AS “CADEIAS”
Não vou falar de reclusos, por mais que o título possa pesar (por isso o coloquei entre comas)
Escrevo porque tenho recebido algumas mensagens de pessoas de que gosto muito, solicitando-me a “postagem” de um texto, afim de compartilhar com mais uma quantas pessoas, neste caso, Amigos.
Por razões que não sei bem explicar e pela minha natural insubmissão, quando vejo um pedido destes, tendo a não o acatar.
Adpotei desta vez uma atitude diversa, publicando nesta página, uma posição que propõe até uma atitude assertiva.
Se forem tão (ou mais) insubmissos quanto eu, provavelmente tomarão a mesma atitude.
Como não peço nada a ninguém, estou de certa forma salvaguardado. Mas, para os que me conhecem, sabem que nada disto é inocente e que existe (nem que seja sob a forma subliminar), um apelo concreto.
Homero disse, “De muitos homens vi as cidades e conhecei os pensamentos”. Na sua “Odisseia” é afinal, no meu entender, o mito de todas as viagens.
De todas as travessias.
Estamos a fazer uma travessia. Provavelmente poucos de nós conheceram situações semelhantes. Pela parte que me toca, apenas por uma vez estive retido, numa situação de guerra. Foi em Timor-Leste, em Dili, durante uma rebelião. Mas foram apenas dois dias, sem poder sair do Hotel, um excelente hotel, curiosamente onde estava toda a malta da Cooperação, os GOES da GNR, todas e todos em alegre quarentena, dado que tínhamos as tropas fieis a cercar completamente o Hotel Timor.
Nada que se compare isto, rigorosamente nada. Esta travessia é (está e vai ser) longa e exige de nós algum sacrifício. Mas devemos pensar que, se calhar, somos privilegiados, em relação à grande maioria, que está a passar por situações anormais, de despedimento, de agressão aos seus direitos, devido ao aproveitamento que está a ser feito do estado de excepção, pelos que ainda se consideram "donos disto tudo", para impor uma vez mais a sua perversa influência na Sociedade.
Aquilo que podemos fazer, nós que na maioria até já não estão no activo, é, pelo menos, denunciar situações que conheçamos, na defesa (mínima) daqueles que não têm voz, ou que o não possam fazer, pelo MEDO, que o ordoliberalismo instalou entre nós.
Nesta travessia, aprendermos. Aprendemos sempre mais, porque a aprendizagem é uma dádiva da nossa inteligência. Que a saibamos utilizar, pelo menos por uma questão de sanidade mental...

Sem comentários:
Enviar um comentário