rio torto

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29 março 2012

Os novos fascistas…

A funcção do partido conservador é a manutenção da ordem contra todas as invasões que directa ou indirectamente ameacem a integridade da organisação existente. Em todas as velhas sociedades os governos são por essa rasão, os inimigos natos do progresso. A evolução progressiva da humanidade realisa-se, a despeito d'elles, pela elaboração irresistivel das idéas fora da esphera official, sob a acção das descobertas da sciencia ou das suggestões da arte. O mais que fazem os governos é submetterem-se ás transformações sociaes que a solução de cada novo problema resolvido pela sciencia impõe á existencia dos povos. Os governos, portanto, sempre que uma forte effervescencia intellectual não agita a sociedade e os não abala constantemente na eminencia do seu posto forçando-os a concessões successivas, tendem ao retrocesso".
Ramalho Ortigão / Eça Queiroz, “As Farpas, Tomo VIII, Jan a Fev 1877

A propósito da abertura do debate parlamentar sobre as alterações ao Código do Trabalho promovidas pelo Governo, o ministro Álvaro disse “Esta é uma proposta que salvaguarda os direitos dos trabalhadores e o seu direito ao trabalho”. Desmistificar esta linguagem, este conceito, torna-se agora, mais que nunca, uma necessidade. O ministro Álvaro, já o sustentei antes, é um dos muitos membros do governo que utiliza uma linguagem protofascista, com uma carga ideológica assustadoramente conservadora. Para além de errada, do pondo de vista prático. Alguém lhe disse (1), relativamente ao despedimento por inadaptação, que a serem adoptadas hoje, o primeiro a ser despedido seria o próprio Álvaro. Ontem, no debate promovido pela inefável estação TSF, o Secretário de Estado do Emprego, ignorou por completo as estatísticas europeias, que colocam o nosso país na cauda da Europa, nos índices que reportam a baixos salários, à desigualdade e à distribuição da riqueza. E, lá bem no topo, nomeadamente, no valor do IVA e nos preços dos combustíveis. Estes agentes que nos governam são a expressão mais vil da baixeza intelectual e da mediocridade mais atávica. Falam do que não sabem, defendem posições insustentáveis, como por exemplo de que a produtividade tem a ver com o aumento das horas de trabalho, ou com a diminuição dos dias feriados. Curiosamente, dados publicados pelo Eurostat, no final do ano 2011, indicam que os gregos são quem trabalha mais horas na UE e os portugueses estão em 4º lugar, logo a seguir a Áustria, Grécia e Reino Unido. Por outro lado, segundo estudo da OCDE, também de 2011, Portugal é o país europeu onde se trabalha mais horas, com e sem vencimento, por dia. Em média, os portugueses trabalham no total cerca de 8 horas e 47 minutos todos os dias, ocupando o terceiro lugar no ‘ranking' dos países da OCDE. Os portugueses são ainda, os que mais horas diárias trabalham sem vencimento, com cerca de 3 horas e 53 minutos, volume de trabalho que representa 53% do PIB nacional e que nos classifica em quarto lugar da tabela da OCDE.
Há quem diga que estes agentes, prefiro chamar-lhes assim, acreditam mesmo nestas patranhas. E mais, que acreditam mesmo que estas “soluções” servem mesmo para “levantar” o País. Prefiro de longe a realidade e o que ela mostra. Primeiro, estes agentes defendem os seus interesses e os dos parceiros da banca e dos poderosos, como se pode constatar pela troca sucessiva de cargos públicos que a clique dirigente, que agrupa a grande família PS+PSD+CDS vai ocupando, garantindo o pleno de um aparelho de estado que lhes pertence e que judiciosamente vão partilhando. Segundo, porque a frieza dos números publicados dia a dia, mostra a falência completa dos seus desígnios, como sejam por exemplo, os dados publicados hoje, pelo Banco de Portugal, que fez uma revisão em baixa das suas previsões para a economia portuguesa em 2012 e 2013 e que afirma que a economia portuguesa vai encolher 3,4% em 2012 e estagnar no próximo. Para além das previsões, mais uma vez a realidade: em Janeiro deste ano, verificou-se um aumento de 175% (!) da despesa com juros na execução orçamental.
Passos Coelho e seus amigos fascistóides querem fazer de Portugal um país de trabalho escravo, esta a realidade. Estão a lançar diariamente o País na recessão, provocada obviamente pelas famigeradas políticas de austeridade. Alguém terá que os travar, seja de que maneira for…
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Mariana Aiveca, deputada do Bloco de Esquerda

21 março 2012

Um dia de Poesia e Luta



Um dia como qualquer outro, de certa forma penteado aqui e ali por coisas boas e outras más, notícias telúricas e aterradoras, polvilhadas com o tempero amargo da austeridade, declarações mais ou menos parvas dos idiotas que governam o País, evidências bem pouco evidentes da inevitabilidade, um fascismo branco numa Europa que cedeu por completo a um império que lembra o antigamente, um medo que se instala. Enfim, Perdoai-lhes Senhor/Porque eles sabem o que fazem…. Todavia, há Uma pequena luz bruxuleante/brilhando incerta mas brilhando/aqui no meio de nós/entre o bafo quente da multidão, que pode significar a esperança, se esta não ficar pelo baixar de braços á espera de nada, se for actuante, onde Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha, onde Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.

Um dia, pelo menos um, que a Poesia brilhe. E que o Poeta seja heróico como Sena, terno como Florbela, sensível como Sofia, corrosivo como O'Neill, militante como Ary. E que o Poema Cante no cimo das chaminés /que se levante e faça o pino em cada praça, e que seja microfone e fale/uma noite destas de repente às três e tal/para que a lua estoire e o sono estale/E A GENTE ACORDE FINALMENTE EM PORTUGAL!!!

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Referências:

  • Jorge de Sena: “Uma pequenina luz bruxuleante”
  • Fernando Pessoa: “Isto”
  • Manuel Alegre: “Poemarma
  • Sophia de Mello Breyner Andresen: “As pessoas sensíveis
Imagem: Painel Haveráguas - Parque das Nações - Lisboa - Portugal

14 março 2012

Alguém amigo queria um relato da minha experiencia no Hospital, durante uma semana.
Aí vai, foi você que pediu um RELATO???



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RELATO-QUASE-CLÍNICO














Logo aos 6 minutos de jogo, jogada perigosa da PSA. Um cruzamento do lado esquerdo, bombeado na área, antecipação do extremo Biopsia e, golo. 1 a zero portanto, resultado que nem se pode dizer justo, com tão pouco tempo de jogo e as equipes a estudarem-se, como é vulgar nestas situações. Jogo empapado a meio-campo, com a equipa vencedora a resguardar-se, nada a assinalar para já, a não ser a actuação mais que insidiosa do árbitro, sempre a proteger a equipa forasteira. Foras de jogo mal assinalados pelo fiscal de linha, cuja passa agora a ser dura e, uma linha dura tem as consequências que se advinham, como por exemplo, a mostragem de cartões amarelos fora de tempo e com a nítida persuasão de confundir o adversário, com atitudes deveras neoplásicas. Finta de um lado, finta do outro, o ponta de lança dos Próstaticos 2011, enfia a bola na baliza, mas o árbitro anula o lance, por alegada falta sobre o guarda-redes da PSA. O campo cirúrgico, ou seja, o estádio, levanta-se perante tamanha grosseria do árbitro. Este, de apito entre as pernas, dirige-se ao banco dos Próstaticos 2011 e, sem mais nem menos, expulsa o técnico local. Sem mais delongas, chovem no relvado, pinças, cateteres, algálias, compressas, drenos, epidurais, e um sem número de paracetamois chineses, cuja utilização, diga-se entrementes, está interdita nos campos nacionais. O intervalo chega com o 1 a zero, uma injustiça para a equipa da casa, que merecia pelo menos, o empate.

Muito decerto a mudar ao intervalo pelo médico-treinador dos Próstaticos 2011. Umas substituições para segurar o meio-campo e reforçar o ataque. Este relato tem o patrocínio exclusivo de Radical 2000, a melhor forma de remover a sua próstata, sem dor e sem irritação: remova a sua próstata já e não pense nela amanhã! Aproveite os sensacionais descontos de início de época: remova a sua próstata e leve 2 algálias para casa de oferta. Uma algália é melhor que uma Amália!

Inicio da 2ª parte. Substituídos ao intervalo, na equipa da casa, Vesícula por Uréter e ainda Prostatito por Drenno, unidades que, no entender do treinador, deveriam desequilibrar a balança, para o lado desejado. Por outro lado, diga-se de passagem, os 2 jogadores substituídos não tinham rendido o suficiente. 15 minutos da 2ª parte, lance de ataque perigoso, Uréter entra pela esquerda, cruza e Drenno faz golo de trivela. Empate, o jogo está vivo. Um penalti não assinalado aos 32 minutos sobre Ingua, poderia ter contribuído para que a equipa da casa se colocasse em vencedora, mas as coisas são assim mesmo. Até que aos 41 minutos, um centro da direita de Testículo e Pénis de cabeça estabelece o 2 a 1, que haveria de manter-se até ao final, consagrando a vitória da equipa da casa, com todo o mérito e justiça.


No flash interview, o médico-treinador dos Próstaticos 2011 sublinhou a justeza da vitória, dizendo a propósito que a equipa adversária não tinha jogado para ganhar, e aconselhou ao técnico da equipa contrária, uma consulta de estomaterapia. Queixou-se de violência física, não se sabe de quem, a um dos jogadores da sua equipa, que saiu com uma lesão na mão esquerda, ao que foi depois foi averiguado ser um problema no túnel… Já o responsável pela equipa PSA, declarou-se urostomizado e recomendou ao colega adversário, o uso cuidado do ureterorenoscópio.
E prontos….

23 fevereiro 2012

Zeca Afonso, a Voz da Cidadania

Viva a malta e trema a terra
Aqui ninguém arredou
nem há-de tremer na Guerra
Sendo um homem como eu sou
".
Canta camarada”, Zeca Afonso, 1969





Ousaste um dia dizer, O Povo é quem mais ordena, num tempo em a negra noite cobria Portugal e os cidadãos não tinham voz. E, em Abril, serias a bandeira que jamais renegaremos. Passados tantos anos, sabes que cantamos ainda contigo, na cidade que tem praças de palavras abertas, onde Não há céu de palavras/não há rua de sons que a palavra não corra/à procura da sombra de uma luz que não há. Ali, mais além há mulheres e homens que lutam, e tu, sempre presente para lhes dares a Voz que nunca tiveram, nunca terão, Quem dera que a gente tenha/De Agostinho a valentia/Para alimentar a sanha/De esganar a burguesia, sábias palavras, tão actuais quanto no tempo dos Índios, que na Meia-Praia moravam, ali mesmo ao pé de Lagos. Recordo os tempos em que te ouvi, em Coimbra, em caves, onde entravamos um ou dois de cada vez e donde saíamos por traseiras que acabamos por conhecer de cor. E, durante tantos anos de boa memória, não havia concerto digno desse nome, que não terminasse com a malta toda no palco, cantando a Terra da Fraternidade, uma Grândola de um Alentejo que produzia e que agora transformaram num deserto com gente. E se, um dia destes viermos gritar bem alto, Dum botão de branco punho/Dum braço de fora preto/Vou pedir contas ao mundo, será que alguém vai prestar contas da forma desastrosa como este nosso Portugal tem sido vendido ao desbarato? Tu avisaste, Mandadores de alta finança/Fazem tudo andar p´ra trás/Dizem que o mundo só anda/Tendo à frente um capataz, e aqui estamos agrilhoados a uma austeridade que exclui cada vez mais cidadãos e inverte completamente as promessas de Abril. Para eles, apenas um Redondo Vocábulo, para nós A fúria cresce/Clamando vingança. Contra os novos Vampiros, seremos sempre, como tu, Filhos de uma Madrugada, navegando de Vaga em vaga/Para não se apagar a chama/Que dá vida na noite inteira. Porque sabemos bem o que queremos, 25 anos que hoje cantamos, Cidade sem muros nem ameias/Gente igual por dentro/Gente igual por fora. Sim, a tua Utopia, Zeca: Toma o fruto da terra/É teu a ti o deves/Lança o teu desafio. Corramos com o Gastão que era perfeito/conduzido por seu dono e proclamemos: Já o tempo/Se habitua/A estar alerta
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Excertos: “Grandola Vila Morena”, “A Cidade”, “Os Indios da Meia-Praia”, ”Avenida de Angola“,  Redondo Vocábulo”, “Utopia”, “Canto Moço”; “Gastão era perfeito”, “Já o tempo se habitua

14 fevereiro 2012


Pára para pensar, ao menos para ler o que os outros pensam…
Do Livro dos Conselhos









Na cidade há um jardim para os namorados (1), com sabor a português e a mar, na doce e quente aragem da África profunda.  A subtil diferença entre “de” e “para” fica ao sabor da imaginação, neste dia em que as diferenças contam porventura mais que nunca. No dia em que convocamos Sofia, para atravessar com ela o deserto do mundo, Por ti deixei meu reino meu segredo / Minha rápida noite meu silêncio / Minha pérola redonda e seu oriente (2), um apelo vigoroso de entrega e de partilha. Será isto o amor, aquele sentimento que o Autor diz ser louco, porque sábio e o mais sublime que a alma pode alcançar (3)? No jardim pode-se namorar, sem ser piegas, uma moda posta em cena, por alguém insuspeito de se dedicar a coisas dessas, ocupado que está em nos levar para um mundo deserto, sem atravessar coisa nenhuma e sem a loucura surrealista dos anos 30. Que pena. Por nós, alinhamos com a pichagem de parede, algures para os lados do Principie Real, uma das pérolas da cidade do lado de cá. Um convite, uma tentação, uma provocação claro. Passamos de novo para o outro lado, onde faz calor quando cá nem por isso, convocando Viriato (4), ensinando um doce Namoro, Mandei-lhe uma carta em papel perfumado  / e com letra bonita eu disse ela tinha / um sorrir luminoso tão quente e gaiato…Aí Benjamim, quem não sabe, quando mandou recado pela Zefa do Sete, para ver se pegava. E não é que pegou mesmo, a gente sabe de cor… Do lado de cá, andámos porém tão atarefados, que nem reparamos a quem nos pisca o olho malandro, no autocarro ou no metro. Amai-vos porra!, pode ser o abanão que precisamos. A vida é nossa, porra!






(1) Referência ao Jardim dos Namorados, cidade de Maputo, entre o Miradouro e o Quartel General (Moçambique)
(2) “Para atravessar contigo o deserto do mundo”, Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)
(3) Referência a Andre Breton “O Amor Louco”, 1934
(4) Viriato Clemente da Cruz, poeta angolano


01 fevereiro 2012








Uma mão lava a outra,
o champô só lava cabeças. Duras, claro!
Do Livro dos Conselhos Inúteis




Com polvo e algum champô à mistura se vai fazendo justiça em Portugal. Uma verdadeira justiça de classe, não uma justiça com classe. Um octópode que se preza tem oito tentáculos ao redor da boca e não lava a cabeça. Um champô digno desse nome, tem marca, logotipo e vende-se numa loja da Baixa, pelo módico preço de 25 euros. Imagino um isaltino enredado nas pernas sebosas do polvo, fumando charuto e sorrindo de soslaio para o magistrado. Interpus recuso, diz o polvo, aliás uma providência cautelar para não ser cozinhado. Na peça, o champô transita do jaguar do autarca, para a bicleta do sem-abrigo. Roubada, claro. E, subtraindo o preço do quilograma do molusco, ao do mililitro do champô, obtemos o delicioso resultado, 100 dias de precária, mais as coimas e o lanche do defensor oficioso. E, somando a lata do polvo, já em conserva claro, à parvoíce declarada do funcinário de justiça, obtemos uma variável muito comum em Portugal: a puta que os pariu! A diferença entre o roubo do lavado molusco e o subtil desvio do isaltino é apenas uma questão de retórica. A vida continua entretanto, a luva branca e a cartola valem o que sabemos, o sem-abrigo é abaixo de cão e só mesmo o medo que se vai instalando, impede que alguém bem-intencionado um dia acorde mal disposto e faça uma asneira daquelas.

Para que serve abrir um ano judicial?

22 janeiro 2012


Ao homem que clama estar a passar dificuldades por ter abdicado do vencimento a que o cargo compete, vivendo exclusivamente das suas reformas, que rodam os 10 mil euros mensais e que diz que, somente o facto de ter sido poupado toda a vida, arrecadando uns tostões para se ir sustentando, lhe permite agora fazer frente a tanta despesa (!), só podemos aventar que assim continue, como exemplo da poupança nacional a que obrigam os tempos que correm. Embora se possa pensar também que é estulto quem vive acima das suas possibilidades, regra de ouro e, ao mesmo tempo um estigma, que justifica a imposição da austeridade. Seguindo a norma de quem nos ensina todos os dias, voltamos ao homem que se supõe representar o País, para avaliar a profundidade das suas declarações em Guimarães, capital europeia da cultura, termo aliás que para o homem deve ser coisa estranha, que ao largo lhe passa. Não poderá dizer, como Homero, De muitos homens vi as cidades e conheci os pensamentos, dado que parece só se ver a si próprio e limitado aos pequenos círculos que vai traçando, à volta das suas conhecidas amizades e das paragens protegidas da sua coutada algarvia. Um homem que não aprende, será porventura a melhor definição e o pior insulto. Saber se o “merece” só dele depende. Poderia, citando Italo Calvino, perder-se a memória, em termos civilizacionais, sem a marca do passado e um projecto de futuro. Como a não perdemos e temos do futuro uma visão dinâmica, voltamos ao homem que não aprende, apenas para o colocar no lugar a que tem direito, lixo será porventura pouco preciso para ataviar, muito embora se tenha rodeado dele, nomeadamente quando chamou para o conselho de Estado, um ladrão de cartola, com quem mantinha relacionamento conhecido. Como sabemos que não aprende, não saberá sequer medir o tremendo insulto que fez a todos aqueles a quem diariamente são exigidos sacrifícios, areia de mais para uma camioneta carregada de cinzentismo e hipocrisia. Um cidadão a quem se exige exemplo, mostra a verdadeira face da sua pequenez. Como ainda nos lembramos, Nunca me engano e raramente tenho dúvidas, de facto a melhor definição para quem não sabe nem quer aprender, deixamos para o homem o conselho de Hemingway, São precisos dois anos para aprender a falar e sessenta para aprender a calar, esperando que se cale de vez!

18 janeiro 2012

OS AMARELOS





Como é, de um momento para o outro viraram para amarelo? Não, nem por isso, sempre o foram. E, nos momentos decisivos, assumem a sua verdadeira face de traidores do movimento sindical e dos trabalhadores. Até, pelos vistos, dos seus próprios associados, a acreditar nas notícias vindas a terreiro após a assinatura do acordo. Aliás, foi assim que apareceram, uma organização inventada pelo Mário Soares, para lutar contra a unidade sindical. Constituída ao contrário, isto é de cima para baixo, será sempre o rosto da divisão, dos interesses partidários do PS e do PSD /CDS, na capitulação intolerável aos mais elementares princípios de ética sindical. O que não significa que não existam na dita organização, trabalhadores empenhados na luta pelos seus legítimos direitos. O que estão é enganados. Vão sempre a tempo de rever a sua posição. A única organização que defende os trabalhadores é, sem qualquer dúvida, a CGTP – Intersindical Nacional. Assim mesmo.
O pretenso acordo na concertação social, não é pois um verdadeiro acordo. Não passa de uma imposição do governo e dos patrões, para legitimar as alterações na legislação laboral e a instauração de um estado de sítio, em termos de direitos dos trabalhadores. Serve para tornar mais fácil e mais barato despedir e reduzir indemnizações, subsídios, férias e feriados. A CGTP afirma, a propósito, “É um compromisso que coloca o Estado e o dinheiro dos nossos impostos ao serviço dos grandes grupos económicos e financeiros e fragiliza a segurança social, ao forçá-la a financiar as empresas para baixar salários, generalizar a precariedade e, de seguida, enviar os trabalhadores para o desemprego.”Vale a pena atentar ainda no que diz o PM, “Acordo laboral é mais inovador e audaz do que previa o memorando com a troika”. E finalmente no que diz um porta-voz do PS, “Este é um mau acordo”. Entretanto e, para lançar ainda mais confusão, o agente João Proença, diz que “A paz social não está garantida…” Claro que não está, ainda bem que não está!

Não se trata então de um acordo. O problema reside também no aspecto psicológico. Das pessoas e também das instituições. Pretende-se passar a mensagem de que houve um acordo tripartido: governo, patrões e trabalhadores. E esta mensagem vai passando, dia após dia, hora após hora, na comunicação social, vendida aos grandes interesses. Começa sempre da mesma maneira, “foi assinado um acordo laboral entre os parceiros sociais e o governo…”, “…a CGTP pôs-se de fora, abandonando as negociações”. Umas horas depois, já nem se fala da CGTP, mas somente do acordo que foi assinado e … garante apoio da sociedade às medidas do governo…, o governo fica agora numa situação mais confortável, após o acordo assinado…, a nova situação criada pela assinatura do acordo…. Perante este cenário, as pessoas que só lêem os títulos, que só têm tempo, quando têm, de ouvir os telejornais oficiais, passam a ficar automaticamente convencidas de 2 coisas. A primeira, que houve um conjunto de organizações (…) que se esforçaram por chegar a um acordo. A segunda, como sempre, a CGTP auto exclui-se do processo, os mesmos de sempre, nunca assinam qualquer acordo. Todos os portugueses têm que estar unidos, com o se fosse uma equipa de futebol, diz o fascistóide Álvaro, que veio do Canadá ensinar a teoria do pastel de nata e outras alarvidades. A união nacional do antigamente, está de volta, pelas vozes autorizadas e sensatas destes governantes medíocres, de que o Álvaro é porventura o expoente máximo. Vejamos, aos trabalhadores impõem-se as medidas que se conhecem, aos patrões nada é pedido, aos fabulosos gestores que temos oferecem-se ordenados de 45 mil euros mensais, para além de reformas de 9 mil, como o caso do homem do pintelho… Vão ser reclamadas verbas indevidamente pagas pela Segurança social a trabalhadores, sem dizer se que em muitos desses casos a responsabilidade é mesmo do sistema, e os roubos descarados no BPN e no BPP continuam sem rosto. Arrecadar dinheiro mal pago pela Segurança Social, uns tostões, comparados com os escândalos financeiros de Dias Loureiro, por exemplo. E dos outros amigos do Cavaco, o tal que anda por aí a espalhar boa-vontade e caridade, aos pobrezinhos e desfavorecidos e muito preocupado com as desigualdades.

O lema parece agora ser: trabalhar mais a receber menos, com menos direitos e um aumento da exploração com trabalho forçado. Tal e qual!

Sempre e ainda a inevitabilidade. O mesmo discurso de culpabilização, patente nas afirmações dos políticos e comentadores do regime sobre produtividade e competitividade. Um exercício diário e constante, para fazer crer que a falta de uma e a diminuição da outra, são causadas pelos salários dos trabalhadores, pelas faltas ao trabalho, pela apertada legislação laboral, entre outras falsas asserções. Nunca está em causa o desempenho dos responsáveis, gestores, presidentes ou directores. Nunca. Aliás, até há prémios para tal: um autarca, caloteiro a uma empresa do Estado, que passa agora para gestor dessa mesma empresa.
Este acordo significa pois, um retrocesso civilizacional de várias décadas, a nível dos direitos do trabalho, como bem afirmou Carvalho da Silva. Que a Força esteja com ele, com a nossa CGTP e com todas/os aquelas/es que realmente defendem os direitos dos trabalhadores!

12 janeiro 2012



Prefiro chamar-lhes pedreiros. Embora com avental e sem martelo, são figuras essenciais da estória. Porque se dedicam à construção. Parece, à primeira vista, não estarem sindicalizados, nem terem contribuído em nenhuma das greves. Meu caro, a coisa é assim, Entras pela Ongoing, viras à direita na secreta, vais sempre em frente até ao Oriente e aí apanhas o metro para o Parlamento, é perto da estação do rato; aí chegado, sobes uma escadaria, procuras duas salas, ambas começam por P, uma com um S e a outra com um S e um D, fiz-me entender, ou queres que faça um desenho. O chefe não sabe de nada, nem quer saber, o outro da TVI não entrou porque quis fazer-se de fino. Mas o que raio será uma Ongoing, nunca ouvi falar, pode ser uma daquelas tretas de publicidade dos bancos, que nos impingem todos os dias, tenho que me desenrascar, parece que é urgente. Encontro na Avenida uma data de fulanos a falar da loja do Mozer, foi o que me pareceu, sei que era do Benfica e treinou na Naval, mas nem sei onde pára agora. Ou então é outro qualquer, os meus conhecimentos de música andam um pouco por baixo. Sabes que mais, é preciso seres iniciado para entrar, Já tenho idade para jogar nos seniores, mas pronto.

Please allow me to introduce myself, I’m a man of wealth and taste, Pleased to meet you, hope you guess my name, But what’s puzzling you, is the nature of my game, pensei que se adequava à cena, sabia lá eu que o gajo me enfiava na cozinha, com o tal avental, e me mandava estrelar uns ovos, se calhar para me experimentar. A coisa era contudo mais complicada, tinha que ir espiar para a Quinta da Marinha, eu que até sou uma pessoa simples, paragens de ricaços não era bem o meu forte, vai o outro aos arames, Quem pensas que és para mandar bitaites, faço já queixa ao grande mestre, eu ouvi assim e lembrei-me do outro do filme, que era o do crime, oh valha-me deus, que é grande e está por toda parte…

Tens que fazer confiança com ele e depois sacas a informação e vens contar tudo. Penso, Foi para isto que eu aprendi a profissão de meu pai, levantar paredes e outras mandar abaixo, conforme o desejo do cliente, agora pôr-me à escuta. Depois talvez se arranje alguma coisa numa daquelas empresas dele, já me estava a ver a arranjar a equipa do meu primo, para assentar o tijolo, Qual primo, qual carapuça, não estás mesmo a topar a cena, ouviste, muito complicada a situação, ainda por cima queria ir para casa, horas do futebol em canal aberto, Eu é que te digo  the nature of my game, aí fiquei mesmo lixado, mandei o gajo às urtigas. Resultado, apanho uma pazada com a trolha, que dizem ser um instrumento neutro e símbolo da tolerância, pois sim, fiquei com elas e uma dor de costas do caraças…

Quando for grande, não quero ser pedreiro…

11 janeiro 2012

A melhor notícia de 2012!


Os trabalhadores dos CTT processaram o Estado por causa dos cortes salariais aplicados no ano passado, decorrentes do Orçamento do Estado. Carris e Metro estão entre as empresas visadas. Muito embora, a acção tenha tido contestação, este é um excelente sinal de resistência neste novo ano e significa um bom prenúncio. De facto, a decisão do Tribunal do Trabalho de Lisboa em relação aos CTT pode ter aberto um precedente. Os juízes deram razão ao sindicato, obrigando a empresa a devolver o dinheiro que retirou à remuneração dos funcionários. Para além disso, terá de pagar juros de mora, incluindo as partes pecuniárias dos subsídios de refeição, trabalho suplementar, trabalho nocturno e abono de ajudas de custo e transporte referentes àquele período.

Sabe-se que, pelo menos quatro ou cinco sindicatos de empresas públicas do sector dos transportes e comunicações seguiram o exemplo dos trabalhadores dos CTT. E, da parte da CGTP surgiu também a confirmação de que há várias acções a decorrer, abrangendo praticamente todos os sindicatos de empresas públicas afectas à central sindical.


 
".

11 Janeiro 2002. Os EUA abrem uma prisão de alta segurança, na base de Guantánamo, em Cuba, na sequência do 11 de Setembro e do choque dos aviões com as torres gémeas. Se bem que uma certa névoa ainda se abate sobre o que realmente aconteceu (…), a abertura da prisão e o regime de tortura que lá vigorou e, pelos vistos, continua a vigorar, são uma realidade. O país da dita liberdade, onde ainda vigora a pena de morte, o racismo em alguns estados, para além da mais absoluta ignorância do que se passa no mundo, é um dos mais patéticos símbolos da hipocrisia e do desprezo por direitos humanos inalienáveis.

800 presos políticos teriam passado pelas celas da prisão, 160 será o número que actualmente lá se encontra, tudo isto porém envolto num secretismo, mais próximo da Guerra Fria, do que da era dourada que muitos acreditariam ser o consulado Obama. Não deixa também de ser no mínimo curioso, o ataque cerrado que os EUA fazem habitualmente a Cuba, por causa dos presos políticos e dos direitos humanos…

Exigir o encerramento de Guantánamo e a realização de inquéritos aos autores, é um acto de cidadania. Exigir ao mesmo tempo, o fim das detenções arbitrárias, das detenções ilimitadas sem julgamento e da utilização da tortura. Exigir finalmente que as transferências de prisioneiros sejam efectuadas segundo as leis internacionais, bem ao contrário da prática corrente, que já ocasionaram aliás, em várias situações, protestos da comunidade internacional.

10 janeiro 2012

"Eu revolto-me, logo existo"
Albert Camus




O início deste novo ano nada de novo traz, no plano político. A nível interno, as trapalhadas do costume, as habituais mensagens de ano novo, completamente vazias de conteúdo e do resto, mais as outras que, apesar de terem alguma substância, apenas significam mais do mesmo, austeridade, sacrifício e inevitabilidade. A nível externo, a politica de dominação e exploração da riqueza, continua, agora descaradamente, com a ditadura alemã a sobrepor-se a todo e qualquer processo de equilíbrio europeu, ao menos conjuntural.
As escolhas do governo português, espelham a mais ignóbil ideologia ultraliberal, que como se sabe, conduz apenas ao desastre económico dos países e das populações e ao enriquecimento de um pequeno grupo de agiotas, que se alimenta do sistema e que, nunca pode perder um cêntimo que seja, na chamada crise dos mercados. A venda da EDP, por exemplo, significa a cedência do sector da energia, estratégico em qualquer país, ao capital estrangeiro. Mas esta é apenas uma das muitas que se irão seguir: vender tudo, se possível a preço de saldo, que é a época deles. Deve dizer-se a propósito que, aquele senhor que ora ocupa o cargo de Presidente da República, e que agora se preocupa com os pobrezinhos e os reformados, foi o primeiro responsável pelas privatizações e pela sucessiva hipoteca do País. Mesmo que possa parecer à primeira vista que estão em desacordo, um e outro, Presidente e Governo, seguem exactamente a mesma linha ideológica, os mesmos princípios da economia da desgraça, que o primeiro quer mascarar com as ditas preocupações sociais, de cariz meramente assistencialista, enganador porém, pelos vistos, para a maioria da população. Exactamente o mesmo que o partido Socialista fez, durante o tempo em que esteve no poder. E, perante o episódio consumado que foi a de o grupo Jerónimo Martins transferir a sede social das suas empresas para a Holanda, os comentadores que diziam aqui del rei que se impomos novas condições aos empresários, eles vão embora daqui, estão agora preocupados em justificar a atitude do grupo…

Ficamos a saber, neste início do ano, que a fortuna acumulada de Américo Amorim, Alexandre Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo, supera o rendimento anual de cerca de três milhões de portugueses. E que o preço das novas taxas de saúde, ditas moderadoras, duplicou, no mínimo, com custos que atingem, por exemplo 20 a 50 euros nas urgências hospitalares, mais um negócio chorudo para meia dúzia de especuladores e, provavelmente um impedimento na prestação de cuidados médicos para uma grande fatia da população. E também que, na distribuição de energia, iremos ter aumentos no consumo domésticos de mais de 25%. E nos transportes, portagens e telecomunicações, bem como no sector alimentar, mais aumentos, absolutamente indiscriminados, com aqueles arredondamentos do costume, sempre em prejuízo de quem paga, de quem tem necessidade dos serviços respectivos, ou dos bens em questão.

Sabemos ainda oficialmente, sempre o soubemos afinal, que é impossível baixar o famoso défice para a meta acordada. E que vai haver necessidade, sempre se disse, de renegociar a divida. Porque este governo e estas políticas só o conseguem fazer, roubando dinheiro e direitos a quem trabalha, nomeadamente aos funcionários do Estado. É muito fácil cumprir metas, desta forma. E, mesmo assim, parece que não as cumprem…
A comunicação social, paga pelos grandes interesses, vai cumprindo o seu papel de preparar as pessoas, para a inevitabilidade. É espantoso notar, dia após dia, nas notícias e nos comentários, cuidadosamente elaborados pelos mesmos comentadores de sempre, a preocupação em passar, nos últimos dias, a mensagem Será que vão ser necessárias mais medidas de austeridade agora em 2012? A TSF é disso um triste exemplo, com os fóruns que diariamente organiza, e onde inclui, no início de cada debate, um comentário económico-político de um dos inevitáveis amigos especialistas do Diário Económico, Dinheiro Vivo, etc… O objectivo é claramente manter a maioria da população num estado contínuo de ansiedade e numa situação de insegurança e angústia e que acaba por justificar a adopção de toda e qualquer medida, sem se questionar se existe alternativa. Ao fim e ao cabo, quem defende alternativas, não é propositadamente consultado, nem ouvido, não tendo assim qualquer direito a existir.

Esta é a versão actual de Democracia. O nosso País, como outros na Europa, está progressivamente a ser anexado, os sucessivos governos não são mais que agências de interesses, puxados por cordelinhos, cumprindo as decisões alemãs e francesas, de uma forma perfeitamente acrítica e escandalosamente submissa.

Resta apenas RESISTIR. A partir do ponto a que isto chegou, todas as formas de resistência são válidas.


23 dezembro 2011

NATAL 2011

No discurso agreste da austeridade
sob a capa diáfana da inevitabilidade
descobrimos uma dura realidade
é só para alguns a prosperidade!


E perante tanta adversidade
só me resta uma palavra de Amizade:


Umas Boas Festas, uma família a sorrir
mas com uma vontade enorme de resistir!





Passamos o nosso tempo a tentar perceber o que de mal fizemos para mereceremos tamanho castigo, que todos os dias nos entra portas dentro, pela rádio, televisão, jornais e revistas, um séquito requentado de comentadores pagos para pregarem a inevitabilidade, para nos ensinar que temos que ficar mais pobres, para depois podermos crescer de novo. O que eles nos querem dizer é tão simplesmente que devemos fazer sacrifícios mil e entregar as nossas pequenas mais-valias aos detentores do poder económico, aos ricos deste mundo, aos 1%, que se alimentam dos 99, de que parte fazemos. Com troikas, PECs, e agora Entendimentos. Leia-se, que vale a pena, o escrito do João Paulo Guerra, no dia de ontem, no DE, curiosamente um dos arautos mais significativos da desgraça. A Coluna Vertebral do João é um oásis no deserto de ideias daquele pasquim e ensina-nos, por exemplo, Esta bizarra relação entre governantes e governados, em que os primeiros só apontam como saída para a crise, a porta da rua.


E porque nesta quadra, que se diz festiva, nos lembramos dos outros, tentemos por agora desconstruir esta miserável demissão de responsabilidades dos tais que, governando se acham responsáveis. Indignos representantes, ignóbeis agentes, tristes intérpretes, que apenas são capazes de andar pela trela da ditadora alemã e do seu parceiro, o palhaço francês. Não há uma única ideia de progresso para o País, uma réstia de esperança para os trabalhadores, desta autêntica agência de liquidação, que é o governo da direita.
Nem numa quadra como esta lhes podemos dar tréguas, nem sequer desejar-lhes as costumeiras boas-festas. Festa faremos quando, espera-se que breve, os virmos partir, se possível para o país da outra, que ora os domina como quer. Só merecem o nosso desprezo e a um desejo imenso de reforçar a Luta porque, como bem diz o cartaz, Só com Ela se constrói o Futuro.









01 novembro 2011

Que rebente!


Antigamente, baptizavam-se os convertidos;
Hoje é preciso converter os baptizados".

Padre António Vieira

Perante o anúncio do Governo grego ter anunciado que vai referendar o segundo pacote de resgate acordado na última cimeira europeia e que tem como pressuposto o perdão de 50% da dívida grega pelos credores privados, as bolsas europeias abriram esta manhã em queda acentuada. A notícia, algo inesperada, deixa mais uma vez mais nervosos os mercados financeiros, que provocaram a crise. E porquê nervosos? Precisamente porque lhes está a sair o tiro pela culatra. Parece que finalmente as pessoas começam a pensar pela sua cabeça e concluem que o único resultado prático das soluções que lhes impõem, é o empobrecimento progressivo dos povos e dos Estados. Toda a panaceia, que dizem milagrosa, da austeridade, apenas tem como objectivo a retirada de direitos de quem trabalha, no mais violento ataque ao estado social, de que há memória, desde o final da II guerra mundial,. A pouco e pouco, os cães de fila do capitalismo selvagem e ultra-liberal, que na Europa chefiam os governos, tentam aplicar as medidas impostas pelos mercados, condenando á miséria prematura, milhões de trabalhadores.

Que rebente pois esta situação de hipocrisia politica. Que as pessoas vão metendo nas suas cabeças que as ajudas, os empréstimos, os resgates, não são mais do que tentativas desesperadas de salvar o capital financeiro e nunca, mas mesmo nunca, terão em vistas as pessoas, a não ser daquele reduzido número que se alimentam da situação, enriquecendo sempre cada vez mais. Pasme-se com os dados: nos últimos 12 meses, o crescimento da fortuna dos mais ricos foi 2 vezes superior ao aumento da riqueza a nível mundial. Os mais ricos do mundo, 1% da população mundial, controlam quase 40% (exactamente 38,7%) da riqueza mundial!

Que rebente pois esta Europa falsa, anti-social e protofascista, comandada pela pata imperial alemã, da abjecta Merkl e da fidelidade canina francesa, do palhaço Sarkosy. Nada se perderá, a não ser lixo.

Que rebente nas ruas a revolta. A situação no nosso País está perigosamente calma. Este governo de tecnocratas, liberais e conservadores prepara-se para desferir o mais rude golpe nos trabalhadores, desde o 25 de Abril. Ou melhor, já está em acção, desde o primeiro dia, com a compressão dos salários, a delapidação do sector público produtivo, os cortes do Estado social, os aumentos indiscriminados nos impostos. O PM mais incompetente de que há memória, advoga o empobrecimento, como medida de salvação; não o dele claro, o dos outros…

Que rebente, seria bem feito, nas próprias mãos, a bomba chamada euro…, temos por cá bons mestres, que sempre nos disseram ser esta a melhor das medidas. À imagem e semelhança do marco imperial alemão se construi, pois que morra de vez, arrastando na queda os seus mentores!

12 outubro 2011


Seguro é, galinha o põe

Um camelo não zomba da corcunda de outro camelo

Provérbio Africano

Instado a dizer algo aos microfones da instituição TSF, que vai ao fundo da rua, ao fim do mundo, Seguro mostrou a quem ainda dúvidas teria, o vazio mais completo possível, em matéria de discurso político. Não é uma coisa nem outra, antes pelo contrário. Claro que é capaz de ter algo substantivo para dizer, mas paciência, fica para outro dia. Parvo que eu sou, não capaz o suficiente para entender a subtileza constante de um discurso polido e conveniente, na medida directa da cinzentada pardacenta de uma coisa chamada de Partido socialista. Não importa a originalidade, já que se diga exactamente aquilo que se quer ouvir, vejamos então, Aquilo que quero é dizer aos portugueses que estou consciente da situação em que o país vive, que o Partido Socialista fará parte da solução e que eu compreendo que é necessário dar um sinal político forte quanto à convicção que as principais forças políticas em Portugal têm para que possamos sair da crise, mas isso não me dispensa de olhar para o conteúdo da proposta de orçamento. Para quem já disse que as medidas, ditas de austeridade, não resolvem os problemas do país, não deixa de ser, vá lá, singular, falar de parte da solução, que nem é preciso dizer qual é, já o adivinhamos, mais austeridade. Mas isso, não é exactamente o contrário, perguntará o leitor desatento, Não senhor, é mesmo assim, porque o dito partido é responsável e tem o tal sentido de estado, obrigatório jargão, que sem se saber bem o que é, o é de facto, está tudo dito. Por outro lado, que bem pode ser o mesmo, Seguro explica, é a TSF que o cita, que ainda não tomou uma decisão sobre o sentido de voto socialista porque ainda não conhece a proposta do Governo. Mas diz também, depois de novamente instado, eu bem o ouvi, afastar o hipotético cenário de votar contra, Isso se quiser é assim como 0,001 por cento, não se centre nessa hipótese (…). Parece ser, de novo, uma contradição, mas não o é de novo, porque ele de facto não tem motivos para o voto contra.
Se, ao fim de ouvir aquele discurso emaranhado, possivelmente ficar baralhado, não se admire. O objectivo é mesmo esse. Se pensar um pouco, às vezes vale a pena, chegará célere à conclusão que o comprometimento do partido dele com o convénio da desgraça é de tal ordem, que o homem fica manietado e outra coisa não pode dizer. Mas, se por alguma fatalidade, tal fosse possível, provavelmente o mesmo diria. Porquê, porque o pensamento único, versão dois mil e ene ponto zero, está instalado, corre bem, não dá problemas de configuração, aceita os periféricos e navega na rede sem qualquer sobressalto. Sim, um sistema operativo perfeito, amigável especialmente para o usurário. Não, não me enganei, é mesmo assim.
O raio que o parta, uma pedra no charco da indiferença, bolas para o conformismo, tudo o que se possa dizer, é brando para esta modalidade de autómatos que emergiram um pouco por todo o lado, quando a névoa toldou as consciências e tudo parece ser possível, mesmo o que não parece ser. Não basta estar atento, é preciso muito mais.

27 setembro 2011

A propaganda aos 100 dias

O direito de ter razão é também o direito de não a ter…

Do Livro dos Conselhos

A TSF promove de novo uma sessão de propaganda, no fórum que diariamente organiza. Desta feita, está Carlos Moedas (CM), um entre dezenas de governantes, secretários e subsecretários de estado, que passeiam pela estação de rádio, desde a tomada de posse deste governo, precisamente há 100 dias. Uma das premissas assinalada por CM é o aspecto positivo que descreve como a dupla medida, fim das golden-shares, por um lado e privatizações, por outro lado. É a estafada teoria que tudo que é Estado é mau e tudo que é privado é bom, uma das bandeiras da elite social-democrata, um argumento bacoco, desprovido de qualquer sentido e impossível de explicar, do ponto de vista de política económica. Uma outra medida salientada por CM, é a das mudanças nas políticas laborais, leia-se a facilitação dos despedimentos. Diz ele que têm de ser protegidos os interesses sociais, fantástica alegoria, que tem a interpretação que se sabe…
Culpa CM, a situação que este Governo encontrou, um argumento conhecido que os 2 partidos do centrão utilizam de cada vez que chegam ao poder. Nem vale a pena lembrar-lhes que toda a política económica é devidamente concertada entre ambos, desde os famigerados PECs, à partilha incessante dos postos-chave do aparelho de Estado, passando pela intervenção cúmplice nas parcerias público-privadas, na última década.
Viver acima das possibilidades…, sempre a mesma conversa fiada. Que é sempre atirada à cara daqueles a quem são pedidos, ou seja exigidos, os maiores sacrifícios. Claro que há quem viva acima das possibilidades, os melhores exemplos estão nos quadros dirigentes das empresas públicas, institutos e fundações, que são praticamente todos, membros dos 2 partidos, mais do CDS, que sempre ajuda nesta contabilidade.
O jornalista de serviço, ajuda à propaganda: perguntas óbvias, sempre amaciadas, uma moderação ligeira, mais que duvidosa, numa encenação grotesca do que poderia ser um programa acutilante, de confronto, de contraditório. Nada disso, o mar na TSF estará sempre calmo, com a brandura de uma comunicação social, perfeitamente domesticada pelo poder do centrão, incapaz de cumprir o seu papel informativo, limitando-se a ser formativa, no mau sentido, uma vez que se dispõe a formar uma opinião publica, cúmplice do poder de que se alimenta e que vai sucessivamente alimentando…