rio torto

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13 abril 2019

ONDE ESTÁ O “ESTADO SOCIAL”?


Parece evidente que a defesa do Estado Social poderá ser uma das determinantes da luta contra o sistema neoliberal, que afinal pretende a sua menorização, quiçá a sua destruição completa.
Para quê afinal?
A premissa que dita o fim do Estado Social, não é mais que aquela que prevê a progressiva privatização do próprio Estado. O curioso da questão é que, sendo o Estado a emanação de uma forma de dominação (consentida ou não) e sendo função do próprio Estado, garantir  a reprodução da coesão social, também não é menos verdade que ela supõe a superação das formas políticas existentes. Daí, a geração contínua de uma série permanente de “jogo”, entre capital e trabalho, no sentido de uma quebra de equilíbrio, em que os lados da balança não têm objectivamente o mesmo “peso”.

A entrada em cena de actores cuja função parece ser a de justificar (e manter intacta) a dominação, provoca e amplifica os (tais) desequilíbrios. O exemplo das notícias vindas à liça, da “necessidade premente de trabalhar até aos 69 anos” para manter o sistema de Segurança Social, é paradigmático. 

Pretende-se em primeiro lugar, marcar agenda com um tema em a direita partidária se mexe sempre como num pântano. Pronta a mostrar as garras, não “pode” porém defender abertamente o fim do Estado Social e a sua progressiva privatização. Vai por isso contornar a questão, lançando achas na fogueira branda da “sustentabilidade”, alimentando o “fogo”, com receitas aparentemente “lógicas”, mas contudo, facilmente desmontáveis. Embora o primeiro impacto, seja o de promover a confusão, pelo medo. Uma estratégia antiga.

Uma segunda via, é da proclamação das “facilidades” que devem, na sua perspectiva, ser dadas às empresas. Que, no entender da Direita, produzem a riqueza das nações e, como tal, devem sempre ser “protegidas”, com mesmo impostos, e com benesses à sua proliferação. Contudo, tal não é verdade, embora “passe” bem, na propaganda falaciosa dos proteccionistas. Será sempre necessário e tremendamente actual dizer, que a riqueza é produzida por quem trabalha. E que, na lógica do sistema, é explorado, porque assim deve ser e, no entender “deles”, assim será, para sempre.

A necessidade premente da defesa do Estado Social, poderá ser uma etapa intermédia da luta anti-capitalista. Não para “salvar” o sistema, mas (para já), no sentido de proporcionar o desequilíbrio no próprio sistema e na exploração das sua contradições internas. Afinal, para contribuir para que as condições objectivas para a mudança, se vão construindo.
O que significa, hoje, defender a diminuição progressiva do horário de trabalho e a diminuição da idade da reforma. Ao mesmo tempo, mais e melhor trabalho, até ao objetivo do pleno emprego.

03 abril 2019

NATO, 70 ANOS DE UMA ORGANIZAÇÃO TERRORISTA



















































A NATO é responsável pelas maiores atrocidades contra os Direitos Humanos e contra a Paz mundial. É esta organização bélica, ofensiva e agressiva, que ensaia frequentemente um discurso falacioso, e que, na realidade, tem prosseguido o caminho de lançar verdadeirasguerras de agressão e expansão.

E, na verdade, os factos falam por si. Um dos exemplos da escalda terrorista, em que a NATO participou, particularmente desde o ano 2008, ou que a própria NATO promoveu, directa ou indirectamente, uma vez que a organização dispõe do mais avançado sistema de espionagem e contra-espionagem que existe, a nível mundial, financiado pelo Pentágono e pela UE, esta última, através das “contribuições” dos cidadãos e dos Estados, a pretexto da “defesa”  e de uma pretensa “segurança”.
Na realidade, sucederam-se, quer desde aquela data, quer desde a fundação, actuações criminosas da NATO, nomeadamente na Líbia, no Iraque, no Afeganistão e na Jugoslávia. A estrutura militar da organização tem servido os EUA e os seus aliados, na sede de domínio militar, de controlo de recursos naturais e de mercados e de superioridade geoestratégica, em prejuízo de milhares de vidas humanas, destruição de países e recursos, uma actuação perfeitamente ao arrepio da Carta das Nações Unidas.

Um exemplo substantivo, acontece em Maio de 2013: um encontro de John McCain com terroristas, em território sírio ocupado por estes, junta  Ibrahim al-Badri, mais conhecido por Abu Bakr al-Baghdadi, inspirador, criador e dirigente do auto-proclamado Estado Islâmico. Por esta altura, “...já os Estados Unidos faziam constar, entre alguns parceiros de guerra, a intenção de montarem um dispositivo terrorista de grande envergadura para reforçar as intervenções no Iraque e na Síria. Estava em curso, entretanto, uma acção de transferência para a Turquia, com destino à Síria, de mercenários islâmicos que tinham actuado sob o comando da NATO na operação de destruição da Líbia.”[1]
No ano seguinte, a 18 de Fevereiro de 2014, “...a conselheira nacional de segurança dos Estados Unidos, Susan Rice, convocou os chefes dos serviços secretos da Arábia Saudita, da Turquia, do Qatar e da Jordânia para Amã, onde lhes comunicou a reestruturação do «Exército Livre da Síria» e, nesse âmbito, a montagem, com supervisão saudita, de uma vasta operação secreta para remodelar as fronteiras regionais.”[2]
Toda a “escalada militar”, a designação dada pelos EUA, àquilo que foi a montagem de um dispositivo terrorista de grande envergadura, destinado a reforçar as intervenções no Iraque e na Síria, passaria de facto por uma acção de transferência para a Turquia, com destino à Síria, de mercenários islâmicos que tinham actuado sob o comando da NATO, na operação de destruição da Líbia.
Hoje, “...o governo legítimo da Síria continua em funções, embora parcelas do território estejam ocupadas por extensões da NATO, com base até em limpezas étnicas – como aconteceu no Norte, onde as vítimas foram comunidades cristãs e árabes expulsas à força para deixar espaço aos curdos da YPG.”[3]
A NATO, insistindo na política de agressão contra a Síria, é responsável também pela criação do designado “Exército Livre da Síria”, uma organização de mercenários, que mais não são que efectivos do Daesh, devidamente reciclados pelo regime ditatorial de Erdogan na Turquia, criando a ilusão fantasiosa de seriam desertores do Exército Nacional.


A NATO faz 70 anos. Marcados definitivamente por uma vocação tão “democrática”, que admitiu, logo à nascença, o regime da ditadura fascista de Salazar. E logo a seguir, em 1952, as ditaduras da Grécia e da Turquia. Obedecendo a uma lógica expansionista, opressora e agressiva, tendo como base, conter os avanços dos povos e as revoluções de libertação social e nacional. “Da teia secreta de exércitos clandestinos desenvolvida pela NATO com vista à realização de operações terroristas de cariz anti-comunista (que em Itália colheu o nome de Operação Gládio), à hostilidade para com a Revolução dos Cravos no nosso país, ou à complacência com a invasão de Chipre pela Turquia, no mesmo ano de 1974. Foi pela mão da NATO – e da União Europeia, seu pilar europeu - que, depois de todos os horrores do nazi-fascismo, a guerra voltou ao continente europeu[4]. Onde antes existia uma hipotética “protecção” ao Ocidente, “contra a ameaça do comunismo”, hoje, que a “ameaça” terá terminado, é necessário que a indústria do armamento sobreviva e, para tal, é necessário encontrar novos inimigos, promover (sempre) a guerra, saquear recursos, como por exemplo, o petróleo.

A NATO, é no entender do CPPC[5], “a principal ameaça à paz na Europa e no mundo”. Em Abril do ano passado, o CPPC divulgou um texto, onde se salienta que “...o povo português, em importantes momentos, expressou a sua clara opção pela Paz e contra a participação de forças portuguesas em agressões a outros povos, reafirmando a necessidade de se respeitar as aspirações à paz do povo português e lembrando que essa vontade não foi respeitada por sucessivos governos, que deram o seu apoio às acções da NATO”.[6]

E não é por acaso que hoje, Trump diz a Stoltenberg[7], “A NATO é mais forte desde que sou Presidente”, tendo garantido que “...a sua acção e exigências ajudaram a reforçar o papel da Aliança Atlântica.”[8].  Stoltenberg reconheceu que “...o facto de os aliados estarem a reforçar os seus orçamentos de defesa, como exigido pelos EUA, está a ajudar a organização “a cumprir melhor o seu papel”. O secretário-geral da NATO elogiou o “compromisso com a NATO” de Trump e referiu que “a mensagem clara” do chefe de Estado “está a colher os seus frutos”, com um maior investimento em defesa. Trump elogiou Stoltenberg, como um “líder fantástico”, com quem “estabeleceu uma forte relação de trabalho” em dois anos e meio e que conseguiu fazer com que a contribuição dos outros membros aumentasse mais 64 mil milhões de dólares e vá a caminho de 100 mil milhões de dólares até ao final de 2020. O Presidente admitiu até a possibilidade de mudar esse patamar dos 2% do PIB: “Se calhar, terá de aumentar”, afirmou.”[9]

Hoje, 70 anos passados, é imperativo reafirmar e denunciar a natureza agressiva da NATO e os objectivos belicistas das suas intervenções, em todo o mundo. É necessário exigir: o fim do financiamento da NATO e das guerras; o fim das guerras de agressão e ocupações militares por parte da Aliança Atlântica; o desmantelamento do sistema anti-míssil dos EUA/NATO e o encerramento das bases militares em território estrangeiro; o apoio aos deslocados e refugiados, vítimas das guerras promovidas e apoiadas pela NATO. 

Finalmente, é imperioso retomar a exigência de dissolução imediata da NATO, a abolição das armas nucleares e das armas de destruição massiva, e o desarmamento geral.



[1]Extraído do artigo “DAESH, a história escondida”, de José Goulão, a 15 Fevereiro 2018, disponível em: https://www.abrilabril.pt/internacional/daesh-historia-escondida            
[2]Idem, ibidem.
[3]Idem, ibidem.
[4]Extracto do texto Contra a NATO, a guerra e o imperialismo, a necessidade da luta pela paz”, de 13 Fevereiro 2013, disponível em: 
[5]Conselho Português para a Paz e Cooperaçãoé uma “Associação herdeira do movimento da paz na luta contra o fascismo e o colonialismo” (Art. 1º dos Estatutos da organização).
[7]Secretário-geral da Aliança Atlântica, desde Outubro de 2014. Norueguês, economista de formação, Jens Stoltenberg ocupou diversas pastas ministeriais no Governo, nos anos 1990 e foi primeiro-ministro do país duas vezes: entre 2000 e 2001 e, mais tarde, entre 2005 e 2013.
[8]Notícia do Jornal Público, de 3 de Abril 2019, disponível em: https://www.publico.pt/2019/04/02/mundo/noticia/encruzilhada-velha-alianca-atlantica-1867772          
[9]Idem, ibidem.

28 março 2019


13 ANOS DEPOIS...














































Há 13 anos atrás haveria de nascer a ENGENHO&OBRA, no ISEP, Cidade do Porto, Portugal
Na Conferência de fundação (12 Maio 2006), afirmei “Podia ser somente um sonho, porque afinal é o sonho que comanda a vida...”. E que aquela designação social, aquele nome, deixava antever a propensão para o talento, imaginação ou invenção (engenho, do latim “ingenium”), bem como para a concretização orientada (obra). 
Mudou algumas vezes de local, sempre no interior do campus ISEP, até que, em 2012, teria direito a uma Casa própria. O meu Amigo Fernando Alves, assim a descreveu, em Maio 2015, aquando da visita da TSF à Associação: “Uma pequena casa térrea, a antiga casa do guarda do ISEP, serve de sede à E&O”.
Hoje, 28 de Março, deixo as funções directivas, que exerci, durante estes anos, um verdadeiro Projecto de Vida, consagrado à Cooperação para o Desenvolvimento.
A única coisa que transcende a existência do ser humano é a sua obra”, diria Gorky, nada que surpreenda quem tentou aliá-la ao Engenho.
Tentou. 
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Aqui deixo o texto da mensagem que enviei, para ser lida, na Assembleia-Geral, para eleger os novos Corpos Sociais, para o triénio 2019/2022
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Caríssimo Presidente da Assembleia-Geral E&O
Colega e Amigo Fernando Maurício,

Dirijo-me hoje, neste dia 28 de Março de 2019, à Assembleia-Geral, na impossibilidade de estar fisicamente presente, devido a razões de foro clínico.
E faço-o, por me sentir a tal obrigado, na qualidade de Fundador, de ex-Presidente e de ex-Membro da Comissão de Gestão, que ora termina o seu mandato.

Iniciei, no ano de 2005, em conjunto com colegas do ISEP e da FEUP, contactos para criar uma entidade que fosse capaz de consubstanciar iniciativas e projectos, dirigidos fundamentalmente aos países de língua oficial portuguesa e tendo como base os princípios da Cooperação para o Desenvolvimento. Todas e todos nós possuíamos alguma experiência pessoal na matéria, fruto de intervenções pontuais, sobretudo em Angola e Moçambique. O principal objectivo era, partilhar conhecimento e práticas, entendendo que uma Associação, que envolvesse pessoas e organizações, seria a melhor forma de consubstanciar tal desiderato. No ano seguinte, haveria de nascer a ENGENHO & OBRA, com o alto patrocínio e apoio do ISEP, cuja Missão iria reflectir os propósitos que inicialmente foram apontados, com particular realce para os “...projectos integrados de engenharia”.[1]

As funções directivas que desempenhei até hoje, como Vice-Presidente (desde a fundação em 12 de Maio de 2006, até 24 de Novembro de 2007), na qualidade de Presidente (de 25 de Novembro de 2007, até 23 de Março de 2017) e como Membro da Comissão de Gestão (daquela data, até hoje). Durante 13 anos, tive o privilégio de trabalhar com muitas pessoas e instituições, das quais guardo estima, consideração e respeito. 

Contribuí para a construção de uma Entidade, que apostou numa marca própria, circunstância a que não é alheio o prestígio que a alcandorou a nível nacional e internacional. 
Foram feitos centenas de contactos, estabelecidos dezenas de protocolos, com entidades nacionais e internacionais, públicas e privadas, governamentais e não-governamentais. Foi sempre minha orientação de Presidente, levar a ENGENHO & OBRA, mais longe, no País e fora dele.
Assim aconteceu, e foi com o apoio da Escola Superior de Educação do Politécnico de Lisboa, aberta a Delegação da capital, logo após a fundação, que funcionou até ao ano de 2012.
Foram criadas também as Delegações em países de língua portuguesa: Delegação em Dili - Timor-Leste (entre 2007 e 2011), delegação em Luanda - Angola (desde 2006), Delegação em Maputo – Moçambique, com sede própria na Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane (entre 2006 e 2011) e Delegação em Praia – Cabo-Verde, com sede própria no SIPROFIS - Sindicato dos Professores da Ilha de Santiago (desde 2009). Através delas e dos ilustres Delegados, Mara Vieira (Timor-Leste), Guido Campos (Angola), Maqueto Langa, (Moçambique) e João Pedro Cardoso (Cabo-Verde), foram dados passos gigantescos, nas participações directas em Projectos Internacionais apoiados pela Cooperação Portuguesa, na pesquisa e celebração de Parcerias, na participação em Congressos Internacionais, na identificação de interessados nas Formações GPSI, e finalmente na difusão de conhecimento, partilhado entre a Europa, África e Ásia.

Contribuí ainda, para: o registo da ENGENHO & OBRA, como Organização Não Governamental para o Desenvolvimento, no Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), do Ministério dos Negócios Estrangeiros, 4 meses após a fundação; o  reconhecimento, como ONGD Internacional, através da adesão à Plataforma Portuguesa das ONGD, no ano de 2006; a acreditação como Entidade Formadora, junto do Instituto para a Qualidade na Formação, no ano de 2007. 
Destaco que, naquela Plataforma, propus a intervenção da ENGENHO & OBRA, em diversos Grupos de Trabalho sectoriais, tendo integrado um deles, durante 5 anos. Propus também, e foi aceite, a integração de uma colega da Escola de Saúde do P. PORTO, como representante nacional, no Grupo de Trabalho da CONCORD “Food Security”, em Bruxelas, no ano de 2015.

Orgulho-me de ter participado directamente, como co-autor na grande maioria dos Projectos que a ENGENHO & OBRA apresentou, a instâncias nacionais e internacionais, até ao ano de 2015, bem como intérprete activo, nos 8 Projectos aprovados e financiados, entre os anos 2007 e 2014.

Contribuí activamente no CLME - Congresso Luso-Moçambicano de Engenharia, uma iniciativa conjunta da FEUP e da Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane, desde o ano de 2007, e incentivei muitos colegas, do ISEP e de outras Instituições de Ensino Superior portuguesas, a apresentar comunicações, o que veio a acontecer, nas edições CLME de 2008 e de 2011, em Simpósios sobre “Cooperação para o Desenvolvimento”, organizados pela ENGENHO & OBRA no seio do Congresso.
E, a propósito de difusão e partilha de conhecimento, destaco mais de uma centena de textos produzidos e mais de 50 comunicações apresentadas, em Portugal, Bélgica, Espanha, Itália, Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

Partilho todos os sucessos, que foram imensos, com todas e todos os Colegas dos diversos Corpos Sociais da ENGENHO & OBRA, muito particularmente com os Directores. Mas também os partilho com todas/os Técnicos que passaram pela Associação, desde o Secretariado, Informação e Comunicação, até à área de Projecto. Nada seria possível sem elas e eles, que merecem para mim, um respeito imenso. E finalmente, também os partilho com as Entidades que colaboram com a Associação, os Fundadores, ISEP, OXYS e Escola Superior de Educação de Lisboa. 
Relativamente aos insucessos, que ocasionaram breves momentos de instabilidade, insatisfação e algumas dificuldade e apertos de tesouraria, assumo-os por completo, porque foi sempre minha a responsabilidade primeira. 

Durante estes longos anos, vi partir muita gente boa, que fez história, pelo seu brilho, prestígio e sucesso. Lembro aqui, os Associados, Olímpia Soutinho, José Augusto Rocha e Silva e Raimundo Delgado, colegas e Amigos de longa data. Deles guardo tantas recordações e cumplicidades e um enorme respeito. 

Foi por vontade própria que decidi afastar-me dos cargos directivos da ENGENHO & OBRA. Algum cansaço e desgaste, típicos das lides associativas. Mas sobretudo por considerar que a Associação deve afirmar outra identidade, em termos de novos protagonistas. 
A elas e a eles, formulo votos de que sejam capazes de continuar a prossecução da Missão e dos grandes Objectivos, consubstanciados nos Estatutos da Associação. As maiores venturas e felicidades também. 

Quero finalizar, afirmando que eventuais participações ou simples contribuições da minha parte, na qualidade de Associado de base da ENGENHO & OBRA, serão objecto de análise das respectivas condições concretas e, na medida exacta que os futuros dirigentes da Associação, saibam e sejam capazes de querer integrar, saber e conhecimento adquiridos.

A todos um muito obrigado.
Com muito respeito e alta consideração,
Alfredo Soares-Ferreira”


[1]In Missão da E&O: http://www.engenhoeobra.org/index.php?lg=1&id=3                  

08 março 2019

8 MARÇO – O DIA!



As palavras mais belas que conhecemos são no FEMININO: Liberdade, Insubmissão, Justiça, Democracia, Independência, Soberania, Greve, Luta, Revolta, Revolução e tantas e tantas outras que usamos e nem damos conta do poder que têm (detêm).

Se a Vida é no género e dele vem, por força da natureza e à razão do ser e do estar no Mundo, ela tem decerto um sentido, que remete ao mais profundo de nós e nos faz pensar, na PARTILHA e no RESPEITO. Esta, no masculino, tantas vezes vilipendiado, maltratado e atentado.

Hoje, um dia que é ELA, que será dela, se ela quiser e quer decerto, no mínimo para lembrar, outras palavras, que de belas nada têm, como as outras: Injustiça, Maldade, Perfídia, Cegueira, Submissão, Morte,...

Sendo as palavras, apenas isso, elas podem ser HOJE, atiradas ao vento e às trombas daqueles que dominam o mundo e desprezam Direitos, Valores e Respeito. É para esses (e eventualmente algumas essas) que numa só palavra, sintetizamos o que nos vai na alma:
BASTA!

20 janeiro 2019

A ROUPA CRIMINOSA 

















A notícia de 19 de janeiro, da apreensão, pela GNR, de 62 mil peças de roupa contrafeitas, avaliadas em 1,4 milhões de euros, não surpreende minimamente quem ande (mais ou menos) atento a notícias, de um dos lados da economia.
Pode parecer surpreendente que, em pouco menos de um ano, tenham sido apreendidos mais de 50 mil euros de idêntico material. Na realidade, 23 mil, em Fevereiro, mais 25 mil em Agosto de 2018, para já não falar o anúncio, em Junho, da “descoberta” de uma eventual rede, que vendia na internet, artigos “...com preços muito apelativos”.
Tudo, refira-se, no Norte do País, entre Vila Nova de Famalicão, Penafiel, Cabeceiras de Basto, Matosinhos e Valença.
Não deixa de chocar que tamanha criatividade seja objecto de repressão policial. Chamem-lhe contrabando, um termo que dá para tudo, ou (mais sub-repticiamente) contrafacção, o certo é que nos habituamos, desde há dezenas de anos a esta parte, de comprar, em feiras, mercados e outras “praças”, por esse País dentro, as camisas, calças, pólos, “kispos” e outro vestuário, ostentando as marcas da grande moda, por preços que, em alguns casos, se pode dizer serem 10 vezes mais baratos que o original. Deve dizer-se, para quem anda mais distraído, que muitas vezes, nem sequer se dá pela diferença.

Claro que o Estado, sempre presente a atento nestes casos, não quer deixar por (para) mãos alheias a cobrança do imposto respectivo, quando se trata de produto manufaturado, ou simplesmente “transformado”. Muito bem. O Estado é isso mesmo (e acima de tudo) o garante do primado da Lei (que segundo se diz agora, afinal não é igual para todos...) e da Ordem (burguesa, segundo aprendi, e ao que parece, bem). Só é pena que, o mesmo Estado, não seja assim zeloso, quando se trata de cobrar impostos às grandes empresas, aos grandes grupos económicos, quando aquelas (e muitos têm sido os exemplos) se recusam a pagar. Seria interessante, por exemplo, mandar a GNR prender o Joe Berardo, que “deixou” uma “pequena dívida” à CGD, no valor “ridículo” de 280 milhões de euros. Apenas para deixar o povo mais tranquilo, o Estado Português, através do Governo da República, anunciar que vai devolver (ao tal povo), nada mais nada menos, que os 13 mil milhões de euros que, até ao ano 2017, havia “gasto” a salvar os bancos, curiosamente os mesmos, que arquitectaram, engendraram e produziram a crise de 2008. 

Acontece que a criatividade do Estado é, por assim dizer, muito pouco criativa. Parece que os sucessivos Governos (e este incluído), não querem ver o que parece tão simples e que, com um pequeno golpe de mágica, poderia colocar uma rolha na boca daqueles que, todos os dias, se entretêm a difamar o seu bom nome. E mesmo dando de barato que devemos defender o património do Estado, facilmente concluímos da ligeireza que tem havido na sua preservação, cuja responsabilidade compete exclusivamente aos governos. Daí à ira incontida dos cidadãos, vai uma fronteira muito ténue.

Recordemos aqui o inenarrável Cavaco e ao seu consulado de 8 anos, que devastou o País. Os seus governos deitaram por terra o tecido empresarial português, nomeadamente no caso dos têxteis, no tempo em “choviam” torrentes de euros novos para “distribuir”, para quem quisesse destruir qualquer coisa, em nome da sacrossanta União, em que ninguém (ninguém é na realidade, um exagero...) ousava tocar, para proteger os direitos dos “nobres” alemães e, na altura, também, dos franceses. Da agricultura às pescas, passando por tudo o que significava riqueza nacional, foi alegremente destruído, transformando este País num imenso mar de asfalto, para gáudio das grandes empresas, que entretanto foram todas “almofadadas” pelo tal Estado, na montanha mal parida das famigeradas PPP. 

E porque razão ficamos de boca aberta com a repressão à “contrafacção”? 
Primeiro, porque gostaríamos de saber se alguém, com imaginação, não se tenha ainda lembrado de tentar integrar este ramo de economia paralela no circuito “normal” da economia nacional, tão carente de mais-valias. Lembrem-se por exemplo, dos rios de dinheiro e das garantias que são dadas (e o termo é mesmo esse, dadas, porque na maior parte dos casos, o são, sem quaisquer contrapartidas) às grandes empresas, para abrir mais um centro comercial (há tão poucos, afinal...). Ficaria seguramente mais barato, atribuir uma linha de crédito, mesmo a custo zero, para enquadrar a actividade destes pequenos empresários, oferecendo-lhes instalações (ainda que somente no primeiro ano) e facultando-lhes apoio a nível de design gráfico e de apoio à promoção de uma marca própria. Ninguém se lembra disto, no universo profícuo de tanta imaginação criadora, neste País de navegadores?  Em vez disso, abundam os tais “empreendedores”, que contratam “colaboradores” e que, depois de uma lavagem ao cérebro, vão abrir “empresas emergentes”, ou startups, que irão fechar meio-ano depois.
Segundo, para perguntar a quem de direito (...) se tal repressão vale mesmo a pena, uma vez que, o dito negócio vai mesmo “nascer” uns meses depois, noutro lado qualquer?
Terceiro, devemos sentir-nos “culpados”, ou mesmo “criminosos de delito comum”, quando compramos um pólo “ralph laurent”, na feira da esquina, quando o deveríamos ter adquirido naquela loja linda do centro comercial? 

Pensem nisto. Ao mesmo tempo que pensam, não gostariam de saber (já agora) para onde vai a tal roupa que foi apreendida? Fica para a GNR? Passa a património do Estado? Vai ser doada? Leiloada? Se alguém souber, que me avise, se faz favor. Obrigado.

01 janeiro 2019

A BALANÇAR TODO (um) ANO...


































De como se transfigura 
a figura
Será que perdeu o Norte?
ou apenas a roda da sorte?

De como as perdas 
se transformam em lucros
Será mestria?
ou a morte da poesia?

De como as derrotas
fazem lembrar vitórias
Será magia?
ou apenas fantasia?

De como os sorrisos
parecem esgares
Serei eu a ver mal?
ou há dessintonia no canal?

De como as alianças
Parecem estultas
Será estratégia elaborada?
Ou apenas ... nada?

De como a pobreza 
parece hoje mais “aprimorada”
Será a força da razão?
ou um sistema sem solução?

De como a Revolução
parece uma miragem
Será que é desalento?
ou “culpa” do pensamento?

De como andamos todo ano
aos papéis
Será confusão minha?
ou por contar com o ovo no cu da galinha?



De como o teu olhar
me parece triste
Será que te enganaste na flor?
ou perdeste o amor?

De como disfarçamos 
a revolta
Será que deixamos de sentir?
Ou andamos a dormir?

De como acontece perder a esperança
e baixar os braços
Será a desistência?
Ou a solene aquiescência?

De como se aclama a desgraça
na vil e torpe notícia
Será que é o apocalipse
ou (mais) uma filha-da-putice?

Do como as vozes que nos oprimiram
vêm agora reclamar espaço
(e prometer o idílico)
Será que se querem retratar?
ou apenas (mais uma vez) nos enganar?

De como parece que perdemos sempre
apesar daquele empate milagroso
Será o (tal) destino impiedoso
ou algo (ainda mais) misterioso?

E SUBITAMENTE:
De como nos levantamos do chão
E deixamos para trás o medo
E removemos montanhas se preciso for
P´ra colocar uma justiça melhor
E fazemos das tripas coração
(maldito silêncio!)
Par o ano é que vai ser
A Luta é para valer!
(doa a quem doer)

26 dezembro 2018

  ACERCA DA QUALIDADE DE VIDA





A propósito de uma semana passada na ilha de Malta, quero reflectir aqui sobre um tema que, sendo na realidade transversal, nos tempos que correm, a todas as sociedades, não parece contudo ser tratado com profundidade e inteligência. A qualidade de vida deveria ser, neste século, a primeira das exigências, a que obviamente se juntariam outras, quiçá recorrentes e que têm a ver com a erradicação da pobreza, a defesa e a preservação da natureza e do ambiente, a igualdade plena de direitos de todos os cidadãos, enfim, o equilíbrio sustentável entre homens, animais e natureza, numa simbiose de sentimentos, direitos, deveres e felicidade. Mas, que fique claro, que nada disto tem a ver (ou tudo tem a ver...), com a natural e óbvia diferença de atitude e de interesses entre que produz e quem se apropria do trabalho produtivo, no fundo a grande questão que só ficará definitivamente resolvida quando deixarem de existir as classes sociais, como as conhecemos.

Num País com cerca de meio milhão de habitantes, e com a maior densidade demográfica do continente europeu, pude apreciar, natureza, cultura, respeito pelo ambiente, simpatia e consideração pelas pessoas. Também, deve dizer-se, um carinho muito especial pelos gatos. Malta não tem, ao contrário da grande maioria dos países ditos desenvolvidos da Europa, nem auto-estradas, nem centros comerciais, nem comércio ao Domingo. Não tem, á excepção de um pequeno centro urbano de luxo ocidental, casas altas, nem arranha-céus.
Tem, durante a noite, um sistema de iluminação, que diria exemplar, por ser parco em intensidade luminosa, preservando assim a noite e a sua característica natural, diferente do dia solar. 
Sente-se uma segurança nas ruas, nas cidades e nas povoações, discreta e calma, apesar da tremenda confusão no trânsito, que seria caótico, se mais viaturas houvesse em circulação.
A capital do País, outrora La Valletta, agora simplesmente Valeta, é um paraíso de beleza, na arquitectura, nas igrejas e nos museus. Nota-se, no País, um desenho equilibrado das cidades, que são pequenas e acolhedoras. 

E a qualidade? Se a premissa que a associa ao desenvolvimento, é completamente falaciosa, pior ainda, quando é associada ao crescimento económico capitalista, particularmente no seu estádio actual, de uma economia favorável à alta finança e completamente contrária aos interesses e expectativas da grande maioria da população, os trabalhadores. E tal conduz inevitavelmente ao desrespeito completo das pessoas e dos seus direitos. 
Se pensarmos no ritmo de vida que nos obrigam a suportar, dependente de horários rígidos e cada vez mais intensos, ao tempo perdido em transportes públicos de baixa qualidade, ao horário de trabalho semanal que não preserva o lazer e a cultura e juntarmos a isso, os hábitos e rotinas do capitalismo impiedoso que estimula, a toda a hora, o consumo e o desperdício, materializado nas catedrais de consumo, que são os malfadados centros comerciais, que crescem a um ritmo perfeitamente assustador e que reduzem as cidades à sua existência, pela “imponência” e pela violência urbanística que representam, se pensarmos bem nisso, depressa chegamos à conclusão que não é possível conciliar esse modelo com a qualidade de vida, que falamos, que debatemos e até que exigimos. Porque simplesmente não há compatibilidade possível, nem sequer imaginária, com aquilo que é um antagonismo perfeito entre o ritmo actual de vida e a qualidade de vida. Enganamo-nos, pensando que que é possível conciliar o impossível.

E aqui entra a possível consideração de pensar como éramos antes felizes, sem tudo aquilo que o novo estilo de vida aparentemente nos “oferece”. Primeiro, porque esse (este) estilo de vida é complemente avesso à aproximação entre as pessoas e à sua integração, porque exclui em vez de incluir, porque elimina em vez de integrar. Segundo, ao defender o paradigma do crescimento a qualquer preço, que produz desperdício e destrói o equilíbrio entre o Homem, a natureza e os animais. Terceiro, porque ao impor o trabalho como norma universal inflexível, esquece que o ser humano não “foi feito” exactamente para trabalhar, mas sim para fruir o tempo, no lazer e na cultura, no prazer e no descanso, na aventura e na partilha. Ou, como bem dizia Agostinho da Silva [1], “O homem não nasce para trabalhar, nasce para criar, para ser o tal poeta à solta.”
Assim sendo, como se pode compreender então que o sistema de dominação capitalista imponha que se trabalhe mais e durante mais tempo? E, porque razão os trabalhadores aceitam o processo que os explora e que coisifica a sua actividade. A explicação está, segundo Marx [2], na alienação do trabalho e constitui, portanto, a essência da crítica do capitalismo como sistema económico e social.

Voltando a Malta, percebe-se que é (ainda) um país equilibrado de certa forma e porventura mais calmo e feliz, porque não cresceu talvez, da mesma forma que outros países, enredados na cena europeia, subordinada a regras e rotinas que são contrárias à qualidade de vida e, seguramente à felicidade das pessoas. Não vimos lixo nas ruas, não vimos pedintes. Não sentimos a pressão, que faz das cidades, um tormento de ruído e de lixo. Constatamos a existência de transportes públicos eficientes e baratos, não tivemos dificuldade em estacionar o carro em lado nenhum, mesmo contando que a época não é propriamente a mais propícia ao turismo de massas.

Talvez porque o momento seja adverso, talvez porque não é fácil (alguma vez foi?) mobilizar as pessoas, para pensar e agir, talvez por razões que nos ultrapassam, valha mesmo a pena questionar os modelos e paradigmas actuais que sufocam as pessoas e a natureza. E propor novos modelos e paradigmas que induzam o respeito, os direitos e a qualidade de vida para todos. 
Sobretudo não abdicando.
Na sua imensa sabedoria, Walt Whitman [3], dizia, ou melhor, apelava a que as pessoas não se resignassem, “A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.” E, acima de tudo que não caíssem no silêncio, “Não caias no pior dos erros: o silêncio.”, porque não se pode desistir de intervir, “Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Para não dizer que não falei de ... gatos.

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[1] Agostinho Baptista da Silva (1906 - 1994) foi um filósofo, poeta e ensaísta português.
[2] Karl Marx (1818 – 1883) foi um filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário socialista, de origem alemã
[3] Walter Whitman (1819 – 1892) foi um jornalista, ensaísta e poeta americano; as três citações, traduzidas do inglês, pertencem ao poema “Carpe Diem”, uma expressão recuperado do poeta latino Horácio (65 a.C.-8 a.C.)

24 novembro 2018

OS NOVOS RITUAIS















Arquitectados na base do preconceito ideológico infantil ou infantilizado e alimentados pela economia de casino, eles existem e comandam de tal forma a vida de milhões de pessoas, assumindo por vezes a figura patética, que os próprios, os que adoptam, ou aceitam os novos rituais, nem sequer se apercebem do logro, da mentira, ou de uma lavagem ao cérebro, na sua faceta mais perfeita.
Vêm quase sempre do mesmo sítio, passam o Atlântico e instalam-se, criam raízes, sob a hipotética capa de uma moderna aculturação pelo decadente e pelo mais puro banalismo. Tendo começado pela famigerada festa do halloween, sem qualquer raiz cultural por estas bandas, estende-se agora às chamadas sextas-feiras negras, ou black friday, a manifestação mais rasca do consumismo desenfreado, mas que encaixa muito bem na sociedade capitalista do século XXI, que nasce sob a égide da tentativa desesperada de um regime de pós-dominação, pela informação negativa e pela manipulação grosseira da consciência colectiva. E ainda pela cultura do consumo obsessivo, numa sociedade que cria desperdício e lixo, que vão entupindo as cidades e arrastando um autêntico exército de excluídos. 

Todos os dias e a toda a hora, somos inundados de propaganda. Seja ela qual for, muito embora aquela a que nos habituamos tenha a ver com anúncios de produtos e serviços que precisam de ser nomeados, para captarem a nossa atenção, mesmo que não precisemos deles, nem nos façam realmente falta, ou porque passamos bem sem eles, ou porque são perfeitamente inúteis para a nossa existência. A reacção das pessoas a este tipo de propaganda pode ser a mais diversa e depende do estado psicológico e até mental, podendo assumir as mais diferentes atitudes, dependentes também do estado emocional.
E é precisamente no apelo aos sentimentos mais básicos que estão as campanhas que encharcam a sociedade de produtos supérfluos, mas em que as pessoas são levadas a participar, a quererem ser as primeiras a chegar, sujeitando-se muitas vezes a imensas filas e digladiando-se por vezes por uma singela peça de roupa. A irracionalidade podia ser a nomeação para o negro da coisa, a coisa aqui está preta, na conhecida asserção do poema. Todavia, a cor negra era apenas uma imagem para a crise financeira que atingiu os Estados Unidos em 1869.  Adquire, porém, nova vida, no ano 2005, em Filadélfia, associado ao período de compras de Natal, aparentemente com preços mais baixos.

Apesar de sucessivos avisos de entidades que alertam para a defesa dos direitos dos consumidores, transformados por vezes em alertas para os preços fabricados umas semanas ou mesmo uns dias antes da negra sexta-feira, o facto é que o apelo é mais forte, uma vez que é intencional e bem arquitectado. Quase que se podia sintetizar na ideia, mesmo que não precises, compra, porque é mais barato.
Assim se constrói, destruindo. Porque é mesmo de aniquilamento que se trata, imagem patética de um mundo despersonalizado, potencialmente idiota e desprovido de sentido existencial.  Um mundo que cria artificialmente novos rituais, baseados no superficialismo e na falsidade. Um mundo baseado na exploração e na destruição, na manipulação e na desinformação, na mentira e na inação. Os novos rituais desenham perfis de escape, comportamentos recorrentes que afectam a saúde física e a saúde mental, a imagem pessoal e profissional e, basicamente o relacionamento interpessoal.

Se repararmos e pensarmos um pouco, encontramos a imagem do consumismo autoinfligido, nos centros comerciais que parecem surgir em toda a parte, alimentados pelo terrorismo publicitário e pela degradação completa do ambiente das cidades. O próprio ritual da “visita” ao centro de consumo, aos fins de tarde e aos fins de semana, é possivelmente o exemplo mais triste da degradação das relações entre as pessoas. Em vez de estarmos a criar cidadãos com autonomia, parece estarmos a potenciar indivíduos dependente a acéfalos. Sempre a bem do sistema e da sua manutenção e perpetuação.
Até ver.