"Do rio que tudo arrasta, se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem" Berthold Brecht
rio torto
22 junho 2005
SERVIÇOS MÍNIMOS???
A nova invenção do Governo chama-se serviços mínimos na Educação e aplica-se, para saber, àgreve geral dos professores decretada pela FENPROF e pela FNE, as duas estruturas sindicais que representam os profissionais do Ensino em Portugal. Lembre-se a propósito, que as alíneas do nº2 do art. 598º do Código do Trabalho, por força de previsão expressa do art. 595º, nº 2, do mesmo Código, estabelecem necessidades sociais impreteríveis, como os tais serviços mínimos. O ridículo da situação, dificilmente superável, faz lembrar os piores momentos da Ferreira Leite no ME. De entre as asneiras que se têm dito e escrito sobre o assunto salienta-se a prosa, sempre diligente, do insuspeito José Manuel Fernandes, no PUBLICO de 20 de Junho; cito, sobre a greve ... a mais cruel chantagem..., ...tomar os alunos como reféns... e esta outra digna de qualquer cabeça fascista ...sindicatos dirigidos por profissionais do sindicalismo que se assustam com a perspectiva de um dia terem de voltar a dar aulas....
Então agora, a maioria dos comentadores estatizados inventou uma que também não desmerece o autor anterior e que ele aliás subscreve implicitamente no seu artigo merdoso. Trata-se da asserção fantástica de que a greve prejudica os alunos, as famílias e mais não sei quê! Ora essa, então uma greve não prejudica sempre alguém, a começar pelo grevista, que vêreduzido o seu ordenado e que se sacrifica por ele e pelos que (comodamente) não fazem greve? Pois claro que há prejuízo, para isso é que se faz greve, ou não será? Por esse andar ninguém fazia greve, que se calhar éa ideia da maioria daqueles que agora vociferam contra os professores...
Pelos vistos está na moda atacar os funcionários públicos e, por arrastamento claro, os professores. Pelos vistos querem reformar o sistema contra aqueles que sistematicamente o aguentam contra a incapacidade e a incompetência de sucessivos ministros, ministérios e comanditas associadas. Claro que é incomparavelmente mais fácil, mais barato e, se não dá milhões..., pelo menos resulta em demagogia e populismo...
Pois que viva a Sr.ª ministra da educação, que vai contra os interesses corporativos instalados e contra os malditos professores, que são uns malandros e que fazem greve aos exames, impedindo os meninos e os seus papás (e mamãs) que têm de ir de férias e não podem permitir que se atrase um exame... E viva também a mão firme do Sr. primeiro-ministro que não vacila diante de um grupo mais que privilegiado da nossa sociedade..
.
Que tristeza!
14 junho 2005

LUTO E LUTA...
Mais uma morte de um companheiro de luta pela liberdade. A morte de Álvaro Cunhal deixa a democracia e todo o seu legado mais pobre. Um grande pensador, um escritor, um artista plástico. Um Homem a quem devemos a liberdade; 11 anos preso nas cadeias fascistas, um nome da resistência, um politico de dimensão internacional, um internacionalista. Uma vida por uma causa.
É justo lembrar uma das quadras de Manuel Alegre, que dedico ao Álvaro, nesta despedida da vida:
"Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não".
Gente de vários quadrantes lamenta a perda de uma vida com sentido. Muitos gostam de salientar as grandes divergências que com ele mantinham. Poucos têm a coragem de admitir que durante décadas, o Partido que dirigiu foi a única fonte de resistência ao fascismo; numa hora destas, isso é muito mais importante que tudo o resto...
Para homens como o Álvaro, poderemos dizer com Luiz de Camões:
"...e aqueles que por obras valerosas
se vão da lei da Morte libertando..."
Adeus camarada...
12 junho 2005

ADEUS COMPANHEIRO...
A morte saiu-te àrua num dia de Junho. Abril tem 30 anos e sempre o soubeste recordar nas tuas intervenções... Curiosamente, a revolução passou-te compulsivamente áreserva, depois do triste Novembro, ao qual se associaram todos os democratas de hoje, e todos os salazaristas do passado. Força, força, ... se cantava, na altura em que tudo era possível. Soubeste resistir ao conformismo, foste um político do povo, sem fato e sem gravata. Falavas para os trabalhadores, irritaste os senhores do dinheiro. Soubeste merecer o respeito de muitos dos políticos de vários quadrantes, apesar de muitos deles te terem minado o terreno, á boa maneira da burguesia comprometida. Lutaste pela Reforma Agrária, pelos direitos dos camponeses; no entanto, agora 30 anos depois, vemos o Alentejo transformado num deserto gigantesco, ao sabor das políticas da massificação. Disseste até ao fim que acreditavas na Revolução, mas sempre com uma preocupação latente.
Foste um combatente e um patriota. Adeus companheiro Vasco!
08 junho 2005

UMA BALADA ESPECIAL....
Um momento de rara beleza em Braga, na passada 6º feira (3 de Junho), aquando da apresentação em Braga, na cooperativa Velha-a-Branca do livro *Balada Solitária* de Fran Alonso e Renato Roque, das edições Eterogémeas. Na linha seguida durante a apresentação, uma projecção com as fotos de ilustração do Renato Roque, a música (o piano) do João Lóio e leitura poética da Regina Castro.
A "Balada Solitária", onde Fran opina sobre a solidão e sobre inúmeras facetas do relacionamento entre as pessoas numa sociedade massificada, é um momento de delicada harmonia entre um conceito terrivelmente dramático e um pragmatismo de discurso e ilustração, com uma geometria mais que variável de sentimentos e palavras. Através do que pode ser considerada a afirmação do betão, o Renato transporta-nos à complexidade emaranhada da individualidade intrínseca á urbanidade dos nossos dias: porque associei logo os arames do betão ao traçado (errático?) dos nossos neurónios? Puro acaso???
A radicalidade assumida dos autores aliada a um despretensiosismo evidente, leva-nos à cidade que nunca é a nossa, mas sim a que desenhamos numa arquitectura imaginária, onde o sonho é possível. Ou, já agora, como diz o Fran Alonso Fran Alonso, Cidades, Edicións Xerais de Galicia, Vigo:
"Entre tódalas cidades prefiro as que dormen sobre o mar
ou aquelas que se erguen na areado deserto.
As primeiras están habitadas por sardiñas de prata,
e as segundas por dátiles de luz".
30 maio 2005
O NÃO ...
Pela primeira vez no nosso País uma questão europeia vem agitar as águas mornas da política caseira. O facto é que elas nunca foram debatidas suficientemente em Portugal e por isso ninguém sabe bem o que pensar sobre uma futura Constituição Europeia. Não conhecem os contornos da questão. E não conhecem também a proposta de texto do Tratado Constitucional. Não sabem, por exemplo, o que representa a directiva Bolkestein que conduz o chamado modelo social europeu a um monte de retalhos e uma enganosa falácia e que mais não passa de um formato pérfido de mais uma deriva neo-liberal da Europa, aliás bem personificada no presidente da Comissão, o tal José Manuel Barroso.
A alegada visão apocalíptica de que o não ao Tratado significa o caos é a mesma (vai ser a mesma...) em qualquer dos países onde o referendo se realizar. As mais altas esferas comportam-se (comportar-se-ão...) aqui como lá (França, etc...): presidentes, primeiros-ministros, senadores, e toda a comandita instalada e burocrática. E no caso francês, écaso para dizer: bem feito! Como já li algures, esta tirada espectacular: mais oui, c'est non... Lá como cá (?) amaioria dos eleitores acredita na Europa, mas não necessariamente na Europa que nos querem impor aos atropelos. A França voltou assim, creio eu, a dar uma lição de liberdade ao mundo.
Apesar de nos acenarem (barómetro DN / TSF do fim de semana) com sondagens duvidosas sobre os resultados de uma putativa votação sobre o sim ao Tratado, a realidade é que as pessoas não sabem, não conhecem e (sobretudo) não querem votar ao mesmo tempo que para as Autarquias e não querem mais uma vez ser carneiros. A França é um bom exemplo, só há que segui-lo e esperar para ver até onde vai o descaramento dos liberais do costume e de todos os seus lacaios, tenham a cor que tiverem...
É mesmo muito bem feito!
Pela primeira vez no nosso País uma questão europeia vem agitar as águas mornas da política caseira. O facto é que elas nunca foram debatidas suficientemente em Portugal e por isso ninguém sabe bem o que pensar sobre uma futura Constituição Europeia. Não conhecem os contornos da questão. E não conhecem também a proposta de texto do Tratado Constitucional. Não sabem, por exemplo, o que representa a directiva Bolkestein que conduz o chamado modelo social europeu a um monte de retalhos e uma enganosa falácia e que mais não passa de um formato pérfido de mais uma deriva neo-liberal da Europa, aliás bem personificada no presidente da Comissão, o tal José Manuel Barroso.
A alegada visão apocalíptica de que o não ao Tratado significa o caos é a mesma (vai ser a mesma...) em qualquer dos países onde o referendo se realizar. As mais altas esferas comportam-se (comportar-se-ão...) aqui como lá (França, etc...): presidentes, primeiros-ministros, senadores, e toda a comandita instalada e burocrática. E no caso francês, écaso para dizer: bem feito! Como já li algures, esta tirada espectacular: mais oui, c'est non... Lá como cá (?) amaioria dos eleitores acredita na Europa, mas não necessariamente na Europa que nos querem impor aos atropelos. A França voltou assim, creio eu, a dar uma lição de liberdade ao mundo.
Apesar de nos acenarem (barómetro DN / TSF do fim de semana) com sondagens duvidosas sobre os resultados de uma putativa votação sobre o sim ao Tratado, a realidade é que as pessoas não sabem, não conhecem e (sobretudo) não querem votar ao mesmo tempo que para as Autarquias e não querem mais uma vez ser carneiros. A França é um bom exemplo, só há que segui-lo e esperar para ver até onde vai o descaramento dos liberais do costume e de todos os seus lacaios, tenham a cor que tiverem...
É mesmo muito bem feito!
13 maio 2005
PARA QUE SERVE UMA "QUEIMA"?
É mais um balanço desastroso de mais uma "QUEIMA" na cidade de Braga. Mais uma semana de bebedeiras, de barulho até às tantas da madrugada numa zona residencial da cidade. Ano após ano, ninguém é capaz de fazer nada contra o estado de coisas a que a Câmara, o Governo Civil e pelos vistos a prestimosa Associação de Estudantes "condenaram" milhares de pessoas indefesas que moram na zona. Consta até (…) que em 2003, as autoridades (?) pretenderam deslocalizar a "festa" para outro lado, mas a Associação não quis, porque tal era um prejuízo enorme. E como em outras situações do género, esta Câmara acedeu, porque os interesses corporativos de um pequeno (ínfimo, digo eu…) grupo se devem sobrepor aos do interesse geral. Nada que me admire, aliás deste executivo camarário. Até há bem pouco tempo existia, em plena baixa, um bar que debitava decibéis até às tantas; claro que o dito bar era pertença de um familiar do digníssimo presidente…
Para que serve então a tal "QUEIMA", nesta terra santificada, seja lá como? Talvez para acicatar a opinião generalizada de que os estudantes mais não fazem ao longo do ano do que irritar solenemente durante uma semana inteira, uma grande parte da cidade que nem consegue dormir descansada…
Estamos pois perante mais um caso de calamidade pública pior que a seca. Eu sinceramente gostava de saber em quantas cidades do mundo civilizado acontece o mesmo. Como se salvaguarda a lei do ruído, a defesa dos direitos das pessoas, o direito ao descanso, sei lá que mais. Quanto é que tais coisas pesam para esta Câmara, quanto vale o direito do cidadão comum. E já não falo dos direitos culturais, numa terra onde isso vale ao que parece simplesmente nada, como se pode ver em termos de iniciativas locais em termos de cultura. Uma cidade bacoca, parola, que cresce em cimento e betão e decresce em tudo que se relaciona com o respeito pelas pessoas.
Mas "eles" pelos vistos não pensam assim. E atacam ferozmente quem contra eles investe. Têm todo o poder, tal como no tempo do fascismo, ao serviço dos interesses dos grupos estabelecidos, pavoneiam-se por aí, produzem declarações parvas e cretinas e agarram-se cada vez mais uns aos outros, quanto toca a rebate. Pior, ao abrigo da democracia que os legitima, arrastam-se na lama do favor, da pequena política e do mais profundo desprezo pelo tal "povão" que neles vota sucessivamente; até quando?
Ao menos, digo eu aos cidadãos comuns, pensem na hora decisiva; organizem-se, não sejam carneiros, não tenham medo. "Eles" não duram sempre…
É mais um balanço desastroso de mais uma "QUEIMA" na cidade de Braga. Mais uma semana de bebedeiras, de barulho até às tantas da madrugada numa zona residencial da cidade. Ano após ano, ninguém é capaz de fazer nada contra o estado de coisas a que a Câmara, o Governo Civil e pelos vistos a prestimosa Associação de Estudantes "condenaram" milhares de pessoas indefesas que moram na zona. Consta até (…) que em 2003, as autoridades (?) pretenderam deslocalizar a "festa" para outro lado, mas a Associação não quis, porque tal era um prejuízo enorme. E como em outras situações do género, esta Câmara acedeu, porque os interesses corporativos de um pequeno (ínfimo, digo eu…) grupo se devem sobrepor aos do interesse geral. Nada que me admire, aliás deste executivo camarário. Até há bem pouco tempo existia, em plena baixa, um bar que debitava decibéis até às tantas; claro que o dito bar era pertença de um familiar do digníssimo presidente…
Para que serve então a tal "QUEIMA", nesta terra santificada, seja lá como? Talvez para acicatar a opinião generalizada de que os estudantes mais não fazem ao longo do ano do que irritar solenemente durante uma semana inteira, uma grande parte da cidade que nem consegue dormir descansada…
Estamos pois perante mais um caso de calamidade pública pior que a seca. Eu sinceramente gostava de saber em quantas cidades do mundo civilizado acontece o mesmo. Como se salvaguarda a lei do ruído, a defesa dos direitos das pessoas, o direito ao descanso, sei lá que mais. Quanto é que tais coisas pesam para esta Câmara, quanto vale o direito do cidadão comum. E já não falo dos direitos culturais, numa terra onde isso vale ao que parece simplesmente nada, como se pode ver em termos de iniciativas locais em termos de cultura. Uma cidade bacoca, parola, que cresce em cimento e betão e decresce em tudo que se relaciona com o respeito pelas pessoas.
Mas "eles" pelos vistos não pensam assim. E atacam ferozmente quem contra eles investe. Têm todo o poder, tal como no tempo do fascismo, ao serviço dos interesses dos grupos estabelecidos, pavoneiam-se por aí, produzem declarações parvas e cretinas e agarram-se cada vez mais uns aos outros, quanto toca a rebate. Pior, ao abrigo da democracia que os legitima, arrastam-se na lama do favor, da pequena política e do mais profundo desprezo pelo tal "povão" que neles vota sucessivamente; até quando?
Ao menos, digo eu aos cidadãos comuns, pensem na hora decisiva; organizem-se, não sejam carneiros, não tenham medo. "Eles" não duram sempre…
03 maio 2005
FORMALISTAS, BUROCRATAS E EMPATAS...
É um dos sintomas mais negativos deste País: o formalismo, que não é nem mais nem menos que a obsessão pela norma, pelo cumprimento escrupuloso dos prazos e das formalidades, que se sobrepõe a tudo, mesmo que isso signifique o esgotar de um processo de forma definitiva. Veja-se o caso típico da justiça, em que (vulgarmente) acontecem situações de prescrição só porque os circuitos habituais não permitiram uma análise atempada. A burocracia é uma outra faceta do formalismo: nele se baseia e dele bebe o conceito fundamental, que no fundo é que tudo se justifica por si mesmo; a forma vale tudo e significa muito mais que a razão, seja ela qual for.
O País vive destes empatas, que podem ser pessoas individuais ou colectivas, mas sempre com a mesma preocupação: fazer depender tudo da sua "preocupação" pelo estafado "cumprimento".
Tudo isto para comentar a decisão presidencial sobre a não convocação do referendo sobre a IVG. Nada que não fosse já esperado. A preocupação do PR com prazos, cumprimentos, normas e mais não sei quê, é a sua principal marca. Procedeu conforme é o seu timbre: deixar esgotar os prazos, para depois dizer que não tinha prazos. Tudo conforme o habitual neste estafado órgão de soberania, que nem se sabe bem para que serve neste momento. Depois, como diz o outro "fala, fala e não diz nada…", ou então "fala, fala e nem se sabe para quê, porque fica tudo na mesma". Como digo, a mim já nada me admira, nem nada espero deste PR.
O mesmo não se poderá dizer dos partidos políticos. Ou pelo menos da parte do PS e do BE. Estavam à espera de quê, com a confusão lançada sobre a opinião pública, depois das eleições? Então para que serve a Assembleia da Republica (AR)? Será que a AR não tem a legitimidade para se pronunciar sobre tão grave problema que afecta as mulheres, sobretudo as de parcos recursos e afecta a sociedade e o seu equilíbrio? Mas referendo, para quê, quando existe uma Assembleia mandatada e com maioria mais que suficiente para legislar sobre o assunto?
E para terminar para o cidadão Jorge Sampaio em mais esta embrulhada, mais uma vez ao lado da direita (porque é que não me admiro?): as pessoas sabem bem o que pensam sobre o assunto e querem uma decisão mais que urgente; não precisam de mais prazos, de mais formalidades, de mais nada; precisa-se é de uma nova lei sobre o assunto.
Ainda bem que Helena Roseta vem hoje dizer que compete na realidade à AR decidir, legislar sobre o assunto em definitivo. Mas acontece que já há muito tempo a esta parte, houve milhares de pessoas e um partido (o PCP) que já tinham dada a sua opinião sobre o assunto de forma também definitiva. Para que conste, aliás a única posição correcta!
É um dos sintomas mais negativos deste País: o formalismo, que não é nem mais nem menos que a obsessão pela norma, pelo cumprimento escrupuloso dos prazos e das formalidades, que se sobrepõe a tudo, mesmo que isso signifique o esgotar de um processo de forma definitiva. Veja-se o caso típico da justiça, em que (vulgarmente) acontecem situações de prescrição só porque os circuitos habituais não permitiram uma análise atempada. A burocracia é uma outra faceta do formalismo: nele se baseia e dele bebe o conceito fundamental, que no fundo é que tudo se justifica por si mesmo; a forma vale tudo e significa muito mais que a razão, seja ela qual for.
O País vive destes empatas, que podem ser pessoas individuais ou colectivas, mas sempre com a mesma preocupação: fazer depender tudo da sua "preocupação" pelo estafado "cumprimento".
Tudo isto para comentar a decisão presidencial sobre a não convocação do referendo sobre a IVG. Nada que não fosse já esperado. A preocupação do PR com prazos, cumprimentos, normas e mais não sei quê, é a sua principal marca. Procedeu conforme é o seu timbre: deixar esgotar os prazos, para depois dizer que não tinha prazos. Tudo conforme o habitual neste estafado órgão de soberania, que nem se sabe bem para que serve neste momento. Depois, como diz o outro "fala, fala e não diz nada…", ou então "fala, fala e nem se sabe para quê, porque fica tudo na mesma". Como digo, a mim já nada me admira, nem nada espero deste PR.
O mesmo não se poderá dizer dos partidos políticos. Ou pelo menos da parte do PS e do BE. Estavam à espera de quê, com a confusão lançada sobre a opinião pública, depois das eleições? Então para que serve a Assembleia da Republica (AR)? Será que a AR não tem a legitimidade para se pronunciar sobre tão grave problema que afecta as mulheres, sobretudo as de parcos recursos e afecta a sociedade e o seu equilíbrio? Mas referendo, para quê, quando existe uma Assembleia mandatada e com maioria mais que suficiente para legislar sobre o assunto?
E para terminar para o cidadão Jorge Sampaio em mais esta embrulhada, mais uma vez ao lado da direita (porque é que não me admiro?): as pessoas sabem bem o que pensam sobre o assunto e querem uma decisão mais que urgente; não precisam de mais prazos, de mais formalidades, de mais nada; precisa-se é de uma nova lei sobre o assunto.
Ainda bem que Helena Roseta vem hoje dizer que compete na realidade à AR decidir, legislar sobre o assunto em definitivo. Mas acontece que já há muito tempo a esta parte, houve milhares de pessoas e um partido (o PCP) que já tinham dada a sua opinião sobre o assunto de forma também definitiva. Para que conste, aliás a única posição correcta!
02 maio 2005
O 1º DE MAIO EM 2005
Já não será um tempo de bandeiras vermelhas ao vento saudando a liberdade e os direitos de quem trabalha. Já não será porventura uma data com carga politica bem determinada. Não será concerteza marca de unidade sindical, há muito tempo foi gorada.
Qual o significado em 2005 de um 1º de Maio? Pois bem, que seja uma data de denúncia permanente e sistemática das condições de vida dos trabalhadores, a começar por aqueles que não conseguem trabalhar. O nosso País é hoje um deserto de 500 mil desempregados, número a subir todos os meses. Isso sabemos e não podemos deixar de denunciar.
Sabemos também que 20 por cento - dois milhões de pessoas - da população portuguesa vive abaixo do limiar da pobreza, mesmo após os subsídios a que tem direito. E que o número de portugueses a passar fome poderá neste momento chegar aos 300 mil. Iniciativas como a criação de um fundo de emergência social para acabar com a fome em Portugal, bem podiam tomar corpo, já que foram propostas no final de 2003, face ao agravar das condições existentes.
E sabemos muito mais coisas que significam discriminações e violações constantes dos direitos de quem trabalha e paga impostos numa sociedade de injustiça e de falta de respeito permanente pela dignidade das pessoas.
Que o 1º de Maio seja mais que uma formal comemoração; que seja de facto uma festa, mas uma festa consciente, que canta as vitórias, mas que não se esqueça nunca da luta constante a travar, da luta que o Zeca Afonso fala no seu poema:
Já não será um tempo de bandeiras vermelhas ao vento saudando a liberdade e os direitos de quem trabalha. Já não será porventura uma data com carga politica bem determinada. Não será concerteza marca de unidade sindical, há muito tempo foi gorada.
Qual o significado em 2005 de um 1º de Maio? Pois bem, que seja uma data de denúncia permanente e sistemática das condições de vida dos trabalhadores, a começar por aqueles que não conseguem trabalhar. O nosso País é hoje um deserto de 500 mil desempregados, número a subir todos os meses. Isso sabemos e não podemos deixar de denunciar.
Sabemos também que 20 por cento - dois milhões de pessoas - da população portuguesa vive abaixo do limiar da pobreza, mesmo após os subsídios a que tem direito. E que o número de portugueses a passar fome poderá neste momento chegar aos 300 mil. Iniciativas como a criação de um fundo de emergência social para acabar com a fome em Portugal, bem podiam tomar corpo, já que foram propostas no final de 2003, face ao agravar das condições existentes.
E sabemos muito mais coisas que significam discriminações e violações constantes dos direitos de quem trabalha e paga impostos numa sociedade de injustiça e de falta de respeito permanente pela dignidade das pessoas.
Que o 1º de Maio seja mais que uma formal comemoração; que seja de facto uma festa, mas uma festa consciente, que canta as vitórias, mas que não se esqueça nunca da luta constante a travar, da luta que o Zeca Afonso fala no seu poema:
"Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar"
Cantigas do Maio, Lisboa 1971
27 abril 2005
ISTO É QUE É MAIS JUSTIÇA, MEUS SENHORES???…
1. A noticia da libertação dos culpados pela morte de um agente da Judiciaria, pelo facto (aparentemente usual) de o Tribunal não ter cumprido os prazos previstos, é um bom exemplo da ineficácia da justiça deste País. Tal aconteceu, dado que (pelos vistos) houve um recurso às condenações, que variavam entre os 8 e os 16 anos. Isto já ultrapassa a chamada lentidão; esta justiça é de facto uma injustiça. Como irão reagir a isto a família e os entes mais próximos do agente assassinado? Sim, porque é preciso equacionar as consequências sociais de uma decisão deste tipo. Os formalismos não se podem sobrepor a tudo. Qualquer dia começam a aparecer fenómenos marginais a estas situações. Depois admirem-se…
2. "Os 23 homens e mulheres suspeitos de recrutarem portugueses para trabalho escravo em Espanha saíram em liberdade, esta quarta-feira de madrugada, do Tribunal de Instrução Criminal do Porto", segundo a notícia da Lusa, hoje de manhã. Os culpados dedicavam a sua actividade à contratação de pessoas desempregadas, algumas da quais com reconhecida debilidade mental, para trabalharem em propriedades agrícolas espanholas. Todos eles são portugueses, embora residissem grande parte do tempo em Espanha e foram indiciados de crimes de "escravidão, sequestro, branqueamento de capitais e associação criminosa". Aguardam o julgamento… em liberdade. Fantástico!
3. O homem que compra votos com electrodomésticos, finalmente "apanhado" nas malhas da lei, indiciado de trinta e tal crimes de corrupção e tráfico de influências vai novamente ocupar o lugar de Presidente da Liga de Futebol. Volta, ao que consta pela porta grande, com todo o desplante de quem tem sempre razão. Parece que nada (mesmo nada) entretanto se passou e ainda por cima aproveita para malhar forte e feio no Director Executivo, que parece que não o foi receber à porta…
Não haverá ninguém que possa por cobro a isto?
PARABENS CORREIA DE CAMPOS!
O Ministro da Saúde (MS) decidiu colocar ponto final em 2 situações de favor, bem típicas da sociedade portuguesa e bem elucidativas das escandalosas arbitrariedades dos Governos da Direita de Barroso e Lopes.
Primeiro, acabou com o Protocolo que previa o acolhimento de doentes necessitados de cuidados hospitalares, mas não permanentes, pelos hospitais de cuidados continuados das Misericórdias, cabendo ao MS pagar um valor por cada doente à instituição acolhedora. A notícia diz que as camas contratualizadas teriam sido negociadas, sendo pagas a 50%, mesmo não estando ocupadas, o que personificava uma situação de enriquecimento que o ministro da Saúde considerou "intolerável". O citado Protocolo foi negociado
em Maio do ano passado entre a UMP e o MS, mas, apesar do seu início estar previsto para Julho de 2004, apenas começou no final do mesmo ano.
Segundo, decidiu suspender a construção do Centro Materno Infantil do Norte (CMIN) no Hospital de S. João, no Porto, e considerou que o Ministério que tutela está a ser lesado de forma "indigna" com o processo. O acordo com a Câmara do Porto previa a construção de um bairro social na cidade, financiado pelo MS a 60%. Ao que consta, o Ministério teria sido lesado neste processo em mais de 10 milhões de euros.
Apetece agora perguntar aos ideólogos (e executivos) da Direita se isto tem alguma coisa a ver com o tal conceito de "menos Estado".
Parabéns então António, que estás no bom caminho; também concordo contigo quando dizes que a vocação do Ministério da Saúde não é propriamente financiar a Câmara do Porto…
1. A noticia da libertação dos culpados pela morte de um agente da Judiciaria, pelo facto (aparentemente usual) de o Tribunal não ter cumprido os prazos previstos, é um bom exemplo da ineficácia da justiça deste País. Tal aconteceu, dado que (pelos vistos) houve um recurso às condenações, que variavam entre os 8 e os 16 anos. Isto já ultrapassa a chamada lentidão; esta justiça é de facto uma injustiça. Como irão reagir a isto a família e os entes mais próximos do agente assassinado? Sim, porque é preciso equacionar as consequências sociais de uma decisão deste tipo. Os formalismos não se podem sobrepor a tudo. Qualquer dia começam a aparecer fenómenos marginais a estas situações. Depois admirem-se…
2. "Os 23 homens e mulheres suspeitos de recrutarem portugueses para trabalho escravo em Espanha saíram em liberdade, esta quarta-feira de madrugada, do Tribunal de Instrução Criminal do Porto", segundo a notícia da Lusa, hoje de manhã. Os culpados dedicavam a sua actividade à contratação de pessoas desempregadas, algumas da quais com reconhecida debilidade mental, para trabalharem em propriedades agrícolas espanholas. Todos eles são portugueses, embora residissem grande parte do tempo em Espanha e foram indiciados de crimes de "escravidão, sequestro, branqueamento de capitais e associação criminosa". Aguardam o julgamento… em liberdade. Fantástico!
3. O homem que compra votos com electrodomésticos, finalmente "apanhado" nas malhas da lei, indiciado de trinta e tal crimes de corrupção e tráfico de influências vai novamente ocupar o lugar de Presidente da Liga de Futebol. Volta, ao que consta pela porta grande, com todo o desplante de quem tem sempre razão. Parece que nada (mesmo nada) entretanto se passou e ainda por cima aproveita para malhar forte e feio no Director Executivo, que parece que não o foi receber à porta…
Não haverá ninguém que possa por cobro a isto?
PARABENS CORREIA DE CAMPOS!
O Ministro da Saúde (MS) decidiu colocar ponto final em 2 situações de favor, bem típicas da sociedade portuguesa e bem elucidativas das escandalosas arbitrariedades dos Governos da Direita de Barroso e Lopes.
Primeiro, acabou com o Protocolo que previa o acolhimento de doentes necessitados de cuidados hospitalares, mas não permanentes, pelos hospitais de cuidados continuados das Misericórdias, cabendo ao MS pagar um valor por cada doente à instituição acolhedora. A notícia diz que as camas contratualizadas teriam sido negociadas, sendo pagas a 50%, mesmo não estando ocupadas, o que personificava uma situação de enriquecimento que o ministro da Saúde considerou "intolerável". O citado Protocolo foi negociado
em Maio do ano passado entre a UMP e o MS, mas, apesar do seu início estar previsto para Julho de 2004, apenas começou no final do mesmo ano.
Segundo, decidiu suspender a construção do Centro Materno Infantil do Norte (CMIN) no Hospital de S. João, no Porto, e considerou que o Ministério que tutela está a ser lesado de forma "indigna" com o processo. O acordo com a Câmara do Porto previa a construção de um bairro social na cidade, financiado pelo MS a 60%. Ao que consta, o Ministério teria sido lesado neste processo em mais de 10 milhões de euros.
Apetece agora perguntar aos ideólogos (e executivos) da Direita se isto tem alguma coisa a ver com o tal conceito de "menos Estado".
Parabéns então António, que estás no bom caminho; também concordo contigo quando dizes que a vocação do Ministério da Saúde não é propriamente financiar a Câmara do Porto…
25 abril 2005

31 ANOS DEPOIS!</b>
Já lá vão 31 anos. Muitos anos passados sobre a libertação, muitos anos de luta por uma sociedade melhor. Que deveríamos ter, mas não temos ainda. Temos um País mais moderno, mais soft, mais na crista da onda, mais telemóveis, mais auto-estradas, mas centros comerciais, mais canais de televisão, mais uma data de coisas que (nem) toda a gente conhece. Mas, apesar de tudo, temos o País mais atrasado da Europa, mais pobre, mais pobres, mais fome, mais endividado, mais mal-educado, mais caro, mais iletrado, mais mortos nas estradas.
Vá lá saber-se porquê! O certo é que os 50 anos de fascismo, cavados numa memoria colectiva comum, falam por vezes ainda mais forte que a liberdade e a cidadania conquistadas a ferros na manhã de 25 de Abril de 74. Há ainda resquícios de fascismo, de fascismos individuais e colectivos agarrados a conceitos, a preconceitos que por vezes falam mais forte que o sentimento a vontade de mudança. Respiramos liberdade, bebemos democracia, ao mesmo tempo que enjeitamos a diferença. Às diferenças, não somos tolerantes quando é preciso e somos transigentes quando não o deveríamos ser. Parece que nos falta o tal golpe de asa, a radicalidade capaz de rejeitar o que não presta e partir para a construção dos edifícios, das arquitecturas novas, que não se compadecem com o velho edifício a cair que já não pode contemplar qualquer recuperação.
De qualquer forma, é bom o ar livre da liberdade, ou como diria Miguel Torga :
"Ar livre, que não respiro!
Ou são pela asfixia?
Miséria de cobardia
Que não arromba a janela
Da sala onde a fantasia
Estiola e fica amarela!
Ar livre, sem restrições!
Ou há pulmões,
Ou não há!
Fechem as outras riquezas,
Mas tenham fartas as mesas
Do ar que a vida nos dá!"
Ao respirá-lo, é bom que tenhamos em linha de conta que o olhar em frente, o olhar para o futuro, não se pode fazer sem pensar o que esteve para trás. Há quem saiba bem fundo o que foi a noite fascista, com bem fala o Sérgio Godinho :
"Vivemos tantos anos a falar pela calada
só se pode querer tudo quando não se teve nada
só quer a vida cheia quem teve a vida parada
só quer a vida cheia quem teve a vida parada"
Nestes 31 anos é bom estar atento e recusar os conservadorismos formalistas que levam a que o País demore anos a recuperar: os atrasos da justiça, os atrasos na formação dos governos, os atrasados mentais que ainda temos à frente dalgumas administrações, os pobres de espírito que entravam todos os processos de desenvolvimento dentro das suas coutadas pessoais de que alguém com bom senso terão qualquer dia terá de correr a pontapé.
Ainda é tempo: Ruy Belo diz que:
"O PORTUGAL futuro é um país
Aonde o puro pássaro é possível..."
Haverá aí alguém que o possa impedir de voar???
08 abril 2005
MAIS PAPISTAS QUE O PAPA…
Com todo o respeito. Com todo o recato devido pela morte. Com toda a consideração da parte de quem não é católico. Mas realmente todo este espectáculo mediático montado à volta da igreja de Roma e da morte do Papa é demais. Não dá para entender porque motivo o circo publicitário montado anula tudo o que é noticia. Cá pelo burgo e também lá fora. Já se esqueceram que estão novamente a ser julgadas mulheres em Setúbal pelo crime de decidirem que não queriam ter um filho. Nem se fala do novo governo. Parece que caiu no esquecimento o pronunciamento de mais de 200 pessoas no caso "apito dourado". O Benfica leva 6 pontos de avanço, está quase (digo eu!) a ser campeão e ninguém liga nada. Ficamos no entanto a saber o que é o conclave, o que é um cardeal camerlengo (mesmo sem ler o Dan Brown…). Estamos atentos à corrida de apostas sobre o novo Papa (é verdade, eu ouvi…) e ainda que o nosso Presidente aposta num Papa português. Estamos na crista da onda, em cima do acontecimento. A TSF, a minha rádio de referência parece a Renascença: ele é entrevista, ele são programas especiais, ele são fóruns seguidos sobre o mesmo tema (eu já contei 3 em outros tantos dias), mais as opiniões de padres e cardeais, sem esquecer a publicidade barata sobre esse fenómeno horrendo e vergonhoso que é Fátima. Estado laico? Nem por isso. Se calhar aquele deputado do CDS é que tinha razão, quanto à religião oficial do estado (lembram-se?). Porque o que conta, por estes dias, não é o que está estabelecido, mas sim o que está na moda, o que é realmente notícia, o que vende na "abençoada" comunicação social.
Ficam de fora os milhões no mundo que morrem com sida; atenção que o uso do preservativo é pecado mortal! O orçamento do Vaticano era capaz de dar para cobrir a divida do 3º Mundo. Mas isso existe na realidade? Não será muito mais prático não falar das coisas que incomodam? Não vende, portanto não se fala. A hierarquia da igreja de Roma agradece. Mais papistas que o próprio Papa os apoiantes e instigadores deste circo dão de barato a imagem de pessoas preocupadas com a "paz", com a "igualdade", com os "desfavorecidos". Deus lhes perdoe!
Entretanto, a vida continua. Apetecia agora dizer que realmente há vida, para além da morte do Papa. Com todo o respeito.
Com todo o respeito. Com todo o recato devido pela morte. Com toda a consideração da parte de quem não é católico. Mas realmente todo este espectáculo mediático montado à volta da igreja de Roma e da morte do Papa é demais. Não dá para entender porque motivo o circo publicitário montado anula tudo o que é noticia. Cá pelo burgo e também lá fora. Já se esqueceram que estão novamente a ser julgadas mulheres em Setúbal pelo crime de decidirem que não queriam ter um filho. Nem se fala do novo governo. Parece que caiu no esquecimento o pronunciamento de mais de 200 pessoas no caso "apito dourado". O Benfica leva 6 pontos de avanço, está quase (digo eu!) a ser campeão e ninguém liga nada. Ficamos no entanto a saber o que é o conclave, o que é um cardeal camerlengo (mesmo sem ler o Dan Brown…). Estamos atentos à corrida de apostas sobre o novo Papa (é verdade, eu ouvi…) e ainda que o nosso Presidente aposta num Papa português. Estamos na crista da onda, em cima do acontecimento. A TSF, a minha rádio de referência parece a Renascença: ele é entrevista, ele são programas especiais, ele são fóruns seguidos sobre o mesmo tema (eu já contei 3 em outros tantos dias), mais as opiniões de padres e cardeais, sem esquecer a publicidade barata sobre esse fenómeno horrendo e vergonhoso que é Fátima. Estado laico? Nem por isso. Se calhar aquele deputado do CDS é que tinha razão, quanto à religião oficial do estado (lembram-se?). Porque o que conta, por estes dias, não é o que está estabelecido, mas sim o que está na moda, o que é realmente notícia, o que vende na "abençoada" comunicação social.
Ficam de fora os milhões no mundo que morrem com sida; atenção que o uso do preservativo é pecado mortal! O orçamento do Vaticano era capaz de dar para cobrir a divida do 3º Mundo. Mas isso existe na realidade? Não será muito mais prático não falar das coisas que incomodam? Não vende, portanto não se fala. A hierarquia da igreja de Roma agradece. Mais papistas que o próprio Papa os apoiantes e instigadores deste circo dão de barato a imagem de pessoas preocupadas com a "paz", com a "igualdade", com os "desfavorecidos". Deus lhes perdoe!
Entretanto, a vida continua. Apetecia agora dizer que realmente há vida, para além da morte do Papa. Com todo o respeito.
30 março 2005
A ALFINETADA
O Partido Socialista decidiu (e bem) concorrer em coligação com o PCP e o BE nas eleições às autárquicas, nomeadamente nas câmaras de Lisboa e Porto. A notícia é dada por Jorge Coelho na noite de hoje. Parte-se do princípio (correctíssimo) de que existe realmente uma sincera vontade de muitos eleitores em dar a uma coligação de esquerda a hipótese de liderar as 2 maiores câmaras do País. Tudo como se previa alias, após alguma discussão pública do tema. Mas Jorge Coelho tinha que dar a alfinetada do costume. Que, diz ele, o PS tem votos suficientes para ganhar as eleições nas 2 cidades, que tem o seu projecto, etc, etc…
Ora bem, mais uma vez Jorge Coelho perde uma óptima oportunidade para estar calado. Então se o PS tem os votos suficientes para ganhar, para que faz coligações? Se tem o seu projecto e acredita nele, porque não vai sozinho? O quer Coelho dizer com isto? Acho que não fica bem dizer as 2 coisas ao mesmo tempo; não será?
Sabemos que não é fácil fazer uma coligação de 3 partidos. É preciso fazer cedências, ter algum cuidado com as sensibilidades próprias de cada força politica, ajustar vontades, acertar ideias base. Mas é aí que reside a força da democracia. E no fundo corresponder á vontade de uma imensa maioria de portugueses que demonstraram nas últimas eleições a confiança a num verdadeiro projecto de esquerda para este País.
Ficava bem ao Jorge um certo recato, uma certa modéstia; mas não, preferiu a alfinetada; precisamente àqueles com quem se propõe coligar. Sinceramente, não havia necessidade…
O Partido Socialista decidiu (e bem) concorrer em coligação com o PCP e o BE nas eleições às autárquicas, nomeadamente nas câmaras de Lisboa e Porto. A notícia é dada por Jorge Coelho na noite de hoje. Parte-se do princípio (correctíssimo) de que existe realmente uma sincera vontade de muitos eleitores em dar a uma coligação de esquerda a hipótese de liderar as 2 maiores câmaras do País. Tudo como se previa alias, após alguma discussão pública do tema. Mas Jorge Coelho tinha que dar a alfinetada do costume. Que, diz ele, o PS tem votos suficientes para ganhar as eleições nas 2 cidades, que tem o seu projecto, etc, etc…
Ora bem, mais uma vez Jorge Coelho perde uma óptima oportunidade para estar calado. Então se o PS tem os votos suficientes para ganhar, para que faz coligações? Se tem o seu projecto e acredita nele, porque não vai sozinho? O quer Coelho dizer com isto? Acho que não fica bem dizer as 2 coisas ao mesmo tempo; não será?
Sabemos que não é fácil fazer uma coligação de 3 partidos. É preciso fazer cedências, ter algum cuidado com as sensibilidades próprias de cada força politica, ajustar vontades, acertar ideias base. Mas é aí que reside a força da democracia. E no fundo corresponder á vontade de uma imensa maioria de portugueses que demonstraram nas últimas eleições a confiança a num verdadeiro projecto de esquerda para este País.
Ficava bem ao Jorge um certo recato, uma certa modéstia; mas não, preferiu a alfinetada; precisamente àqueles com quem se propõe coligar. Sinceramente, não havia necessidade…
29 março 2005
MARKETING SANTO
As recentes notícias sobre o estado de saúde de Karol Woitila são um verdadeiro golpe publicitário barato. Como se pode admitir que se faça da vida de um homem doente e, quem sabe em estado terminal, um festival de "fala-não-fala, aparece-não-aparece, dá-não-dá a bênção e outros que tais? A hierarquia da igreja católica é um constante exemplo de práticas persecutórias de mau gosto, instigadas por uns tantos fundamentalistas espalhados um pouco por todo o lado e interessados em manter um status dificilmente justificável. Acho graça em ouvir as opiniões dos chamados católicos não-praticantes, uma espécie que abunda por aí e que não é senão coisa nenhuma, mas que alimenta as estatísticas da uma igreja perfeitamente decrépita e sem credibilidade. O homem devia merecer mais respeito por parte daqueles que (supostamente) o veneram (seja lá o que isso possa significar). A pompa e circunstância do Estado mais rico do mundo já não consegue disfarçar a podridão imensa que atola os seus mais altos signatários. O poderoso Estado do Vaticano, sempre com as mãos sujas de influências, alimentando e alimentado pelos opus-deis de toda a parte, já não tem lições (será que alguma vez teve?) para dar a ninguém, tirando os seus mais dilectos parceiros…
Os analistas de assuntos da igreja, feitos abutres, alimentam diariamente nas rádios e na restante comunicação social um autentico totoloto da fé, uma lotaria de duvidosa religiosidade, sem qualquer respeito pela vida de uma pessoa, que admito se esforçou por ser protagonista activo na ultima década.
Nem tudo devia valer nestas alturas. Alguém acredita (questão de fé) que Karol Woitila esteja ainda na posse das suas faculdades mentais (para não dizer simplesmente físicas)? Francamente, não havia necessidade… Já não há respeito por nada, nem sequer pelo recato de quem sofre…
As recentes notícias sobre o estado de saúde de Karol Woitila são um verdadeiro golpe publicitário barato. Como se pode admitir que se faça da vida de um homem doente e, quem sabe em estado terminal, um festival de "fala-não-fala, aparece-não-aparece, dá-não-dá a bênção e outros que tais? A hierarquia da igreja católica é um constante exemplo de práticas persecutórias de mau gosto, instigadas por uns tantos fundamentalistas espalhados um pouco por todo o lado e interessados em manter um status dificilmente justificável. Acho graça em ouvir as opiniões dos chamados católicos não-praticantes, uma espécie que abunda por aí e que não é senão coisa nenhuma, mas que alimenta as estatísticas da uma igreja perfeitamente decrépita e sem credibilidade. O homem devia merecer mais respeito por parte daqueles que (supostamente) o veneram (seja lá o que isso possa significar). A pompa e circunstância do Estado mais rico do mundo já não consegue disfarçar a podridão imensa que atola os seus mais altos signatários. O poderoso Estado do Vaticano, sempre com as mãos sujas de influências, alimentando e alimentado pelos opus-deis de toda a parte, já não tem lições (será que alguma vez teve?) para dar a ninguém, tirando os seus mais dilectos parceiros…
Os analistas de assuntos da igreja, feitos abutres, alimentam diariamente nas rádios e na restante comunicação social um autentico totoloto da fé, uma lotaria de duvidosa religiosidade, sem qualquer respeito pela vida de uma pessoa, que admito se esforçou por ser protagonista activo na ultima década.
Nem tudo devia valer nestas alturas. Alguém acredita (questão de fé) que Karol Woitila esteja ainda na posse das suas faculdades mentais (para não dizer simplesmente físicas)? Francamente, não havia necessidade… Já não há respeito por nada, nem sequer pelo recato de quem sofre…
11 março 2005

A ROLHA SEM GOSTO…
Ainda há poucos dias me confessava, num jantar de amigos, que vale a pena lutar pela defesa da qualidade. Isto a propósito de várias coisas, conversas quer se têm, sobre isto, sobre aquilo, toda a gente se queixa do mesmo, da indiferença, da mediocridade, do deixa-andar bem à portuguesa. O que se faz de bom não tem valor, o que chama a atenção do país é o pequeno escândalo, a notícia chocante, a boca mandada á socapa.
Quisera estar com ela no EuroParque, mas outros ventos me levaram para outras paragens nesse dia. No dia em que Alzira e o seu Centro Tecnológico da Cortiça deram a conhecer a invenção da rolha sem gosto: 2 anos de investigação, com os "recursos da casa", como atesta a notícia do Publico de 10 de Março. Investigação fundamental para Portugal, dada a possibilidade de consolidação da cortiça num mercado difícil e com grandes ameaças, nomeadamente as dos concorrentes sintéticos.
Para se provar que há País para além da mediania comum, lamentada no dia a dia. Para além do défice, para além das tricas das celebridades com ou sem quintas. Que a aposta na qualidade e na qualificação dos recursos humanos é o caminho a seguir para a verdadeira sociedade do conhecimento.
Sei das dificuldades que neste País existem para se trilhar um caminho diferente, com um discurso diferente. E a diferença estará somente na atitude em relação ao que nos rodeia. Uma atitude positiva, pela mudança e pela transformação. Porque vale a pena, porque simplesmente faz parte da vida e da luta que travamos por uma sociedade melhor.
Para a Alzira, uma palavra de carinho, com o gosto de uma rolha que bem ficaria na boca de muitos que neste País falam, sem terem nada para dizer aos outros…
Ainda há poucos dias me confessava, num jantar de amigos, que vale a pena lutar pela defesa da qualidade. Isto a propósito de várias coisas, conversas quer se têm, sobre isto, sobre aquilo, toda a gente se queixa do mesmo, da indiferença, da mediocridade, do deixa-andar bem à portuguesa. O que se faz de bom não tem valor, o que chama a atenção do país é o pequeno escândalo, a notícia chocante, a boca mandada á socapa.
Quisera estar com ela no EuroParque, mas outros ventos me levaram para outras paragens nesse dia. No dia em que Alzira e o seu Centro Tecnológico da Cortiça deram a conhecer a invenção da rolha sem gosto: 2 anos de investigação, com os "recursos da casa", como atesta a notícia do Publico de 10 de Março. Investigação fundamental para Portugal, dada a possibilidade de consolidação da cortiça num mercado difícil e com grandes ameaças, nomeadamente as dos concorrentes sintéticos.
Para se provar que há País para além da mediania comum, lamentada no dia a dia. Para além do défice, para além das tricas das celebridades com ou sem quintas. Que a aposta na qualidade e na qualificação dos recursos humanos é o caminho a seguir para a verdadeira sociedade do conhecimento.
Sei das dificuldades que neste País existem para se trilhar um caminho diferente, com um discurso diferente. E a diferença estará somente na atitude em relação ao que nos rodeia. Uma atitude positiva, pela mudança e pela transformação. Porque vale a pena, porque simplesmente faz parte da vida e da luta que travamos por uma sociedade melhor.
Para a Alzira, uma palavra de carinho, com o gosto de uma rolha que bem ficaria na boca de muitos que neste País falam, sem terem nada para dizer aos outros…
09 março 2005
A PALAVRA QUE FOGE…
Por vezes há certos tiques que são fatais. Expressões verbais que caem mal a quem ouve, mas que ficam muito pior a quem as profere. Em tempos de acalmia politica, em tempos de expectativa mais que justificada, as coisas apresentam-se sempre sob um manto diáfano, que nem os próprios intervenientes directos convêm macular. Os sintomas manifestam-se normalmente quando um dado personagem é instigado, sempre pela atenta comunicação social e não consegue disfarçar aquele sentimento de quem foi justamente promovido à elite da causa pública. Então, como que pautado pelo desígnio de quem tem entre mãos a responsabilidade de chefiar uma putativa mudança (mesmo que tal não passe de …), atira para o ar aquelas frases que nada dizem, mas que ficam bem na conjuntura; pois "estaremos atentos aos novos sinais…", "sabemos o que o País espera de nós…", "naturalmente é ainda muito cedo para …". Outros não conseguem disfarçar a "promoção" e fazem aquilo que em ciência politica é considerado desajustado ao momento. Não conseguindo dominar impulsos naturalmente mal dominados, os tiques, deixam escapar a incontida vontade, manifestando a surda escapadela para o óbvio. Mas, como bem dizia Stendhal, "a palavra foi dada ao homem para esconder o seu pensamento"; na gíria, há realmente coisas que não se devem dizer.
Por isso, o recém-nomeado Ministro das Finanças esteve mal, ao declarar o propalado aumento de impostos, como acto natural, ainda que não no imediato. Contra tudo o que disse na campanha quem o nomeou. Tradicionalmente no nosso País, o cargo da liderança das Finanças é visto (e na realidade o é) como um super ministério, acima (?) dos outros. Todos os colegas lhe devem a natural vassalagem, pois será ele quem determina as verbas para cada um, os cortes, sei lá que mais. Os casos dos notáveis do passado, que passaram pelo lugar, a começar pelo inevitável homem de Santa Comba, deixaram uma marca que ainda hoje se mantém. Não só uma marca, como ainda uma estrutura de médio século de burocratas, uma tradição de favor e de comprometimento com os que não cumprem e de justiça de talião para as pequenas escapadelas.
Haverá finalmente quem tenha coragem de mudar isto???
O RETRATO
O episódio do retrato que deixa a sede do Caldas e vai (vai mesmo?) para a sede do Rato não é mais que uma manobra de diversão. Independentemente da justiça relativa do acto. A política é feita de factos e este é mais um de quem já não tem mais nada para dar aos cidadãos. Há os que afirmam "não posso conformar-me com o facto de o partido ser um partido de 7 vírgula tal por cento…", Nobre Guedes à TSF na grande entrevista de Margarida Marante, sábado passado. Há ainda quem diga "Paulo Portas tem muito a dar ao partido…", Telmo Correia também à TSF na semana passada.
Mas eles não têm nada, mas mesmo nada para dar ao País. E ainda bem, porque o País não precisa mesmo nada deles, nem da demagogia, nem do populismo parolo que os caracteriza. Ficam muito bem na prateleira e diga-se de passagem que lá ficariam se não fora alguém lhes ter dado a mão para chegar onde chegaram.
Este o verdadeiro retrato de uma direita envergonhada, bacoca e sem arte para fazer melhor. Deste retrato já não podem fugir e não pode ser mandado para uma outra qualquer sede…
Por vezes há certos tiques que são fatais. Expressões verbais que caem mal a quem ouve, mas que ficam muito pior a quem as profere. Em tempos de acalmia politica, em tempos de expectativa mais que justificada, as coisas apresentam-se sempre sob um manto diáfano, que nem os próprios intervenientes directos convêm macular. Os sintomas manifestam-se normalmente quando um dado personagem é instigado, sempre pela atenta comunicação social e não consegue disfarçar aquele sentimento de quem foi justamente promovido à elite da causa pública. Então, como que pautado pelo desígnio de quem tem entre mãos a responsabilidade de chefiar uma putativa mudança (mesmo que tal não passe de …), atira para o ar aquelas frases que nada dizem, mas que ficam bem na conjuntura; pois "estaremos atentos aos novos sinais…", "sabemos o que o País espera de nós…", "naturalmente é ainda muito cedo para …". Outros não conseguem disfarçar a "promoção" e fazem aquilo que em ciência politica é considerado desajustado ao momento. Não conseguindo dominar impulsos naturalmente mal dominados, os tiques, deixam escapar a incontida vontade, manifestando a surda escapadela para o óbvio. Mas, como bem dizia Stendhal, "a palavra foi dada ao homem para esconder o seu pensamento"; na gíria, há realmente coisas que não se devem dizer.
Por isso, o recém-nomeado Ministro das Finanças esteve mal, ao declarar o propalado aumento de impostos, como acto natural, ainda que não no imediato. Contra tudo o que disse na campanha quem o nomeou. Tradicionalmente no nosso País, o cargo da liderança das Finanças é visto (e na realidade o é) como um super ministério, acima (?) dos outros. Todos os colegas lhe devem a natural vassalagem, pois será ele quem determina as verbas para cada um, os cortes, sei lá que mais. Os casos dos notáveis do passado, que passaram pelo lugar, a começar pelo inevitável homem de Santa Comba, deixaram uma marca que ainda hoje se mantém. Não só uma marca, como ainda uma estrutura de médio século de burocratas, uma tradição de favor e de comprometimento com os que não cumprem e de justiça de talião para as pequenas escapadelas.
Haverá finalmente quem tenha coragem de mudar isto???
O RETRATO
O episódio do retrato que deixa a sede do Caldas e vai (vai mesmo?) para a sede do Rato não é mais que uma manobra de diversão. Independentemente da justiça relativa do acto. A política é feita de factos e este é mais um de quem já não tem mais nada para dar aos cidadãos. Há os que afirmam "não posso conformar-me com o facto de o partido ser um partido de 7 vírgula tal por cento…", Nobre Guedes à TSF na grande entrevista de Margarida Marante, sábado passado. Há ainda quem diga "Paulo Portas tem muito a dar ao partido…", Telmo Correia também à TSF na semana passada.
Mas eles não têm nada, mas mesmo nada para dar ao País. E ainda bem, porque o País não precisa mesmo nada deles, nem da demagogia, nem do populismo parolo que os caracteriza. Ficam muito bem na prateleira e diga-se de passagem que lá ficariam se não fora alguém lhes ter dado a mão para chegar onde chegaram.
Este o verdadeiro retrato de uma direita envergonhada, bacoca e sem arte para fazer melhor. Deste retrato já não podem fugir e não pode ser mandado para uma outra qualquer sede…
08 março 2005

"Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.
Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.
Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.
Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento</font>."
Pablo Neruda
04 março 2005
O PADRE INQUISIDOR...
Para quem tivesse dúvidas sobre a verdadeira natureza de alguns "sentimentos" das pessoas ligadas aos sectores mais conservadores, aqui está um documento em que, para além de uma hipocrisia levada ao extremo, mostra a verdadeira face dos defensores do chamado "direito à vida". Jornal PUBLICO de 2 de Março, publicidade paga:

Provavelmente, já muita gente o terá visto. Mas nunca é demais alertar para a "oportunidade" de lançamento deste panfleto; numa altura em que (finalmente!) a esquerda dispõe de uma maioria confortável na Assembleia e no País, eis que os arautos da intolerância e do reino das trevas se levantam, numa tentativa desesperada de contrariar aquilo que se avizinha, ou seja, o fim da perseguição às mulheres e à sua dignidade. Para que deixemos de ser o único País da UE a ter uma das leis mais repressivas sobre o aborto.
Para mim, este homem não está só! Atrás dele estará porventura a clique reaccionária do costume; já os conhecemos, já sabemos o que eles pensam. Para eles, ainda deveriam existir as fogueiras da Inquisição, ou os campos de concentração, para punir os crimes que eles próprios "decretam"…

Provavelmente, já muita gente o terá visto. Mas nunca é demais alertar para a "oportunidade" de lançamento deste panfleto; numa altura em que (finalmente!) a esquerda dispõe de uma maioria confortável na Assembleia e no País, eis que os arautos da intolerância e do reino das trevas se levantam, numa tentativa desesperada de contrariar aquilo que se avizinha, ou seja, o fim da perseguição às mulheres e à sua dignidade. Para que deixemos de ser o único País da UE a ter uma das leis mais repressivas sobre o aborto.
Para mim, este homem não está só! Atrás dele estará porventura a clique reaccionária do costume; já os conhecemos, já sabemos o que eles pensam. Para eles, ainda deveriam existir as fogueiras da Inquisição, ou os campos de concentração, para punir os crimes que eles próprios "decretam"…
24 fevereiro 2005

A SEGUIR À FESTA, A ESPERANÇA….
Feito de Poesia, porque não? Temos ou não quem retrate a realidade de uma forma que os demais não o sabem fazer? E há coisas que não passam, por mais anos que passem… Por isso digo, pela voz dos que cantam a esperança, digo sim ao NOVO TEMPO no qual, como fala o Ivan Lins, "estamos atentos, estamos mais vivos, estamos em cena, estamos nas ruas, p´ra nos socorrer"; ou ainda, como diz o Alexandre O'Neill "Um espaço útil, um tempo fértil, Amigo vai ser, é já uma grande festa!"
1. A maré cheia:
"E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida"
"O primeiro dia", Sérgio Godinho, 1978
2. A graça:
"Com bandarilhas de esperança, afugentamos a fera
estamos na praça da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza, graça."
"Tourada", Ary dos Santos, 1972
3. A resposta:
"Eh! Companheiro resposta
resposta te quero dar
Portas assim foram feitas
p'ra se abrir de par em par"
"Eh! Companheiro", José Mário Branco, 1982
4. O porvir:
"Mas esse tempo que há-de vir
não se espera como a noite espera o dia
nasce da força de braços e pernas em harmonia
já basta tanta desgraça
que a gente tem no peito a cair
não é do povo nem da raça
mas do modo como vês o porvir"
"Atrás dos tempos", Fausto, 1996
5. O conselho:
"Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou p'ra rua e bebo a tempestade"
"Bom Conselho…", Chico Buarque, 1972
6. A (tal) esperança:
"Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança"
"Um Homem na Cidade", Ary dos Santos, 1976
Feito de Poesia, porque não? Temos ou não quem retrate a realidade de uma forma que os demais não o sabem fazer? E há coisas que não passam, por mais anos que passem… Por isso digo, pela voz dos que cantam a esperança, digo sim ao NOVO TEMPO no qual, como fala o Ivan Lins, "estamos atentos, estamos mais vivos, estamos em cena, estamos nas ruas, p´ra nos socorrer"; ou ainda, como diz o Alexandre O'Neill "Um espaço útil, um tempo fértil, Amigo vai ser, é já uma grande festa!"
1. A maré cheia:
"E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida"
"O primeiro dia", Sérgio Godinho, 1978
2. A graça:
"Com bandarilhas de esperança, afugentamos a fera
estamos na praça da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza, graça."
"Tourada", Ary dos Santos, 1972
3. A resposta:
"Eh! Companheiro resposta
resposta te quero dar
Portas assim foram feitas
p'ra se abrir de par em par"
"Eh! Companheiro", José Mário Branco, 1982
4. O porvir:
"Mas esse tempo que há-de vir
não se espera como a noite espera o dia
nasce da força de braços e pernas em harmonia
já basta tanta desgraça
que a gente tem no peito a cair
não é do povo nem da raça
mas do modo como vês o porvir"
"Atrás dos tempos", Fausto, 1996
5. O conselho:
"Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou p'ra rua e bebo a tempestade"
"Bom Conselho…", Chico Buarque, 1972
6. A (tal) esperança:
"Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança"
"Um Homem na Cidade", Ary dos Santos, 1976
23 fevereiro 2005
PARA A DEFINIÇÃO DE UMA POLITICA DE APOIO À CRIAÇÃO DE EMPRESAS – Parte I
1. O País é carenciado em empreendedores. Em criadores de empresas, pessoas que sejam capazes de apresentar uma ideia, um Projecto e que tenham a força e o espírito suficientes para transformarem o seu Projecto numa proposta de implementação de uma Empresa.
Para que seja possível contribuir para a criação de emprego, é necessário apoiar as pessoas para criarem a sua própria empresa. Será talvez um dos contributos mais importantes, nos tempos que correm. Jovens e mulheres são dois dos grupos a apoiar. Aqueles, porque simplesmente como jovens e portadores de conhecimentos recentes e capazes de aplicação directa e prática. Aquelas, porque ainda são no nosso país vitimas de uma discriminação passiva e encapotada, a quem normalmente se recorre em termos de bandeira politica, em momentos de crise.
O empreendedorismo pode ser associado por um lado, a uma necessidade básica de segurança e, por outro lado a um dever de cidadania, numa sociedade que já não valoriza o chamado emprego para toda a vida, antes pelo contrário, convida cada um a definir o seu próprio percurso. Para tal, há que definir um portefolio muito concreto de competências nas diversas áreas do conhecimento e prevenir o reconhecimento dessas mesmas competências.
Diversas experiências têm sido feitas em Portugal, tendentes a apoiar o empreendedorismo. Nos 5 últimos anos, são conhecidas algumas destas iniciativas, normalmente apoiadas pelo 3º Quadro Comunitários de Apoio, que se iniciou precisamente no ano 2000. Ao abrigo deste QCA e integrado no POEFDS – Programa Operacional de Emprego, Formação e Desenvolvimento Social, existem Eixos e Medidas concretas relacionadas com esta problemática. O Eixo 4, por exemplo, cujo objectivo é “apoio a um conjunto de actividades de suporte em áreas chave para os processos de formação e emprego, designadamente: Informação e Orientação Profissional, Colocação e Acompanhamento e desenvolvimento de recursos técnico-pedagógicos e de modelos e métodos formativos” ([1]),
Não são conhecidos no entanto dados e estudos suficientes que permitam atestar da real validade destas iniciativas. No entanto, no âmbito de chamado programa “Empreender” do IFEA ([2]), foram efectuados algumas aproximações ao que se pode designar de “estudos sobre o empreendedorismo”, fontes de informação essenciais na análise das condições de base para a criação de novos negócios e também de divulgação de casos de sucesso específicos.
Organizações como a CITE([3])e a CIDM([4]) têm desenvolvidos esforços no sentido de, por lado proteger algumas situações decorrentes de desigualdades evidenciadas e, por outro lado, de acautelar direitos das pessoas mais discriminadas, neste caso, as mulheres. O apoio implícito a acções de empreendedorismo significa para estas organizações um reconhecimento da necessidade desta via, para garantir estancar os níveis de desemprego que não param de subir.
Em relação aos públicos mais jovens, a ANJE ([5]) tem procurado, em colaboração com algumas Câmaras Municipais, a implementação de Centros Empresariais, de que se podem destacar, na Zona Norte, os chamados “Centros de Incubação”, na Maia, na Trofa, em Matosinhos e em Aveiro. Estes Centros funcionam como instrumentos de apoio e de encorajamento à formação de novas empresas, vocacionados para a incubação de empresas, projectadas por jovens que pretendam iniciar ou dar continuidade a uma actividade profissional e têm, no entender da Associação, como finalidade “incentivar os jovens empreendedores a criar a sua própria empresa, proporcionando-lhes as condições favoráveis para um crescimento sustentado e com maiores probabilidades de sucesso no início de actividade” ([6])
2. Num Seminário realizado a 21 de Fevereiro no Porto, promovido pela ANOP ([7]), em colaboração com o IEFP ([8]), destinado a promover Projectos de empreendedorismo para mulheres, jovens licenciadas e bacharéis de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Santa Maria da Feira, Vila Real e Paços de Ferreira, a senhora Danielle Desguees, directora geral da empresa Boutique de Gestion de Paris deu a conhecer alguns traços da realidade francesa a este nível. Afirmou então, existir um acordo (ou protocolo) entre a Banca e o Estado, que assegura crédito aos empreendedores por um período determinado e suficiente para garantir o arranque e a afirmação das empresas no mercado. Esse protocolo é válido para todo o País e agrega toas as instituições bancárias existentes em França. Para além dos benefícios constantes dos programas comunitários, esse protocolo consagra assim a possibilidade de sucesso de muitas empresas e subsequente garantia de postos de trabalho. Curiosamente (ou não), os Bancos convidados para essa sessão, não se fizeram representar…
3. Ora ai está pois aquele que pode ser um óptimo contributo para o grande objectivo do primeiro-ministro do futuro Governo da Republica, para a criação de 150 mil postos de trabalho. Na perspectiva de que devem ser as empresas a promover o emprego, a assinatura de um protocolo deste tipo, poderia significar um primeiro passo para a consecução daquele objectivo, no que se poderia definir como um contributo para o crescimento económico que se pretende urgente e necessário.
4. Todas as empresas cumprem grandes metas sociais. A existência no mercado de uma empresa só tem sentido se gerar lucro. Parte desse lucro deverá ser objecto de um imposto a pagar ao Estado. Esse imposto é um dever social da empresa. A Banca portuguesa, tão habituada a benefícios por parte do Estado, pagando taxas muito inferiores às das restantes empresas, situação só vista no chamado 3º mundo, teria com um protocolo deste tipo uma óptima oportunidade de cumprir uma grande meta social. O Estado, esse cumpriria também uma meta significativa ao impulsionar as condições concretas para que o empreendedorismo seja uma realidade efectiva no nosso País.
(continua)
([1]) Referenciado no EIXO 4 do POEFDS: PROMOVER A EFICÁCIA E A EQUIDADE DAS POLÍTICAS DE EMPREGO E FORMAÇÃO, in http://www.poefds.pt/Inicios/Programaini.html
([2]) Instituto de Formação Empresarial Aavnçada, é uma iniciativa do ISEG/UTL no Taguspark e tem como objectivo integrar formação, investigação e prestação de serviços, em áreas associadas ao desenvolvimento estratégico das empresas, in http://www.ifea.pt
([3]) Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, é uma entidade tripartida, criada em 1979, formada por representantes governamentais e dos parceiros sociais (Confederação do Comércio e Serviços de Portugal - CCP, Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional - CGTP-IN, Confederação da Indústria Portuguesa - CIP e União Geral dos Trabalhadores - UGT) , in http://www.cite.gov.p
([4]) Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, integrada na Presidência do Conselho de Ministros, é um dos mecanismos governamentais para proteger a igualdade de direitos e oportunidades., in http://www.cidm.pt/
([5]) Associação Nacional dos Jovens Empresários
([6])In:http://www.millenniumbcp.pt/site/conteudos/universitario/bu_guias/bu_guia_empresas/article.jhtml?articleID=134545
([7]) Associação Nacional de Oficinas de Projectos, é "Pessoa Colectiva de Direito Privado sem Fins Lucrativos" formada por associações empresariais, de desenvolvimento, de ligação universidade-empresa, escolas profissionais, uma fundação e por especialistas e técnicos com comprovada experiência de trabalho no âmbito da educação e formação de adultos, nomeadamente na implementação e desenvolvimento do modelo "Oficina de Projectos", in http://www.anop.com.pt/anop_apresent.htm
([8]) Instituto de Emprego e Formação Profissional
1. O País é carenciado em empreendedores. Em criadores de empresas, pessoas que sejam capazes de apresentar uma ideia, um Projecto e que tenham a força e o espírito suficientes para transformarem o seu Projecto numa proposta de implementação de uma Empresa.
Para que seja possível contribuir para a criação de emprego, é necessário apoiar as pessoas para criarem a sua própria empresa. Será talvez um dos contributos mais importantes, nos tempos que correm. Jovens e mulheres são dois dos grupos a apoiar. Aqueles, porque simplesmente como jovens e portadores de conhecimentos recentes e capazes de aplicação directa e prática. Aquelas, porque ainda são no nosso país vitimas de uma discriminação passiva e encapotada, a quem normalmente se recorre em termos de bandeira politica, em momentos de crise.
O empreendedorismo pode ser associado por um lado, a uma necessidade básica de segurança e, por outro lado a um dever de cidadania, numa sociedade que já não valoriza o chamado emprego para toda a vida, antes pelo contrário, convida cada um a definir o seu próprio percurso. Para tal, há que definir um portefolio muito concreto de competências nas diversas áreas do conhecimento e prevenir o reconhecimento dessas mesmas competências.
Diversas experiências têm sido feitas em Portugal, tendentes a apoiar o empreendedorismo. Nos 5 últimos anos, são conhecidas algumas destas iniciativas, normalmente apoiadas pelo 3º Quadro Comunitários de Apoio, que se iniciou precisamente no ano 2000. Ao abrigo deste QCA e integrado no POEFDS – Programa Operacional de Emprego, Formação e Desenvolvimento Social, existem Eixos e Medidas concretas relacionadas com esta problemática. O Eixo 4, por exemplo, cujo objectivo é “apoio a um conjunto de actividades de suporte em áreas chave para os processos de formação e emprego, designadamente: Informação e Orientação Profissional, Colocação e Acompanhamento e desenvolvimento de recursos técnico-pedagógicos e de modelos e métodos formativos” ([1]),
Não são conhecidos no entanto dados e estudos suficientes que permitam atestar da real validade destas iniciativas. No entanto, no âmbito de chamado programa “Empreender” do IFEA ([2]), foram efectuados algumas aproximações ao que se pode designar de “estudos sobre o empreendedorismo”, fontes de informação essenciais na análise das condições de base para a criação de novos negócios e também de divulgação de casos de sucesso específicos.
Organizações como a CITE([3])e a CIDM([4]) têm desenvolvidos esforços no sentido de, por lado proteger algumas situações decorrentes de desigualdades evidenciadas e, por outro lado, de acautelar direitos das pessoas mais discriminadas, neste caso, as mulheres. O apoio implícito a acções de empreendedorismo significa para estas organizações um reconhecimento da necessidade desta via, para garantir estancar os níveis de desemprego que não param de subir.
Em relação aos públicos mais jovens, a ANJE ([5]) tem procurado, em colaboração com algumas Câmaras Municipais, a implementação de Centros Empresariais, de que se podem destacar, na Zona Norte, os chamados “Centros de Incubação”, na Maia, na Trofa, em Matosinhos e em Aveiro. Estes Centros funcionam como instrumentos de apoio e de encorajamento à formação de novas empresas, vocacionados para a incubação de empresas, projectadas por jovens que pretendam iniciar ou dar continuidade a uma actividade profissional e têm, no entender da Associação, como finalidade “incentivar os jovens empreendedores a criar a sua própria empresa, proporcionando-lhes as condições favoráveis para um crescimento sustentado e com maiores probabilidades de sucesso no início de actividade” ([6])
2. Num Seminário realizado a 21 de Fevereiro no Porto, promovido pela ANOP ([7]), em colaboração com o IEFP ([8]), destinado a promover Projectos de empreendedorismo para mulheres, jovens licenciadas e bacharéis de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Santa Maria da Feira, Vila Real e Paços de Ferreira, a senhora Danielle Desguees, directora geral da empresa Boutique de Gestion de Paris deu a conhecer alguns traços da realidade francesa a este nível. Afirmou então, existir um acordo (ou protocolo) entre a Banca e o Estado, que assegura crédito aos empreendedores por um período determinado e suficiente para garantir o arranque e a afirmação das empresas no mercado. Esse protocolo é válido para todo o País e agrega toas as instituições bancárias existentes em França. Para além dos benefícios constantes dos programas comunitários, esse protocolo consagra assim a possibilidade de sucesso de muitas empresas e subsequente garantia de postos de trabalho. Curiosamente (ou não), os Bancos convidados para essa sessão, não se fizeram representar…
3. Ora ai está pois aquele que pode ser um óptimo contributo para o grande objectivo do primeiro-ministro do futuro Governo da Republica, para a criação de 150 mil postos de trabalho. Na perspectiva de que devem ser as empresas a promover o emprego, a assinatura de um protocolo deste tipo, poderia significar um primeiro passo para a consecução daquele objectivo, no que se poderia definir como um contributo para o crescimento económico que se pretende urgente e necessário.
4. Todas as empresas cumprem grandes metas sociais. A existência no mercado de uma empresa só tem sentido se gerar lucro. Parte desse lucro deverá ser objecto de um imposto a pagar ao Estado. Esse imposto é um dever social da empresa. A Banca portuguesa, tão habituada a benefícios por parte do Estado, pagando taxas muito inferiores às das restantes empresas, situação só vista no chamado 3º mundo, teria com um protocolo deste tipo uma óptima oportunidade de cumprir uma grande meta social. O Estado, esse cumpriria também uma meta significativa ao impulsionar as condições concretas para que o empreendedorismo seja uma realidade efectiva no nosso País.
(continua)
([1]) Referenciado no EIXO 4 do POEFDS: PROMOVER A EFICÁCIA E A EQUIDADE DAS POLÍTICAS DE EMPREGO E FORMAÇÃO, in http://www.poefds.pt/Inicios/Programaini.html
([2]) Instituto de Formação Empresarial Aavnçada, é uma iniciativa do ISEG/UTL no Taguspark e tem como objectivo integrar formação, investigação e prestação de serviços, em áreas associadas ao desenvolvimento estratégico das empresas, in http://www.ifea.pt
([3]) Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, é uma entidade tripartida, criada em 1979, formada por representantes governamentais e dos parceiros sociais (Confederação do Comércio e Serviços de Portugal - CCP, Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional - CGTP-IN, Confederação da Indústria Portuguesa - CIP e União Geral dos Trabalhadores - UGT) , in http://www.cite.gov.p
([4]) Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, integrada na Presidência do Conselho de Ministros, é um dos mecanismos governamentais para proteger a igualdade de direitos e oportunidades., in http://www.cidm.pt/
([5]) Associação Nacional dos Jovens Empresários
([6])In:http://www.millenniumbcp.pt/site/conteudos/universitario/bu_guias/bu_guia_empresas/article.jhtml?articleID=134545
([7]) Associação Nacional de Oficinas de Projectos, é "Pessoa Colectiva de Direito Privado sem Fins Lucrativos" formada por associações empresariais, de desenvolvimento, de ligação universidade-empresa, escolas profissionais, uma fundação e por especialistas e técnicos com comprovada experiência de trabalho no âmbito da educação e formação de adultos, nomeadamente na implementação e desenvolvimento do modelo "Oficina de Projectos", in http://www.anop.com.pt/anop_apresent.htm
([8]) Instituto de Emprego e Formação Profissional
18 fevereiro 2005
VAMOS VOTAR NA ESQUERDA!
Para quem tem tido a paciência de ler os meus apelos, nesta última semana de campanha, deve ter notado a insistência em alguns pontos fundamentais, que se prendem sobretudo com uma questão de cidadania. Estamos na recta final da campanha e continua a ser urgente a mobilização das pessoas para o voto no dia 20. De facto, de há uns tempos a esta parte, o interesse dos cidadãos pela política tem vindo a decrescer de forma assustadora. Para tal tem contribuído a prestação de certos políticos e não só. Também, diga-se de passagem, a circunstância da prática continuada de determinada políticas que, ao favorecerem sistematicamente os mais poderosos, determinam uma ideia colectiva de que não vale mesmo a pena fazer nada, porque tudo fica sistematicamente na mesma. Desde a integração na EU que o nosso País, tratado possivelmente como parente pobre da União, vê a situação piorar em quase todos os indicadores, sente o nível de vida a subir a ritmos incomportáveis, enquanto os salários não acompanham (antes pelo contrário!) essa subida e sabe que a pobreza é um dado indesmentível, impossível de disfarçar. Os níveis de satisfação das pessoas, tal como demonstram estudos recentes, são dos mais baixos da Europa e a adesão a pressupostos demagógicos e populistas torna-se assim mais fácil e natural. Daí a sistematicamente se ouvir afirmações que atestam a distanciação dos cidadãos à politica: "eles são todos iguais", " a politica não me interessa", "eles querem é o tacho", "o que era preciso era um Salazar…".
Hoje, mais do que nunca, é preciso inverter este estado de coisas. É preciso talvez reinventar outras políticas, ou então outra forma de fazer politica. A responsabilidade cabe, antes de mais, a cada um de nós. O nosso voto é mais que urgente. O que é verdade é que eles não são todos iguais; eles, políticos e eles partidos; isso só é verdade em termos de retórica barata e serve sempre os mesmos interesses: precisamente os interesses de quem está sempre bem, de quem não paga impostos ao estado, de quem é sistematicamente favorecido por politicas erradas, de quem se serve de favores e influências para subtrair à sociedade lucros e dividendos de duvidosa proveniência. Para os que vivem do seu salário e pagam os seus impostos, a vida está cada vez pior e a dita convergência com a Europa não passa de uma miragem…
É preciso num momento de grande responsabilidade como este, chamar pelos nomes os responsáveis pela situação a que se chegou. A vitória do PSD, nas últimas eleições, conduziu Durão Barroso à liderança com um governo absolutamente incapaz e incompetente. Passaram 2 anos a queixar-se do estado em que o País estava, sem nada propor ou fazer para melhorar as coisas. Coisas que entretanto foram piorando, de tal forma que se chegou ao ponto de o País ser confrontado com a imposição de Santana Lopes e a sua equipa, sem que qualquer oportunidade nos fosse dada para um pronunciamento mais que necessário. Foram quase 3 anos de politicas erradas, de afundamento constante a nível económico, de agravamento dos índices de desemprego, de perda de poder de compra, de insatisfação colectiva constante e crescente. E que dizer dos últimos meses de governação, de um ridículo como nunca se tinha visto em Portugal, com um primeiro-ministro (e outros ministros) a desdobrar-se em asneiras sucessivas e declarações patéticas?
Tudo isto, insisto, desde que foi dada a hipótese de entrada para o Governo de Paulo Portas e da sua comitiva. Muitos notáveis dentro do PSD avisaram dos perigos, para o partido e para o País, dessa situação. O que é certo é que foram eles que tomaram as rédeas da governação; muitos foram os comentadores que diziam que era Paulo Portas quem dava cartas, que eram os ministros do PP quem determinavam as politicas, as tais politicas a que atrás me referi. E são estes, Paulo Portas e a sua equipa que agora se apresentam como se não fosse nada com eles, descartando-se da responsabilidade e assumindo-se (pasme-se) como os campeões da luta pela evasão fiscal e da criação de emprego!
É contra eles, é de facto contra toda a direita, que vamos votar nestas eleições. Merecem ser responsabilizados, merecem todo o castigo! A situação para que conduziram o País é desastrosa. Mas não só os políticos! Também (é preciso dizê-lo sem tibiezas!) as politicas; e aí há muito mais gente responsável. Num momento como este, não devemos esquecer esse facto, aproveitando para lembrar a algumas dessas pessoas, o erro de enveredarem por politicas contrárias ao interesse da grande maioria da população: aquela que trabalha e vive do seu trabalho. Que lhes sirva de lição, pois então! Ao quererem merecer o voto popular, que grande responsabilidade estão a assumir!
É hora então de reunir os esforços individuais para que, de uma vez por todas, a direita fique em minoria no Parlamento. E é mesmo muito importante que o Paulo Portas engula de vez a sua fanfarronice e seja remetido à sua verdadeira dimensão: a de um pequeno partido, que já teve a sua oportunidade e já demonstrou as suas prioridades para o País: os submarinos, os contratos com as industrias de armamento, o alinhamento com as politicas de guerra, os ataques contra a dignidade das mulheres, …
É hora de a direita dar o seu lugar à esquerda, que na verdade sempre foi maioritária em Portugal, mas que nem sempre teve oportunidade de aplicar politicas consentâneas. Estamos confrontados com a emergência de entendimentos à esquerda e é importante que todas as forças de esquerda assumam essa responsabilidade.
Por isso, o reforço á esquerda é a principal palavra de ordem. Nada está ganho, entretanto; só os votos colocados nas urnas é que contam. Por isso, é preciso votar!
Então: NA CDU, VOTA TAMBÉM TU!
Faltam 2 dias (quase 1) para dia 20 de Fevereiro
Para quem tem tido a paciência de ler os meus apelos, nesta última semana de campanha, deve ter notado a insistência em alguns pontos fundamentais, que se prendem sobretudo com uma questão de cidadania. Estamos na recta final da campanha e continua a ser urgente a mobilização das pessoas para o voto no dia 20. De facto, de há uns tempos a esta parte, o interesse dos cidadãos pela política tem vindo a decrescer de forma assustadora. Para tal tem contribuído a prestação de certos políticos e não só. Também, diga-se de passagem, a circunstância da prática continuada de determinada políticas que, ao favorecerem sistematicamente os mais poderosos, determinam uma ideia colectiva de que não vale mesmo a pena fazer nada, porque tudo fica sistematicamente na mesma. Desde a integração na EU que o nosso País, tratado possivelmente como parente pobre da União, vê a situação piorar em quase todos os indicadores, sente o nível de vida a subir a ritmos incomportáveis, enquanto os salários não acompanham (antes pelo contrário!) essa subida e sabe que a pobreza é um dado indesmentível, impossível de disfarçar. Os níveis de satisfação das pessoas, tal como demonstram estudos recentes, são dos mais baixos da Europa e a adesão a pressupostos demagógicos e populistas torna-se assim mais fácil e natural. Daí a sistematicamente se ouvir afirmações que atestam a distanciação dos cidadãos à politica: "eles são todos iguais", " a politica não me interessa", "eles querem é o tacho", "o que era preciso era um Salazar…".
Hoje, mais do que nunca, é preciso inverter este estado de coisas. É preciso talvez reinventar outras políticas, ou então outra forma de fazer politica. A responsabilidade cabe, antes de mais, a cada um de nós. O nosso voto é mais que urgente. O que é verdade é que eles não são todos iguais; eles, políticos e eles partidos; isso só é verdade em termos de retórica barata e serve sempre os mesmos interesses: precisamente os interesses de quem está sempre bem, de quem não paga impostos ao estado, de quem é sistematicamente favorecido por politicas erradas, de quem se serve de favores e influências para subtrair à sociedade lucros e dividendos de duvidosa proveniência. Para os que vivem do seu salário e pagam os seus impostos, a vida está cada vez pior e a dita convergência com a Europa não passa de uma miragem…
É preciso num momento de grande responsabilidade como este, chamar pelos nomes os responsáveis pela situação a que se chegou. A vitória do PSD, nas últimas eleições, conduziu Durão Barroso à liderança com um governo absolutamente incapaz e incompetente. Passaram 2 anos a queixar-se do estado em que o País estava, sem nada propor ou fazer para melhorar as coisas. Coisas que entretanto foram piorando, de tal forma que se chegou ao ponto de o País ser confrontado com a imposição de Santana Lopes e a sua equipa, sem que qualquer oportunidade nos fosse dada para um pronunciamento mais que necessário. Foram quase 3 anos de politicas erradas, de afundamento constante a nível económico, de agravamento dos índices de desemprego, de perda de poder de compra, de insatisfação colectiva constante e crescente. E que dizer dos últimos meses de governação, de um ridículo como nunca se tinha visto em Portugal, com um primeiro-ministro (e outros ministros) a desdobrar-se em asneiras sucessivas e declarações patéticas?
Tudo isto, insisto, desde que foi dada a hipótese de entrada para o Governo de Paulo Portas e da sua comitiva. Muitos notáveis dentro do PSD avisaram dos perigos, para o partido e para o País, dessa situação. O que é certo é que foram eles que tomaram as rédeas da governação; muitos foram os comentadores que diziam que era Paulo Portas quem dava cartas, que eram os ministros do PP quem determinavam as politicas, as tais politicas a que atrás me referi. E são estes, Paulo Portas e a sua equipa que agora se apresentam como se não fosse nada com eles, descartando-se da responsabilidade e assumindo-se (pasme-se) como os campeões da luta pela evasão fiscal e da criação de emprego!
É contra eles, é de facto contra toda a direita, que vamos votar nestas eleições. Merecem ser responsabilizados, merecem todo o castigo! A situação para que conduziram o País é desastrosa. Mas não só os políticos! Também (é preciso dizê-lo sem tibiezas!) as politicas; e aí há muito mais gente responsável. Num momento como este, não devemos esquecer esse facto, aproveitando para lembrar a algumas dessas pessoas, o erro de enveredarem por politicas contrárias ao interesse da grande maioria da população: aquela que trabalha e vive do seu trabalho. Que lhes sirva de lição, pois então! Ao quererem merecer o voto popular, que grande responsabilidade estão a assumir!
É hora então de reunir os esforços individuais para que, de uma vez por todas, a direita fique em minoria no Parlamento. E é mesmo muito importante que o Paulo Portas engula de vez a sua fanfarronice e seja remetido à sua verdadeira dimensão: a de um pequeno partido, que já teve a sua oportunidade e já demonstrou as suas prioridades para o País: os submarinos, os contratos com as industrias de armamento, o alinhamento com as politicas de guerra, os ataques contra a dignidade das mulheres, …
É hora de a direita dar o seu lugar à esquerda, que na verdade sempre foi maioritária em Portugal, mas que nem sempre teve oportunidade de aplicar politicas consentâneas. Estamos confrontados com a emergência de entendimentos à esquerda e é importante que todas as forças de esquerda assumam essa responsabilidade.
Por isso, o reforço á esquerda é a principal palavra de ordem. Nada está ganho, entretanto; só os votos colocados nas urnas é que contam. Por isso, é preciso votar!
Então: NA CDU, VOTA TAMBÉM TU!
Faltam 2 dias (quase 1) para dia 20 de Fevereiro
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