uma unidade industrial que labora ilegalmente em terrenos agrícolas desde 1997. O vice-presidente de uma câmara denuncia pressões do poder político e de promotores imobiliários para a aprovação de projectos urbanísticos.
Autarcas, dirigentes desportivos, ex-autarcas, candidatos a autarcas, ex-governantes, chefes de gabinete, amigos e angariadores de dinheiro para os partidos são arguidos ou estão indiciados como coniventes em processos de corrupção ou tráfico de influências...
Estas são só algumas das notícias que se podem ler profusamente em quase toda a comunicação social.
Não, não é em África. É em Portugal!
Portugal tem um problema de corrupção. "A política dos solos tem sido moeda de troca para as mais variadas práticas fraudulentas e instrumento de enriquecimento pessoal". A autora destas frases é Maria JoséMorgado, insuspeita conhecedora da matéria em causa...
João Cravinho diz que o governo deveria lançar uma política nacional anti-corrupção. Em sua opinião "não houve nenhum governo que enfrentasse este problema a sério" nos últimos 20 anos...
A par disto tudo Portugal gasta 10 vezes mais em armas do que em ajuda humanitária...
A par disto tudo, e talvez por isto tudo, Portugal não pára de perder lugares na lista dos países mais desenvolvidos do mundo e está já em 27º lugar no índice de desenvolvimento humano, tendo sido ultrapassado pela Eslovénia!
A par disto tudo, e talvez por isto tudo, Portugal é o país da União Europeia em que o índice de repartição da riqueza é o mais desfavorável!
Portugal já foi um país subdesenvolvido. Depois passou a país em vias de desenvolvimento mais para distinguir o subdesenvolvimento negro do subdesenvolvimento branco. Qualquer dia vai ter que se arranjar uma nova designação para, mais uma vez, este país se manter no seio de um clube ao qual não sabe ou não tem capacidade para pertencer.
Ou então deixa de fingir e passa mesmo para o 3º mundo. É só uma questão de se assumir..."
"Um cidadão português é apanhado a 200 Km por hora e não lhe é aplicada a multa de lei nem é apreendida a carta ao motorista. O cidadão em causa éo presidente do Tribunal Constitucional. O primeiro-ministro inaugura uma unidade industrial que labora ilegalmente em terrenos agrícolas desde 1997. O vice-presidente de uma câmara denuncia pressões do poder político e de promotores imobiliários para a aprovação de projectos urbanísticos.
Autarcas, dirigentes desportivos, ex-autarcas, candidatos a autarcas, ex-governantes, chefes de gabinete, amigos e angariadores de dinheiro para os partidos são arguidos ou estão indiciados como coniventes em processos de corrupção ou tráfico de influências...
Estas são só algumas das notícias que se podem ler profusamente em quase toda a comunicação social.
Não, não é em África. É em Portugal!
Portugal tem um problema de corrupção. "A política dos solos tem sido moeda de troca para as mais variadas práticas fraudulentas e instrumento de enriquecimento pessoal". A autora destas frases é Maria JoséMorgado, insuspeita conhecedora da matéria em causa...
João Cravinho diz que o governo deveria lançar uma política nacional anti-corrupção. Em sua opinião "não houve nenhum governo que enfrentasse este problema a sério" nos últimos 20 anos...
A par disto tudo Portugal gasta 10 vezes mais em armas do que em ajuda humanitária...
A par disto tudo, e talvez por isto tudo, Portugal não pára de perder lugares na lista dos países mais desenvolvidos do mundo e está já em 27º lugar no índice de desenvolvimento humano, tendo sido ultrapassado pela Eslovénia!
A par disto tudo, e talvez por isto tudo, Portugal é o país da União Europeia em que o índice de repartição da riqueza é o mais desfavorável!
Portugal já foi um país subdesenvolvido. Depois passou a país em vias de desenvolvimento mais para distinguir o subdesenvolvimento negro do subdesenvolvimento branco. Qualquer dia vai ter que se arranjar uma nova designação para, mais uma vez, este país se manter no seio de um clube ao qual não sabe ou não tem capacidade para pertencer.
Ou então deixa de fingir e passa mesmo para o 3º mundo. É só uma questão de se assumir..."
(1) Carta publicada por António J. Ribeiro em Noticias Lusófonas, in http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=11529&catogory=Lusófias
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