rio torto

rio torto

20 abril 2008


GNR + GNR

Felizmente que a noite sai

ainda bem que há névoa por ai

estou contente se a luz se esvai

e uma sombra invade este lugar

Morte ao Sol (1989)


Oficina da Ilusão é nome de promotor. De espectáculos. De um grande espectáculo. Efectivamente, como não sei moralizar, perco a vista na grande banda sinfónica do Jacinto Montezo e o Rui desliza, sempre disfarçando a sua tremenda falta de voz, mas com aquela presença cintilante, “…olha pró que eu faço, mais vale nunca, nunca aprender, mais vale nada, nunca mais querer, mais vale nunca mais crescer…” e as paredes do Pavilhão Atlântico parecem reflectir toda a potência do som no Balcão 2 (não arranjamos melhor…). Lembro agora que há um “hemisfério fraco outro forte…” com ou sem Pronúncia do Norte, mas com a certeza de que “...as teias que vidram nas janelas, esperam um barco parecido com elas”, imagem que fica no ouvido, enquanto roemos maças e sonhamos com Dunas “…alheios a tudo, olhos penetrantes, pensamentos lavados”. A música entra na noite fria e chuvosa, salta do estrado, há sempre uma ilusão que escapa ao promotor, ainda estás aí Anna Lee (?) não sei se diga, mas “…há em mim um profano desejo a crescer”. Às tantas “…mais vale nunca mais crescer…”

Alf

07 março 2008




Para uma princesa desconhecida





Dela fez Sophia um retrato para uma princesa desconhecida. Para que ela fosse aquela perfeição. Numa sociedade longe de ser perfeita apela-se á igualdade de género, de mãos dadas com os perigos, enquanto outros vão à sombra dos abrigos. Nunca desiste, muitas vezes em si fechada, com alguns muros e paredes que não se vêm, a indiferença que magoa, a hostilidade que choca, muitas consciências pequenas que não querem ver o crescer do mar, nem o mudar das luas. Dela recordo o carinho e a ternura que são a cor dos dias, torrente de força, de paz, de liberdade. Podia ser agora apenas um sonho lindo quase acabado. Mas no real é a luta, sempre a luta, a vida, sempre a mesma vida, a esperança, sempre adiada. A presença suave dos dias, subindo a calçada. Sabes minha irmã que quero mudar o mundo? Para haver mais Sophias. E porque os outros se mascaram mas tu não. Porque os outros se calam mas tu não. A princesa desconhecida és tu também!

Fontes:
Sophia de Mello Breyner Andresen:
o “Mar Novo”, 1958.
o “Tempo Dividido”, , 1954.

Fausto Bordalo Dias:
o "Por este Rio acima", 1982

20 fevereiro 2008



As sombras dos cavalos no mar…
(ao António Lobo Antunes)

Às vezes a leitura de um artigo[1] faz-nos acordar para realidades ou sonhos que não alcançamos. Ou porque somos os tais mortais sem aquela argúcia de captar coisas singelas ou porque andamos simplesmente distraídos pela vida, absorvidos por ninharias que se calhar até têm menos interesse. Se calhar. Com a devida vénia ao António [2] , penso que lhe posso “roubar” aquele frase enigmática, que não sendo dele, foi por ele apropriada: “que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?”. Não sei bem porquê, mas há coisas que cativam, que tocam, que despertam. No mar da tranquilidade que para mim é referência, não há limites para a imaginação. Posso daqui, não muito longe do mar, ver formas que não fazem sombra, mas dela se alimentam. O mar daqueles sonhos de tardes sem fim, á espera que algo aconteça, sabendo que na realidade não queremos que aconteça nada. Numa tarde na praia de Apúlia encontro uma menina que atira pedrinhas para longe á espera que o mar lhe devolva alguma trazida por um peixe vermelho; verdade, esperas mesmo (?), não sei mas ele é capaz de vir porque eu lhe pedi… Assim se preenche o tempo, mais importante para a menina que qualquer relatório de um qualquer conselho de administração que revela as tendências em alta da economia europeia. Às malvas a rotina, é mais importante compreender de facto o ponto de vista dos outros, por mais intricado que nos pareça. Entretanto, os cavalos na praia correm sem destino nenhum e a sombra que deixam não chega para nos ensombrar a vida, antes pelo contrário. Continuo daqui, no meu sofá emprestado, a ver as ondas e a imaginar o tal peixinho vermelho sorridente a entregar a pedrinha que a menina lhe pediu… a imagem é tão boa como outra qualquer, desde que gostes e que acredites.

“O homem que se sentia losango”
[3] não tem que dizer porquê, é sempre uma sensação obtusa, que gira qualquer ângulo, numa geometria mais variável que a própria sombra. Podemos estar com ele e não dar conta dos universos infinitos que percorreu sem sair da cadeira, mandando farpas para todo o lado, incluindo este. Acusamos o toque, porque não é grave, embora uma dor aguda possa eventualmente percorrer a alma, esteja ela onde estiver. As tais tardes no mar não são pois forjadas, estamos lá os dois sempre de mão dada, á espera dos cavalos que fazem sombra, não a nós, que curtimos o sol até nos entrar na pele e nos bronzear por dentro. A cor vale tudo, mesmo na sombra, o resto és tu…

[1] Artigo de A. Lobo Antunes, revista Visão de Janeiro 2008, vale a pena saborear: http://aeiou.visao.pt/Opiniao/antonioloboantunes/Pages/Quecavalossaoaquelesquefazemsombranomar.aspx

[2] António Lobo Antunes
[3] Ainda reporte de A. Lobo Antunes, também na Visão de 8 de Fevereiro

08 fevereiro 2008


O ANO DO RATO


Rato é o ano 2008. De rato e de louco todos nós temos um pouco. Será? Este Fevereiro inicia, segundo a tradição chinesa, o ano do Rato. O roedor andará assim mãos dadas ao que parece com a intranquilidade nos mercados financeiros e alguma preocupação com acidentes, á semelhança da 1996. E por cá? Eu, nativo de Rato e Sagitário por imposição natural prefiro vogar nas ondas do tempo, à espera do Sol, que já vai dando uns ares da sua graça, enquanto saboreio um Aznavour eterno, que passeia por Lisboa. Passado talvez, la bohème, “…nous récitions des vers, groupés autour du poêle, en oubliant l'hiver…”. Através dos dias cinzentos do norte, aguardamos talvez que o rato roa algumas cordas que ainda nos atam. Talvez alguma ratice nos safe, no meio da confusão dos dias. Rato, estou contigo, apesar de preferir o gato. Andaremos por aí na esperança de não cair no esgoto, como o rato, isto não está para brincadeira. “…La bohème, la bohème, et nous avions tous du génie”…

28 novembro 2007

DIA 28 (é hoje???)


Meu caro amigo me perdoe por favor
Se eu não lhe faço uma visita…”

C
hico Buarque de Holanda


Escrevemos às vezes por pequenas coisas, umas vezes bem, outras vezes mal, outras nem por isso. As palavras nem sempre dizem o que é preciso, são só palavras. Hoje contudo escrevo para vocês, amigas e amigos de longa ou curta data. Este rio de onde vos escrevo é TORTO que se farta, mas é acima de tudo um RIO que sempre corre, nunca pára, umas vezes cheio, outras nem tanto. Mas tem uma força imensa alimentada pela vossa presença mesmo quando ausente. Venturas e desventuras, ânimos e desalentos que vamos partilhando, um toque de telefone no momento certo, um aperto de mão, um sorriso, um ombro às vezes para encostar a cabeça, um sim ou um não quando é preciso.
Nasci há uns anos atrás (muitos, vá lá…) no 9º signo do Zodíaco, sob o Fogo do grande planeta Júpiter. A Liberdade que é lema dos Sagitários mistura-se com força da amizade e de algumas cumplicidades.
Não podendo fazer-vos uma visita e não tendo fita para mandar notícia, como diz o Chico, mando só um grande abraço que se estende de costa a costa. Para todos vocês, muitos sonhos, fantasias e ilusões. Para vós, tenho sempre todo o tempo do Mundo…

Alf.

08 novembro 2007

TEOREMA HÚMIDO: “a soma de 2 secantes é uma seca”

Era um redondo vocábulo
uma soma agreste
...”
Zeca Afonso, 1973

Paramos por vezes para abreviar o que devia ser extenso. Construirmos castelos que vão para o ar quando apanham vento e calam a raiva dos que, com a sua calma, assustam qualquer um. Digerimos a água que não corre nas torneiras quando há seca. Propomos coisas imaginárias, divertimo-nos à brava com as estéticas malucas dos arquitectos do vazio. Percorremos caminhos que não existem nas auto-estradas da imaginação. Sim, damos corda e deixamos correr porque simplesmente não há ninguém para ver. Aceitamos a fruta verde mastigando o descontentamento, trocamos de roupa vestindo a mesma, porque a nudez faz medo. Roemos agora a corda, saltando de galho em galho...
Tememos a ternura, porque há afectos que há muito se diluíram na tinta-da-china, que é preta de tão amarela. Chegamos aos 4 caminhos e escolhemos nenhum, é uma fuga em frente, porque nem queremos pensar. Encontramos trévoas, fingindo que não percebemos, disrindo de nós próprios. Atiramos ao vento mil palavras e não conseguimos um poema sequer que fale do amor. É louca a vingança que nunca chega a arrefecer para seguir os cânones de quem a serve. Perguntamos respostas, sabendo de antemão as linhas com que nos descosemos. Perdemos o tempo todo a queixarmo-nos do tempo que não temos, uma patetice disléxica. Mal sabemos o valor do ridículo, porque o discurso do vocábulo redondo não cabe na quadratura do círculo.
Até que enfim que estou na cama. Não quero ver nem falar com ninguém, nem sequer para dentro, com receio que eu próprio me escute. Relembro agora do texto “...a tinta caía no móvel vazio, congregando farpas, chamando o telefone, matando baratas, a fúria crescia, clamando vingança...”
Deixa para lá: às voltas com o real acabo por não imaginar do que sou capaz, um disparate tão lógico que assusta mesmo uma barata impedrenida. O que vale é que os registos são automáticos e não perco nem uma linha. Apanho de imediato o comboio para a cidade que fica para trás, o bilhete é por conta do que já fiz, não há troco disponível; é pegar ou largar. Ponho de novo o disco a tocar.
Mas onde raio é que eu pus o isqueiro???

09 agosto 2007


A NOITE...

When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see…”
Ben E. King, “Stand By Me

Chega a noite e ficamos mais sábios. Sonhamos e temos pesadelos. Contudo estamos vivos, quiçá mais soltos, mais verdadeiros. Bebemos um copo pela noite fora e sentimos a luz da cidade que não dorme e que está connosco

Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado,
juntandoo antes, o agora e o depois...”
Caetano Veloso, “Sozinho

A noite é uma fábrica de sonhos!

“...tenho a noite a atravessar
doi-me não irmas não me deixas voltar...”
Tim / Zé Pedro (Xutos) “O mundo ao contrario”


A noite é escura? Que nada, a noite é luz, é musica,
À noite ficamos mais próximos de nós próprios, enfrentamos os nossos fantasmas, os nossos medos, as nossas contradições

Foi uma, noite sem sono
entre saliva e suor
com um travo, de abandono
e gosto a outro sabor...”
Rádio Macau, “Amanhã longe demais
… ”

À noite, encontrei-te finalmente...

Há tantas noites na noite...

11 julho 2007


Ao PAULO SUCENA
Amigo
:

Guiaste uma “bicicleta de recados, atravessando a madrugada dos poemas”. Disseste o Poeta que “...se vestiu de versos e ficou nu dentro dos versos”, tu poeta também, amigo das palavras, amigo dos amigos. Que bom poder privar contigo, as conversas tardias, os copos, os cigarros e as lutas que partilhamos. À noite em casa percorri o teu livro, com alguma emoção, com aquele gozo que é beber as palavras, saborear um poema, recordar o canto e as armas. Que as mãos com que escreveste continuem a amassar as palavras, sempre com mais energia e vigor, porque afinal “...de mãos é cada flor, cada cidade...”
Obrigado Paulo!

Teu Amigo,
Alf.

05 maio 2007


ELES ANDAM POR AÍ...




Apenas diferem no estilo, no discurso mais ou menos encapotado, na jactância inerente à sua postura, na leveza da sua ignorância. Por vezes às claras, por exemplo, mandando para casa os “indesejáveis” imigrantes. Outras na penumbra do um pensamento emergente. Sempre quando se “libertam”, ou simplesmente se descaem. E então numa qualquer Madeira, encravada entre a democracia institucionalizada e um despotismo nefasto que envergonha a Republica, eis que alguém diz que acredita que “O trabalho liberta”. Assim mesmo! Na versão da II Guerra seria “Arbeit macht Frei”, a mensagem estampada na entrada no campo nazi de Auschwitz, três palavras que trazem em si mesmas um sentimento misturado de horror, raiva e tristeza. Curiosamente numa altura em que o cacique Alberto João apelida de fascistas alguns inimigos de estimação. Numa ilha repleta de favores, de compadrios, um Jardim de plantas manchadas, de flores de um paraíso que apelidam de fiscal e que curiosamente ninguém parece fiscalizar. Um atropelo a todos os títulos indigente.

Um simples deslize de linguagem de Paulo Portas? Uma “homenagem” discreta ao 1º de Maio de quem “estima e preza” a lavoura, lembram-se? Ou um marcar de posição a quem lhe disputa o terreno? Não há provavelmente uma resposta. No mínimo, poderemos apenas dizer que de facto “ELES ANDAM POR AÍ”. É preciso ter cuidado…

27 abril 2007


A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DA INCLUSÃO


No mínimo perturbante, a declaração do PR na sessão comemorativa do 25 de Abril deixa antever (mais uma vez?) a dificuldade em lidar com a data em si e o que ela representa ou é simplesmente um desabafo de quem não teria nunca posto a hipótese de descer a Avenida que tem nome de Liberdade onde o formalismo engravatado não tem lugar? Não há provavelmente resposta única (nunca há…) para a semântica enfadonha que teima em orientar a intervenção politicamente correcta. O acto redutor do discurso presidencial, sob o pretexto da pretensa ausência de significado para as gerações mais jovens, esvazia-se de conteúdo, simplesmente porque não é capaz de propor uma alternativa, uma palavra de ordem contra o estatismo e a indiferença, um formato novo para despertar as consciências que o próprio PR quer alertar para putativas “inclusões”, por exemplo… Porque será que o obreiro das novas rotas, para além da Liberdade, essas que pretendem uma “inclusão” provavelmente despida das aspas que lhe toldam o sentido, quer coisas que façam mais sentido do que aquelas onde só vê saudosismo serôdio? Não o disse assim às claras, mas António Vitorino assim o interpretou logo a seguir, quando afirmou que o problema do 25 de Abril não é esse, mas sim o dos atentados à Democracia. E ainda sobre a preocupação presidencial com a tal rota das aspas, importa afirmar sem qualquer rebuço que o impacto duradouro das políticas não pode basear-se apenas na sua popularidade imediata, mas tem de contribuir para a construção de modelos eficientes e sustentáveis. Está em todos os manuais, incluindo a cartilha que o próprio ensinava, segundo creio.

A insustentável leveza da inclusão não questiona por exemplo o facto de, ao longo dos anos, o nosso País não ter feito qualquer progresso em matéria de distribuição do rendimento, permanecendo o mais desigual dos 15 da UE. Mas questiona “o que resta da comemorações do 25 de Abril”. Duvidosa opção esta que não fará decerto o apetite voraz de quem alimenta diariamente uma comunicação social bem comportada e timidamente discreta. Mas vamos ver, há sempre alguém que resiste, não é verdade?

25 abril 2007


25 ABRIL 2007


Para que fique na memória e para que conste são já 33 anos sobre a data que em 74 fez liberdade em Portugal tanto mar que já passou tanta esperança perdida outra tanta ganha para outras causas nada a temer que se for preciso lá estaremos de novo ou alguém por nós claro sabemos percorrer de novo a Avenida da Liberdade que outros desceram o que eles passaram para cá chegar Agora que demos à volta ao fado e inventamos outras músicas com os ritmos de Africas e Brasis que perfumam a nossa identidade lembram as Cesárias os Caetanos e os Vitorinos e ele que já não está de corpo entre nós sabia-o desde sempre o Zeca do nosso orgulho que cantou Abril como ninguém e continua que uma voz assim não se calará nunca e a malta nas ruas pintando paredes colorindo um outro País nem sempre atento às diferenças e desigualdades mas sempre solidário com os Timores do outro lado novos actores novas sensibilidades como agora se diz a redundância redonda das parábolas repetidas que se há-de fazer sei lá o cravo na tua mão está vermelho pois na minha também que força é essa amigo lembro a festa que foi bonita pá e com as pedras que surgirem no caminho muitas são e com elas hei-de construir um castelo diz o Pessoa sabias? Já lá vai tanto tempo são as palavras de ordem que ficam tantas que deviam agora ser misturadas e atiradas ao ar a ver se pega alguma num tempo em que estão gastas dizem e o que importa são os símbolos alguém diz Tenho pressa de sair quero sentir ao chegar vontade de partir p'ra outro lugar e eu que estou além quero dar um tremendo pontapé na indiferença na desconfiança nos medos e na mesquinhez e marcar um golo pela capacidade de transformar de construir e de lutar POR UM 25 ABRIL SEMPRE!!!
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Palavras e/ou frases “roubadas” e algumas nem por isso:

António Variações
Chico Buarque de Holanda
Fernando Pessoa
José Mário Branco
Zeca Afonso

16 abril 2007


EULER E A BELEZA DA MATEMÁTICA…

Pergunta: pode uma fórmula matemática ter beleza, ou seja, ser bela? Resposta: pois claro. Assim pensou em 1988 a revista científica Mathematical Intelligencer, que organizou um “concurso de beleza” para eleição da mais bela fórmula matemática de sempre. Talvez a prova de que também na ciência pura pode haver beleza, diria até um certo fascínio, pela contemplação, leia-se admiração por um articulado de símbolos. Pois, de facto a equação que relaciona cinco quantidades matemáticas: “e”, “pi”, “i”, ”0” e ”1”, conhecida como “identidade de Euler” ganhou aos pontos o título. Passam agora 300 anos sobre o dia em que nasceu este grande cientista, que Carl Boyer considerou o "construtor de notação mais bem sucedido de todos os tempos". Matemática Pura e Aplicada, Física, Astronomia, Física e Teologia foram algumas das áreas em que Leonard Euler se distinguiu. Suíço de nascimento, haveria de ficar conhecido na Alemanha e sobretudo na corte russa, pela sua habilidade em trabalhar rodeado de crianças, no meio da maior das confusões.
Mas há mais. Este matemático recuperou e transformou em ciência matemática um dos passatempos favoritos dos habitantes de Koenigsberg, actual Kaliningrado, no Mar Báltico. Na cidade havia sete pontes que atravessavam o rio da cidade; no meio havia duas ilhas; de uma das ilhas partiam três pontes: uma para a outra ilha e uma para cada uma das margens; da outra ilha partiam cinco pontes: duas para cada uma das margens e uma outra, já referida, para a outra ilha; um total de sete pontes, portanto. Euler desenhou um esquema simplificado, com quatro vértices ou nodos - um para cada margem e um para cada ilha - e com ligações em arco, chamadas arestas. Estes esquemas são hoje conhecidos como “grafos”. O matemático demonstrou que um caminho como o que os habitantes da cidade pretendiam apenas era possível se todos os vértices, com excepção máxima de dois, tivessem um número par de arestas.

No ritmo acelerado dos dias de hoje difícil será encontrar interesse por uma fórmula matemática, dando de barato a sua espantosa capacidade de unificação, mesmo sabendo que ela possa ter contribuído para o avanço de outros estudos. Uma fórmula é uma fórmula e o interesse por estas coisas só pode vir de mentes desligadas da realidade, hoje mais interessada noutras fórmulas, como por exemplo, do enriquecimento a todo o preço. Pensemos no homem que gostava dos números, que decifrava o mistério das pontes e que trabalhava no meio das crianças. Pode bem ser um símbolo com beleza, muito para além da sua espantosa descoberta. Vale a pena “gostar” da harmonia e da arquitectura do edifício matemático, mostrar aos jovens (e não só…) que dizem “não gostar da Matemática” que afinal pode haver beleza numa fórmula matemática da mesma forma que pode haver filosofia numa pedra. É verdade!


Colaboração de Nuno Crato, no artigo “As pontes de Euler” public, muito para alé ado em: http://semanal.expresso.clix.pt/unica/vidas.asp?edition=1798&articleid=ES252146

12 abril 2007

SOBRE O DOSSIER JOSÉ SOCRATES…

Depois de ouvir ontem na RTP o PM José Sócrates (JS) fiquei esclarecido. Devo dizer que nunca me preocupei em demasia com o facto de JS ser ou não ser engenheiro, ser ou não ser licenciado, ou bacharel, nem sequer se uma das suas certidões de nota tenha data de um Domingo. E até estou completamente à-vontade para o dizer. Primeiro, porque não votei nele, nem no Partido que ele representa. Segundo, porque sendo licenciado em engenharia, engenheiro com a cédula profissional nº 45360, nunca me senti incomodado que ele usasse o título. Considero aliás perfeitamente sustentável a sua argumentação, quando diz que um titulo tem mais uma carga social do que propriamente técnica, neste país onde vivemos e onde (segundo parece…) não há coisas muito mais importantes a tratar. Considero ainda que o seu percurso académico no ensino superior de mais de 7 anos é uma prova evidente de quem pretende uma qualificação para uma valorização profissional. E acho ridículo que se venha culpabilizar uma pessoa só porque algo funcionou como não devia a nível burocrático; concordo pois com JS quando diz “… pretender culpar um aluno de qualquer disfuncionamento administrativo é simplesmente abusivo”; nem mais!

Durante semanas a fio venderam-se decerto muito mais jornais à conta do que considero um facto menor. Um facto político (?) de gosto duvidoso, quando se devia era fabricar informação qualificada que contribua para o esclarecimento de quem lê. E assim se vai passando o tempo. Por mim estou satisfeito, ponto final no assunto. Deve haver transparência e todos têm direito ao bom-nome. Pode concordar-se ou discordar-se das posições politicas do PM. Estou também aqui na primeira linha de “combate”, já o fiz e voltarei a fazer. Registo contudo com agrado, por exemplo, a sua posição na questão da IVG, quando afirma que é uma vitória da esquerda o que se conseguiu e que, ao contrário da opinião do PR, o aconselhamento da mulher ´”é um direito da mulher” e não uma obrigação; gostei!

Finalmente e, como vem sendo habitual, o líder do PSD vem propor uma coisa absolutamente impensável, no seu entender uma auditoria ao processo das habilitações de JS. Também aqui manifesto o meu acordo com a resposta do PS, quando considera a proposta de “mesquinhez e mediocridade”. De facto o homem não acerta uma, é de uma infelicidade pasmosa…

Por mim gostaria que terminasse o espectáculo mediático das últimas semanas e se abordassem questões verdadeiramente importantes, para que fosse assumida no País uma discussão politica sobre os assuntos que a todos dizem respeito. Querem exemplos? A convergência com a EU, que nunca mais se faz, os privilégios da Banca que são um escândalo, o verdadeiro significado da politica monetária do BCE. Era bem mais interessante, mesmo que venda menos jornais…
Alf.

21 março 2007

Um Dia de Poesia


Se poeta sou, sei a quem o devo

ao povo a quem dou os versos que escrevo …”
Fernando Miguel Bernardes


Um Poeta que fosse, com arma de amor e ironia
para pintar de cores vivas as palavras certas
seria mulher ou homem que tanto fazia
em português ou talvez não, soltando arestas
que vivas são quando apontam setas
Eu bem gostava de ter cá dentro a voz
que traduzisse um olhar de ver
soltando à má fila um outro eu, talvez atroz
sempre à espera para o que der e vier…

Ou se calhar não…
Alf.
21 Março 2007

18 março 2007

CRÓNICAS DE TIMOR-LESTE -6 AMIZADES...

Elas e eles Amigos que fiz em Dili; nem todos estão na fotografia, mas todos decerto ficam no coração. Em reuniões de trabalho, em amenas cavaqueiras pela noite dentro, no café, no restaurante, no Hotel Timor, aqui e ali, ficam as amizades acima de tudo o resto. Elas e eles portugueses e timorenses que trabalham, vivem e lutam em Timor-Leste, tão longe de Portugal e tão perto de nós, enfim que isto das tecnologias acaba por aproximar as pessoas, um bom sinal dos tempos que correm, depressa e devagar, conforme o ritmo dos orientes e dos ocidentes na era global que vivemos um pouco por todo o lado. Não esquecerei as semanas (uns breves momentos afinal…) que passei em Dili, em trabalho e no lazer das horas e minutos que, com uma certa sofreguidão, fui saboreando no calor dos dias e das noites, por vezes com uma certa ansiedade pelo correr dos acontecimentos nem sempre calmos é verdade, mas a vida é um pouco assim, ficam as saudades, as coisas boas, aquilo que vamos construindo a pouco e pouco, as pequenas vitórias do nosso contentamento, acima de tudo o calor humano daquelas e daqueles que connosco partilham momentos que ficam e que esperamos sempre se repitam.

Viemos para fazer uma obra, arquitectar um Projecto, tentar aproximar as pessoas com base na aproximação de culturas, na conjugação de esforços que possam significar para alguns a autonomia e os direitos a que todos aspiramos. Se conseguiremos aquilo a que nos propomos agora, o tempo o dirá. Por isso, contamos com todos os Amigos.

Bem hajam!


Iniciado em Dili, 12 de Março, ano 2007
Concluído no Porto, 15 Março, ano 2007
ALF.
CRÓNICAS DE TIMOR-LESTE -5









Cada dia que passa em Timor-Leste aprendo uma nova maneira de ver as coisas. Para já, a comunicação com as pessoas não é fácil, um sim pode às vezes ser um não e vice-versa, depende um pouco como a questão é colocada. Entretanto, nos bastidores do Projecto, os contactos com as autoridades locais revelam sempre uma grande preocupação com “o depois”. E o que é isto? Nem mais nem menos que a perspectiva de saber como vão ser rentabilizados os espaços que vão ser construídos, como vão ser programadas e animadas as actividades previstas, qual a taxa de ocupação dos centros, quem e como os vai utilizar… Aqui, espaços como os que vão se edificados e equipados, significam paradoxalmente um perigo potencial de vandalização, dada uma certa instabilidade latente que se vai sentindo. Aproximam-se as eleições, a presidencial primeiro, a 9 de Abril e as legislativas, um mês depois e, a pretexto (ou não) desses factos, tudo pode acontecer. Torna-se para nós evidente que tudo tem que ser programado, definidas as responsabilidades, orçamentadas as obras, analisadas as alternativas, cimentadas as parcerias, enfim desenhados todos os cenários, para que a probabilidade de falhas seja a mínima possível. É para nós um dado adquirido que deve ficar assente desde já a futura direcção do Centro Comunitário.

Enquanto isso, o Presidente Xanana Gusmão com quem me encontro, dá conta de um sonho que persegue há anos: reactivar Soibada, por onde terão passado sucessivas gerações de timorenses que constituem até aos dias de hoje a elite cultural do território; o Colégio da Soibada, dirigido ate 1910 pelos Jesuítas, destinava-se à formação de professores-catequistas, incumbidos ao mesmo tempo da alfabetização e da instrução religiosa das populações rurais. A ideia, o sonho enfim, seria implementar aí um Centro de Estudos avançados para professores, formadores, académicos, com o propósito de consolidar uma “formação estruturante”, capaz de preservar a defesa da língua portuguesa e as tradições e costumes timorenses e de promover a cultura e o saber. Anoto as preocupações do Presidente e faço saber que o sonho pode transformar-se num grande projecto, desde que seja possível fazer um diagnóstico da situação a esse nível, identificar as vertentes-base e procurar os apoios que permitam avançar uma proposta de intervenção global para o relançamento da Coimbra de Timor-Leste, como é conhecida Soibada. O sonho pode vir a ser uma realidade, num futuro próximo. Aceito o desafio, naquilo que poderá significar uma resposta da sociedade timorense para a sua formação e enriquecimento culturais, uma aposta de futuro na sociedade do conhecimento onde nos inserimos.

É que “…sempre que um homem sonha, o Mundo pula e avança…”

Dili, 10 de Março, ano 2007
ALF.

07 março 2007

Ela (She)
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem..."
Fernando Pessoa


"
She, may be the face I can't forget
a trace of pleasure or regret
may be my treasure or the price I have to pay.
.."
Elvis Costello


Ela que preenche os nossos dias, povoa as nossas cidades, sofre e luta e cala não raras vezes. Ela que é Gabriela, cravo e canela, com samba e liberdade à mistura. Ela que é Luísa, sobe a caçada de um qualquer sítio, no peso de uma existência por vezes sem sentido. Ela que pode ser Marta ou Mariazinha, conforme a disposição do companheiro, amante ou patrão. Ela a quem por vezes oferecemos flores, mas também pisamos direitos. Ela que ésistematicamente descriminada, mas a quem rendemos homenagem se corre mais depressa na pista ou se desfila na passerelle. Ela que em remotos lugares é privada dos mais elementares direitos de cidadania. Ela que é violentada e amordaçada. Ela que nos acompanha e embala, que nos perturba, mas que muitas vezes nos ouve em silêncio. Ela que é paixão, o tal fogo que arde e que em tempos passados a queimou na fogueira, sempre em nome de grandes princípios, curiosamente ainda os mesmos que ainda hoje a diminuem e enxovalham. Ela mesmo, que é menina, com doce balanço e carinho do mar. Que pode ser deusa, princesa ou rainha, feiticeira ou puta, conforme vira o vento ou muda a sorte...

Ela que são muitas elas, elos de uma cadeia que faz nascer e girar o mundo. Ela, a quem dedicamos um singelo dia no ano, em memória da liberdade, da democracia e da igualdade.

É hoje!

05 março 2007

CRÓNICAS DE TIMOR-LESTE -4
TIMOR COM RUGAS...



Dili, 4 e meia da tarde deste dia conturbado que começa com a recomendação da Embaixada Portuguesa para a restrição de circulação; os professores não iriam dar aulas hoje, o hall do Hotel Timor povoa-se de gente que circula, sem saber bem o que fazer. Com uma reunião no Palácio do Governo às 9 da manhã, hesito em fazer a pé o percurso habitual, tomo um táxi, apenas um minuto e meio, por 1 dólar. Recebo convite do Instituto Camões para a apresentação, na Fundação Oriente, do livro (() Timor, as Rugas da Beleza, António José Borges, Garça Editores, Peso Régua, 2006) do TozéBorges, professor de literatura portuguesa na Universidade de Timor Lorosae. É precisamente ao título da sua obra que roubo a ideia para o nome desta crónica, segundo o autor uma homenagem aos velhos de Timor-Leste que perpetuam o mundo imaginário do Bei Lafaek (o Avó Crocodilo); serão eles, cada um desses velhos, uma autêntica biblioteca itinerante (() Referência do autor), de onde se soltam palavras silenciosas (() Idem, ibidem.).
Aproveitam-se os momentos de convívio, após a apresentação do livro do Tozé; a Mara (do Instituto Camões) faz as honras da casa emprestada, o ar condicionado avariado, as bebidas bem quentinhas, mas com todo o mundo bem disposto, bebendo o fim de tarde chuvoso e quente, com montes de soldados nas ruas.
A provar, se necessário fora, que este mundo é mesmo pequeno, o prazer imenso de reencontrar um colega de curso da FEUP; uma conversa técnica sobre energias renováveis e, ao fim de alguns minutos descubro o Cordeiro, não nos cruzávamos desde o já longínquo ano de 75, marca no tempo do final de curso para ambos.

Falo ainda sobre o que me trouxe por cá, apenas para dizer que o dia de hoje transportará toda a carga emotiva da satisfação do chamado dever cumprido. Após uma longa reunião que vai quase até às 2 da tarde, conseguimosdelinear o Projecto de construção do Centro Comunitário de Educação e Formação de Bidau Massau, mais um Centro Internet e ainda um pequeno Parque de Jogos. Os dados estão agora lançados, acertam-se os orçamentos, discutem-se os pormenores do início das construções, do envio da primeira tranche de dinheiro e claro da necessidade de apresentação de contas. O que significa esta obra, ou melhor estas obras, para os timorenses da aldeia, não tem palavras. Nós, do outro lado, tentamos aprender o significado do que é a cooperação para o desenvolvimento. Em Timor-Leste, o País das crianças, das mulheres silenciosas (silenciadas?) e dos velhos que mostram nas suas rugas toda a beleza deste Oriente com uma claridade imensa, apesar da sombra dos dislates dos últimos dias.

Amanhã, espera-se um dia mais claro ainda...



Dili, 5 de Março, ano 2007
ALF.
CRÓNICAS DE TIMOR-LESTE -3





A VISITA A BIDAU MASSAU








Às 10 da manhã deste Sábado já a comitiva do Primeiro-Ministro Ramos Horta se encontra no Hotel Timor, devidamente preparada para uma missão de reconhecimento de terreno. O destino é o Suco(() Suco: divisão administrativa que abrange várias aldeias) de BidauMassau, onde existe uma Associação de desenvolvimento local, em colaboração com a diocese de Dili.

Deslocamo-nos numa Microlete, o PM, a Chefe de Gabinete, dois assessores e mais 2 jornalistas. Atrás de nós um jipe com 2 seguranças, passando perfeitamente despercebidos na paisagem. Pelo caminho, muitas saudações da população, algumas paragens para cumprimentar as pessoas, muitos miúdos das escolas com os seus uniformes coloridos que se acercam da carrinha, sempre que dão conta que dentro viaja o próprio PM. Uma breve passagem pela residência oficial do Presidente Xanana Gusmão, com quem o PM tinha ficado de se encontrar. Andamos uns 20 minutos em marcha lenta pelas ruas da capital, afastando-nos do centro da cidade, por zonas habitacionais, sempre com as montanhas por fundo, uma imponente paisagem com tons de verde carregado e uma ligeira ameaça de chuva, que nunca se cumpriria, à excepção de umas pequenas gotas que amenizam o forte calor dos últimos dias. Entramos na aldeia de Bidau Santana, umas 500 famílias, num total de cerca de 1200 pessoas; a aldeia tem uma Escola Primária com 8 salas para 40 alunos e 10 professores. A Associação trabalha para a população da aldeia, com o objectivo de formar mulheres e jovens nas artes da costura, defende o património ambiental e projecta a formação desportiva dos mais jovens. Germano Brites apresenta-nos o seu Projecto que envolve a edificação de um pequeno Centro Comunitário e também de um campo desportivo multiusos. Fazem uma festa da nossa visita sobretudo quando Ramos Horta lhes comunica que eu trago apoio concreto para o seu Projecto, materializado numa doação dos professores portugueses.

No regresso, sempre em marcha lenta, com várias paragens, damos boleia por duas vezes a timorenses que aguardavam algum transporte e que são convidados a entrar na Microlete. Um almoço excelente oferecido pelo PM a toda a delegação, naquilo que em Portugal poderíamos chamar uma tasca, completa o cenário de um dia que marcará certamente todos nós.

É difícil explicar a satisfação destes momentos. Ficará na memória o contacto directo com as pessoas, a sua simplicidade, o seu empenhamento na melhora das suas condições de subsistência, no orgulho pelos seus valores, na defesa da sua terra. O pano de fundo do local onde a aldeia se reuniu para nos receber é uma imagem da santa, evocando os mártires do massacre de Santa Cruz...



Dili, 3 de Março, ano 2007
ALF.
CRÓNICAS DE TIMOR-LESTE -2

O HOTEL TIMOR (em Dili)

O Hotel Timor (HT) localizado no centro de Dili, mesmo em frente ao porto é o principal hotel da cidade e, de certa forma, um ícone da capital timorense. Muita história se fez neste edifício, antigo Makhota, designação original que remonta a 1972, funcionando entre 1976 e Setembro de 1999, data em que foi incendiado e abandonado durante o período conturbado da retirada da Indonésia do território. O actual edifício foi alvo de remodelação profunda no final do século passado a partir de um Protocolo celebrado entre a Fundação Oriente e o Governo de Timor-Leste; nessa altura, aquela Fundação realizou obras de total recuperação e equipagem do novo Hotel Timor.

Um símbolo da capital e palco de acontecimentos ligados à luta pela independência e mesmo após em momentos de crise, o HT é ponto de encontro permanente de trabalhadores da cooperação portuguesa, empresários, professores e demais visitantes da capital. À hora do almoço, ao final da tarde e no fim do jantar, o Bar do HT enche-se de pequenos grupos que simplesmente conversam, bem o seu copo. Há também os grandes grupos, sobretudo profissionais das Nações Unidas e da GNR portuguesa.

A realidade em frente ao HT é porventura bem diversa: grupos de barracas mais ou menos alinhadas, pessoas que na calada da noite procuram um pequeno jacto de agua no jardim fronteiro para se lavarem. Curiosamente chamado de
Jardim dos Heróis, o espaço é para todos os efeitos um dos vários campos que acolhe deslocados timorenses.

Com muita simpatia da maior parte dos funcionários, a começar pelo jovem director que está por cá há 1 mês e meio, o HT tem de facto um serviço de qualidade mais que rasteira. Na ingenuidade de viajantehabituado a pedir todo o tipo de informação no Hotel, descubro que não existe um mapa da cidade e só há jornal de 15 em 15 dias. Não existe promoção turística de qualquer espécie, mas há sempre um porteiro simpático para nos receber. Não é propriamente o Hotel Califórnia da canção, é simplesmente o Hotel Timor...


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Fontes
:
Sitio Internet HT, in:
www.hotel-timor.com
www.portugaldiario.iol.pt


Dili, 2 de Março, ano 2007
ALF.