rio torto

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26 setembro 2009

A Cena Parte 4. O meu VOTO



Não sei bem se a lei se aplica aqui, ou seja, se na blogosfera a campanha termina à meia-noite de hoje. Eu faço sempre campanha todos os dias. Habituei-me desde muito jovem a encarar a cidadania global como um símbolo de uma luta pelos direitos humanos, pela dignidade das pessoas, pela igualdade a todos os níveis, pela Democracia participativa, por uma sociedade mais justa. E também uma luta contra a pobreza, contra a exclusão social, contra os privilégios de pessoas e grupos que oprimem a grande maioria, enfim contra o fosso enorme entre pobres e ricos; em Portugal e em todo o mundo. Uma luta que não pode esquecer 4 décadas de fascismo, que não deve esquecer quem conseguiu abrir as portas que Abril abriu.


Serei hoje, por um dia, politicamente correcto, ou seja, respeitando a lei. Para fazer o meu apelo ao VOTO. Aproveito aqui e agora, as palavras simples de Jerónimo “… não há governo à esquerda, não há política de esquerda sem a contribuição decisiva do PCP e da CDU[1]. Perfeitamente à vontade, dado que não milito em qualquer partido há bastante tempo. Nada me obriga a concordar com tudo o que o PCP faz, ou diz. O meu apoio é um apoio crítico, porém convicto. Um apoio a um imenso grupo de mulheres e homens, muitos jovens, que defendem causas, princípios e ideais seguros de esquerda. Uma esquerda que não precisa de se travestir para se afirmar. E sobretudo na defesa de “…uma política de desenvolvimento económico visando tais objectivos pressupõe na sua realização uma decisiva intervenção do Estado na efectiva regulação da actividade económica e na concretização de políticas que prossigam opções estratégicas nacionais e a valorização do trabalho e dos trabalhadores, questão nuclear de uma política alternativa[2].


Num momento em que tanto se fala em coligações, alianças e outros acordos ou desacordos do género, Jerónimo diz muito claramente que “…só aceita dialogar uma aliança, se primeiro o PS aceitar políticas e bases programáticas”; e ainda, “o PCP esteve sempre aberto a qualquer discussão; o problema não é aceitar ou não dialogar: o problema é dialogar em torno de quê e procurar convergências em torno de quê[3]. Ao contrário de alguma esquerda, com propostas muito válidas diga-se de passagem, que talvez iludida pela “dança” das sondagens, vai dando alguns pontapés na coerência…


Entramos então no período de reflexão; já passa de facto da meia-noite, já me sinto um pouco infractor. Irei decerto amanhã reflectir, há sempre tanto para reflectir. Não decerto sobre o meu sentido de voto. O meu voto é segura e decididamente CDU!


Fim de cena.
25 Setembro 2009
Alf.


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(1) In Jornal “Público” de 25 de Setembro
(2) Programa eleitoral do Partido Comunista Português
(3) Idem nota 1

24 setembro 2009



A Cena

Parte 3. Casos, Gafes, Fitas, Gatos e mais coisas interessantes (ou não…)

http://sic.sapo.pt/online/sites%20sic/gato-fedorento/esmiuca-os-sufragios

Não diria que vale tudo nesta Cena. Mas, inundados que somos, praticamente todos os dias, com notícias mais ou menos desencontradas (?), ficamos com a sensação que nos passa ao largo muita coisa, que deveríamos conhecer melhor. Falo de transparência, claro. Ou da falta dela. Podemos comentar, protestar, ficar mais ou menos furiosos, mas de todo impotentes (salvo seja), uma vez que o afastamento é grande. Resta-nos mesmo contribuir como o Voto, afirmação de cidadania. A abstenção só servirá aquelas(es) que contribuem para a confusão.
TVI. Uma empresa privada, de orientação conhecida, despede (no meio da tal confusão), imiscuindo-se na Cena. Para que se saiba, a conhecida “jornalista” que se apresenta (ou apresentava) “ eu sou a MMG”, deu uma entrevista no mínimo provocatória ao DN uns dias antes de a administração lhe ter tirado o tapete. Nessa entrevista MMG chama "estúpidos" aos seus superiores. Aliás, as palavras "estúpidos" e "estupidez" aparecem várias vezes sempre que MMG se refere à administração e muito boa gente. É muito interessante rever a rábula feita pelos “Contemporâneos” que, para além de ter imensa piada, espelha na íntegra forma despudorada, provocatória e despida de qualquer conteúdo jornalístico que a dita cuja senhora utilizava. Mas há mais: é conhecida a forma como tratava os colegas dos outros canais, de “cobardes”, chegando ao ponto de classificar o programa da RTP 2, “Clube de Jornalistas”, como “uma verdadeira porcaria” e dizendo do Sindicato dos Jornalistas, "… pessoas que nunca fizeram a ponta de um corno na vida". Teve pois, em minha opinião, o que merecia. Claro que a Direita em peso apareceu em peso, como era de esperar, particularmente aqueles que no malfadado Governo de Santana Lopes fizeram o que se sabe e que nem vale a pena falar. E o que é perturbante, é que algumas pessoas de Esquerda tenham embarcado na onda, se bem me faço entender..

Das gafes, a melhor terá sido a da tal senhora que queria (quer?) “… parar a Democracia por 6 meses para pôr tudo na ordem”, ao dar autênticos pontapés na gramática da língua pátria, em várias situações, nomeadamente nas aparições nos “Gato Fedorento”, os quais montaram sobre o tema uma verdadeira profusão de asneiras. Também é de rever, para quem não esteve atento.

O Sr. Silva (até me custa recorrer ao Bokassa da Madeira, mas enfim…) deve contudo ter protagonizado a mais insólita gafe desta Cena. E o problema é muito mais que gafe. O dito senhor “desconfia” que anda a ser espiado pelo Governo, há praticamente ano e meio. Vai daí recorre ao Sr. Lima, seu fiel adorno há 20 anos, para abordar um jornalista, montando uma outra Cena. Deu no que se sabe: o dito senhor já foi demitido, o Sr. Silva tem agora mais um “tabu”, a lembrar os tempos em que desbastou os dinheiros públicos, na qualidade de PM. Bem, se de facto tinha desconfianças, não tinha outra solução senão abrir um inquérito e demitir o Governo. Mas a Direita é mesmo assim, retorcida; o Sr. Silva continua (apesar das suas “preocupações sociais”) a ser a imagem dessa Direita, que não queremos (eu, particularmente não quero mesmo!).

Um dado interessante: tendo-se falado muito durante a campanha, na luta contra a pobreza, na luta pela inclusão social, não ouvi, não li, não vi, qualquer dos partidos enquadrar devidamente essa prioridade com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), um compromisso mundial, assumido nas Nações Unidas em Setembro de 2000, pelos chefes de Estado e de Governo de 189 países, incluindo Portugal, Foi então assinada a Declaração do Milénio, comprometendo-se a lutar contra a pobreza e fome, a desigualdade de género, a degradação ambiental e o vírus do VIH/SIDA. Foi ainda assumido o compromisso de melhorar o acesso à educação, a cuidados de saúde e a água potável. E, para avaliar o cumprimento daquele compromisso, foram estabelecidos 8 ODM ([1]), a alcançar até 2015. Para além de constituir um compromisso de solidariedade internacional, que deve inspirar todos os cidadãos e organizações governamentais e não-governamentais, implica que o futuro Governo do País deve conceder mais e melhor ajuda pública para o desenvolvimento, nomeadamente no que reporta aos países de língua portuguesa. Tal referência poderia fazer contudo toda a diferença, no que significaria uma mobilização para a cidadania global.

Fim do terceiro acto.

24 Setembro 2009
Alf.
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([1]) Os 8 ODM: Pobreza e Fome / Ensino primário universal / Igualdade de género / Mortalidade infantil / Saúde materna / Doenças graves / Sustentabilidade ambiental / Parceria global para o desenvolvimento
In: http://www.objectivo2015.org/pobreza/index.shtml

23 setembro 2009



A Cena

Parte 2. A “Política da Verdade






A Cena é a tal “politica da verdade”Alguns dados da autora (e intérprete).

Manuela Ferreira Leite, Ministra da Educação do XII Governo Constitucional, de Aníbal Cavaco Silva, de 1993 a 1995. Inventou a “Geração Rasca”, para designar os jovens que terminavam o 10º ano de escolaridade. Esteve no centro da polémica das Lei das Propinas (pouco tempo depois de ter existido uma carga policial contra estudantes do Ensino Superior que se manifestavam frente ao Parlamento). Asfixiou completamente as Escolas Profissionais, através da medida de corte de financiamento público. Afirmou que os salários dos professores se iriam tornar iguais aos de um canalizador. Assinou a Lei de Bases da Educação que faz referência à escolaridade obrigatória até ao 12ºano.
Manuela Ferreira Leite, Ministra de Estado e das Finanças do XV Governo Constitucional, de Durão Barroso, de 2002 a 2004. Inventou a obsessão extrema pelo défice. Promoveu cortes orçamentais cirúrgicos às PME, que tiveram como consequência a falência de algumas delas. Idem às restrições orçamentais feitas às Câmaras Municipais que colocaram muitas delas à beira do colapso económico. Contratualizou, em sede europeia, o projecto do TGV, juntamente com Durão Barroso, então líder do PSD.
Manuela Ferreira Leite, candidata às eleições para a Assembleia da República de 27 de Setembro 2009. Afirma que a geração jovem é fundamental. Propõe corte radical com as actuais medidas da Educação, apoiando os professores (...). Afirma que a escolaridade obrigatória até ao 12ºano terá poucas ou nenhumas vantagens. Critica a obsessão de José Sócrates pelo défice. Propõe um programa de apoio às PME. Propõe rasgar contrato do TGV. Apresenta 2 candidatos na sua lista arguidos em processos de justiça. Defende que, no seu partido, os candidatos a um determinado cargo não o poderão ser a mais nenhum cargo nas eleições que ocorram este ano. Alberto João Jardim é candidato inverso da afirmação anterior. Manifesta-se publicamente, no debate com o PM contra “os espanhóis”. De 2006 a 2008 foi Vogal do Conselho de Administração do Banco Santander.

Basta comparar, não é preciso dizer mais; na realidade, não vale a pena…
A “santinha da ladeira”, como parece ser conhecida por alguns dos seus colegas de Partido. Aquela que propõe “parar a democracia por 6 meses” (uma ironia?). A mulher que elogia publicamente a “democracia” na Madeira. A mulher que diz que o casamento é para procriar. A “outra senhora” segundo a feliz alegoria de Manuel Alegre, nada tem no seu programa de concreto, porque simplesmente nada tem para dizer ao País. E, segundo consta, também ao seu Partido.
Não sei porquê, lembro tempos passados, quando o SNI coordenava, na Emissora Nacional, o programa do salazarismo "Rádio Moscovo não fala verdade"…
Não havia necessidade…

Fim do segundo acto.
22 Setembro 2009
Alf.

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Fontes:
o http://www.sg.min-edu.pt/expo03/min_21_ferreira_leite/expo2.htm
o http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuela_Ferreira_Leite
o http://thoughts-and-letters.blogspot.com/2009/07/cv-da-avozinha.html

21 setembro 2009



A Cena


Parte 1. Mas que cena é esta?



Uma serie de estórias, factos mais ou menos reais, outros assim-assim; alguns ainda de pura inspiração, dislates de consciência, desabafos mais ou menos incontidos, reflexões sérias, honestas e desonestas, puro divertimento e gozo, alguma ansiedade (natural?) no palco imenso de mais uma campanha. Os contornos enquadrativos de uma Cena, que se desenrola no tal palco, que devia representar o País, que de facto passa ainda ao largo de alguns milhões de cidadãos, por razões que a razão conhece, mas que alguns teimam em esquecer, para aliviar talvez a irresponsabilidade dos que usam a irritante frase feita “o interesse nacional está acima dos interesses particulares, o meu desejo é o de servir o meu país”. Bastava citar meia dúzia de casos conhecidos, para desmontar a asserção, tal é a completa e desmesurada promiscuidade entre a pequena política e os grandes interesses que, infelizmente, dominam a Cena.
A primeira parte da Cena é naturalmente dedicada aos que tiveram a responsabilidade de governar durante os 4 últimos anos. As outras partes tentarão visar os que continuam em cena de há muitos e muitos anos atrás, resguardados agora e sempre atrás de um poder oculto que transformam de facto a verdadeira Politica, que devia ser de todos e, não o sendo, distorcem a Democracia, transformando-a num mediático circo, iludindo os que votam para uma sociedade deliberdade, igualdade e fraternidade; e de mais algumas coisas… Razão para não votar? De todo, o apelo ao voto é quase um desespero de causa, ou se quiserem uma causa em si mesmo. Votar pois, apetece mesmo dizer como em tempos “o voto é uma arma” que, bem usada, pode alguma coisa transformar.
Votar por (ou para) causas, ideais, uma qualquer utopia. Ou muito simplesmente por nada de especial, como por exemplo, por protesto. O protesto, pode começar por ser feito de uma forma muito simples: não tivemos 4 anos um governo socialista, mas sim 4 anos de um governo do Partido Socialista. Apesar de, à primeira vista, poder parecer o mesmo, de facto não o é. O PS adoptou uma esquisita, mas conhecida estratégia, de praticar uma politica de direita, a que dá a designação de “reformista e de esquerda moderada”. Uma contradição, uma vez que aquilo na realidade não significa positivamente nada. Primeiro, porque o termo “reformista”nada diz em concreto, é uma abstracção, ou se quiserem uma afirmação de quem quer fazer “reformas”, sem se saber que tipo de reformas. Segundo, a “coisa” a que se chama “esquerda moderada”, também não é substantiva; ou é esquerda ou não é; será uma posição entre a esquerda e a direita(?); será uma posição entre a direita e a esquerda (?). Com toda esta ambiguidade, a realidade mostra um País com: um nível de pobreza assustador, em termos da União Europeia, um sistema bancário e financeiro protegidos em termos de carga fiscal, um número absolutamente intolerável de salários elevadíssimos em cargos de chefia em empresas (públicas e privadas), um critério de privatizações que deu no que sabemos, electricidade, combustíveis, serviços de telecomunicações mais caros, penalizando sempre os mesmos. A direita não faria melhor nem pior, faria exactamente o mesmo. Para “equilibrar”, a politica “reformista e de esquerda moderada”, mostrou alguma disponibilidade na consolidação do Serviço Nacional de Saúde, na promoção de muitos milhares de pessoas a quem foram reconhecidas qualificações (Novas oportunidades), enfim, um tímido combate à evasão e fraude fiscal e o chamado “simplex”.
Não chega, como fácilmente se constata pela frieza dos números que dia a dia vamos conhecendo. Mais de meio milhão de desempregados, uma politica económica que de facto, protege (velada ou directamente) os grandes grupos económicos e, acima de tudo, na continuidade do “centrão”: a rotatividade escandalosa de meia-dúzia (realmente muitos mais) de figuras PS e PSD à frente de empresas públicas. E, por falar em números aqui vai, sem comentários (não vale a pena…), uma notícia de 12 de Setembro da TSF: “o porta-voz da Comissão de Trabalhadores disse que, segundo o relatório do primeiro trimestre da PT, os administradores executivos receberam mais de seis milhões de euros
A Cena repete-se portanto. E é hora de a Cena mudar. Mas a mudança não é escolher dentro do centrão. Para surpresa de muitos iludidos, que dizem à boca cheia que a diferença entre esquerda e direita se vai esbatendo. Puro engano: esquerda é esquerda, direita é direita, assim mesmo. Precisamos de introduzir na politica uma radicalidade, que significa a já falada defesa de causas e princípios; aliás, assim o dizem muitas figuras conhecidas dentro do Partido Socialista.


Fim do primeiro acto.
20 Setembro 2009
Alf.

03 agosto 2009

ZECA AFONSO


Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palmaafaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormesnos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deveslança o teu desafio
"Utopia”, Zeca Afonso, 1983

Farias hoje 80 anos. Uma vida plena de solidariedade, de sacrifício, de luta pela Liberdade que ajudaste a construir. A tua luta, a nossa luta contra o fascismo, contra as injustiças, contra a censura que amordaçou Portugal. Tu foste e ainda serás o mestre, o companheiro, o camarada, o que desafiava os “ vampiros que não deixam nada”, o medo, as arbitrariedades, o obscurantismo de um regime persecutório, prepotente e castrador de consciências. Tu lançaste a semente, desde Coimbra, onde muito jovem tive o privilégio de te ouvir em caves esconsas, de norte a sul, do Alentejo de Catarina, que os esbirros da PIDE assassinaram, tu a cantaste denunciando a cobardia da ditadura, dos grandes latifundiários, da opressão generalizada, com as tuas canções. Trouxeste o saber africano de um Moçambique que simbolizava a cor e o fascínio de África, os ritmos e os sabores dos povos oprimidos das colónias. Desse Maio maduro “quem te pintou, quem te quebrou o encanto, nunca te amou” e desse Abril que tardava sempre a chegar, mas que floresceu nesse 74 já tão distante, mas tão perto de ti, de nós. Estarás sempre presente Zeca “...nos degraus de Laura / no quarto das danças”, nas fronteiras da Meia Praia, onde cantavas bem alto “… Quem aqui vier morar / não traga mesa nem cama / com sete palmos de terra / se constrói uma cabana” e brindavas os índios de quem “nada apaga a nobreza”, denunciando sempre “… quem se aproveita de nós / tu trabalhas todo o ano / na lota deixam-te mudo /chupam-te até ao tutano / chupam-te o couro cab'ludo”. Nos “cantares do andarilho”, que sempre foste, reunindo amigos, trazendo sempre mais um também, para a luta, pela luta. E não deixavas de avisar, “…Vejam bem / que não há só gaivotas em terra / quando um homem se põe a pensar”, e de acusar, “ Na Rua António Maria / da primaz instituição / vive a maior confraria / desta válida nação”. A tua suave e serena presença, nos poemas mais belos, com “Trovas e cantigas muito belas / Afina a garganta meu cantor / Quando a luz se apaga nas janelas / Perde a estrela d'alva o seu fulgor”, no retrato com ironia: “A cidade tem praças de palavras abertas / como estátuas mandadas apear / A cidade tem ruas de palavras desertas / como jardins mandados arrancar”. O País deve-te tudo, voz da cidadania, da sabedoria popular, o rosto da Utopia, que nos orgulhamos de partilhar…


2 Agosto 2009
Alf
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Referências:
“Os Vampiros”, 1963
“Cantares de Andarilho”, 1968
“Canção de embalar”, 1968
“Vejam bem…”, 1968
“A Cidade", 1969
“Traz outro amigo também”, 1970
“Maio, Maduro Maio”, 1971
“Era um redondo vocábulo”, 1973

“Venham mais cinco”, 1973
“Os Índios da Meia-Praia”, 1976

31 julho 2009

A Silly Season


"O sol nas bancas de revista

me enche de alegria e preguiça

Quem lê tanta notícia

Eu vou ...
Por entre fotos e nomes

os olhos cheios de coreso peito cheio de amores vãos

Eu vou ... por que não, por que não?”


Alegria Alegria”, Caetano Veloso (1968)


Por definição é uma estupidez daquelas do tamanho de uma casa assim mesmo uma estação perfeitamente parva no sentido abrangente do termo eu quero lá saber dos hobies dos políticos ou sequer dos sítios onde gozam férias perfeitamente imerecidas digo eu já que acho que eu mereço as curtas ferias que hoje começo e assim me despeço de quem tem a coragem ou desfaçatez de porventura ler os meus posts quem sou eu afinal é tudo tão frívolo e distante a vida entretanto continua as notícias fazem-se sempre haja ou não haja matéria há sempre os torneios de verão das equipas de futebol de topo porem só mesmo o meu Benfica me interessa descobri uma notícia ou várias sobre a justiça portuguesa interessantes como aquela do homem morto há já 4 ou 5 anos que recebe uma notificação sobre a putativa resolução do “seu caso” que já tinha a bonita idade de 20 anos não o morto claro por isso mando ás urtigas esta estação patética quero é descanso e praia se não chover eu gosto é do sol que “me enche de alegria e preguiça” e eu vou por aí ao sabor do vento e não me arrependo de nada pois não e quando voltar tudo estará diferente todos têm direito à sua utopia é a silly season estúpido!


30 Julho 2009
Alf.

23 julho 2009

Long Road Out Of Eden


“…And you can see them there on Sunday morning

Stand up and sing about what it's like up there

They call it Paradise I don't know why

You call some place Paradise Kiss it good-bye.”
The Last Resort”, Don Henley, Glenn Frey, 1976


Noite de magia no Pavilhão Atlântico, graças aos míticos EAGLES. Quem disse que estavam fora de moda? Para além do Eden, os 4 músicos, acompanhados de um grupo de músicos de classe indiscutível recriaram um ambiente singular, com a técnica de luz e som ao serviço do rock, da folk americana, dos incontornáveis blues. Vale a pena curtir a música que aprendemos em tempos e que nos dá a luz a que não podemos resistir. Um concerto destes vive-se, sente-se, leva-nos para lugares onde nunca estivemos e que ao mesmo tempo sabemos que por lá passamos numa qualquer dimensão que a mente nunca irá trair. Lembramos, porventura o lugar de Providance que o “The Last Resort” nos descreve como um possível paraíso, onde se encontram todas as diferenças de um mundo surreal. Curiosamente não fomos brindados com esse espantoso tema, muito embora retenhamos ainda aquele espantoso solo inicial da trompete que introduz o “Hotel Califórnia”, símbolo da banda de Randy Meisnner, Bernie Leadon, Don Hendley e Glenn Frey. Ficamos com uma mensagem, quiçá muito actual, quem sabe, “…Desperado / Oh, you ain't getting no younger / Your pain and your hunger / they're driving you home / And freedom, oh freedom / well that's just some people talking / Your prison is walking through this world all alone(1) . Vale mesmo a pena sonhar, percorrer lugares, marcar presença, a música não cura os males, nem os fantasmas que nos perseguem, pode é unir vontades e conquistar espaços de liberdade, a arte nunca foi nem será neutra e carrega em si anseios, frustrações e todas as contradições dos nossos comportamentos. Faz-nos sentir mal ou bem, consoante o que vamos fazer a seguir, o destino não está traçado, vamos então (porque não?) até ao limite, ao apelo da canção: “… And when you're looking for your freedom / (Nobody seems to care) / And you can't find the door(Can't find it anywhere) / When there's nothing to believe in / Still you're coming back, you're running back for more(2) . Porque não, afinal?

23 Julho 2009
Alf
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(1) Extracto de “Desperado”, 1973
(2) Extracto de "Take It To Limit
”, 1988

19 julho 2009

ADRIANO


A única salvação do que é diferente
é ser diferente até o fim,
com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade;
no fim de todas as batalhas …
há-de provocar o respeito
e dominar as lembranças"

Agostinho da Silva, in 'Diário de Alcestes'





Partiste. E porque partiste estamos tristes e saudosos, lembrando o amigo, o companheiro de lutas antigas, o camarada, sempre atento às injustiças e à indiferença. Tantos anos de convívio, quantas saudade agora da tua serenidade e atenção; porque sabias sobretudo ouvir e irradiavas simpatia e sabedoria. Mesmo na fase mais aguda da doença nunca perdeste o contacto com a realidade. Adriano, professor de línguas, na latinidade da origem do teu nome, a suavidade constante da tua presença. Adriano, o sindicalista, um homem íntegro, inteiro, na dignidade da sua intervenção, de quem os seus pares sempre disseram: “o melhor de todos nós”. Pena faz que partam assim tão cedo homens desta dimensão, ficamos sempre mais pobres, perante quem faz realmente a diferença. E sabemos que Adriano era diferente, na nobreza da amizade, no porte firme da defesa de causas e princípios que compartilhamos, aprendendo a construir ideais, desconstruindo ao mesmo tempo os mitos e conceitos da indiferença e do medo.

Bem hajas, querido amigo. Aristóteles dizia que “…sem amigos ninguém escolheria viver, mesmo que possuísse todos os demais bens(1) . Nós viveremos todos os dias um pouco por ti, para que, lá de uma outra dimensão que nunca conheceremos, possas eventualmente dizer: valeu a pena VIVER!

19 Julho 2009
Alf.
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(1) Aristóteles, in 'Ètica a Nicómaco'

28 junho 2009

A COR MORRE EM JUNHO?


“…They give us those nice bright colors
They give us the greens of summers
Makes you think all the worlds a sunny day, oh yeah
I got a nikon camera
I love to take a photograph
So mama dont take my kodachrome away

“Kodachrome”, Paul Simon, 1973








Morreram. As duas com diferentes idades. Uma, na flor da idade, 16 anos, de seu nome Neda Aghda-Soltan. A outra na chamada terceira idade, aos 74 anos, conhecida por Kodachrome. Mortes que chocam por razões diversas e que se ora se choram.

Neda foi assassinada pela milícia islâmica Bassidj, no Irão (26 Junho); em Farsi (1) o nome Neda significa “voz”. Uma, entre tantas outras que se manifestavam, pela liberdade de expressão, num país teocrático, muçulmano fundamentalista, que desenvolve sofisticados armamentos, mísseis e satélites, praticamente já em condições de fabricar a bomba nuclear, continua mergulhado na escuridão, ignorando a Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde a mulher não conta quase para nada, discriminada pela lei e sociedade iraniana: o seu testemunho em juízo vale metade do que o testemunho de um homem, tem apenas direito à metade de uma herança que seus irmãos recebem, precisa da permissão de seu marido para trabalhar fora ou deixar o país, etc…

Kodachrome foi “morta” – desactivada pela Kodak (23 Junho), após mais de 70 anos de sucesso no mercado mundial, aquela que foi a primeira película de cor a chegar ao mercado. Aparentemente porque nos dias de hoje, 70 por cento das receitas da Kodak provêm da fotografia digital, cabendo à Kodachrome apenas 1 por cento das vendas totais da marca.

Quase parece a morte da cor, num mundo cinzento, ou a preto e branco, como parece ser a tendência fatal. Num caso, como no outro, está em causa a diversidade, ou a falta dela, a luta pelos direitos humanos, conjugada com as leis do mercado, para quem as pessoas não contam, ou só contam como números, estatísticas e “relatórios de progresso”. Nós, que somos pelo colorido, pelas cores vivas da diferença, da pluralidade, da vida “…je vois la vie en rose(2) , poderíamos eventualmente proclamar / reclamar: cor volta, estás perdoada!

Alf.

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(1)Língua Persa
(2)“La vie en rose”, Édith Piaf, 1946

22 junho 2009



O Comboio 621…



Passam-se as horas,o relógio na parede,

conta sem parar,os minutos e segundos,

que se passaram,e não mais irão voltar…”
“As horas”, Poema estúpido, Anónimo do século XXI



Às tantas ninguém deu por nada à excepção de umas quantas centenas de intrépidos passageiros que por volta das 5 e meia da tarde se meteram numa aventura sem pensarem que tal poderia acontecer o que é facto é que o 621 das linhas regulares vulgarmente chamadas de intercidades de Lisboa para o Porto vencendo todos os desafios da designada “alta velocidade” cruzou as linhas e gastou umas singelas 9 horas mais 1 quarto para chegar ao destino desafiando assim qualquer recorde de um autêntico “voo” intercontinental que se cuidem pois os grandes Airbus e congéneres dado que a nossa CP ciosa da sua qualidade ímpar nos brindou com a mais longa viagem de que há memória desde a ultima Vá lá saber-se a razão ele há sempre uma (ou 2, pelo menos) para tão grande caminhada que faz lembrar os gloriosos tempos do far-west de que eu muito sinceramente também não me lembro o estranho da coisa é que parece ter avariado a máquina que puxava nada mais nada menos que 14 carruagens cuja começou ao que parece por não se dar bem com os ares mais que sagrados de Fátima e daí para a frente foi um incontável número de paragens sucessivas das quais a informação só era dada aos passageiros (quando era) meia-hora depois mas foi bonito de ver a solidariedade entre os ditos formando pequenos grupos de conversa real embora o que esteja na moda seja a dita mas virtual Não interessa para nada claro o desespero evidente de uns quantos insatisfeitos que sempre vêm na CP um inimigo a abater embora difícil porque é muito “pesado” nem tão pouco uns e umas que se iam queixando de não chegar a horas (imagine-se!) para tomar um qualquer medicamente ou para aquele jantar de 6ª feira e uma mais que provável sessão de copos o certo é que pouparam dinheiro e agora vão ser todos reembolsados de acordo com a lei ele há pessoas terríveis que não alcançam os benefícios da calma como no Alentejo ou na África profunda pois 9 horas mais um quarto (de hora) com tantos pedidos de desculpa para chegar à Invicta assim chamada por albergar cidadãs e cidadãos que gramam o Pinto da Costa e outros que tais Bem é caso que pelos vistos não deu notícia muito embora tenha havido quem alvitrasse a entrada intempestiva da Manuela Moura Guedes no comboio para um directo de sucesso na sua TVI que nada eu nem vi nenhum jornal a noticiar a patética cena de uma companhia zelosa dos interesses dos seus clientes com a nossa CP que até poderia significar “caminhos perdidos” estão a ver perdeu o Norte e não conseguia chegar ao Porto até que tem alguma lógica tanta vai perdendo o dito todos os dias com tanta chatice que por aí anda tanta merda escondida com o rabo de fora (às vezes nem rabo se vê) então uma máquina não pode avariar pois sim que pode ainda há quem queira e sugira um qualquer transporte alternativo isso é que era bom gasta-se muito dinheiro tem é que se poupar para a Crise o tempo é sempre relativo só não vê quem está sempre de pé atrás e só sabe dizer mal dos outros Eu até gostei à excepção de a dada altura ter ido ao Bar para comer qualquer coisa e só havia pistáchios e pilhas que nem eram alcalinas nem nada mas enfim as coisas são como são e não é justo que à chegada à mítica estação de Campanhã alguns funcionários da querida CP fossem brindados com epítetos menos próprios que me escuso por decência a proferir mas que posso adiantar que iam do típico “filhos da puta” até ao autêntico “caralho de incompetentes”ora essa não está bem digo eu porque no fundo se tratava “apenas” de um “pequeno”atraso E que dizer daquelas e daqueles (muitos mesmo) que em Coimbra (ou em Pombal, já nem me lembro) abandonaram o “seu querido 621” para se meterem num outro que seguia na mesma direcção para viajarem de pé ou acantonados pelos corredores bolas para a segurança ainda por cima esse mesmo trem abalroou um (ou uma não sei bem) incauto que estava no meio da linha enfim mais um acidente lamentável a perda de uma vida mas menos 1 para as estatísticas do desemprego Meu querido 621 jamais te esquecerei para mim a CP continua a ser a CP mesmo que tal signifique por exemplo “cambada de parvos” ou “corja de parvalhões” ou até “cretinos de Portugal” muito embora esta ultima não seja nada de original Bem hajam será vosso o reino sagrado da incompetência ireis direitinhos para o caixote do lixo sem direito a reciclagem isto tudo a bem da nação (cruzes credo).

21 Junho 2009
Alf.

18 junho 2009




Uma "lógica" chamada politicamente correcto…










Now watch what you say
Or they'll be calling you a radical
A liberal, oh fanatical, criminal
Oh won't you sign up your name
We'd like to feel you're
Acceptable, respectable, oh presentable, a vegetable!”
“The Logical Song”, Rick Davis – SUPERTRAMP (1984)



Sócrates e Cavaco bem se podem juntar num dueto (sem cordas), embora a probabilidade de lhes dar mais corda, esteja agora provavelmente no grau zero. O Partido Socialista tinha tudo a seu favor, no início de uma legislatura, com maioria significativa, para tomar opções correctas. Claro que isto não é mais que uma frase feita, dado que a interpretação de “correcto” é mais que discutível. De rupturas falo eu e não de tímidas “reformas” que mais não significam deixar mais ou menos tudo na mesma, apesar dos delírios festivos do “simplex”, do “magalhães” (por exemplo) terem dado algum colorido, quiçá enganador. Talvez algumas consciências de boa-fé pudessem ter ficado ofuscadas com a posição do PS sobre a IVG; ou até porventura nalguns casos de sucesso evidente das “Novas Oportunidades”, um avanço democrático para cidadãs e cidadãos que viram finalmente as suas competências reconhecidas. “Nova Oportunidade” que Sócrates não mais terá. E que, em minha opinião, nem sequer merece. Da pompa e circunstância com que foi eleito há uns meses atrás secretário-geral com 97,2% (a comparação de má memória da reeleição do presidente da Coreia do Norte, não passa de uma simples coincidência, claro…), o homem que “calou” no partido as vozes discordantes, ficará para sempre com o ónus da arrogância (a que ele chama “determinação”), do autismo (que ele designa de “falta de propostas alternativas”), do atropelo aos direitos dos trabalhadores (que ele classifica “modernização e flexibilização”), enfim, da má consciência de “esquerda” que pretendeu sempre incutir nalguns incautos (?). E não é por acaso que se volta a falar no malfadado “bloco central”, a terrível mancha cinzenta social e politica, que por essa Europa fora vai infelizmente proliferando, “graças” ao mais que evidente fracasso dessa esquerda travestida, de que o “nosso” PS é um lídimo representante. E se não bastasse isso, ainda por cima toda a direita conservadora e alguma direita nazi-fascista ganham força.

Assustador pois é agora o panorama europeu. O “cherne” é pelos vistos o que está a dar e já se prepara para o segundo mandato. Com o aplauso de Cavaco. E aqui, mais uma vez, o Partido Socialista vai atrás de toda a direita, contribuindo para mais uma presidência de direita da Comissão Europeia. Convém lembrar a propósito que os governos europeus, para além de estarem a pôr em causa o modelo social europeu, estão 40 mil milhões de euros aquém de cumprirem as suas promessas relativas à Ajuda Pública ao Desenvolvimento (1) e permitem a proliferação descarada de todas as tropelias financeiras, alimentando bancos e banqueiros, à luz do liberalismo económico, a cujo modelo estão agarrados e de cujos privilégios afinal beneficiam.

Muito embora eu nada espere de Sócrates e seus acólitos, há decerto dentro deste Partido Socialista muitas pessoas de bem, que abertamente defendem soluções de esquerda, quer para o nosso País, quer para a Europa. Mas claro está eu nada ter a ver (antes pelo contrário…) com este PS.

17 Junho 2009
Alf.
(1) Dados de Maio 2009, constantes do relatório publicado pela CONCORD, a Confederação Europeia das ONG de Desenvolvimento

06 junho 2009


ONGD apelam aos Europeus que votem contra a Pobreza

Na véspera do Dia da Europa, as Organizações Europeias para o Desenvolvimento vão lançar uma campanha em toda a União Europeia com o objectivo de destacar o papel da UE no mundo e encorajar as pessoas a votar nas eleições europeias que vão ter lugar de 4 a 7 de Junho de 2009.

Assim sendo, a campanha "10Days4Development", que decorrerá de 9 a 18 de Maio, incentiva os eleitores a perguntarem aos seus candidatos ao parlamento europeu o que pretendem fazer para promover o desenvolvimento internacional e para combater as alterações climáticas, caso sejam eleitos.

Por toda a Europa, as ONG internacionais de desenvolvimento estão a organizar actividades, incluindo debates públicos, reuniões com políticos, campanhas de sensibilização, sondagens de opinião e assim por diante, destacando a responsabilidade global da União Europeia e o impacto das políticas da UE sobre o mundo em desenvolvimento. Os eleitores podem obter informações acerca das actividades em curso no seu país, visitando até 7 de Junho:
http://10days4dev.wordpress.com

Numa altura de crise financeira, climática e alimentar e de economias interligadas, a acção internacional para resolver os problemas internacionais é mais importante do que nunca. Neste contexto, o Parlamento Europeu e os eurodeputados têm um papel crucial a desempenhar na definição das políticas europeias que afectam os pobres do mundo.

"Os eleitores europeus terão de decidir qual a Europa que querem: uma Europa aberta, solidária com os mais pobres, independentemente da sua origem, ou por outro lado uma Europa que construi cercas e favorece um modelo económico que exclui milhões de pobres do mundo, como demonstrado pela crise financeira em curso ", diz Ester Asin, responsável pela campanha do CONCORD.
O CONCORD apela a uma Europa que:
· seja coerente a nível social, económico, comercial e ao nível das políticas de segurança que promovam o desenvolvimento sustentável e cidadania responsável, tanto para os cidadãos da Europa como para os do resto do mundo;
· respeite os seus compromissos no que respeita a mais e melhor ajuda ao desenvolvimento, que promova os direitos humanos e contribua para a redução da pobreza a nível mundial;
· seja transparente, aberta e responsável perante os seus cidadãos.


Os eleitores não podem perder esta oportunidade de decidir quem querem que os represente por 5 anos.

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Notas:
· Manifesto do CONCORD (Confederação Europeia das ONG de Ajuda e Desenvolvimento:
www.concordeurope.org ) por ocasião das eleições europeias: diferentes línguas disponíveis. Clique aqui para a versão Inglês.
· A Plataforma Portuguesa das ONGD apoia esta campanha; este artigo é retirado e adaptado do sitio Internet da PALTAFORMA Portuguesa das ONGD:
http://www.plataformaongd.pt/site3/index.php?option=com_content&task=view&id=781&Itemid=1

13 maio 2009


CRÓNICAS CABO-VERDE 3: Sodade
Sodade invadi'm na peito
Sem consolo sem sossêgo sem um sonho
Ma pa mim um certeza
Bô é nha rainha Óh mulata cabverdiana
Tito Paris, “Ondas Di Bô Corpo”



Há silêncios que marcam momentos de sonho. Um olhar que baste numa qualquer esquina da vida. Enquanto os trópicos nos trocam as voltas, há um “Fogo de África” (1) que ninguém se atreve a apagar. A música das cordas, a disputa atrevida entre o violino e o cavaquinho, vai diluir-se no ritmo da morna. Há lugares assim, que alguns silêncios atestam e onde ficamos sem saber se a música nos transporta ao além como por encanto, ou se simplesmente ficamos encantados pela envolvente quente do lugar. Lembramos a tarde na Cidade Velha, nos penhascos agrestes, onde cada pedra é história de 6 séculos, com o seu vale atravessado por duas ribeiras que acabam por unir-se, formando um só curso de água e que criaram a paisagem luxuriante do vale e que lhe deram o nome de “Ribeira Grande”. Creio que alguém, lá do alto das ameias da fantástica muralha recuperada pelas populações, observa atentamente o mistério da música que brota das pedras antigas. Uma rota de sonho de ida e volta à Praia, mostra-nos pequenas aldeias lá em baixo. Provamos a deliciosa moreia frita (pela 2ª vez), saboreando o momento com os Amigos; e aqui é de toda a justiça que se fale no Abraão, no João Pedro, no Toy, guias, companheiros, camaradas das mesmas lutas, não há palavras que definam tanta simpatia, carinho e cumplicidade. Quase na partida, voltamos (tinha mesmo que ser) à música, a despedida ideal, com o sentimento das cordas, que nunca saberemos como e quanto nos apertam, há sempre um nome que nos fica, vá lá saber-se o significado de Eli, na terra do Fogo, uma inspiração de Aquário, uma saudade imensa, quiçá uma repartição de afecto e carinho que nos aperta, entre a partida iminente e o desejo de regressar aos ritmos, aos lugares, às pessoas, Transportemos então a música inesquecível das cordas, nos acordes e nos olhares que falam os mesmos sentimentos,



Simplesmente “sodade”……

http://www.youtube.com/watch?v=YFuRb7Fr5bQ
Praia, 7 de Maio 2009
Alf.
(1) Restaurante-Bar da Praia, com música tradicional de cordas de Cabo-Verde

CRÓNICAS CABO-VERDE 2:

APRENDER COMPENSA ou “Uma questão de Democracia

Assim mesmo, “Uma questão de Democracia” é entendida a proposta da E&O, constante do Projecto RVCC. Por essa e outras razões a Reunião de ontem (6 de Maio) com o Dr. Florenço Varela, director da DGAEA (Direcção Geral de Alfabetização e Educação de Adultos de Cabo-Verde), significou (mais) um passo importante para a consolidação do Projecto, quer do ponto de vista conceptual, quer nalguns aspectos operacionais que tivemos ocasião de abordar. Isto para além da enorme simpatia com que o senhor Director me recebeu; não nos conhecíamos ainda pessoalmente, apesar de termos contactado já diversas vezes por telefone e por mail; para mim foi um grato prazer contactar pessoalmente com o nosso Parceiro nesta grande aventura que irá ser decerto a implementação do processo, cujo pólo central será aqui, em Cabo-Verde, estendendo-se à Guiné-Bissau e S. Tomé e Príncipe. Trata-se de reconhecer, certificar e validar as competências dos adultos, adquiridos por via não formal ou informal, em diferentes contextos de vida e de trabalho e que, por qualquer razão, não tiveram acesso à escolarização. Trata-se de um instrumento para a melhoria dos níveis de qualificação da população adulta, para a elevação dos respectivos níveis de escolaridade e para a melhoria das suas qualificações, quer para o contributo que o mesmo pode significar para uma maior equidade no acesso à escolaridade, designadamente um maior equilíbrio nas qualificações de ambos os géneros.

É um Projecto da E&O, que há mais de 2 anos tem vindo a ser preparado, pelos nossos técnicos (alguns dos quais contribuíram para a implementação do sistema no nosso País), com os países referidos, com parcerias devidamente identificadas, todas elas empenhadas também no sucesso de uma experiência-piloto, cuja meta final é extensiva a todos os países de língua portuguesa. O principal impacto do sistema é o aumento dos níveis de escolarização da população a que se destina. Tratando-se de adultos com baixos níveis de escolarização e que abandonaram a escola precocemente, realizar com sucesso um processo deste tipo (isto é, obter uma certificação escolar) permite aumentar a sua auto-estima e criar o interesse em continuar em processos subsequentes de formação contínua, numa perspectiva de aprendizagem ao longo da vida. Para além disso, a obtenção de uma certificação traduz-se, muitas vezes, numa melhoria da situação profissional do adulto.

Decididamente pois “Uma questão de Democracia”, pelo cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, nomeadamente o Objectivo 8: “Desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento”. Uma questão de direitos humanos, pelo significado que enforma, no que reporta ao direito (e ao respeito) pela capacitação das pessoas e da sociedade civil.
O desafio está lançado ao Estado Português, nomeadamente aos responsáveis pela Cooperação Portuguesa, SENEC e IPAD, à CPLP e aos países que aderiram pela sua própria vontade na consecução desta iniciativa.

Praia, 7 de Maio 2009
Alf.

10 maio 2009

CRÓNICAS CABO-VERDE 1: a Intervenção


Sempre chegamos aos sítios aonde nos esperam
Do “Livro dos Itinerários”, citado por J. Saramago, in ”A Viagem do Elefante


De novo o calor de África, o estranho fascínio pelo Sul, pelos espaços de liberdade, ao menos espiritual. Cabo-Verde, das mornas e coladeras, que ontem saboreei no “Quintal da Música”, da calma da praia da Praia, da confusão completa do Sucupira (1) trazendo à memória o antigo Kinaxixi (2) da brisa dos fins de tarde. As habituais trapalhadas dos primeiros dias, misturadas com o apagão da Internet, mas sempre os Amigos que nos acolhem e nos fazem sentir em casa.
Desta vez para participar num Seminário de Formação Sindical, uma iniciativa da CPLP-SE (3) . E aqui de novo para falar sobre “Educação e Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável”, para professores, sindicalistas do sector da educação e outros agentes de educação formal. Porque se tratava de um público especializado em questões de Educação, procurei ajudar a reflectir sobre as enormes responsabilidades do sector no que reporta aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), um incentivo à promoção de acções concretas, junto de colegas, alunos, formandos, famílias e comunidades locais. A adesão foi deveras significativa, até pela “novidade” do tema, já que só uma pequena percentagem dos participantes tinha ouvido falar nos ODM. E, para além disso, a perspectiva da maioria das pessoas, sobre as questões da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento era meramente assistencialista. Muito importante foi de facto, abordar o verdadeiro sentido (e significado) do conceito APD (4), em que consiste, como funciona, os programas e incitativas comunitárias (União Europeia) para os países em desenvolvimento, muito embora este País esteja colocado numa espécie de “limbo”, nas classificações internacionais. Também algumas questões operativas e ter em conta, neste contexto.

Um pormenor muito significativo que me foi dado observar tem a ver com o gosto e orgulho em ser Professor. Embora eu não seja (apesar de o ter sido em tempos) sei o que se vai passando no meu País, onde considero que a função (missão?) de professor está completamente desprestigiada; penso aliás, que chega a ser alarmante a situação no Ensino em Portugal, nas escolas, onde o Professor deveria ser respeitado, dada a responsabilidade que tem na formação das crianças e dos jovens, para uma sociedade mais justa, mais equilibrada, onde a problemática do Desenvolvimento Sustentável é uma questão transversal de enorme significado, para uma Cidadania Global responsável.

Assim, estes encontros muito nos ensinam. O discurso poderia eventualmente perder-se (tantas vezes acontece…) nas apertadas fronteiras da formação tradicional. Desta vez porém, o sentimento é outro: acreditamos todos, organizadores, formandos e formadores, ser possível uma transformação, se bem que por vezes difícil de definir e mesmo de concretizar: de atitudes, de vontades, de metodologias e estratégias visando resultados, a curto, médio ou longo prazo. Acreditamos que vale a pena, que pode realmente fazer a diferença, uma postura de confiança, num Mundo melhor, mais justo. E são as gerações mais novas que devem ser alertadas para as questões globais, como a luta contra pobreza e a marginalização de 2 terços do Planeta, da erradicação do analfabetismo, entre tantas outras, numa perspectiva de mudança; para tal, devem saber o que se passa no Mundo, conhecer o passado, analisar o presente e aprender a perspectivar o futuro. É uma Missão do Professor e, os responsáveis políticos devem entender, de uma vez por todas, que nenhuma “reforma” se faz contra os professores, mas sim com os professores.

No Seminário da Praia sentimos solidariedade, muita confiança, muito respeito e alegria de viver; de passar a palavra e espalhar a notícia, pelo menos nas 10 ilhas deste Arquipélago. Daqui partiremos para os outros países de língua portuguesa. Com algum sacrifício, diga-se de passagem, uma vez que representa um grande investimento, para o qual (para já) os organizadores não têm a sustentabilidade financeira que gostariam. Que sirva esta crónica pelo menos para chamar a atenção daqueles que têm a responsabilidade da repartição de verbas, em Portugal, mas não só, já que parece haver situações de desperdício noutros países da CPLP. Para todos, a mensagem é muito simples: provar na prática e no terreno a vontade expressa em apostar na Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

Atenção CPLP, estaremos atentos!
Praia, 2 de Maio 2009
Alf.


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(1) Mercado tradicional da Praia
(2) Antigo Mercado de Luanda, demolido para construir um grande Centro Comercial
(3) CPLP-SE: Comunidade das Organizações Sindicais de Professores e Trabalhadores em Educação dos Países de Língua Portuguesa, Sindical da Educação.
(4) Ajuda Pública ao Desenvolvimento

25 abril 2009



Onde estavas???



Vem à ideia a frase do BB “mas afinal onde estavas no 25 de Abril?" olha eu estava na cama a dormir eram umas 9 e meia da manhã quando o Vilas me bate à porta e diz “então a dormir e a Revolução na rua…” não pode digo eu é verdade diz ele e lá fomos os dois tanta gente na rua mas ainda não havia a certeza só lá para a tarde se percebeu a libertação a alegria o gozo que deu ver a polícia a fugir dos militares que maravilha já lá vão 35 anos tanta água que passou tantos encontros e desencontros “a vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida" o gesto incontido a emoção dos momentos que passamos e passeamos pelas Avenidas da Liberdade que fomos conquistando com luta porque é com luta que se luta sempre e agora há quem pense que agora que tudo temos e nada vemos sentimos “apenas” sinais preocupantes de arrogância descaramento e prepotência às vezes até custa a acreditar que acontecem cenas como as de Faro e de Braga mas é verdade que parece haver medo quem cala consente e é por isso que eu não me calo porque não posso ignorar mas o certo é que a miséria assusta e sente-se e convive-se com ela com aparente tranquilidade Será que é recorrente o apelo à indignação quando nos entra todos os dias pelos olhos e ouvidos mais um escândalo mais uma fraude mais um descarado roubo daqueles que parecem estar à margem da decência e das próprias leis do tal estado de direito de que tanto nos falam e que parece mais que torto no pior sentido do termo Avancemos pois para as grandes obras que nos ligam à Europa isso é que interessa uma porra e mais centros comerciais e às tantas era aí que se deveria marcar o 25 de Abril afinal é onde as pessoas andam meias tontas “sem eira nem beira” pois é senhor engenheiro lembro-me agora “…aprende a nadar companheiro que a maré se vai levantar” parece que a que a liberdade já não está a passar por aqui uma Maré Alta que faça muita e muitas ondas para ver se gente acorda de vez porque “… o que é preciso é agitar a malta empurrar a malta animar a malta dar poder à malta…” isto de pequenas reformas não vai lá não senhor (engenheiro?) é preciso repetir mais uma vez que Abril não é evolução mas sim Revolução não tenham medo da palavra ou então tenham mesmo medo porque ele agora existe que diabo mas vejam bem que “…por morrer uma andorinha não acaba a primavera” como tal ainda há esperança ventos de mudança que devemos agarrar com muita força a tal força de quem trabalha e que agora nem deixam trabalhar com tanto despedimento Curioso quem devia ser despedido por incompetência de gerir ainda é premiado e vai de bolso cheio para os paraísos que por aí abundam com off-shores e congéneres pelo meio que é precisamente onde não está a virtude.


Vivo a vida como dantes / não tenho menos nem mais / e os dias passam iguais / aos dias que vão distantes
Mas ... ainda vamos a tempo, 25 de Abril sempre!



Madrugada de 25 Abril 2009
Alf
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Palavras e/ou frases “roubadas” sem permissão especial que eles não se importam…:
Baptista Bastos
Carlos do Carmo
Sérgio Godinho
Zeca Afonso
Vinicius de Moraes

02 abril 2009



VISEU= 1 – ROMA=0
(com 0-0 ao intervalo)


“…Nadavam piranhas na lagoa escuratamanhas que nunca tal vi

Limpei a viseira, peguei no arpão, mas tive o diabo na mão …”
Zeca Afonso, “Chamaram-me cigano”, 1968

O jogo até que nem começou mail para o Papa de Roma; investe pela extrema direita, centra e marca golo logo no 1º minuto da sua visita a Angola: “não ao preservativo, faz mal à saúde e pode ser pior para o SIDA”. Azar dos azares, o árbitro anula o lance, considerando fora-de-jogo. Acontece. Mas o Papa não desiste, lança-se de novo e mais uma vez pela extrema-direita, corre tanto que sai pela linha lateral, que como se sabe, é o limite da decência, não se deve passar e dá direita (ou melhor, direito) ao lançamento pelo adversário. A 1ª parte desenrola-se a meio-campo, a assistência assobia e dança kisomba ao mesmo tempo. Intervalo. Os jogadores recolhem ao balneário, mas o Treinador do Papa não arrisca qualquer substituição e a 2ª parte recomeça sem sair fumo branco daquela chaminé. Eis senão quando a equipa de Viseu, vendo o adversário sempre a jogar pela extrema-direita, um erro, segundo comentaria depois do jogo Rui Santos, não entendendo a insistência, mas toda a gente entende a razão, deixa lá Rui, este jogo não está ao teu alcance. Num lance de bola parada, o Bispo marca um belo golo “quem tem a doença fatal, deve usar o preservativo, para não transmitir a doença…, acho que foi mais ou menos assim, eu não vi o jogo, não deu em canal aberto. E assim, uma equipa do interior, uma equipa regional do Portugal profundo, vence um jogo, apenas um jogo, mas um jogo pela Vida, contra a equipa do homem vestido de branco, numa terra em que o branco curiosamente é luto.

A FIFA vai agora dar a taça a Viseu e castigar o homem de branco com trabalho comunitário. Eu explico: é que a receita do jogo vai será destinada à compra de 340 milhões de preservativos, que serão distribuídos pelo próprio, em cada um dos países africanos.

Na chamada “zona mista” (eu não sei bem o que isto é, mas ouço sempre nos relatos…) foi muito comentado o resultado e praticamente houve um acordo generalizado, com excepção de César das Neves, Paulo Portas e Arcebispo de Braga.

Não está prevista uma 2ª volta deste encontro, aguardando-se que o Concílio se pronuncie a envie novas normas para a FIFA.

02 de Abril de 2009
Alf

Colaboração de imagem: Cartoon do António, 5 de Dezembro de 1992, na "Revista" do Expresso
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PS: os adeptos do FCP não devem ler este relato, porque pensam que o Papa é o Pinto da Costa...


ANEXO
(acho que vale a pena ler também este pequeno texto)



As Nações Unidas consideraram que, a 12 de Outubro de 1999, a humanidade teria atingido os seis mil milhões de indivíduos. No entanto, contava-se que, por exemplo, em Moçambique, a população deveria ultrapassar, por essa altura, os 19 milhões de habitantes. Quando, ao contrário de todas as estimativas, segundo os dados do Censo de 1997, a população moçambicana andava apenas pelos 16 milhões. E algo de semelhante aconteceu noutros países africanos, onde a população recenseada ficou muito aquém do esperado. Daí que a data apontada pelas Nações Unidas para os 6 mil milhões de pessoas sobre a Terra deva ser vista apenas como meramente simbólica, uma vez que a referida cifra só deve ter sido alcançada uns anos mais tarde. Entre as várias explicações para as discrepâncias apontadas, penso que a principal variável a ter em conta é o efeito do VIH/SIDA. De facto, de há uns anos a esta parte, começa a ser aceite pela generalidade das agências internacionais que o factor SIDA fez cair drasticamente a esperança média de vida à nascença e o respectivo crescimento populacional na África sub-sariana
Antunes, Manuel de Azevedo, 2008

01 abril 2009



A NÉVOA

Quem não conhece a verdade não passa de um tolo;
mas quem a conhece e a chama de mentira é um criminoso
!”
Bertolt Brecht [1898-1956]

Confesso a minha perplexidade e indignação contra aquelas e aqueles que se admiraram com a nomeação do respeitável empresário Domingos Névoa, administrador da BRAGAPARQUES. É por que não conhecem o que passa naquela triste cidade de Braga, onde desgraçadamente campeia a impunidade, o compadrio mais baixo, os negócios mais sujos, o lixo que não tem tratamento possível. Mas afinal irá ser ele a tratar do lixo, pelos vistos um negócio que bem domina. E para completar a cena é nomeado para director-geral da BRAVAL (a tal empresa intermunicipal, empresa de tratamento de resíduos sólidos do Baixo Cávado, que engloba os municípios de Braga, Póvoa de Lanhoso, Amares, Vila Verde, Terras do Bouro e Vieira do Minho), Pedro Machado, genro de Mesquita Machado, presidente da Câmara Municipal de Braga e dirigente do PS. Explicitando melhor o processo, a Assembleia Geral da BRAVAL elegeu o presidente da empresa e o director-geral; ora esta Assembleia Geral é composta pela empresa AGERE, que detém larga maioria da empresa; por sua vez, a empresa AGERE foi criada em 1999 pela transformação dos serviços municipalizados de água e saneamento do município de Braga em empresa pública municipal; em 2005, a Câmara Municipal de Braga privatizou 49% da AGERE, que foram vendidos a um consórcio de empresas formado por ABB, DST e BRAGAPARQUES.

Estamos portanto esclarecidos. O Névoa tornou-se publicamente conhecido pela sua tentativa de corromper o vereador Sá Fernandes; aliás, em 25 de Fevereiro passado, o Tribunal da Boa Hora deu como comprovado o crime de tentativa de corrupção activa. O “prémio” é este: quem percebe de lixo, trata de lixo! Tudo bem, pois, para juntar ao extenso rol de promiscuidade que graça na sacrossanta cidade, onde até um alto dignitário da igreja católica (felizmente morto) fazia parte da mais descarada máfia, que anda à solta e não se diferencia das outras máfias. Pelos vistos também, toda a cidade conhece mais ou menos as situações e continua a votar na mesma. Continuem pois, que vão no bom caminho…

Mais um corrupto “premiado”. Para outros, particularmente os que denunciam a corrupção, o prémio é mandá-lo para fora do País. Mesmo assim, João Cravinho não se cala, mais uma voz dentro do partido de Sócrates (acho que é assim que dever chamado, se bem me entendem…) que denuncia o que deve ser denunciado.
É este o rosto da corrupção! Uma névoa que é mesmo Névoa, uma vergonha para o País, mais uma razão de cidadania para denunciar, para actuar de todas as formas possíveis, para tentar inverter esta situação.

1 de Abril 2009
Alf.

20 março 2009


OLHARES…


Quem não compreende um olhar,
tão-pouco compreenderá uma longa explicação.”
Mário Quintana (1906-1994)

Sempre gostei de olhar as pessoas nos olhos expressão de sentimentos ocultos ou nem tanto é neles que nos revemos para além de nos vermos sensações que só acontecem para quem tem a felicidade de poder ver e daí a luz e o brilho às vezes a ausência de um ou de outro que complementam os momentos mais felizes das nossas existências não vale a pena portanto falar muito nem explicar demasiado nem argumentar (para quê?) quando sentimos que “o outro lado” não é na realidade o nosso lado assim dito parece estranho não o sendo de facto quando sentimos necessidade de estar sós perante nós próprios esquisito que seja porque há momentos que precisamos de partilhar com alguém do nosso lado assim olhos nos olhos há coisas que não se explicam e que (às vezes) um rio grande de luz nos prende a atenção e nos conquista… só de olhar!

18 Março 2009
Alf.



EU JÁ ASSINEI, ASSINA TU TAMBÉM!

Um grupo de deputados europeus de vários países, encabeçado pela eurodeputada Ana Gomes, acaba de lançar em Bruxelas, através de uma página da Internet (http://www.stopcorruption.eu/en-GB/aboutus.aspx), uma petição para lutar contra a corrupção.

Em 2006, as exportações de petróleo e minerais provenientes de África foram aproximadamente de 249 biliões de dólares, quase seis vezes o valor da ajuda internacional. Se utilizado correctamente, este enorme transferência de riqueza poderia ser uma das melhores chances de uma geração para levar muitos dos mais pobres do mundo e mais desprotegidos cidadãos de sair da pobreza. No entanto, em muitos países ricos em recursos, a corrupção no sector dos recursos naturais tem levado directamente para conflitos, violações dos direitos humanos e um agravamento da desigualdade e da pobreza ".
Global Witness
Todos conhecemos fenómenos de corrupção, no nosso País e não só. Comentamos, protestamos para dentro, alguns ainda tomam atitudes de colocar acções judiciais, de escrever artigos (…). Há que fazer mais ainda; esta é uma óptima oportunidade (mais uma), não a vamos desperdiçar.

EU JÁ ASSINEI, ASSINA TU TAMBÉM!

A ENGENHO &OBRA (E&O), organização a que presido associou-se a esta campanha. Por isso apelo ao V. apoio; Basta ir ao site da nossa ONGD (http://www.engenhoeobra.org/) e carregar no logotipo, que aparece no título.

Obrigado pela tua colaboração; um grande abraço solidário,
Alf.