Passados 10 anos, ainda pouco se sabe sobre o que realmente aconteceu naquele dia. Sabemos da tragédia, em que milhares de pessoas perderam a vida, de forma inglória. Sabemos do aproveitamento político subsequente, por parte da administração americana e da quase totalidade dos governos do ocidente, unânimes no discurso, cúmplices na atitude. Sabemos ainda, porque aqui vivemos, de como o mundo ficou amarrado na presa securitária, de contornos neofascisantes, que nada acrescenta, nem resolve. Mas de facto não sabemos, porque talvez isso não convenha, como aquilo aconteceu, porque aconteceu, quem são os responsáveis. Muito fácil, a explicação americana, muito conveniente. Convém recordar a administração Bush, o seu chefe alcoólico e demente, bem como todo o seu séquito de malfeitores, criminosos de guerra e traficantes de armas. Convém reafirmar que, desde os anos 50 do século passado, os EUA têm praticado por todo o lado, uma politica de destruição maciça de tudo o que mexe no mundo: Cuba, Coreia, Vietname, Chile, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, Líbia, Haiti, Iraque, Afeganistão. Antes, como agora, sempre para “salvar democracias”, leia-se, proteger ditaduras obsoletas, tiranias absolutas, ou salvaguardar duvidosos interesses financeiros. Dominar os recursos, em última instância, o petróleo, os seus protectorados, as suas benesses, os frutos de uma exploração sem limites, a bem do jugo imperial e da sobranceira forma como encaram o resto do mundo.
A história nunca se repete. De qualquer forma, não deixa de ser curiosa a coincidência de datas, no 11 de Setembro. De 1973, em Santiago do Chile a 2001em Nova Iorque, vão 28 anos de intervenções desastrosas. A intromissão americana no Chile, em favor do ultra fascista Pinochet, para derrubar o governo legítimo de Salvador Allende, ficará marcada para sempre, como um dos episódios mais sangrentos do século XX. Estará o povo americano ainda a pagar pelas políticas imperialistas das sucessivas administrações?
Mas, ao que parece, a administração americana não é capaz de compreender, nem aprender. As ténues esperanças de mudança, desde que Obama chegou ao poder, vão-se desvanecendo uma a uma. As intervenções falhadas no Iraque e Afeganistão continuam, tal como antes. A base de Guantanamo resiste às vãs promessas e permanece como símbolo da vergonha, do autoritarismo e da arbitrariedade. A notícia da United Press de que o Presidente se iria encontrar, lado a lado, com o antecessor, não deixa de ser preocupante, pela simbologia que representa.
O mundo não está de facto melhor. Está, na realidade pior. De um lado o intolerável e insuportável fundamentalismo muçulmano. Do outro lado, a arrogância imperial dos EUA e os seus seguidores, na Europa, África e Ásia. Comparada com a Guerra Fria da última metade do século passado, a situação actual é assustadora, sobretudo num aspecto: a facilidade e o despudor com que se mata, em nome de qualquer coisa. A inversão desta situação, só será possível num quadro de desenvolvimento global da comunidade das nações, no respeito pelos Direitos Humanos, da luta contra a pobreza, da eliminação progressiva das desigualdades sociais, enfim, na procura de condições para desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento, um compromisso das Nações Unidas, inscrito no último dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, aprovados há exactamente 11 anos atrás.

















