rio torto

rio torto

31 março 2010



GABRIEL
It was only one hour ago
It was all so different then
Nothing yet has really sunk in
Looks like it always did
This flesh and bone
Is just the way that we are tied in
…”
"I Grieve", City of Angels, Peter Gabriel




Apenas há uma hora atrás… A notícia: Gabriel. A primavera de uma Vida que nasce na Primavera do tempo. Agora um tempo em que normalmente desesperamos por isto ou por aquilo. Hoje esperamos. Ele veio ter connosco. Dar-lhe tudo o que ele merece pode ser apenas um lugar-comum, o tempo se encarregará de o fazer feliz neste mundo cada vez mais desigual. Amor, carinho, apaixonadamente, perdidamente, assim mesmo. Saberemos transportá-lo ao maravilhoso mundo dos sonhos, fantasias e utopias? Se a Felicidade é um mito, fazê-lo feliz pode ser a Realidade. Estamos felizes e queremos que ele seja feliz entre nós. Já não há anjos e arcanjos (?), deste dizem ser o arauto de boas novas, mensageiro de boas notícias; e que nos dará compreensão e sabedoria. Poderá transformar o mundo? Quem sabe? Para nós que ora o acolhemos, porventura uma lição de vida, de uma esperança incontida de alegria e de Amor. Com os olhos radiantes de encher a nossa vida de Cor, pintar um quadro para Gabriel na cidade dos anjos que imaginamos. E, como a imaginação é poder, viva pois Gabriel!


30 Março 2010
Alf.

08 março 2010

O segundo erro de Deus?




Mulher e Homem JUNTOS? Claro que sim!

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
de esperas…”

Tourada” (excerto), José Carlos Ary dos Santos, 1972

Foto: João Tocha, Malange, 2009


Evocar um homem a falar da Mulher, poderá parecer um paradoxo, sobretudo, neste dia. Não sei quantos (muitos concerteza) terão sido os erros de deus, essa criatura insondável e malévola, que porventura terá inventado a discriminação e a diferença, como coisas perfeitamente naturais. Quando pronunciou a Mulher como “o segundo erro de Deus”, quereria Nietzsche porventura desmistificar o paradoxo: qual teria sido o primeiro? Ou pelo contrário, associar a Mulher aos erros frequentes e constantes do dito criador? Curiosamente, o autor, que morreu no ano 1900, em pleno verão, com 55 anos, muito novo para a nossa época, haveria de “presenciar” (apenas com 13 anos de idade), ao 8 de Março de 1857 em Nova Iorque, data por demais conhecida. Não há registo que se tenha posteriormente manifestado sobre o assunto…

A história diz-nos que, mesmo nos países ditos desenvolvidos, a Mulher foi diminuída, discriminada e violentada e se revoltou contra as más condições de trabalho e reduzidos salários. Metáforas à parte, estará a mulher, em pleno século XXI, dotada do mesmo estatuto do homem, iguais condições de acesso ao trabalho, iguais direitos, salário igual para trabalho igual? A questão curiosa que se levanta, poderá ter uma resposta politicamente correcta, para os que pensam (e afirmam) que a sociedade do conhecimento gerou em si mesma, a igualdade plena de direitos e garantias e que a democracia, o chavão que dá para encobrir as maiores desigualdades, é o melhor dos sistemas para garantir “oportunidades”. A realidade, para a quem quer ver, contudo não engana. Por toda a parte, em todos os continentes, a Mulher ainda é discriminada e reduzida muitas vezes a um papel secundário. Com contornos de injustiça, de diferenciação de género, por vezes obrigada a práticas atentatórias á sua natureza, como o demonstram, por exemplo, a mutilação genital, praticada até na velha Europa, imagine-se! E sempre em nome das religiões, esse flagelo universal, pesadelo das civilizações, torpe desígnio que as arrasta pelos trilhos da indignidade: burkas, espancamentos e flagelação por não serem fiéis ao sacrossanto marido, por terem gerado e dado à luz um filho fora da instituição casamento, inventada pelas igrejas, a começar pela católica, apostólica e romana. Há alusões aberrantes da Mulher que chocam os sentimentos e a razão, como a de Alexandre Dumas, “mulher - é o anjo e o diabo num só corpo”; lá está no fundo a imagem da religião sempre presente. Um lado escuro do mundo? Teria razão John Lennon quando uma vez escreveu “A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem”? Dá para pensar, pelo menos para quem quer abrir o espírito, libertário que o seja, “… que a liberdade está (sempre) a passar por aqui(1) . Quando a grande Simone de Beauvoir afirmou que “é pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta”, não terá porventura pensado que, quase meio século depois, a situação da mulher relativamente ao emprego, estaria praticamente no mesmo ponto que nos anos setenta do século passado. A verdade é esta: em 2010, no nosso País, “60% dos diplomados em Portugal são do sexo feminino, mas apenas 16% são quadros superiores na administração pública e nas empresas; quando se comparam os salários, os homens recebem em média mais 287,00 euros do que as mulheres que ocupam o mesmo posto(2)

No dia de hoje, quero deixar:
o às amigas, companheiras e/ou camaradas, as palavras de um dos precursores do romantismo (3) : “A mulher é a mais bela metade do mundo
o aos homens, o pensamento de um dos anarquistas (4) que admiro: “Nunca encontrei uma mulher que me fizesse lamentar o facto de ser um homem, e peço-lhes que não aceitem isto como um cumprimento

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(1) Extracto de “Maré Alta”, Sérgio Godinho, 1975
(2)Fonte: TSF / DN, 08 Março 2010
(3)Jean-Jacques Rousseau
(4)Boris Vian

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Citações:
Beauvoir, Simone (9 Jan 1908 – 14 Abr 1986)
Dumas, Alexandre (27 Jul 1824 – 27 Nov 1895)
Godinho, Sérgio (31 Ago 1945 - ___)
Lennon , John (9 Out 1940 – 8 Dez 1980)
Nietzsche , Friedrich (18 Out 1844 – 25 Ago 1900)
Rousseau, Jean-Jacques, (28 Jun 1712 - 2 Jul 1778)
Santos, J. C. Ary (7 Dez 1936 — 18 Jan1984)
Vian, Boris (10 Mar 1920 – 23 Jun 1959)



07 fevereiro 2010

Seduzido e Abandonado (parte I)



Seduzido pelo triplo brilho da beleza, do infortúnio e da nobreza…”

Balzac (A Mulher Abandonada)




A expressão pode ser aplicada a qualquer um(a), constituindo aliás um facto recorrente nos tempos que correm. Há sempre coisas que acontecem na vida, que de madrasta que é, nos finta e dribla, nos dá a volta, por baixo ou por cima, conforme os casos, a disposição e o livre arbítrio, que dizem ser uma das faces da democracia que vamos tendo (…). Seria fastidioso recorrer aqui a elegantes figuras de estilo, mais ou menos na moda, para descrever o que afinal não tem descrição possível. Nos casos mais agudos, o interessado é sempre o ultimo a saber, o que sendo grave, não parece constituir problema, para quem à partida se assume como tal. Está bom de ver que a especulação à volta deste interessante tema, a nada leva, a não ser ao(s) próprio(s), em termos de introspecção, quiçá para remediar alguns males menores.
Com todo o respeito que me merecem algumas (muitas por sinal) figuras que até representam história e para não referir as(os) amigas(os) que a ele pertencem, reporto e dedico estas crónicas (sendo esta uma primeira e englobante peça) ao Partido Socialista. Que se diz e se pretende herdeiro dos ideais da República. Pelo menos. E também da liberdade e da democracia, que hesito em escrever em maiúsculas, talvez até para não lhes restringir âmbitos, nem fronteiras.
A liderança actual, que conduziu á conquista de uma das maiorias absolutas mais significativas após o 25 de Abril, empolgou na verdade os dirigentes e o próprio Secretário-Geral. Contudo, a trajectória errante, que caracteriza os chamados “partidos do poder”, veio a delimitar a hipotética base de apoio que “deveria” confirmar a maioria absoluta, tendo conduzido ao que se conhece, nomeadamente a uma escorregadia maioria, perigosa e manhosa, mas que no fundo até talvez não desagrade aos teóricos académicos simpatizantes do “centrão”. Sobre o qual tenho uma posição definitiva, mesmo sabendo os riscos do termo “definitivo” (que desafia a dialéctica): o pântano. Assim mesmo,” terreno encharcado de água estagnada, lodaçal, charco, atascadeiro, tremedal, atoleiro,…” . No “pântano” se afundam geralmente os que, em águas turvas navegam, ao sabor das meias-tintas, dos compromissos contranatura, das alianças duvidosas, dos imperfeitos pretéritos. As conciliações impossíveis, por querem abranger interesses inconciliáveis, normalmente designadas “a bem do País” e que se podem “traduzir”: a bem dos mesmos de sempre. Aliás, basta vê-los a repartir lugares de topo na administração pública e nas grandes empresas, sempre com os “outros companheiros” do centrão.
A recente “negociação” do Orçamento de Estado para 2010 é o retrato fiel das considerações até agora escritas. Para o bem do País, a aproximação à direita (e extrema-direita) parlamentar não é somente uma deriva regular; encara e retrata uma vocação conservadora e espelha fielmente a escolha dos caminhos a trilhar, num futuro breve, por um Governo de burocratas e tecnocratas de estatura mediana. Mesmo as tímidas medidas de restringir alguns benefícios da Banca, dos vencimentos dos gestores, estão manchadas pela manutenção dos privilégios daqueles que supostamente são os causadores da tal crise mundial, que serve de pretexto para tudo e mais (ou menos?) alguma coisa.
Mesmo assim, a direita não fica satisfeita e quer mais, sempre mais. É por isso que a sedução direitista, irá levar mais tarde ou mais cedo, ao abandono de um putativo acordo de princípio. Temos então, um Partido seduzido e abandonado. Aliás, a estranha votação da Lei das finanças Regionais, é a prova mais evidente do sentimento “abandonado”. Mas, a isto voltarei, porque vale a pena esmiuçar a coisa.

Para mal de vários pecados, o mesmo Governo treme de novo com algumas “calhandrices”, a saber, coscuvilhices e mexeriquices, espécie bem portuguesa, delimitada aqui e além, por laivos de ignorância mal contida. O certo é que as coisas vão-se sabendo, algum fumo paira no ar, mais uma vez, o pântano. Contudo, a sedução não deixa de ser perigosa: ou conduz á paixão, ou ao desastre do abandono.

Fim da primeira parte.

07 Fevereiro 2009
Alf



Uma fábula chamada “Caim”








Dele disse um dia ter escrito uma das belas obras do século XX: “O ano da morte de Ricardo Reis”. Sobre o homem e a sua Lisboa, uma fantástica alegoria da vida e da morte. Sobre ele, escrevi mais vezes, de uma forma geral quando publicava qualquer coisa. Suspeito serei pois de gostar de ler Saramago e de objectivamente ser pouco objectivo, redundância perdoada à partida. Volta a escrever agora, incomodando conservadores de todas as matizes, consciências pesadas e enfeudadas em estereótipos e arquétipos à medida da sua (deles) curta visão de detêm da realidade, mas que sempre tentam impor aos demais. Fantasmas e medos de um passado que não capazes de reinventar. A estória de Caim é uma reflexão séria e, ao mesmo tempo, divertida: um misto de lenda, ficção, humor e ridículo. Que faz pensar, questionar, especular e até (porque não dizê-lo?) esmiuçar…
O homem e a divindade: o poder absoluto e um poder relativo, assim um pouco à medida do possível. Ou a luta pela autonomia, na realidade falaciosa e sempre condicionada. O diálogo de caim com o deus é um reflexo do diálogo do cidadão com o poder, nos dias de hoje: é interessante, politicamente correcto, mas na prática, não dá mesmo. As viagens no tempo do homem que quer mesmo enfrentar deus, ao ponto de eliminar cirurgicamente um a um, uma a uma, os humanos da arca; porque deixa de acreditar na dita espécie, que entretanto irá vingar 2 mil e dez anos (para já…); ele que apenas quer (e não é o queremos todas(os)?) fruir a vida e a liberdade.
O jardim do éden, que afinal existe mesmo para uma data de privilegiados, “…charlatões e charlatonas /discutem dos seus assuntos /repartem-se em quatro zonas/instalados em poltronas”, imagem mais que possível. Onde tudo existe à mão de semear, mas contudo bem guardado, afinal bens e riquezas, ao dispor das regras impostas pelos senhores de um mundo cada vez mais injusto, exclusivo e cada vez mais perigoso. Um mundo que desqualifica, limita e reprime os que tentam sobreviver e/ou que lutam pela liberdade e pela inclusão. Em “Caim” pode ver-se qual a qualidade da tal "Democracia” que nos ensinaram e que está a dar neste momento lições exemplares a todo o Mundo, a todos os mundos…

Alguém disse um dia que talvez este seja mesmo “Um Mundo ao contrário”. Saramago exalta o homem que desafia o deus arrogante, injusto, exclusivo e repleto de caprichos, (mais ou mesmo idiotas), que faz o que lhe apetece e quem se diz insondáveis serem afinal os seus desígnios. Para todas(os) que querem e que intervêm para a mudança, tudo isso não passa de mais um devaneio. Todavia, a atenção que porventura prestamos, nunca será demais, sendo porventura um dos ensinamentos que podemos extrair da obra.

Aos que ora reclamam /vociferam pela liberdade de expressão convém lembrar 2 abjectos personagens, que não sendo bíblicos, bem poderiam figurar entre os que, á boa tradição inquisitória, são capazes de “horrores, incestos, traições, violências, carnificinas”, de que fala o Autor: os PSDs Mário David e António de Sousa Lara; o primeiro ao declarar “abdique da nacionalidade portuguesa”; o segundo, ao considerar “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, de “blasfemo”, tendo chegado ao ponto de o vetar, na qualidade de Sub-Secretário de Estado adjunto da Cultura, de uma lista de romances portugueses candidatos a um prémio europeu.


05 Janeiro 2009
Alf
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Citações:
o José Saramago
o Sérgio Godinho
o Tim / Zé Pedro (Xutos & Pontapés)

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Nota final: este texto foi escrito a 24 de Janeiro, uns dias antes da brilhante palestra do meu Amigo Tozé (o escritor António José Borges), que teve lugar a 27 de Janeiro, na Sociedade da Língua Portuguesa, sobre o tema em apreço. Constituindo matéria de pesquisa, no âmbito da sua tese de doutoramento sobre Saramago (que aguardamos ansiosamente a publicação), a palestra foi ainda um momento de aproximação de ideias, conceitos e de pessoas. De reflexão também. Bem hajas por isso Tozé!

03 fevereiro 2010

Foi bonita a Festa, pá….

"Foi bonita a festa, pá
fiquei contente…
Sei também como é preciso, pá
navegar, navegar…
Canta a Primavera, pá
manda novamente algum cheirinho de alecrim

“Tanto Mar” (extracto), Chico Buarque, 1976




Um dia pleno de alegria, um sentimento que nos atravessa, dificuldade de conter as emoções, elas que são o sal e a terra. O fogo também, que nos conforta e nos aquece por dentro. Afinal, os elementos estão connosco, é a solidariedade que nos convoca para a Festa. Não bastasse a satisfação por ver a profissional, com a dignidade, profissionalismo e respeito que nos merece, a ser eleita para um lugar que lhe assenta como uma luva, mas ainda o facto de reencontrar a Amiga, após mais de 15 longos anos, com a frescura que é uma marca da sua personalidade. Fiquei pois muito contente, é gratificante um dia assim e se a vida é feita de momentos uns mais e outros menos, que este o seja simplesmente, o momento em que o cravo de Abril que o Poeta canta, ganha de novo a cor que lhe pertence. É para ti, a flor que deixo, com o carinho que nos faz os olhos húmidos de sentimento incontido. Sabes, sabemos todos, os que estamos contigo hoje, o que vai ser preciso navegar. Mas, “navegar é preciso, viver não é preciso…”, lembras-te dos anos em que partilhamos ideais e espalhávamos confiança? Pois agora, neste barco navegaremos contigo, com a mesma confiança de outrora, com a mesma determinação e mesmo espírito de vencer Tanto Mar. E agora, que a Primavera não tarda, vamos trazer o tal “cheirinho de alecrim”, que pode ser o sinal da diferença, da inquietude dos livres-pensadores, da vontade e do empenhamento humanista. Que se reflecte, por exemplo, quando dizes que “ a participação cultural e social é também consciência dos direitos de cada um e dos outros – os Direitos Humanos como referência universal –, consciência crítica e solidária com outros povos, com o ambiente, com o desenvolvimento sustentado numa visão global e conectada do mundo, dos seus problemas e soluções”.

O barco, noite no céu tão bonito /Sorriso solto perdido / Horizonte, madrugada / O riso, o arco, da madrugada”. Pode ser o nosso compromisso, o teu compromisso “O compromisso comum, onde o sentimento genuíno de coesão se alicerça…”, ou ainda “integrar, sem exclusões, intervir na sociedade de forma sólida, sustentada e reconhecida…”. O barco vai de saída, mas tu não vais navegar à vista, mas sim com sentido de estratégia bem claro, definido e assumido. No barco, estamos contigo. Bem hajas, querida Amiga!

02 Fevereiro 2009
Alf

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Citações:
o Caetano Veloso
o Chico Buarque de Holanda
o Fausto Bordalo Dias
o Fernando Pessoa
o Rosário Gâmboa




31 dezembro 2009

E em 2010, mudamos o Mundo?


Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase Dezembro
Eu vou...

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou...

Por que não, por que não...”
Alegria, Alegria” (extracto), Caetano Veloso, 1974

Foto: João Tocha, 2009


Caminhamos contra o vento, desde sempre, que disso me dê conta. Sabemos que algures existe qualquer coisa que nos atrai, estranhamente atraí, e vamos na onda da descrença e do maldizer, apenas porque os outros o fazem também. Possivelmente mais cómodo, mais fácil, adoptando exactamente a postura daqueles que furiosamente criticamos. Por vezes até mandamos às urtigas a coerência, os princípios e até a alma. Mais valera então fazer qualquer coisa de útil, para variar… Vá lá, acorda e vê á tua volta (tenta ver…) algum sinal, alguma voz que te chame. Alguém entretanto me escreve “E em 2010, mudamos o Mundo?”. Porque não, porque não? A carga positiva, o sentido de verdadeira determinação, a frontalidade da asserção (que mais parece uma palavra de ordem), agradam-me sobremaneira. Proponho até e (creio que) a propósito uma outra que poderia ser “Queremos entrar na crise pela mão dela / queremos estar na crise em vez de sair dela”. E porque somos de facto praticamente obrigados a estar nela, não nos sendo permitida qualquer veleidade, embora nada tenhamos feito por isso, porque há quem decida por nós, porque há-de sempre alguém a querer pôr a pata em cima de nós. Vamos então entrar na crise e ditar a nossa lei, porque somos a grande maioria dos que sofrem dia a dia as suas consequências. Vamos invadir os centros do poder, as praças e avenidas, vamos ousar, desafiar os centros de decisão económica, denunciar os abusos, as prepotências e os roubos da Banca, mostrando por exemplo, o poder do consumidor: eu, por exemplo, há mais de 1 ano a esta parte, deixei de consumir combustível GALP, REPSOL e BP….

Porque a mudança está porventura dentro de nós, uma questão de vontade individual, que pode ser colectiva se passarmos à acção, se quisermos de facto, transformar e mudar. Mudar o Mundo? E porque não? Mesmo que tal não seja pacífico. Os “olhos cheios de cores” aguardam assim que sigamos em frente. Eu vou... Por que não, por que não???

31 de Dezembro de 2009
Alf

23 dezembro 2009

Natal 2009



Trabalho colectivo de estudantes e professores do “Colégio Moderno”, Lisboa 2008
“… O único mistério do Universo é o mais e não o menos.
Percebemos demais as coisas - eis o erro e a dúvida.
O que existe transcende para baixo o que julgamos que existe.
A Realidade é apenas real e não pensada.
O Universo não é uma ideia minha.
A minha ideia do Universo é que é uma ideia minha….”
in "Poemas Inconjuntos", Alberto Caeir




Quando tudo se parece desmoronar
à volta de esperanças desencontradas
na esquina há uma luz que parece se apagar
mas há vozes que sonham acordadas
e que falam que é possível, quem diria (?)
mudar de vida, de rumo e trazer mais alguém
que dê força e razão à Utopia
pode ser hoje ou quem sabem, mais além…

Mas se um só dia conta como dizem ser natural,
porque não ser então neste Natal?

Alf.

23 Dezembro 2009




28 novembro 2009


Quando alguém nasce
nasce selvagem
não é de
ninguém…”
Delfins, 1990




Nasci exactamente 0:45 da madrugada de um qualquer 28 de Novembro. Sagitário, ascendente Virgem. Rato, segundo os chineses. Coincidência? Talvez, nesta vida, quase tudo são coincidências. Tudo e nada, tal como numa dialéctica contradição. Partilho, como qualquer ser humano face da terra nascido, uma estranha alegria de viver. É uma coisa maravilhosa. Nasci para ser livre e selvagem, no sentido poético do termo. Tal e qual, como a canção. Vim de uma terra provavelmente assombrada e “…do ventre de minha mãe / não pretendo roubar nada / nem fazer mal a ninguém(1) , como o poeta diz. Sonho, muitas vezes acordado, com as terras onde o Mundo nasceu, com as gentes que conheci e como valeu (e vale) a pena sentir as cores, os cheiros e sabores. E de saber que há (ainda?) na mais pequena aldeia, na grande cidade, numa terra do fim do mundo, pessoas boas, daquelas que raramente fazem história e que vivem, muitas vezes dura e penosamente, apenas porque vale a pena viver. No meio da confusão, da obscenidade das crises, da crueldade da opressão, há pessoas sem nome que fazem a diferença. Acredito nelas, nas suas frustrações e desencantos. Porque há utopias que valem a pena. Porque a liberdade se conquista. E a conquista tem sempre mais encanto. E o encanto maior é viver dia a dia, com o gosto doce dos afectos.

Para todas(os) as(os) minhas(meus Amigas(os), quero deixar um voto de esperança e de alegria de viver, de ser livre e selvagem. Encontramo-nos por aí…


28 Novembro 2009
Alf
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(1) António Gedeão, In Teatro do Mundo, 1958

10 outubro 2009

CASUS
Parte 2. RR



Fonte: http://images.google.pt/images?hl=ptPT&source=hp&q=rui+rio+em+imagem

Ainda bem que os GATO resolveram trazer a cena este cidadão, presidente da Câmara do Porto e candidato a um putativo 2º mandato. E digo ainda bem, porque nos foi dada a possibilidade dever e ouvir um personagem simplório, uma personalidade perturbada, um espécime do mais rasteiro que se possa imaginar. Já sabíamos que era mau, nunca pensaríamos porém que fosse ainda pior que isso. Durante a entrevista foi possível avaliar o mais profundo desprezo pela Cultura, pelas pessoas, pela sociedade civil. Um intérprete zombeteiro, um tipo viscoso, tentando fazer humor de baixo nível, deixando passar a imagem de um ser mal-formado, mal-educado, um poço de lugares comuns, um vazio completo de ideias. Gozando, tentando gozar com pessoas como o Pedro Abrunhosa, uma figura que de facto está a um nível que o candidato nunca poderá chegar; aliás seria difícil descer tão baixo, como o fez essa figura pequena, um cromo autêntico, uma farsa inqualificável.

Embora não votando na cidade do Porto, não posso esquecer os laços incontornáveis que à cidade me ligaram em tempos e que ainda estão vivos. E, por falar em vivos, o Pedro talvez lhe tenha dado uma resposta (embora ele nem resposta mereça…) quando afirmou, durante um espectáculo de apoio à candidata do Partido Socialista, “… o Porto perdeu a alma, o Porto perdeu a voz, mas está vivo”. E tudo isto acontece porque a Esquerda ao que consta (o que parece, é?), não foi capaz de se entender para tirar de lá o rio, mandando-o para o Douro com a tralha toda, mesmo sabendo que o ia encher de entulho…
Há pessoas que, nem no caixote do lixo da história, terão lugar. Passam pelos cargos públicos e nem uma marca deixam ficar, porque o seu nível é tão baixo e desajeitado, que qualquer qualificativo por menos exigente que seja, nem sequer dá para aplicar. E a Direita toda, a aristocracia falhada, conservadora e mais ou menos encostada ao poder, rejubila com os 20% que a personagem RR leva de vantagem, a poucos dias do Voto. Confesso que não entendo como foi possível a este ponto chegar. O “povão” vai eleger um indivíduo cuja bandeira de campanha é “deitar abaixo”” um bairro inteiro, porque pelos vistos há por lá problemas de droga? Só falta dizer que vai usar napalm…

“Com os dois pés no Porto” (???). mas isto é alguma coisa; só mesmo se for para dar pontapés, na cultura, nas pessoas, em tudo se calhar…Nem sequer se pode dizer, que deus lhe perdoe, dado que nem acredito nesse tipo de coisa. Fica um amargo de boca. E, dado que mais não me resta, deixem soltar uma certa fúria (uma fúria certa?) para quem para tal, directa ou indirectamente, contribuiu… Disse.

08 Outubro 2009
Alf.

04 outubro 2009



CASUS
Parte 1. ACS



Fonte: http://sol.sapo.pt/photos/kaos/picture64524.aspx

Poderia dar-se o caso de eventualmente o título sugerir um qualquer caso de estrangeirismo muito em voga. Ou pura e simplesmente um ortográfico erro, perfeitamente normal, por gafe, ou até por distracção do corrector que, quando se escreve em maiúsculas, deixa passar, enfim. Mas não, aqui a putativa confusão com o homónimo, está fora de causa. Pois bem, CASUS é mais C.A.S.U.S. , Cidadãos Abaixo de Suspeita, ou seja, uma sigla que estou certo fará fúria a muito boa gente, que simplesmente as detesta. Aqui nos propomos, analisar algumas personalidades que, por suspeitas ou até insuspeitas razões, fazem alguma tinta correr. Muito embora, na maior parte das vezes, seja uma pura perda de tempo. E o porquê da outra sigla que constitui a baptizada parte um, salta à vista, mesmo dos mais desatentos.
É mesmo: Aníbal Cavaco Silva. Devo confessar que não me revejo neste PR. Na última campanha para as presidenciais, a minha primeira intenção foi a jogar tudo para que este cidadão não fosse eleito. Mas foi. Espero desde já que seja o seu primeiro e último mandato. Uma presidência que acaba por marcar a campanha eleitoral para as legislativas, com um caso estranhíssimo. Ao receio de ser “escutado” pelo Governo, uma palhaçada autêntica, misturada com mails, “encontros discretos na Avenida de Roma” e o despudor dessa espécie que dá pelo nome de José Manuel Fernandes, junta-se a patética declaração pós-eleitoral, que nada esclarece, que lança ainda mais confusão. E sobretudo, mostra a verdadeira face do cidadão ACS que, decididamente perdeu a compostura, deixando cair a máscara de presidente preocupado com causas sociais (alguém acreditou naquilo???), volta a ser, ou a vestir a pele (como disseram grande parte dos comentaristas) de primeiro-ministro dos anos 90. O mesmo tom de voz autoritário, a mesma face carregada e sombria, a imagem do homem cinzento, a que só faltam uns óculos escuros (…). O mesmo discurso retorcido, o mesmo azedume, os mesmos (ou melhor, outros…) tabus, a imagem de marca de um passado recente que, apesar de muitos terem já esquecido, eu não esqueço, eu não tolero, eu não perdoo (se o termo aqui se pode aplicar…). A 21 de Outubro de 2005 escrevi um longo texto, quando este cidadão se apresentou como candidato à Presidência. Quero aqui recordar uma pequena passagem, a propósito do comentário que Jerónimo de Sousa fez ao tempo: “… é preciso ter memória, é preciso não esquecer que, se estamos como estamos, bem podemos agradecer ao homem que ontem se apresentou.” O título do artigo era, pura e simplesmente “Este homem não!”. Ficou e venceu. Cabe a todos os que ainda têm memória, tirá-lo agora de lá.


Este é um apelo, mais um, a toda a esquerda, a todos os verdadeiros republicanos. No dia da implantação da República em Portugal. Se calhar, esta é mais uma daquelas que muitos comentadores, políticos e politólogos chamam “prioridade nacional”. Disse.


05 Outubro 2009
Alf.

26 setembro 2009

A Cena Parte 4. O meu VOTO



Não sei bem se a lei se aplica aqui, ou seja, se na blogosfera a campanha termina à meia-noite de hoje. Eu faço sempre campanha todos os dias. Habituei-me desde muito jovem a encarar a cidadania global como um símbolo de uma luta pelos direitos humanos, pela dignidade das pessoas, pela igualdade a todos os níveis, pela Democracia participativa, por uma sociedade mais justa. E também uma luta contra a pobreza, contra a exclusão social, contra os privilégios de pessoas e grupos que oprimem a grande maioria, enfim contra o fosso enorme entre pobres e ricos; em Portugal e em todo o mundo. Uma luta que não pode esquecer 4 décadas de fascismo, que não deve esquecer quem conseguiu abrir as portas que Abril abriu.


Serei hoje, por um dia, politicamente correcto, ou seja, respeitando a lei. Para fazer o meu apelo ao VOTO. Aproveito aqui e agora, as palavras simples de Jerónimo “… não há governo à esquerda, não há política de esquerda sem a contribuição decisiva do PCP e da CDU[1]. Perfeitamente à vontade, dado que não milito em qualquer partido há bastante tempo. Nada me obriga a concordar com tudo o que o PCP faz, ou diz. O meu apoio é um apoio crítico, porém convicto. Um apoio a um imenso grupo de mulheres e homens, muitos jovens, que defendem causas, princípios e ideais seguros de esquerda. Uma esquerda que não precisa de se travestir para se afirmar. E sobretudo na defesa de “…uma política de desenvolvimento económico visando tais objectivos pressupõe na sua realização uma decisiva intervenção do Estado na efectiva regulação da actividade económica e na concretização de políticas que prossigam opções estratégicas nacionais e a valorização do trabalho e dos trabalhadores, questão nuclear de uma política alternativa[2].


Num momento em que tanto se fala em coligações, alianças e outros acordos ou desacordos do género, Jerónimo diz muito claramente que “…só aceita dialogar uma aliança, se primeiro o PS aceitar políticas e bases programáticas”; e ainda, “o PCP esteve sempre aberto a qualquer discussão; o problema não é aceitar ou não dialogar: o problema é dialogar em torno de quê e procurar convergências em torno de quê[3]. Ao contrário de alguma esquerda, com propostas muito válidas diga-se de passagem, que talvez iludida pela “dança” das sondagens, vai dando alguns pontapés na coerência…


Entramos então no período de reflexão; já passa de facto da meia-noite, já me sinto um pouco infractor. Irei decerto amanhã reflectir, há sempre tanto para reflectir. Não decerto sobre o meu sentido de voto. O meu voto é segura e decididamente CDU!


Fim de cena.
25 Setembro 2009
Alf.


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(1) In Jornal “Público” de 25 de Setembro
(2) Programa eleitoral do Partido Comunista Português
(3) Idem nota 1

24 setembro 2009



A Cena

Parte 3. Casos, Gafes, Fitas, Gatos e mais coisas interessantes (ou não…)

http://sic.sapo.pt/online/sites%20sic/gato-fedorento/esmiuca-os-sufragios

Não diria que vale tudo nesta Cena. Mas, inundados que somos, praticamente todos os dias, com notícias mais ou menos desencontradas (?), ficamos com a sensação que nos passa ao largo muita coisa, que deveríamos conhecer melhor. Falo de transparência, claro. Ou da falta dela. Podemos comentar, protestar, ficar mais ou menos furiosos, mas de todo impotentes (salvo seja), uma vez que o afastamento é grande. Resta-nos mesmo contribuir como o Voto, afirmação de cidadania. A abstenção só servirá aquelas(es) que contribuem para a confusão.
TVI. Uma empresa privada, de orientação conhecida, despede (no meio da tal confusão), imiscuindo-se na Cena. Para que se saiba, a conhecida “jornalista” que se apresenta (ou apresentava) “ eu sou a MMG”, deu uma entrevista no mínimo provocatória ao DN uns dias antes de a administração lhe ter tirado o tapete. Nessa entrevista MMG chama "estúpidos" aos seus superiores. Aliás, as palavras "estúpidos" e "estupidez" aparecem várias vezes sempre que MMG se refere à administração e muito boa gente. É muito interessante rever a rábula feita pelos “Contemporâneos” que, para além de ter imensa piada, espelha na íntegra forma despudorada, provocatória e despida de qualquer conteúdo jornalístico que a dita cuja senhora utilizava. Mas há mais: é conhecida a forma como tratava os colegas dos outros canais, de “cobardes”, chegando ao ponto de classificar o programa da RTP 2, “Clube de Jornalistas”, como “uma verdadeira porcaria” e dizendo do Sindicato dos Jornalistas, "… pessoas que nunca fizeram a ponta de um corno na vida". Teve pois, em minha opinião, o que merecia. Claro que a Direita em peso apareceu em peso, como era de esperar, particularmente aqueles que no malfadado Governo de Santana Lopes fizeram o que se sabe e que nem vale a pena falar. E o que é perturbante, é que algumas pessoas de Esquerda tenham embarcado na onda, se bem me faço entender..

Das gafes, a melhor terá sido a da tal senhora que queria (quer?) “… parar a Democracia por 6 meses para pôr tudo na ordem”, ao dar autênticos pontapés na gramática da língua pátria, em várias situações, nomeadamente nas aparições nos “Gato Fedorento”, os quais montaram sobre o tema uma verdadeira profusão de asneiras. Também é de rever, para quem não esteve atento.

O Sr. Silva (até me custa recorrer ao Bokassa da Madeira, mas enfim…) deve contudo ter protagonizado a mais insólita gafe desta Cena. E o problema é muito mais que gafe. O dito senhor “desconfia” que anda a ser espiado pelo Governo, há praticamente ano e meio. Vai daí recorre ao Sr. Lima, seu fiel adorno há 20 anos, para abordar um jornalista, montando uma outra Cena. Deu no que se sabe: o dito senhor já foi demitido, o Sr. Silva tem agora mais um “tabu”, a lembrar os tempos em que desbastou os dinheiros públicos, na qualidade de PM. Bem, se de facto tinha desconfianças, não tinha outra solução senão abrir um inquérito e demitir o Governo. Mas a Direita é mesmo assim, retorcida; o Sr. Silva continua (apesar das suas “preocupações sociais”) a ser a imagem dessa Direita, que não queremos (eu, particularmente não quero mesmo!).

Um dado interessante: tendo-se falado muito durante a campanha, na luta contra a pobreza, na luta pela inclusão social, não ouvi, não li, não vi, qualquer dos partidos enquadrar devidamente essa prioridade com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), um compromisso mundial, assumido nas Nações Unidas em Setembro de 2000, pelos chefes de Estado e de Governo de 189 países, incluindo Portugal, Foi então assinada a Declaração do Milénio, comprometendo-se a lutar contra a pobreza e fome, a desigualdade de género, a degradação ambiental e o vírus do VIH/SIDA. Foi ainda assumido o compromisso de melhorar o acesso à educação, a cuidados de saúde e a água potável. E, para avaliar o cumprimento daquele compromisso, foram estabelecidos 8 ODM ([1]), a alcançar até 2015. Para além de constituir um compromisso de solidariedade internacional, que deve inspirar todos os cidadãos e organizações governamentais e não-governamentais, implica que o futuro Governo do País deve conceder mais e melhor ajuda pública para o desenvolvimento, nomeadamente no que reporta aos países de língua portuguesa. Tal referência poderia fazer contudo toda a diferença, no que significaria uma mobilização para a cidadania global.

Fim do terceiro acto.

24 Setembro 2009
Alf.
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([1]) Os 8 ODM: Pobreza e Fome / Ensino primário universal / Igualdade de género / Mortalidade infantil / Saúde materna / Doenças graves / Sustentabilidade ambiental / Parceria global para o desenvolvimento
In: http://www.objectivo2015.org/pobreza/index.shtml

23 setembro 2009



A Cena

Parte 2. A “Política da Verdade






A Cena é a tal “politica da verdade”Alguns dados da autora (e intérprete).

Manuela Ferreira Leite, Ministra da Educação do XII Governo Constitucional, de Aníbal Cavaco Silva, de 1993 a 1995. Inventou a “Geração Rasca”, para designar os jovens que terminavam o 10º ano de escolaridade. Esteve no centro da polémica das Lei das Propinas (pouco tempo depois de ter existido uma carga policial contra estudantes do Ensino Superior que se manifestavam frente ao Parlamento). Asfixiou completamente as Escolas Profissionais, através da medida de corte de financiamento público. Afirmou que os salários dos professores se iriam tornar iguais aos de um canalizador. Assinou a Lei de Bases da Educação que faz referência à escolaridade obrigatória até ao 12ºano.
Manuela Ferreira Leite, Ministra de Estado e das Finanças do XV Governo Constitucional, de Durão Barroso, de 2002 a 2004. Inventou a obsessão extrema pelo défice. Promoveu cortes orçamentais cirúrgicos às PME, que tiveram como consequência a falência de algumas delas. Idem às restrições orçamentais feitas às Câmaras Municipais que colocaram muitas delas à beira do colapso económico. Contratualizou, em sede europeia, o projecto do TGV, juntamente com Durão Barroso, então líder do PSD.
Manuela Ferreira Leite, candidata às eleições para a Assembleia da República de 27 de Setembro 2009. Afirma que a geração jovem é fundamental. Propõe corte radical com as actuais medidas da Educação, apoiando os professores (...). Afirma que a escolaridade obrigatória até ao 12ºano terá poucas ou nenhumas vantagens. Critica a obsessão de José Sócrates pelo défice. Propõe um programa de apoio às PME. Propõe rasgar contrato do TGV. Apresenta 2 candidatos na sua lista arguidos em processos de justiça. Defende que, no seu partido, os candidatos a um determinado cargo não o poderão ser a mais nenhum cargo nas eleições que ocorram este ano. Alberto João Jardim é candidato inverso da afirmação anterior. Manifesta-se publicamente, no debate com o PM contra “os espanhóis”. De 2006 a 2008 foi Vogal do Conselho de Administração do Banco Santander.

Basta comparar, não é preciso dizer mais; na realidade, não vale a pena…
A “santinha da ladeira”, como parece ser conhecida por alguns dos seus colegas de Partido. Aquela que propõe “parar a democracia por 6 meses” (uma ironia?). A mulher que elogia publicamente a “democracia” na Madeira. A mulher que diz que o casamento é para procriar. A “outra senhora” segundo a feliz alegoria de Manuel Alegre, nada tem no seu programa de concreto, porque simplesmente nada tem para dizer ao País. E, segundo consta, também ao seu Partido.
Não sei porquê, lembro tempos passados, quando o SNI coordenava, na Emissora Nacional, o programa do salazarismo "Rádio Moscovo não fala verdade"…
Não havia necessidade…

Fim do segundo acto.
22 Setembro 2009
Alf.

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Fontes:
o http://www.sg.min-edu.pt/expo03/min_21_ferreira_leite/expo2.htm
o http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuela_Ferreira_Leite
o http://thoughts-and-letters.blogspot.com/2009/07/cv-da-avozinha.html

21 setembro 2009



A Cena


Parte 1. Mas que cena é esta?



Uma serie de estórias, factos mais ou menos reais, outros assim-assim; alguns ainda de pura inspiração, dislates de consciência, desabafos mais ou menos incontidos, reflexões sérias, honestas e desonestas, puro divertimento e gozo, alguma ansiedade (natural?) no palco imenso de mais uma campanha. Os contornos enquadrativos de uma Cena, que se desenrola no tal palco, que devia representar o País, que de facto passa ainda ao largo de alguns milhões de cidadãos, por razões que a razão conhece, mas que alguns teimam em esquecer, para aliviar talvez a irresponsabilidade dos que usam a irritante frase feita “o interesse nacional está acima dos interesses particulares, o meu desejo é o de servir o meu país”. Bastava citar meia dúzia de casos conhecidos, para desmontar a asserção, tal é a completa e desmesurada promiscuidade entre a pequena política e os grandes interesses que, infelizmente, dominam a Cena.
A primeira parte da Cena é naturalmente dedicada aos que tiveram a responsabilidade de governar durante os 4 últimos anos. As outras partes tentarão visar os que continuam em cena de há muitos e muitos anos atrás, resguardados agora e sempre atrás de um poder oculto que transformam de facto a verdadeira Politica, que devia ser de todos e, não o sendo, distorcem a Democracia, transformando-a num mediático circo, iludindo os que votam para uma sociedade deliberdade, igualdade e fraternidade; e de mais algumas coisas… Razão para não votar? De todo, o apelo ao voto é quase um desespero de causa, ou se quiserem uma causa em si mesmo. Votar pois, apetece mesmo dizer como em tempos “o voto é uma arma” que, bem usada, pode alguma coisa transformar.
Votar por (ou para) causas, ideais, uma qualquer utopia. Ou muito simplesmente por nada de especial, como por exemplo, por protesto. O protesto, pode começar por ser feito de uma forma muito simples: não tivemos 4 anos um governo socialista, mas sim 4 anos de um governo do Partido Socialista. Apesar de, à primeira vista, poder parecer o mesmo, de facto não o é. O PS adoptou uma esquisita, mas conhecida estratégia, de praticar uma politica de direita, a que dá a designação de “reformista e de esquerda moderada”. Uma contradição, uma vez que aquilo na realidade não significa positivamente nada. Primeiro, porque o termo “reformista”nada diz em concreto, é uma abstracção, ou se quiserem uma afirmação de quem quer fazer “reformas”, sem se saber que tipo de reformas. Segundo, a “coisa” a que se chama “esquerda moderada”, também não é substantiva; ou é esquerda ou não é; será uma posição entre a esquerda e a direita(?); será uma posição entre a direita e a esquerda (?). Com toda esta ambiguidade, a realidade mostra um País com: um nível de pobreza assustador, em termos da União Europeia, um sistema bancário e financeiro protegidos em termos de carga fiscal, um número absolutamente intolerável de salários elevadíssimos em cargos de chefia em empresas (públicas e privadas), um critério de privatizações que deu no que sabemos, electricidade, combustíveis, serviços de telecomunicações mais caros, penalizando sempre os mesmos. A direita não faria melhor nem pior, faria exactamente o mesmo. Para “equilibrar”, a politica “reformista e de esquerda moderada”, mostrou alguma disponibilidade na consolidação do Serviço Nacional de Saúde, na promoção de muitos milhares de pessoas a quem foram reconhecidas qualificações (Novas oportunidades), enfim, um tímido combate à evasão e fraude fiscal e o chamado “simplex”.
Não chega, como fácilmente se constata pela frieza dos números que dia a dia vamos conhecendo. Mais de meio milhão de desempregados, uma politica económica que de facto, protege (velada ou directamente) os grandes grupos económicos e, acima de tudo, na continuidade do “centrão”: a rotatividade escandalosa de meia-dúzia (realmente muitos mais) de figuras PS e PSD à frente de empresas públicas. E, por falar em números aqui vai, sem comentários (não vale a pena…), uma notícia de 12 de Setembro da TSF: “o porta-voz da Comissão de Trabalhadores disse que, segundo o relatório do primeiro trimestre da PT, os administradores executivos receberam mais de seis milhões de euros
A Cena repete-se portanto. E é hora de a Cena mudar. Mas a mudança não é escolher dentro do centrão. Para surpresa de muitos iludidos, que dizem à boca cheia que a diferença entre esquerda e direita se vai esbatendo. Puro engano: esquerda é esquerda, direita é direita, assim mesmo. Precisamos de introduzir na politica uma radicalidade, que significa a já falada defesa de causas e princípios; aliás, assim o dizem muitas figuras conhecidas dentro do Partido Socialista.


Fim do primeiro acto.
20 Setembro 2009
Alf.

03 agosto 2009

ZECA AFONSO


Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palmaafaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormesnos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deveslança o teu desafio
"Utopia”, Zeca Afonso, 1983

Farias hoje 80 anos. Uma vida plena de solidariedade, de sacrifício, de luta pela Liberdade que ajudaste a construir. A tua luta, a nossa luta contra o fascismo, contra as injustiças, contra a censura que amordaçou Portugal. Tu foste e ainda serás o mestre, o companheiro, o camarada, o que desafiava os “ vampiros que não deixam nada”, o medo, as arbitrariedades, o obscurantismo de um regime persecutório, prepotente e castrador de consciências. Tu lançaste a semente, desde Coimbra, onde muito jovem tive o privilégio de te ouvir em caves esconsas, de norte a sul, do Alentejo de Catarina, que os esbirros da PIDE assassinaram, tu a cantaste denunciando a cobardia da ditadura, dos grandes latifundiários, da opressão generalizada, com as tuas canções. Trouxeste o saber africano de um Moçambique que simbolizava a cor e o fascínio de África, os ritmos e os sabores dos povos oprimidos das colónias. Desse Maio maduro “quem te pintou, quem te quebrou o encanto, nunca te amou” e desse Abril que tardava sempre a chegar, mas que floresceu nesse 74 já tão distante, mas tão perto de ti, de nós. Estarás sempre presente Zeca “...nos degraus de Laura / no quarto das danças”, nas fronteiras da Meia Praia, onde cantavas bem alto “… Quem aqui vier morar / não traga mesa nem cama / com sete palmos de terra / se constrói uma cabana” e brindavas os índios de quem “nada apaga a nobreza”, denunciando sempre “… quem se aproveita de nós / tu trabalhas todo o ano / na lota deixam-te mudo /chupam-te até ao tutano / chupam-te o couro cab'ludo”. Nos “cantares do andarilho”, que sempre foste, reunindo amigos, trazendo sempre mais um também, para a luta, pela luta. E não deixavas de avisar, “…Vejam bem / que não há só gaivotas em terra / quando um homem se põe a pensar”, e de acusar, “ Na Rua António Maria / da primaz instituição / vive a maior confraria / desta válida nação”. A tua suave e serena presença, nos poemas mais belos, com “Trovas e cantigas muito belas / Afina a garganta meu cantor / Quando a luz se apaga nas janelas / Perde a estrela d'alva o seu fulgor”, no retrato com ironia: “A cidade tem praças de palavras abertas / como estátuas mandadas apear / A cidade tem ruas de palavras desertas / como jardins mandados arrancar”. O País deve-te tudo, voz da cidadania, da sabedoria popular, o rosto da Utopia, que nos orgulhamos de partilhar…


2 Agosto 2009
Alf
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Referências:
“Os Vampiros”, 1963
“Cantares de Andarilho”, 1968
“Canção de embalar”, 1968
“Vejam bem…”, 1968
“A Cidade", 1969
“Traz outro amigo também”, 1970
“Maio, Maduro Maio”, 1971
“Era um redondo vocábulo”, 1973

“Venham mais cinco”, 1973
“Os Índios da Meia-Praia”, 1976

31 julho 2009

A Silly Season


"O sol nas bancas de revista

me enche de alegria e preguiça

Quem lê tanta notícia

Eu vou ...
Por entre fotos e nomes

os olhos cheios de coreso peito cheio de amores vãos

Eu vou ... por que não, por que não?”


Alegria Alegria”, Caetano Veloso (1968)


Por definição é uma estupidez daquelas do tamanho de uma casa assim mesmo uma estação perfeitamente parva no sentido abrangente do termo eu quero lá saber dos hobies dos políticos ou sequer dos sítios onde gozam férias perfeitamente imerecidas digo eu já que acho que eu mereço as curtas ferias que hoje começo e assim me despeço de quem tem a coragem ou desfaçatez de porventura ler os meus posts quem sou eu afinal é tudo tão frívolo e distante a vida entretanto continua as notícias fazem-se sempre haja ou não haja matéria há sempre os torneios de verão das equipas de futebol de topo porem só mesmo o meu Benfica me interessa descobri uma notícia ou várias sobre a justiça portuguesa interessantes como aquela do homem morto há já 4 ou 5 anos que recebe uma notificação sobre a putativa resolução do “seu caso” que já tinha a bonita idade de 20 anos não o morto claro por isso mando ás urtigas esta estação patética quero é descanso e praia se não chover eu gosto é do sol que “me enche de alegria e preguiça” e eu vou por aí ao sabor do vento e não me arrependo de nada pois não e quando voltar tudo estará diferente todos têm direito à sua utopia é a silly season estúpido!


30 Julho 2009
Alf.

23 julho 2009

Long Road Out Of Eden


“…And you can see them there on Sunday morning

Stand up and sing about what it's like up there

They call it Paradise I don't know why

You call some place Paradise Kiss it good-bye.”
The Last Resort”, Don Henley, Glenn Frey, 1976


Noite de magia no Pavilhão Atlântico, graças aos míticos EAGLES. Quem disse que estavam fora de moda? Para além do Eden, os 4 músicos, acompanhados de um grupo de músicos de classe indiscutível recriaram um ambiente singular, com a técnica de luz e som ao serviço do rock, da folk americana, dos incontornáveis blues. Vale a pena curtir a música que aprendemos em tempos e que nos dá a luz a que não podemos resistir. Um concerto destes vive-se, sente-se, leva-nos para lugares onde nunca estivemos e que ao mesmo tempo sabemos que por lá passamos numa qualquer dimensão que a mente nunca irá trair. Lembramos, porventura o lugar de Providance que o “The Last Resort” nos descreve como um possível paraíso, onde se encontram todas as diferenças de um mundo surreal. Curiosamente não fomos brindados com esse espantoso tema, muito embora retenhamos ainda aquele espantoso solo inicial da trompete que introduz o “Hotel Califórnia”, símbolo da banda de Randy Meisnner, Bernie Leadon, Don Hendley e Glenn Frey. Ficamos com uma mensagem, quiçá muito actual, quem sabe, “…Desperado / Oh, you ain't getting no younger / Your pain and your hunger / they're driving you home / And freedom, oh freedom / well that's just some people talking / Your prison is walking through this world all alone(1) . Vale mesmo a pena sonhar, percorrer lugares, marcar presença, a música não cura os males, nem os fantasmas que nos perseguem, pode é unir vontades e conquistar espaços de liberdade, a arte nunca foi nem será neutra e carrega em si anseios, frustrações e todas as contradições dos nossos comportamentos. Faz-nos sentir mal ou bem, consoante o que vamos fazer a seguir, o destino não está traçado, vamos então (porque não?) até ao limite, ao apelo da canção: “… And when you're looking for your freedom / (Nobody seems to care) / And you can't find the door(Can't find it anywhere) / When there's nothing to believe in / Still you're coming back, you're running back for more(2) . Porque não, afinal?

23 Julho 2009
Alf
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(1) Extracto de “Desperado”, 1973
(2) Extracto de "Take It To Limit
”, 1988

19 julho 2009

ADRIANO


A única salvação do que é diferente
é ser diferente até o fim,
com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade;
no fim de todas as batalhas …
há-de provocar o respeito
e dominar as lembranças"

Agostinho da Silva, in 'Diário de Alcestes'





Partiste. E porque partiste estamos tristes e saudosos, lembrando o amigo, o companheiro de lutas antigas, o camarada, sempre atento às injustiças e à indiferença. Tantos anos de convívio, quantas saudade agora da tua serenidade e atenção; porque sabias sobretudo ouvir e irradiavas simpatia e sabedoria. Mesmo na fase mais aguda da doença nunca perdeste o contacto com a realidade. Adriano, professor de línguas, na latinidade da origem do teu nome, a suavidade constante da tua presença. Adriano, o sindicalista, um homem íntegro, inteiro, na dignidade da sua intervenção, de quem os seus pares sempre disseram: “o melhor de todos nós”. Pena faz que partam assim tão cedo homens desta dimensão, ficamos sempre mais pobres, perante quem faz realmente a diferença. E sabemos que Adriano era diferente, na nobreza da amizade, no porte firme da defesa de causas e princípios que compartilhamos, aprendendo a construir ideais, desconstruindo ao mesmo tempo os mitos e conceitos da indiferença e do medo.

Bem hajas, querido amigo. Aristóteles dizia que “…sem amigos ninguém escolheria viver, mesmo que possuísse todos os demais bens(1) . Nós viveremos todos os dias um pouco por ti, para que, lá de uma outra dimensão que nunca conheceremos, possas eventualmente dizer: valeu a pena VIVER!

19 Julho 2009
Alf.
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(1) Aristóteles, in 'Ètica a Nicómaco'

28 junho 2009

A COR MORRE EM JUNHO?


“…They give us those nice bright colors
They give us the greens of summers
Makes you think all the worlds a sunny day, oh yeah
I got a nikon camera
I love to take a photograph
So mama dont take my kodachrome away

“Kodachrome”, Paul Simon, 1973








Morreram. As duas com diferentes idades. Uma, na flor da idade, 16 anos, de seu nome Neda Aghda-Soltan. A outra na chamada terceira idade, aos 74 anos, conhecida por Kodachrome. Mortes que chocam por razões diversas e que se ora se choram.

Neda foi assassinada pela milícia islâmica Bassidj, no Irão (26 Junho); em Farsi (1) o nome Neda significa “voz”. Uma, entre tantas outras que se manifestavam, pela liberdade de expressão, num país teocrático, muçulmano fundamentalista, que desenvolve sofisticados armamentos, mísseis e satélites, praticamente já em condições de fabricar a bomba nuclear, continua mergulhado na escuridão, ignorando a Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde a mulher não conta quase para nada, discriminada pela lei e sociedade iraniana: o seu testemunho em juízo vale metade do que o testemunho de um homem, tem apenas direito à metade de uma herança que seus irmãos recebem, precisa da permissão de seu marido para trabalhar fora ou deixar o país, etc…

Kodachrome foi “morta” – desactivada pela Kodak (23 Junho), após mais de 70 anos de sucesso no mercado mundial, aquela que foi a primeira película de cor a chegar ao mercado. Aparentemente porque nos dias de hoje, 70 por cento das receitas da Kodak provêm da fotografia digital, cabendo à Kodachrome apenas 1 por cento das vendas totais da marca.

Quase parece a morte da cor, num mundo cinzento, ou a preto e branco, como parece ser a tendência fatal. Num caso, como no outro, está em causa a diversidade, ou a falta dela, a luta pelos direitos humanos, conjugada com as leis do mercado, para quem as pessoas não contam, ou só contam como números, estatísticas e “relatórios de progresso”. Nós, que somos pelo colorido, pelas cores vivas da diferença, da pluralidade, da vida “…je vois la vie en rose(2) , poderíamos eventualmente proclamar / reclamar: cor volta, estás perdoada!

Alf.

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(1)Língua Persa
(2)“La vie en rose”, Édith Piaf, 1946