rio torto

rio torto

16 fevereiro 2005



UMA VOZ SEM VOZ…

O motivo mais marcante da noite do debate foi de facto a incapacidade do Jerónimo de Sousa; a voz não o deixou fazer mais. "Perdi a voz, mas não perdi a esperança", disse e a frase ficou para quem quis ouvir. Mas o dia de ontem ficou marcado também pela entrevista que o líder do Partido Comunista deu à Rádio Renascença e ao Publico; Jerónimo diz "não tenho verdades absolutas, não sei tudo, sou o que sou…". Regista-se então a atitude de um homem que admite não ter as mesmas armas que os adversários políticos e que sabe sobretudo não gozar de grandes favores na comunicação social. Pois bem, no dia de ontem, Jerónimo marcou pontos numa campanha dominada pelas tricas do costume por parte da direita que, com o dia 20 quase aí, se vê na contingência de ter mesmo de deixar o poder; ainda bem!


Os comentadores políticos, na sua maioria, não reconhecem o verdadeiro teor do discurso de Paulo Portas; dizem sistematicamente o mesmo, em ocasiões diferentes, que é inteligente, que está bem preparado, que se demarca muito bem do governo de Santana Lopes, etc… O que não dizem e deviam dizer, porque o sabem tão bem como eu, é que o indivíduo é o caso mais evidente da demagogia de que há memória. A resposta de Sócrates, foi aliás redundante, ao demonstrar a hipocrisia politica de PP acerca da sua "defesa" da classe média. E mais: que é co-responsável neste governo (e no anterior) pelo desaire monumental das politicas da direita.


A cena da fusão dos balcões de um grupo de bancos, apresentada por Louça, foi o grande golpe em Santana Lopes e a demonstração mais clara de que a bandeira do ataque do governo aos privilégios do sector, não passa de fumaça… Significativa foi ainda a intervenção de Sócrates, logo a seguir, dizendo que não se satisfazia com as explicações dadas pelo 1º ministro demissionário…

E a taxa de desemprego já ultrapassou os 7%

Faltam 4 dias para dia 20 de Fevereiro

15 fevereiro 2005

UMA OPÇÃO MAIS QUE DISCUTÍVEL!

Eu até compreendo que o apelo à maioria absoluta do Partido Socialista. O que não quer dizer que seja sensível a tal. Considero essa opção mais que discutível. Bem pelo contrário, penso ser muito mais importante reforçar a votação nos partidos à esquerda do PS, para impedir que a extrema-direita se assuma como 3ª força. Esse sim, parece ser o grande desígnio de todos aqueles que consideram como realmente importante impedir que os populistas PP se destaquem. Os votos não devem ser perdidos à esquerda: a concentração de votos no PS está de momento fora de questão. O PS já ganhou as eleições, José Sócrates já é de facto o próximo 1º ministro. Este é já um assunto arrumado. Como tal, há que preparar o terreno para que uma grande maioria da esquerda na futura Assembleia da Republica seja uma realidade. Para que seja possível consolidar posições que conduzam à negociação de políticas e medidas concretas que favoreçam o desenvolvimento, o crescimento, a qualificação. E também para que seja possível estancar a pobreza que envergonha o País.

O Partido Socialista tem pessoas e consciências para as quais faz todo o sentido o que escrevi. Que elas, através da sua influencia, sejam capazes de contribuir para que a verdadeira maioria que saia destas eleições, corresponda na prática a uma verdadeira viragem, mais que necessária depois de estado miserável em que a extrema-direita e a direita conservadora deixou o País.

Vamos impedir que a extrema-direita seja a 3ª força; não podemos esquecer toda a carga de responsabilidade que o PP teve, durante 3 anos, para chegar ao ponto em que estamos agora!

Faltam 5 dias para dia 20 de Fevereiro

14 fevereiro 2005

CHAMANDO AS COISAS PELOS NOMES…








Rebuscando os arquivos, encontrei este, muito interessante do Publico, aos 20 de Abril do ano da graça de 1999…

"A Igreja Católica no tempo do Estado Novo
Salazar, escolhido por Deus e pela Irmã Lúcia
António Marujo

Salazar era o escolhido de Deus para governar o país e conduzir o povo pelos caminhos da paz e da prosperidade. Em 1945, era assim que Lúcia, a vidente de Fátima, se referia ao ditador, numa carta dirigida ao cardeal Cerejeira. Mas a tese da irmã Lúcia repetia os argumentos colectivos do episcopado para dizer que na estabilidade do Estado Novo estava "o dedo de Deus", estabelecendo a relação entre Fátima e a predestinação de Salazar. O investigador José Barreto conta e explica as histórias.
Foi numa hora de muitas "preocupações, desgostos e talvez dúvidas" para o presidente do Conselho, Oliveira Salazar, que, em 13 de Novembro de 1945, o então cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, enviou ao seu amigo e antigo condiscípulo um cartão tranquilizador. Nele se referia a uma carta da irmã Lúcia que Cerejeira recebera e onde a antiga vidente de Fátima fazia referências ao que entendia ser a missão divina de Salazar.
"O Salazar é a pessoa por Ele (Deus) escolhida para continuar a governar a nossa Pátria, ... a ele é que será concedida a luz e graça para conduzir o nosso povo pelos caminhos da paz e da prosperidade", dizia a carta de Lúcia cuja reprodução foi enviada por Cerejeira juntamente com o cartão pessoal. O documento foi lido pelo investigador José Barreto, do Instituto de Ciências Sociais, no recente curso de História Contemporânea, organizado pela Fundação Mário Soares, sobre "Portugal e a Transição para a Democracia, 1974-76". Barreto pensa que o seu conteúdo já tinha sido divulgado antes, mas permaneceu até agora pouco conhecido.
A carta foi enviada a Salazar, recordou o investigador na sessão do curso em que falou sobre "A Revolução, o Estado e as Igrejas", "a poucos dias das primeiras eleições de deputados à Assembleia Nacional a que a oposição pôde concorrer [organizada no Movimento de Unidade Democrática], ainda que com enormes limitações práticas". Essas eleições, referiu ainda José Barreto, foram aquelas "que Salazar, com uma frase que se tornou célebre, considerou irem ser 'tão livres como na livre Inglaterra'".
Salazar estaria - de acordo com o seu biógrafo Franco Nogueira, por exemplo - a pensar não continuar como presidente do Conselho de Ministros. Mas também teria medo do que lhe poderia acontecer se abandonasse o lugar. Por isso Cerejeira escreve-lhe (dirigindo-se a ele como "António", tendo em conta a forma pessoal com que se tratavam, da amizade que vinha dos tempos de estudantes de Coimbra) e resolve transcrever-lhe a carta da irmã Lúcia com o objectivo de o tranquilizar. "Deve levar-te muita consolação e confiança", diz o cardeal sobre a missiva da vidente. "E se tu a lesses toda, mais consolado e confiado ficarias ainda. Escuso de dizer que isto que ela diz, o não diz dela mesma, mas por indicação divina (segundo ela deixa entender)."
E se Salazar tinha sido escolhido por Deus, era preciso, diz Lúcia na carta citada por Cerejeira, "fazer compreender ao povo que as privações e sofrimentos dos últimos anos [referia-se a vidente aos anos da II Guerra Mundial] não foram efeito de falta alguma de Salazar, mas sim provas que Deus nos enviou pelos nossos pecados." Aliás, "ao prometer a graça da paz" à nação, Deus já anunciara "vários sofrimentos, pela razão de que nós éramos também culpados". E, bem vistas as coisas, olhando "para as tribulações e angústias dos outros povos", bem pouco pedira Deus aos portugueses.
Ironicamente, Lúcia não terminava os seus recados desta carta escrita em 7 de Novembro de 1945, em Tuy (Galiza, Espanha), sem uma nota que, a outras pessoas, poderia valer a prisão política: "Depois, é preciso dizer a Salazar que os víveres necessários ao sustento do povo não devem continuar a apodrecer nos celeiros, mas serem-lhe distribuídos."
Um dos muitos segredos de Fátima
Este documento - que está no Arquivo Salazar, na Torre do Tombo e também disponível na página da Fundação Mário Soares na Internet ( http://www.fmsoares.pt/ ) - e as afirmações nele contidas revelam, diz José Barreto ao PÚBLICO, "a relação entre a produção profética de Fátima e a sacralização do regime". Na sua intervenção no curso da Fundação Mário Soares, Barreto ironizou: "Não se trata do 'segredo de Fátima', mas de um dos muitos segredos de Fátima que importa dar a conhecer, analisar e interpretar."
A relação entre Fátima e a predestinação de Salazar já tinha sido estabelecida três anos antes, num documento que o investigador considera fundamental para entender essa dinâmica político-religiosa. Numa carta pastoral colectiva do episcopado português, de 1942, sobre as bodas de prata das aparições de Fátima, os bispos referiam-se às diferenças entre os tempos da I República (dominados pelo anti-clericalismo quase sistemático) e do Estado Novo em termos que não deixavam margem para dúvidas. O camartelo demolidor, as ruínas, a desolação são características implicitamente apontadas à Primeira República, contrariamente à ordem nova, ao desenvolvimento tornado ressurreição. Os bispos chegam ao ponto de dizer que, na transformação, está "o dedo de Deus" (ver caixa).
Essa carta pastoral colectiva é, na opinião de José Barreto, "a que mais se aproxima das cartas pessoais de Cerejeira a Salazar". E a irmã Lúcia acabou por se tornar "uma peça importante na Igreja portuguesa deste século".
Em 26 de Maio de 1945, com a guerra à beira do fim, Cerejeira felicitava de novo Salazar, em carta dirigida ao ditador, por ver "coroada a obra de defesa de Portugal": "O facto de ser a nossa paz um favor do céu [predito pela irmã Lúcia] não te tira nem diminui o mérito, pelo contrário faz de ti um eleito, quase um ungido de Deus". E, a seguir, diz o cardeal: "Foste tu o escolhido para realizar o milagre."
Em 1946, foi por sugestão de Salazar que os bispos organizaram uma cerimónia na Praça do Império, para agradecer, na presença da imagem de Nossa Senhora de Fátima, o facto de Portugal não ter participado na II Guerra Mundial. Um gesto muito valorizado pelas mais altas figuras do episcopado: além de Cerejeira, também D. Manuel Trindade Salgueiro, um "fervoroso admirador" de Oliveira Salazar, e D. José da Costa Nunes, que viria a ser patriarca das Índias, e que também admirava o ditador. Talvez por causa destes apoios, as próprias alocuções do Papa Pio XII sobre a guerra e os diversos documentos de actualização da doutrina social da Igreja produzidos por esse Papa, não foram, na altura, publicados em Portugal.
Não eram apenas os bispos a valorizar o ditador português. No seu recente livro "O Estado Novo e a Igreja Católica" (ver PÚBLICO de ontem), Manuel Braga da Cruz conta um episódio que mostra que o então Papa Pio XII também nutria alguma simpatia por Salazar. Em Outubro de 1940, ao receber as credenciais do embaixador português, Carneiro Pacheco, Pio XII declarou: "O Senhor [Deus] deu à Nação portuguesa um chefe de governo que tem sabido conquistar não só o amor do seu povo mas também o respeito e estima do mundo." Atitude diferente da do seu antecessor, Pio XI, que quando negociava a Concordata com Portugal, em 1938, disse ao embaixador Quevedo que Portugal deveria resistir "no meio das aflições e penas que há pelo mundo". O embaixador entendeu a frase como uma referência ao comunismo, ao que o Papa respondeu, ainda segundo a citação feita por Braga da Cruz, que não se referia ao comunismo mas sim "ao racismo, ao nazismo criminoso que perverte as almas".
HIPOCRISIA 3. Luto nacional? Nem dá para acreditar! Ao que chega o disparate! Para além do aproveitamento político mais que evidente, a direita quer ir ainda mais longe. Mas então o Estado é ou não laico? Como se pode chegar a tal desfaçatez, só para tentar mais uns votos? Mais: isto dará mesmo mais votos? Espero bem que não. Só faltava agora ressuscitar os pseudo-milagres de Fátima e voltar á trilogia salazarista! A dupla Santana - Portas no seu melhor…




É HIPOCRISIA DA PIOR ESPÉCIE!

HIPOCRISIA 1. Anda o Paulo Portas, com o desplante que lhe conhecemos a apelar ao voto, salientando os tais "valores" da classe média que tão bem gosta de incarnar, esquecendo-se (claro que ele não se esquece!) que fez parte dos 2 últimos governos, o de Durão e o de Santana. Levando a hipocrisia ao grau mais alto possível, este demagogo populista quer fazer crer que os ministérios do PP representavam o "rigor" e eram a imagem do que de melhor se fazia no País. É preciso não esquecer que este homem está a ser julgado nestas eleições, tal como o seu "amigo" Santana. Aliás, desde os tempos de Durão que a maior parte dos analistas dizia que quem mandava realmente no Governo, era o PP. A extrema-direita é de facto muito mais perigosa do que parece, porque usa a demagogia e o nacionalismo bacoco e retrógrado como armas para os incautos. Este Paulo Portas é a imagem mais "moderna" do salazarismo que (desgraçadamente) ainda resiste na mente colectiva de algum Portugal profundo, de certa forma esquecido pelo 25 de Abril. Os apelos à "autoridade", á "segurança", aos "valores da pátria", aos "valores da vida" são a face visível do autocrata e demagogo Paulo Portas.

HIPOCRISIA 2. A morte da Dona Lúcia, uma simpática velhinha de 97 anos, que foi vilipendiada, amordaçada e violentada pelo Estado Novo, a propósito das chamadas "visões da virgem" é agora motivo de aproveitamento político por parte da extrema-direita e da direita conservadora. Vão decretar 2 dias sem campanha, ou sem acções de campanha, ou sabe-se lá o quê, numa descarada atitude de hipocrisia. É, para além disso uma falta de vergonha, aproveitar a morte de uma pessoa, para fazer disso mais uma bandeira de campanha manhosa e de mau-gosto. Um autêntico atentado contra a inteligência e mais uma tentativa de tapar o sol com a peneira.

Não lhes vai valer de nada!

Faltam 6 dias para dia 20 de Fevereiro

09 fevereiro 2005

VEMOS, OUVIMOS E LEMOS…

"Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar …"
Sophia de Mello Breyner Andresen

Para os devidos efeitos, eles aí estão em campanha e, como é bom de ver, usando de todas as artimanhas possíveis e imaginárias, para enganar os tolos (só ???). Eles já estão no poder há 3 anos e em 3 anos foram capazes das maiores artimanhas para se multiplicarem nos aparelhos (do estado e não só). Conseguiram em 3 anos minar o pouco que tinha sido conseguido para benefício dos mais desfavorecidos. Mas de facto, conseguiram: aumentar o desemprego, aumentar a divida publica, aumentar os lucros dos bancos e das seguradoras, aumentar as desigualdades, diminuir o poder de compra dos trabalhadores e colocar em ultimo lugar o País na lista da EU no que diz respeito aos índices de formação e de qualificação. Pior seria difícil. Mas vale a pena ver os números, no que concerne à banca e aos seguros: BPI - aumento dos lucros 17,6% em 2004 (Expresso-29/01/2005), BCP - aumento dos lucros 17,2% em 2004 (Público -26/01/2005), BNU - aumento dos lucros 40,1% em 2004 (Expresso-29/01/2005), BES - aumento dos lucros 11,5% em 2004 (Público -04/02/2005), BNC - aumento dos lucros 33,7% em 2004 (Público -20/01/2005), Espírito Santo Financial Group - lucros 49,5 milhões de euro; uma delícia, números dignos de um país do 3º mundo!

VEMOS…
O governo de Santana e Portas na mais patética cena de que há memória, a desmultiplicar-se em trapalhadas e asneiras quase diárias a atentar contra os valores democráticos mais elementares, como o direito à expressão, atestados pelo episódio Marcelo, pela carta de Portas e Bagão para os reformados das FA, pela cena de Nobre Guedes a incentivar a população de Coimbra a não deixar entrar Sócrates na cidade, pela triste saga de Santana contra a vida privada de Sócrates, … Como foi possível chegar a isto?

OUVIMOS…
Declarações absolutamente pró-fascistas dos lideres da extrema-direita e mesmo de alguns sectores neo-populistas do PSD. Já atentaram bem no discurso de Manuel Monteiro sobre os direitos das mulheres? E a saga de Paulo Portas sobre os valores da Pátria? E a opinião de Santana sobre a lei do aborto? E ainda as "divagações" de Nairana Coissoró sobre o ultramar português? E que mais eles (e elas também) diriam se estivessem em condições mais favoráveis!

LEMOS…
As propostas que a extrema-direita e o sector populista da direita nos apresentam; mais do mesmo, mais desemprego, mais défice encapotado, mais desigualdade, mais off-shore da Madeira, mais Jardim, mais nomeações políticas, …
Lemos ainda (esta para mim é a melhor de todas!) na frente do palanque de Santana Lopes a palavra "competente"; isto depois de ter sido "despedido" por incompetência… Não há um único comentador político (excepção natural para esse espécie que dá pelo nome de Luís Delgado…) que dê sequer o benefício da dúvida ao homem da Lux, tal é a mediocridade da sua argumentação, tal é a face visível da sua falta de estatura política!
Lemos finalmente as declarações do individuo no próprio palácio de Belém, aproveitando as pseudo-férias que impôs para si próprio (enquanto candidato), a falar como 1º ministro sobre a campanha eleitoral; francamente, é demais!

NÃO PODEMOS IGNORAR …
Realmente, não! O momento não o permite, não é possível ficar indiferente. Já chega de palhaçada (sem querer insultar os palhaços verdadeiros…); estes actores têm que ser postos imediatamente fora de cena. Está perto o dia em que veremos Santana e Portas saírem por uma porta por onde nunca deveriam ter entrado. E que grande lição para o PSD, ao permitir que o personagem em questão tomasse de assalto o partido; agora é vê-los a evitarem a colagem e a resguardarem-se para não se comprometerem com a desgraça anunciada!
A campanha contra a extrema-direita e contra a direita que lhe está associada é uma tarefa do mais elementar civismo, uma urgência das consciências livres deste país, em nome de um futuro comprometido com a justiça social, com os direitos de cidadania e com a esperança que nos trouxe o 25 de Abril. E finalmente não podemos (e não devemos) ignorar a demagogia de que eles são capazes até ao final da campanha eleitoral; a vitimização vai continuar e não sabemos sequer se a razão será suficiente para correr com eles. Para não apodrecermos em demagogia, para não alimentarmos o pântano do clientelismo e da mediocridade!

Por isso, a "nossa" campanha está aí! Não podemos desperdiçar esta oportunidade!

17 janeiro 2005

DÁ GOSTO
Dá gosto ver programas como o do Francisco José Viegas, na 2. De facto, o "Livro Aberto" é um programa exemplar: leve, educativo, despretensioso, enleante. Mesmo a uma hora tardia, como é timbre das TVs em geral (e não o deveria ser na 2!) o formato é de tal forma interessante que prende quem o vê e se delicia com as propostas apresentadas. O Mário Cláudio deu o mote para mais um programa necessário nesta altura do campeonato, onde se acumulam asneiras sobre disparates, lugares-comuns sobre atentados à inteligência por parte das personagens televisivas que diariamente nos são impostas. O autor de "O Triunfo do Amor Português" é um personagem contracorrente, nitidamente na área do politicamente incorrecto; "é fácil escrever um livro de que todos gostem, mas eu não quero fazer assim…", diz ele a certo passo. No panorama cada vez mais pobre das TVs, o programa do FJV é uma autêntica pedrada no charco. Dá gosto!

DÁ GANAS
De se atirar ao fulano, seja de que maneira for! O diligente presidente da Câmara de Braga, um dos chamados "dinossauros", donos do poder local (e não só, ao que parece…) tem num só dia 2 intervenções ao seu verdadeiro estilo de "homem da cultura".
A primeira tem a ver com a possível apropriação para preservação histórica da cidade de uma antiga barbearia; após confrontado com a intenção, o homem tem esta resposta: "não interessa, pois só há barbearias enquanto houver barbeiros…". Na realidade é verdade, assim como também é verdade que só há estupidez enquanto houver estúpidos e que só há cretinice enquanto houver cretinos…
A segunda também é interessante. Braga vai ter segundo a informação do próprio, uma Casa da Música. Para quem conhece a apetência cultural do homem, a coisa parece esquisita. Mas não é. O facto é que a dita vai ser alojada nas "catacumbas" do estádio 1º de Maio, nos antigos balneários, vai ser um espaço insonorizado e destinado apenas às chamadas "bandas de garagem". O sujeito diz que é um óptimo espaço e uma excelente oportunidade de mandar para lá aqueles que incomodam usualmente os vizinhos com "o barulho que produzem"; assim poderão, citando novamente o personagem, "fazer o barulho que quiserem, sem incomodar ninguém".
Esta é a imagem da "cultura de betão", cultivada por este e infelizmente para nós todos, por outros tristes que abundam por aí (cada vez mais…)

DÁ VONTADE DE RIR
O episódio do mergulho. Que pelos vistos é topo de gama em São Tomé, mas mesmo que fosse noutro lado iria traduzir-se em mergulho interno, com direito a mais uns dislates desta comandita do governo da Republica. De facto é difícil mergulhar mais fundo na asneira, mas vendo bem a qualidade dos intérpretes, não é caso para grande admiração. Que já não há pachorra para tanta pouca-vergonha, digo eu e não sou o único de certeza. Com tanta lata como o fez quando acabou com o "Acontece", só se espera que o homem do "meggulho" tenha ido para lá oferecer viagens à volta do mundo, já agora com um programa completo incluído em cada porto, mesmo que não tenha água; é que o que interessa é só mesmo a intenção; é se de facto forem todos como ele, até era interessante que dessem com a cabeça num sítio mais duro, para ver se saída de lá alguma coisa com substância…

09 dezembro 2004

"ESTADO DE DIREITO" ou "ESTADO DA DIREITA"?

Quanto mais vemos, quanto mais ouvimos e lemos, mais custa admitir o estado de coisas a que chegou este País, sob a batuta desta equipa. Tristemente reconhecemos estar mais uma vez e, cada vez mais, na cauda da Europa, divergindo de uma forma assustadora dos níveis médios dos outros países. Números como estes, que ninguém desmente e que alegremente aparecem na comunicação social como bandeiras de um subdesenvolvimento mascarado com meia dúzia de indicadores de aparente sucesso: 2 milhões de cidadãos vivem abaixo do limiar da pobreza com um rendimento médio de 20 contos por mês, meio milhão de desempregados, sempre a subir de mês para mês, um PIB "per capita" que recua para os níveis de 1977 (74% da média europeia, segundo números do Eurostat) e que representa o ultimo lugar na UE.

A par desta situação de empobrecimento da grande maioria da população, o País atravessa uma descrença contínua relativamente ao que esperar para o próximo ano; descrença em relação à tão falada "retoma", mas descrença também (e se calhar, sobretudo) em relação á classe politica que nos governa, evidentes que são os sinais da mais completa trapalhada de que há memória na condução da coisa pública.

Há quem tenha responsabilidades nisto tudo e é bom que se aponte o dedo ao Presidente da Republica. Não só pelo facto de ter aval a este Governo, mas também pela confusão dos últimos dias, fala ou não fala, avisa ou não avisa o Presidente da AR, desmente ou não desmente, etc…, etc…

Por cada dia que passe que estes governantes que infelizmente ainda se encontram em funções, mais irão ser as trapalhadas, mais tempo (e dinheiro!) vão ser gastos e, naturalmente mal gastos. Ninguém entende (penso não ser só eu!) como é que um Governo que não presta, que não serve, que não consegue articular uma única medida, se encontra ainda em funções. Pior: não se entende como uma Assembleia dissolvida (mas, está ou não está dissolvida?) aprova um orçamento que é repudiado por todos os sectores, para daqui a 2 ou 3 meses estar a aprovar outro. Tudo isto é absolutamente incompreensível, só possível na confusão em que somos obrigados a viver.

O desenlace desta situação é portanto mais que urgente; é necessária uma mobilização geral das consciências deste País, para de todas as formas possíveis proclamar a indignação mais que justa perante o que se passa. Já chega de confusões, já chega de incompetência, ... já chega!

Mas afinal estamos num "Estado de Direito" ou num "Estado da Direita"???

03 novembro 2004







MAIS DO MESMO, OUTRA VEZ…

A vitória da mentira como arma de destruição maciça, assim alguém classificou hoje a vitória de um dos personagens mais sinistros do mundo, pelo que representa, pelo que personifica, pela imagem que criou ou que lhe foi criada, pelos interesses que sustenta e defende, pelos ideais retrógrados a que está associado, esta é a vitória das trevas e do absolutismo, imagem de mais um dia negro deste novo século.

Mais 4 anos de intolerância, de intransigência, de cedência aos mais obscuros princípios de convivências entre povos e nações. É também mais um tiro no pé na luta contra o terrorismo, nas suas mais diversas facetas. A partir de agora, é natural que se vá assistir a mais mortes no Iraque, mais pilhagem no 3º Mundo, mais radicalização na guerra do Médio Oriente, mais perseguição aos livres-pensadores em todo o Mundo, mais desprezo pelo ambiente e pelos direitos humanos, mais atentados, mais raptos, mais insegurança e sempre menos e menos liberdade.

Esta é também a imagem de uma Nação cada vez mais virada sobre si própria, mais ignorante, mais intolerante, mais bélica e com medo. Será realmente medo do "terrorismo", ou será o medo da realidade que teimam em não aceitar, mergulhados que estão nos hambúrgueres e nas batatas fritas do MacDonalds? Gordos, tristes e ignorantes, versão rasca dos "feios, porcos e maus" do Ettore Scola, os americanos escolhem (mais uma vez?) um homem que é ele próprio o rosto da intolerância e da violência. Ao eleger este personagem a maioria dos americanos está a contribuir para um surto epidémico de repudio - lógico e natural - e cujas consequências são difíceis de prever; será que o Mundo vai aguentar mais 4 anos do mesmo e se calhar ainda pior, agora que a legitimação é evidente, o que não aconteceu em 2000?

Pelo que nos toca, cá teremos os habituais lacaios dos interesses mais obscuros a justificar (e a rejubilar!) com esta estrondosa vitória e a filosofar sobre a fraqueza da Europa e a pregar sobre as mais insólitas teorias securitárias, como se fosse esse o problema principal.

É realmente uma grande machadada na esperança e nas expectativas de quem ainda acredita ser possível uma transformação. Cabe a cada um, cada vez mais, um importante papel de resistência…

26 setembro 2004

O CÓDIGO SANTANA

Trata-se de um novo código, destinado a ser usado, quer em política interna, quer em política externa, com especial incidência em política de grau zero. O código não tem nada de especial; nada de esoterismos, nada de coisas muito complicadas, dado que o mentor do dito é pessoa simples (pelo menos no que toca a exigências mentais…) apenas alguns pormenores distintivos, que procuraremos sintetizar:
1.fazer pelo menos 1 vez por dia 1 Press Release;
2.falar pelo menos 1 vez por dia para a comunicação social, de preferência para as TVs;
3.escolher as melhores horas para aparecer na TV, de preferência em horário nobre (ou nobre guedes...);
4.dizer uma coisa de manhã e outra totalmente diferente de tarde;
5.vestir sempre roupa de marca, mesmo que adquirida na feira;
6.sabotar a saída de notícias contraditórias; o princípio do não contraditório, não se aplica de forma alguma no "código Santana";
7.nomear os representantes dos grandes interesses económicos para o Governo, só para os irritar, dado que no Governo ganham muito menos, que fora dele;
8.instituir a "reforma mira amaral, para todos os membros do actual Governo, atendendo à discriminação positiva; até que não é assim tanta gente como dizem por aí (!);
9.nunca desdizer paulo portas, nem qualquer outro membro do partido dele, mesmo que digam coisas que não agradam; aparentemente é só à primeira vista;
10.nunca se pronunciar sobre assuntos novos, sem falar primeiro com os assessores; basta 2 minutos só para ter uma pequena (muito pequena mesmo...) ideia sobre o assunto;
11.sempre que de visita ao estrangeiro, fazer sempre uma declaração à comunicação social, sobre o País, mesmo que não faça a mínima ideia do que está a acontecer lá (ou seja, cá);
12.ler de vez em quando os jornais (desportivos, claro...), só para ver o que se passa (no Sporting, claro...);
13.nunca dizer mal do Presidente da República; não que uma sorte daquelas não acontece todos os dias; aquilo foi uma bênção dos deuses, como já não acontecia há que tempos…
14.não complicar nenhum pensamento político que ultrapasse a plantação de palmeiras, dado que neste campo concreto há já alguma experiência adquirida;
15.gastar o mais possível em cartazes e outdoors, desde que tenham a face visível e bem penteada; nada interessa o que digam, claro…;
16.nomear ainda mais assessores para a equipa, dado que o tempo é de diminuir o número de desempregados, seja lá o que isso signifique…;
17.condecorar pessoas gradas à Democracia, a começar por Frank Carlucci; outras hipóteses igualmente prováveis (antes que morram…): Augusto Pinochet, Sílvio Berlusconni, o rei do Burkina Faso, Hugo Boss, Tonny Carrera, Ágata, e ainda como hipótese vaga, Alberto João Jardim;
18.não abusar do uso intensivo do ler, escrever e contar…;
19."mas o que é que eu estou a fazer neste Partido???"
20.dar a ler isto tudo ao Paulinho, para ver se ele está de acordo.

O "código Santana" é um FLOP…

16 setembro 2004

Perder Tempo

Perdemos tempo deveras em tarefas menos dignas e não sabamos ganhar tempo naquilo que realmente interessa?

Questão importante, sabendo que estamos invariavelmente "em cima da hora", "mesmo a tempo", "sem tempo a perder", "cheio de pressa", ... O tempo faz parte de nós e nós não sabemos controlar o tempo; ou temos dificuldade em fazê-lo; ou simplesmente não o queremos fazer?

"Tempo é coisa que não me falta", diz o desempregado, "Todo o tempo do Mundo para ti", diz o poeta, "Sinais dos tempos", diz o historiador.

E que tempo temos para hoje???div>
Uma questão de Saúde Pública (e até de Segurança Nacional...)

O triste espectáculo proporcionado por Paulo Portas e por arrastamento (...) pelo Governo de Santana Lopes, no caso do "Women on Waves", vem mais uma vez demonstrar a falta de esrúpulos e a maior hipocrisia (política e não só...) desta direita que (des) governa o País. Uma "ameaça à segurança nacional", comparável à "pesca ilegal", ao "tráfico de droga" e à "imigração ilegal", assim desta forma foi classificado pelo diligente ministro PP, a possível entrada do Borndiep em águas territoriais portuguesas.

Se tudo isto não passasse de afirmações mais ou menos gratuitas de um dirigente partidário fundamentalista ainda se poderia admitir (?). Mas não: é um ministro da República, o nº 2 do Governo e na prática quem neste momento dita a agenda política do Governo, apadrinhado aliás por Jorge Sampaio. Já se sabia que a questão do aborto "divide" pretensamente os portugueses. Para mim, tudo não passa de uma mera figura de retórica, ou seja, ninguem de boa fé pode aceitar as sucessivas humilhações a que estão sujeitas as mulheres deste País, perseguidas pelas polícias e pelos tribunais por terem (sabe-se com que sacrifício) recorrido ao aborto. Não, esta não é uma questão política qualquer; é sim uma autêntica cruzada que alguma direita fundamentalista encetou contra o País. São estes, os mesmos que apoiam a destruição massiva de povos, desde há seculos, indivíduos mais que priveligiados que, desde a Inquisição tentam impor o chamado "reino das trevas", terroristas (sim, terroristas!) capazes das mais hediondas campanhas: veja-se o caso do padre e das fotografias e cartazes do verão passado, o exemplo daquela senhora loura que urra regularmente nas televisões, os Telmos, os Fernandes Thomaz e quejandos. Se eles pudessem acabavam de vez com toda e qualquer democracia, com toda e qualquer liberdade de expressão e que combateriam (ou melhor, mandariam combater...) de armas na mão, todos os infiéis... Produtos de mentes preconceituosas e deturpadas, descabelados da pior espécie, pululam aqui e ali, garantindo falar em nome do Estado e da Lei. Pobres de espírito que dizendo defender a vida humana, são capazes de ditar as piores leis contra a maioria dos cidadãos e pisarem todos os seus direitos, só para fazer valer as suas ignóbeis convicções.

E o espectáculo deplorável continua, qual telenovela rasca; pretendem agora interpor uma acção judicial contra a médica holandesa, só porque esta foi à televisão manifestar a sua posição sobre o assunto…

E entretanto, o País continua à deriva: cresce todos os dias o número infindável de desempregados (já ascende a meio milhão!), os bancos reclamam pagar ainda menos impostos, o ministério da Educação continua a não conseguir colocar os professores, os transportes ameaçam aumentar de 3 em 3 meses, etc…, etc…

É este o Governo que temos, um presidente da República que há muito se demitiu das suas responsabilidades e que dá ao País uma imagem de impotência crescente, sempre ultrapassado pelos acontecimentos ("olhem que eu ainda sou o chefe supremo das forças armadas…"). Uma realidade triste que lentamente faz esquecer as esperanças de Abril, o País entregue a esta corja de carreiristas, ainda por cima incompetentes e fundamentalistas, como há muito tempo não havia memória! Eles sim, uma verdadeira "ameaça à saúde mental" e também à "segurança nacional", em suma uma ameaça à inteligência colectiva.

E nós, os outros, simplesmente a vê-los passar???

12 setembro 2004

FANCY

Fancy é uma iraquiana de 38 anos. Vivia em Najav, antes da ocupação. Funcionária pública, casada com 2 filhos, um de 4 e outro de 13 anos. O marido, professor de 41 anos. Membros de 1 grupo de esquerda laica, não reconhecidos pela ditadura de Saddam, ocupavam quase todo o seu tempo livre na propaganda política, por uma país diferente, com riscos incalculáveis para a altura, dado que o regime não o permitia. Fancy é hoje, após a ocupação, uma de entre centenas de milhar de iraquianas, sem emprego, sem esperança, sem qualquer expectativa que não seja a sobrevivência do dia a dia. Perdeu a família mais chegada, marido e filhos; os filhos morreram nos escombros de uma das "bombas cirúrgicas" da aviação "aliada" e o marido morreu com mais quase 20 pessoas quando se dirigia para a Escola, num daqueles ataques da artilharia ligeira americana que procurava atingir e liquidar um qualquer perigoso terrorista numa camioneta cheia de civis. É neste momento uma de muitos potenciais candidatos a mártires da causa islâmica.

O exemplo (poderiam encontrar-se milhares deles...) é o espelho de um País destruído pela criminosa ocupação americana, inglesa e apoiada pelos respectivos lacaios do costume. Uma situação absolutamente incontrolável, com milhares de mortos, miséria generalizada, medo, insegurança, fome e destruição permanente, o caos provocado por políticas assassinas, ao serviço dos interesses inconfessáveis do dinheiro, do petróleo, do controle dos senhores da guerra, dos negócios do tráfico de armas e das influências do poder absoluto, mascarado de "democracia". Tudo isto para combater muitos daqueles que em tempos recentes foram os seus aliados principais na luta contra os "perigosos comunistas".

Do "outro lado", dia a dia se afirma um fundamentalismo islâmico cada vez mais cego, onde os direitos individuais não são reconhecidos, onde a mulher é subjugada e humilhada, onde campeia a mais absoluto desprezo pela vida humana, com apelos irados ao martírio e ao paraíso prometido (?). Para nós, que prezamos a liberdade, a verdadeira democracia, um estado laico, direitos e garantias individuais e qualidade de vida inerente aos direitos humanos e à evolução científica e tecnológica, é absolutamente impensável e incompreensível a linguagem suicidária destes indivíduos, organizações e alguns estados. Facilmente os apelidamos de terroristas, de fundamentalistas e os associamos ao Mal absoluto, ao terror e ao reino das trevas. É porventura mais fácil, mais imediato e mais prático.

Sabemos da história (desgraçadamente) o resultado de todos os fundamentalismos; as interpretações rigorosas dos textos religiosos, principalmente; desde o início da civilização que, em nome da Fé, se mata e destrói, sem qualquer problema. Se repararmos e pensarmos um pouco, como é possível por exemplo, que em pleno século XXI, a hierarquia da igreja católica, proíba o uso de um simples preservativo, quando o SIDA é uma das principais causas de morte no Mundo inteiro? É só um exemplo; só para demonstrar que há coisas que ultrapassam a compreensão do vulgar cidadão e que só se justificam pelo atavismo e pela mais elementar falta de lógica... E isto passa-se bem perto de nós...

Quantas coisas que não compreendemos, quantos atentados à liberdade assistimos todos os dias... Hoje recebi uma mensagem, chamando-me à atenção que pertenço aos 8% de privilegiados que tem emprego, casa, família e alguma qualidade mínima de vida… Não posso queixar-me, pois. Paralelamente talvez pertença também a uma minoria que, por ter acesso á informação, não se conforma com as injustiças, não suporta a ideia de viver num mundo cão onde 2/3 da humanidade passa fome ou vive abaixo do limiar mínimo de pobreza, onde a mortalidade infantil aumenta assustadoramente nos países do 3º mundo, onde ainda existe 3º mundo, à custa do acumular de riqueza sucessiva dos principais grupos económicos, que ditam as leis e paralelamente vão destruindo os recursos naturais do planeta, na ânsia do lucro fácil e da exploração. E são eles que fazem as guerras e têm as armas; há outros que só têm pedras para lhes atirar, não é verdade???

Para quem é minimamente sensível, é difícil aceitar que haja pessoas que sejam capazes de se meter num avião, desviá-lo e atira-lo contra um edifício, só para chamar atenção, sabe-se lá de que causa
Da mesma forma, não pode aceitar também que, em nome de uma democracia mais que duvidosa, se destruam estados, povos, pessoas, famílias inteiras, só para se apropriar (leia-se roubar ou pilhar!) os recursos e os bens e possivelmente, a esperança e o gosto pela vida.

É bom que haja pessoas (cada vez mais…) que não aceitem fazer parte de nenhum destes grupos. Decididamente! Seguramente!

Qualquer apelo num tempo sem esperança como este deve ser decisivo ao afirmar os direitos das pessoas, a cidadania, o livre pensamento, o gosto de viver, a possibilidade de poder apreciar e ajudar no crescimento de uma criança e de poder ver o Sol nascer todos os dias…

Se calhar é mesmo "só isso" que Fancy pediria neste momento! Será pedir muito???

25 julho 2004

Ou se ganha, ou se perde... (para que, ao menos, não percamos tudo!)- (desta vez, com o texto completo!)

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Foi este Presidente que elegemos? Para isto, tal como há dias muito bem dizia Miguel Sousa Tavares, não vale mais a pena votar num Presidente da República. Desta vez, como se calhar em mais nenhum momento depois do 25 de Abril, um Presidente é prisioneiro completo e total da política aventureirista de um Governo fantoche, que irá "governar" o País durante 2 anos e que vai destruir o pouco que resta daquilo que já se construiu; na realidade esta "governação", "espalhada" agora pelo País, irá construir um cenário fictício de modernidade e de eficiência; aliás basta ver a grande maioria (na realidade quase todos...) dos comentadores políticos, sempre muito moderados nas suas análses, muito bem comportados, muito politicamente correctos, a malhar neles forte e feio!

Para onde vamos, ninguém sabe muito bem. Como diria o grande José Régio, "só sei que não vou por aí...".

Mas não basta não ter certezas; é absutamente necessário apelar á indignação geral e massiva contra estes fantoches que, tal como o outro nos EUA nem sequer foram eleitos para isto e a quem alguém, certamente com alguma falta já de capacidades, doou o Poder. Eles não nos representam, eles representam para nós e nós não gostamos deles como actores, nem aprovamos o guião que representam. Eles terão forçosamente que cair, mais tarde ou mais cedo, para que este País não se torne numa coutada dos seus interesses mais mesquinhos!

Vamos trabalhar para que eles caiam depressa; que acham???
Ou se ganha, ou se perde... (para que, ao menos, não percamos tudo!)

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Foi este Presidente que elegemos? Para isto, tal como há dias muito bem dizia Miguel Sousa Tavares, não vale mais a pena votar num Presidente da República. Desta vez, como se calhar em mais nenhum momento depois do 25 de Abril, um Presidente é prisioneiro completo e total da política aventureirista de um Governo fantoche, que irá "governar" o País durante 2 anos e que vai destruir o pouco que resta daquilo que já se construiu; na realidade esta "governação", "espalhada" agora pelo País, irá construir um cenário fictício de modernidade e de eficiência; aliás basta ver a grande maioria (na realidade quase todos...) dos comentadores políticos, sempre muito moderados nas suas análses, muito bem comportados, muito politicamente correctos, a malhar neles forte e feio!

Para onde vamos, ninguém sabe muito bem. Como diria o grande José Régio, "só sei que não vou por aí...".

Mas não basta não ter certezas; é absutamente necessário apelar á indignação geral e massiva contra estes fantoches que, tal como o outro nos EUA nem sequer foram eleitos para isto e a quem alguém, certamente com alguma falta já de capacidades, doou o Poder. Eles não nos representam, eles representam para nós e nós não gostamos deles como actores, nem aprovamos o guião que representam. Eles terão forçosamente que cair, mais tarde ou mais cedo, para que este País não se torne numa coutada dos seus interesses mais mesquinhos!

Vamos trabalhar para que eles caiam depressa; que acham???






>PAREDES PARA SEMPRE...UM MOVIMENTO PERPÉTUO

Perdidos na tortuosa fúria dos dias, nem damos pelo que acontece à nossa volta, num ápice as pessoas desaparecem e recordamos delas a saudade imensa, numa tristeza desmedida. Carlos Paredes era (é) a imagem nobre da cultura portuguesa, a sua guitarra, a nossa guitarra portuguesa que o Carlos elevou à dignidade que merecia, ela que deixou a choradeira dum passado de medo e de vergonha e que levou o nome de Portugal a vários cantos do Mundo. Um homem de uma simplicidade notável, longe do estrelato, mas perto das pessoas de que ele gostava, de um povo que lutou (e luta ainda) pela sua emancipação. Paredes, cuja genialidade ultrapassa os “Verde Anos”, ao sentir da alma portuguesa e à sua implicação com as transformações sociais.

Morreu a saudade da nossa vida!

Tantas perdas que sofremos neste tempo! Sofia, Pintassilgo, Regiani e agora Paredes, pessoas que marcaram o nosso tempo de forma definitiva. Num mundo cada vez mais desumanizado, pautado pela intolerância, pelo arrivismo, por uma tremenda falta de qualidade, é triste ver partir aqueles que foram referências incontornáveis.

“Uma história triste e injusta para quem descobriu o lado luminoso da guitarra portuguesa”, assim classificava João Miguel Tavares a circunstância de há já 5 anos Carlos Paredes ter sido impedido por doença de tocar a sua guitarra.

Para sempre Carlos Paredes, a tua guitarra não vai parar nunca de tocar, por um Mundo melhor, um autêntico “Movimento Perpétuo”!

11 julho 2004

>Injustiças relativas….

Sim, porque as injustiças são sempre relativas e é sempre muito difícil classificar estas coisas…

1. Injustiça nº1
Então que fomos quase campeões e ninguém se lembrou de promover o treinador a figura nacional; ou será que o foi e eu não dei conta? De qualquer forma, é de salientar que o Presidente (o da Federação, claro…) lhe renovou o contrato; quanto é que ele ganhava durante estes dois últimos anos? 50.000 contos, não era? Nada de especial, a quem consegui colocar uma bandeira em cada lar português, ele que nem sequer o é, apesar de falar a língua pátria… Somos um país rico, o melhor da EU, pelo menos o que deve ter mais estádios novos por m2, o que organizou o melhor campeonato do século (claro que neste século, este foi o único…) e que consegui a proeza admirável de esquecer durante mês e meio (mais ou menos, claro…) a famosa crise e apesar disso, sem que ninguém tivesse dado conta, veio a "retoma" (por falar nisso, onde é que ela está?), temos 1 presidente português da EU, temos 1 novo 1º ministro que planta palmeiras em qualquer sítio, faz buracos monstruosos também em qualquer praça do país, aparece muitas vezes nas revistas, e é fervoroso adepto do futebol, aliás com um notável currículo de comentador desportivo, presidente do Sporting (um clube fino), etc…. Não sei o porquê de tanta polémica acerca do sujeito, e se calhar foi por isso (aquilo) mesmo que o Presidente (não, não é o da Federação, é mesmo o da Republica, agora) lhe deu a "pasta do Poder", aliás com grande sentido de justiça, porque senão ia gastar-se imenso dinheiro em mais eleições e a gente tem mais que fazer, aliás está quase a começar a nova época, a Liga dos campeões e isso tudo… Claro que aquilo da Grécia, estragou um bocado a coisa, mas que diabo, fomos quase; menos ais, menos ais, queremos muito mais (futebol, claro..). Por falar nisso, já repararam que o nosso Presidente (o da República, claro…) também é do Sporting?

2. Injustiça nº 2
Não reconhecermos as vantagens da qualificação e da formação a que os nossos governantes têm sistematicamente prestado atenção. Claro que há estudos muito sérios que provam que a utilização dos fundos comunitários para a formação profissional por parte do governo cessante, com base em dados do Eurostat e que mostra que o nosso País é, após o alargamento da UE a 25 países, o ultimo em qualificações. É o Eugénio Rosa, do Instituto Bento de Jesus Caraça que o diz. E diz mais, citando o referido estudo, 79,4% da população activa portuguesa fica-se pela escolaridade básica ou menos, 11,3% por cento pelo ensino secundário, e apenas (imaginem…) 9,3% pelo ensino superior. A percentagem média de activos com formação superior nos 15 anteriores países da UE é de 21,8% e, nos 10 recentes países de 14,5%. Os 10 novos países superam aliás os 15 mais desenvolvidos em formação, ao nível do ensino secundário; reparem: 66,2% dos trabalhadores do Leste têm estudos de nível secundário, enquanto Portugal fica nos 11,3% e a média dos 15 fica nos 42%. Claro está que quem nos lembra estas coisas, como por exemplo o Santana Castilho no Publico de Sábado passado (e eu naturalmente), estão é manifestamente interessados em lançar a confusão e baralhar as pessoas. E esquecendo que fomos quase, quase, e que temos auto-estradas e betão (armado?) por todo o lado. Menos ais, menos ais, ….

3. Injustiça nº3
Esta é mesmo a sério. A perda de 2 grandes mulheres da cultura portuguesa, a Sofia e a Maria de Lurdes, é realmente uma grande injustiça. Vamos perdendo os melhores, neste caso, as melhores. E reparem, fez-se uma homenagem de Estado a um tipo que enriqueceu durante a outra senhora, fugiu para o Brasil após o 25 de Abril, voltou depois de o Estado lhe ter dado uma indemnização choruda que o próprio considerou abastada e à Maria de Lurdes que foi 1ª ministra, representante de Portugal na UNESCO e muitas outras coisas de uma vida dedicada ao País, nem nada, a não ser umas quantas declarações de circunstância, as do costume…

Isto tudo não deixa de ser curioso, numa altura em parece que está tudo ao contrário… Ficamos contentes com o fausto, com o aparente, com a ilusão e, com aqueles que cuidadosamente, dia a dia, vão trabalhando (não na sombra, às claras…) a euforia colectiva, a festa de circunstância, a notícia do tablóide, a contratação do dia, o "fofoquice" da semana, o comentário mais picante e mais uma data de coisas que eu não sei, nem estou interessado em saber.

Queremos mais, queremos mais, queremos muito mais!...

30 maio 2004








"Time is on my side"(Mike Jaeger e Keith Richard, 1969)




Se eu pudera fazer uma viagem no tempo…Medir o tempo. Dominar o tempo. Filosofar sobre o tempo. E depois descer á realidade. Ver, por exemplo, os relógios do nosso imaginário. Sonhar com eles, Estar dentro deles. Saber como os artesãos antigos fabricavam os seus instrumentos.

A história da medição do Tempo é realmente cheia de surpresas e de soluções altamente criativas. A força e a vontade de todos aqueles que pensam e trabalham vale a pena ser referida como motor de desenvolvimento da humanidade, no que tem de mais belo…

Há coisas que vale a pena recordar. Num mundo onde o Tempo talvez já não faça sentido, um outro Tempo começa a guiar a nossa imaginação colectiva. "Venho do fundo do tempo, não tenho tempo a perder, minha barca aparelhada, solta o pano rumo ao norte, meu desejo é passaporte, para a fronteira fechada", dizia António Gedeão em 1972, num tempo difícil para todos e de grandes transformações já anunciadas. Da mesma foram, há 30 anos atrás, falava Ivan Lins, "No novo tempo, apesar dos castigos, estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos…",

>Há coisas que vale a pena lembrar. O interessante é que todos os dispositivos criados pelo homem tentam medir uma abstracção: o Tempo. Depois da Teoria da Relatividade de Einstein é válido perguntar: medida de qual tempo? O facto é que, queiramos ou não, a humanidade acabou por orientar as suas actividades de acordo com o relógio... e o relógio tornou-se um dispositivo indispensável.

Há coisas que vale a pena dizer. Desde o Século III em que surgem referências aos primeiros relógios de areia, passando pelo Século VIII em que Hang, astrônomo chinês, constrói uma clepsidra mecânica que indicava o movimento dos astros, indo até ao Século IX, quando Alfredo o Grande usava velas para medir o tempo e pelo Século XVI, quando os portugueses introduziram no Japão os relógios mecânicos e, chegando ao Século XIX quando se inicia o uso dos relógios de pulso. E mais, muito mais, até aos dias de hoje, onde os artífices do tempo usam a sua imaginação e a sua arte para nos brindar com objectos fantásticos que nos enchem a vista. Por exemplo, o mais recente, um relógio atómico que usa átomos de césio tem uma precisão de um segundo em 15 milhões de anos!

Tudo isto a propósito de uma Exposição que tive o privilégio de ajudar a construir. Que apresenta e representa a vontade e o esforço de pessoas que gostam desta arte. Que será uma homenagem a todos os trabalhadores que passaram por uma empresa centenária, que é o orgulho das gentes de Famalicão. Ela própria, um símbolo da cidade e da região. Ela que passou por dificuldades várias, que se ergue agora de novo, com a vontade e o trabalho de um pequeno grupo de sonhadores, nos quais me incluo com muita honra.
Uma Empresa é sempre (ou deveria ser…) o fruto de vontades individuais e de sinergias colectivas de ordens diversas que projecta na sociedade o melhor da arte, da ciência, da técnica e da força do trabalho. Que se insere na Comunidade e na Região. Que se afirma em parcerias com instituições variadas. Que aposta na qualificação dos seus trabalhadores e na formação profissional. Que aposta ainda na criatividade e na inovação. Que tenta sempre fazer melhor. Este é o modelo que pretendemos.

Há coisas que vale a pena ver! Ver esta EXPOSIÇÂO, é certamente uma delas
. (a)

(a) Exposição: "A BÔA REGULADORA: uma Viagem no TEMPO". Vila Nova de Famalicão, de 5 de Junho até 30 de Setembro: Rua Adriano Pinto Basto (antiga Casa Malheiro), nº 59. Mesmo no centro da Cidade. Aberta á semana, das 11:00 às 19:00 horas; aos Sábados, das 15:00 ás às 19:00 horas; aos Domingos, das 11:00 às 14:00 horas.

03 maio 2004





A FORÇA de MAIO






É a força de quem trabalha. Evocar o 1º de Maio, é também saudar Abril. O Zeca Afonso dizia: "Venham ver, Maio nasceu, que a voz não te esmoreça, a turba rompeu".
Cantar MAIO é lembrar a força que está dentro de nós; para lutar, para vencer; mas, que força é essa?
Vejam só, escrito há mais de 30 anos e sempre, sempre actual:

"Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa, que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo, que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes
"

Sérgio Godinho

25 abril 2004



30 anos de LIBERDADE!






Deixa exprimir um desejo
que exalte a nossa voz
transmitir mais do que a esperança
que habita dentro de nós.
Nós que fizemos Abril crescer
Contra o fascismo e a opressão
contra a ignorância e as trevas
contra a guerra e a repressão.

O desejo de lutar agora e sempre
ao lado dos ainda querem na verdade
a "paz, o pão, saúde, habitação"
em qualquer "vila morena, terra da fraternidade"
Para nós, não existe "evolução"
com miséria, desemprego e fome
Abril é mais do que uma ideia
é a força dos que não têm nome!

Abril "saiu à rua num dia assim",
libertou companheiros de armas
calou 50 anos de tirania
e deu às pessoas dignidade e cidadania.
"Venham mais cinco", mais mil, mais cem mil
todos são poucos p´ra saudar Abril,
que aos 30 anos é juventude e entusiasmo,
P´ra lutar contra o marasmo,
Contra os novos senhores do dinheiro
aqui e no mundo inteiro
Apetece de novo gritar com vontade:
"o povo é quem mais ordena, dentro de ti oh cidade!"