rio torto

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07 outubro 2012


A Palavra Insubmissão

“… c'est elle que l'on matraque
que l'on poursuit que l'on traque
c'est elle qui se souleve,
qui souffre et se met en greve
c'est elle qu'on emprisonne
qu'on trahit qu'on abandonne
qui nous donne envie de vivre
qui donne envie de la suivre
jusqu'au bout, jusqu'au bout,..."

“Sans la Nommer”,  George Moustaki, 1968


 
 
 
Das palavras que se disseram fica a leitura do estado da arte de uma República insubmissa. Deste 5 de Outubro fica a enorme massa humana que, na Universidade trabalhou em dia feriado para uma alternativa. Porque ela existe e coexiste com a vontade de mudança, por um País melhor e solidário. Pelas Alternativas se debateu, se propôs, se traduziu em concreto o que parece andar (e anda de facto) arredio de uma comunicação social que vai a reboque de interesses conhecidos… Até poderíamos perdoar a incompetência do pior Governo do Mundo, não perdoamos porém o insulto vil e soez de quem se pretende falar em nome de um Povo. A dignidade cidadã acima de tudo, a Republica dignificada e viva. E não de pernas para o ar, como simbolicamente esteve no Pátio da Galé, bem longe das multidões que assustam estes personagens menores e de quem já nada se espera. Porque embora estando lá, já lá não estão há algum tempo, a contradição não existe, porque a distância entre representantes e representados é tão grande que não permite dúvidas. Urge voltar a colocar a República no lugar que lhe assiste, não confinada a um pequeno pátio, mas à rua que é do Povo.
Alguma lembrança de insubmissão para passar a Palavra, sem a nomear (…), um esforço de uma síntese impossível. Apenas o registo, sem qualquer saudosismo, apenas a certeza de que sem luta nada se consegue. E ela é tão necessária, mesmo tão necessária…  

01 outubro 2012


E viva a música!
 
 
“Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há”
 
“A Cidade”, Contos Velhos, Rumos Novos, 1969, Zeca Afonso
.
 
 




Neste dia, haja outra música entre em nós, que não a costumeira balada da resignação e da tristeza. Porque nada está perdido a não ser o respeito pelos responsáveis directos e indirectos da situação de miséria que nos querem impor. Que a cidade mais uma vez se levante e cante um hino de solidariedade. Que o microfone despeje palavras em música. Que a música seja eterna e transmita revolta. E esperança também.
Muitas músicas fizeram durante séculos a cultura da insubmissão. De tantas que poderíamos evocar, lembro hoje a que o Zeca escreveu em 1969, num tempo em que a cidade era um “… céu de palavras paradas, a palavra distância e a palavra medo

E agora?
 

23 setembro 2012


A segurança de um homem inseguro é tão segura quanto a segurança de um seguro de vida:
o morto já está morto, de qualquer forma 
Do Livro dos Conselhos
 
 
 
 
 

Bastou a declaração do conselho de estado para o partido socialista mudar de posição. Seguro veio hoje à pressa dizer que afinal não há razão para censuras, uma vez que o governo havia mudado de posição. Não sei o que irrita mais, se a incompetência e a estupidez do governo que vamos (ainda) tendo, se as posições deste homem que de seguro só mesmo tem o nome. Este partido, esta direcção insegura, não tem uma única medida alternativa que se preze, indo de forma desastrada sempre atrás e a reboque dos acontecimentos. Ao fim e ao cabo, salvaguardadas as tradicionais distâncias (ideológicas?), o mesmo que a direita, os mesmos pactos, as mesmas citações idiotas e vazias do “sentido de estado”, da “estabilidade”, do “interesse nacional”. Ao fim e ao cabo, com toda a propriedade, pois ajudaram a criar a situação, por um lado com políticas de austeridade cega e de favorecimento ao capital e, por outro lado, porque ajudaram a consolidar um aparelho de estado dividido com a direita, de interesses, lobies e partilha de lugares. O partido socialista, com esta atitude não pode nunca fazer parte da solução, porque faz parte do problema. O que virá a seguir, será muito provavelmente um passo atrás, ajudando a viabilizar o orçamento de estado e voltando à defesa de um “pacto social” contra os trabalhadores, arrastando a “sua” central UGT para o pântano. Como sempre, para variar.
Pois que então é só a TSU que conta? E os cortes brutais na função pública? E os cortes criminosos nos pensionistas e reformados? E as sucessivas medidas contra o trabalho e os direitos dos trabalhadores? Onde estão as alternativas deste partido do compromisso e da situação? Nada de nada, sempre navegação à vista, sempre a mesma atitude de conluio, sempre as mesmas posições de conciliação. Então não é verdade que este governo ultrapassou todos os limites possíveis do razoável, ao ser derrotado na rua? E, se bem virmos, não só na rua, como ainda no seu interior, dado que esta coligação nem sequer se aguenta, e até precisa de uma comissão de apoio dos partidos que a suportam. E que, pelos vistos, não se suportam…

Bem pode a presidente do PS tentar explicar o inexplicável: diz Maria de Belém que “O país precisa de se concentrar naquilo que tem a fazer e para isso é tão importante o papel do Governo como o da oposição” (1) . Como quase tudo que os dirigentes do PS dizem é oco e vazio e tem (pelo menos) duas interpretações possíveis, arrisco uma delas: o país preciso deste governo e deste PS. Nada de mais enganador: não precisa nem de um, nem do outro…
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(1)  Jornal “Público”, 23 Setembro 2012

22 julho 2012


"Now the years are rolling by me
They are rockin' evenly
I am older than I once was
And younger than I'll be and that's not unusual.
No it isn't strange,
After changes upon changes
We are more or less the same
"


The Boxer”, Paul Simon, 1968





Calhou de ir em viagem e ouvir a canção. Não é um poema qualquer, simples e directo, como quem desabafa as mágoas com que se confronta. Que fala de um lutador, uma estória de vida, de uma de tantas que, seja onde for, existem para contar. É importante sim, quem a conta, nem mais nem menos que o Paul Simon, também ele à sua maneira um lutador. A musica passa, a gente pensa, I have squandered my existence for a pocketful of mumbles - such are promises / All lies and jest, still a man hears what he wants to hear / and disregards the rest, é mesmo isso, promessas e mentiras que fazem parte do mesmo saco inútil que nos vão vendendo. E que fazemos, interrogamo-nos todos os dias, e a resposta tarda, é de uma passividade que até irrita, enquanto que o espanhol luta na rua, o português luta na pastelaria, como dizia o Poeta é sempre lá que a aventura termina (1). A estrada avança, esta é daquelas que eu sabia praticamente de cor, de tanta vez que era cantada nas tertúlias da casa do Jaime, resta agora a batida forte da orquestra que acompanha o autor, mais o enigmático Art Garfunkel, tanto tempo que já lá vai, a música é sempre aquele registo que perdura, dizemos as palavras que o poeta escreveu, ao ritmo da pop, que foi e é um pouco a nossa cultura. Onde estão os lutadores, vou questionando para dentro, agora até temos os Homens da Luta, uma caricatura bizarra de quem tem ainda os pérfidos brandos costumes, que enterram na lama as razões de existir, porque o homem existe precisamente para lutar e não propriamente para passar a tarde na pastelaria, onde a memória não existe, apenas alguns espaços de uma pequena estupidez e de uma mediocridade terrivelmente arrasadora. 
Recordo o final, quase angustiante, mas sempre desafiador, In the clearing stands a boxer and a fighter by his trade / and he carries the reminders of every glove that laid him down / or cut him till he cried out in his anger an his shame: / I am leaving, I am leaving / but the fighter still remains.

Difícil esquecer este lutador, que se interroga porque razão, mudanças após mudanças e continuamos na mesma... Um destino, apenas um destino?

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(1)  Referência a Alexandre O'Neill

08 julho 2012




“… O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão
…”
Tabacaria, Álvaro de Campos, 1928

















O tempo envelhece depressa, (a) lembro o Mestre Tabucchi, que saudade, poderia ser agora uma voz, de muitas, a denunciar o estado de coisas a que isto chegou, ele sempre atento às confrontações do Tempo e dos tempos. A propósito de tudo o que se passa, num ritmo perfeitamente alucinante, o Tribunal decreta a inconstitucionalidade de um roubo, há quem interprete que roubar é legal, se for para todos. Ou seja, para todos que trabalham, porque há sempre os que se colocam fora da lei, sem que a lei os coloque de fora, nem poderia ser, porque a lei é universal. A lógica, sabemos bem, não é contudo esta, de tão simples que possa parecer. Perde-se então o respeito por essas personagens, elas também não o têm por nós, nada merecem, senão o nosso desprezo. Por não os querer nomear, lembro por exemplo o que disse Jerónimo sobre o tal da licenciatura tirada à pressa, os doutores da mula russa, mais uma aberração ignóbil. Parece agora que vão sendo vaiados e insultados em cerimónias públicas, vê bem António, muitos dos que ora os invectivam, são os votaram neles, pode ser que acordem de vez, vá lá nem tudo se perde.

No livro, há um homem que engana a sua solidão contando histórias a si próprio, protagonizando uma aventura que gira sobre si próprio. Que poderia ser um homem Seguro, se a oposição que um com o mesmo nome faz ao governo, fosse real e não imaginária, como é de facto. E completamente inócua.

Por ora, está tudo calmo, como sempre. Depois, não se sabe bem, a vida não está por ordem alfabética, como bem disseste, a política deita-se na cama com a indiferença da maioria, até ao dia em que o tempo reapareça a pedir contas. Aí, pode ser que uma consciência acorde e varra definitivamente com estes falhados. Não lhes escrevo os nomes, não é necessário. Há quem dia a dia, hora a hora o faça, distorcendo a realidade, invertendo a democracia, nas agências de poder paralelo de uma comunicação social distorcida, retorcida, das empresas de sondagens, dessa nova casta a quem chamam politólogos, os arautos da inevitabilidade, que saltitam impunemente de um lado para o outro, martelando as mesmas receitas, não sabem António, que Ao seguir a sombra, o tempo envelhece depressa. Principalmente para ti. Já cá não estás, que saudade, fica a tua obra, o teu pensamento libertário e o teu charme revolucionário. Bem hajas António!

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(a) A propósito da edição de “O Tempo Envelhece Depressa”, de António Tabucchi, Tradução G. Martins Oliveira, D. Quixote.

24 abril 2012









“Foi então que o povo armado/percebeu qual a razão/porque o povo despojado/lhe punha as armas na mão”. Anos são ora 38, poucos se calhar para marcar uma sociedade, um país, muitos serão de desespero permanente, no ansiar do cumprimento de velhas promessas. Antes, a 24, sabíamos o que não tínhamos, sofríamos na pele a repressão de um regime de força bruta e de ignorância completa. Hoje, após uma revolução, vemos a coisa a voltar para trás. Claro que nunca teremos o mesmo filme, as técnicas são outras, reprime-se de outra maneira, tão subtil é o regime da paz pobre de uma democracia que da formalidade não passa. A realidade está nas estatísticas que colocam Portugal na cauda da Europa, em termos de desigualdade. Força bruta sim, temo-la agora de volta, tal e qual como antes, a reprimir manifestações, uma polícia que já não é de choque, mas que choca só de vê-la actuar. Um País assustado e triste que parece nem reagir ao atropelo constante de que é vitima. Um País cada vez mais pobre, cada vez mais dominado, cada vez menos autónomo. Um País amordaçado, apesar da “liberdade de expressão”. Um país diariamente anestesiado por uma comunicação social vendida aos grande interesses dos grupos económicos. Um País condenado a viver na austeridade permanente, por um governo execrável, do pior que existe, composto por personagens menores, com ideais autoritários e profundamente avesso ao desenvolvimento e à justiça social. Um País de novo com medo, com as pessoas limitadas nos seus direitos e uma grande parte privadas do direito mais essencial, o direito ao trabalho. Um País amordaçado. Um País vendido a preço de saldo à ganância de alguns e com a bênção daqueles que governando, desgovernam de facto o País. Um País maltratado. Um País, entretanto perigosamente submisso.

Sabemos que urge mudar, não sabemos bem por onde começar, não é fácil, porque muito provavelmente é preciso mudar tudo. Procuramos a inspiração no Poeta, “Foi então que Abril abriu/as portas da claridade/e a nossa gente invadiu/a sua própria cidade”, sentindo que ás tantas só virando isto tudo do avesso…

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Excertos: "As Portas que Abril abrui", José Carlos Ary dos Santos

06 abril 2012


CONQUISTADOR

Da notícia épica feita para europeu ver, reza a crónica de uma cidade vendida por 900 mil dólares, a um vietnamita. Pelo que vejo, uma pequena cidade, a mais pequena cidade norte-americana, de seu nome Buford, vendida na passada 5ª feira, em leilão. Quem vende assim uma cidade, mesmo uma cidade pequena, sem estar a espera de um troco, mesmo que somente para compensar algum dinheiro investido, em infra-estruturas, edifícios, rotundas…? A circunstância tremendamente evidente de o Conquistador ser um vietnamita, mais curiosa faz a estória, ilustrando quiçá uma pequena, mas saborosa vingança. Quem sabe, para ser servida fria a qualquer americano mais patriota. O sabor da conquista é tanto mais enleante, quanto o sabor a vitória conquistada. Todos os que, como nós, navegamos para lugares desconhecidos, partem com um desejo secreto de um dia poder reclamar algo de seu na tal conquista. Mesmo que seja num leilão, onde o objecto exposto está sujeito a todos os olhares, cobiçado por mil desejos, sendo que a maior parte deles nunca se poderão realizar, por nítida falta de fundos. Seja então o Conquistador, aquele que logra a esperança de algo encontrar, mesmo disfarçado, And in your death-masked face / There are no signs which can be seen (1) . Que faça seu o triunfo, mesmo que efémero, de uma conquista de duvidoso sabor, que seja o seu, tudo bem, que não envolva mais que isso, mas ao qual devemos prestar a devida homenagem, como vem na canção. Num tempo em que há quem nada saiba, nem possa nunca conquistar, porque simplesmente não possui, nem a classe, nem o saber, nem muito menos a virtude, para poder a tal aspirar. Porque lhe faltará audácia, perspicácia e tudo o mais que o conquistador tem que ter, para de facto Conquistar…

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(1)   Extracto de “Conquistador”, Gary Brooker and Keith Reid, Procol Harum, 1967

29 março 2012

Os novos fascistas…

A funcção do partido conservador é a manutenção da ordem contra todas as invasões que directa ou indirectamente ameacem a integridade da organisação existente. Em todas as velhas sociedades os governos são por essa rasão, os inimigos natos do progresso. A evolução progressiva da humanidade realisa-se, a despeito d'elles, pela elaboração irresistivel das idéas fora da esphera official, sob a acção das descobertas da sciencia ou das suggestões da arte. O mais que fazem os governos é submetterem-se ás transformações sociaes que a solução de cada novo problema resolvido pela sciencia impõe á existencia dos povos. Os governos, portanto, sempre que uma forte effervescencia intellectual não agita a sociedade e os não abala constantemente na eminencia do seu posto forçando-os a concessões successivas, tendem ao retrocesso".
Ramalho Ortigão / Eça Queiroz, “As Farpas, Tomo VIII, Jan a Fev 1877

A propósito da abertura do debate parlamentar sobre as alterações ao Código do Trabalho promovidas pelo Governo, o ministro Álvaro disse “Esta é uma proposta que salvaguarda os direitos dos trabalhadores e o seu direito ao trabalho”. Desmistificar esta linguagem, este conceito, torna-se agora, mais que nunca, uma necessidade. O ministro Álvaro, já o sustentei antes, é um dos muitos membros do governo que utiliza uma linguagem protofascista, com uma carga ideológica assustadoramente conservadora. Para além de errada, do pondo de vista prático. Alguém lhe disse (1), relativamente ao despedimento por inadaptação, que a serem adoptadas hoje, o primeiro a ser despedido seria o próprio Álvaro. Ontem, no debate promovido pela inefável estação TSF, o Secretário de Estado do Emprego, ignorou por completo as estatísticas europeias, que colocam o nosso país na cauda da Europa, nos índices que reportam a baixos salários, à desigualdade e à distribuição da riqueza. E, lá bem no topo, nomeadamente, no valor do IVA e nos preços dos combustíveis. Estes agentes que nos governam são a expressão mais vil da baixeza intelectual e da mediocridade mais atávica. Falam do que não sabem, defendem posições insustentáveis, como por exemplo de que a produtividade tem a ver com o aumento das horas de trabalho, ou com a diminuição dos dias feriados. Curiosamente, dados publicados pelo Eurostat, no final do ano 2011, indicam que os gregos são quem trabalha mais horas na UE e os portugueses estão em 4º lugar, logo a seguir a Áustria, Grécia e Reino Unido. Por outro lado, segundo estudo da OCDE, também de 2011, Portugal é o país europeu onde se trabalha mais horas, com e sem vencimento, por dia. Em média, os portugueses trabalham no total cerca de 8 horas e 47 minutos todos os dias, ocupando o terceiro lugar no ‘ranking' dos países da OCDE. Os portugueses são ainda, os que mais horas diárias trabalham sem vencimento, com cerca de 3 horas e 53 minutos, volume de trabalho que representa 53% do PIB nacional e que nos classifica em quarto lugar da tabela da OCDE.
Há quem diga que estes agentes, prefiro chamar-lhes assim, acreditam mesmo nestas patranhas. E mais, que acreditam mesmo que estas “soluções” servem mesmo para “levantar” o País. Prefiro de longe a realidade e o que ela mostra. Primeiro, estes agentes defendem os seus interesses e os dos parceiros da banca e dos poderosos, como se pode constatar pela troca sucessiva de cargos públicos que a clique dirigente, que agrupa a grande família PS+PSD+CDS vai ocupando, garantindo o pleno de um aparelho de estado que lhes pertence e que judiciosamente vão partilhando. Segundo, porque a frieza dos números publicados dia a dia, mostra a falência completa dos seus desígnios, como sejam por exemplo, os dados publicados hoje, pelo Banco de Portugal, que fez uma revisão em baixa das suas previsões para a economia portuguesa em 2012 e 2013 e que afirma que a economia portuguesa vai encolher 3,4% em 2012 e estagnar no próximo. Para além das previsões, mais uma vez a realidade: em Janeiro deste ano, verificou-se um aumento de 175% (!) da despesa com juros na execução orçamental.
Passos Coelho e seus amigos fascistóides querem fazer de Portugal um país de trabalho escravo, esta a realidade. Estão a lançar diariamente o País na recessão, provocada obviamente pelas famigeradas políticas de austeridade. Alguém terá que os travar, seja de que maneira for…
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Mariana Aiveca, deputada do Bloco de Esquerda

21 março 2012

Um dia de Poesia e Luta



Um dia como qualquer outro, de certa forma penteado aqui e ali por coisas boas e outras más, notícias telúricas e aterradoras, polvilhadas com o tempero amargo da austeridade, declarações mais ou menos parvas dos idiotas que governam o País, evidências bem pouco evidentes da inevitabilidade, um fascismo branco numa Europa que cedeu por completo a um império que lembra o antigamente, um medo que se instala. Enfim, Perdoai-lhes Senhor/Porque eles sabem o que fazem…. Todavia, há Uma pequena luz bruxuleante/brilhando incerta mas brilhando/aqui no meio de nós/entre o bafo quente da multidão, que pode significar a esperança, se esta não ficar pelo baixar de braços á espera de nada, se for actuante, onde Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha, onde Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.

Um dia, pelo menos um, que a Poesia brilhe. E que o Poeta seja heróico como Sena, terno como Florbela, sensível como Sofia, corrosivo como O'Neill, militante como Ary. E que o Poema Cante no cimo das chaminés /que se levante e faça o pino em cada praça, e que seja microfone e fale/uma noite destas de repente às três e tal/para que a lua estoire e o sono estale/E A GENTE ACORDE FINALMENTE EM PORTUGAL!!!

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Referências:

  • Jorge de Sena: “Uma pequenina luz bruxuleante”
  • Fernando Pessoa: “Isto”
  • Manuel Alegre: “Poemarma
  • Sophia de Mello Breyner Andresen: “As pessoas sensíveis
Imagem: Painel Haveráguas - Parque das Nações - Lisboa - Portugal

14 março 2012

Alguém amigo queria um relato da minha experiencia no Hospital, durante uma semana.
Aí vai, foi você que pediu um RELATO???



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RELATO-QUASE-CLÍNICO














Logo aos 6 minutos de jogo, jogada perigosa da PSA. Um cruzamento do lado esquerdo, bombeado na área, antecipação do extremo Biopsia e, golo. 1 a zero portanto, resultado que nem se pode dizer justo, com tão pouco tempo de jogo e as equipes a estudarem-se, como é vulgar nestas situações. Jogo empapado a meio-campo, com a equipa vencedora a resguardar-se, nada a assinalar para já, a não ser a actuação mais que insidiosa do árbitro, sempre a proteger a equipa forasteira. Foras de jogo mal assinalados pelo fiscal de linha, cuja passa agora a ser dura e, uma linha dura tem as consequências que se advinham, como por exemplo, a mostragem de cartões amarelos fora de tempo e com a nítida persuasão de confundir o adversário, com atitudes deveras neoplásicas. Finta de um lado, finta do outro, o ponta de lança dos Próstaticos 2011, enfia a bola na baliza, mas o árbitro anula o lance, por alegada falta sobre o guarda-redes da PSA. O campo cirúrgico, ou seja, o estádio, levanta-se perante tamanha grosseria do árbitro. Este, de apito entre as pernas, dirige-se ao banco dos Próstaticos 2011 e, sem mais nem menos, expulsa o técnico local. Sem mais delongas, chovem no relvado, pinças, cateteres, algálias, compressas, drenos, epidurais, e um sem número de paracetamois chineses, cuja utilização, diga-se entrementes, está interdita nos campos nacionais. O intervalo chega com o 1 a zero, uma injustiça para a equipa da casa, que merecia pelo menos, o empate.

Muito decerto a mudar ao intervalo pelo médico-treinador dos Próstaticos 2011. Umas substituições para segurar o meio-campo e reforçar o ataque. Este relato tem o patrocínio exclusivo de Radical 2000, a melhor forma de remover a sua próstata, sem dor e sem irritação: remova a sua próstata já e não pense nela amanhã! Aproveite os sensacionais descontos de início de época: remova a sua próstata e leve 2 algálias para casa de oferta. Uma algália é melhor que uma Amália!

Inicio da 2ª parte. Substituídos ao intervalo, na equipa da casa, Vesícula por Uréter e ainda Prostatito por Drenno, unidades que, no entender do treinador, deveriam desequilibrar a balança, para o lado desejado. Por outro lado, diga-se de passagem, os 2 jogadores substituídos não tinham rendido o suficiente. 15 minutos da 2ª parte, lance de ataque perigoso, Uréter entra pela esquerda, cruza e Drenno faz golo de trivela. Empate, o jogo está vivo. Um penalti não assinalado aos 32 minutos sobre Ingua, poderia ter contribuído para que a equipa da casa se colocasse em vencedora, mas as coisas são assim mesmo. Até que aos 41 minutos, um centro da direita de Testículo e Pénis de cabeça estabelece o 2 a 1, que haveria de manter-se até ao final, consagrando a vitória da equipa da casa, com todo o mérito e justiça.


No flash interview, o médico-treinador dos Próstaticos 2011 sublinhou a justeza da vitória, dizendo a propósito que a equipa adversária não tinha jogado para ganhar, e aconselhou ao técnico da equipa contrária, uma consulta de estomaterapia. Queixou-se de violência física, não se sabe de quem, a um dos jogadores da sua equipa, que saiu com uma lesão na mão esquerda, ao que foi depois foi averiguado ser um problema no túnel… Já o responsável pela equipa PSA, declarou-se urostomizado e recomendou ao colega adversário, o uso cuidado do ureterorenoscópio.
E prontos….

23 fevereiro 2012

Zeca Afonso, a Voz da Cidadania

Viva a malta e trema a terra
Aqui ninguém arredou
nem há-de tremer na Guerra
Sendo um homem como eu sou
".
Canta camarada”, Zeca Afonso, 1969





Ousaste um dia dizer, O Povo é quem mais ordena, num tempo em a negra noite cobria Portugal e os cidadãos não tinham voz. E, em Abril, serias a bandeira que jamais renegaremos. Passados tantos anos, sabes que cantamos ainda contigo, na cidade que tem praças de palavras abertas, onde Não há céu de palavras/não há rua de sons que a palavra não corra/à procura da sombra de uma luz que não há. Ali, mais além há mulheres e homens que lutam, e tu, sempre presente para lhes dares a Voz que nunca tiveram, nunca terão, Quem dera que a gente tenha/De Agostinho a valentia/Para alimentar a sanha/De esganar a burguesia, sábias palavras, tão actuais quanto no tempo dos Índios, que na Meia-Praia moravam, ali mesmo ao pé de Lagos. Recordo os tempos em que te ouvi, em Coimbra, em caves, onde entravamos um ou dois de cada vez e donde saíamos por traseiras que acabamos por conhecer de cor. E, durante tantos anos de boa memória, não havia concerto digno desse nome, que não terminasse com a malta toda no palco, cantando a Terra da Fraternidade, uma Grândola de um Alentejo que produzia e que agora transformaram num deserto com gente. E se, um dia destes viermos gritar bem alto, Dum botão de branco punho/Dum braço de fora preto/Vou pedir contas ao mundo, será que alguém vai prestar contas da forma desastrosa como este nosso Portugal tem sido vendido ao desbarato? Tu avisaste, Mandadores de alta finança/Fazem tudo andar p´ra trás/Dizem que o mundo só anda/Tendo à frente um capataz, e aqui estamos agrilhoados a uma austeridade que exclui cada vez mais cidadãos e inverte completamente as promessas de Abril. Para eles, apenas um Redondo Vocábulo, para nós A fúria cresce/Clamando vingança. Contra os novos Vampiros, seremos sempre, como tu, Filhos de uma Madrugada, navegando de Vaga em vaga/Para não se apagar a chama/Que dá vida na noite inteira. Porque sabemos bem o que queremos, 25 anos que hoje cantamos, Cidade sem muros nem ameias/Gente igual por dentro/Gente igual por fora. Sim, a tua Utopia, Zeca: Toma o fruto da terra/É teu a ti o deves/Lança o teu desafio. Corramos com o Gastão que era perfeito/conduzido por seu dono e proclamemos: Já o tempo/Se habitua/A estar alerta
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Excertos: “Grandola Vila Morena”, “A Cidade”, “Os Indios da Meia-Praia”, ”Avenida de Angola“,  Redondo Vocábulo”, “Utopia”, “Canto Moço”; “Gastão era perfeito”, “Já o tempo se habitua

14 fevereiro 2012


Pára para pensar, ao menos para ler o que os outros pensam…
Do Livro dos Conselhos









Na cidade há um jardim para os namorados (1), com sabor a português e a mar, na doce e quente aragem da África profunda.  A subtil diferença entre “de” e “para” fica ao sabor da imaginação, neste dia em que as diferenças contam porventura mais que nunca. No dia em que convocamos Sofia, para atravessar com ela o deserto do mundo, Por ti deixei meu reino meu segredo / Minha rápida noite meu silêncio / Minha pérola redonda e seu oriente (2), um apelo vigoroso de entrega e de partilha. Será isto o amor, aquele sentimento que o Autor diz ser louco, porque sábio e o mais sublime que a alma pode alcançar (3)? No jardim pode-se namorar, sem ser piegas, uma moda posta em cena, por alguém insuspeito de se dedicar a coisas dessas, ocupado que está em nos levar para um mundo deserto, sem atravessar coisa nenhuma e sem a loucura surrealista dos anos 30. Que pena. Por nós, alinhamos com a pichagem de parede, algures para os lados do Principie Real, uma das pérolas da cidade do lado de cá. Um convite, uma tentação, uma provocação claro. Passamos de novo para o outro lado, onde faz calor quando cá nem por isso, convocando Viriato (4), ensinando um doce Namoro, Mandei-lhe uma carta em papel perfumado  / e com letra bonita eu disse ela tinha / um sorrir luminoso tão quente e gaiato…Aí Benjamim, quem não sabe, quando mandou recado pela Zefa do Sete, para ver se pegava. E não é que pegou mesmo, a gente sabe de cor… Do lado de cá, andámos porém tão atarefados, que nem reparamos a quem nos pisca o olho malandro, no autocarro ou no metro. Amai-vos porra!, pode ser o abanão que precisamos. A vida é nossa, porra!






(1) Referência ao Jardim dos Namorados, cidade de Maputo, entre o Miradouro e o Quartel General (Moçambique)
(2) “Para atravessar contigo o deserto do mundo”, Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)
(3) Referência a Andre Breton “O Amor Louco”, 1934
(4) Viriato Clemente da Cruz, poeta angolano


01 fevereiro 2012








Uma mão lava a outra,
o champô só lava cabeças. Duras, claro!
Do Livro dos Conselhos Inúteis




Com polvo e algum champô à mistura se vai fazendo justiça em Portugal. Uma verdadeira justiça de classe, não uma justiça com classe. Um octópode que se preza tem oito tentáculos ao redor da boca e não lava a cabeça. Um champô digno desse nome, tem marca, logotipo e vende-se numa loja da Baixa, pelo módico preço de 25 euros. Imagino um isaltino enredado nas pernas sebosas do polvo, fumando charuto e sorrindo de soslaio para o magistrado. Interpus recuso, diz o polvo, aliás uma providência cautelar para não ser cozinhado. Na peça, o champô transita do jaguar do autarca, para a bicleta do sem-abrigo. Roubada, claro. E, subtraindo o preço do quilograma do molusco, ao do mililitro do champô, obtemos o delicioso resultado, 100 dias de precária, mais as coimas e o lanche do defensor oficioso. E, somando a lata do polvo, já em conserva claro, à parvoíce declarada do funcinário de justiça, obtemos uma variável muito comum em Portugal: a puta que os pariu! A diferença entre o roubo do lavado molusco e o subtil desvio do isaltino é apenas uma questão de retórica. A vida continua entretanto, a luva branca e a cartola valem o que sabemos, o sem-abrigo é abaixo de cão e só mesmo o medo que se vai instalando, impede que alguém bem-intencionado um dia acorde mal disposto e faça uma asneira daquelas.

Para que serve abrir um ano judicial?

22 janeiro 2012


Ao homem que clama estar a passar dificuldades por ter abdicado do vencimento a que o cargo compete, vivendo exclusivamente das suas reformas, que rodam os 10 mil euros mensais e que diz que, somente o facto de ter sido poupado toda a vida, arrecadando uns tostões para se ir sustentando, lhe permite agora fazer frente a tanta despesa (!), só podemos aventar que assim continue, como exemplo da poupança nacional a que obrigam os tempos que correm. Embora se possa pensar também que é estulto quem vive acima das suas possibilidades, regra de ouro e, ao mesmo tempo um estigma, que justifica a imposição da austeridade. Seguindo a norma de quem nos ensina todos os dias, voltamos ao homem que se supõe representar o País, para avaliar a profundidade das suas declarações em Guimarães, capital europeia da cultura, termo aliás que para o homem deve ser coisa estranha, que ao largo lhe passa. Não poderá dizer, como Homero, De muitos homens vi as cidades e conheci os pensamentos, dado que parece só se ver a si próprio e limitado aos pequenos círculos que vai traçando, à volta das suas conhecidas amizades e das paragens protegidas da sua coutada algarvia. Um homem que não aprende, será porventura a melhor definição e o pior insulto. Saber se o “merece” só dele depende. Poderia, citando Italo Calvino, perder-se a memória, em termos civilizacionais, sem a marca do passado e um projecto de futuro. Como a não perdemos e temos do futuro uma visão dinâmica, voltamos ao homem que não aprende, apenas para o colocar no lugar a que tem direito, lixo será porventura pouco preciso para ataviar, muito embora se tenha rodeado dele, nomeadamente quando chamou para o conselho de Estado, um ladrão de cartola, com quem mantinha relacionamento conhecido. Como sabemos que não aprende, não saberá sequer medir o tremendo insulto que fez a todos aqueles a quem diariamente são exigidos sacrifícios, areia de mais para uma camioneta carregada de cinzentismo e hipocrisia. Um cidadão a quem se exige exemplo, mostra a verdadeira face da sua pequenez. Como ainda nos lembramos, Nunca me engano e raramente tenho dúvidas, de facto a melhor definição para quem não sabe nem quer aprender, deixamos para o homem o conselho de Hemingway, São precisos dois anos para aprender a falar e sessenta para aprender a calar, esperando que se cale de vez!

18 janeiro 2012

OS AMARELOS





Como é, de um momento para o outro viraram para amarelo? Não, nem por isso, sempre o foram. E, nos momentos decisivos, assumem a sua verdadeira face de traidores do movimento sindical e dos trabalhadores. Até, pelos vistos, dos seus próprios associados, a acreditar nas notícias vindas a terreiro após a assinatura do acordo. Aliás, foi assim que apareceram, uma organização inventada pelo Mário Soares, para lutar contra a unidade sindical. Constituída ao contrário, isto é de cima para baixo, será sempre o rosto da divisão, dos interesses partidários do PS e do PSD /CDS, na capitulação intolerável aos mais elementares princípios de ética sindical. O que não significa que não existam na dita organização, trabalhadores empenhados na luta pelos seus legítimos direitos. O que estão é enganados. Vão sempre a tempo de rever a sua posição. A única organização que defende os trabalhadores é, sem qualquer dúvida, a CGTP – Intersindical Nacional. Assim mesmo.
O pretenso acordo na concertação social, não é pois um verdadeiro acordo. Não passa de uma imposição do governo e dos patrões, para legitimar as alterações na legislação laboral e a instauração de um estado de sítio, em termos de direitos dos trabalhadores. Serve para tornar mais fácil e mais barato despedir e reduzir indemnizações, subsídios, férias e feriados. A CGTP afirma, a propósito, “É um compromisso que coloca o Estado e o dinheiro dos nossos impostos ao serviço dos grandes grupos económicos e financeiros e fragiliza a segurança social, ao forçá-la a financiar as empresas para baixar salários, generalizar a precariedade e, de seguida, enviar os trabalhadores para o desemprego.”Vale a pena atentar ainda no que diz o PM, “Acordo laboral é mais inovador e audaz do que previa o memorando com a troika”. E finalmente no que diz um porta-voz do PS, “Este é um mau acordo”. Entretanto e, para lançar ainda mais confusão, o agente João Proença, diz que “A paz social não está garantida…” Claro que não está, ainda bem que não está!

Não se trata então de um acordo. O problema reside também no aspecto psicológico. Das pessoas e também das instituições. Pretende-se passar a mensagem de que houve um acordo tripartido: governo, patrões e trabalhadores. E esta mensagem vai passando, dia após dia, hora após hora, na comunicação social, vendida aos grandes interesses. Começa sempre da mesma maneira, “foi assinado um acordo laboral entre os parceiros sociais e o governo…”, “…a CGTP pôs-se de fora, abandonando as negociações”. Umas horas depois, já nem se fala da CGTP, mas somente do acordo que foi assinado e … garante apoio da sociedade às medidas do governo…, o governo fica agora numa situação mais confortável, após o acordo assinado…, a nova situação criada pela assinatura do acordo…. Perante este cenário, as pessoas que só lêem os títulos, que só têm tempo, quando têm, de ouvir os telejornais oficiais, passam a ficar automaticamente convencidas de 2 coisas. A primeira, que houve um conjunto de organizações (…) que se esforçaram por chegar a um acordo. A segunda, como sempre, a CGTP auto exclui-se do processo, os mesmos de sempre, nunca assinam qualquer acordo. Todos os portugueses têm que estar unidos, com o se fosse uma equipa de futebol, diz o fascistóide Álvaro, que veio do Canadá ensinar a teoria do pastel de nata e outras alarvidades. A união nacional do antigamente, está de volta, pelas vozes autorizadas e sensatas destes governantes medíocres, de que o Álvaro é porventura o expoente máximo. Vejamos, aos trabalhadores impõem-se as medidas que se conhecem, aos patrões nada é pedido, aos fabulosos gestores que temos oferecem-se ordenados de 45 mil euros mensais, para além de reformas de 9 mil, como o caso do homem do pintelho… Vão ser reclamadas verbas indevidamente pagas pela Segurança social a trabalhadores, sem dizer se que em muitos desses casos a responsabilidade é mesmo do sistema, e os roubos descarados no BPN e no BPP continuam sem rosto. Arrecadar dinheiro mal pago pela Segurança Social, uns tostões, comparados com os escândalos financeiros de Dias Loureiro, por exemplo. E dos outros amigos do Cavaco, o tal que anda por aí a espalhar boa-vontade e caridade, aos pobrezinhos e desfavorecidos e muito preocupado com as desigualdades.

O lema parece agora ser: trabalhar mais a receber menos, com menos direitos e um aumento da exploração com trabalho forçado. Tal e qual!

Sempre e ainda a inevitabilidade. O mesmo discurso de culpabilização, patente nas afirmações dos políticos e comentadores do regime sobre produtividade e competitividade. Um exercício diário e constante, para fazer crer que a falta de uma e a diminuição da outra, são causadas pelos salários dos trabalhadores, pelas faltas ao trabalho, pela apertada legislação laboral, entre outras falsas asserções. Nunca está em causa o desempenho dos responsáveis, gestores, presidentes ou directores. Nunca. Aliás, até há prémios para tal: um autarca, caloteiro a uma empresa do Estado, que passa agora para gestor dessa mesma empresa.
Este acordo significa pois, um retrocesso civilizacional de várias décadas, a nível dos direitos do trabalho, como bem afirmou Carvalho da Silva. Que a Força esteja com ele, com a nossa CGTP e com todas/os aquelas/es que realmente defendem os direitos dos trabalhadores!