rio torto

rio torto

13 junho 2006

QUEM PAGA???

Segundo o JN de hoje, referindo-se a treinadores presentes no Mundial "Scolari é o terceiro mais bem pago. Segundo um estudo publicado no jornal alemão "Welt am Sonntag", que tem por base dados recolhidos pela empresa de consultadoria BBDO, Felipão recebe 2,15 milhões de euros por ano (431 mil contos na moeda antiga). E diz ainda, que "... à frente do responsável pela equipa das quinas, só está, a curta distância, o italiano Marcello Lippi (2,2 milhões de euros)"

Perante estes números, que penso só podem causar a indignação geral, o brasileiro ganha neste País o equivalente a 36 mil contos por mês! Como se pode aceitar uma coisa destas? Quem paga isto? A que proposto ouvimos dezenas, centenas, milhares de vezes que Portugal está com dificuldades, que o dinheiro não chega para isto e para aquilo (coisas que bem sentimos na pele...) e há um treinador de futebol que saca aquela massa toda?

Quem é (são) o (s) responsável (eis) por isto? Será só aquele atrasado mental que ocupa o cargo de presidente da Federação de Futebol e que ninguém se atreve a pôr no olho da rua?

Eu não sei, não tenho nenhuma espécie de resposta para isto, gostava que me explicassem. Costumo dizer que não entendo nada de futebol, limito-me a torcer pelo meu clube, como se calhar fazem milhões de portugueses, que pouco se preocupam com essas coisas e que dão de barato o que se passa nos meandros do futebol... Não dou dinheiro para ir ao estádio, não compro jornais desportivos, enfim não alimento a causa...

Só que acho que isto é demais e merece ser denunciado; para mais, a personagem em questão é tudo o que me repugna, pela sua falta de simpatia, pela sua arrogância, pela sua (ao que parece) teimosia obstinada, sei lá que mais...E ainda, depois de ver a triste figura (para mim, claro!) que a selecção fez num jogo contra uma equipa de amadores (com todo o respeito por Angola...), não posso deixar de ficar fulo e autenticamente passado...

Quero saber então quem paga este escandaloso vencimento, de quem é a responsabilidade e exigir respeito pelo País que ostensivamente aparece colocado em todas as estatísticas europeias (mundiais...) como o mais atrasado da União Europeia!

>Porra, é demais!!!

17 maio 2006

VIA LONGE... (a)


É apenas a arte de saber escrever. E de saber inventar escrevendo, contando, simulando. Usando a língua portuguesa como só ele sabe, conhecido por "inventar" vocábulos, misturas de verbos com substantivos. " Venho brincar aqui no Português, a língua...", diz ele a sério. A simplicidade / profundidade da bela alegoria "...não é a carta que tem erros, é a vida mano, é a vida! ".
Mia desenha uma sereia com pés, ou se quiserem com o outro pé, para ser mais exacto. É o seu título, a sua estória, que pode ser a de Vila Longe, onde existe "... uma mulher a céu aberto" e onde o barbeiro dita sentenças desenterradas de outros céus, onde há mortos que teimam em não ir embora, numa desenfreada teia de sentimentos, emoções e (pre)conceitos.

Fica-se com vontade de continuar, lendo desesperadamente, esperando saber mais sobre quem consegue enterrar uma estrela, sim é isso mesmo, no chão de Vila Longe está enterrada uma estrela; e há mais, diz-se aí, que todos morreram um pouco com ela...

Mia sabe bem o povo que conta, o que é ser hemisfério sul. Aqui, mais uma vez, o barbeiro de Vila Longe: "... não é fácil sair da pobreza, mais difícil é a pobreza sair de nós". Lê-se, goza-se a língua ("... uma das maiores ambições num escritor é corromper a Língua"), mas pensa-me também...

A propósito, já conheces a CARTA que Mia Couto escreveu ao chefe BUSH???
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(a) A propósito do lançamento em Portugal do livro de Mia Couto: "O Outro Pé da Sereia"

14 maio 2006


O ENGENHO E A OBRA

Podia ser somente um sonho, porque afinal é o sonho que comanda a vida...
Foi
assim que iniciei a minha intervenção na Conferência que, aos 12 de Maio, a Associação ENGENHO & OBRA E&O, promoveu no Porto. A E&O, que ajudei a construir, no sentido de poder de alguma forma contribuir para o que se considera desenvolvimento e cooperação com os países mais desfavorecidos, numa perspectiva de partilha, intercâmbio e solidariedade.

Ora acontece que esse sonho tem um significado especial: é um sonho possível e, como bem diz Fernando Pessoa ...o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução

Há 6 meses atrás iniciamos um processo que conduziu à constituição da E&O. Dezenas de reuniões efectuadas,encontros com entidades, personalidades ligadas ao desenvolvimento e a cooperação, pessoas dos mais diversos sectores de actividade, as quais pelo seu perfil nos pareceram indicadas para apoiar a iniciativa e futuramente poderem integrar equipas e desenvolver projectos em concreto. Contactos com os gabinetes governamentais ligados a esta área, completaram o cenário. Centenas de mensagens enviadas um pouco para todo o lado, passando a ideia, mostrando as nossas intenções e propósitos, explicitando os nossos objectivos, dando a conhecer o que íamos conseguindo, fornecendo documentação de apoio e informação.

A E&O é neste momento uma instituição sem fins lucrativos, uma Associação para o Desenvolvimento e Cooperação, reconhecida e registada conforme a lei portuguesa, segundo escritura publica realizada no passado dia 29 de Abril e formalizada no dia 12 de Maio com a 1ª Assembleia Geral, que elegeu os corpos sociais. Um grupo de jovens de todas as idades, antropólogos, artistas plásticos, arquitectos, economistas, engenheiros, estudantes, médicos, professores, sociólogos, técnicos de marketing, técnicos de relações internacionais, técnicos de serviço social, distribuídos pelo país e estrangeiro. O nosso teatro é o Mundo dos países terceiros e em especial o dos PALOP, onde a responsabilidade de Portugal é grande e onde a cooperação tem um significado muito especial. A Associação propõe-se desde jáconstituir-se como ONGD, Organização Não-governamental para o desenvolvimento.

A E&O
irá desenvolver a sua intervenção em áreas como a engenharia tradicional (electrotecnia, mecânica, civil, electrónica, minas, telecomunicações, ...), recursos hídricos e meio ambiente, educação para o desenvolvimento, formação profissional (de técnicos, consultores, professores, formadores e empreendedores) e ainda da cultura e cidadania (iniciativas culturais de apoio e difusão da língua portuguesa no mundo e a promoção do conceito de lusofonia). Tudo baseado em Projectos que possam significar e promover a autonomia das populações.

A comunicação social, devidamente contactada a tempo e horas ignorou completamente a iniciativa. Preocupada porventura com notícias mais importantes, como as velhas tricas domésticas, ou com as pequenas desgraçasdo dia a dia que nos consome, fez vista grossa. Nada que me admire. Não culpo os senhores jornalistas, que pelos vistos, vão onde são mandados. Culpo sim os senhores patrões dos grandes órgãos. Protesto pois! Se de alguma coisa vale o protesto, fica o registo. Ao fim e ao cabo também são responsáveis por esta globalização, em que a informação é o rosto de um poder que começa a asfixiar. Mas há quem resista e nos temos todo o gosto em aí nos incluirmos. O papel das organizações não governamentais é e continuará a ser a luta pela inclusão social em qualquer parte do Mundo. A questão é saber se conseguiremos e como arrastar a sociedade civil para a problemática mais que actual do desenvolvimento sustentável.

Estamos aí!

01 maio 2006

O PRIMEIRO DE MAIO

O julgamento de 21 de Junho de 1886 dos líderes do movimento de Chicago que, rapidamente e com provas e testemunhas inventadas, levou à sentença, lida a 9 de Outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão. Ultimas palavras de Parsons, na sua defesa:
" ...nós desejamos que todas as forças da natureza, que todas as forças sociais, que essa força gigantesca, produto do trabalho e da inteligência das gerações passadas, sejam postas à disposição do homem, submetidas ao homem para sempre"

"...Venham ver, Maio nasceu
que a voz não te esmoreça
a turba rompeu
."
                  Zeca Afonso Maio, Maduro Maio..

Maio, mês solidário
a seguir à liberdade no calendário
mês de luta e de alegria
esperança de Abril no dia a dia
venham ver, Maio nasceu
o Poeta um dia escreveu...

No primeiro dia se conquista
uma luta antiga nunca vista
aqueles que do outro lado do mar
se levantam para a conquistar
direitos e as 8 horas de jornada
e Chicago em sangue se tornava.
Tanto tempo e tanto mar após.
que futuro queres p´ra todos nós?
a riqueza que vais produzindo
alguém sempre a vai subtraindo..

24 abril 2006

VIVA O 25 de ABRIL!!!

25 ABRIL 2006

24 de Abril 1974- 22:55 horas
Quis saber quem souO que faço aquiQuem me abandonouDe quem me esqueci...
A senha que muitos não ouviram, mas que outros gravaram bem alto na sua ânsia de partir para a libertação.


25 de Abril 1974 - 00:20 horas
Grândola vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó cidade...
A confirmação de que tudo estava bem, numa altura em que tudo já era irreversível! Esta uma senha especial, que sentimos ainda com emoção...

E
stivemos lá. Passamos juntos por momentos que ninguém nos consegue arrancar. Vivemos intensamente a vitórias e as outras situações que sem serem vitórias, também não foram derrotas, porque o espírito da libertação foi sempre mais forte que qualquer vingança. Empunhamos cravos vermelhos de esperança e bandeiras vermelhas de luta de muitas décadas. Assistimos às espantosas cenas da polícia fascista a fugir à frente dos militares e do povo que nas ruas exigia a liberdade. Estivemos em Caxias para libertar os presos políticos, amigos e camaradas que apenas queriam fazer ouvir a voz dos que não tinham voz. Cruzamos nas ruas com os esbirros da PIDE e enfrentamos os tiros da hedionda polícia política que sustentava o regime e que nesse dia ainda conseguiu matar mais 4 portugueses.

Estivemos sempre lá. E sempre, todos os anos soubemos saudar Abril. Que espreita por trás do sol que sempre brilhou para todos nós. Soubemos ainda dizer avante, porque a luta não terminava somente com a queda do regime, mas sim com a restauração da democracia. Escrevemos e pintamos os murais que testemunham ainda a esperança da Revolução.

Foi bonita a festa, páFiquei contenteE inda guardo, renitenteUm velho cravo para mim...

E juntos fomos percorrendo, ano após ano, os caminhos difíceis da recuperação de um País, esfrangalhado por 50 anos de ditadura. São já 32 os anos que levamos de Abril e sempre lembrando os dias em acreditamos que tudo seria melhor.

Nem tudo foi melhor. Nem tudo se fez ainda. Há tanto ainda para fazer. Mas nada voltará para trás. O rio que nasceu em Abril ainda corre hoje como antes e as ilhas de liberdade ainda marcam presença no mapa que antes desenhamos. O barco corre, por este rio acima deixando para trás a côncava funda da casa do fumo,... perto do sonho flutuando nas águas...

Estamos então mais uma vez lá. Onde as coisas acontecem. Não nos peçam mais que isso. Acreditamos simplesmente!

... E porque toda a coragem é necessária,
toda a esperança é legítima
.

VIVA O 25 de ABRIL!!!
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Colaborações, citações e deixas:

Chico Buarque
Fausto Bordalo Dias
Joaquim Pessoa
José Niza
Paulo Carvalho
Zeca Afonso

CIDADANIA e DEMOCRACIA

Estiveste de novo connosco. Aliás nunca deixaste de estar connosco. Proferiste uma lição sobre Democracia e Cidadania. orque, acima de tudo (não há redundância nenhuma!) és um Democrata e um Cidadão. Um Cidadão que estáalerta. E que nos recorda de quando em vez estas coisas simples que não vemos, ou mesmo que não queremos ver. Apesar de tudo por que passaste continuas em grande forma. Sei lá uma espécie de download, versão melhorada, pois. Em tempos de indiferença, sabes fazer a diferença. E isso, é mais que tudo! Fomos capazes, todos os que naquela sala estavam, de reflectir um pouco sobre a posição que devemos ter enquanto cidadãos e democratas. Que bela lição! E não se espantem algumas cabeças bem pensantes (segundo os formais códigos que nos pretendem orientar). É bom mesmo que estejam atentos, pois qualquer dia podemos dizer que não queremos mais ser formatados. Formatação que serve para as máquinas, não para nós. A Democracia faz-se destas pequenas coisas com que aprendemos a viver. Queremos de facto a Democracia mais perto. Éuma luta, a luta que sempre aprendemos e citando o Zeca Afonso diremos então que queremos uma cidade sem muros nem ameias, gente igual por dentro, gente igual por fora... Zeca Afonso, Utopia,

Bem hajas, Zé Dias!

13 fevereiro 2006

NAMORAR É PRECISO!

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"Mandei-lhe uma carta
em papel perfumado
e com letra bonita
dizia ela tinha
um sorriso luminoso
tão triste e gaiato
como o sol de Novembro
brincando de artista
nas acácias floridas
na fímbria do mar
..."

Viriato da Cruz, Namoro





"Ai se eu disser que as tremuras
Me dão nas pernas, e as loucuras
Fazem esquecer-me dos prantos
Pensar em juras
Ai se eu disser que foi feitiço
Que fez na saia dar ventania
Mostrar-me coisas tão belas
Ter fantasia
E sonhar com aquele encontro
Sonhar que não diz que não.
.."
...
Luís Represas, Namoro II





Porque não? Namorar é bom e é saudável. É uma manifestação de cidadania como outra qualquer, só que mais quente, mais boa, mais perto...
Sabemos namorar? Ainda saberemos namorar? Costumes que se perdem porque os dias não são mais os mesmos, a idade avança e perdemos do outrora a vantagem do risco e da loucura; também do gosto pelo que é diferente e daíao esquecimento da paixão é um passo muito curto. Mas há que curtir a vida, há que saber correr a agarrar um momento de beleza, de ternura, pois sim de paixão. Há de facto quem já não seja capaz de nada disto. Quando vejo certas pessoas (ou serão pessoas certas?) cinzentas por fora, os mesmos fatos, as mesmas gravatas (ainda que agora mais garridas), as mesmas posturas defensivas e agarradas ao protótipo (qualquer que seja), pergunto se também serão cinzentas por dentro. Atéque ponto seremos capazes de chutar o cinzentismo? Porque ele é neste país sinónimo de sensatez, de moderação, de equilíbrio e de outras coisas chatas que agora não me lembro.

Manifesto hoje a minha indignação (o tal direito que agora se fala) contra todos os cinzentos, pela diferença, pelo arrojo, pela vontade de dar o salto, sei lápara onde que não me interessa. Quero dizer sim ao sorriso rasgado e dar um pontapé no conformismo e na indiferença. Mostrar que vale a pena ter arrojo, que faz todo o sentido ir em frente por uma causa. Quero hoje exigir o impossível, sóporque é o tal dia em que só nos lembramos de uma coisa: namorar. Seja como for...

Namorar: arrulhar, atrair, cativar, catrapiscar, cobiçar, cortejar, flirtar, galantear, paquerar, graxear, prosear, requebrar, seduzir, afeiçoar-se. Inventar a alegria com alguém. Provocar, sim; vamos ser provocadores!


E já agora fiquem a saber (caso ainda não saibam...) que a Konami está desenvolvendo uma versão online massiva do seu tradicional jogo de simulação de namoro, o "Tokimeki Memorial", com 4 versões, três para rapazes e um "Girl's Side", orientado para o sexo feminino; o seu personagem seráaltamente customizável, permitindo centenas de opções para olho, sobrancelha, boca e tudo mais que compõe um avatar (?), desenhados no estilo tradicional da série...

Pronto, já está. Façam favor de ser felizes!

02 janeiro 2006

O Marco...

O MARCO é uma é uma vila agradável do Douro que se orgulha das suas tradições e do património arquitectónico, do qual se destacam a Igreja de Santa Maria, o pelourinho e a Torre de Vinhal, segundo podemos ler no portal Viajar da Clix. Pode ler-se ainda, entre outras coisas, as referências a belas casas solarengas, muitas das quais a erguer-se em encostas sobre o Douro, como a Casa de Agrelos, de capela do século XVII e torre do século XIX, em Santa Cruz do Douro, ou a Casa do Carrapatelo.... Toda a gente conhece a obra de mestre Álvaro Siza e porvenrtura associa o Marco a essa obra...

Será esta então a imagem de marca do Marco? Creio no entanto que tal não corresponde á realidade, dada a sobreposição dos aspectos culturais a outros de uma certa contracultura dominante e que tem a ver com uma outra realidade, infelizmente corrente neste País. Quando um Presidente de Câmara diz, sem meias tintas, quero libertar o Marco, para ser uma terra igual às outras, após tomar posse e descobrir que a sua autarquia estava endividada em 61 milhões de euro e que, a essa divida, se deveria inscrever ainda mais 5 milhões, nos últimos dias de Dezembro...

O Jornal de Notícias, dá a conhecer a grande obra do Torres, após 23 anos à frente da Câmara: uma reestruturação do seu gabinete, que inclui uma caixa-forte especial, diversos adereços originais e ...pasme-se (ou não!) uma passagem secreta dissimulada na parede com segredo e tudo e para permitir a saída na parte traseira do edifício. Conta ainda o JN que essa passagem terá sido utilizada por varias vezes, para permitir que o Torres se escapulisse àGNR, com mandatos de captura. 
São conhecidas, creio que em todo o Pais, as diatribes do Torres á frente da Câmara, do clube de futebol, das obras ilegais feitas um pouco por todo o lado, com contratos verbais, com favores jádeclarados por imensos arrependidos, culminado tudo isto com uma patética candidatura do sujeito à Câmara de Amarante.

Há uns tempos atrás, já se ironizava com os pontapés numa peça de mobiliário urbano num campo de futebol. Lembramos aqui a momentos da bela alegoria
Posted by carlos.a.andrade at abril 12, 2004 06:38 PM, in http://quadraturadocirculo.blogs.sapo.pt/arquivo/106164.html
de Carlos Andrade: ...Tem a Comissão Concelhia do Marco de Canavezes do Partido Popular ocasião de esclarecer que o seu Presidente Avelino Torres se excedeu ao pontapear a mesa do 4º árbitro, posto que essa peça de mobília seja de sua propriedade. A desculpa única para essa despropositada acção estáem que se encontrava no momento no mais completo estado de embriaguez... A Comissão Concelhia dá conhecimento que se por acaso tornar o nosso militante a fazer nova arruaça no futebol não deve o País dar mais importância do que a que se dá a uma involuntária baforada de álcool, pois que, devido a um hábito hereditário que reaparece frequentemente na família Torres, o nosso militante encontra-se repetidas vezes em estado de embriaguez ...


Quem leu a reportagem do JN fica com a imagem de uma Câmara e um País em que tudo é possível. Assim parece de facto, numa altura em que se multiplicam os casos do género, com Fátimas, Isaltinos, Valentins e (ao que consta...) com muitos e muitos mais tristes exemplos...
Será porventura o Marco um verdadeiro marco do que é a justiça neste País? Ao que consta, a Policia Judiciaria está impotente (não sei se será o termo correcto...) para actuar, pois desapareceram peças do processo (ou dos processos...) do Torres. Como raio é que isto é possível? Como é possível que aquele facínora (não encontro termo mais apropriado...) ande à solta?

São coisas destas que nos envergonham a todos. Há alguém que possa fazer alguma coisa???

20 novembro 2005

SER PROFESSOR…

«Con el alma en una nube y el cuerpo como un lamento,
viene el problema del pueblo, viene el maestro.
El cura cree que es ateo, y el alcalde, comunista;
y el cabo jefe del puesto piensa que es un anarquista
...»
Patxi Andion
«Venho também em homenagem à solidariedade e à generosidade do ofício de professor, do acto de ensinar, como sempre refiro quando apresento a canção do maestro»
Patxi Andion, Coliseu do Porto, 2000

Está pelos vistos na moda, a avaliar pelo que se lê, ouve e vê na comunicação social, dizer mal de tudo o que é função e administração pública e, em particular, dos professores. Aliás, tenho notado que vários artigos de conhecidas figuras públicas escrevem sem qualquer pudor e, ao que parece, sem qualquer conhecimento concreto da situação, sobre o ensino e a formação, emitindo posições mais que controversas sobre a matéria. Chega-se até ao ponto, ridículo na minha opinião, de dar a entender que os profissionais daquelas áreas não querem trabalhar, ou querem trabalhar menos, ou coisas do género. Não são posições sérias, nem dignificam quem as toma.

O título de 1ª página de 18 de Novembro no DN Professores faltaram a 7,5 milhões de aulas é porventura um bom furo jornalístico, sobretudo em dia de greve; a falácia instalada na comunicação social (sobretudo na escrita) é de tal ordem escandalosa que, por exemplo neste caso, peca sobretudo pela omissão de dizer que o exemplo nem sequer abrange uns míseros 10%! Nesse mesmo dia no Publico (e mais uma vez) Miguel Sousa Tavares (MST) vem à liça informar a opinião pública que os professores passam em media 14 horas nas escolas e 21 em casa ou na rua a preparem as aulas (o destacado é dele); realmente é preciso não ter um conhecimento mínimo das coisas para fazer afirmações como esta. Neste ultimo caso, não é a primeira vez que MST produz tal discurso; devo dizer que aprecio a prosa do autor e que todas as sextas leio atentamente as suas crónicas; ficaria bem a MST informar-se melhor sobre o assunto e (naturalmente) retratar-se publicamente das incorrecções que tem cometido sobre os professores; no mínimo! Neste mesmo dia, também no Publico, a Ministra da Educação publica um artigo sob o título O desafio da educação, em que disserta sobre o tema em geral da qualidade e dos resultados da dita; os lugares comuns que utiliza são tão comuns que apetece perguntar onde é que Maria Rodrigues estava quando tanta gente neste País já há tanto tempo dizia exactamente a mesma coisa: esforço financeiro demasiado para tão poucos resultados, milhares de jovens abandonam a escola sem a escolaridade obrigatória, as taxas de insucesso se situam em níveis muito elevados...; é caso para perguntar, o que é que ela faz (ou fez, ou fará...) para inverter a situação; o mesmo se aplica e ainda com mais força a afirmações no mesmo artigo - da necessidade de reorganização da rede escolar, melhoria das instalações, valorização das competências científicas dos professores; mas afinal quem é que deve fazer isto, senhora ministra?


Contudo a situação poderia ser diferente. Se pensarmos um pouco, chegaremos rapidamente à conclusão que um profissional, em termos académicos é uma pessoa minimamente responsável e, como tal, em principio tentarádar o seu melhor, no seu posto trabalho, na sua escola, na sua instituição. É preparado para isso e, também em princípio, irá desenvolver normalmente a sua actividade profissional, se lhe forem dadas condições concretas para o fazer. Isso não quer dizer que não haja professores irresponsáveis, ou incompetentes, ou outras coisas; e depois, não será o mesmo em outras profissões? Promova-se uma avaliação séria do desempenho: não são os professores e as suas organizações sindicais as primeiras a propor tais medidas?

O professor, qualquer professor é o responsável pelos seus alunos, pelos nossos filhos, pela formação daqueles a quem mais queremos. É ele que abre as portas da nossa mente, que nos ensina a ler, que dá luz ao escuro que vai dentro de nós, como diz o poema. Aquele que, muitas vezes com sacrifício acrescido, é obrigado a trabalhar 4 ou 5 horas seguidas, com intervalos de 5 ou 10 minutos, sem abrandar o ritmo; que se o fizer, perde o contacto com o grupo que tem pela frente e perde a atenção dos que esperam dele uma palavra, uma opinião, um naco de saber. Aquele que em muitas circunstâncias é agredido com a violência natural de gerações problemáticas, dos chamados miúdos difíceis, para os quais existe sempre uma atenuante de comportamento socialmente justificável pelas difíceis condições que vive em casa, no bairro, etc...

As autoridades, o ministério da Educação, os responsáveis deviam saber tudo isto. Melhor, sabem tudo isto, conhecem bem os enquadramentos e os meandros da situação. Só que, a forma mais simples de esconder a sua natural incapacidade para dar a volta, é atacar quem trabalha, quem se esforça, quem dia a dia trava uma luta contra a ignorância e o obscurantismo, numa trama de contradições que éa realidade desta vida. E nem se dão conta porventura da injustiça que representa esse discurso fácil para quem, por exemplo, passou anos a fio sem dar uma única falta, para quem gasta horas fio a preparar sistematicamente os seus materiais pedagógicos para ilustrar as suas aulas e as suas dissertações (atenção MST, é que isto tem mesmo de se fazer!), para quem sistematicamente se procura actualizar cientifica e pedagogicamente, frequentando cursos de formação, escrevendo artigos, publicando teses, enfim para quem se esforça no sentido de poder ter uma intervenção cívica na educação e na formação dos jovens deste País. Esses, que são seguramente muitos milhares, incógnitos e injustiçados.

O desafio da educação passa a meu ver na realidade pela valorização das competências e pelo reconhecimento do que tem sido feito até agora, mau-grado os sucessivos avanços e recuos a nível dos responsáveis pelo ME desde há20 e tal anos e sempre com a responsabilidade dos 2 partidos do bloco central, sem que se tenha feito uma avaliação séria das mudanças efectuadas. Essa é a verdade dos factos. O desafio da educação passará eventualmente pela positiva e não o contrário.
E passará sempre, sem qualquer dúvida pelos professores e nunca contra eles!

06 novembro 2005

A propósito de Theodorakis (e não só...)


Dancemos pois como Zorba, ao ritmo da alegria de viver e da liberdade. Dancemos ao saber que Mikis Theodorakis foi galardoado com o Prémio de Música da UNESCO-Conselho Internacional da Música, uma distinção internacional ímpar no campo da música. Mikis é Zorba para sempre e este prémio, tal como sua música - a sua vida - é uma luta pela liberdade e pelos direitos humanos, uma luta contra a opressão e as ditaduras militares, pela Paz, na sua Grécia e em todo o Mundo. Sim, porque Mikis é um cidadão do Mundo, um homem que ama a vida e que diz que só poderia ter ser músico.

Mikis junta-se à soberba galeria de gregos galardoados como Kaváfis, Seferis, Ritsos e contribuiu para a eternização do romance de Kazantakis (também autor de A última tentação de Cristo). O nome de Mikis estará sempre ainda ligado a Irene Papas e a Melina Mercoury de uma Grécia pobre e austera a preto e branco, mas que todos - elas e eles - encheram de cor, com a sua arte, a sua presença e a sua luta.

Todos teremos dentro de nós um pouco de Zorba e dançamos ao ritmo da nossa própria força. Tal como Zorba, a dança é uma arte mental e não física; lembramo-nos das suas palavras, "dançamos com a cabeça e um sorriso no rosto, os braços são apenas para dar o equilíbrio" e recordamos o autêntico hino á vida a a que Mikis deu a sua música.

Um dia depois, Alegre poderia ter citado Mikis quando fez o seu discurso e afirmou que a participação dos cidadãos na vida política não se esgota na representação partidária. Certamente poderia propor uma outra dança na pobre arena da politiquice à portuguesa e, homem da cultura que é, poderia saudar este prémio de Mikis (que Cesária e Maria João já receberam também) para talvez dizer que podemos aspirar a algo diferente do que nos é dado diariamente pela loucura da comunicação social que propõe a "inevitabilidade Cavaco".

Há cada vez mais gente que quer essa outra dança; para isso é urgente que aqueles que já acordaram e que (ainda) têm memória, consigam pelo menos trocar o passo á mediocridade e virar o disco que recorde o Zorba e que toque o ritmo da insatisfação e da rebeldia, cada vez mais forte. É afinal, pela liberdade e pela alegia de viver!

01 novembro 2005

UMA ACTIVIDADE PARASITÁRIA ..

Quem acompanha minimamente a informação que nos vai sendo dada pela comunicação social, escrita e/ou falada, pôde constatar uma série de notícias sobre a Banca portuguesa, na semana passada. De facto, quer o Publico, quer o J.N. fizeram algum destaque às buscas nalgumas entidades bancárias, a propósito (?) de suspeitas levantadas pela PJ sobre actividades paralelas dos bancos nas off-shores (leia-se, na da Madeira...), ligadas á lavagem de dinheiro e, ao que parece, ao branqueamento de capitais. As buscas às sedes do BCP, do BES e posteriormente do BPN confirmam as suspeitas e estendem-se a interesses dos vários bancos, tais como empreendimentos, herdades, casas de férias, etc....

Tudo coisas que a gente sabe de há muito tempo a esta parte. Digo eu, claro. E como a gente sabe, sabem também as autoridades. Portanto, é de saudar, apesar de tardia, a iniciativa da PJ.

Tenho para mim, que a actuação da banca, de uma forma geral, é no nosso País, um dos exemplos acabados de má politica e de má gestão. Os bancos pagam impostos em Portugal qualquer coisa como a 3ªparte de qualquer contribuinte, individual ou empresa. E para quê, para cumprir alguma função social? Para apoiar empresas a desenvolver a sua actividade? Para apoiar a internacionalização da empresas nacionais? Para apoiar os cidadãos na melhoria das suas condições? Nada disso, como se sabe. Apenas e só, cada vez mais, uma actividade especulativa a coberto das isenções e dos favorecimentos de nós todos, afinal. E de ano para ano, os bancos aumentam os seus lucros, em completo contra-ciclo com as outras actividades económicas e, pelos vistos, ainda ocultam e transferem para off-shoresparte dos lucros que geram.

Penso que muita gente tem más experiências com os bancos e com os seguros, outra das actividades que geram cada vez mais lucros e para os quais os contribuintes mais contribuem; enfim, um roubo legalizado, instituído e ainda por cima, nalguns casos, obrigatório. A minha última experiência, por exemplo, foi a detecção de um débito na conta-corrente de qualquer coisa como 200 e tal euro que eu não sabia explicar; após ter consultado o gestor de conta do banco, foi-me informado ter havido um lapso e que oportunamente me seria creditado na conta um valor idêntico; caso para perguntar, o que aconteceria se eu não tivesse dado conta do erro...

A ideia que a maioria das pessoas fazem dos bancos é pior que o que possa parecer à primeira vista; faça-se um inquérito (como está agora em moda, por assuntos menos importantes...) e vejam-se os resultados. No ano passado, estive presente em 3 sessões públicas para apoio a projectos de empreendedorismo de mulheres. Projectos que visavam o apoio publico a iniciativas empresariais de jovens mulheres, com habilitações ao nível da licenciatura (na sua maioria). Para as sessões foram sempre convidados os bancos, fonte natural de financiamento de actividades empresariais. Pois acreditem que em nenhuma das sessões, compareceu nenhum dos bancos convidados; o contrário, por exemplo, de entidades cooperativas ligadas ao micro-crédito. Numa das sessões, uma convidada francesa, ligada a uma associação de apoio ás novas empresas, declarou existir em França um acordo entre a banca e o governo, que incluía a possibilidade de acesso a um crédito especial durante os 3 primeiros anos de vida da empresa. Porque é que tal não existe no nosso País?
A resposta a esta questão é muito simples. Porque os bancos não contribuem para o desenvolvimento do País, não precisam de arriscar um mínimo que seja numa actividade empresarial, dadas as benesses que já têm e que cada vez geram mais e muito mais lucros. Esta actividade sim é rentável. Tão rentável que até se compram uns aos outros, numa frenética diversão, típica do 3º Mundo...

Pensemos finalmente na panóplia associada à actividade de desvio de fundos: branqueamento de capitais, favorecimento de negócios menos claros entre estados e privados (leia-se máfias...), tráfico de droga, tráfico de armas e outros que a gente nem conhece bem, Tudo isto existe de facto e funciona num Mundo que parece diferente daquele em que nos movemos...

Pois que se tenha coragem de ir até ao fundo na descoberta das irregularidades ora avançadas, mas não só. Que se tenha coragem também de acabar de vez com o off-shore da Madeira. Que se acabe de vez com o famigerado sigilo bancário. E que os bancos passem a desempenhar um papel social de apoio às empresas e aos cidadãos, em vez de apoiarem actividades ilícitas e impróprias, alimentando as grandes fortunas e favorecendo o desvio de capitais e do dinheiro que, pelos vistos, tanta falta faz ao País.

21 outubro 2005

ESTE HOMEM NÃO!

Ele diz: "Posso contribuir para a melhoria do clima de confiança, para o reforço da credibilidade e para vencer a situação muito difícil em que o nosso país se encontra." Mais uma vez, após longos anos de exílio político, com intervenções episódicas, surge o homem-forte, o salvador da Pátria em perigo. 

E continua, dizendo que pretende ajudar o Governo a governar, graças "à experiência e conhecimento da vida política nacional" e das "dificuldades que se colocam a qualquer governo em tempos de mudança como aqueles em que vivemos". Depois vem com as mais que estafadas declarações sobre a economia e a necessidade do seu rápido crescimento, lamenta os 400 mil desempregados e pinta o retrato negro assinalando o afastamento "do nível de desenvolvimento da União Europeia e da nossa vizinha Espanha".

Convencido (será que é um mero convencimento?) de que o seu currículo e formação lhe permitem enfrentar os problemas que enuncia, diz estar em condições de ajudar o país a reencontrar o caminho pelo seu conhecimento da realidade portuguesa "e pela reflexão que ao longo dos últimos anos" tem "vindo a fazer sobre a razão das dificuldades que atravessamos". Conclui o seu discurso, com a velha (e gasta) máxima que a direita usa quando quer enganar os incautos: "Candidato-me para ajudar o país a vencer as dificuldades em que está mergulhado e construir um futuro melhor".

Ora vejamos. Em primeiro lugar, como se vê, o homem não tem realmente nada para dizer, ou para dar ao País, além do já disse e deu. Todos se recordam da personalidade cinzenta que numa bela tarde foi fazer a rodagem do carro àFigueira da Foz e lá se instalou na liderança daquele partido (como ele dizia...). A ascensão a primeiro foi um passo, todos (todos não!) esperavam por um salvador, à boa maneira portuguesa, por um Salazar qualquer, que nós somos assim... Lembram-se também que o homem nunca se enganava e raramente tinha dúvidas (era mais ou menos isto...), que nunca lia jornais, mas ouvia sempre a sua Maria. Recordo também os famosos tabus, as referências aos opositores (todos!) como forças de bloqueio e finalmente o deixem-nos trabalhar.... Não sei se esqueci alguma outra citação, mas estas bastam de todo para as pessoas se lembrarem do homem.

Em segundo lugar, convém não esquecer que o homem chega ao poder no momento em que o País beneficia dos fundos estruturais do I QCA (Quadro Comunitário de Apoio), que esteve em vigor entre os anos de 1989 e 1993. O homem comemorou no passado dia 6 de Outubro precisamente 20 anos da vitória nas eleições legislativas, que lhe permitiram constituir o seu primeiro Governo (1985-1987) e a que se seguiram mais dois governos de maioria absoluta (1987-1991 e 1991-2001). E que convém que se lembre sobretudo que ele foi o primeiro responsável pelo desbaratar de milhões sobre milhões de contos em betão, por exemplo em auto-estradas que hoje praticamente ninguém usa (vejam os índices de utilização das auto-estradas do interior...), em detrimento do investimento na educação e na formação. Estamos a pagar hoje o fracasso completo da política de opções estratégicas do homem e dos seus apaniguados. Tenho para mim que se há fracassos de politica em Portugal no final do século XX, esta étalvez das mais graves e prova a capacidade do homem que agora aparece a candidato a PR. No dia de ontem, após a apresentação, alguém disse que os portugueses tem de ter memória. Essa é de facto a marca principal do dia de apresentação da candidatura do homem que afronta a memória de todos nós, ao pretender limpar a face, apresentando-se (mais uma vez...) como um não-político. Ao dizer o que disse, Jerónimo tem toda a razão do Mundo: é preciso ter memória, é preciso não esquecer que, se estamos como estamos, bem podemos agradecerao homem que ontem se apresentou. É preciso pois desmistificar o discurso do homem, é preciso recordar o que não se fez e devia ter sido feito, não deixar passar (mais uma vez?) a imagem do rigor, da honestidadee de outras coisas que na boca deste homem soam a falso, porque já deu provas do mais rotundo falhanço... Diz ele que não se candidata contra ninguém. Diz que se candidata ...para ajudar o País a vencer as dificuldades em que está mergulhado e construir um futuro melhor. Termino dizendo que, por um lado até acredito que ele não se candidate contra ninguém mas, por outro lado, que recuso a ajuda dele para construir o tal futuro melhor: o futuro que ele ajudou a construir está aí à vista de toda a gente... 

Estou disposto a contribuir com a minha campanha para desmistificar o discurso deste homem que ora se nos apresenta, depois de uma patética cena de um novo tabu. Os responsáveis políticos devem pegar neste tema, de imediato e mostrar às pessoas a realidade que está por trás do homem... 

Não, este homem decididamente não serve!

07 outubro 2005

UM DOMINGO DIFERENTE???

Duvido sinceramente que o próximo Domingo seja particularmente interessante, do ponto de vista da maioria das pessoas, que já não deposita grandes esperanças no poder autárquico deste País. Os exemplos que se multiplicaram nos últimos anos (10, 20 anos, ou mais?) não dignificam em nada a vida politica local, apostado que foi pelos intervenientes directos, no exercício mais rasteiro do poder de que há memória depois do 25 de Abril.

A profusão das rotundas nos sítios mais incríveis, a multiplicação das benesses ao betão, a cumplicidade (activa ou passiva) com o sub-mundo do futebol, a incapacidade em apostar na qualidade de vida dos cidadãos através de uma cultura de bem estar para todos, bem como de politicas culturais consentâneas, fez o que está agora à vista: um afastamento das pessoas, um alhear mais que preocupante mas real, um deixa-andar até ver...

Depois, as elites dos partidos do centrão, fazem o resto: promessas mais que falaciosas, discursos patéticos, afirmações bacocas de amor áterra, conversas para atrasados mentais, verdadeiros atentados à inteligência. E tudo isto porquê? Por alguma razão os 2 partidos do poder se esforçam por se parecerem um com o outro, enquanto se degladiam em ataques constantes, sem substância... Vejam-se os múltiplos exemplos (de que Lisboa é um caso paradigmático) onde o Partido Socialista não foi capaz de entender a necessidade da abrangência de uma candidatura de esquerda plural, porque não écapaz de se libertar das grilhetas e dos complexos que tem... Alguém de boa fé é capaz de entender que se classifiquem como socialistas, autarquias como Braga, Matosinhos, Felgueiras, ...? Isto sóparar citar alguns exemplos conhecidos de gestão ruinosa, de destruição de património, de desrespeito pelos direitos de cidadania, de completa submissão ao poder do dinheiro fácil e das tentativas mais ou menos evidentes para calar as vozes incómodas que de quando em vez se levantam...

A esperança vincada pela estrondosa derrota da direita nas últimas eleições não é devidamente alimentada pela situação actual, nem é capitalizada em termos de manifestação colectiva de rejeição de politicas que não servem os interesses da maioria. Infelizmente o tempo é de esferográficas, sacos de plástico, electrodomésticos e até... chouriços! Alastra a estupidez colectiva, as parangonas das televisões independentes e a miséria intelectual chocante das declarações dos políticos de carreira: "estamos aqui para servir Portugal, estamos aqui para servir os portugueses..."

Para mim não servem, vão "servir" para a rua deles, vão "servir" para o raio que os parta!

23 setembro 2005

A CAMINHO DO 3º MUNDO

Aqui se dá (justo) relevo a excertos de uma carta de um português atento (1), que eu subscrevo na íntegra, consciente de que é preciso cada vez mais uma posição de critica sistemática a esta mediocridade...

"Um cidadão português é apanhado a 200 Km por hora e não lhe é aplicada a multa de lei nem é apreendida a carta ao motorista. O cidadão em causa éo presidente do Tribunal Constitucional. O primeiro-ministro inaugura uma unidade industrial que labora ilegalmente em terrenos agrícolas desde 1997. O vice-presidente de uma câmara denuncia pressões do poder político e de promotores imobiliários para a aprovação de projectos urbanísticos.
Autarcas, dirigentes desportivos, ex-autarcas, candidatos a autarcas, ex-governantes, chefes de gabinete, amigos e angariadores de dinheiro para os partidos são arguidos ou estão indiciados como coniventes em processos de corrupção ou tráfico de influências... 
Estas são só algumas das notícias que se podem ler profusamente em quase toda a comunicação social. 
Não, não é em África. É em Portugal! 
Portugal tem um problema de corrupção. "A política dos solos tem sido moeda de troca para as mais variadas práticas fraudulentas e instrumento de enriquecimento pessoal". A autora destas frases é Maria JoséMorgado, insuspeita conhecedora da matéria em causa... 
João Cravinho diz que o governo deveria lançar uma política nacional anti-corrupção. Em sua opinião "não houve nenhum governo que enfrentasse este problema a sério" nos últimos 20 anos... 
A par disto tudo Portugal gasta 10 vezes mais em armas do que em ajuda humanitária... 
A par disto tudo, e talvez por isto tudo, Portugal não pára de perder lugares na lista dos países mais desenvolvidos do mundo e está já em 27º lugar no índice de desenvolvimento humano, tendo sido ultrapassado pela Eslovénia! 
A par disto tudo, e talvez por isto tudo, Portugal é o país da União Europeia em que o índice de repartição da riqueza é o mais desfavorável! 
Portugal já foi um país subdesenvolvido. Depois passou a país em vias de desenvolvimento mais para distinguir o subdesenvolvimento negro do subdesenvolvimento branco. Qualquer dia vai ter que se arranjar uma nova designação para, mais uma vez, este país se manter no seio de um clube ao qual não sabe ou não tem capacidade para pertencer.

Ou então deixa de fingir e passa mesmo para o 3º mundo. É só uma questão de se assumir...
"

(1) Carta publicada por António J. Ribeiro em Noticias Lusófonas, in http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=11529&catogory=Lusófias

24 agosto 2005

S.L.B. (1)

"Sou do Benfica
E isso me envaidece
Tenho a genica
Que a qualquer engrandece"
Apesar dos resultados o não ajudarem
o nosso Clube é o maior.
Por isso, nunca desistas do teu BENFICA.
Ele precisa do teu apoio e calor!

Para que conste. Ser benfiquista é ser vermelho por dentro e por fora. É ter cá dentro a chama imensa, é ser a águia a voar tão alto que dela só temos a imagem das asas largas a cortar o vento. Sim, as camisolas berrantes também, a evoluir como papoilas saltitantes no relvado, verde de inveja precisamente por ser verde. E claro é amar perdidamente e dizê-lo cantando a toda a gente. A postura de um benfiquista ésempre altiva mas serena; porque somos de facto os maiores e mostramos a nossa garra em todos os campos, em todo o lado, enquanto aguardamos com serenidade a chegada ao primeiro lugar. Somos 6 milhões (mais ou menos...) e contudo somos sempre sóum, sob a bandeia encarnada que representa o sangue que nos corre nas veias. SOMOS UM Projecto ganhador, que nunca renega os seus princípios e que visa sempre a vitória. Temos orgulho de ser quem somos, não somos contra ninguém, simplesmente por nós próprios. Os outros que se cuidem: estamos sempre à fila, não pomos o pé em ramos verde; nem azul, claro. A nossa divisa é a unidade e não nos deixamos abater em maus momentos. E não desistimos nunca de coisa alguma: a alma e a garra de um benfiquista não esmorecem jamais; são garras e asas de condor! E nas vitórias somos sempre generosos, sabemos que não jogamos sozinhos; o jogo do adversário só valoriza os momentos de glória. Não, não há explicação possível para ser assim: éassim simplesmente. Por muito que nos tentem amedrontam, seremos cada vez maiores e mais fortes. Não iremos vacilar com pequenas ou grandes contrariedades, porque a chama é imensa e não se apagaránunca. O Tempo joga a favor de quem tem firmeza de princípios e justeza de razões. Temos fome e sede de Infinito!
Então, condensemos o mundo num só grito: Viva o BENFICA!!
!

(1)Ajudas: Florbela Espanca e Luís Piçarra

23 agosto 2005

DIVAGAÇÕES

A propósito (mais uma vez...) de Bertolt Brecht e do seu legado, sempre actual:
... Dentro de mim lutam
O entusiasmo pela macieira em flor
E o horror dos discursos do pintor de tabuletas
Mas só o segundoMe força a sentar-me à mesa
...
Discurso elucidativo que deveria valer para muitos dos que apregoam falácias diversas de várias matizes...

Sobre o valor dos homens e das suas empresas (sentido lato), o autor é bastante pragmático. Para ser lido e meditado (será que é mesmo possível?) por aqueles que vão ostentando os sinais exteriores que a gente sabe...(lembram-se de o Zeca cantar esta versão da "A Excepção e a Regra"?)
Ali está o rio
Dois homens na margem estão
Se um dá um passo o outro hesita
Será um valente? O outro não?
Bom negócio faz um deles
Tem o triunfo na mãoDo outro lado do rio
Só um come o fruto, o outra não
Ao outro passo o p'rigo
Novos castigos virão
Se ambos venceram o rio
Só um tubo ganha o outro não
Na margem já conquistada
Só um venceu a valer
Perdeu o outro a saúde
Mas nada ganhou pra viver...


E, para finalizar, um pensamento bem simples, ainda do
Brecht:

Quem construiu Tebas, a cidade das sete portas?Nos livros lêem-se os nomes dos reis.Mas terão os próprios reis carregado com as pedras?...

22 junho 2005

SERVIÇOS MÍNIMOS???


A nova invenção do Governo chama-se serviços mínimos na Educação e aplica-se, para saber, àgreve geral dos professores decretada pela FENPROF e pela FNE, as duas estruturas sindicais que representam os profissionais do Ensino em Portugal. Lembre-se a propósito, que as alíneas do nº2 do art. 598º do Código do Trabalho, por força de previsão expressa do art. 595º, nº 2, do mesmo Código, estabelecem necessidades sociais impreteríveis, como os tais serviços mínimos. O ridículo da situação, dificilmente superável, faz lembrar os piores momentos da Ferreira Leite no ME. De entre as asneiras que se têm dito e escrito sobre o assunto salienta-se a prosa, sempre diligente, do insuspeito José Manuel Fernandes, no PUBLICO de 20 de Junho; cito, sobre a greve ... a mais cruel chantagem..., ...tomar os alunos como reféns... e esta outra digna de qualquer cabeça fascista ...sindicatos dirigidos por profissionais do sindicalismo que se assustam com a perspectiva de um dia terem de voltar a dar aulas....

Então agora, a maioria dos comentadores estatizados inventou uma que também não desmerece o autor anterior e que ele aliás subscreve implicitamente no seu artigo merdoso. Trata-se da asserção fantástica de que a greve prejudica os alunos, as famílias e mais não sei quê! Ora essa, então uma greve não prejudica sempre alguém, a começar pelo grevista, que vêreduzido o seu ordenado e que se sacrifica por ele e pelos que (comodamente) não fazem greve? Pois claro que há prejuízo, para isso é que se faz greve, ou não será? Por esse andar ninguém fazia greve, que se calhar éa ideia da maioria daqueles que agora vociferam contra os professores...

Pelos vistos está na moda atacar os funcionários públicos e, por arrastamento claro, os professores. Pelos vistos querem reformar o sistema contra aqueles que sistematicamente o aguentam contra a incapacidade e a incompetência de sucessivos ministros, ministérios e comanditas associadas. Claro que é incomparavelmente mais fácil, mais barato e, se não dá milhões..., pelo menos resulta em demagogia e populismo...

Pois que viva a Sr.ª ministra da educação, que vai contra os interesses corporativos instalados e contra os malditos professores, que são uns malandros e que fazem greve aos exames, impedindo os meninos e os seus papás (e mamãs) que têm de ir de férias e não podem permitir que se atrase um exame... E viva também a mão firme do Sr. primeiro-ministro que não vacila diante de um grupo mais que privilegiado da nossa sociedade..
.
Que tristeza!

14 junho 2005




LUTO E LUTA...

Mais uma morte de um companheiro de luta pela liberdade. A morte de Álvaro Cunhal deixa a democracia e todo o seu legado mais pobre. Um grande pensador, um escritor, um artista plástico. Um Homem a quem devemos a liberdade; 11 anos preso nas cadeias fascistas, um nome da resistência, um politico de dimensão internacional, um internacionalista. Uma vida por uma causa.

É justo lembrar uma das quadras de Manuel Alegre, que dedico ao Álvaro, nesta despedida da vida: 
"Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não
".

Gente de vários quadrantes lamenta a perda de uma vida com sentido. Muitos gostam de salientar as grandes divergências que com ele mantinham. Poucos têm a coragem de admitir que durante décadas, o Partido que dirigiu foi a única fonte de resistência ao fascismo; numa hora destas, isso é muito mais importante que tudo o resto...
Para homens como o Álvaro, poderemos dizer com Luiz de Camões:
"...e aqueles que por obras valerosas
se vão da lei da Morte libertando.
.."

Adeus camarada...

12 junho 2005







ADEUS COMPANHEIRO...

A morte saiu-te àrua num dia de Junho. Abril tem 30 anos e sempre o soubeste recordar nas tuas intervenções... Curiosamente, a revolução passou-te compulsivamente áreserva, depois do triste Novembro, ao qual se associaram todos os democratas de hoje, e todos os salazaristas do passado. Força, força, ... se cantava, na altura em que tudo era possível. Soubeste resistir ao conformismo, foste um político do povo, sem fato e sem gravata. Falavas para os trabalhadores, irritaste os senhores do dinheiro. Soubeste merecer o respeito de muitos dos políticos de vários quadrantes, apesar de muitos deles te terem minado o terreno, á boa maneira da burguesia comprometida. Lutaste pela Reforma Agrária, pelos direitos dos camponeses; no entanto, agora 30 anos depois, vemos o Alentejo transformado num deserto gigantesco, ao sabor das políticas da massificação. Disseste até ao fim que acreditavas na Revolução, mas sempre com uma preocupação latente.

Foste um combatente e um patriota. Adeus companheiro Vasco!

08 junho 2005





UMA BALADA ESPECIAL....

Um momento de rara beleza em Braga, na passada 6º feira (3 de Junho), aquando da apresentação em Braga, na cooperativa Velha-a-Branca do livro *Balada Solitária* de Fran Alonso e Renato Roque, das edições Eterogémeas. Na linha seguida durante a apresentação, uma projecção com as fotos de ilustração do Renato Roque, a música (o piano) do João Lóio e leitura poética da Regina Castro.

A "Balada Solitária", onde Fran opina sobre a solidão e sobre inúmeras facetas do relacionamento entre as pessoas numa sociedade massificada, é um momento de delicada harmonia entre um conceito terrivelmente dramático e um pragmatismo de discurso e ilustração, com uma geometria mais que variável de sentimentos e palavras.
Através do que pode ser considerada a afirmação do betão, o Renato transporta-nos à complexidade emaranhada da individualidade intrínseca á urbanidade dos nossos dias: porque associei logo os arames do betão ao traçado (errático?) dos nossos neurónios? Puro acaso???

A radicalidade assumida dos autores aliada a um despretensiosismo evidente, leva-nos à cidade que nunca é a nossa, mas sim a que desenhamos numa arquitectura imaginária, onde o sonho é possível. Ou, já agora, como diz o Fran Alonso
Fran Alonso, Cidades, Edicións Xerais de Galicia, Vigo:

"Entre tódalas cidades prefiro as que dormen sobre o mar
ou aquelas que se erguen na areado deserto.
As primeiras están habitadas por sardiñas de prata,
e as segundas por dátiles de luz"
.