rio torto

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22 janeiro 2016


O QUE FAZ FALTA…










O que faz falta é dar poder à malta…
Zeca Afonso








Tanta coisa que faz falta. Faz falta tanta coisa que não cabe em poucas palavras. No último dia nunca poderíamos inventariar o que na realidade faz falta. Temos agora alguma consciência do que faz falta, quando finalmente o País acorda de uma longa noite de 4 anos. De trevas e de silêncio. Também de uma certa impunidade que revolta.

Quando nunca a noite foi dormida/O que faz falta…”. Acordar, pelo menos e sacudir o medo. Erradicá-lo seria o termo para definir melhor.

Quando nunca a infância teve infância/O que faz falta…”. Lembrar “os filhos dos homens que nunca foram meninos [1], triste sina de quem não se pode dar ao luxo de ter infância, porque os pais estão desempregados e não há dinheiro em casa.

Quando um homem dorme na valeta/O que faz falta…”. E cada vez eram mais e mais, nas valetas de um País perdido na desgraça do “ajustamento”. Mais ou menos 2 milhões, é verdade.

O que faz falta é avisar a malta/O que faz falta é agitar a malta”. Agitamos durante 2 semanas a fio, de Norte a Sul de um País agora mais avisado, um “tempo novo” que anuncia um futuro melhor.

Quando dizem que isto é tudo treta/O que faz falta…”. Pois não foi assim que começou esta campanha, que mais pareceu um estender de passadeira vermelha ao candidato da Direita? Treta, está tudo resolvido, ganha ele, mais que certo. E agora que a campanha chega ao fim, afinal até as próprias sondagens reconhecem que nada está garantido…

“O que faz falta…”. Faz falta por exemplo, um Presidente que corte com o terrível passado de 10 anos que envergonha o País. Faz falta defender causas. E princípios, que unam os portugueses e que signifiquem um compromisso para o futuro. Um Presidente CAPAZ, um Presidente cidadão, próximo das pessoas e do País que quer representar. Um Presidente que orgulhe o seu País. Um Presidente que seja a cara da mudança.
Esse Presidente tem nome: ANTÓNIO SAMPAIO DA NÓVOA!



[1] Dedicatória final da obra “Esteiros” (1941), de Soeiro Pereira Gomes, Edições Avante!, Lisboa 2009

18 janeiro 2016

ESTA SEMANA É DE VEZ!


Não é fácil ter paciência
diante dos que têm excesso de paciência
Carlos Drummond de Andrade











Por todo lado em que se fale das Presidenciais um pormenor fica para a história. O papel da comunicação social. Não somente o da estação televisiva que ajudou a promover, a fabricar, um homem presidencial e que o catapultou para os píncaros da fama etérea. Não somente. Mas também o da grande maioria da comunicação social, ouvida e falada, escrita e vista, com um enorme séquito de comentadores, painelistas e politólogos, que se desmultiplicaram, opinando sempre para o mesmo lado, sempre da mesma forma, utilizando duvidosos critérios de análise, conseguindo milagrosamente chegar sempre a mesma conclusão: havia um candidato, era uma pessoa conhecida, muito popular, muito bem informada, muito rodada nos labirintos do poder estabelecido, muito cordata, muito sensata, muito culta, muito sabedora, muito muito e sempre muito, enfim. Porém ter-lhe-á caído a máscara no debate com Sampaio da Nóvoa, que bem o encostou às cordas. Deixando a sua postura sorridente e beatífica, concorda com tudo e o seu contrário, apoia e cumprimenta todas e todos, a democracia, os partidos e os sem partido, os pobres e os ricos, os trabalhadores e os empresários, as empresas e os bancos, os famintos e os gulosos, os preguiçosos e os laboriosos, tudo o que mexe e o que está parado. A civilização moderna tem o privilégio de ter um homem assim, acima de tudo e de todos, pairando no aquário da TV, olhando para o Povo com a mística do educador e do pai presente e ausente. Sempre ao mesmo tempo.

Uma campanha barata. A mais terrível das mistificações, a mais despudorada postura de arrogância, o maior desprezo pelos portugueses. Damos umas passeatas pelo País, alinhamos numas “comezainas”, entramos em meia dúzia de cafés, somos eu, a estrela da televisão transformada à pressa em candidato. Assim é o marketing político, lançamos um produto, criamos a necessidade, está tudo feito. Vendemos a eterna ilusão de que está tudo bem, que o “tudo bem” serve mesmo para tudo, para a Direita, para a Esquerda, isso mesmo, o politicamente correcto levado ao absurdo extremo, o deus e o diabo na mesma pessoa, tudo é mesmo possível, desde que se faça um fotogénico sorriso, um pode e não pode, tudo fica na mesma, por milagre, como uma varinha de condão constantemente brandida na cabeça do pobre cidadão, ele até é boa pessoa, simpático, bondoso, etc, etc…

Sondagens para o gosto de quem as fabrica, de uma forma profissional e meticulosa. Apontando sempre na mesma direcção. Atenção, esta maioria durará até quando? Não pode durar sempre e por isso se torna necessário prever o que irá acontecer se houver desentendimento, se o acordo, ou acordos, se quebrarem, é preciso saber o que fará, que decisão tomará, dissolve ou não dissolve, nomeia ou não nomeia, apoia ou não apoia?  A uma senhora perguntaram até quanto tempo previa que este governo se iria manter, ainda antes de ele tomar posse (…). Assim se faz Portugal.


Mais uma semana. Só faltam 5 dias para o final. Vale a pena o esforço para derrotar o mito, nesta primeira volta. Que muitos dão como já resolvida, há muito tempo. O que é certo é que as expectativas que mais certas parecem, podem sair furadas. Queremos que lhes saiam furadas. Nada está resolvido, tudo pode ser possível. Arrastar a decisão destas eleições para uma segunda volta é trabalho de todas e todos aqueles que acreditam de facto na Democracia, na Liberdade. E também que a mudança é possível, neste tempo dito novo, imagem bela e de esperança. Mas também da certeza que temos em acreditar no País e nas pessoas.   

13 janeiro 2016

A ESQUERDA DA DIREITA?




A vocação de um político de carreira é fazer de cada solução um problema.)”,

Woody Allen














1.    Conhecíamos o centro-esquerda, o centro-direita, a extrema-esquerda, a extrema-direita (salvo seja!), enfim, o centrão. Agora ficamos a conhecer, pela mão extremosa de Marcelo, a “A Esquerda da Direita”. Uma espécie de invenção livre, entre muitas outras do candidato, que parece queres livrar-se da Direita. Contudo sabemos que não quer de facto, nem tal coisa lhe passaria pela cabeça. Apenas uma diversão, mais uma, nesta espécie de campanha, que decidiu levar a cabo, para seu deleite pessoal, tendo em linha de conta que outras e outros já fizeram o caminho por si. Que é o de o tentar levar ao colo para Belém, no mais profundo desprezo pela Democracia de que há memória, após o 25 de Abril de 74.
2.    Esta poderá ser mais uma tentativa de mascarar a diferença profunda entre Esquerda e Direita, um exercício já antigo e que vai ganhando algum espaço, precisamente graças aos esforços da Direita. Assim mesmo. O que acontece é que, devido precisamente a uma conjuntura de confronto ideológico, cavado por uma Direita impiedosa e implacável, nas últimas décadas, cada vez faz mais sentido na actualidade a diferença entre Esquerda e Direita. Há um “simples” pormenor distintivo, nos tempos que correm, temática abordada por Isaiah Berlin [1], e que concerne ao conceito de liberdade. Segundo este autor, existem dois tipos de liberdade, a positiva (“livre para”) e a negativa (“livre de”). Muito embora esta dualidade possa ter algum sentido, não é porém suficiente, apenas indicativa da orientação de liberdade, negativa para a Direita e de liberdade positiva para a Esquerda. A melhor e mais significativa distinção entre Esquerda e Direita estará propriamente nos conceitos “autonomia” e “dominação”. Defendemos portanto, autonomia, a Direita prefere, sem qualquer dúvida, dominação.
3.    Será Marcelo um libertário de direita? A classificação poderia até fazer algum sentido, se aquele considerasse porventura o Estado como uma máquina opressora, para indivíduos e instituições. Mas não parece ser esta a orientação do candidato, a avaliar pelas suas concordâncias constantes com políticas dos partidos de direita, expressa em posições públicas conhecidas.
4.    A expressão “A Esquerda da Direita” assimila bem a tese de Groucho Marx,Estes são os meus princípios. Se vocês não gostarem deles, bom, eu tenho outros". E assim se esvazia a dita tese, que só se entende como mais um dislate do candidato a quem parece que tudo é permitido.
5.    E já agora, Marcelo onde estavas no 25 de Abril de 1974?

 [1] Berlin, I. (1958) “Two Concepts of Liberty”


12 janeiro 2016

A MUDANÇA 




Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades
Luiz Vaz Camões







1.  Propalada por muitos, abjurada por alguns, assume um enorme impacto nos tempos que correm. E há quem a considere uma marca (ou mesmo, a marca) da actualidade. A mudança. Temida por uns, desejada por outros. Temida, porque irá decerto tocar em privilégios, colocar em causa posturas adquiridas e cargos ocupados. Desejada, defendida, por todos aqueles que consideram que pode determinar as necessárias transformações. Na vida e na sociedade. No emprego e no trabalho. Nas escolas e nas universidades. Um pouco por todo o lado, a mudança que se sente e se pressente é algo que, embora difícil de definir, já vai assumindo contornos assinaláveis. Contudo a mudança vai sendo construída, com mais ou menos percalços, ganhando forma e sentido, com sinais exteriores e interiores, tomando então “as novas qualidades” e algum sentido objectivo. A mudança implica ainda contornos subjectivos, assim como a atitude diferenciada perante situações semelhantes. Mesmo que seja, nas palavras de Ruy Belo, “…fatal até para a face mudada”.
2.  Nos últimos dias assiste-se a uma preocupação sistemática, orquestrada como sempre por uma comunicação social voraz, que tenta projectar receios e temores face a mudanças pontuais na legislação entretanto produzida. O caso do ensino, com as alterações no sistema de avaliação dos alunos. O caso do trabalho, com a reintrodução de alguns feriados. O caso do emprego, com um ligeiro aumento do salário mínimo nacional. Habituada a um imobilismo sistemático, desde os primórdios da Revolução de Abril, a sociedade civil viveu de certa forma adormecida pelas promessas de uma Europa adiada, assistindo sempre com suavidade e brandura à progressiva tomada do aparelho de Estado por arrivistas de baixo perfil e “aventureiros” de recorte definido. Que acabaram, com a sua acção perniciosa, por desprestigiar as instituições e a República. E objectivamente minar a confiança nos representantes do Povo e com isso, a Democracia. E como nestas coisas normalmente se toma o todo pela parte, acabou por se reduzir a chamada classe política a meia dúzia de senhoras e senhores pouco ou mesmo nada recomendáveis. Particular e especial relevo para a personagem Cavaco Silva, agora perto da retirada definitiva (assim se espera…), que nos governos que chefiou e na Presidência que ocupou, significou sempre e em todas as circunstâncias, o retrocesso, o imobilismo, o conformismo. E a inevitabilidade também. Consequentemente pois, a resistência a mudança. Lembramos ainda o “deixem-nos trabalhar…”, quando confrontado, o alerta contra “…as forças de bloqueio”, quando sujeito ao contraditório.
3.  O “tempo novo” que ora vivemos é um tempo de mudança. Desde logo pela circunstância da recuperação para o possibilidade de governação de formações partidárias que se tinham afastado e foram afastadas do exercício do poder político. Mas ainda pelo facto de se ter devolvido a esperança às portuguesas e aos portugueses. O tempo de mudança de paradigma e de atitude. A resistência a esta mudança pode constituir um “acto natural” daquela parte da sociedade que detém o poder financeiro e económico. Da parte a quem foram concedidas todas as benesses e que ainda detém privilégios. Afinal os mesmos que foram responsáveis pela destruição do sistema produtivo do País. Natural será assim a sua atitude retrópica, aquela que evoca um passado recente, aquele que precisamente recusa a Utopia como bem explicou aos seus pares um lídimo representante da Direita conservadora[1].
4.  Defende-se então a mudança em toda a linha. Será sim natural mudar quando as condições assim o exigem. Quando a sociedade se defende dos ataques aos direitos dos seus concidadãos e a credibilidade das suas instituições. Afinal, assistimos agora a uma mudança que consubstancia a expectativa das pessoas. Querer, como faz agora parte da comunicação social, prever uma ruptura breve na actual conjuntura, é uma ofensa grave a Democracia. E assume uma posição de querer que tudo volte atrás, nem que seja pela insistência forçada.
5.  Outrora, as mudanças caracterizavam-se pela lentidão. De processos e de condições. Nos tempos que correm, onde as tecnologias desempenham um papel decisivo, há um parâmetro que se sobrepõe a todos os outros: a velocidade. Então, a mudança começa a ganhar velocidade, graças as condições e facilidades conseguidas pelos agentes de informação, até ao ponto de a própria informação poder ser considerada obsoleta, em função da sua eventual descaracterização. É a sociedade do conhecimento na forma indelével do aperfeiçoamento constante de produtos e serviços e do aprofundamento do saber.
6.  A velocidade da mudança implica uma mudança de velocidade, jogo de palavras que ganha todo o sentido na Campanha em que nos envolvemos. Para que tudo seja diferente. Para mostrar as pessoas a importância de eleger o nosso Candidato. Esta “corrida” já começou e, sabendo da importância da velocidade, não queremos ficar para trás, nem permitir que alguém fique para trás. Assim se faz esta luta, “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…”





[1] Paulo Portas: “Deixem a utopia aos revolucionários e ocupem-se da realidade…”, Peniche, 13 de Dezembro 2015

11 janeiro 2016

“NÃO VALE A PENA TAPAR O SOL COM A PENEIRA" 



A luta do homem pelo poder
é a luta da memória contra o esquecimento
Milan Kundera

Indiferente às invectivas de Belém, Sampaio da Nóvoa responde com a serenidade e a competência que já se lhe conhecem. Muito embora Belém traga argumentos estudados sobre uma data de questões laterais, não consegue disfarçar o tremendo incómodo que provocou no Partido Socialista, quando decide avançar com a sua candidatura. E de facto é aqui que reside a questão central: Belém lança a candidatura no momento em que Costa concretiza os acordos que haveriam de consubstanciar o novo Governo, uma espécie de revanchismo atrasado e afinal inconsequente. Belém personifica uma posição divisionista e sectária dentro do seu partido e coloca o Secretário-Geral na posição ingrata em que hoje se encontra, muito embora seja voz comum o seu apoio pessoal a candidatura de Nóvoa.

Interpretamos constantemente o discurso de Nóvoa, com a esperança que pretende deixar passar, no “tempo novo” que se vai construindo, deixando para trás o desânimo, a pobreza e as trevas. Uma nova utopia? Bem pode dizer-se agora que sim, que parece visar a sociedade livre, de indivíduos livres de que Thomas More falava na sua obra[[1]]. É um discurso novo, sem qualquer dúvida e por muito que a comunicação social nos queira vender o candidato da Direita, a palavra e a escrita serão a nossa marca de liberdade e de dignidade.

Enquanto Belém se sente confortável ao convidar presidentes ou chefes de estado estrangeiros a almoçar em lares de idosos, um autêntico fait-divers para quem anda nas andanças presidenciais preocupada mais em chamar a atenção do que propriamente tomar atenção às pessoas, Nóvoa aproxima-se das pessoas e conquista a sua atenção. A melhor prova da falta de atenção da agora candidata terá sido a sua “distracção” aquando de iniciativas parlamentares destinadas a pedir a fiscalização de actos do anterior governo.

Mal ficaria por certo Belém se fosse contar espingardas dentro do seu próprio partido, tal é a torrente de figuras, mediáticas mas não só, que em todo o País apoiam Sampaio da Nóvoa. Vai invocando os 3 nomes[2], deveras respeitáveis por sinal, e pouco mais que isso, uma vez que a sua candidatura é de divisão e não de união. Sinal que baste neste momento e portanto como bem disse Nóvoa durante o debate, não vale a pena tapar o sol com a peneira"… 




[1]Utopia”(1516), Thomas More, Ed.  Livros de Bolso / Europa América
[2] Alegre, Santos e Jardim

08 janeiro 2016

TUDO E O SEU CONTRÁRIO

Antes de mudar de ideia,
certifique-se primeiro de que já tem uma..)”,
Albert Brie












1.   O debate entre Nóvoa e Marcelo mostrou ao País o que é e que não é um verdadeiro estadista. Ou mesmo, um autêntico candidato presidencial. Marcelo sai do armário e mostra ao país a verdadeira face, colérico, irritado e intolerante, um homem que acossado, se revelou afinal bastante previsível. Resulta pois confrontá-lo, quanto mais não seja, com ele mesmo, receita que Nóvoa aplicou com sucesso assinalável. Confrontado assim com as suas proporias contradições, descontrolou-se, perdeu o equilíbrio, meticulosamente cuidado durante anos e anos na TV, que bem poderia apelidar-se de TV Marcelo[1]. O homem pensava que eram favas contadas, protegido pelos barões de uma comunicação social amestrada e orquestrada, pelos patrões das empresas de sondagem (vota Marcelo ou vota noutro…?), pelos colegas comentadores, painelistas, politólogos e outros associados, dos jornais, das rádios e das TV. Como bem afirma Pedro Reis[2], “O deputado e líder do PSD tornou-se num heterónimo candidato independente, que nada tem a ver com os partidos. O homem que participou nas campanhas eleitorais de Passos Coelho e Paulo Portas, passou a um ser um heterónimo virgem nestas andanças”.
Este debate deveria ter ocorrido em canal aberto. Desta forma, as portuguesas e os portugueses poderiam ter visto a verdadeira face de Marcelo, o homem que surgiu das profundezas do aquário da TVi, águas mornas de refúgio e recato, longe do tal povo que agora lhe surge tantas vezes na boca, mas que não enquadrada lá muito bem com a sua imagem de vedeta de estúdio.  Esse povo teria então visto o homem perder quase tudo numa noite, ou melhor em apenas uma escassa meia-hora. Na realidade, perdeu tudo. Perdeu em argumentos, ficando provado (seria mesmo necessário?) que é capaz de defender tudo e o seu contrário. Perdeu na dimensão de estadista, não se tendo conseguido descolar devidamente da facção que o apoia e do cavaco que o chamou para seu conselheiro. Perdeu na verdade dos factos, não foi ele afinal que votou contar o Serviço Nacional de Saúde, nos primórdios da Revolução, não foi ele (todos lhe reconhecemos a habilidade…) que criou dezenas e dezenas de “factos políticos”, que lhe valeram a alcunha de cata-vento político? Perdeu na pose, na compostura e no decoro, passou as marcas (nem parecia ele…) da decência “normal” e cordata, tão na linha da habitual imagem angélica e beatífica.

2.   Do outro lado não estava porém uma pessoa qualquer. Sim, esteve um Português, um homem a quem ninguém pode imputar intriguismo, puro tacticismo, ou baixa política, na vida pública. Igual a qualquer outro cidadão (“apenas mais um de vós…”), que procura o melhor para o seu País. Não tem um percurso político-partidário habitual? Tanto melhor, que pelo menos tal não significa qualquer estigma, com todo o respeito para quem o possua. Um homem comum, digno da sua palavra e do seu compromisso, assumido pelo País. Um homem a quem se reconhece o devido mérito pelos lugares públicos que desempenhou e que honrou com dignidade. Um homem que defende a Cidadania, que disse ao que vinha no tempo devido. Não é tudo e o seu contrário. É um homem de causas, que podem mobilizar o País. Um homem que promete “… uma ampla discussão pública” sobre a Europa e a participação de Portugal no projecto europeu, que afirma que “É preciso trazer a vida para dentro da política, com humanidade. É preciso unir uma sociedade rasgada, juntando os portugueses, as portuguesas, numa luta comum, sem medo de existir…”. E que diz, com muita clareza, “Só conseguiremos construir um país à altura dos desafios globais do século XXI se conseguirmos vincular as novas gerações e aproveitar o seu dinamismo e a sua capacidade de renovação. É também por isso que não podemos aceitar a emigração da nossa juventude qualificada, da nossa ciência e do nosso conhecimento”.

3.   Que diferença!...



[1] TV Marcelo, é uma empresa Nacional com 50 anos de experiência no ramo da Assistência Técnica ao domicilio e especializada em Reparação TV; in: http://tvmarcelo.com/          
[2] https://www.facebook.com/pedro.reis.79230?ref=ts&fref=ts      

05 janeiro 2016

Uma VERGONHA!

Não quero contribuir para mais publicidade ao “comentador oficial do regime”. Por isso não publico qualquer imagem, ao contrário das pessoas que, com a maior boa vontade e pensando que isso é bom (…) comentam o jornal Público de dia 4 Janeiro, com as imagens da capa.Uma VERGONHA!

É de facto a maior burla eleitoral de que há memória. Também quero saber o que vai fazer a Comissão Nacional de Eleições.
E o provedor do leitor do jornal em questão.
E o País assiste impávido e sereno a este golpe baixo na ética republicana?

Há que fazer alguma coisa, levantar o País e denunciar esta fraude!
Não pode ser tudo possível em Portugal. Isto é de mais e todos os dias, a toda a hora, em praticamente todos os órgãos de comunicação social, se vende (barata) a tese de que o homem vai ganhar, já ganhou aliás e nem precisa da 2ª volta.

As portuguesas e os portugueses sérios, qualquer que seja a sua filiação político-partidária, não podem ficar indiferentes ao tratamento desigual, que mina a eleição presidencial e enfraquece a Democracia.

Vamos encabeçar um movimento que denuncie esta situação, já basta de MENTIRA e de DESCARAMENTO!

01 janeiro 2016

2016

Não habitamos um país, habitamos uma Língua. Uma pátria é isso
Emil Cioran, 1965


Procuramos sempre captar nos escritos, os sinais e os símbolos da nossa permanente inquietude e insatisfação, nesta voragem dos dias, que loucos parecem à vista do observador menos atento. Há outros (diversos) rascunhos que, por uma ou outra razão, não vêm a luz do dia, e como tal estão enterrados num qualquer baú, nunca se sabendo se serão recuperados, reciclados ou simplesmente enviados para a caixinha divinal da reciclagem. Ou seja, lixo.

Poderia lembrar que o último ano de chumbo chamado 2015, acabou por ser, na sua recta final, pejado de surpresas, algumas das quais com aquela sensação de agrado, que não conhecíamos há muito, muito tempo. Não escondemos pois a alegria e a esperança de ver o País respirar de novo, após 4 anos completos de imobilismo, da mais vil campanha de descredibilização do País, da responsabilidade de uma seita, que desrespeitou as mais elementares regras da democracia, vilipendiou e empobreceu as pessoas, degradou as instituições e as suas organizações de base, vendeu o País ao desbarato, sempre com a suprema infâmia de transferir para o capital os rendimentos do trabalho, já de si mal-amado e mal pago. Foi tudo mau de mais para ser verdade, mas o facto é que o tal grupo foi avançando, de asneira em asneira maior, da tentativa ao real, da campanha ideológica mais refinada à mais diabólica atitude de conservadorismo podre e balofo que nos fez recuar muitas vezes ao tempo já longo do fascismo mais requentado. Não é possível enumerar todo o mal que fizeram ao País, vão-se agora sabendo alguns pormenores que, juntos aos sinais que se adivinhavam, ajudam a construir uma narrativa de miséria e de terror. Não poderemos esquecer aquela “gente medíocre que se tornou salvífica pelo serviço que prestaram a interesses particulares presentes na economia”, assim classificada pelo Pacheco Pereira. Não poderemos esquecer o que fizeram, por exemplo, nos Estaleiros de Viana do Castelo e na TAP, apenas dois exemplos de como foi possível desbaratar os dinheiros públicos e reduzir a cinzas uma e outra empresa, para poderem utilizar o argumento da putativa falência que teria que ter unicamente uma solução a vista: a sempre inevitável privatização.

Neste ano que ora começa é em primeiro lugar mais que necessário destruir o mito dos apelados “superiores interesses nacionais”. O nosso País tem, como todos os outros, interesses perfeitamente contraditórios, que não são de forma alguma conciliáveis. Repare-se como a clique que normalmente ocupa o poder se refere às classes trabalhadoras: greves que põem em causa a economia, contabilizam-se inclusivamente os “prejuízos” por cada dia de greve (…), sindicatos controlados pelos comunistas, aumento de salários, como assim (?), onde se vai buscar o dinheiro, fraca produtividade, pouco tempo útil de trabalho, entre tantas outras declarações que se repetem até a exaustão, marteladas devidamente na comunicação social que superiormente controlam, a bem da nação (…). O reverso da medalha não tem contudo expressão idêntica. Falamos dos milhares de milhões desbaratados pela banca e alta finança, um sucessivo multiplicar de situações danosas, quer a nível das aplicações financeiras de alto risco, sempre em prejuízo do Estado, que na escandalosa situação de falência dos bancos, acompanhada sempre pela classificação de “resolução”, escondendo a verdadeira situação de descontrolo sistemático de contas, sempre na expectativa de que o Estado venha “salvar” a situação, com a injecção de mais uns milhões, que sempre aparecem milagrosamente, na hora certa e no momento oportuno.

Este será o mais grave dos sintomas de uma doença que parece alastrar, acompanhada do remédio mais impuro de que há memória: a pretensa inevitabilidade, a Europa tem as suas regras, em todos os países é a mesma coisa, olhem a Grécia e no que deu a rebeldia de um governo irresponsável e muitas outras atoardas, que infelizmente pegam, é ver algumas pessoas comuns com o mesmo discurso, vergadas ao peso de uma evidência que para elas já é adquirida e que não se julgam capazes de desmontar.

A Direita é o que é. O mais requentado argumento do imobilismo e conformismo foi dado por Paulo Portas aos jotas da autoproclamada Juventude Popular: "Deixem a utopia aos revolucionários e ocupem-se da realidade, de melhorar a vida da vossa geração e servir melhor o vosso país como se faz em qualquer país da Europa ocidental…". Formatar assim cidadãos, aqueles que um dia serão ministros ou secretários de estado, é a sua missão. Analisem cada uma e cada um dos que ocuparam aqueles cargos no defunto governo, estiveram durante 4 anos a frente do País, na mais clara expressão do que é a mediocridade e a inconsciência social.

Desafios enormes no ano que começa. A nível interno e também externo. Uma nova atitude, um novo discurso, a esperança sempre presente. Saber estar no País e no Mundo de forma diferente, uma posição de crítica sistemática, de defesa de direitos e de afirmação de deveres, na perspetiva da Cidadania. Na defesa das pessoas e do ambiente. Na exigência de uma Educação de alta qualidade, na defesa e afirmação da Escola Pública e de um Ensino Superior em que a investigação científica seja devidamente respeitada e apoiada. Na responsabilização das instituições, no funcionamento equilibrado do Estado e no compromisso que este tem para com os cidadãos que pagam os seus impostos e que esperam que aquele cumpra a sua missão. No questionar permanente da posição que o nosso País detém, na Europa, na Lusofonia e no Mundo, uma língua falada por 244 milhões de pessoas, uma riqueza incomparável e sempre mal aproveitada. Acima de tudo, o País tem uma dívida imensa sobre os jovens, meio milhão escorraçado pelo governo mais vil da República, desrespeito pela sua condição de futuro do País. E finalmente, a dívida incomensurável sobre os idosos, a quem o mesmo governo retirou direitos e colocou na margem da sociedade.

É da responsabilidade de todos nós defender a solução governativa que foi possível encontrar no consenso das Esquerdas. Nada que nos deva deslumbrar demasiado. Tudo que nos deve manter atentos e exigentes, tendo enfim consciência que não é possível mudar tudo de uma vez. Mas sabendo também que não é com episódios como o da “resolução” da questão Banif que se vai configurando um futuro diferente. Oferecer mais um banco português, pago com o nosso dinheiro, a um banco estrangeiro, que o recebe de graça e ainda com um bónus é de facto um sinal negativo, que mais uma vez fica mal ao Estado e ao Governo.

Trazer as pessoas de volta a nobre arte da Política será porventura o maior desafio para 2016. Mobilizar o País para votar nas presidenciais, faltam apenas 3 semanas. Saber que cavaco vai embora não é suficiente, é preciso muito mais, a saber, colocar na Presidência, uma figura de prestígio nacional e não um comentador de revista.


Somos pois pela utopia, que supõe conceitos e ideais de uma sociedade em evolução, sempre para melhor, sempre pela transformação permanente. Algo (e muito) nos separa daqueles que pensam que a “realidade” nos impõe a inevitabilidade. A luta continua portanto em 2016!

22 dezembro 2015

O JANTAR

 Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for 
Fernando Pessoa
 Juntamo-nos porque sim. A amizade cruza-se com a oportunidade, sempre há o Natal e nunca deixamos passar uma festa assim, sem o calor da Casa que tem unido, nos bons e maus momentos, os espíritos inquietos de que falava Pessoa e que, por aqui e por ali, vão semeando pequenas revoluções, mas com um sentido estético digno de realce. E já agora, diga-se, de bom gosto. Claro que se fala da situação e das grandes mudanças a que tivemos direito e que, diga-se também, contribuímos, com a nossa inquietude, irreverência e permanente insatisfação. Umas pequenas maldades, aquelas que nunca revelamos, mas que vêm constantemente à tona, quando de alguns personagens menos qualificados falamos, aproveitando para brandir a fúria destemida de portugueses de gema, republicanos e laicos, inspirados num Eça e num Antero, que nunca poupavam os adversários, na sociedade e na política.
Avançamos sempre soluções, apontamos caminhos, elaboramos cenários, pois é essa a nossa forma de estar, no espaço mediático de Telheiras, refúgio clássico de inquietudes, misturados com esperançosas alternativas, que apontam sempre ao futuro, inspirados num Almada (“… até hoje fui sempre futuro”), presente mesmo sem o imaginar, que descansa em paz seja lá onde for. Antecipamos o governo das Esquerdas, pelo menos em esperança que tardava, deixando no ar uma semente revolucionária, que afinal aí está, para que a felicidade voltasse aos lares da Pátria, a partir de Telheiras, qual chaimite encapotada, passeando nas ruas da cidade, à espera da alegria.
 Lembro, de uma forma provocatória, a nossa francofonia, invocando o Maio 68, o Sartre, a Simone e o Marcuse, entre tantos que me lembro, a música inesquecível do Brel, do Ferré ou do Aznavour, os filmes marcantes do Resnais, do Godard, do Truffaut, do realismo dos anos 60 e 70, que vivemos com intensidade determinada. E ainda, pois claro, do Camus e do Vian, que ainda hoje devoramos, pelo menos em pensamento. Mesmo dando de barato uma certa e perigosa tendência dos franceses para a extrema-direita, assinalamos Paris, uma cidade de grandes referências, deixando aqui esta encantadora tirada, devidamente assinada, ainda que não datada: “Etrangère, séductrice et troublante, la langue française est un puissant moyen de contestation et de rencontre” [Bourguiba, H.]
Perscrutamos as presidenciais. Sim, porque mesmo na ausência incómoda e ameaçadora das camaras televisivas, dos microfones ameaçadores das rádios e do cheiro do papel de qualquer pasquim, o Grupo manifesta-se e vota decida e determinadamente contra o esperto de Cascais e sentencia-lhe o castigo imenso de uma segunda volta que o atirará para o caixote do lixo da História, na companhia da Judite, na melhor das hipóteses. SNAP é o nosso lema, com espírito, com alma portuguesa e com a Cidadania que prezamos, difundimos e, há que dizê-lo com frontalidade, praticamos diariamente.
Na realidade, é bom que aconteça tudo aquilo que abordamos. Primeiro porque sim, segundo porque também. Saímos e ficamos mais ricos. Mesmo sem a devolução da sobretaxa. Irmanados no mesmo espírito de revolução permanente, aquela que sem a nomear, nos ensinou o imortal Moustaki, saímos da Casa, saudamo-nos com aquela emoção e vamos as nossas vidas, marcando sempre encontro num dia qualquer. A nós, ninguém nos cala!

14 dezembro 2015

“UMA VERGONHA?[1]

A vergonha, isso passa quando a vida é longa....”
Jean-Paul Sartre

Retirado ou roubado o título ao seu autor, repasso a leitura e apenas consigo vislumbrar um Vasco cansado, ressabiado a agora sem o “pulimento” que já exibiu em tempos.  Continua porém Valente, supostamente arrogado na valentia típica do leão enfurecido quando falha sucessivamente as suas arremetidas.

Porque insiste Vasco em atacar o candidato Sampaio da Nóvoa? Porque não gosta do estilo, da forma, do conteúdo, ou quiçá da figura? Porque não se revê (claro!) num discurso diferente, na defesa das causas da cidadania que tenta reposicionar a costumeiro fraseamento político-partidário? Porque não aceita que um brilhante académico, com provas dadas no Ensino Superior Público, com teses e escritos sobre o ensino e a formação em Portugal, reconhecidas por sensibilidades tão diversas da vida pública portuguesa, se posicione como “mais um de cada um de vós”, dizendo claramente ao que vem e o que se propõe fazer?
O que faz mexer assim a idiossincrasia retorcida do Vasco, o mais velho dos velhos de um Restelo recuperado? Para quem escreve este diletante personagem, que se deve julgar apóstolo da descrença lusitana e do mais retrógrado sentimento apócrifo de um nacionalismo borolento? Oh Vasco, atenta por exemplo Amós, que diz, "Aos profetas ordenastes, dizendo: Não profetizeis" (Am 2.12 cf. 7.10-13).

Numa coisa acerta o Vasco, quando afirma “…há milhões de portugueses que podiam com a mesma cara garantir o mesmo”, sendo que na interpretação livre do conceito radica a ideia (correcta) de ter na Presidência da República, talvez pela primeira vez, um Homem que defende uma cidadania efectiva e plena. Lembro apenas, “Dou-me a esta candidatura sem hesitações, sem calculismos, sem medo. Em nome da liberdade, da dignidade e do futuro. A candidatura pertence aos portugueses. Darei tudo o que puder, o melhor de mim mesmo, mas sei que esta tarefa só tem sentido se for vivida e assumida, por inteiro, pelas mulheres e homens deste país, de todas as terras, de todas as origens, de todas as condições.[2]” Se tal não diz nada ao Vasco, dirá porventura a milhões de portuguesas e portugueses, cansados da retórica e do distanciamento.

Vasco é passado, o nosso Candidato é futuro. É isso que irrita o Vasco. Claramente, o que escreve é mesmo…uma vergonha!



[1] Referência a crónica de Vasco Pulido Valente, jornal Público, 11 de Dezembro 2105
[2] Extracto da Carta de Princípios da candidatura a Presidente da República de António Sampaio da Nóvoa
(Porto, 25 de Maio de 2015)

22 novembro 2015

A ESPERA

Sofre mais aquele que espera sempre
do que aquele que nunca esperou ninguém?...”
Pablo Neruda


Numa altura em que se espera pela decisão presidencial e se tenta perceber a razão da demora, passam as notícias pelas misérias de uma elite atabalhoada e presa ainda pela surpresa e pela vaga que emerge de uma nova relação de forças. Todavia, eles não desistem, como se fossem senhores de tudo e de todos, disparando para todas as direcções, na tentativa vã de manter privilégios e poderes mais ou menos ocultos, donos que se julgam até de algumas consciências. É verdade. E funciona, pela astúcia, pela intimidação e pela vil arma da mentira descarada e despudorada. Todavia, se achamos normal que os senhores do poder e do dinheiro, estrebuchem com a hipótese do governo das Esquerdas, espantamos com opiniões colhidas e ouvidas, aqui e ali, de cidadãos anónimos que reproduzem, quais papagaios amestrados, as mesmas frases, as mesmas estafadas alarvidades, para além dos mais despudorados ataques a inteligência, vomitando ódio, nos fóruns da rádio e nas redes sociais. Pergunta-se o porquê e mais não se vislumbra a não ser a mais completa lavagem ao cérebro que há memória no nosso País, levada a cabo pela Direita reaccionária. E que, sob a forma de avantesma, como lhe chama J. Pacheco Pereira, “…aparição de uma pessoa morta, pessoa ou objecto assustador, disforme ou demasiado grande[1], parece ensombrar ainda o panorama político, ou pelo menos a cabeça daquelas e daqueles que se deixam ensimesmar.

O problema principal é que esta gentalha decide e faz o que bem quer e parece não haver forma de lhes travar o passo. Parece mais uma inevitabilidade, que aliás sempre foi bem tolerada em Portugal: mesmo sabendo que roubam, “eles roubam todos, são todos iguais, portanto mais vale deixar ficar lá estes, do que outros…”. Um dos melhores exemplos de roubo é o negócio de venda da TAP, conforme vem espelhado no Jornal Expresso, onde se pode ler “Cabe ao Estado português, ao abrigo do acordo entre a Parpública e os bancos, assumir o risco de incumprimento da dívida da companhia aérea portuguesa, À banca é mesmo conferida a prerrogativa de renacionalização da TAP. Estão em causa 770 milhões de euros[2]. Um outro exemplo, também deveras elucidativo é o da hipotética “devolução” da sobrecarga do IRS, que agora se verifica ser zero, quando na véspera das eleições andava pelos 35% e serviu desta forma para angariar mais alguns votos, bastantes decerto. E se neste caso da sobretaxa, a Direita fez o mesmo durante 4 anos, ou seja, mentiu descaradamente ao País, sobre os números da execução fiscal, para tentar mostrar um paraíso que lhes desse (e deu, de facto…) votos e tal configura aparentemente apenas um pretexto para o julgamento político, já o caso da TAP, configura para além desse, uma eventual possibilidade de julgamento criminal. Lendo a notícia do Expresso, “As negociações de última hora deram aos bancos a segurança de que, se for necessário, o Estado repõe a garantia pública à dívida bancária”, sublinhando ainda que “em causa estão quase 770 milhões que euros, que incluem uma dívida bancária de 646,7 milhões e 120 milhões adicionais pedidos pelo consórcio comprador para o financiamento corrente”. Então, na base destas afirmações, competirá ao Ministério Público instaurar o respectivo processo-crime contra o Secretário de Estado que conduziu as negociações. Ou será que só existe um caso no País de delapidação dos bens públicos, ainda assim eventual? Os recentes chumbos e outras chamadas de atenção do Tribunal de Contas indiciam claramente eventuais irregularidades e até fraudes em praticamente todos os negócios efectuados pelo Governo, designadamente nas diversas privatizações.

Se tal não bastasse para (re)definir esta Direita, ela aí está na verdade dos factos, a indesmentível prova que se mete pelos olhos dentro. É só mesmo preciso estar atento e ler os sinais. O Presidente em exercício é hoje a cara dessa Direita, ou melhor de uma certa facção partidária, exercendo os seus últimos dias no cargo, com um desplante completo de desprezo pelas outras forças partidárias e, obviamente por um País na sua plenitude. Ainda que definitivamente morto, mexe ainda, sempre para o mesmo lado, assustando assim os portugueses e ajudando objectivamente toda a desestabilização, provavelmente para semear uma qualquer solução autoritária, bem ao seu perfil e gosto pessoais.

Mas há, felizmente, pessoas atentas. Ao assinalar a passagem do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza e dos Sem-abrigo[3], o economista Carlos Farinha Rodrigues responsabilizou o actual governo pelo agravamento da pobreza em Portugal e alertou que mesmo havendo uma mudança de políticas, o país vai demorar "muitos anos" até conseguir reparar os danos causados. Na opinião deste economista, “… mesmo que haja uma inversão das actuais políticas e mesmo que o actual Governo seja substituído por outro disposto a combater a pobreza e a exclusão social, vai demorar muitos anos até reparar os danos que ocorreram durante estes três ou quatro anos". Este é seguramente o caminho do futuro governo que se espera e, se a espera desespera, saibamos no mínimo, estar conscientes que a solução das Esquerdas seja seguramente sólida para conseguir inverter o rumo.




[1] Extraído do artigo de 21 de Novembro 2015, no Jornal Público
[2] Extraído do artigo publicado na edição de 21 de Novembro 2015
[3] No passado 17 de Outubro