rio torto

rio torto

20 janeiro 2004


José Carlos Ary dos Santos



Com 2 dias de atraso, uma homenagem aos 20 anos da morte do grande poeta militante Ary dos Santos, pela sua coragem, pela sua frontalidade, por todo o seu talento, por toda a sua luta por uma Portugal diferente, democrático e livre de preconceitos.

"Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
(…)
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não
!"

Ary dos Santos, 1998


O DOMÍNIO DAS TREVAS - 2

Confesso que não lhes fixei os nomes; sei que era um menino muito bem penteado que diz "defender o direito à vida" (e que costuma aparecer nestas coisas), mais um deputado de 2ª escolha do PSD e mais uma senhora muito urbana, muito católica, muito educada, muito muito. Isto tudo do lado dos que pretensamente são contra o aborto, como costumam dizer. Do outro lado, os maus, os que são "a favor do aborto", como dizia a senhora muito muito: a Ana Benavente, a Luísa Mesquita e o Teixeira Lopes. RTP-1, à noite, no excelente "Prós e Contras".

Somos realmente um país original; na cauda da Europa, como se sabe e até nesta questão em que praticamente todo o velho continente já alinhou o passo. É fantástico como se podem arrolar argumentos em que a formalidade ganha foros de coerência assumida. Por exemplo, o argumento que usa a maioria para não permitir que se discuta o problema do aborto na AR: o compromisso feito com o eleitorado de que não se discutiria o problema nesta legislatura. Realmente extraordinário: um governo que após 2 anos ainda não cumpriu praticamente nenhum dos compromissos que firmou com o eleitorado, está agora preocupado com uma matéria que (sem sombra de dúvida) pertence ao foro individual.

Verdadeiramente surpreendente a argumentação dos que dizem "defender a vida", usarem este argumento para condenar na prática as mulheres que (com todo o peso de um enorme drama) são perseguidas, humilhadas, violentadas nos seus elementares direitos. Verdadeiramente espantoso ver uma pessoa supostamente responsável (neste caso, o tal menino bem penteado) dizer com todo o despudor que, mesmo no caso de uma rapariga ser violada e ficar grávida, esta deveria ter o respectivo filho!

É realmente demais; esta gente nada fica a dever aos inquisidores da Idade Média, dado que pautam o seu pensamento por terríveis preconceitos, por inconfessáveis compromissos de intolerância, por uma cegueira típica do "domínio das trevas"; já nesta tribuna tive ocasião de aplaudir este conceito do Fernando Rosas e de escrever sobre tal (15 de Dezembro). Esta gente não admite na realidade os direitos dos outros, de pensar e de agir enquanto tal, dado que estão de tal forma cegos na sua intolerância, afundados nos seus preceitos fundamentalistas.
Nem sequer depois de serem confrontados com uma sondagem que, pelos seus números, não deixa dúvidas sobre a vontade dos portugueses sobre a necessária e urgente despenalização e descriminização do aborto, eles se convencem; na sua sanha derrotista, tipo guerra santa bem ao gosto de certas igrejas, tentam arrasar tudo e todos com os seus argumentos falaciosos. Descendentes e lídimos representantes do salazarismo bafiento e balofo, não conseguem adaptar-se à modernidade e mais do que isso, tentam impor aos outros as suas ideias e os seus conceitos, arquétipos da ignorância e do obscurantismo.

Mas pelos vistos, os ventos sugerem a mudança; a grande maioria começa a ver o que é realmente esta Direita que está no poder em Portugal, o que tem feito pelo País, o que é capaz de fazer, a enorme distância que vai do seu discurso populista e demagógico e da sua prática de desemprego, de mentira e de arrogância. Neste caso da interrupção voluntária da gravidez, como noutros casos, começa realmente a ver-se o tipo de pessoas que (infelizmente) nos governam e que dia a dia nos limitam nos nossos mais elementares direitos.

Até ver!

19 janeiro 2004




PARABÉNS, BONO!

"Bono Vox recebeu no sábado o prémio "Salute To Gratness" da família de Martin Luther King"
Diário Digital, hoje, 19 de Janeiro

O homem a quem é justamente reconhecido o mérito de sempre lutar por causas sociais, no sentido de tentar melhorar as condições daqueles que não têm (ou não podem ter) voz; desta forma uma das vozes mais importantes dos últimos tempos dá a cara constantemente por um mudo melhor.
Segundo Bono, "a política é a arte do possível"; o líder do U2, sempre vai dizendo que pretende dedicar-se cada vez mais à política, para "ajudar a diminuir a pobreza mundial de uma maneira mais eficiente".
De recordar, recentemente que Bono Vox participou do lançamento de uma campanha para pedir aos países mais desenvolvidos um aumento das suas contribuições para melhorar a saúde nos países pobres; esta campanha, que propõe que os países ricos doem um centavo para cada dez dólares de suas receitas nos cofres do estado, foi lançada pela comissão de Macroeconomia e Saúde, uma agência da organização mundial de saúde.
De recordar ainda que Bono, prometeu encabeçar uma campanha de desobediência civil pelo combate à pobreza mundial, caso os esforços da ONU não comecem a surtir efeito.
Bono fez várias viagens à África para chamar atenção para este problema, e disse (10/Julho/03) que "é inaceitável que 7 mil africanos morram diariamente por causa da miséria e das doenças, enquanto os países ricos se recusam a dar ajuda".

Com o Bono, dizemos também:

"One love
One blood
One life
You got to do what you should
One life
With each other
Sisters
Brothers
One life…
"



16 janeiro 2004

A ACTUALIDADE DE BRECHT

O nosso inspirador e a tremenda actualidade da sua escrita em 2 poemas que merece sempre reter; vale a pena realmente atentar que "Nada é Impossível de Mudar" e ainda (pois claro!) que "A Exceção e a Regra", podem ser duas faces da mesma moeda…

"Nada é Impossível de Mudar
Desconfiai do mais trivial , na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer
impossível de mudar."

"A Excepção e a Regra

Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o quotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso.
Mas não se esqueçam
de que o abuso é sempre a regra".
BRECHT, Bretold (1898-1956)

O PEIXE ESTRAGADO


A propósito (mais uma vez) do malfadado cherne, que anuncia (mais uma vez) medidas de contenção, desta vez para função pública, com um desplante tal que até apetece mesmo espetar-lhe a faca (ver figura com atenção…).
Então "o país não tem condições para suportar os aumentos", diz ele; e de quem é então a responsabilidade de o país não ter condições? Quem é que deveria ter criado as tais condições? Como se pode compreender que durante 2 anos seguidos, essas condições não existam? Como podem aceitar os portugueses que se desperdice dinheiros públicos com os submarinos do Portas, com a GNR no Iraque, com os sucessivos perdões de dívida fiscal, com as benesses escandalosas aos bancos.
O cherne e a sua equipa falham sucessivamente desde o início. Não há uma única medida que dê certo, tudo nesta equipa cheira de facto a peixe estragado e fora de prazo. E que dizer do discurso gasto de que "temos condições de sermos dos melhores da Europa"? Só se as diversas escalas de valor forem vistas ao contrário! Somos ou últimos da Europa e o pior são que somo cada vez mais últimos.
É de facto a mais rotunda demonstração de falhanço completo de uma política desastrosa; quando se chega a uma conclusão destas, ou seja "não fomos capazes de criar as condições para…", o que deve uma equipa fazer?
Agora vejam se há ou não na tabela anexa como distinguir o peixe bom do peixe estragado algum nexo, relativamente ao verdadeiro estado do cherne: fresco ou estragado; sem brilho, mole, ácido e desagradável, cor leitosa, embaçado…

Características                Peixe bom                            Peixe estragado

Aspecto geral                Brilhante e limpo                        Sem brilho
Ventre                        Firme e roliço                           Mole e manchado
Cheiro                        Odor fresco e suave                  Ácido e desagradável
Guelras                        Úmidas e avermelhada               Malcheirosas
Olhos                           Brilhantes e saliente                  Cor leitosa
Pele                           Cores vivas                              Embaçada e rugosa
Corpo                           Rijo                                            Mole
Escamas                        Aderentes                                 Soltando-se facilmente

Realmente!

15 janeiro 2004

BUSH E O ESPAÇO


Qual série de ficção científica, espantam as notícias de ultima hora que dão como certa a aposta num grande investimento aeroespacial da administração americana; a dita aposta estará orientada para uma nova alunagem em 2007 e a implantação de bases no satélite da Terra, para exploração espacial. Não há (claro que não há…) qualquer explicação sobre objectivos ou orientação estratégica que sedimente uma política deste género, tudo isto até, corroborado pelos últimos fracassos nesse domínio.
Vamos para o espaço a todo o gás. Claro que se o objectivo fosse mandar para o espaço (de preferência por um largo período de tempo) o conjunto desta administração americana com o chefe máximo à cabeça, a coisa até nem estaria nada mal…
Mas desgraçadamente não é assim; mais uma forma de publicidade enganosa, na tentativa de ganhar um eleitorado cada vez mais dividido; por muito pouco exigente, inculto, acrítico que seja o americano médio, sempre dá para ver um pouco além do discurso oficial.
De facto, cada vez é maior o número as vozes que se vão levantando contra a despudorada política de Bush; veja-se por exemplo, a notícia do João Carlos Silva, no Publico 14 Jan, 14 de Janeiro de um relatório do War College do Exército dos EUA, em que se considera que "a guerra com o Iraque foi um "erro estratégico" …". Mais, considera-se ainda que "… a maior parte dos objectivos declarados da guerra ao terror, incluindo a transformação do Iraque num estado próspero e a democratização da região, são irreais e condenam os EUA a uma busca sem esperança da segurança absoluta. Como tal, os objectivos [dessa guerra] também são política, fiscal e militarmente insustentáveis".
Portanto, apoiemos a tese (que apesar de minimalista, tem todo o sentido): "BUSH PARA O ESPAÇO, JÁ!"


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13 janeiro 2004


>David Justino "esqueceu-se" de declarar rendimentos

O ministro da Educação, David Justino, não declarou o rendimento que teve durante dois meses e meio, em 2001, na Câmara Municipal de Oeiras, noticiou, hoje o "O Público"

Se calhar está de acordo com o lema do Governo, "Portugal em Acção", não é?


Muito interessante! Mais um caso, se calhar inserido no combate á fraude e evasão fiscal que este Governo está a implementar (ou que diz estar a implementar…). Desta feita, iremos talvez assistir (de imediato?) ao rapidíssimo pedido de demissão do senhor em questão, que ainda por cima foi "trabalhar" nos meses de verão para a Câmara de Oeiras (ainda se lembram do Isaltino dos charutos?), para obter a tão desejada quota para a reforma antecipada. Depois não querem que se vá dizendo que este é o Governo da cunha, do esquema, do escândalo, do oportunismo.
Convém recordar, para quem não tem memória curta, que este senhor é o mesmo que declara frontalmente ser contra as greves, que afirmou às rádios e à TV na última greve do ensino que os professores que asseguram os serviços nos Sindicatos, são pagos pelo Estado e que se deveriam lembrar disso quando fazem greves (…). É o mesmo senhor de quem se afirmou ter um excelente currículo para o cargo que iria ocupar; é caso para perguntar: este caso de esperteza saloia agora descoberto também "faz parte" do currículo para ministro PSD-PP???
Esperemos pelo desenvolvimento; o senhor ministro da Educação diz que para já não fala, sem a presença do seu advogado.
Com exemplos destes, como querem que vá a Educação neste País???

09 janeiro 2004


O "PODER" DO TÁXI

Absolutamente espantoso. A ministra MFL vem agora isentar do PEC os taxistas. A notícia do "Jornal de Notícias" desta manhã. ( 07:44 / 09Jan ): "PEC
Governo perdoa segunda prestação a taxistas: o Governo acabou por perdoar aos taxistas a segunda prestação do Pagamento Especial por Conta. O Ministério das Finanças garante a devolução de quantias já pagas
"
Mas, o que é isto? Então a "dama de ferro", aquela que não cede a pressões, aquela que manda calar os adversários políticos, aquela que se diz inflexível a movimentos de opinião, vem ceder perante um sector específico, neste caso o dos taxistas?
O que fizerem então os taxistas à MFL? Teria sido raptada e obrigada a negociar (ou seja, a ceder) e com a promessa solene de não contar nada à polícia? Teria sido ameaçada mais a respectiva família, por alguma outra "família"? É que, na realidade, tudo isto cheira muito, muito mal.
Qual é realmente o poder do táxi neste país? Para já deve dizer-se que com aquela cor, passam efectivamente despercebidos; quem se lembra ainda dos carros pretos e verdes, bem bonitos por sinal; agora com cor de "caca" de bebé…
Mas quem os ouve, fica a perceber que eles "exigem" um regime especial só para eles; ainda agora, neste momento, estou a ouvi-los na TSF: "vamos continuar a luta, até conseguirmos um regime especial para os taxistas, que não contemple de forma alguma o PEC; "a passagem a empresário individual por si só, não garante a resolução do nosso problema"
O Lourenço Medeiros diz hoje, na "SIC on-line": "Um jornalista estrangeiro que me visitou recentemente traduziu bem o sentimento. Grande parte dos taxistas portugueses parece que nos estão a fazer um favor. O tipo que por acaso entra num táxi é visto como alguém a quem estão a fazer o favor de levar do ponto A ao ponto B, de preferência pelo caminho mais longo, e que obviamente deve acomodar-se às regras da casa." E, sobre a qualidade do serviço, diz ainda: "…gostava que fosse cómodo, seguro e rápido, mas pela minha experiência é desconfortável, perigoso e frequentemente demasiado caro para o serviço prestado."
Fantástico; quem puder (e souber) faça o favor de explicar; de qualquer forma, é caso para dizer, bem à maneira maoísta do nosso PM arrependido: "TODO O PODER AOS TAXISTAS!"

07 janeiro 2004

SOFTWARE LIVRE - A reposição devida

Agora sim; aqui se repõe o artigo anterior, com os links incluidos

Descrição e informações:
versão inglesa, aqui: open office - inglês

versáo portuguesa, aqui:open office - português

Podem ir buscá-lo aqui:tucows

e os dicionários de correcção ortográfica e hifenização em português aqui:dicionários




SOFTWARE LIVRE
Com a devida vénia, transcrevo um artigo do José Mota, do Blogo Social Português, obviamente apoiando a sua recomendação:
"Recomendo a toda a gente que use o OpenOffice em vez do MS-Office.

- faz tudo o que faz o MS-Office e mais umas coisas (grava em formato PDF por exemplo)

- é compatível com os ficheiros do MS-Office

- é total e legalmente à borla !

Descrição e informações:
versão inglesa, aqui:

versáo portuguesa, aqui:


Podem ir buscá-lo aqui:


e os dicionários de correcção ortográfica e hifenização em português aqui:


O BOM ANO DO GOVERNO DA DIREITA

A ida à televisão do PM é realmente fantástica. Quando toda a gente está a sofrer na pele os aumentos habituais do início do ano, o nosso 1º rejubila com a "retoma", afirmando que o ano de 2004 vai ser muito melhor para o País. Mas em que país vive ele? Os primeiros dias do ano ditaram aumentos em bens de consumo e de primeira necessidade como o pão, a água, a luz, os transportes, as portagens (alguém me explica por exemplo por que carga de água aumentam as portagens?), a renda da casa. Todos os aumentos são superiores (e nalguns casos muito superiores) à média de inflação prevista pelo Governo para o próximo ano. Por outro lado, grande parte dos analistas económicos e financeiros, concorda com as teses oficiais da "retoma", transportando-nos para o terreno (armadilhado) das previsões a médio e a longo prazo, mantendo a ilusão de uma situação mascarada pela falta de informação e mesmo de desinformação; tentam explicar o inexplicável, ou seja, tentam fazer crer uma melhoria da situação económica, quando todos vemos as coisas a piorarem de dia para dia.
Em outras zonas cinzentas da administração, os representantes da extrema-direita acumulam de forma grosseira e autoritária o despesismo e a arrogância típicos da sua política: Paulo Portas, dá-se ao luxo de comprar submarinos; Bagão Félix ataca as conquistas do 25 de Abril; Celeste Cardona, conduz a justiça como se vê. O primeiro-ministro, refém da influência da extrema-direita, navega como pode e vê os índices de popularidade subirem junto dos certos sectores empresariais, saudosos do passado.
Este ano de 2004, iremos celebrar (iremos mesmo?) os 30 anos do 25 de Abril, num clima de tristeza generalizada; um país cada vez mais cinzento, mais conservador, um país que senta no banco dos réus, mulheres e companheiros, por causa do aborto, um país cada vez mais mergulhado nos últimos lugares da União Europeia. Bem a propósito, no "Publico" de hoje, Luís Fernandes diz que há, cada vez mais, em cada um de nós "um pouco de mãe de Bragança, um pouco de bispo de Braga, um pouco de Manuela Ferreira Leite. E não se vislumbra uma luz, uma réstia de esperança, um assomo de coragem, um grito de revolta.
É pois urgente que se comece a preparar uma celebração do 25 de Abril à maneira, denunciando a situação catastrófica em que a direita e a extrema-direita estão a lançar o País.
Penso ser a única forma de saudar este novo ano de 2004, porque o resto já sabemos o que vai dar: mais desemprego, mais pobreza, mais sacrifícios para quem trabalha e paga impostos, mais indiferença generalizada.

"
Uma personalidade desajustada pouco adaptada aos padrões sociais, uma dificuldade na empatia, interesses obsessivos... É uma estranheza que tem um nome que poucos de nós conhecem. Chama-se Síndroma de Asperger e a jornalista Liliana Valpaços foi à procura dessa "estranha forma de vida" que provavelmente afecta uma em cada trezentas pessoas em Portugal". A notícia desta semana (16 de Novembro) na TSF dá-nos conta desta nova doença, uma doença que se diz "anti-social", pelo que parece transparecer na descrição. É caso para dizer, que cada vez mais pessoas se afastam dos chamados "padrões sociais". Mas, o que são realmente padrões sociais? Serão atitudes pautadas pelo interesse colectivo, pelo bem-estar das pessoas e dos povos ou, serão antes um conjunto de lugares comuns tendentes a manter o status existente, numa sociedade pautadas pelas desigualdades cada vez maiores entre os que detêm o poder económico e aqueles (a grande maioria) que nada possuem, para além do facto de apenas existirem? Dificuldade de empatia; bom, de facto existe uma tremenda falta de empatia, mas será que não foi sempre assim? Será caso para detectar uma nova "doença social"? Interesses obsessivos; aqui sim, há uma tremenda razão para falar assim; interesses obsessivos, de determinados grupos económicos e daqueles que os protegem de uma ou outra forma, interesses que estão ligados a uma determinada forma de fazer a coisa pública, ou seja, a política…
Portanto, podemos estar descansados, a doença a existir, parece ser inócua e mais, essa "estranha forma de vida" que provavelmente afecta uma em cada trezentas pessoas em Portugal, provavelmente vai deixar de ser assim tão estranha, até ao dia em que as coisas mudem de vez. Que seja cedo!

05 janeiro 2004


Um novo ano que começa …

Tudo morre um dia.
"Um ano também morre, implacável,
Na hora determinada.
Morrem amores e morrem sonhos,
Morrem as horas passadas.
Mas quando a última porta se fecha,
Uma nova janela se abre,
Prometedora.

Renasce o ano,
Na hora marcada.
Novos amores e novos sonhos,
Novas horas esperadas.
E quando a janela se abre,
Cheia de promessas,
Abre-se nosso coração,
Esperançoso.

Vistamos então
Nossos melhores sonhos
Calcemos nossos melhores sapatos.
Olhemos para o ano que passou
Com olhos agradecidos
E para o que chega
Com o coração aberto
P'ra receber
Com alegria, fé e coragem
Tudo o que ele tem
Para nos oferecer
"

Autor desconhecido

29 dezembro 2003



Zero a Zero

Zero o zero vejo as horas a passar; sinto o final do ano a chegar; termina o ano como começou, infelizmente, nada (ou quase nada) mudou; porque a hora se aproxima e os moinhos estão (todos) por mover; tanta coisa para fazer; tantos sonhos por sonhar; tanta palavra por dizer; porque as coisas por fazer ainda se podem (?) fazer; porque o ano acaba e outro lhe sucede com a mesma sensação de impotência; o que se há-de fazer?

Nada de especial para escrever! As palavras da Xana, com a música do Jorge Palma, dizem tudo o que há para dizer!

"Muito ao longe sinto as horas
E os minutos a correr
Vejo as mágoas já passadas
E os moinhos por mover
Entre os sonhos vitimados
E os que ainda vão matar
Vejo o final do ano a chegar

Pelos lábios ressequidos
Das palavras que inventamos
Pela força que desmaia
Pelos perigos que passamos
Entre a espera comedida
E a pressa de já lá estar
Vejo o final do ano a chegar

Zero a Zero

Por entre o riso contagiante
E o silêncio mais profundo
Entre o choro comovente
De alguém lá no bar do fundo
Entre o gelo derretido
E as vitórias por brindar
Vejo o final do ano a chegar
"

28 dezembro 2003

O óbvio e o impossível

José Saramago à conversa com a Bárbara Guimarães e com o José Luís Peixoto (vencedor do prémio Saramago), ontem na SIC dá uma definição espectacular da criação artística. Diz ele que não existe obra literária (um romance) sem haver um impossível; tudo parte portanto, daí, de um facto ou um conjunto de factos impossíveis de acontecer; é impossível a Belimunda ver através do corpo das pessoas, é impossível a Península separar-se tal como uma jangada de pedra, é impossível existir uma conservatória com "todos os nomes" e por aí adiante. O universo de Saramago é povoado por "impossíveis" pontos de partida. Mas, continua Saramago, afinal as histórias vão ser desenvolvidas dentro daquilo que é mais óbvio, ou seja, quando estou a ler acabo por dizer: mas claro, como não me lembrei disto? Assim aliados, o óbvio, aquilo que passa por nós sem nos darmos conta (ou atenção) e o impossível (com ou sem aspas?), como metáfora do intangível ou do imaginário de todos nós. E daí, o trabalho do criador em desenhar situações o mais possível aproximadas destas duas singularidades, só aparentemente contraditórias: o que é realmente óbvio e o que é afinal o impossível?

24 dezembro 2003




O Natal de Davor

É inevitável que num dia como este se fale de paz, de amor, de amizade, de família, de sorrisos e abraços, de prendas no sapatinho.
Que se façam mil e uma declarações de compromisso sobre a situação dos mais desfavorecidos, sobretudo da parte dos que mais os atacam e prejudicam no dia a dia.
É dia em que os sinos tocam, que se enfeita a árvore, que se preparam os doces, que se fazem os telefonemas de ultima hora, a desejar as boas festas!
É sem dúvida um dia em que todos (todos?) desejaríamos que tudo estivesse melhor do que está, que gostaríamos de ter mais dinheiro para as prendas em vez de estar a contar os cêntimos todos os dias, de não ouvir sempre o discurso estafado daqueles que nos governam dizendo que estão a fazer tudo para melhorar a nossa situação…
Eles de facto estão a fazer tudo para melhorar a situação, mas não é exactamente a "nossa situação", mas sim a daqueles que nem sequer precisam de contar os cêntimos…
É num mundo rodeado pela miséria que se festeja mais um Natal; isto para quem o festeja, claro; sabendo que a quadra de Natal ultrapassa largamente a efeméride religiosa e, por essa razão, todos a ela parecem associados.
Em Mostar - Jugoslávia há precisamente 8 anos atrás, Davor um menino de 12 anos, mostrava ao Mundo através dos seus desenhos como via o Natal; uma cidade em chamas e todos a trabalhar para as apagar, aparentemente sem grande sucesso Desde 1995, pouco mudou no Mundo para as crianças envolvidas em palcos de guerra; estes cada vez são em maior número, em todos os continentes; após o 11 de Setembro e graças à política terrorista da administração americana, o Mundo está cada vez mais perigoso, principalmente para aqueles que não se podem defender; no entanto, é vê-los em Jerusalém, em Belém, em Bagdad, em Cabul, etc…, etc…, de armas na mão para defender sabe-se lá o quê; isto à custa do recrudescimento dos fundamentalismos, que usam as crianças como carne para canhão.
Hoje, dia 24 de Dezembro, uma notícia no Público, faz tremer mesmo os corações mais empedernidos: crianças mortas em Moçambique, sem órgãos, que foram subtraídos para tráfico; absolutamente inacreditável!
E no entanto tudo parece fácil de resolver, não fora a cobiça e a partilha vergonhosa de bens que os países mais ricos praticam no dia a dia e que faz crescer assustadoramente os níveis de pobreza, de miséria e de fome; mais de um terço da população mundial vive abaixo dos limiares mínimos aceitáveis.
Não é muito o que se pede à grande maioria das pessoas de bem; nem que vão a manifestações, nem que assinem coisa nenhuma, nem que façam doações para nenhuma ONG, nem que "guardem" um pacote de arroz, um litro de leite e um quilo de farinha para qualquer País do 3º mundo, nem….
Claro que isso é importante; mas, pelo menos, por favor, não se calem; não façam de conta que não é convosco, não passem ao lado e, por favor falem sobre isso, discutam isso com os vossos filhos, com os vossos amigos; não digam que a política não é para vocês, não digam que os políticos são todos iguais, primeiro porque não é verdade e segundo porque essa é a melhor forma de tudo ficar sempre na mesma!
Falem disto no vosso Natal, falem nos direitos das crianças espezinhados por todo o Mundo, vítimas da guerra, das minas anti pessoal, da fome, de maus-tratos e da miséria imposta por esta globalização.
Por eles e com eles, estamos neste Natal, mesmo sem acreditar em nenhuma religião; não, não os podemos decididamente esquecer…

23 dezembro 2003


As 7 Mulheres do Minh
o


A propósito de algumas belas fotos de mulheres do Minho, levada a cabo pelo Museu de Imagem - Braga, desde Novembro deste ano, aqui vai um extracto de um poema do Zeca Afonso. E também (muito a propósito) de uma notícia do Expresso de Sábado passado (20Dez) sobre inspecções da PJ na Câmara de Braga; pode ser que alguém de Braga, leve as palavras à letra…

"As sete mulheres do Minho
mulheres de grande valor
Armadas de fuso e roca
correram com o regedor
"

19 dezembro 2003


Quem são os meninos nazis?

"O País vai de carrinho
Vai de carrinho o País
Os falcões das avenidas
São os meninos nazis
"

Assim falava o Zeca Afonso em 1983, no álbum "Como se Fora Seu Filho".
20 anos depois, poderemos dizer (pelo menos) que andam de Ferrari….
Voltaram os meninos nazis e já agora mandam no Governo da República; mas afinal não é o Barroso que manda lá? É, parece que manda, mas de facto não manda; vejam o caso triste da desautorização do porta-voz do PSD, pelo líder da bancada parlamentar respectivo, isto depois da declaração dos PPs de PP.
Complicado? Nem por isso. Já na tomada de posse deste Governo, o insuspeito JPP (José Pacheco Pereira) dizia que, a partir do momento que tinha sido consagrada a aliança (santa?) entre PSD e CDS-PP, a extrema-direita passaria a ter lugar no Governo, pela primeira vez desde o 25 de Abril. Bem pode JPP ser galardoado pela fantástica previsão que ora fez e a que o tempo lhe foi dando sempre razão.
O peso que os PPs de PP têm no Governo da República é de facto desmesurado, para um pequeno partido que neste momento não representa mais que 5% de votos no panorama eleitoral; esse peso é corroborado pela importância das pastas da Defesa, da Justiça e da Segurança Social. Até que ponto os PSDs já viram ou simplesmente detectaram esta vergonhosa situação? E mais, quem de facto contribui para ela? Pois, foi de facto o seu líder Barroso - o Durão - o mesmo que rasteja perante a administração americana, perante o governo espanhol, por sua vez vergado também ao mesmo "patrão", perante os grandes interesses da "cunha" e do dinheiro. Para onde vai realmente o PSD?

"Se o Adolfo pudesse
Ressuscitar em Abril
Dançava a dança macabra
Com os meninos nazis
",

continua o Zeca… O Adolfo, figura de retórica (?) ressuscitado pelos PPs, fanáticos, fundamentalistas, que querem (embora não o possam ainda dizer) o regresso a um passado colonialista e atrasado na cauda da Europa. Bem o afirma Freitas do Amaral (TSF, 14 de Dezembro), quando afirma que o discurso do PP relativamente a questões como a dos imigrantes e da análise da questão colonial, é o discurso do passado, que ainda não tem condições de ser assumido tal como no tempo de Salazar e Caetano, mas que no fundo reflecte exactamente o que os ditadores pensavam…
Sobre a questão do aborto é vê-los na mais profunda demagogia e hipocrisia possível a desdobrarem-se em manifestações de "apoio à vida", naquilo que tem sido interpretado por vários analistas como a mais espectacular campanha de desinformação e mistificação de que há memória depois do 25 de Abril; todo um conjunto de posições tacanhas, parolas e idiotas de que há memória; e têm azar (no mínimo) com as fracturas dentro da própria igreja católica: até já há padres e bispos (!) que vêm para a praça pública condenar na prática aquela que é a chamada posição oficial do Papa de Roma.

"Os pretos, os comunistas
Os Índios, os turcomanos
Morram todos os hirsutos!
Fiquem só os arianos",

avisa ainda o Zeca. Se duvidam vejam, por exemplo, no "Publico" de 27 de Outubro uma notícia de um tal Partido Nacional Renovador, onde se diz "Imigrantes acusados de destruir Portugal" e onde se defende coisas como estas: "imigrantes africanos serão em breve a maioria com SIDA em Portugal", "a Família é uma prioridade nacional", "a imigração não é uma oportunidade para Portugal é um suicídio", "connosco, Portugal será soberano", etc…, etc…, etc…. Ou seja, tudo aquilo que muitos PPs gostariam de dizer mas (como dizia FA) ainda não podem….

Se tudo isto não passasse de ficção, apetecia terminar de novo com o Zeca:
"Mas não se esqueçam do tacho
Que o papá vos garantiu
Ao fazer voto perpétuo
De ir prá puta que o pariu
"

Disse.

15 dezembro 2003

Domínio das Trevas

Exactamente assim, sem papas na língua, descreve o Fernando Rosas no Público de ontem, o estado em que está mergulhado este País, a propósito da questão do aborto e, mais concretamente acerca dos julgamentos de Aveiro em que estão envolvidas não só mulheres que abortaram, mas também maridos, companheiros, namorados e outros familiares. A patética hipocrisia da Direita secundada pelas teses medievais da Igreja Católica, Apostólica e Romana, que quer impor à força as suas teses a todos, esquecendo os mais elementares direitos daquelas para quem basta o que já sofreram por terem que optar pelo aborto. Muito já se disse, muito já se escreveu sobre o assunto, muitas opiniões já se fizeram ouvir; mas, a mais espantosa de todas é, sem dúvida, a do Bispo do Porto, manifestada no Sábado passado: o bispo defende a despenalização do aborto. Agora pergunto eu: o que irá acontecer a este homem? Para já, vai concerteza sofrer graves punições da hierarquia da igreja, que não contempla este tipo de pensamentos laterais; mas pelo menos abre algumas portas…
O "domínio das trevas" é o domínio da ignorância, da mentira, da incultura, numa palavra, do fundamentalismo; contra eles, há que erguer o muro da defesa dos direitos das pessoas, um muro onde se possam pintar quadros e palavras de ordem para fazer talvez com que alguns sejam capazes de simplesmente … pensar!

05 dezembro 2003

Os raciocínios que não convém aos nossos políticos que façamos....
Com a devida vénia, não sei a quem (?), transcrevo um mail que me enviaram; vale a pena ler...

Em cada 100 euros que o patrão paga pela minha força de trabalho, o Estado, e muito bem, tira-me 20 euros para o IRS e 11 euros para a Segurança Social.

O meu patrão, por cada 100 euros que paga pela minha força de trabalho, é obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75 euros para a Segurança Social. E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado, e muito bem, retira ao meu patrão outros 33 euros.

Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que o meu patrão me pagou, o Estado, e muito bem, fica com 19 euros para si.

Em resumo:

* Quando ganho 100 euros, o Estado fica quase com 55.

* Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, cobra 19.

* Quando lucro 100 euros, o Estado enriquece 33.

* Quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.

* Eu pago e acho muito bem, portanto, exijo: um sistema de ensino que garanta cultura, civismo e futuro emprego para o meu filho. Serviços de saúde exemplares. Um hospital bem equipado a menos de 20 km de minha casa.

Estradas largas, sem buracos e bem sinalizadas em todo o País. Auto-estradas sem portagens. Pontes que não caiam. Tribunais com capacidade para decidir processos em menos de um ano. Uma máquina fiscal que cobre igualitariamente os impostos.

* Eu pago, e por isso quero ter, quando lá chegar, a reforma garantida. E jardins públicos e espaços verdes bem tratados e seguros. Policia eficiente e equipada.

* Os monumentos do meu País bem conservados e abertos ao público. Uma orquestra sinfónica. Filmes criados em Portugal. E, no mínimo, que não haja um único caso de fome e de miséria nesta terra.

* Na pior das hipóteses, cada 300 euros em circulação em Portugal garantem ao Estado 100 euros de receita. Portanto Doutor Durão Barroso, governe-se com o dinheirinho que lhe dou porque eu quero e tenho direito a tudo!
Portugal não utilizou 283 milhões de verbas para formação em 2002

Extracto de uma noticia de 4 de Dezembro, no JN:

"Apenas 156 820 trabalhadores portugueses (2,9% da população activa) participam anualmente em acções de formação, de acordo com um inquérito do Eurostat (2002). A média da União Europeia (UE) é de 8,5% e a maioria dos países do alargamento ultrapassa-nos. O aspecto mais desconcertante dos números recolhidos de várias fontes reside na conclusão geral: o investimento é pouco e a formação não compensa os trabalhadores.
O economista Eugénio Rosa, representante da CGTP na Comissão de Acompanhamento do Programa Operacional de Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS), integrado no III Quadro Comunitário de Apoio (2000-2006), revela que, dos fundos disponíveis em 2002 (663 milhões de euros), apenas 57% (380 milhões de euros) foram executados. Ficaram 283 milhões por aproveitar.
Numa altura em que a reforma da Administração Pública (AP) é discurso permanente do Governo, ressalta o facto de apenas 27% dos fundos disponíveis, em 2002, para a AP terem sido efectivamente utilizados: 5,8 milhões de euros, 1,5% do total executado em todos os eixos do programa."

Comentário, que fiz numa intervenção do FORUM TSF:

Eu penso que a notícia não é para admirar!
O conceito e o funcionamento da FP em Portugal estão longe de satisfazer os critérios mínimos de qualidade e de eficácia exigidos internacionalmente.
Mas, comecemos talvez pelo problema a montante:
O aspecto das oportunidades, a nível de FP, sobretudo no que concerne a Escolas Profissionais e a outros Cursos Profissionais; será que a maioria das pessoas sabe da dificuldade que existe a nível dos jovens em entrar, por exemplo, numa Escola Profissional?
Será que as pessoas sabem da completa falta e incapacidade de resposta que existe no Ensino Oficial no que diz respeito ao esclarecimento dos alunos em termos de saídas profissionais?
Como pode a FP corresponder às necessidades do País e às exigências de um mercado de trabalho em profunda e rápida transformação, com um baixíssimo nível de informação, a começar nas nossas escolas?
Vejamos então agora, o conceito: como se pode compreender que sejam aqueles com maior grau de educação formal ou mais bem posicionados na hierarquia os que mais procuram as acções de formação?
Só podemos admitir tal facto pela falta de capacidade de resposta que a grande maioria das ofertas de formação tem relativamente aos que efectivamente mais necessitam.
Passemos agora ao funcionamento: o que na realidade se passa é que o organismo que superintende a FP no nosso País, ou seja o IEFP não está minimamente preparado para a evolução no domínio dos programas de formação, bem como da preparação e formação dos seus próprios formadores.
As formações (pelo menos a grande maioria) não são formações à medida, ou seja não são formações adequadas às necessidades concretas. Todos estes factores que introduzem discrepâncias no sistema de formação profissional, vêm infelizmente de muito longe, ou seja do I QCA (quadro comunitário de apoio), ao tempo do Governo de Cavaco Silva; realmente, a aposta mais que deficiente do nosso País na vertente da formação profissional, é infelizmente uma tradição.
Quando o Secretário de Estado Pais Antunes diz que estamos avançados em relação a outros Países, no que toca à qualidade da FP, só prova que não sabe do que está a falar; ou não sabe o que é qualidade, ou não sabe como funcionam na prática a maioria das acções de formação profissional.
Aliás, nesse aspecto o organismo da tutela, ou seja o IEFP é o melhor exemplo da ineficácia, do insucesso e do falhanço no que toca a qualidade e eficiência; trata-se de um organismo de cúpula, afastado há muito da realidade, preocupado sobretudo com a burocracia.
Só quem de facto trabalha de perto com este organismo é que sabe com ele funciona e que estranhos critérios utiliza na definição das suas prioridades
Reparemos, como aliás já foi afirmado hoje aqui mesmo no FORUM: 2 biliões de contos de investimento em 10 anos de formação (1989-1999), mas para financiar na prática, infra-estruturas, equipamentos e imobilizado.
Não há investimento em formadores e em formandos; não há a preocupação mínima na qualidade dos formadores, por exemplo, que provêm na grande maioria dos casos do sistema de ensino formal.

Esta é uma grande responsabilidade deste Governo que se preocupou, por exemplo, em extinguir Institutos Públicos e o primeiro que deveria ter sido extinto era, em minha opinião o IEFP; extingui-lo e substitui-lo por um organismo capaz de gerir e organizar a Formação em moldes modernos e eficientes.
Tudo isto e muito mais são factores que determinam que a situação a nível da FP no nosso País seja, a meu ver, bastante mais negra que a que foi traçada a nível da notícia do JN!