rio torto

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18 janeiro 2012

OS AMARELOS





Como é, de um momento para o outro viraram para amarelo? Não, nem por isso, sempre o foram. E, nos momentos decisivos, assumem a sua verdadeira face de traidores do movimento sindical e dos trabalhadores. Até, pelos vistos, dos seus próprios associados, a acreditar nas notícias vindas a terreiro após a assinatura do acordo. Aliás, foi assim que apareceram, uma organização inventada pelo Mário Soares, para lutar contra a unidade sindical. Constituída ao contrário, isto é de cima para baixo, será sempre o rosto da divisão, dos interesses partidários do PS e do PSD /CDS, na capitulação intolerável aos mais elementares princípios de ética sindical. O que não significa que não existam na dita organização, trabalhadores empenhados na luta pelos seus legítimos direitos. O que estão é enganados. Vão sempre a tempo de rever a sua posição. A única organização que defende os trabalhadores é, sem qualquer dúvida, a CGTP – Intersindical Nacional. Assim mesmo.
O pretenso acordo na concertação social, não é pois um verdadeiro acordo. Não passa de uma imposição do governo e dos patrões, para legitimar as alterações na legislação laboral e a instauração de um estado de sítio, em termos de direitos dos trabalhadores. Serve para tornar mais fácil e mais barato despedir e reduzir indemnizações, subsídios, férias e feriados. A CGTP afirma, a propósito, “É um compromisso que coloca o Estado e o dinheiro dos nossos impostos ao serviço dos grandes grupos económicos e financeiros e fragiliza a segurança social, ao forçá-la a financiar as empresas para baixar salários, generalizar a precariedade e, de seguida, enviar os trabalhadores para o desemprego.”Vale a pena atentar ainda no que diz o PM, “Acordo laboral é mais inovador e audaz do que previa o memorando com a troika”. E finalmente no que diz um porta-voz do PS, “Este é um mau acordo”. Entretanto e, para lançar ainda mais confusão, o agente João Proença, diz que “A paz social não está garantida…” Claro que não está, ainda bem que não está!

Não se trata então de um acordo. O problema reside também no aspecto psicológico. Das pessoas e também das instituições. Pretende-se passar a mensagem de que houve um acordo tripartido: governo, patrões e trabalhadores. E esta mensagem vai passando, dia após dia, hora após hora, na comunicação social, vendida aos grandes interesses. Começa sempre da mesma maneira, “foi assinado um acordo laboral entre os parceiros sociais e o governo…”, “…a CGTP pôs-se de fora, abandonando as negociações”. Umas horas depois, já nem se fala da CGTP, mas somente do acordo que foi assinado e … garante apoio da sociedade às medidas do governo…, o governo fica agora numa situação mais confortável, após o acordo assinado…, a nova situação criada pela assinatura do acordo…. Perante este cenário, as pessoas que só lêem os títulos, que só têm tempo, quando têm, de ouvir os telejornais oficiais, passam a ficar automaticamente convencidas de 2 coisas. A primeira, que houve um conjunto de organizações (…) que se esforçaram por chegar a um acordo. A segunda, como sempre, a CGTP auto exclui-se do processo, os mesmos de sempre, nunca assinam qualquer acordo. Todos os portugueses têm que estar unidos, com o se fosse uma equipa de futebol, diz o fascistóide Álvaro, que veio do Canadá ensinar a teoria do pastel de nata e outras alarvidades. A união nacional do antigamente, está de volta, pelas vozes autorizadas e sensatas destes governantes medíocres, de que o Álvaro é porventura o expoente máximo. Vejamos, aos trabalhadores impõem-se as medidas que se conhecem, aos patrões nada é pedido, aos fabulosos gestores que temos oferecem-se ordenados de 45 mil euros mensais, para além de reformas de 9 mil, como o caso do homem do pintelho… Vão ser reclamadas verbas indevidamente pagas pela Segurança social a trabalhadores, sem dizer se que em muitos desses casos a responsabilidade é mesmo do sistema, e os roubos descarados no BPN e no BPP continuam sem rosto. Arrecadar dinheiro mal pago pela Segurança Social, uns tostões, comparados com os escândalos financeiros de Dias Loureiro, por exemplo. E dos outros amigos do Cavaco, o tal que anda por aí a espalhar boa-vontade e caridade, aos pobrezinhos e desfavorecidos e muito preocupado com as desigualdades.

O lema parece agora ser: trabalhar mais a receber menos, com menos direitos e um aumento da exploração com trabalho forçado. Tal e qual!

Sempre e ainda a inevitabilidade. O mesmo discurso de culpabilização, patente nas afirmações dos políticos e comentadores do regime sobre produtividade e competitividade. Um exercício diário e constante, para fazer crer que a falta de uma e a diminuição da outra, são causadas pelos salários dos trabalhadores, pelas faltas ao trabalho, pela apertada legislação laboral, entre outras falsas asserções. Nunca está em causa o desempenho dos responsáveis, gestores, presidentes ou directores. Nunca. Aliás, até há prémios para tal: um autarca, caloteiro a uma empresa do Estado, que passa agora para gestor dessa mesma empresa.
Este acordo significa pois, um retrocesso civilizacional de várias décadas, a nível dos direitos do trabalho, como bem afirmou Carvalho da Silva. Que a Força esteja com ele, com a nossa CGTP e com todas/os aquelas/es que realmente defendem os direitos dos trabalhadores!

12 janeiro 2012



Prefiro chamar-lhes pedreiros. Embora com avental e sem martelo, são figuras essenciais da estória. Porque se dedicam à construção. Parece, à primeira vista, não estarem sindicalizados, nem terem contribuído em nenhuma das greves. Meu caro, a coisa é assim, Entras pela Ongoing, viras à direita na secreta, vais sempre em frente até ao Oriente e aí apanhas o metro para o Parlamento, é perto da estação do rato; aí chegado, sobes uma escadaria, procuras duas salas, ambas começam por P, uma com um S e a outra com um S e um D, fiz-me entender, ou queres que faça um desenho. O chefe não sabe de nada, nem quer saber, o outro da TVI não entrou porque quis fazer-se de fino. Mas o que raio será uma Ongoing, nunca ouvi falar, pode ser uma daquelas tretas de publicidade dos bancos, que nos impingem todos os dias, tenho que me desenrascar, parece que é urgente. Encontro na Avenida uma data de fulanos a falar da loja do Mozer, foi o que me pareceu, sei que era do Benfica e treinou na Naval, mas nem sei onde pára agora. Ou então é outro qualquer, os meus conhecimentos de música andam um pouco por baixo. Sabes que mais, é preciso seres iniciado para entrar, Já tenho idade para jogar nos seniores, mas pronto.

Please allow me to introduce myself, I’m a man of wealth and taste, Pleased to meet you, hope you guess my name, But what’s puzzling you, is the nature of my game, pensei que se adequava à cena, sabia lá eu que o gajo me enfiava na cozinha, com o tal avental, e me mandava estrelar uns ovos, se calhar para me experimentar. A coisa era contudo mais complicada, tinha que ir espiar para a Quinta da Marinha, eu que até sou uma pessoa simples, paragens de ricaços não era bem o meu forte, vai o outro aos arames, Quem pensas que és para mandar bitaites, faço já queixa ao grande mestre, eu ouvi assim e lembrei-me do outro do filme, que era o do crime, oh valha-me deus, que é grande e está por toda parte…

Tens que fazer confiança com ele e depois sacas a informação e vens contar tudo. Penso, Foi para isto que eu aprendi a profissão de meu pai, levantar paredes e outras mandar abaixo, conforme o desejo do cliente, agora pôr-me à escuta. Depois talvez se arranje alguma coisa numa daquelas empresas dele, já me estava a ver a arranjar a equipa do meu primo, para assentar o tijolo, Qual primo, qual carapuça, não estás mesmo a topar a cena, ouviste, muito complicada a situação, ainda por cima queria ir para casa, horas do futebol em canal aberto, Eu é que te digo  the nature of my game, aí fiquei mesmo lixado, mandei o gajo às urtigas. Resultado, apanho uma pazada com a trolha, que dizem ser um instrumento neutro e símbolo da tolerância, pois sim, fiquei com elas e uma dor de costas do caraças…

Quando for grande, não quero ser pedreiro…

11 janeiro 2012

A melhor notícia de 2012!


Os trabalhadores dos CTT processaram o Estado por causa dos cortes salariais aplicados no ano passado, decorrentes do Orçamento do Estado. Carris e Metro estão entre as empresas visadas. Muito embora, a acção tenha tido contestação, este é um excelente sinal de resistência neste novo ano e significa um bom prenúncio. De facto, a decisão do Tribunal do Trabalho de Lisboa em relação aos CTT pode ter aberto um precedente. Os juízes deram razão ao sindicato, obrigando a empresa a devolver o dinheiro que retirou à remuneração dos funcionários. Para além disso, terá de pagar juros de mora, incluindo as partes pecuniárias dos subsídios de refeição, trabalho suplementar, trabalho nocturno e abono de ajudas de custo e transporte referentes àquele período.

Sabe-se que, pelo menos quatro ou cinco sindicatos de empresas públicas do sector dos transportes e comunicações seguiram o exemplo dos trabalhadores dos CTT. E, da parte da CGTP surgiu também a confirmação de que há várias acções a decorrer, abrangendo praticamente todos os sindicatos de empresas públicas afectas à central sindical.


 
".

11 Janeiro 2002. Os EUA abrem uma prisão de alta segurança, na base de Guantánamo, em Cuba, na sequência do 11 de Setembro e do choque dos aviões com as torres gémeas. Se bem que uma certa névoa ainda se abate sobre o que realmente aconteceu (…), a abertura da prisão e o regime de tortura que lá vigorou e, pelos vistos, continua a vigorar, são uma realidade. O país da dita liberdade, onde ainda vigora a pena de morte, o racismo em alguns estados, para além da mais absoluta ignorância do que se passa no mundo, é um dos mais patéticos símbolos da hipocrisia e do desprezo por direitos humanos inalienáveis.

800 presos políticos teriam passado pelas celas da prisão, 160 será o número que actualmente lá se encontra, tudo isto porém envolto num secretismo, mais próximo da Guerra Fria, do que da era dourada que muitos acreditariam ser o consulado Obama. Não deixa também de ser no mínimo curioso, o ataque cerrado que os EUA fazem habitualmente a Cuba, por causa dos presos políticos e dos direitos humanos…

Exigir o encerramento de Guantánamo e a realização de inquéritos aos autores, é um acto de cidadania. Exigir ao mesmo tempo, o fim das detenções arbitrárias, das detenções ilimitadas sem julgamento e da utilização da tortura. Exigir finalmente que as transferências de prisioneiros sejam efectuadas segundo as leis internacionais, bem ao contrário da prática corrente, que já ocasionaram aliás, em várias situações, protestos da comunidade internacional.

10 janeiro 2012

"Eu revolto-me, logo existo"
Albert Camus




O início deste novo ano nada de novo traz, no plano político. A nível interno, as trapalhadas do costume, as habituais mensagens de ano novo, completamente vazias de conteúdo e do resto, mais as outras que, apesar de terem alguma substância, apenas significam mais do mesmo, austeridade, sacrifício e inevitabilidade. A nível externo, a politica de dominação e exploração da riqueza, continua, agora descaradamente, com a ditadura alemã a sobrepor-se a todo e qualquer processo de equilíbrio europeu, ao menos conjuntural.
As escolhas do governo português, espelham a mais ignóbil ideologia ultraliberal, que como se sabe, conduz apenas ao desastre económico dos países e das populações e ao enriquecimento de um pequeno grupo de agiotas, que se alimenta do sistema e que, nunca pode perder um cêntimo que seja, na chamada crise dos mercados. A venda da EDP, por exemplo, significa a cedência do sector da energia, estratégico em qualquer país, ao capital estrangeiro. Mas esta é apenas uma das muitas que se irão seguir: vender tudo, se possível a preço de saldo, que é a época deles. Deve dizer-se a propósito que, aquele senhor que ora ocupa o cargo de Presidente da República, e que agora se preocupa com os pobrezinhos e os reformados, foi o primeiro responsável pelas privatizações e pela sucessiva hipoteca do País. Mesmo que possa parecer à primeira vista que estão em desacordo, um e outro, Presidente e Governo, seguem exactamente a mesma linha ideológica, os mesmos princípios da economia da desgraça, que o primeiro quer mascarar com as ditas preocupações sociais, de cariz meramente assistencialista, enganador porém, pelos vistos, para a maioria da população. Exactamente o mesmo que o partido Socialista fez, durante o tempo em que esteve no poder. E, perante o episódio consumado que foi a de o grupo Jerónimo Martins transferir a sede social das suas empresas para a Holanda, os comentadores que diziam aqui del rei que se impomos novas condições aos empresários, eles vão embora daqui, estão agora preocupados em justificar a atitude do grupo…

Ficamos a saber, neste início do ano, que a fortuna acumulada de Américo Amorim, Alexandre Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo, supera o rendimento anual de cerca de três milhões de portugueses. E que o preço das novas taxas de saúde, ditas moderadoras, duplicou, no mínimo, com custos que atingem, por exemplo 20 a 50 euros nas urgências hospitalares, mais um negócio chorudo para meia dúzia de especuladores e, provavelmente um impedimento na prestação de cuidados médicos para uma grande fatia da população. E também que, na distribuição de energia, iremos ter aumentos no consumo domésticos de mais de 25%. E nos transportes, portagens e telecomunicações, bem como no sector alimentar, mais aumentos, absolutamente indiscriminados, com aqueles arredondamentos do costume, sempre em prejuízo de quem paga, de quem tem necessidade dos serviços respectivos, ou dos bens em questão.

Sabemos ainda oficialmente, sempre o soubemos afinal, que é impossível baixar o famoso défice para a meta acordada. E que vai haver necessidade, sempre se disse, de renegociar a divida. Porque este governo e estas políticas só o conseguem fazer, roubando dinheiro e direitos a quem trabalha, nomeadamente aos funcionários do Estado. É muito fácil cumprir metas, desta forma. E, mesmo assim, parece que não as cumprem…
A comunicação social, paga pelos grandes interesses, vai cumprindo o seu papel de preparar as pessoas, para a inevitabilidade. É espantoso notar, dia após dia, nas notícias e nos comentários, cuidadosamente elaborados pelos mesmos comentadores de sempre, a preocupação em passar, nos últimos dias, a mensagem Será que vão ser necessárias mais medidas de austeridade agora em 2012? A TSF é disso um triste exemplo, com os fóruns que diariamente organiza, e onde inclui, no início de cada debate, um comentário económico-político de um dos inevitáveis amigos especialistas do Diário Económico, Dinheiro Vivo, etc… O objectivo é claramente manter a maioria da população num estado contínuo de ansiedade e numa situação de insegurança e angústia e que acaba por justificar a adopção de toda e qualquer medida, sem se questionar se existe alternativa. Ao fim e ao cabo, quem defende alternativas, não é propositadamente consultado, nem ouvido, não tendo assim qualquer direito a existir.

Esta é a versão actual de Democracia. O nosso País, como outros na Europa, está progressivamente a ser anexado, os sucessivos governos não são mais que agências de interesses, puxados por cordelinhos, cumprindo as decisões alemãs e francesas, de uma forma perfeitamente acrítica e escandalosamente submissa.

Resta apenas RESISTIR. A partir do ponto a que isto chegou, todas as formas de resistência são válidas.


23 dezembro 2011

NATAL 2011

No discurso agreste da austeridade
sob a capa diáfana da inevitabilidade
descobrimos uma dura realidade
é só para alguns a prosperidade!


E perante tanta adversidade
só me resta uma palavra de Amizade:


Umas Boas Festas, uma família a sorrir
mas com uma vontade enorme de resistir!





Passamos o nosso tempo a tentar perceber o que de mal fizemos para mereceremos tamanho castigo, que todos os dias nos entra portas dentro, pela rádio, televisão, jornais e revistas, um séquito requentado de comentadores pagos para pregarem a inevitabilidade, para nos ensinar que temos que ficar mais pobres, para depois podermos crescer de novo. O que eles nos querem dizer é tão simplesmente que devemos fazer sacrifícios mil e entregar as nossas pequenas mais-valias aos detentores do poder económico, aos ricos deste mundo, aos 1%, que se alimentam dos 99, de que parte fazemos. Com troikas, PECs, e agora Entendimentos. Leia-se, que vale a pena, o escrito do João Paulo Guerra, no dia de ontem, no DE, curiosamente um dos arautos mais significativos da desgraça. A Coluna Vertebral do João é um oásis no deserto de ideias daquele pasquim e ensina-nos, por exemplo, Esta bizarra relação entre governantes e governados, em que os primeiros só apontam como saída para a crise, a porta da rua.


E porque nesta quadra, que se diz festiva, nos lembramos dos outros, tentemos por agora desconstruir esta miserável demissão de responsabilidades dos tais que, governando se acham responsáveis. Indignos representantes, ignóbeis agentes, tristes intérpretes, que apenas são capazes de andar pela trela da ditadora alemã e do seu parceiro, o palhaço francês. Não há uma única ideia de progresso para o País, uma réstia de esperança para os trabalhadores, desta autêntica agência de liquidação, que é o governo da direita.
Nem numa quadra como esta lhes podemos dar tréguas, nem sequer desejar-lhes as costumeiras boas-festas. Festa faremos quando, espera-se que breve, os virmos partir, se possível para o país da outra, que ora os domina como quer. Só merecem o nosso desprezo e a um desejo imenso de reforçar a Luta porque, como bem diz o cartaz, Só com Ela se constrói o Futuro.









01 novembro 2011

Que rebente!


Antigamente, baptizavam-se os convertidos;
Hoje é preciso converter os baptizados".

Padre António Vieira

Perante o anúncio do Governo grego ter anunciado que vai referendar o segundo pacote de resgate acordado na última cimeira europeia e que tem como pressuposto o perdão de 50% da dívida grega pelos credores privados, as bolsas europeias abriram esta manhã em queda acentuada. A notícia, algo inesperada, deixa mais uma vez mais nervosos os mercados financeiros, que provocaram a crise. E porquê nervosos? Precisamente porque lhes está a sair o tiro pela culatra. Parece que finalmente as pessoas começam a pensar pela sua cabeça e concluem que o único resultado prático das soluções que lhes impõem, é o empobrecimento progressivo dos povos e dos Estados. Toda a panaceia, que dizem milagrosa, da austeridade, apenas tem como objectivo a retirada de direitos de quem trabalha, no mais violento ataque ao estado social, de que há memória, desde o final da II guerra mundial,. A pouco e pouco, os cães de fila do capitalismo selvagem e ultra-liberal, que na Europa chefiam os governos, tentam aplicar as medidas impostas pelos mercados, condenando á miséria prematura, milhões de trabalhadores.

Que rebente pois esta situação de hipocrisia politica. Que as pessoas vão metendo nas suas cabeças que as ajudas, os empréstimos, os resgates, não são mais do que tentativas desesperadas de salvar o capital financeiro e nunca, mas mesmo nunca, terão em vistas as pessoas, a não ser daquele reduzido número que se alimentam da situação, enriquecendo sempre cada vez mais. Pasme-se com os dados: nos últimos 12 meses, o crescimento da fortuna dos mais ricos foi 2 vezes superior ao aumento da riqueza a nível mundial. Os mais ricos do mundo, 1% da população mundial, controlam quase 40% (exactamente 38,7%) da riqueza mundial!

Que rebente pois esta Europa falsa, anti-social e protofascista, comandada pela pata imperial alemã, da abjecta Merkl e da fidelidade canina francesa, do palhaço Sarkosy. Nada se perderá, a não ser lixo.

Que rebente nas ruas a revolta. A situação no nosso País está perigosamente calma. Este governo de tecnocratas, liberais e conservadores prepara-se para desferir o mais rude golpe nos trabalhadores, desde o 25 de Abril. Ou melhor, já está em acção, desde o primeiro dia, com a compressão dos salários, a delapidação do sector público produtivo, os cortes do Estado social, os aumentos indiscriminados nos impostos. O PM mais incompetente de que há memória, advoga o empobrecimento, como medida de salvação; não o dele claro, o dos outros…

Que rebente, seria bem feito, nas próprias mãos, a bomba chamada euro…, temos por cá bons mestres, que sempre nos disseram ser esta a melhor das medidas. À imagem e semelhança do marco imperial alemão se construi, pois que morra de vez, arrastando na queda os seus mentores!

12 outubro 2011


Seguro é, galinha o põe

Um camelo não zomba da corcunda de outro camelo

Provérbio Africano

Instado a dizer algo aos microfones da instituição TSF, que vai ao fundo da rua, ao fim do mundo, Seguro mostrou a quem ainda dúvidas teria, o vazio mais completo possível, em matéria de discurso político. Não é uma coisa nem outra, antes pelo contrário. Claro que é capaz de ter algo substantivo para dizer, mas paciência, fica para outro dia. Parvo que eu sou, não capaz o suficiente para entender a subtileza constante de um discurso polido e conveniente, na medida directa da cinzentada pardacenta de uma coisa chamada de Partido socialista. Não importa a originalidade, já que se diga exactamente aquilo que se quer ouvir, vejamos então, Aquilo que quero é dizer aos portugueses que estou consciente da situação em que o país vive, que o Partido Socialista fará parte da solução e que eu compreendo que é necessário dar um sinal político forte quanto à convicção que as principais forças políticas em Portugal têm para que possamos sair da crise, mas isso não me dispensa de olhar para o conteúdo da proposta de orçamento. Para quem já disse que as medidas, ditas de austeridade, não resolvem os problemas do país, não deixa de ser, vá lá, singular, falar de parte da solução, que nem é preciso dizer qual é, já o adivinhamos, mais austeridade. Mas isso, não é exactamente o contrário, perguntará o leitor desatento, Não senhor, é mesmo assim, porque o dito partido é responsável e tem o tal sentido de estado, obrigatório jargão, que sem se saber bem o que é, o é de facto, está tudo dito. Por outro lado, que bem pode ser o mesmo, Seguro explica, é a TSF que o cita, que ainda não tomou uma decisão sobre o sentido de voto socialista porque ainda não conhece a proposta do Governo. Mas diz também, depois de novamente instado, eu bem o ouvi, afastar o hipotético cenário de votar contra, Isso se quiser é assim como 0,001 por cento, não se centre nessa hipótese (…). Parece ser, de novo, uma contradição, mas não o é de novo, porque ele de facto não tem motivos para o voto contra.
Se, ao fim de ouvir aquele discurso emaranhado, possivelmente ficar baralhado, não se admire. O objectivo é mesmo esse. Se pensar um pouco, às vezes vale a pena, chegará célere à conclusão que o comprometimento do partido dele com o convénio da desgraça é de tal ordem, que o homem fica manietado e outra coisa não pode dizer. Mas, se por alguma fatalidade, tal fosse possível, provavelmente o mesmo diria. Porquê, porque o pensamento único, versão dois mil e ene ponto zero, está instalado, corre bem, não dá problemas de configuração, aceita os periféricos e navega na rede sem qualquer sobressalto. Sim, um sistema operativo perfeito, amigável especialmente para o usurário. Não, não me enganei, é mesmo assim.
O raio que o parta, uma pedra no charco da indiferença, bolas para o conformismo, tudo o que se possa dizer, é brando para esta modalidade de autómatos que emergiram um pouco por todo o lado, quando a névoa toldou as consciências e tudo parece ser possível, mesmo o que não parece ser. Não basta estar atento, é preciso muito mais.

27 setembro 2011

A propaganda aos 100 dias

O direito de ter razão é também o direito de não a ter…

Do Livro dos Conselhos

A TSF promove de novo uma sessão de propaganda, no fórum que diariamente organiza. Desta feita, está Carlos Moedas (CM), um entre dezenas de governantes, secretários e subsecretários de estado, que passeiam pela estação de rádio, desde a tomada de posse deste governo, precisamente há 100 dias. Uma das premissas assinalada por CM é o aspecto positivo que descreve como a dupla medida, fim das golden-shares, por um lado e privatizações, por outro lado. É a estafada teoria que tudo que é Estado é mau e tudo que é privado é bom, uma das bandeiras da elite social-democrata, um argumento bacoco, desprovido de qualquer sentido e impossível de explicar, do ponto de vista de política económica. Uma outra medida salientada por CM, é a das mudanças nas políticas laborais, leia-se a facilitação dos despedimentos. Diz ele que têm de ser protegidos os interesses sociais, fantástica alegoria, que tem a interpretação que se sabe…
Culpa CM, a situação que este Governo encontrou, um argumento conhecido que os 2 partidos do centrão utilizam de cada vez que chegam ao poder. Nem vale a pena lembrar-lhes que toda a política económica é devidamente concertada entre ambos, desde os famigerados PECs, à partilha incessante dos postos-chave do aparelho de Estado, passando pela intervenção cúmplice nas parcerias público-privadas, na última década.
Viver acima das possibilidades…, sempre a mesma conversa fiada. Que é sempre atirada à cara daqueles a quem são pedidos, ou seja exigidos, os maiores sacrifícios. Claro que há quem viva acima das possibilidades, os melhores exemplos estão nos quadros dirigentes das empresas públicas, institutos e fundações, que são praticamente todos, membros dos 2 partidos, mais do CDS, que sempre ajuda nesta contabilidade.
O jornalista de serviço, ajuda à propaganda: perguntas óbvias, sempre amaciadas, uma moderação ligeira, mais que duvidosa, numa encenação grotesca do que poderia ser um programa acutilante, de confronto, de contraditório. Nada disso, o mar na TSF estará sempre calmo, com a brandura de uma comunicação social, perfeitamente domesticada pelo poder do centrão, incapaz de cumprir o seu papel informativo, limitando-se a ser formativa, no mau sentido, uma vez que se dispõe a formar uma opinião publica, cúmplice do poder de que se alimenta e que vai sucessivamente alimentando…

23 setembro 2011


O ultimo romântico?[1]

 
  
Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens
…”
Deolinda – “Um contra o outro”, 2009

O destino pouco importa, o que conta é a viagem
Do Livro dos Conselhos


E se, numa noite destas, encontrares um carro antigo que te leve a um outro tempo, uma festa, várias festas, muitas festas, não recuses o convite e deixa-te levar. Assim, sem mais nem menos, num exercício livre de pensamento criativo. Para melhor compreender este tempo em que vives. E compreender o que de facto queres deste tempo. Para isso, tens que aceitar o convite. E assim, de boleia em boleia, num carro antigo, podes entrar no mundo que sempre sonhaste. Podes então fazer conversa com as personagens que sempre te fascinaram, partilhar ideias e sentimentos, de cada uma forma simples e transparente. Sem códigos. Sem tabus. Sem ordem de prioridades. Serás decerto ouvido com toda a atenção, simplesmente porque consegues captar a atenção. Objecto de curiosidade talvez, um divertido alien, sem armas e sem bagagens. Falar e privar com pessoas concretas que sempre associaste a uma espécie de culto. Ao respeito também, quiçá a admiração, porque de facto marcaram, de algum modo, a diferença, um poema, uma melodia, uma frase que fosse e que fez história. Então, é impossível conter o súbito desejo de percorrer com elas, os caminhos que trilharam. De quando em vez, mergulhas no presente, sentindo contudo que o teu corpo está muito longe e há um arrebato de consciência que te quer trazer à razão. Simplesmente não importa, porque conseguiste arrojar o tempo, vivendo por momentos noutra dimensão.

Ok, recebi a tua mensagem. Não consegui entender bem, Ficaste preso no transito, Encontraste o nosso carro antigo, isto é algum convite para mim…???”



[1] A propósito da estria do ultimo filme de “Woody Allen,”Meia Noite em Paris

12 setembro 2011

Uma verdade a desvendar…



Todo erro se apoia numa verdade da qual se tem abusado
Do Livro dos Conselhos










Passados 10 anos, ainda pouco se sabe sobre o que realmente aconteceu naquele dia. Sabemos da tragédia, em que milhares de pessoas perderam a vida, de forma inglória. Sabemos do aproveitamento político subsequente, por parte da administração americana e da quase totalidade dos governos do ocidente, unânimes no discurso, cúmplices na atitude. Sabemos ainda, porque aqui vivemos, de como o mundo ficou amarrado na presa securitária, de contornos neofascisantes, que nada acrescenta, nem resolve. Mas de facto não sabemos, porque talvez isso não convenha, como aquilo aconteceu, porque aconteceu, quem são os responsáveis. Muito fácil, a explicação americana, muito conveniente. Convém recordar a administração Bush, o seu chefe alcoólico e demente, bem como todo o seu séquito de malfeitores, criminosos de guerra e traficantes de armas. Convém reafirmar que, desde os anos 50 do século passado, os EUA têm praticado por todo o lado, uma politica de destruição maciça de tudo o que mexe no mundo: Cuba, Coreia, Vietname, Chile, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, Líbia, Haiti, Iraque, Afeganistão. Antes, como agora, sempre para “salvar democracias”, leia-se, proteger ditaduras obsoletas, tiranias absolutas, ou salvaguardar duvidosos interesses financeiros. Dominar os recursos, em última instância, o petróleo, os seus protectorados, as suas benesses, os frutos de uma exploração sem limites, a bem do jugo imperial e da sobranceira forma como encaram o resto do mundo.

A história nunca se repete. De qualquer forma, não deixa de ser curiosa a coincidência de datas, no 11 de Setembro. De 1973, em Santiago do Chile a 2001em Nova Iorque, vão 28 anos de intervenções desastrosas. A intromissão americana no Chile, em favor do ultra fascista Pinochet, para derrubar o governo legítimo de Salvador Allende, ficará marcada para sempre, como um dos episódios mais sangrentos do século XX.  Estará o povo americano ainda a pagar pelas políticas imperialistas das sucessivas administrações?   

Mas, ao que parece, a administração americana não é capaz de compreender, nem aprender. As ténues esperanças de mudança, desde que Obama chegou ao poder, vão-se desvanecendo uma a uma. As intervenções falhadas no Iraque e Afeganistão continuam, tal como antes. A base de Guantanamo resiste às vãs promessas e permanece como símbolo da vergonha, do autoritarismo e da arbitrariedade. A notícia da United Press de que o Presidente se iria encontrar, lado a lado, com o antecessor, não deixa de ser preocupante, pela simbologia que representa.

O mundo não está de facto melhor. Está, na realidade pior. De um lado o intolerável e insuportável fundamentalismo muçulmano. Do outro lado, a arrogância imperial dos EUA e os seus seguidores, na Europa, África e Ásia. Comparada com a Guerra Fria da última metade do século passado, a situação actual é assustadora, sobretudo num aspecto: a facilidade e o despudor com que se mata, em nome de qualquer coisa. A inversão desta situação, só será possível num quadro de desenvolvimento global da comunidade das nações, no respeito pelos Direitos Humanos, da luta contra a pobreza, da eliminação progressiva das desigualdades sociais, enfim, na procura de condições para desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento, um compromisso das Nações Unidas, inscrito no último dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, aprovados há exactamente 11 anos atrás.

11 setembro 2011

Kanimanbo, em busca do Tempo Perdido… (1)






Se sonhar um pouco é perigoso,
a solução não é sonhar menos, é sonhar mais
…”


do Livro dos Conselhos



E se sabemos que verdadeiramente nunca reencontramos o que porventura procuramos, o certo é que voltamos às deliciosas paragens de Vila Real de S. António, perdida no limiar do país real, mesmo no limite territorial sudoeste. E se é certo também que Os verdadeiros paraísos são os paraísos que se perderam (1) , ainda restam algumas lembranças da última estadia, como esta, numa breve paragem que tenta reconfortar o corpo e (se calhar) o espírito. E é assim que voltam as voltas da vida, aos mesmos sítios e paragens, quiçá ora mais inquietos, pela passagem dos dias em que tudo é breve, assim se analisam os tempos que correm, mais depressa do que desejaríamos. E assim também o sentem os espíritos inconformados, que tudo colocam em causa, como convém aos que ainda acreditam na mudança. Tudo é igual e diferente ao mesmo tempo, em cambiantes dissimulados pela crise que abala tudo, para deixar tudo cada vez pior. Que o diga o homem da ligadura na perna, que percorre a praia, para um e para o outro lado, num registo diário constante, sempre no mesmo local, que cuidadosamente assinala no final do dia, para que não perca um norte que do sul advém e que as marcas na face não conseguem esconder. E que o ateste o comboio Tschu- Tschu, que antes de borla era e que agora se paga, pudera que a produção do país se vai especializando cada vez mais em prestações de serviços, óbvios de tão óbvia a riqueza nacional se reclama. E, se agradecer devemos à bondade extrema de quem superiormente nos dirige, lembramos, por um feliz acaso, a “doce” melodia Kanimanbo, do tempo colonial, em que o intérprete Tudela se esforça em tentar mostrar que o que era não era o que podia parecer, afinal apenas rimas mais ou menos parvas, que nos servem para soltar gargalhadas imensas, que rir assim é preciso, para soltar amarras do stress que nos quer consumir. Para a história fica também a eterna angústia da lula que quer ser calamar e da outra, que é pota e nunca chegará a lula, numa cefalópoda simetria bilateral e mimetizante postura, que nada significaria, não fora a importância de estas e estes espécies se moverem “por intermédio de propulsão, ejectando grandes quantidades de água armazenadas na cavidade do manto, através de um sifão de grande mobilidade e capacidade de direcionamento dos jactos” "(2) , e sabendo finalmente o quanto dependemos das tecnologias de deslocação rápida, tipo TGV dos mares, para acompanhar os submarinos do Portas.

De tanto rebolar nas areias quentes da imensa praia, e de tão distantes que estão as fontes habituais de informação, que da rádio só as ondas de Espanha se aventuram, não nos embrenhamos, como se calhar deveríamos, na disputadíssima venda (ou compra???) do BPN, onde mais uma vez se demonstra a bondade dos nossos servidores públicos, naquela que poderia ser a fraude do século, um descarado roubo de igreja, Valha-me deus, e que não passou de mais um episódio de uma novela peessediana, com cavacos à mistura, Mira que nos parió, diria um espanhol que vinha comprar tabaco ao quiosque da antiga fronteira. Passariam, ainda por nós despercebidos, os reforços de verão da CGD, que terá adquirido os passes de alguns conhecidos consultores em final de contrato e que terão sido contratados a peso de ouro, que aqui é mais ou menos ao contrário do futebol. E, bem a propósito, resta a casa do Glorioso, este ano com menos trânsito que no ano passado, pode ser que seja sinal de sucesso, nas marcas de um tempo que pensamos ser perdido, mas que dia a dia encontramos por aí…
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(1) in “O Tempo Redescoberto”, Marcel Proust, Lisboa 1998
(2) fonte Wikipedia, in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lula

23 julho 2011

DE(1), exemplo vivo do radicalismo ultra-liberal









Obrigado, excelências!

Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade.
E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
…”

Poema de agradecimento à corja” (Excerto), Joaquim Pessoa, Barreiro 2010


Muito embora nunca tenha desembolsado um cêntimo para o jornal em questão, leio-o quase diariamente, apenas porque está disponível no local de trabalho: um conhecido banco espanhol, disponibiliza na minha Instituição, tal iguaria. De borla. O pasquim em questão de reputada reputação (assim mesmo!) ostenta desde o início da dita crise financeira, as posições oficiais, oficiosas e outras que tais, das e dos defensores da inevitabilidade. Obviamente, de mãos dadas com a recessão, o desemprego, a estagnação do crescimento económico, enfim, o imobilismo e a desgraça. No meio daquele deserto ultra-liberal, há uma pequena coluna, escrita por um homem íntegro, chamado João Paulo Guerra. É, muito a propósito, a Coluna Vertebral. Homem a quem a dita assenta que nem uma luva, que contraria ventos e marés adjacentes, numa luta que perdida parece.
Curioso notar (ou não) que, todos os dias, o jornal ostenta as fotografias dessas espécies de luxo que são os 4 líderes (ou CEO) dos 4 designados maiores bancos portugueses. Pelas razões mais diversas, sejam as notações das agências de rating, os aumentos de taxas do BCE, as perdas/ganhos dos ditos, a colocação da dívida, as exportações ou importações, ou quem mais ou menos importa, tudo serve para a fotografia. Ainda estou à espera, um dia quem sabe, de abrir o DE e descobrir que não aparece a foto de nenhum (pelo menos de 1, vá lá) deles, aí estou convencido que o periódico vai perder a sua (dele) identidade. E depois, quer dizer, além das fotos dos referidos senhores, vem o séquito de opiniões “independentes”, que defendem que o que é preciso é mais estabilidade e mais solidez, mais robustez, da banca, porque é assim que se vai ultrapassar a crise, pois é a banca que sustenta a economia. E daí, a solução para todos os problemas do País e arredores, que diga-se de passagem, não são nem mais nem menos que as coutadas desses senhores e dos que se alimentam deles, leia-se, lhes vão comer à mão. Eles e elas (poucas elas, aliás…) que são os analistas, comentaristas, economistas, politólogos (espécie recente), que também são quase todos ex-qualquer-coisa, vindos sempre do mesmo centrão, cinzento, pálido, obscuro, primário, previsível, inevitável. As posições diferentes são sempre curiosamente iguais: as medidas de austeridade são porventura injustas, mas (e o mas é sempre redundante) necessárias, porque de interesse nacional; aqui, a coisa às vezes varia, ou é o “interesse colectivo”, o “interesse do país”, o “interesse público”, ou o avassalador “superior interesse nacional”, umas décadas atrás seria “a bem da nação” e está tudo dito.
Coisas simples, corriqueiras talvez, como por exemplo, taxar em 1% as operações bolsistas, significa exactamente a mesma receita para o Estado que o roubo do 13º mês (1.050 milhões), aplicar 20% de taxa sobre as transferências para off-shores, equivale ao dobro daquele valor, não significam nada para os comentadores do regime. O Diário de Notícias adiante hoje, que “Tributar dividendos rendia mais 50 milhões que taxar reformados”. Mas, claro está, aplicar um imposto extraordinário sobre capitais, à semelhança do que se quer fazer para os trabalhadores, está positivamente fora de causa, já que tal implicaria a famigerada fuga de capitais para o exterior. Como se ela não esteja a acontecer, como toda a gente sabe. E para onde, aliás… Esconjurem-se então tais medidas e quem as apoiar!
Mas, ironia das ironias, por mais PECs e/ou mais medidas para diminuir (artificialmente) o défice e/ou impor mais austeridade, os famigerados mercados, sempre inquietos, irrequietos ou qualquer coisa que o valha, desconfiam (o termo é fantástico) da dita recuperação do País e, vai daí, as temíveis agencias de rating americanas, que baixam a cotação da República, condenando a pátria ao lixo comum.
Então ficamos – os simples mortais que pagam – ou baralhados, ou pasmados, ou plasmados, ou outra-coisa-qualquer que não se escreve assim ao de leve. E pensamos, porque ainda nos damos a esse luxo (!), Mas afinal o que é isto?
O entulho liberal e ultra-liberal apresenta-se agora sob a capa diáfana daquele senhor das finanças que fala devagar e explica tudo (mas afinal ele diz a mesma coisa, não é?), do outro que quer que o tratem pelo nome e não por doutor e da outra que dispensa as gravatas dos colaboradores, entre 1 de Junho e 30 de Setembro. Sérios, competentes e rigorosos, assim nos ensina um dos articulistas de serviço do DE, os novos intérpretes da recessão, do desemprego e da desgraça, têm ainda a suprema virtude: são novos, meu deus! Ao fim e ao cabo, tal como o de Santa Comba que, em 1928, aos 37 anos foi convidado para as Finanças…
Todas e todos têm agora o “conforto” do chefe da Republica, o de Boliqueime, esse mesmo que começou a destruiu o País nos anos 80, durante 2 mandatos, desbaratando fundos em betão e favores, matando as pescas, a agricultura, a indústria e tudo o que mexesse, distribuindo benesses e formando quadros e parceiros como os do BPN.
A triste imagem do país, humilhado e amordaçado, contrasta com o semblante promissor dos 4 banqueiros, um bando que vai a pouco e pouco sugando o que resta. Basta-lhes de facto saber que, por um lado, o estado protector de que se alimentam, os acolhe e lhes paga os prejuízos e que, por outro lado, lhes vai dar na mão os negócios rentáveis (para eles, não para o Estado) das privatizações que se avizinham.
Este é apenas um exemplo da comunicação social que temos e que pagamos. Para além de transmitir e vincular a voz dos donos e o pensamento único, também fabricam sondagens, para orientar o eleitorado para o lado (do centrão) que mais lhes convier, no momento adequado. Esta é também uma falsa democracia, aqui e em toda a Europa, que não tem o mínimo significado para quem trabalha. Todavia eles precisam de quem lhes pague os vícios…






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(1) DE: Diário Económico, propriedade do Grupo ONGOING Media

12 junho 2011





OLÍMPIA, sempre!










Fazia ainda a manhã os seus primeiros passos. Lisboa a 9 de Junho, procurava qualquer coisa no Martim Moniz, de que rapidamente me esqueci, quando recebo da Augusta a notícia mais triste deste ano. A nossa querida Olímpia, não foi capaz de resistir à luta que vinha travando, há mais de dois anos. Faria a 29 de Novembro deste ano, 47 anos. Uma vida que acaba cedo de mais, uma daquelas injustiças que acontecem. Simpatia, profissionalismo, dedicação às nossas causas, um amor imenso que distribuía pelos amigos, uma tremenda vontade de viver, na alegria do seu sorriso do tamanho do mundo. Onde quer que estejas agora, queria Amiga, sabe que te recordaremos sempre com aquela saudade que não se define, sente-se somente, uma dor que custará a passar…

06 junho 2011

Contornar o obstáculo






"Perante um obstáculo,
a linha mais curta entre dois pontos pode ser a curva
…"

Bertolt Brecht, in: “Vida de Galileu






Fecha-se um ciclo político, com o apuramento dos resultados do acto eleitoral de 6 de Junho. Pela primeira vez, a direita consegue o “sonho” de Sá Carneiro, uma maioria, um governo, um presidente. Quaisquer que sejam as ilações, diferentes obviamente segundo a perspectiva, a verdade é que o País foi sistemática e criteriosamente conduzido a uma situação de ruptura das finanças públicas, pela governação dos 3 partidos do convencionado arco do poder. Atribuo inteira responsabilidade da situação a que chegamos à politica desastrosa do Partido Socialista e à diletante prestação de José Sócrates, que agora sai de cena, deixando o Partido num estado de indefinição, contrariando as expectativas legítimas de milhões de portugueses, que nele (partido) depositaram alguma esperança de mudança. A atitude de permanente aproximação à direita liberal, significa numa palavra, a traição. Tudo foi permitido, durante os 6 anos de governação: banca agarrada ao poder, alimentando-o e alimentando-se dele, não contribuindo (como qualquer empresa) com o pagamento do imposto devido, destruição do aparelho produtivo, com o inevitável decrescimento e aumento do desemprego, diminuição crescente do poder de compra, descrédito completo do sistema de justiça, ausência de vontade politica de combater a corrupção, enfim, o assalto sistemático ao aparelho de Estado, para contrabalançar a quota relativamente ao PSD – CDS. O horror à esquerda, tantas vezes manifestado pela liderança do secretário-geral, numa arrogante manifestação, que ele próprio designava de coragem. Tudo era afinal contrariado pela prática constante de multiplicação de institutos e agências, com uma plêiade de acólitos, geralmente pagos a peso de ouro, num País que cada vez foi ficando mais desigual.

Mas este acto eleitoral confirma uma democracia cada vez mais fragilizada. As maiorias são agora criteriosamente fabricadas por uma comunicação social cúmplice do poder económico das grandes empresas, com o seu séquito de comentadores e analistas, confortavelmente acomodados, e ainda pelas empresas de sondagens que, sob a capa diáfana da auscultação do eleitorado, mais não fazem de que orientar, dia a dia, semana a semana, o sentido de voto. Contudo, esta maioria que ora se apresenta, pode ter legitimidade politicamente assegurada por uma minoria de votantes. Mas não tem seguramente uma maioria social. E porque uma democracia, como a entendemos, não se esgota no voto, vamos esperar a resposta social que aí vem. Diria, mais que esperar, vamos como é dever de cidadania, fazer o que for possível, para modificar o estado da arte desta politica, no sentido da mudança social.


Tal como quase 8% dos portugueses dei o meu voto, como habitualmente, à CDU. Que cresceu mais um pouco, contrariando uma sempre anunciada morte, ou declínio. A expectativa de uma alternativa (?) à esquerda gorou-se e terá deixado em muita gente boa, um amargo de boca. Os dias que virão, se não significarem o desengano e até uma desmobilização, poderão servir para uma reflexão profunda no seio da Esquerda em geral. Embora não reste muito tempo para pensar, porque é preciso agir, mal não faz certamente reflectir.


O profundo sentimento de desalento não deve durar mais uns dias de luto, porque a luta (essa sim) é que interessa!

04 junho 2011

O SILÊNCIO DA REVOLTA





Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence
…”


Sounds of Silence”, Paul Simon, “”Wednesday Morning, 1964




Quase nas vésperas de um grande acontecimento que marcará Lisboa como Capital da Palavra (a), elege-se o Silêncio como forma sublime de expressão. Que viva pois o silêncio, como atitude de inteligência, que não de passividade, forma de protesto, que não da indiferença malévola para que são atirados centenas, milhares ou milhões de portugueses que têm direitos.



Ao evocar mestres da palavra, como Cesariny, Luiz Pacheco, O´Neil ou Jorge Sena, poderíamos talvez convocar a cidadania, não como conceito académico, tantas vezes usado com despudor, mas possivelmente sob o formato de workshop permanente de monitorização do embuste generalizado que graça pela clique dirigente de há 36 anos a esta parte. Seria quiçá uma jogada de contra-ataque, mesmo num campo potencialmente adverso.

Aprendemos ainda que o Silêncio é a alma de um Poeta. E, naquele lirismo que guardamos bem dentro de nós, imaginamos talvez que poderíamos arremessar silêncios aos pobres intérpretes da inevitabilidade, que juntos, coligados, isolados ou copulados, invadiram as cidades, vilas e aldeias do País ocultado e subjugado, que eles mesmo há muito que hipotecaram. E que nos cantam, ou a canção do bandido ou a da charlatão, uns e outros emitindo ruído de mais para ouvidos sensíveis de quem tem ainda alguma alma. E, com a divisa, Não há neutralidade no Silêncio, poderíamos quem sabe neutralizar-lhes o que lhes é mais caro: a atenção que julgam que merecem.

Hoje haverá silêncio. O silêncio da Regra, o institucional. Amanhã haverá porém o outro, que ora convocámos, e que poderá durar semanas, meses, o tempo que for preciso, para os profetas e intérpretes da desgraça a que levaram o País, aprendam de uma vez para sempre, que nem tudo se resume no voto e que há ainda quem não se resigne e que lhes pode ensinar uma outra palavra, que pode bem ser a do som que faz o silêncio…
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(a ) A propósito do Festival do Silêncio, Lisboa Capital da Palavra, Festival do Silêncio, 15 a 25 Junho (http://www.festivalsilencio.com)