rio torto

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10 fevereiro 2022

COMO FAZER MELHOR (após o 30 de Janeiro)?

3 Fevereiro 2022

Alfredo Soares-Ferreira (*)

 

A 13 de Janeiro apresentamos aqui um “Brevíssimo Manual De Pedagogia Eleitoral”, onde procuramos fazer uma abordagem, simples e prática, do Acto Eleitoral. Hoje ensaiamos, tentando ver mais além da interpretação factual dos resultados, uma pequena “viagem” pelo universo, sempre complexo, da política. Qualquer simplificação que possa eventualmente ser encontrada no que pode ser considerado um “Guia” e possa ter algum significado para quem nos lê, será motivo de reconhecimento para quem escreve, uma vez que apostamos também na viagem.  

 

 

Escolha do destino

Pensamos que Portugal é um bom destino. Sem prejuízo de qualquer outro. É esse aliás o pensamento de larga maioria de pessoas que visitam o País, embora por vezes de uma forma invasiva, vão destruindo a paisagem, por falta de planeamento adequado, e invadindo as nossas cidades, a quem a especulação imobiliária oferece aquilo que tem e mesmo o que não tem. Sendo esse, no entanto, assunto para outra conversa, convém dizer que, cada português que aposta no conhecimento do seu País é, sem sombra de dúvida, um trunfo de peso para a comunidade.

 

Roteiro

Impõe-se uma escolha criteriosa. Porque afinal nunca se pode ver tudo de uma vez. Todavia, quando se viaja, procura-se sempre ver o máximo possível, já que investimos muito na passagem. Mas atenção, os roteiros que nos apresentam e que nos entram casa dentro, todos os dias, nos programas da manhã das TV, não serão decerto a melhor escolha, uma vez que afunilam as preferências, mostram quase sempre o mesmo roteiro da intriga e da maledicência e, também quase sempre, os guias são de baixa qualidade e perfil. Há então que ser mais exigente, ou seja, procurar que nos deem a conhecer todas as hipóteses, que nos permitam uma escolha decente.,

 

Documentação necessária

Será suficiente o Cartão de Cidadão. É hoje o nosso passaporte para muitos destinos, devemos cuidar da sua manutenção. Se ele tem hoje esta designação não será por acaso. Significa então que é, ou deveria ser, um cartão de Cidadania. Deveríamos ter orgulho em ser cidadãos, em todos os momentos da vida e não só quando o temos que o exibir, na altura do voto, que afinal não é assim tão frequente. Um amigo contou um dia que levou a filha à Loja de Cidadão, para obter o CC, assumindo esse acto com toda a dignidade possível, procurando transmitir-lhe a ideia de uma certa solenidade, uma vez que era a primeira vez que ia ser “promovida” à categoria suprema de cidadã.

Ser cidadão deveria então ter um significado particular, em termos de qualidade. Entende-se assim que tal implique exigência em relação à Democracia, numa elevada participação na vida do País e das suas decisões. 

 

Deslocação e passagens 

O Poeta diz que “A ponte é uma passagem p´rá outra margem”. É usual reconhecer-se que é importante a construção de pontes, em matéria política. Na política poderemos associar a “outra margem” a cada um de nós. E a ponte, a estrada que deve existir entre o cidadão e os seus representantes, no caso das democracias, os deputados.

Provavelmente acontecerá que uma parte muito significativa de quem quer “viajar” não vai ter dinheiro para “comprar a passagem”. Esses irão certamente ficar reféns de quem lhes conte como foi, os relatos, as impressões, algumas fotos. Não será seguramente a mesma coisa, que isto de viajar é mesmo um privilégio. E a vida do cidadão comum, que está muito longe da vida de quem usufruiu dos privilégios e ainda por cima o explora, vai-se “deslocando” para um estado de incapacidade crescente para adquirir a tal “passagem” para um estatuto melhor.

 

Estadia

Quem está na política, com o objectivo de prestar um serviço público, e não para sistematicamente dar espectáculos de vozearia e propaganda, tem programas e medidas para o País e interpreta à sua maneira os problemas dos cidadãos, bem como as possíveis soluções, consoante está à Esquerda ou à Direita do espectro político. Por isso é que o chamado “interesse nacional” não existe, se não for referenciado a quem o interpreta. 

Se bem repararmos, os cidadãos não são convidados a discutir política. Se porventura o fossem iriam descobrir muita coisa. Se, por exemplo, os cidadãos percebessem que a integração europeia lhes retirou os direitos de base e que, neste contexto, quando são avançadas algumas propostas para melhorar a sua situação, acabam por esbarrar na parede de aço que é a EU. Se, outro exemplo, os cidadãos conseguissem entender que é a própria estrutura monetária (a moeda única, o euro) a principal responsável pela estagnação do País, decerto gostariam, no mínimo, de analisar e poder discutir alternativas. Se finalmente, os cidadãos pensassem que, quando lhes falam na necessidade de “reformas estruturais”, isso significa, no limite, a perda de direitos no trabalho e um impedimento a qualquer política de pleno emprego, decerto que não aceitariam. 

Quando descobrirem que há impedimentos permanentes e razões estruturais que justificam que tudo fique na mesma, mesmo quando muda alguma coisa, os cidadãos irão decerto reagir, independentemente do tempo que seja necessário para tal. Aqui talvez possa ser útil o argumento de Antígona, que diz respeito ao cruzamento de dois imperativos, que reportam a dois tipos de necessidade, o de obedecer à lei e o de respeitar os costumes. Diga-se que, na obra de Sófocles, Antígona optou claramente por desobedecer ao rei.

Na verdade, o cidadão comum preocupa-se com o imediato. É a sua habitação, que no inverno não consegue aquecer porque o preço das energias está pela hora da morte. É o seu emprego, que é precário e onde é sistematicamente mal pago, isto quando o tem. É a sua reforma que vai, de ano a ano, sem ser aumentada, perdendo valor, num período da vida onde tem que fazer mais despesa, em medicamentos, em lares, na sua alimentação.

Assim, a “estadia” do cidadão na política, acaba por ser pouco agradável. É em parte devido a isso que o cidadão vai ficando zangado e permeável a propostas populistas ou completamente impossíveis de realizar, como as que lhes são “oferecidas”, nomeadamente, pelos partidos que entraram, agora em toda a força, na Assembleia da República.

 

Seguro de viagem

A política não é um jogo, antes a viagem ao mundo fantástico das ideias e utopias. Para qualquer viagem é necessário um seguro. No caso da política, ele pode passar pela garantia, quer do cumprimento do mandato, quer do programa e medidas que contém. 

Para que tal seja viável, torne-se necessário que cada cidadão assuma a decisão de se “ocupar” da política, afinal uma cláusula única do seguro. Até porque, se o cidadão o não fizer, acabou de tomar uma decisão política decisiva, ou seja, acomodou-se ao poder dominante.

Poderíamos adicionar algumas outras cláusulas. Optamos por esta, que será porventura determinante, a da soberania. De facto, a Constituição da República Portuguesa consagra, no Artigo 1.º, que “Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.” e, no Artigo 2.º, que “A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.” e, no Artigo 3.º”, que, “A soberania, una e indivisível, reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição...”

E, bem a propósito, uma vez que todos os dias vemos gente a passar fome, podemos escolher um tipo de soberania muito importante para os cidadãos, a soberania alimentar. Que significa basicamente, o direito a decidir das políticas agrícolas e alimentaresou seja, decidir o que cultivar, o que e como comercializar, o que destinar ao mercado interno e ao mercado externo, e controlar os recursos naturais básicos.

A soberania alimentar privilegia o direito efectivo a uma alimentação saudável e respeitadora do ambiente para todas as pessoas, colocando em primeiro lugar quem cultiva os produtos com os quais a comida é confeccionada. Como é evidente, para que tal seja possível, é necessário manter o controlo sobre os recursos naturais, em particular a terra, a água e as sementes, que são bens públicos e não devem, por isso, ser privatizados.

 

Então,

Uma possível resposta à questão “Como Fazer Melhor?”: é mesmo importante (e urgente) visitar e conhecer o País, para melhor o compreender. 

E, em função disso, actuar em conformidade.

 

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(*) Engenheiro e Professor aposentado. Consultor e Perito-Avaliador de Projectos nacionais e internacionais para o Desenvolvimento e Cooperação

24 janeiro 2022

 A FALA DE ROSA MOTA, CAMPEÃ OLÍMPICA

 ROSA diz sobre RIO o que muita gente do seu próprio partido gostaria agora de dizer:

·       diz ROSA que não percebe "como é que as pessoas não conseguem ver o que se tentou destruir" na cidade do Porto, quando RIO foi presidente da Câmara.

·       diz ainda, "Aquela parte, ele é que manda, que é o 'nazizinho', e o resto põe de lado. Todas as pessoas que fossem figuras públicas da cidade - somos pessoas queridas, modéstia à parte - para ele, era um terror".

Esta é a fala de quem sabe o que diz, porque testemunhou, como todos nós, nesta Cidade, o horror que este homem tinha à Cultura e à Cidadania.

E diz bem, RIO é um homem autoritário, são os seus próprios companheiros de partido que o afirmam. 

Claro que nesta altura do campeonato estão calados. E porquê? Apenas e só porque lhes cheira a poder. 

Se calhar, depois do 30 de Janeiro e caso ele perca (o que esperamos) vão voltar à carga...

23 janeiro 2022

 A MOBILIDADE DO VOTO 

 

Ao mesmo tempo que o ritmo imparável das sondagens vai anunciando, ora a subida, ora a descida de PS ou PSD, a avalanche de debates e sobretudo de comentários aos debates, confirma o que já se temia. É a intervenção da artificialidade táctica na campanha e a sua manifesta desadequação para analisar e discutir política a sério, ou seja, como desenvolver o País de uma forma equilibrada, de forma a satisfazer as necessidades dos cidadãos, particularmente de quem trabalha e vê, dia a dia, degradarem-se as suas condições de vida. Seria desejável, quando não exigível, que fossem abordadas as políticas públicas que é necessário serem postas em prática, para impedir e inverter a estagnação do País. Nomeadamente, na saúde, na habitação, na educação e no ensino superior. E no trabalho também, com a erradicação completa e inequívoca das leis do tempo da troika. Na verdade, para estancar a manifesta descrença de uma parte significativa da população nas soluções que lhe foram apresentadas, a única via possível é mesmo uma resposta firme e decisiva, nas referidas políticas públicas, de base local, regional e nacional.

Resta saber quem está devidamente preparado para o fazer.

 

À Direita

A Direita procura cavalgar a insatisfação dos cidadãos, propondo, entretanto, coisa nenhuma, ou as velhas receitas e o retorno àquelas que retiraram direitos e garantias, sobretudo às pessoas que mais necessitavam de apoio. Ou, em alternativa, apresentando e discorrendo sobre fantasias, como por exemplo, a IL, com a inacreditável tese da “liberdade de escolha”, no ensino, na saúde e em tudo o resto, ou seja, o “menos Estado e, por outro lado, mais Estado”. O PSD a única e verdadeira mudança que propõe é a suposta credibilidade de um líder, que deu já provas da falta dela quando “governou” a Câmara do Porto e que, por mais simpatia que procure transmitir, não consegue disfarçar a sua impreparação para o cargo a que se propõe e uma ausência de pensamento estratégico para liderar a Direita.  As franjas que ainda restam, nomeadamente o CDS, apresentam sinais evidentes de decadência e aproximação perigosa à extrema-direita racista e xenófoba, que irá ter uma representação parlamentar previsivelmente maior. 

 

No PS

Costa mostra hoje um evidente “cansaço”, recorrendo à nefasta tese cavaquista da “estabilidade”, numa manifestação clara de incapacidade de compreender e enquadrar o papel histórico do Partido Socialista, numa perspectiva progressista. A referida tese é hoje uma obsessão (mais uma), idêntica, por exemplo, à das “contas certas”. A hostilização de Costa para com a Esquerda é consequência da sua incapacidade em ir mais longe do que as reversões conseguidas no primeiro mandato. Costa que só conseguiu chegar ao poder porque a Esquerda lhe deu a mão, encontra hoje na Esquerda o principal “inimigo”, numa campanha em que demonstrou a sua verdadeira face: apesar de um discurso aparentemente “social” e “de esquerda”, Costa defende e pratica as políticas neoliberais da Direita, protege os interesses rentistas e favorece de forma aberta uma casta de burocratas, incapaz de pensar e completamente dependente da oligarquia financeira. O Costa actual prejudica a Esquerda e o seu partido, com uma atitude arrogante e desligada da realidade. Na prática, a política do PS, sob a chefia de Costa, esgotou o seu próprio campo e prepara uma aproximação ao PSD, na incapacidade de perceber, quer o que está em jogo para o desenvolvimento do País, quer inclusivamente a sobrevivência do seu próprio partido.

 

À Esquerda

Naturalmente “prejudicada” pelo seu aparente apoio ao PS, pelo menos em termos de aprovação de orçamentos de Estado, depois de ter permitido que aquele ascendesse ao Poder, a Esquerda, representada por BE, PEV e PCP, perde terreno, perde votantes e poderá inclusivamente perder mandatos importantes, em zonas estratégicas da sua influência. Mesmo acrescendo o LIVRE e a sua possível recuperação relativamente às últimas eleições. Pode perguntar-se hoje, afinal o que ganhou a Esquerda, sem sequer estar no Poder? A tentativa de “forçar” algumas políticas dos seus programas, terá significado uma mudança decisiva num País que continua invariavelmente refém das políticas neoliberais? Provavelmente a Esquerda portuguesa irá reflectir sobre o porquê de uma “adaptação” à situação e também da sua, pelo menos aparente, reduzida perda de influência e tentar encontrar uma estratégia diferente, no sentido de uma confluência de atitude e de propostas, para uma abordagem conjunta, que permita o necessário crescimento e a criação de condições subjectivas favoráveis ao exercício do Poder. Parece evidente que a propalada “maioria de esquerda”, socialmente aceite no nosso País, terá que ser abordada de outra forma. Que poderá ser a de uma intervenção, directa ou indirecta, junto dos cidadãos e em conjugação com a maior parte das organizações sociais que os representam ou em que aqueles se sintam representados. A Esquerda deverá possivelmente, para mudar o discurso dominante, mudar o seu próprio discurso, utilizando uma outra linguagem, que a aproxime, quer dos cidadãos descontentes, quer também da própria filosofia do Poder. 

 

Voto e intenção de voto, o que está em jogo nesta eleição? 

Formalmente, as eleições legislativas destinam-se a eleger os deputados da República, compondo uma Assembleia, com a diversidade dos partidos concorrentes e com a pluralidade do País, representado em termos geográficos, em círculos eleitorais. Todavia, existe ainda uma perversão, relativamente ao peso eleitoral necessário para eleger um deputado, em determinados círculos, facilitando sempre nestes casos, as formações partidárias com maior dimensão.

Um outro aspecto, menos formal e mais simbólico tem a ver com a percepção de voto, determinado em grande parte por um movimento constante de pressão sobre os cidadãos e que resulta da profusão cada vez maior, quer da instituição sondagem, quer ainda da multiplicidade de comentários e meios de influenciação protagonizados por uma comunicação social onde o espectáculo tem primazia absoluta sobre o conteúdo.

O voto fica desta forma refém, de certa forma, ao artificialismo da situação presente, onde a notícia de hoje já não lembra amanhã e é frequentemente substituída pelo comentário. Os debates organizados, sobretudo pelas TVs, foram o exemplo acabado da impossibilidade de analisar e discutir propostas e da promoção de temas resultantes das opções das redacções. Que objectivamente favoreceram as teses populistas e as reacções desencontradas dos que pretendem atrair eleitores de forma imediatista.

 

O meu voto hoje...

E sempre é à Esquerda. 

Votei hoje, em plena consciência da situação presente para dar mais força à Esquerda a que pertenço. E que essa força seja capaz de operar as transformações que se impõem.

17 janeiro 2022

 UM PEIXE CHAMADO INÊS 

Pois. O peixe mudou de nome. Nos anos 80, era “Wanda”, no filme do Charles Crichton.

A propósito de comida, diga-se de passagem, que aquela cena da semana passada, poderá ficar porventura como um dos momentos mais ridículos da pré-campanha. A saber, a “aproximação” de Costa ao partido dos animais, da natureza e das pessoas, não forçosamente por esta ordem. Pretendendo mostrar ao mundo (das pessoas), que não é de Esquerda nem de Direita, o partido da Inês enfia-se no buraco obscuro da incerteza sistemática, que desemboca obviamente num dos lados. E sabe-se qual. Costa vai em frente e de tal modo parece estar zangado com aqueles que lhe possibilitaram um dia ser Poder, esquece-se disso (e de outras coisas) e segue pescando em águas pouco claras, a ver se lhe sai um peixe qualquer, “não enquadrado”, mas proveitoso em termos de uma dieta possivelmente mal estudada. Pois sim, vamos lá, que até o tal peixe pode saber a um queijo ressequido, de que não se diz a marca, como se compreende. 

No pântano, como se sabe, não há peixe que resista, aí pesca-se mesmo à linha. Como também se sabe.

No tempo em que os animais falavam, decerto muitas vozes se levantariam, clamando piedade, perante uma coisa tão abstrusa. Embora não se saiba bem, mas se calhar, hoje, haveria apenas um animal a arriscar o voto, se a ele tivesse direito, possivelmente o excelentíssimo dinossauro[i]

É preciso “Agir já”[ii].

Uma vez dentro do pântano, qualquer ser pensante corre o risco de se afundar e com poucas probabilidades de “salvação”. Embora existam (ainda bem) animais peritos em salvamento, podem não estar interessados em tal.

É que se há coisas que nem eles (os animais) gostam, é de demagogia.

 


[i] “Dinossauro Excelentíssimo” (1970) é uma obra de José Cardoso Pires, onde é satirizado o ditador de Santa Comba.

[ii] Título do Manifesto de um partido político

03 janeiro 2022

 VIRAR A PÁGINA?


















Desde o dia de Ano Novo, em que Marcelo disse da necessidade de virar a página, só se fala nisso, embora de forma retórica e desprovida de qualquer sentido.

Querem então virar a página?

Posso ajudar, alinhando 10 singelas notas, para a tal viragem:

1.     parar de injectar dinheiro nos bancos e investi-lo onde faz falta;

2.     aumentar os salários em Portugal, de forma a fazer a tal “convergência” com a europa;

3.     aumentar as pensões, que estão (na sua maioria) iguais ao que eram há mais de 15 anos;

4.     promover o necessário investimento público, na Saúde, apostando no SNS, que continua a dar lições de eficiência e qualidade, apesar de haver profissionais mal pagos e mal-tratados nas suas carreiras;

5.     idem na Educação, pagando salários decentes aos professores e apostando nas suas carreiras;

6.     idem, no Ensino Superior, apostando na investigação e no aumento de licenciados;

7.     incrementar a economia, deixando de lado as tais “cativações”, investindo em vez de desinvestir;

8.     apostar decisivamente na habitação pública, para que todos os portugueses tenham a sua casa e não haja pessoas a morrer de frio, na rua;

9.     atacar de vez os privilégios e a corrupção e vive-versa, uma vez que se trata de uma e mesma coisa;

10.  passar a encarar de uma outra forma a dependência e a subserviência com as regras europeias que determinam a pobreza e a estagnação do País, não admitindo de forma alguma que sejam os burocratas irresponsáveis da comissão e do BCE a dizer ao Governo qual deve ser a política orçamental.

Não sei se seria esta a ideia do Marcelo.

Se for, tiro-lhe o chapéu 

(o problema é que eu não uso chapéu...)

31 dezembro 2021

O TEU BALANÇO É MAIS DOCE QUE O MEU (?)


 

Por esta altura do ano fazemos balanços.
Balançamos ou Balanceamos?
Uma ou a mesma coisa, aqui apenas se reflecte sobre quanto é mais doce o balanço.
Como se mede a doçura de um balanço?
Pela leveza da palavra?
Pela assertividade da afirmação?
Pela loucura do gesto?
Será porventura na leveza do discurso que descansa o segredo do conceito. Falamos de forma suave (doce) quando queremos ser agradáveis, serenamente. Expressamo-nos de forma vigorosa quando nos queremos defender. Ou "atacar" uma qualquer ideia, que julgamos correcta.
Resta então o balanço, que sendo um exercício de movimento constante, quiçá perpétuo, pensa ser um Direito a que temos direito. 
E temos.
Daí que, no último dia do ano, neste particular, um belo dia de Sol, queremos que seja ... a caminho do mar. Seja ele o mar do nosso destino, ou simplesmente do nosso contentamento.
Assim mesmo, a caminho do mar!
(para não dizer que não falei de marés)

24 dezembro 2021

 ERA – (2)
(podia ser uma estória de Natal)


 

















Era assim também.

Nesta quadra sempre vem à memória como era dantes, nos tempos em que a idade não era um posto, mas um gosto. 

Muito embora, como antes, o Natal seja uma festa cristã, uma data em que a igreja católica celebra o nascimento do Homem, as festividades habituais ultrapassam a religiosidade e deixam ao presépio a excelência da data. 

O presépio era o centro de tudo.

Quer pela imagem, quer pelo pormenor da sua construção, era o presépio o rei da festa da minha juventude. Que bem recordo o cerimonial da apanha do musgo e da escolha da árvore, calcorreávamos as matas mais próximas, eram quilómetros, era tanto tempo, na altura em que havia tempo para tudo. Eram 2 ou 3 cestos grandes com o musgo, apanhado nas encostas, em cima das pedras, enfim, nos lugares onde a humidade mais se fazia sentir. Ninguém discutia, na altura, o papel fundamental que os musgos representam para a preservação dos solos e para o combate à erosão, a apanha de musgo era uma actividade normal à época, não havia comercialização, como agora. 

A feitura do presépio era uma empresa considerável. Demorava dias a fio, era sempre numa das semanas de férias da Escola. Havia uma mesa enorme, nas lojas da Casa, que era transportada para a sala de jantar e ocupava seguramente uma parte considerável da área daquela. A primeira fase, o projecto, era a definição dos locais, saber onde iam ficar a cabana, a igreja, o rio, a ponte, e os vários caminhos a traçar no terreno. Depois, havia que atapetar a mesa com o musgo que se havia conseguido. Havia ainda elevações de terreno, feitas com caixas e pedaços de madeira, onde eram colocadas as casas, construídas pelo meu Pai, tal como a cabana do menino.  Os caminhos eram feitos com serrim que se ia buscar à fábrica do senhor Araújo. Depois vinha a colocação das dezenas de figuras, os pastores, os agricultores, os reis magos, os animais e, naturalmente, as figuras da mãe, do pai e do menino. A fase mais espectacular era, sem dúvida, a electrificação do presépio: a cabana, a igreja e todas as casas tinham dentro uma lâmpada e respectivas ligações, fios e cabos, constituido daquela forma a iluminação, a face mais apelativa da obra.

Ditava a tradição que o presépio só ficaria concluído no dia 24 à noite. O caminho dos reis magos iniciava numa ponta da mesa e terminava do outro lado, na cabana. Todos os dias as figuras iam avançando no terreno, até lá chegarem na noite de 24, uma tarefa que era cumprida sempre com afinco.

 

Hoje, sem musgo e sem árvore, improvisa-se da melhor forma possível. Mas as figuras, ou algumas delas, ainda fazem parte do meu património de outros tempos e ocupam orgulhosamente o seu lugar na construção actual. Já não existem as velhas lâmpadas incandescentes de outrora, as casas passaram à história, reflectindo um pouco a crise da habitação que deixa muita gente na rua, os reis em vez do ouro, incenso e mirra possivelmente levam acções de qualquer banco falido e que ninguém quer e somos nós que levamos a oferenda, ou seja, todos os anos, e várias vezes ao ano, lhes “emprestamos” o capital de que eles “precisam”, a caricatura de uma modernidade que distorce a realidade e vive da ilusão. 

 

Fica a imagem e, porque não, que viva o presépio!

17 novembro 2021

 ERA – (1)


Era à soleira da porta que espreitava as novidades. Que, diga-se de passagem, não eram rigorosamente nenhumas, tão sensaborona era a vida de então. Todavia, de quando em vez, lá aparecia alguma coisa, a tal novidade que era, mesmo sem o ser. Era a soleira da porta, contudo longe da rua, lá fora a correr.,
De certa forma era a transição entre o “fora” e o “dentro”, que devia estar em causa. Naquela aldeia do Minho de então, era tudo sempre igual, as mesmas pessoas, “bom dia menino”, algumas carregadas de passado e sem nenhum presente digno desse nome, quanto mais futuro.
Eram as poucas casas, umas três ou quatro, com a mercearia do Mota, que também tomava conta da luz eléctrica e a desligava quando estava mal disposto, pelo menos era o que se dizia. E era a casa do tio João, um pouco mais acima.
Passavam carros, muito poucos, quase todos tinham nome, o chevrolet do Dr. Magalhães, o mercedes do Sr. Santos. Mas eram as camionetes da carreira que naquela altura pontificavam, as empresas que faziam transporte, a hoteleira do Gerês, o Tecedeiro, o Marinho, o Peixoto e outro que era o Salvador, que rumava mais para Norte.
Era o rio, sim. Mais propriamente, os rios, porque eram dois e um desaguava no outro, sem qualquer cerimónia, todos os dias. E a gente gostava deles, porque era na água que repousavam todas as mágoas possíveis daqueles dias de infância. E foi naquelas águas bem frias, com quem, esbracejando, aprendemos a conviver. Havia um encanto secreto em uma das margens, na outra morava talvez a incerteza, algo que estava um pouco mais além da compreensão, havia muito para dizer sobre isto.
Havia medo? Talvez, mas era sempre disfarçado, filtrado pela excessiva protecção dos pais e do resto da família. Havia de acontecer medo naquelas situações em que se arriscava mais que o permitido, que pouco era.
Havia a senhora Rosa, uma mulher de grande saber, mas que confessava a sua nulidade, porque era criada e assim o tinham que ser aqueles a quem não era permitida qualquer valorização, ou ascensão no elevador social, uma coisa que não se sabia muito bem o que era na altura, mas que sempre ditou a sorte dos mais fracos.
Havia sol.
- Mãe, porque andam os meninos descalços?
- Assim foi e assim será, é o povo da aldeia, apenas isso.
A partir de certa altura haveria aquilo de me fazer alguma confusão, misturada com o facto de não ter autorização de brincar com eles.
O povo da aldeia.
Havia frio.
As casas, mal aquecidas, eram grandes de mais, eram enormes, era tudo grande demais. A parte mais bonita da casa, onde havia um quarto no sótão, com vista para o rio, uma imensidão de água. Tão imensa que, no Inverno, subia todas as margens possíveis e imaginárias, alojando-se tranquilamente quase ao nível das lojas, a parte mais baixa da casa que, apesar de tudo, resistiria sempre à invasão.
Era a época do ano mais bela, porque diferente e assustadora.
- Pai, porque temos medo da força da água?
(desta pergunta não lembro a resposta, apesar de o Pai ter sempre resposta para tudo).
Era a largueza de um tempo sem medida, na medida exacta do tempo que existia. Se bem me lembro, havia tempo para tudo.
O era deixaria de ser um dia, quando a natureza mandou que fosse. Entretanto, continua em nós, até que seja tempo. (...)

15 novembro 2021

 DIAMANTES DE LÍTIO
(ou a dupla face da “inevitabilidade”)

 

Confesso que não aprecio o termo “exploração”, quiçá por me trazer à memória o peso que o mesmo tem (ainda) sobre a maioria dos cidadãos.

Confesso também que não sei o mais me inquieta, se a inevitabilidade de um ministro a prazo, se o significado da ignorância técnico-científica de quem deveria ter algum cuidado quando aborda a dita inevitabilidade. 

Mas se calhar há coisas mais importantes que a evidência que a comunidade científica atribui à mais completa irrelevância da exploração que, no nosso País, mais se fala, se debate e se protesta. E claro que aquelas “coisas” têm muito valor, na sociedade do desperdício e da inevitabilidade de certos negócios. Há que lhes chame “interesses inconfessados”, outros que preferem designá-los de “conluios”; os mais ousados, arriscam uma designação mais contundente: “pagamento por conta”.

Se porventura ouvisse Ovídio a dizer, “Se eu pudesse, seria mais prudente; mas uma força nova / arrasta-me contra a minha vontade, e o desejo / atrai-me a uma direcção, e a razão, a outra: / vejo e aprovo o melhor, mas sigo o pior”, talvez o dito senhor pudesse pensar melhor, antes de seguir (quase sempre) o pior.

Mas o que valerá mais, no meio da confusão mediática, um miligrama de lítio, ou um grama da pedra preciosa roubada no corno de África? A dar crédito à notícia do putativo valor da pedra, a preciosidade da dita andará muito abaixo, ou se quiserem, muito por baixo. Pode (deve) colocar-se a questão, tão clara quanto a água que nunca será bastante para a exploração: quem é mais incompetente, aquele que rouba a pedra e depois vem a saber que não vale mais de 200 euro, ou aquele que permite que alguém vá roubar a pedra à terra, sabendo de antemão a insignificância de tal exploração? 

Há quem assegure que a arrogância é a alma gémea da incompetência. Será, não será? Ao ver o ouvir afirmações “inevitáveis”, somos levados a admitir que sim.

 

Ligar aquela inevitabilidade ao que se passou em Glasgow, é capaz de ser interessante. O “equilíbrio consensual” para um mundo mais limpo, a ser procurado por aqueles que mais o sujaram e ainda sujam, é tão credível, como a estória do deixar o lobo a tomar conta do galinheiro. Mas há quem acredite, porventura uma questão de fé, como a dos dirigentes pressurosos que juram a sete pés vontade de contribuir para um mundo mais “verde”. Verde pode ser assim a cor possível dos novos negócios e concessões a quem esses dirigentes são fiéis, por vezes de forma canina, salvo seja. O verde, o verdadeiro verde, é aquele que dia a dia desaparece um pouco, graças à acção desses “funcionários” da desgraça.

Isto é que é capaz de ser desgraçadamente inevitável.

17 outubro 2021

 DIA INTERNACIONAL PARA A ERRADICAÇÃO DA POBREZA

https://unric.org/pt/dia-internacional-para-a-erradicacao-da-pobreza/?fbclid=IwAR1_xDn-Jcz67-2HM0cDqDn2Z9-gKb3nsZg9R_fdedSQ9ItetaStba0UOlY

 

Na declaração, pode ler-se:

"Neste Dia Internacional, comprometemo-nos a alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável #1 e uma globalização justa que funcione para todas as crianças, famílias e comunidades."

 

Claro que, já se sabe, a globalização não é, nem pode ser nunca, "justa", uma vez que se baseia em princípios e conceitos económicos (e não só) errados e completamente contrários ao real desenvolvimento dos povos, particularmente dos mais vulneráveis.

 

Há uns anos atrás, no longínquo 2007, três investigadores das Nações Unidas [Hamish Jenkins,  Eddy Lee e Gerry Rodgers], publicaram um estudo independente ["O combate por uma globalização justa nos últimos três anos", disponível em: https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---europe/---ro-geneva/---ilo-lisbon/documents/publication/wcms_722490.pdf]

, em que salientam precisamente algumas das injustiças da globalização, advertindo aliás para “...os efeitos da desigualdade, da insegurança e da incapacidade de fornecer o suficiente às pessoas no seu dia-a-dia”. 

 

Nesse estudo chamaram também à atenção para as formas correntes de globalização, que, no seu entender, “.. tinham exacerbado problemas existentes de desigualdade nas e entre as nações, desenraizado as comunidades e as economias locais, minando os modos de vida indígena e gerando uma sensação generalizada de insegurança e de fragmentação social.”

E aconselhavam desta forma: “a globalização justa começa em casa, com acções nacionais e regionais mais eficazes; que as regras da economia global precisam de ser modificadas; que o trabalho digno deve tornar-se num objectivo global; e que as instituições internacionais, que podem fazer avançar esta agenda, deveriam prestar mais contas às pessoas.

 

Seria expectável que, neste dia (e nos outros dias do ano...) as organizações e agências internacionais, a começar pelas NU, prestassem mais atenção às pessoas e tornassem as suas declarações de circunstância (como a que aqui se ilustra) em acções concretas.

Só que isso é o mais difícil...

11 outubro 2021

ÁGUA PESADA


 


 











Diz-se de uma variante da água, muito semelhante, em termos químicos, à água normal, mas que inclui o isótopo de deutério do hidrogénio (2H2O ou D2O). Pesada, porque simplesmente aqueles átomos de hidrogénio são mais pesados, uma vez que os seus núcleos têm a mais um neutrão, para além do protão característico dos átomos de hidrogénio. Em termos muito simples, o protão, é a partícula do núcleo de um átomo com carga eléctrica positiva e o neutrão, a partícula do núcleo de um átomo desprovida de carga eléctrica.

 

Apresentada a ciência da Física Atómica, pretende-se estendê-la, ou, como é usual fazer-se, aplicá-la ao mundo real, neste particular à política concreta, se tal coisa tiver vida própria e for possível (porque não?) atribuir-lhe um valor, positivo, negativo, os simplesmente “sem carga”. 

Vem a propósito, a “carga” que o OE representa, ou representará, na vida dos cidadãos deste país, muito embora se saiba, que “...há mais vida para além do Orçamento”, uma conhecida asserção, da autoria do saudoso Jorge Sampaio, corria então o ano de 2003.

A água pesada é conhecida, na gíria comum, pelo papel que desempenha na regulação dos processos dos reactores nucleares que não usam urânio enriquecido. A saber, quando os ditos (reactores) se envolvem na fissão, libertam os tais neutrões, que são partículas conhecidas pelo seu movimento, que é tão rápido, que necessita de alguma estabilidade, necessária para que a reacção em cadeia seja devidamente controlada. Aí entra a água pesada, como o dito regulador.

À possível confusão, criada pela introdução da Física, sucede a circunstância da possível assimilação de um processo, controlado, ou nem por isso, para que a reacção, ou reacções em cadeia, se processem de forma, digamos, pacífica. Tal poderá, contudo, não ser viável, se entrarmos em linha de conta com outras variáveis, não propriamente físicas, mas sobretudo de ordem socio-psicológica. 

 

A questão das cargas

O que é, ou não, positivo, pode, em determinada fase do processo, ser fatal para o mesmo, ou pelo contrário, ser aditivo, em termos de importância. Vamos por partes. Enquanto no processo de fissão (nuclear), se constata a partição de um núcleo atómico, pesado e instável, em dois núcleos atómicos médios, no processo político apenas interessa a particularidade de ser “aditivo”, ou seja, que junte os diferentes contributos, para produzir um “núcleo” forte, que possibilite uma execução equilibrada.  

Por razão evidente, se conclui da necessidade de “cargas” positivas no processo, ou no mínimo, que não tenham qualquer carga, a saber, que não introduzam elementos de diversão ao objectivo final. 

 

O papel da “água pesada

Se tem papel, se interessa que tenha algum papel, ele tem que ser devidamente pesado. Não se pense que a água é “neutra”, ou politicamente inócua, como por vezes se pretende. Se porventura, como acontece na fissão nuclear, se pretende uma quebra, ou uma divisão, na política orçamental devia pretender-se exactamente o contrário. Aparentemente, o contrário. Todavia, a dialéctica da coisa, deixa antever, como sempre, a aproximação ao dito processo de fissão. Bem ou mal, acaba por ser quase sempre assim. 

E aqui entra a “água pesada”. Apenas um ligeiro pormenor de um “neutrão a mais”, para lhe conferir o tal “peso” que faz a diferença, ou a afirmação da diferença, pelo peso conferido pela razão? Traduzido em palavras “normais”, será um orçamento como os outros, preocupado sobretudo no cumprimento das metas do défice, ou um orçamento especial, num momento de crise evidente, onde os que mais sofrem são sempre os que acabam por pagar o ónus de uma carga, “pesada” demais para os respectivos ombros? Um orçamento que “suporta” a evidente e aparentemente generalizada subida de preços, com a necessária resposta dos sindicatos, que desencadeia o conflito negocial? Ou um orçamento de “pacificação”, devidamente acordado (ou controlado?) pelo acordo (que parece próximo) do Partido Socialista com a Esquerda parlamentar?   

 

Avançando, ou apenas continuando a ilusão?

Nas duas questões anteriormente colocadas, pode entroncar uma vez mais (não entra sempre?), a centralidade evidente da necessidade de controlar devidamente o papel desempenhado pelo partido do governo. E tal controle só é possível, com a presença da Esquerda no Poder. É a tal diferença que a “água pesada” confere, apenas um neutrão a mais. Porque não se pense que é derrubando Costa que o País vai resolver algum problema, mas sim forçando-o (sim, é este mesmo o termo correcto) a negociar com a Esquerda. Não é Direita que tem a solução, falta-lhe “carga” para despoletar seja o que for, para além do fogo de artifício provocado pela agitação constante e permanente do espectáculo e da diversão onde se movem as figuras que conhecemos. De todo. A evolução, no sentido de uma política de substância aditiva, que signifique melhores condições de vida para quem realmente necessita, estará porventura no despoletar de um processo de fissão, não no sentido da “quebra”, ou da “divisão”, mas no caminho da libertação de uma quantidade enorme de energia, típica deste tipo de processo. É dessa energia que o País precisa para que a transformação comece, ainda que timidamente, a dar os passos certos e necessários.

 

Sempre a Física a dar respostas?

Existe um isótopo ainda mais pesado de hidrogénio, que não é utilizado para água pesada, nos reactores nucleares. Não falamos dele, porque é radioactivo e ocorre muito raramente na natureza, é um subproduto de eventos nucleares. A ingestão ou inalação artificial de trítio (assim é chamado) pode ser algo inconveniente para o ser humano. O cidadão deve ficar apenas pela preocupação natural em evitar este isótopo, ou outros de perigo semelhante, que desgraçadamente pululam por aí. 

Fica, pelo menos para já, a sugestão de leitura de mais informação científica, caso ocorra algum perigo de contaminação.

Para bem entendedor, basta, contudo, um conselho básico: evitar o contágio.

10 outubro 2021

 A MÚMIA AINDA MEXE


 

















Uma notícia recuperada do ano passado, conta que um grupo de cientistas teria recriado a voz de uma múmia egípcia com 3 mil anos.

Aqui, neste reino de algumas múmias vivas, ganha particular saliência a múmia de Boliqueime que, de quando em vez e sem precisar de apoio tecnológico, emite uns sons, repetitivos e monocórdicos, que cheiram a naftalina e tresandam a ódio ressabiado. 

Desta vez a “emissão” centrou-se na chamada de atenção para a “forma limpa” como o País teria saído daquela desgraça negociada com a troika, a que chamaram “Programa de Assistência Financeira”. E ainda tem o desplante em grunhir, "Portugal continuou a crescer menos do que os países com que se deve comparar e o empobrecimento relativo, que devia ter começado a reverter, continuou a agravar-se. Tem sido o reflexo de uma vitória dos partidos da extrema-esquerda apoiantes do Governo, de cujos objetivos faz parte a fragilização dos fatores de crescimento da nossa economia, e que, explicitamente, apoiam Governos de países onde impera a ditadura e a miséria"

 

Para este miserável representante de um passado de ruinosa memória, quando recebeu milhões da EU e apostou no betão, patrocinou cursos de formação fantasmas pagos a empresas de amigos, liquidou o tecido empresarial do País, matou a agricultura e as pescas e desprezou a Educação, a Cultura e a Cidadania (deixem-nos trabalhar, lembram-se?).

Esta múmia que desgraçadamente continua a fazer-se ouvir (não existe infelizmente uma tecnologia de inversão) esteve sempre do lado dos corruptos que lhe encheram paulatinamente a pança, vem agora atormentar o nosso sossego e perturbar as consciências de quem trabalha (sim, de quem trabalha!). 

Tudo o que possa vomitar hoje, do seu lúgubre túmulo, apenas tem valor para os que o seguem (mas haverá quem?) e para mostrar que o País trata bem de mais quem o tentou destruir...

Desejar paz á sua alma é um lugar-comum que pode parecer estranho...