rio torto

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03 maio 2019

A RELAÇÃO “DIFÍCIL” DO BE COM A QUESTÃO DA VENEZUELA


A excelente entrevista de Mariana Mortágua (MM) na RTP fica “manchada” com as declarações, a propósito da questão venezuelana. Aliás, a posição manifestada por MM, vêm na linha de outras declarações de dirigentes do BE e da própria Catarina Martins, que resume a sua posição, na fantástica alegoria, “Nem Maduro, nem Guaidó”. Felizmente (...) também tenho notado que, por outro lado, existem declarações de militantes e dirigentes BE, bem mais “sensatas” e, sobretudo, com alguma substância política.
E é aqui que a questão reside. MM disse, de uma forma absolutamente simplista, que o BE “está contra a deriva autoritária de Maduro”. Sem explicar o que isso significa, acrescenta que “deve haver eleições livres, tendo em consideração o pensamento do Secretário-Geral da ONU e do Papa Francisco”. Para além de não explicar (também) o que entende por “eleições livres”, partindo do princípio (fabuloso) que as “outras” não foram livres, depois de escrutinadas por centena e meia de observadores internacionais, vai ao “fantástico” de meter o Papa no meio da argumentação, como se competisse algum papel político ao chefe de uma igreja. Com todo o respeito aliás, pelas posições progressistas do senhor em questão.

Claro que este tipo de “análise”, nada tem de substantivo e em nada contribui para a discussão política da questão venezuelana. É um mau contributo para a Esquerda, que só se pode compreender pela falta de preparação política dos intérpretes em questão. Pior do que isso, acresce ainda, que a tentativa que parece ser de não tomar partido (“Nem Maduro, nem Guaidó”), representa um manifesto acto de oportunismo político.
Acontece que nada do que foi dito (e aqui referido) tem a ver com o essencial da questão. Ao contrário da tese (bastante partilhada) de que existe um “falhanço do Socialismo” e de ele ser o “culpado” pela situação actual, manifestada numa crise alimentar, sanitária, etc.., a responsabilidade vai, de forma evidente, para a guerra económica levada a cabo pela burguesia norte-americana e pela administração dos EUA, com sansões, manipulação de taxas de câmbio, e destruição e desvio de bens essenciais. 
Claro que, a política que seria exigida, numa situação como esta (e que já vem do tempo de Hugo Chávez), seria a de ter na mão do Estado o poder de decisão, relativo às grandes empresas do País. Não propriamente sob a forma de um controle burocrático, o que levou à circunstância de Maduro precisar do apoio de uma burocracia estatal e do exército, acentuando dessa forma o carácter bonapartista do regime. O que implica concluir da necessidade que o próprio regime teria de aprofundar a sua relação com as classes trabalhadoras, ao invés de uma conciliação que tem efeitos conhecidos (...).
O essencial da questão está porventura (neste momento) na denúncia firme e permanente do ataque imperialista à Venezuela, de que a melhor prova é a “santa aliança” entre a administração americana, os governos reaccionárias do Brasil, Colômbia, Chile, Argentina, o seguidismo da União Europeia, e da tentativa de “abrir” mais um “quintal” na América Latina.
O caminho é seguramente esse, não desprezando de forma alguma, o debate que deverá existir e ser aprofundado, no seio da Esquerda, portuguesa e internacional. 

Analisando o que se passa na dita “comunicação social” privada, concluímos que, desgraçadamente não é hoje possível dar qualquer espécie de crédito à maior parte das agências de comunicação. Porque, sendo detidas por grupos empresariais afectos à Direita, a sua verdadeira intenção não é obviamente a de informar, mas sim de interpretar os factos, e dar-lhes uma roupagem especial, com vista a baralhar a opinião pública, de lançar a confusão e por vezes mesmo, o pânico, ou simplesmente (e abundam os casos) de produzir notícias falsas, para melhor conseguir os seus intentos. Um excelente exemplo, é dado em noticia do DN, no dia 1 Maio 2019 (17:47h); na altura já se sabia perfeitamente que a intentona de Guaidó e Lopez havia fracassado por completo; o título daquele jornal era,Guaidó chamou o povo à rua. Venezuelanos começam a mobilizar-se”; a essa hora, havia começado precisamente ... a desmobilização; a notícia do DN acaba por significar, para além da falsidade, uma manifesta provocação.

Termino com um apelo veemente às/aos dirigentes do BE, para que estudem a situação e tomem uma posição consentânea com os conceitos e princípios da Esquerda e que saibam integrar, nessa crítica, os valores, mas também os casos reais de intimidação feitos pelos regimes que querem impedir a Venezuela de seguir o seu caminho, agora perfeitamente às claras. Neste contexto, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, admitiu, “que uma "ação militar" é "possível" se for "necessária" para favorecer a transição política na Venezuela: “Nós preferíamos uma transição pacífica para o poder, com a saída de Maduro e a realização de novas eleições, mas o Presidente (Trump) deixou claro que, num certo momento, é preciso saber tomar decisões", afirmou Pompeu, acrescentando que Donald Trump "está pronto a fazer o que for preciso".
O que nós dizemos abertamente, é que estamos prontos para tudo fazer pela Paz, contra os golpistas e pela denúncia dos seus lacaios.
Tirem as mãos da Venezuela!

25 abril 2019

Sem tibiezas,
Sem, quaisquer peias, que por vezes tolhem o pensamento,
Sem meias-tintas,
Sem medos!
Para tal, conquistamos a Liberdade!
Há alguns que não conseguem falar do 25, sem lembrar o outro (25) de má memória (...)
Há outros que se regozijam das conquistas e (depois) na prática corrente, acabam por distorcer as imagens e andam sempre desfocados (uma sensaboria)
Há ainda os que celebram o 25, como antes celebravam o 28.
Há aqueles que parecem funcionários administrativos (sem desprimor) que picam o ponto às 9 da manhã, e às 5 da tarde mordem os lábios, que chatice...
Há os que têm boas maneiras e cultivam os salamaleques, dando uma para um lado, outra para o outro, a ver se (e quando pega).

E às tantas surgem (pela voz do Poeta) “... os vagabundos/que por falta de fundos não ocupam a mesa/têm olhos profundos/vão atrás de outros mundos que pagaram com sono e beleza...”
E nascem por toda a parte, os insubmissos, que não trocam por nada a sua “arte”
E brotam, aqui e ali, as nascentes, que dão em rios profundos de indignação, que se diz positiva, porque quer a transformação.

Nós pertencemos à “espécie” daquelas e daqueles que não se deixam enganar, talvez porque já fomos enganados um dia. Somos insurgentes, queremos vida e política a sério. 
E sobretudo, não nos esquecemos que hoje, mais do que nunca, é preciso dizer:
25 DE ABRIL SEMPRE, FASCISMO NUNCA MAIS!

23 abril 2019

JÁ FALTA POUCO...
































Na altura, faltariam apenas 2 dias, para a consumação do acto da libertação.

Hoje apenas se poderá dizer, que vale mesmo a pena, lembrar esse tempo, em que se preparava a Liberdade. Mais do que nunca.
O País, antes de Abril, era um imenso pântano de pobreza, ignorância e falsos (brandos) costumes, a imagem da mediocridade absoluta, no quadro europeu e mundial. Nem a dita primavera marcelista, hipócrita e mesquinha, documentada nas famosas “conversas em família” do ditador, se salvava, no panorama da mentira, da propaganda e da censura.
Para quem (hoje) se dedique, com alguma perversidade, à tarefa de branquear o regime, basta que evoquemos os crimes praticados contra a Liberdade, durante o consulado de Marcelo Caetano, nas prisões da PIDE/DGS, na repressão generalizada de movimentos grevistas, na perseguição constante de professores, intelectuais e artistas e na manutenção e amplificação de privilégios. E lembrar ainda, que os últimos anos da ditadura foram marcados por uma brutal intensificação da exploração, através de medidas como o aumento da jornada de trabalho e o número de horas semanais e a acentuação da política fiscal “regressiva”, de protecção ao capital e contra os trabalhadores.

Hoje, vale a pena chamar à liça, a influência que os conceitos libertadores, de carácter socialista, tiveram para o avanço, ainda que relativo, das lutas sociais, estudantis, culturais e políticas, para a necessária libertação do jugo da força bruta do capital e do fascismo. Todavia, seria a Direita partidária, enfeudada (sempre) nas teses conservadoras e de defesa da “nação” e dos seus inimigos (internos e externos), a pugnar pela supremacia do (dito) Ocidente, na perspectiva do chamado “dever histórico”, a contraposição possível à libertação. As posições da Direita escondem afinal as teses ultra-direitistas e neofascistas que proliferam (nomeadamente) por toda a Europa. Onde não existem partidos ou organizações da extrema-direita, de cariz fascista, aí está a Direita, cumprindo o mesmo papel, albergando e escondendo os extremistas. Até que um dia, quando tal se manifestar necessário, eles irão emergir da sombra protectora e irão autonomizar-se. Como os casos conhecidos, da Hungria, Polónia, Áustria, França, Holanda, Alemanha, Suécia, Grécia, Finlândia, Rússia, República Checa, Eslováquia. Já no Governo ou prestes a irromper pelos parlamentos dos referidos países, a ameaça fascista aí está, deturpando deliberadamente a memória histórica e contribuindo, através das grandes empresas de comunicação, para uma autêntica lavagem ao cérebro, através da instauração do medo e da austeridade generalizada.

É por isso, natural que, ao lembrar os últimos dias da ditadura fascista, nos venha à memória, como se vivia no nosso País, antes do 25 de Abril de 74. Ao evocar esse tempo, poderemos estar a contribuir para a recusa permanente de soluções de duvidoso recorte, como aquelas que nos entram diariamente, através das rádios, das TVs e dos jornais, pagos pelos grandes grupos empresariais e que se querem fazer passar por “serviço público”, quando afinal, o seu “serviço”, é apenas defender aqueles que detêm o poder económico. Mas também, das chamadas redes sociais, onde pontificam as notícias falsas e os convites ao populismo, de dito fácil e escrita de duvidosa inteligência. 

Faltavam apenas 2 dias. A repressão, que se seguiu golpe das Caldas de 16 de Março, recairia sobre 200 militares, de várias patentes, que foram presos no RALIS. Dois dias antes do golpe, haviam sido demitidos dos seus cargos, Spínola e Costa Gomes. Estaríamos, à espera que algo acontecesse, que teria mesmo que ser. E lembramos que faltava mesmo muito pouco...

Falta hoje ainda tanta coisa. Mas tanto foi já conseguido, nomeadamente nos últimos anos, em que uma solução de governo apoiada nas esquerdas parlamentares, arrumou um governo que havia entregado o País à fúria devastadora da invasão e que capitulou com ela, sujeitando a grande maioria dos portugueses a um profundo vexame e à mais desenfreada exploração de que há memória. Ainda haverá de se fazer história sobre os capitulacionistas, que vergaram o País, embora se arvorem constantemente em arautos da sua defesa, no mais miserável papel de falsos moralistas, sem princípios e sem vergonha.

É porventura a hora de lhes perguntar: “...mas afinal, onde estavas no 25 de Abril???”  

17 abril 2019

17 ABRIL, UM ASSOMO DE LIBERDADE
















A 17 de Abril de 1969em ambiente de crise académica em Coimbra, o governo de Marcelo Caetano, uma espécie de “primavera”, entendida ao tempo, como a resposta da ditadura fascista às exigências necessárias de uma “modernidade”, vai à Cidade, com o pretexto de inaugurar o edifício da Matemáticas da Universidade.

Portugal no final dos anos sessenta
O ditador Salazar, que se havia dado à tarefa de construir, desde os primórdios dos anos 30, o país mais atrasado da Europa, mas com “contas certas” e regras de sacristia, abençoadas pela hierarquia da igreja católica, acabaria por cair da (abençoada) cadeira, em Agosto do ano anterior. Um ano que daria, no mês de Maio, ao mundo inteiro, um sinal de que os tempos estavam a mudar, quando eclodiriam em Nanterre, as primeiras vozes de liberdade, e da contestação que acabaria por ditar novas regras, sociais, políticas e de costumes. 
Depois, a 27 de Setembro de 1968, o “venerando chefe de estado”, como na altura era designado, Tomás de seu nome, vendo que o ditador já não conseguia cumprir a sua função, iria nomear aquele que seria o último presidente do conselho do regime. E que curiosamente se havia demitido de reitor da Universidade de Lisboa, em aparente protesto pelos acontecimentos de 1962, na crise estudantil. 
Por essa altura, precisamente nesse mês de Setembro, haveria de ter lugar uma reunião numa República de Coimbra[1],mbem que “Foram cerca de uma dezena e meia, os estudantes que aí discutiriam e aprovaram uma nova estratégia para o movimento estudantil em Coimbra, cujo eixo central passou a ser a luta por uma Universidade Nova[2].
A massa enorme de 9 mil estudantes, iria fazer tremer um regime caduco, mas aparentemente cheio de força bruta, de polícias e de esbirros, todos baptizados por Marcelo, com uma nova roupagem, mas com a mesma vontade intrépida de lutar à sua maneira, pelo “Bem da Nação”: paulada e cassetete, violência e repressão, ignorância e incultura, intolerância e perseguição. A PIDE, por exemplo, passaria a ser DGS, mas com os mesmos comandos, os mesmos métodos e a mesma vocação para a repressão e eliminação de pessoas, se necessário fosse. E algumas vezes, foi mesmo.

Aos 17 dias de Abril de 1969
Um dos acontecimentos mais surreais, em período de forte repressão, seria sem sombra de dúvida, o aparato em torno do Edifício das Matemáticas, motivo de inauguração do regime. Que se apresentaria na máxima força, com Tomás, Rui Sanches[3]e Hermano Saraiva[4], numa época em que a contestação estudantil era, contudo, muito mais forte. A força da razão, muito provavelmente.
À chegada da comitiva presidencial, acompanhada pelo reitor Andrade Gouveia, as “meninas das capas”, estendem as ditas, para a passagem do Tomás, enquanto no largo adjacente ao edifício, uma mole imensa se prepara para entrar também, comandada pelo Celso Cruzeiro[5].
E já dentro da sala da cerimónia, depois dos discursos do Tomás e do Hermano, o Presidente Alberto Martins levanta-se e diz a frase que ficará para a História, “Em nome dos Estudantes de Coimbra, peço a palavra”. Como ninguém esperava tal coisa, o Tomás acaba por dizer, (e ficaria também para a História), “Bem, mas agora vai falar o senhor ministro das Obras Públicas”.
Claro que quando o Sanches acaba de vomitar o seu discurso, a comitiva abandonaria intempestiva e abruptamente a sala, debaixo de uma vaia imensa. E cá fora, a vaia aumentou de forma inusitada, com polícias, esbirros e pides, cobertos de uma vergonha imensa e aparentemente incapazes de reagir.
Teria sido aqui que o regime se apercebeu quão perto estava o seu final, embora ainda faltassem 5 anos para tal acontecer, num outro Abril.

E depois do adeus (ao Tomás e C&A)
Nesse mesmo dia, mais para a noite, o nosso Presidente será preso pela PIDE, sucedendo-se as perseguições (mais ou menos violentas) a estudantes e cidadãos. A resposta seria o Luto Académico[6], decretado em sucessivas Assembleias-Gerais.
E finalmente, a 28 de Maio, cerca de 7 mil estudantes, irão reunir aquela que foi porventura uma das maiores Assembleias Magnas da História do movimento estudantil em Portugal, aprovando por uma maioria de quase 80 por cento, a proposta de greve a exames, como forma integrante de prolongamento do já decretado Luto Académico.
E, daí por diante, foram dias gloriosos de luta, de alegria, mas também de enorme sacrifício dos estudantes de Coimbra e das famílias, na medida exacta do que uma greve a exames significa e, das consequências que daí adviriam para muitos, que seriam (e foram) incorporados no serviço militar compulsivamente. 
A vontade e a solidariedade, construída em torno de sentimentos adversos à lei da rolha da Universidade Velha, bem como à obstrução da liberdade de pensamento e acção, acabariam por determinar um improvável sucesso na luta estudantil, numa Cidade do interior do País, embora com tradições de peso, a primeira das quais a de ser a primeira Universidade, com mais de 700 anos de história.
À irreverência, que o Maio de 68 teria “emprestado” à Crise Académica, poderia juntar-se o cenário do final dos anos 60, com aguerra colonial em África e a guerra do Vietname, cujos ecos que por cá chegariam, denunciadores dos malefícios do capitalismo, do imperialismo e do colonialismo, nas suas mais nefastas facetas.
Daí à insubmissão, foi um pequeno passo. A politização crescente de uma parte do movimento estudantil, aliada a uma sucessão de acontecimentos favoráveis, iriam perpassar na sociedade portuguesa, entranhar-se nas forças armadas e iriam contribuir de forma decisiva para o Abril da libertação.


[1]República dos Pyn-Guyns, onde estavam, entre outros, Rui Namorado, Alberto Martins (Presidente da Direcção da AAC) e Décio Sousa (Presidente da Mesa da Assembleia-Geral da AAC)
[2]Citação da obra “Abril antes de Abril”, de Rui Namorado, pág. 37
[3]Ministro das Obras Públicas
[4]Ministro da Educação, “baptizado” na Academia, como “Hermano I, o Firme”, cognome que lhe ficou por ter anunciado a sua “firmeza” ao País, numa intervenção televisiva.
[5]Membro da Direcção da AAC
[6]O Luto Académico “...é um mecanismo da praxe académica de Coimbraque, como o próprio nome indica se refere a situações de luto e/ou momentosparticularmente negativos para a Academia, tendo sido utilizado como forma singular de protesto já antes de 1969”, in: “Luto Académico, Tradição Coimbrã e Mudanças PolíticasCoimbra 1969-1970/80”, por Carlos Martins

13 abril 2019

ONDE ESTÁ O “ESTADO SOCIAL”?


Parece evidente que a defesa do Estado Social poderá ser uma das determinantes da luta contra o sistema neoliberal, que afinal pretende a sua menorização, quiçá a sua destruição completa.
Para quê afinal?
A premissa que dita o fim do Estado Social, não é mais que aquela que prevê a progressiva privatização do próprio Estado. O curioso da questão é que, sendo o Estado a emanação de uma forma de dominação (consentida ou não) e sendo função do próprio Estado, garantir  a reprodução da coesão social, também não é menos verdade que ela supõe a superação das formas políticas existentes. Daí, a geração contínua de uma série permanente de “jogo”, entre capital e trabalho, no sentido de uma quebra de equilíbrio, em que os lados da balança não têm objectivamente o mesmo “peso”.

A entrada em cena de actores cuja função parece ser a de justificar (e manter intacta) a dominação, provoca e amplifica os (tais) desequilíbrios. O exemplo das notícias vindas à liça, da “necessidade premente de trabalhar até aos 69 anos” para manter o sistema de Segurança Social, é paradigmático. 

Pretende-se em primeiro lugar, marcar agenda com um tema em a direita partidária se mexe sempre como num pântano. Pronta a mostrar as garras, não “pode” porém defender abertamente o fim do Estado Social e a sua progressiva privatização. Vai por isso contornar a questão, lançando achas na fogueira branda da “sustentabilidade”, alimentando o “fogo”, com receitas aparentemente “lógicas”, mas contudo, facilmente desmontáveis. Embora o primeiro impacto, seja o de promover a confusão, pelo medo. Uma estratégia antiga.

Uma segunda via, é da proclamação das “facilidades” que devem, na sua perspectiva, ser dadas às empresas. Que, no entender da Direita, produzem a riqueza das nações e, como tal, devem sempre ser “protegidas”, com mesmo impostos, e com benesses à sua proliferação. Contudo, tal não é verdade, embora “passe” bem, na propaganda falaciosa dos proteccionistas. Será sempre necessário e tremendamente actual dizer, que a riqueza é produzida por quem trabalha. E que, na lógica do sistema, é explorado, porque assim deve ser e, no entender “deles”, assim será, para sempre.

A necessidade premente da defesa do Estado Social, poderá ser uma etapa intermédia da luta anti-capitalista. Não para “salvar” o sistema, mas (para já), no sentido de proporcionar o desequilíbrio no próprio sistema e na exploração das sua contradições internas. Afinal, para contribuir para que as condições objectivas para a mudança, se vão construindo.
O que significa, hoje, defender a diminuição progressiva do horário de trabalho e a diminuição da idade da reforma. Ao mesmo tempo, mais e melhor trabalho, até ao objetivo do pleno emprego.

03 abril 2019

NATO, 70 ANOS DE UMA ORGANIZAÇÃO TERRORISTA



















































A NATO é responsável pelas maiores atrocidades contra os Direitos Humanos e contra a Paz mundial. É esta organização bélica, ofensiva e agressiva, que ensaia frequentemente um discurso falacioso, e que, na realidade, tem prosseguido o caminho de lançar verdadeirasguerras de agressão e expansão.

E, na verdade, os factos falam por si. Um dos exemplos da escalda terrorista, em que a NATO participou, particularmente desde o ano 2008, ou que a própria NATO promoveu, directa ou indirectamente, uma vez que a organização dispõe do mais avançado sistema de espionagem e contra-espionagem que existe, a nível mundial, financiado pelo Pentágono e pela UE, esta última, através das “contribuições” dos cidadãos e dos Estados, a pretexto da “defesa”  e de uma pretensa “segurança”.
Na realidade, sucederam-se, quer desde aquela data, quer desde a fundação, actuações criminosas da NATO, nomeadamente na Líbia, no Iraque, no Afeganistão e na Jugoslávia. A estrutura militar da organização tem servido os EUA e os seus aliados, na sede de domínio militar, de controlo de recursos naturais e de mercados e de superioridade geoestratégica, em prejuízo de milhares de vidas humanas, destruição de países e recursos, uma actuação perfeitamente ao arrepio da Carta das Nações Unidas.

Um exemplo substantivo, acontece em Maio de 2013: um encontro de John McCain com terroristas, em território sírio ocupado por estes, junta  Ibrahim al-Badri, mais conhecido por Abu Bakr al-Baghdadi, inspirador, criador e dirigente do auto-proclamado Estado Islâmico. Por esta altura, “...já os Estados Unidos faziam constar, entre alguns parceiros de guerra, a intenção de montarem um dispositivo terrorista de grande envergadura para reforçar as intervenções no Iraque e na Síria. Estava em curso, entretanto, uma acção de transferência para a Turquia, com destino à Síria, de mercenários islâmicos que tinham actuado sob o comando da NATO na operação de destruição da Líbia.”[1]
No ano seguinte, a 18 de Fevereiro de 2014, “...a conselheira nacional de segurança dos Estados Unidos, Susan Rice, convocou os chefes dos serviços secretos da Arábia Saudita, da Turquia, do Qatar e da Jordânia para Amã, onde lhes comunicou a reestruturação do «Exército Livre da Síria» e, nesse âmbito, a montagem, com supervisão saudita, de uma vasta operação secreta para remodelar as fronteiras regionais.”[2]
Toda a “escalada militar”, a designação dada pelos EUA, àquilo que foi a montagem de um dispositivo terrorista de grande envergadura, destinado a reforçar as intervenções no Iraque e na Síria, passaria de facto por uma acção de transferência para a Turquia, com destino à Síria, de mercenários islâmicos que tinham actuado sob o comando da NATO, na operação de destruição da Líbia.
Hoje, “...o governo legítimo da Síria continua em funções, embora parcelas do território estejam ocupadas por extensões da NATO, com base até em limpezas étnicas – como aconteceu no Norte, onde as vítimas foram comunidades cristãs e árabes expulsas à força para deixar espaço aos curdos da YPG.”[3]
A NATO, insistindo na política de agressão contra a Síria, é responsável também pela criação do designado “Exército Livre da Síria”, uma organização de mercenários, que mais não são que efectivos do Daesh, devidamente reciclados pelo regime ditatorial de Erdogan na Turquia, criando a ilusão fantasiosa de seriam desertores do Exército Nacional.


A NATO faz 70 anos. Marcados definitivamente por uma vocação tão “democrática”, que admitiu, logo à nascença, o regime da ditadura fascista de Salazar. E logo a seguir, em 1952, as ditaduras da Grécia e da Turquia. Obedecendo a uma lógica expansionista, opressora e agressiva, tendo como base, conter os avanços dos povos e as revoluções de libertação social e nacional. “Da teia secreta de exércitos clandestinos desenvolvida pela NATO com vista à realização de operações terroristas de cariz anti-comunista (que em Itália colheu o nome de Operação Gládio), à hostilidade para com a Revolução dos Cravos no nosso país, ou à complacência com a invasão de Chipre pela Turquia, no mesmo ano de 1974. Foi pela mão da NATO – e da União Europeia, seu pilar europeu - que, depois de todos os horrores do nazi-fascismo, a guerra voltou ao continente europeu[4]. Onde antes existia uma hipotética “protecção” ao Ocidente, “contra a ameaça do comunismo”, hoje, que a “ameaça” terá terminado, é necessário que a indústria do armamento sobreviva e, para tal, é necessário encontrar novos inimigos, promover (sempre) a guerra, saquear recursos, como por exemplo, o petróleo.

A NATO, é no entender do CPPC[5], “a principal ameaça à paz na Europa e no mundo”. Em Abril do ano passado, o CPPC divulgou um texto, onde se salienta que “...o povo português, em importantes momentos, expressou a sua clara opção pela Paz e contra a participação de forças portuguesas em agressões a outros povos, reafirmando a necessidade de se respeitar as aspirações à paz do povo português e lembrando que essa vontade não foi respeitada por sucessivos governos, que deram o seu apoio às acções da NATO”.[6]

E não é por acaso que hoje, Trump diz a Stoltenberg[7], “A NATO é mais forte desde que sou Presidente”, tendo garantido que “...a sua acção e exigências ajudaram a reforçar o papel da Aliança Atlântica.”[8].  Stoltenberg reconheceu que “...o facto de os aliados estarem a reforçar os seus orçamentos de defesa, como exigido pelos EUA, está a ajudar a organização “a cumprir melhor o seu papel”. O secretário-geral da NATO elogiou o “compromisso com a NATO” de Trump e referiu que “a mensagem clara” do chefe de Estado “está a colher os seus frutos”, com um maior investimento em defesa. Trump elogiou Stoltenberg, como um “líder fantástico”, com quem “estabeleceu uma forte relação de trabalho” em dois anos e meio e que conseguiu fazer com que a contribuição dos outros membros aumentasse mais 64 mil milhões de dólares e vá a caminho de 100 mil milhões de dólares até ao final de 2020. O Presidente admitiu até a possibilidade de mudar esse patamar dos 2% do PIB: “Se calhar, terá de aumentar”, afirmou.”[9]

Hoje, 70 anos passados, é imperativo reafirmar e denunciar a natureza agressiva da NATO e os objectivos belicistas das suas intervenções, em todo o mundo. É necessário exigir: o fim do financiamento da NATO e das guerras; o fim das guerras de agressão e ocupações militares por parte da Aliança Atlântica; o desmantelamento do sistema anti-míssil dos EUA/NATO e o encerramento das bases militares em território estrangeiro; o apoio aos deslocados e refugiados, vítimas das guerras promovidas e apoiadas pela NATO. 

Finalmente, é imperioso retomar a exigência de dissolução imediata da NATO, a abolição das armas nucleares e das armas de destruição massiva, e o desarmamento geral.



[1]Extraído do artigo “DAESH, a história escondida”, de José Goulão, a 15 Fevereiro 2018, disponível em: https://www.abrilabril.pt/internacional/daesh-historia-escondida            
[2]Idem, ibidem.
[3]Idem, ibidem.
[4]Extracto do texto Contra a NATO, a guerra e o imperialismo, a necessidade da luta pela paz”, de 13 Fevereiro 2013, disponível em: 
[5]Conselho Português para a Paz e Cooperaçãoé uma “Associação herdeira do movimento da paz na luta contra o fascismo e o colonialismo” (Art. 1º dos Estatutos da organização).
[7]Secretário-geral da Aliança Atlântica, desde Outubro de 2014. Norueguês, economista de formação, Jens Stoltenberg ocupou diversas pastas ministeriais no Governo, nos anos 1990 e foi primeiro-ministro do país duas vezes: entre 2000 e 2001 e, mais tarde, entre 2005 e 2013.
[8]Notícia do Jornal Público, de 3 de Abril 2019, disponível em: https://www.publico.pt/2019/04/02/mundo/noticia/encruzilhada-velha-alianca-atlantica-1867772          
[9]Idem, ibidem.

28 março 2019


13 ANOS DEPOIS...














































Há 13 anos atrás haveria de nascer a ENGENHO&OBRA, no ISEP, Cidade do Porto, Portugal
Na Conferência de fundação (12 Maio 2006), afirmei “Podia ser somente um sonho, porque afinal é o sonho que comanda a vida...”. E que aquela designação social, aquele nome, deixava antever a propensão para o talento, imaginação ou invenção (engenho, do latim “ingenium”), bem como para a concretização orientada (obra). 
Mudou algumas vezes de local, sempre no interior do campus ISEP, até que, em 2012, teria direito a uma Casa própria. O meu Amigo Fernando Alves, assim a descreveu, em Maio 2015, aquando da visita da TSF à Associação: “Uma pequena casa térrea, a antiga casa do guarda do ISEP, serve de sede à E&O”.
Hoje, 28 de Março, deixo as funções directivas, que exerci, durante estes anos, um verdadeiro Projecto de Vida, consagrado à Cooperação para o Desenvolvimento.
A única coisa que transcende a existência do ser humano é a sua obra”, diria Gorky, nada que surpreenda quem tentou aliá-la ao Engenho.
Tentou. 
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Aqui deixo o texto da mensagem que enviei, para ser lida, na Assembleia-Geral, para eleger os novos Corpos Sociais, para o triénio 2019/2022
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Caríssimo Presidente da Assembleia-Geral E&O
Colega e Amigo Fernando Maurício,

Dirijo-me hoje, neste dia 28 de Março de 2019, à Assembleia-Geral, na impossibilidade de estar fisicamente presente, devido a razões de foro clínico.
E faço-o, por me sentir a tal obrigado, na qualidade de Fundador, de ex-Presidente e de ex-Membro da Comissão de Gestão, que ora termina o seu mandato.

Iniciei, no ano de 2005, em conjunto com colegas do ISEP e da FEUP, contactos para criar uma entidade que fosse capaz de consubstanciar iniciativas e projectos, dirigidos fundamentalmente aos países de língua oficial portuguesa e tendo como base os princípios da Cooperação para o Desenvolvimento. Todas e todos nós possuíamos alguma experiência pessoal na matéria, fruto de intervenções pontuais, sobretudo em Angola e Moçambique. O principal objectivo era, partilhar conhecimento e práticas, entendendo que uma Associação, que envolvesse pessoas e organizações, seria a melhor forma de consubstanciar tal desiderato. No ano seguinte, haveria de nascer a ENGENHO & OBRA, com o alto patrocínio e apoio do ISEP, cuja Missão iria reflectir os propósitos que inicialmente foram apontados, com particular realce para os “...projectos integrados de engenharia”.[1]

As funções directivas que desempenhei até hoje, como Vice-Presidente (desde a fundação em 12 de Maio de 2006, até 24 de Novembro de 2007), na qualidade de Presidente (de 25 de Novembro de 2007, até 23 de Março de 2017) e como Membro da Comissão de Gestão (daquela data, até hoje). Durante 13 anos, tive o privilégio de trabalhar com muitas pessoas e instituições, das quais guardo estima, consideração e respeito. 

Contribuí para a construção de uma Entidade, que apostou numa marca própria, circunstância a que não é alheio o prestígio que a alcandorou a nível nacional e internacional. 
Foram feitos centenas de contactos, estabelecidos dezenas de protocolos, com entidades nacionais e internacionais, públicas e privadas, governamentais e não-governamentais. Foi sempre minha orientação de Presidente, levar a ENGENHO & OBRA, mais longe, no País e fora dele.
Assim aconteceu, e foi com o apoio da Escola Superior de Educação do Politécnico de Lisboa, aberta a Delegação da capital, logo após a fundação, que funcionou até ao ano de 2012.
Foram criadas também as Delegações em países de língua portuguesa: Delegação em Dili - Timor-Leste (entre 2007 e 2011), delegação em Luanda - Angola (desde 2006), Delegação em Maputo – Moçambique, com sede própria na Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane (entre 2006 e 2011) e Delegação em Praia – Cabo-Verde, com sede própria no SIPROFIS - Sindicato dos Professores da Ilha de Santiago (desde 2009). Através delas e dos ilustres Delegados, Mara Vieira (Timor-Leste), Guido Campos (Angola), Maqueto Langa, (Moçambique) e João Pedro Cardoso (Cabo-Verde), foram dados passos gigantescos, nas participações directas em Projectos Internacionais apoiados pela Cooperação Portuguesa, na pesquisa e celebração de Parcerias, na participação em Congressos Internacionais, na identificação de interessados nas Formações GPSI, e finalmente na difusão de conhecimento, partilhado entre a Europa, África e Ásia.

Contribuí ainda, para: o registo da ENGENHO & OBRA, como Organização Não Governamental para o Desenvolvimento, no Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), do Ministério dos Negócios Estrangeiros, 4 meses após a fundação; o  reconhecimento, como ONGD Internacional, através da adesão à Plataforma Portuguesa das ONGD, no ano de 2006; a acreditação como Entidade Formadora, junto do Instituto para a Qualidade na Formação, no ano de 2007. 
Destaco que, naquela Plataforma, propus a intervenção da ENGENHO & OBRA, em diversos Grupos de Trabalho sectoriais, tendo integrado um deles, durante 5 anos. Propus também, e foi aceite, a integração de uma colega da Escola de Saúde do P. PORTO, como representante nacional, no Grupo de Trabalho da CONCORD “Food Security”, em Bruxelas, no ano de 2015.

Orgulho-me de ter participado directamente, como co-autor na grande maioria dos Projectos que a ENGENHO & OBRA apresentou, a instâncias nacionais e internacionais, até ao ano de 2015, bem como intérprete activo, nos 8 Projectos aprovados e financiados, entre os anos 2007 e 2014.

Contribuí activamente no CLME - Congresso Luso-Moçambicano de Engenharia, uma iniciativa conjunta da FEUP e da Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane, desde o ano de 2007, e incentivei muitos colegas, do ISEP e de outras Instituições de Ensino Superior portuguesas, a apresentar comunicações, o que veio a acontecer, nas edições CLME de 2008 e de 2011, em Simpósios sobre “Cooperação para o Desenvolvimento”, organizados pela ENGENHO & OBRA no seio do Congresso.
E, a propósito de difusão e partilha de conhecimento, destaco mais de uma centena de textos produzidos e mais de 50 comunicações apresentadas, em Portugal, Bélgica, Espanha, Itália, Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

Partilho todos os sucessos, que foram imensos, com todas e todos os Colegas dos diversos Corpos Sociais da ENGENHO & OBRA, muito particularmente com os Directores. Mas também os partilho com todas/os Técnicos que passaram pela Associação, desde o Secretariado, Informação e Comunicação, até à área de Projecto. Nada seria possível sem elas e eles, que merecem para mim, um respeito imenso. E finalmente, também os partilho com as Entidades que colaboram com a Associação, os Fundadores, ISEP, OXYS e Escola Superior de Educação de Lisboa. 
Relativamente aos insucessos, que ocasionaram breves momentos de instabilidade, insatisfação e algumas dificuldade e apertos de tesouraria, assumo-os por completo, porque foi sempre minha a responsabilidade primeira. 

Durante estes longos anos, vi partir muita gente boa, que fez história, pelo seu brilho, prestígio e sucesso. Lembro aqui, os Associados, Olímpia Soutinho, José Augusto Rocha e Silva e Raimundo Delgado, colegas e Amigos de longa data. Deles guardo tantas recordações e cumplicidades e um enorme respeito. 

Foi por vontade própria que decidi afastar-me dos cargos directivos da ENGENHO & OBRA. Algum cansaço e desgaste, típicos das lides associativas. Mas sobretudo por considerar que a Associação deve afirmar outra identidade, em termos de novos protagonistas. 
A elas e a eles, formulo votos de que sejam capazes de continuar a prossecução da Missão e dos grandes Objectivos, consubstanciados nos Estatutos da Associação. As maiores venturas e felicidades também. 

Quero finalizar, afirmando que eventuais participações ou simples contribuições da minha parte, na qualidade de Associado de base da ENGENHO & OBRA, serão objecto de análise das respectivas condições concretas e, na medida exacta que os futuros dirigentes da Associação, saibam e sejam capazes de querer integrar, saber e conhecimento adquiridos.

A todos um muito obrigado.
Com muito respeito e alta consideração,
Alfredo Soares-Ferreira”


[1]In Missão da E&O: http://www.engenhoeobra.org/index.php?lg=1&id=3                  

08 março 2019

8 MARÇO – O DIA!



As palavras mais belas que conhecemos são no FEMININO: Liberdade, Insubmissão, Justiça, Democracia, Independência, Soberania, Greve, Luta, Revolta, Revolução e tantas e tantas outras que usamos e nem damos conta do poder que têm (detêm).

Se a Vida é no género e dele vem, por força da natureza e à razão do ser e do estar no Mundo, ela tem decerto um sentido, que remete ao mais profundo de nós e nos faz pensar, na PARTILHA e no RESPEITO. Esta, no masculino, tantas vezes vilipendiado, maltratado e atentado.

Hoje, um dia que é ELA, que será dela, se ela quiser e quer decerto, no mínimo para lembrar, outras palavras, que de belas nada têm, como as outras: Injustiça, Maldade, Perfídia, Cegueira, Submissão, Morte,...

Sendo as palavras, apenas isso, elas podem ser HOJE, atiradas ao vento e às trombas daqueles que dominam o mundo e desprezam Direitos, Valores e Respeito. É para esses (e eventualmente algumas essas) que numa só palavra, sintetizamos o que nos vai na alma:
BASTA!