rio torto

rio torto

07 janeiro 2004

SOFTWARE LIVRE
Com a devida vénia, transcrevo um artigo do José Mota, do Blogo Social Português, obviamente apoiando a sua recomendação:
"Recomendo a toda a gente que use o OpenOffice em vez do MS-Office.

- faz tudo o que faz o MS-Office e mais umas coisas (grava em formato PDF por exemplo)

- é compatível com os ficheiros do MS-Office

- é total e legalmente à borla !

Descrição e informações:
versão inglesa, aqui:

versáo portuguesa, aqui:


Podem ir buscá-lo aqui:


e os dicionários de correcção ortográfica e hifenização em português aqui:


O BOM ANO DO GOVERNO DA DIREITA

A ida à televisão do PM é realmente fantástica. Quando toda a gente está a sofrer na pele os aumentos habituais do início do ano, o nosso 1º rejubila com a "retoma", afirmando que o ano de 2004 vai ser muito melhor para o País. Mas em que país vive ele? Os primeiros dias do ano ditaram aumentos em bens de consumo e de primeira necessidade como o pão, a água, a luz, os transportes, as portagens (alguém me explica por exemplo por que carga de água aumentam as portagens?), a renda da casa. Todos os aumentos são superiores (e nalguns casos muito superiores) à média de inflação prevista pelo Governo para o próximo ano. Por outro lado, grande parte dos analistas económicos e financeiros, concorda com as teses oficiais da "retoma", transportando-nos para o terreno (armadilhado) das previsões a médio e a longo prazo, mantendo a ilusão de uma situação mascarada pela falta de informação e mesmo de desinformação; tentam explicar o inexplicável, ou seja, tentam fazer crer uma melhoria da situação económica, quando todos vemos as coisas a piorarem de dia para dia.
Em outras zonas cinzentas da administração, os representantes da extrema-direita acumulam de forma grosseira e autoritária o despesismo e a arrogância típicos da sua política: Paulo Portas, dá-se ao luxo de comprar submarinos; Bagão Félix ataca as conquistas do 25 de Abril; Celeste Cardona, conduz a justiça como se vê. O primeiro-ministro, refém da influência da extrema-direita, navega como pode e vê os índices de popularidade subirem junto dos certos sectores empresariais, saudosos do passado.
Este ano de 2004, iremos celebrar (iremos mesmo?) os 30 anos do 25 de Abril, num clima de tristeza generalizada; um país cada vez mais cinzento, mais conservador, um país que senta no banco dos réus, mulheres e companheiros, por causa do aborto, um país cada vez mais mergulhado nos últimos lugares da União Europeia. Bem a propósito, no "Publico" de hoje, Luís Fernandes diz que há, cada vez mais, em cada um de nós "um pouco de mãe de Bragança, um pouco de bispo de Braga, um pouco de Manuela Ferreira Leite. E não se vislumbra uma luz, uma réstia de esperança, um assomo de coragem, um grito de revolta.
É pois urgente que se comece a preparar uma celebração do 25 de Abril à maneira, denunciando a situação catastrófica em que a direita e a extrema-direita estão a lançar o País.
Penso ser a única forma de saudar este novo ano de 2004, porque o resto já sabemos o que vai dar: mais desemprego, mais pobreza, mais sacrifícios para quem trabalha e paga impostos, mais indiferença generalizada.

"
Uma personalidade desajustada pouco adaptada aos padrões sociais, uma dificuldade na empatia, interesses obsessivos... É uma estranheza que tem um nome que poucos de nós conhecem. Chama-se Síndroma de Asperger e a jornalista Liliana Valpaços foi à procura dessa "estranha forma de vida" que provavelmente afecta uma em cada trezentas pessoas em Portugal". A notícia desta semana (16 de Novembro) na TSF dá-nos conta desta nova doença, uma doença que se diz "anti-social", pelo que parece transparecer na descrição. É caso para dizer, que cada vez mais pessoas se afastam dos chamados "padrões sociais". Mas, o que são realmente padrões sociais? Serão atitudes pautadas pelo interesse colectivo, pelo bem-estar das pessoas e dos povos ou, serão antes um conjunto de lugares comuns tendentes a manter o status existente, numa sociedade pautadas pelas desigualdades cada vez maiores entre os que detêm o poder económico e aqueles (a grande maioria) que nada possuem, para além do facto de apenas existirem? Dificuldade de empatia; bom, de facto existe uma tremenda falta de empatia, mas será que não foi sempre assim? Será caso para detectar uma nova "doença social"? Interesses obsessivos; aqui sim, há uma tremenda razão para falar assim; interesses obsessivos, de determinados grupos económicos e daqueles que os protegem de uma ou outra forma, interesses que estão ligados a uma determinada forma de fazer a coisa pública, ou seja, a política…
Portanto, podemos estar descansados, a doença a existir, parece ser inócua e mais, essa "estranha forma de vida" que provavelmente afecta uma em cada trezentas pessoas em Portugal, provavelmente vai deixar de ser assim tão estranha, até ao dia em que as coisas mudem de vez. Que seja cedo!

05 janeiro 2004


Um novo ano que começa …

Tudo morre um dia.
"Um ano também morre, implacável,
Na hora determinada.
Morrem amores e morrem sonhos,
Morrem as horas passadas.
Mas quando a última porta se fecha,
Uma nova janela se abre,
Prometedora.

Renasce o ano,
Na hora marcada.
Novos amores e novos sonhos,
Novas horas esperadas.
E quando a janela se abre,
Cheia de promessas,
Abre-se nosso coração,
Esperançoso.

Vistamos então
Nossos melhores sonhos
Calcemos nossos melhores sapatos.
Olhemos para o ano que passou
Com olhos agradecidos
E para o que chega
Com o coração aberto
P'ra receber
Com alegria, fé e coragem
Tudo o que ele tem
Para nos oferecer
"

Autor desconhecido

29 dezembro 2003



Zero a Zero

Zero o zero vejo as horas a passar; sinto o final do ano a chegar; termina o ano como começou, infelizmente, nada (ou quase nada) mudou; porque a hora se aproxima e os moinhos estão (todos) por mover; tanta coisa para fazer; tantos sonhos por sonhar; tanta palavra por dizer; porque as coisas por fazer ainda se podem (?) fazer; porque o ano acaba e outro lhe sucede com a mesma sensação de impotência; o que se há-de fazer?

Nada de especial para escrever! As palavras da Xana, com a música do Jorge Palma, dizem tudo o que há para dizer!

"Muito ao longe sinto as horas
E os minutos a correr
Vejo as mágoas já passadas
E os moinhos por mover
Entre os sonhos vitimados
E os que ainda vão matar
Vejo o final do ano a chegar

Pelos lábios ressequidos
Das palavras que inventamos
Pela força que desmaia
Pelos perigos que passamos
Entre a espera comedida
E a pressa de já lá estar
Vejo o final do ano a chegar

Zero a Zero

Por entre o riso contagiante
E o silêncio mais profundo
Entre o choro comovente
De alguém lá no bar do fundo
Entre o gelo derretido
E as vitórias por brindar
Vejo o final do ano a chegar
"

28 dezembro 2003

O óbvio e o impossível

José Saramago à conversa com a Bárbara Guimarães e com o José Luís Peixoto (vencedor do prémio Saramago), ontem na SIC dá uma definição espectacular da criação artística. Diz ele que não existe obra literária (um romance) sem haver um impossível; tudo parte portanto, daí, de um facto ou um conjunto de factos impossíveis de acontecer; é impossível a Belimunda ver através do corpo das pessoas, é impossível a Península separar-se tal como uma jangada de pedra, é impossível existir uma conservatória com "todos os nomes" e por aí adiante. O universo de Saramago é povoado por "impossíveis" pontos de partida. Mas, continua Saramago, afinal as histórias vão ser desenvolvidas dentro daquilo que é mais óbvio, ou seja, quando estou a ler acabo por dizer: mas claro, como não me lembrei disto? Assim aliados, o óbvio, aquilo que passa por nós sem nos darmos conta (ou atenção) e o impossível (com ou sem aspas?), como metáfora do intangível ou do imaginário de todos nós. E daí, o trabalho do criador em desenhar situações o mais possível aproximadas destas duas singularidades, só aparentemente contraditórias: o que é realmente óbvio e o que é afinal o impossível?

24 dezembro 2003




O Natal de Davor

É inevitável que num dia como este se fale de paz, de amor, de amizade, de família, de sorrisos e abraços, de prendas no sapatinho.
Que se façam mil e uma declarações de compromisso sobre a situação dos mais desfavorecidos, sobretudo da parte dos que mais os atacam e prejudicam no dia a dia.
É dia em que os sinos tocam, que se enfeita a árvore, que se preparam os doces, que se fazem os telefonemas de ultima hora, a desejar as boas festas!
É sem dúvida um dia em que todos (todos?) desejaríamos que tudo estivesse melhor do que está, que gostaríamos de ter mais dinheiro para as prendas em vez de estar a contar os cêntimos todos os dias, de não ouvir sempre o discurso estafado daqueles que nos governam dizendo que estão a fazer tudo para melhorar a nossa situação…
Eles de facto estão a fazer tudo para melhorar a situação, mas não é exactamente a "nossa situação", mas sim a daqueles que nem sequer precisam de contar os cêntimos…
É num mundo rodeado pela miséria que se festeja mais um Natal; isto para quem o festeja, claro; sabendo que a quadra de Natal ultrapassa largamente a efeméride religiosa e, por essa razão, todos a ela parecem associados.
Em Mostar - Jugoslávia há precisamente 8 anos atrás, Davor um menino de 12 anos, mostrava ao Mundo através dos seus desenhos como via o Natal; uma cidade em chamas e todos a trabalhar para as apagar, aparentemente sem grande sucesso Desde 1995, pouco mudou no Mundo para as crianças envolvidas em palcos de guerra; estes cada vez são em maior número, em todos os continentes; após o 11 de Setembro e graças à política terrorista da administração americana, o Mundo está cada vez mais perigoso, principalmente para aqueles que não se podem defender; no entanto, é vê-los em Jerusalém, em Belém, em Bagdad, em Cabul, etc…, etc…, de armas na mão para defender sabe-se lá o quê; isto à custa do recrudescimento dos fundamentalismos, que usam as crianças como carne para canhão.
Hoje, dia 24 de Dezembro, uma notícia no Público, faz tremer mesmo os corações mais empedernidos: crianças mortas em Moçambique, sem órgãos, que foram subtraídos para tráfico; absolutamente inacreditável!
E no entanto tudo parece fácil de resolver, não fora a cobiça e a partilha vergonhosa de bens que os países mais ricos praticam no dia a dia e que faz crescer assustadoramente os níveis de pobreza, de miséria e de fome; mais de um terço da população mundial vive abaixo dos limiares mínimos aceitáveis.
Não é muito o que se pede à grande maioria das pessoas de bem; nem que vão a manifestações, nem que assinem coisa nenhuma, nem que façam doações para nenhuma ONG, nem que "guardem" um pacote de arroz, um litro de leite e um quilo de farinha para qualquer País do 3º mundo, nem….
Claro que isso é importante; mas, pelo menos, por favor, não se calem; não façam de conta que não é convosco, não passem ao lado e, por favor falem sobre isso, discutam isso com os vossos filhos, com os vossos amigos; não digam que a política não é para vocês, não digam que os políticos são todos iguais, primeiro porque não é verdade e segundo porque essa é a melhor forma de tudo ficar sempre na mesma!
Falem disto no vosso Natal, falem nos direitos das crianças espezinhados por todo o Mundo, vítimas da guerra, das minas anti pessoal, da fome, de maus-tratos e da miséria imposta por esta globalização.
Por eles e com eles, estamos neste Natal, mesmo sem acreditar em nenhuma religião; não, não os podemos decididamente esquecer…

23 dezembro 2003


As 7 Mulheres do Minh
o


A propósito de algumas belas fotos de mulheres do Minho, levada a cabo pelo Museu de Imagem - Braga, desde Novembro deste ano, aqui vai um extracto de um poema do Zeca Afonso. E também (muito a propósito) de uma notícia do Expresso de Sábado passado (20Dez) sobre inspecções da PJ na Câmara de Braga; pode ser que alguém de Braga, leve as palavras à letra…

"As sete mulheres do Minho
mulheres de grande valor
Armadas de fuso e roca
correram com o regedor
"

19 dezembro 2003


Quem são os meninos nazis?

"O País vai de carrinho
Vai de carrinho o País
Os falcões das avenidas
São os meninos nazis
"

Assim falava o Zeca Afonso em 1983, no álbum "Como se Fora Seu Filho".
20 anos depois, poderemos dizer (pelo menos) que andam de Ferrari….
Voltaram os meninos nazis e já agora mandam no Governo da República; mas afinal não é o Barroso que manda lá? É, parece que manda, mas de facto não manda; vejam o caso triste da desautorização do porta-voz do PSD, pelo líder da bancada parlamentar respectivo, isto depois da declaração dos PPs de PP.
Complicado? Nem por isso. Já na tomada de posse deste Governo, o insuspeito JPP (José Pacheco Pereira) dizia que, a partir do momento que tinha sido consagrada a aliança (santa?) entre PSD e CDS-PP, a extrema-direita passaria a ter lugar no Governo, pela primeira vez desde o 25 de Abril. Bem pode JPP ser galardoado pela fantástica previsão que ora fez e a que o tempo lhe foi dando sempre razão.
O peso que os PPs de PP têm no Governo da República é de facto desmesurado, para um pequeno partido que neste momento não representa mais que 5% de votos no panorama eleitoral; esse peso é corroborado pela importância das pastas da Defesa, da Justiça e da Segurança Social. Até que ponto os PSDs já viram ou simplesmente detectaram esta vergonhosa situação? E mais, quem de facto contribui para ela? Pois, foi de facto o seu líder Barroso - o Durão - o mesmo que rasteja perante a administração americana, perante o governo espanhol, por sua vez vergado também ao mesmo "patrão", perante os grandes interesses da "cunha" e do dinheiro. Para onde vai realmente o PSD?

"Se o Adolfo pudesse
Ressuscitar em Abril
Dançava a dança macabra
Com os meninos nazis
",

continua o Zeca… O Adolfo, figura de retórica (?) ressuscitado pelos PPs, fanáticos, fundamentalistas, que querem (embora não o possam ainda dizer) o regresso a um passado colonialista e atrasado na cauda da Europa. Bem o afirma Freitas do Amaral (TSF, 14 de Dezembro), quando afirma que o discurso do PP relativamente a questões como a dos imigrantes e da análise da questão colonial, é o discurso do passado, que ainda não tem condições de ser assumido tal como no tempo de Salazar e Caetano, mas que no fundo reflecte exactamente o que os ditadores pensavam…
Sobre a questão do aborto é vê-los na mais profunda demagogia e hipocrisia possível a desdobrarem-se em manifestações de "apoio à vida", naquilo que tem sido interpretado por vários analistas como a mais espectacular campanha de desinformação e mistificação de que há memória depois do 25 de Abril; todo um conjunto de posições tacanhas, parolas e idiotas de que há memória; e têm azar (no mínimo) com as fracturas dentro da própria igreja católica: até já há padres e bispos (!) que vêm para a praça pública condenar na prática aquela que é a chamada posição oficial do Papa de Roma.

"Os pretos, os comunistas
Os Índios, os turcomanos
Morram todos os hirsutos!
Fiquem só os arianos",

avisa ainda o Zeca. Se duvidam vejam, por exemplo, no "Publico" de 27 de Outubro uma notícia de um tal Partido Nacional Renovador, onde se diz "Imigrantes acusados de destruir Portugal" e onde se defende coisas como estas: "imigrantes africanos serão em breve a maioria com SIDA em Portugal", "a Família é uma prioridade nacional", "a imigração não é uma oportunidade para Portugal é um suicídio", "connosco, Portugal será soberano", etc…, etc…, etc…. Ou seja, tudo aquilo que muitos PPs gostariam de dizer mas (como dizia FA) ainda não podem….

Se tudo isto não passasse de ficção, apetecia terminar de novo com o Zeca:
"Mas não se esqueçam do tacho
Que o papá vos garantiu
Ao fazer voto perpétuo
De ir prá puta que o pariu
"

Disse.

15 dezembro 2003

Domínio das Trevas

Exactamente assim, sem papas na língua, descreve o Fernando Rosas no Público de ontem, o estado em que está mergulhado este País, a propósito da questão do aborto e, mais concretamente acerca dos julgamentos de Aveiro em que estão envolvidas não só mulheres que abortaram, mas também maridos, companheiros, namorados e outros familiares. A patética hipocrisia da Direita secundada pelas teses medievais da Igreja Católica, Apostólica e Romana, que quer impor à força as suas teses a todos, esquecendo os mais elementares direitos daquelas para quem basta o que já sofreram por terem que optar pelo aborto. Muito já se disse, muito já se escreveu sobre o assunto, muitas opiniões já se fizeram ouvir; mas, a mais espantosa de todas é, sem dúvida, a do Bispo do Porto, manifestada no Sábado passado: o bispo defende a despenalização do aborto. Agora pergunto eu: o que irá acontecer a este homem? Para já, vai concerteza sofrer graves punições da hierarquia da igreja, que não contempla este tipo de pensamentos laterais; mas pelo menos abre algumas portas…
O "domínio das trevas" é o domínio da ignorância, da mentira, da incultura, numa palavra, do fundamentalismo; contra eles, há que erguer o muro da defesa dos direitos das pessoas, um muro onde se possam pintar quadros e palavras de ordem para fazer talvez com que alguns sejam capazes de simplesmente … pensar!

05 dezembro 2003

Os raciocínios que não convém aos nossos políticos que façamos....
Com a devida vénia, não sei a quem (?), transcrevo um mail que me enviaram; vale a pena ler...

Em cada 100 euros que o patrão paga pela minha força de trabalho, o Estado, e muito bem, tira-me 20 euros para o IRS e 11 euros para a Segurança Social.

O meu patrão, por cada 100 euros que paga pela minha força de trabalho, é obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75 euros para a Segurança Social. E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado, e muito bem, retira ao meu patrão outros 33 euros.

Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que o meu patrão me pagou, o Estado, e muito bem, fica com 19 euros para si.

Em resumo:

* Quando ganho 100 euros, o Estado fica quase com 55.

* Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, cobra 19.

* Quando lucro 100 euros, o Estado enriquece 33.

* Quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.

* Eu pago e acho muito bem, portanto, exijo: um sistema de ensino que garanta cultura, civismo e futuro emprego para o meu filho. Serviços de saúde exemplares. Um hospital bem equipado a menos de 20 km de minha casa.

Estradas largas, sem buracos e bem sinalizadas em todo o País. Auto-estradas sem portagens. Pontes que não caiam. Tribunais com capacidade para decidir processos em menos de um ano. Uma máquina fiscal que cobre igualitariamente os impostos.

* Eu pago, e por isso quero ter, quando lá chegar, a reforma garantida. E jardins públicos e espaços verdes bem tratados e seguros. Policia eficiente e equipada.

* Os monumentos do meu País bem conservados e abertos ao público. Uma orquestra sinfónica. Filmes criados em Portugal. E, no mínimo, que não haja um único caso de fome e de miséria nesta terra.

* Na pior das hipóteses, cada 300 euros em circulação em Portugal garantem ao Estado 100 euros de receita. Portanto Doutor Durão Barroso, governe-se com o dinheirinho que lhe dou porque eu quero e tenho direito a tudo!
Portugal não utilizou 283 milhões de verbas para formação em 2002

Extracto de uma noticia de 4 de Dezembro, no JN:

"Apenas 156 820 trabalhadores portugueses (2,9% da população activa) participam anualmente em acções de formação, de acordo com um inquérito do Eurostat (2002). A média da União Europeia (UE) é de 8,5% e a maioria dos países do alargamento ultrapassa-nos. O aspecto mais desconcertante dos números recolhidos de várias fontes reside na conclusão geral: o investimento é pouco e a formação não compensa os trabalhadores.
O economista Eugénio Rosa, representante da CGTP na Comissão de Acompanhamento do Programa Operacional de Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS), integrado no III Quadro Comunitário de Apoio (2000-2006), revela que, dos fundos disponíveis em 2002 (663 milhões de euros), apenas 57% (380 milhões de euros) foram executados. Ficaram 283 milhões por aproveitar.
Numa altura em que a reforma da Administração Pública (AP) é discurso permanente do Governo, ressalta o facto de apenas 27% dos fundos disponíveis, em 2002, para a AP terem sido efectivamente utilizados: 5,8 milhões de euros, 1,5% do total executado em todos os eixos do programa."

Comentário, que fiz numa intervenção do FORUM TSF:

Eu penso que a notícia não é para admirar!
O conceito e o funcionamento da FP em Portugal estão longe de satisfazer os critérios mínimos de qualidade e de eficácia exigidos internacionalmente.
Mas, comecemos talvez pelo problema a montante:
O aspecto das oportunidades, a nível de FP, sobretudo no que concerne a Escolas Profissionais e a outros Cursos Profissionais; será que a maioria das pessoas sabe da dificuldade que existe a nível dos jovens em entrar, por exemplo, numa Escola Profissional?
Será que as pessoas sabem da completa falta e incapacidade de resposta que existe no Ensino Oficial no que diz respeito ao esclarecimento dos alunos em termos de saídas profissionais?
Como pode a FP corresponder às necessidades do País e às exigências de um mercado de trabalho em profunda e rápida transformação, com um baixíssimo nível de informação, a começar nas nossas escolas?
Vejamos então agora, o conceito: como se pode compreender que sejam aqueles com maior grau de educação formal ou mais bem posicionados na hierarquia os que mais procuram as acções de formação?
Só podemos admitir tal facto pela falta de capacidade de resposta que a grande maioria das ofertas de formação tem relativamente aos que efectivamente mais necessitam.
Passemos agora ao funcionamento: o que na realidade se passa é que o organismo que superintende a FP no nosso País, ou seja o IEFP não está minimamente preparado para a evolução no domínio dos programas de formação, bem como da preparação e formação dos seus próprios formadores.
As formações (pelo menos a grande maioria) não são formações à medida, ou seja não são formações adequadas às necessidades concretas. Todos estes factores que introduzem discrepâncias no sistema de formação profissional, vêm infelizmente de muito longe, ou seja do I QCA (quadro comunitário de apoio), ao tempo do Governo de Cavaco Silva; realmente, a aposta mais que deficiente do nosso País na vertente da formação profissional, é infelizmente uma tradição.
Quando o Secretário de Estado Pais Antunes diz que estamos avançados em relação a outros Países, no que toca à qualidade da FP, só prova que não sabe do que está a falar; ou não sabe o que é qualidade, ou não sabe como funcionam na prática a maioria das acções de formação profissional.
Aliás, nesse aspecto o organismo da tutela, ou seja o IEFP é o melhor exemplo da ineficácia, do insucesso e do falhanço no que toca a qualidade e eficiência; trata-se de um organismo de cúpula, afastado há muito da realidade, preocupado sobretudo com a burocracia.
Só quem de facto trabalha de perto com este organismo é que sabe com ele funciona e que estranhos critérios utiliza na definição das suas prioridades
Reparemos, como aliás já foi afirmado hoje aqui mesmo no FORUM: 2 biliões de contos de investimento em 10 anos de formação (1989-1999), mas para financiar na prática, infra-estruturas, equipamentos e imobilizado.
Não há investimento em formadores e em formandos; não há a preocupação mínima na qualidade dos formadores, por exemplo, que provêm na grande maioria dos casos do sistema de ensino formal.

Esta é uma grande responsabilidade deste Governo que se preocupou, por exemplo, em extinguir Institutos Públicos e o primeiro que deveria ter sido extinto era, em minha opinião o IEFP; extingui-lo e substitui-lo por um organismo capaz de gerir e organizar a Formação em moldes modernos e eficientes.
Tudo isto e muito mais são factores que determinam que a situação a nível da FP no nosso País seja, a meu ver, bastante mais negra que a que foi traçada a nível da notícia do JN!

30 novembro 2003


OS MERCENÁRIOS
Mercenário, "que, ou aquele que trabalha ou serve por dinheiro; interesseiro; soldado que por dinheiro trabalha em exército estrangeiro", segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, 8ª edição. Realmente é esse o conceito, é essa a interpretação que acaba por ser do domínio comum. É esse o papel que fazem os profissionais dos exércitos nacionais que ocupam o Iraque. Não existe, ao contrário do que se diz, nenhum mandato das Nações Unidas; não, não há qualquer justificação para ocupar um País, como muito boa gente já chegou (finalmente!) à conclusão, em Espanha, no Reino Unido, na Austrália, na Itália, nos próprios EUA, como recentes sondagens dão conta. Para que conste neste País, as infelizes palavras de Jorge Sampaio (que tem obrigação de fazer muito melhor que isto!) ao dizer que, a partir de agora todos devemos estar de alma e coração com os soldados da GNR no Iraque; mas a propósito de quê? Alguém os obrigou a ir? Alguém os convocou para representar o País? Claro que é o País que lhes paga e pelos vistos não é pouco, é o País que os ouve, indignados (não era este o termo?) por terem de pagar IRS (?). Fantástico Sr. Presidente, mais valia estar calado, que de si ainda esperamos qualquer coisa (não se sabe bem o quê); agora deste Governo miserável, que arrasta atrás de si toda a vergonha do terrorismo e imperialismo americano, deste não há realmente nada a esperar, senão o desemprego, o défice, a perda de compra, o aumento dos preços, a privatização desenfreada dos serviços essenciais, a subserviência, a arrogância, etc…, etc….
Mercenários pois todos os que estão no Iraque a legitimar a invasão americana; a porrada que levarem só a eles lhes diz respeito; a nós, de certeza que não ...
"Eyes" - Gilbert and George
Os Olhos da Cidade...
Tomei contacto, aqui há uns tempos atrás (meados de 2002), com a arte dos britânicos Gilbert & George, numa exposição do CCB, com 78 obras de um período de 1974 a 2001. Na altura, as imagens dos 2 artistas fixaram-se de uma forma estranha. Depois de me ter informado um pouco sobre a matéria, passei a interessar-me sobre os trabalhos dos 2 artistas, que considero curioso.
!Gilbert (Proesch) & George (Plymouth) trabalham juntos desde 1969, altura em que terminaram o curso de Escultura da St. Martin's School of Arts. A sua entrada no circuito artístico aconteceu quando os dois se apresentaram como living sculptures, procurando subverter a noção de escultura e defendendo a junção entre a arte e a vida, ideia que aliás ainda os acompanha", segundo nos diz José Marmeleira, no site da ArtLink.
Trata-se de uma concepção verdadeiramente provocatória de arte, que apresenta referências pictóricas cubistas e dadaistas: para além da formalidade da própria representação, há na arte de G&G uma tremenda carga narcisista, bem patente na grande maioria das suas obras. A exaltação do corpo e das suas formas (contornos e partes físicas) lembra-nos as campanhas de Luciano Benetton (quem sabe se este não se teria inspirado naqueles).
Em termos sociais existe ainda uma tentativa de colagem da obra dos britânicos à onda conservadora e liberal; de facto, aquando da campanha respectiva, eles foram apoiantes da Tatcher e só isso já diz alguma coisa…
No entanto, a parte mais significativa da arte de G&G está na análise fria das cidades e das suas vivências e realidades contraditórias; a força de imagens com cores vivas e penetrantes, sempre muito geométricas, de corpos marcantes, de espaços marcados pela provocação sexual e religiosa.

23 novembro 2003


Seguimos ainda o malfadado cherne?
Verdade seja dita, para que conste, que eu não decididamente . Mas penso que valerá a pena, revisitar o O'Neil.
"… Em cada um de nós circula o cherne
Quase sempre mentido e olvidado
Em água silenciosa de passado
Circula o cherne: traído
Peixe recalcado…
Sigamos pois o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume da água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais que solidão e mágoa
…"
Na verdade o O'Neil era profético; foi preciso vir a mulher do tal Barroso, chamar a atenção para coisas como "peixe recalcado", "mentido a vida inteira", (…); a senhora descobriu de facto o peixe ideal para retratar o fiel seguidor; mais tarde veio a saber-se quem de facto ele queria seguir; escolheu bem, seguir o líder da guerra, levando-nos todos atrás; pelo menos, em teoria.
Eu não quero seguir este peixe; eu até nem gosto de cherne
E desta vez, cito de novo o O'Neil, que acertadamente nos confessa:
"Quem espera por mim não espera por mim
e talvez me encontre por um acaso distraído,
Mas no meu obsceno mostruário de gestos,
Guardo o mais obsceno
Para quando a ilusão se der
…"
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A Ferreira Leite

Sigo a discussão do orçamento de estado para 2004 e confesso que a única coisa que me conseguiu comover foi a forma como a mulher debita o mesmo discurso de sempre, o triste relambório do défice, que penso nada dizer às pessoas de boa vontade. Acontece que, mesmo com uma boa dose da dita, não consigo descobrir nada de positivo nas lamentações da mulher. Arrastada, azeda, antipática, arrevesada, intrincada, imagem de melancolia permanente, ar de quem quer bater em alguém, ar de quem está à espera que alguém lhe bata, enfim chata! Como é possível uma pessoa assim, tão cheia de nada?
Reparem, é (que eu saiba) a única mulher deste País que é tratada pelo apelido; ninguém a conhece como Manuela, não deve haver ninguém que lhe chame Manela, ou Nela, ou Nelinha, ou simplesmente Dona Manuela; é simplesmente a Ferreira Leite, um leite demasiado azedo, porque claramente já (há muito tempo) lhe acabou o prazo de validade ….
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Fahrenheit 451- versão David Justino
Desta vez foi o fim: descobriram o que toda a gente sabia, há bastante tempo: os estudantes não tiram boas notas a Matemática, por causa das calculadoras; muito bem, é de facto uma brilhante conclusão, do nosso ministro, que agora se prepara para "decretar" a proibição das máquinas no ensino básico; não, não é ele que é básico, é mesmo o ensino.
Pois bem, assim é que é: e já agora, também por arrastamento, os livros técnicos que falem dessas esconjuradas maquinetas; daí aos computadores é um passo: imediatamente "limpar" todas as aplicações informáticas que ostentem uma calculadora, a começar pelo próprio sistema operativo; vendo bem, para que servem os computadores no ensino básico; se calhar, os professores, em vez de "darem as aulas" vão mas é para a Net com as criancinhas verem sabe-se lá o quê; meu Deus, que não me tinha lembrado disso!
Lembram-se do filme do Truffaut, Fahrenheit 451, onde se queimavam os livros e a sanha destruidora dos polícias á procura deles? Podemos imaginar uma cena do género, à porta de uma escola primária, com um grupo de GNRs (regressado há pouco tempo do Iraque) a queimar 20 calculadoras Casio; caso arrumado? Não, o mesmo grupo a obrigar as criancinhas a recitar a Tabuada dos 9, com a professora amordaçada ao canto da sala.
Francamente, não há ninguém que convença o tipo a ir dar uma volta ao bilhar grande?

20 novembro 2003


Londres, 20 Novembro
Suprema Vergonha - II
As últimas notícias (de hoje) já dão um custo superior a 8 milhões de euro e mais de 14 mil polícias mobilizados em Londres. Também é notícia os milhares de manifestantes que se manifestam de forma pacífica contra a presença do sinistro Bush, enquanto que as declarações do Presidente da Câmara são elucidativas: "Bush é a maior ameaça à vida neste planeta; as suas políticas vão levar-nos à extinção". Os jornais de cá e de lá manifestam, através dos títulos, a revolta; jornal "Público" diz, "G.W. Bush enfrenta uma cidade em ódio durante 4 dias"; a CNN, "Police said between 100,000 and 110,000 people had attended the march and demonstration".
Segundo uma sondagem secreta da Galupp, revelada pela CIA, "5 % dos iraquianos acreditam que os EUA invadiram o seu País para os ajudar, 1% acreditam que vieram para estabelecer a democracia e todos os outros acreditam que vieram para lhes roubar o petróleo", conta M. Sousa Tavares no "Público" de 14 de Novembro. O facínora de Washington pensava (?) que teria à espera das tropas de ocupação bandeirinhas e foguetes para festejar; o que se vê é a resistência de um povo, independentemente de gostarem ou não do ditador deposto.
Verdadeiramente chocante ou, como muito bem dizia ontem o jornalista Fernando Alves, "verdadeiramente obsceno", o dinheiro gasto para proteger um monstro patético, mas dono do maior exército do mundo, detentor de todas as armas de destruição massiva possíveis e imaginárias, ele sim incontrolável.
Por isso, todas as manisfestações contra esta adminstração americana, acolitada por alguns europeus, entre os quais o "nosso" Durão, tudo o que puder ser feito em nome da Paz não serão com certeza debalde: participação em fóruns internacionais, em abaixo-assinados, em sessões públicas, em artigos para a comunicação social, em alertas contra as autoridades nacionais e (no nosso caso europeu) comunitárias.
Duo morte certa
Duo "Morte Certa"

>Suprema Vergonha - I
10000 polícias, 7000000 (sete milhões) de euro, para garantir a segurança de um homem que, embora sem ganhar as eleições no seu País, é o presidente dos EUA; sim, 7 milhões para defender um escroque, um personagem teleguiado pelos falcões da guerra, no mais baixo nível que a história da humanidade já conheceu. Um homem que representa o que há de mais negro no história universal, mas que representa (se calhar) também o nível médio do cidadão americano, na estupidez, cretinice, incultura, preconceito e ignorância. Este é o homem que disse, aos 14 de Junho de 2001, em conversa com o 1º ministro sueco Goran Person (sem se aperceber que uma das câmaras ainda estava a filmar …): "é espantoso ter ganho; candidatei-me contra a paz, contra a prosperidade e contra o espírito de missão". Um alcoólico, preso por conduzir embriagado, preso por roubar uma coroa de Natal, preso por conduta imprópria num jogo de futebol, um viciado em cocaína, é este criminoso que pretende comandar os destinos da humanidade na "cruzada contra o terrorismo". Foi este homem (ou com este homem) que (se) reuniu um grupo de assalto à Casa Branca e que, neste momento governa o País; esse grupo de que fazem parte Cheney, Rumsfeld, Ashcroft, Rice, Powell (só para citar os mais conhecidos) foi meticulosamente seleccionado pelos interesses ligados ao petróleo, à venda e tráfico de armas, às indústrias poluidoras (alumínio, …) e anti ambientais, no sentido de por em prática a mais incrível política de ataque à Paz e ao Desenvolvimento de que há memória nas últimas décadas. A grande maioria dos analistas da política internacional é hoje unânime em afirmar que o mundo está hoje muito mais perigoso após a Guerra de ocupação no Iraque e da política de terra queimada levada a cabo pela administração americana no Médio Oriente; o apoio à política infame da extrema-direita israelita contra os palestinianos é um bom exemplo da estratégia americana. O mais irónico no meio disto tudo é que foram eles que "criaram", apoiaram, treinaram os que agora, caindo em desgraça, contra eles se levantaram: Bin Laden e Sadam; estas duas figuras execráveis são na realidade o espelho da estratégia americana, personificada por Bush, para o século XXI: guerra, destruição e catástrofe.
Este é o homem que vale 7 milhões de segurança, pelo menos para o fantoche e empertigado Blair, cego no apoio ao homem que representa ele sim, o autêntico terrorismo deste século.

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Uma personalidade desajustada pouco adaptada aos padrões sociais, uma dificuldade na empatia, interesses obsessivos... É uma estranheza que tem um nome que poucos de nós conhecem. Chama-se Síndroma de Asperger e a jornalista Liliana Valpaços foi à procura dessa "estranha forma de vida" que provavelmente afecta uma em cada trezentas pessoas em Portugal". A notícia desta semana (16 de Novembro) na TSF dá-nos conta desta nova doença, uma doença que se diz "anti-social", pelo que parece transparecer na descrição. É caso para dizer, que cada vez mais pessoas se afastam dos chamados "padrões sociais". Mas, o que são realmente padrões sociais? Serão atitudes pautadas pelo interesse colectivo, pelo bem-estar das pessoas e dos povos ou, serão antes um conjunto de lugares comuns tendentes a manter o status existente, numa sociedade pautadas pelas desigualdades cada vez maiores entre os que detêm o poder económico e aqueles (a grande maioria) que nada possuem, para além do facto de apenas existirem? Dificuldade de empatia; bom, de facto existe uma tremenda falta de empatia, mas será que não foi sempre assim? Será caso para detectar uma nova "doença social"? Interesses obsessivos; aqui sim, há uma tremenda razão para falar assim; interesses obsessivos, de determinados grupos económicos e daqueles que os protegem de uma ou outra forma, interesses que estão ligados a uma determinada forma de fazer a coisa pública, ou seja, a política…
Portanto, podemos estar descansados, a doença a existir, parece ser inócua e mais, essa "estranha forma de vida" que provavelmente afecta uma em cada trezentas pessoas em Portugal, provavelmente vai deixar de ser assim tão estranha, até ao dia em que as coisas mudem de vez. Que seja cedo!

19 novembro 2003


Fabuloso momento de televisão, ontem na SIC.
A. Lobo Antunes, ele mesmo, entrevistado por Rodrigo Carvalho; uma entrevista que foi mais uma conversa, um bate-papo despretensioso e agradável. Ele, L.A. é de facto um personagem muito, muito especial. O homem que nos deixa, por exemplo, "O Esplendor de Portugal", a dizer que não escreveu sobre a guerra colonial: "o meu pai costuma explicar que aquilo que tínhamos vindo procurar em África não era dinheiro nem poder, mas pretos sem dinheiro e sem poder que de facto nos dessem a ilusão do dinheiro e do poder que de facto ainda que o tivéssemos, não tínhamos…". O homem que nos brindou com as Crónicas no Público, a dizer que as escreveu porque lhe fazia jeito aquele dinheiro; ou ainda, que não faz crónica política, para não ter que atacar pessoas (…). Uma dose de intimismo, uma imagem de muito pouco à-vontade com a comunicação social: a postura pesada, a mão em frente à boca, uma dose enorme de politicamente incorrecto. Uma confissão escusada: "não dou entrevistas, não apareço, …", podia dizer, se calhar: "não faço cartaz", ou então simplesmente, "não estou para aí virado", este homem que diz que pouco sabe sobre as mulheres; "é engraçado…", diz, "…aprendi alguma coisa com as personagens mulheres dos meus livros", ou então que afirma delirar como os delírios dos seus doentes de psiquiatria …
Rodrigo pergunta o que sente ao escrever, como escreve, quando escreve; diz que não sabe bem, mas que escreve nas manhãs num sítio, nas tardes noutro e nas noites ainda mais um, aqui e ali, como quem tem necessidade de percorrer um caminho, na fúria dos dias e que lhe dê fúria para escrever; se possível "de trás para a frente", como lhe foi dito por um doente, uma vez no hospital. Cita Manuel da Fonseca, com aquela naturalidade de quem fala do tempo; anota a relação com Deus, citando Voltaire, "cumprimentamo-nos, mas não convivemos.." Diz também que não tem talento para poeta
Conversa de pouco "share" de certeza, em cima de telenovelas e de Bigs Brothers, realmente quem se dá ao trabalho de "folhear" o grande livro dos zapings, para tentar encontrar qualquer coisa que valha a pena, ao final da noite? Pois, mas de facto, são figuras como L.A. que nos ligam ao nosso imaginário profundo e nos pintam do vermelho e do negro dos anarquistas puros e sonhadores …

16 novembro 2003

Uma explicação sobre o rio (pois, o Rio Torto)

Para já, o novo visual do Blogue é um sinal de renovação necessário.
Rio
lembra água, movimento, corrente, ria, investir, correr, fluir, …
Torto, porque não é direito, que não é linear, que não é politicamente correcto, que não é da direita, que não gosta da direita,…
O Rio Torto será pois um "canal" que não alinha pelo mais fácil, que será interveniente, sem ser tortuoso, que apesar de ser torto não estará entortado por ideais pré-concebidos, e que será obviamente torto para quem é realmente "torto" de nascença …

13 novembro 2003

Um texto de Outubro, mas sempre actual; devido aos problemas existentes à altura, não saiu como devia ser

"600 pares de nádegas. 600 traseiros. 600 cus (...) fotografados a preto e branco pela artista plástica chilena Catalina Riutort. Anónimos. Acompanhados de códigos de barras..."

segundo a noticia de Fernando Alves (TSF aos tantos de Outubro de 2003), na sua imperdível coluna diária "SINAIS" (para quem não sabe ou anda desatento ... na TSF pouco antes do noticiário das 9:00 horas).

Assim mesmo: a identidade Às avessas, ou o assumir de uma nova identidade. E, porque não? Apesar de habitualmente o não mostrarmos, ele faz parte integrante do nosso eu, porque é nosso, faz parte de nós...

Temos de o limpar às vezes, não é (?); e quantas vezes limpamos a cara por coisas que não devíamos ter feito?
Só não gosto do código de barras; simplesmente, porque é código, tem barras e porque aos mesmos se associam normalmente outras coisas ...

Mesmo assim, desafiando o(s) código(s), apoio a Catalina, pela sua coragem, pelos seus cus ao vivo, desafinado a norma.
Sim, acho que é o que mais me agrada nesta atitude: voltar o cu à norma, mostrar que se calhar há outra face para além daquela que normalmente estamos habituados a mostrar ...