“It was only one hour ago
It was all so different then
Nothing yet has really sunk in
Looks like it always did
This flesh and bone
Is just the way that we are tied in…”
"I Grieve", City of Angels, Peter Gabriel
30 Março 2010
Alf.
"Do rio que tudo arrasta, se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem" Berthold Brecht


Natal 2009
Quando tudo se parece desmoronar
à volta de esperanças desencontradas
na esquina há uma luz que parece se apagar
mas há vozes que sonham acordadas
e que falam que é possível, quem diria (?)
mudar de vida, de rumo e trazer mais alguém
que dê força e razão à Utopia
pode ser hoje ou quem sabem, mais além…
Mas se um só dia conta como dizem ser natural,
porque não ser então neste Natal?
Alf.
23 Dezembro 2009

CASUS
Parte 2. RR

Fonte: http://images.google.pt/images?hl=ptPT&source=hp&q=rui+rio+em+imagem
Ainda bem que os GATO resolveram trazer a cena este cidadão, presidente da Câmara do Porto e candidato a um putativo 2º mandato. E digo ainda bem, porque nos foi dada a possibilidade dever e ouvir um personagem simplório, uma personalidade perturbada, um espécime do mais rasteiro que se possa imaginar. Já sabíamos que era mau, nunca pensaríamos porém que fosse ainda pior que isso. Durante a entrevista foi possível avaliar o mais profundo desprezo pela Cultura, pelas pessoas, pela sociedade civil. Um intérprete zombeteiro, um tipo viscoso, tentando fazer humor de baixo nível, deixando passar a imagem de um ser mal-formado, mal-educado, um poço de lugares comuns, um vazio completo de ideias. Gozando, tentando gozar com pessoas como o Pedro Abrunhosa, uma figura que de facto está a um nível que o candidato nunca poderá chegar; aliás seria difícil descer tão baixo, como o fez essa figura pequena, um cromo autêntico, uma farsa inqualificável.
Embora não votando na cidade do Porto, não posso esquecer os laços incontornáveis que à cidade me ligaram em tempos e que ainda estão vivos. E, por falar em vivos, o Pedro talvez lhe tenha dado uma resposta (embora ele nem resposta mereça…) quando afirmou, durante um espectáculo de apoio à candidata do Partido Socialista, “… o Porto perdeu a alma, o Porto perdeu a voz, mas está vivo”. E tudo isto acontece porque a Esquerda ao que consta (o que parece, é?), não foi capaz de se entender para tirar de lá o rio, mandando-o para o Douro com a tralha toda, mesmo sabendo que o ia encher de entulho…
Há pessoas que, nem no caixote do lixo da história, terão lugar. Passam pelos cargos públicos e nem uma marca deixam ficar, porque o seu nível é tão baixo e desajeitado, que qualquer qualificativo por menos exigente que seja, nem sequer dá para aplicar. E a Direita toda, a aristocracia falhada, conservadora e mais ou menos encostada ao poder, rejubila com os 20% que a personagem RR leva de vantagem, a poucos dias do Voto. Confesso que não entendo como foi possível a este ponto chegar. O “povão” vai eleger um indivíduo cuja bandeira de campanha é “deitar abaixo”” um bairro inteiro, porque pelos vistos há por lá problemas de droga? Só falta dizer que vai usar napalm…
“Com os dois pés no Porto” (???). mas isto é alguma coisa; só mesmo se for para dar pontapés, na cultura, nas pessoas, em tudo se calhar…Nem sequer se pode dizer, que deus lhe perdoe, dado que nem acredito nesse tipo de coisa. Fica um amargo de boca. E, dado que mais não me resta, deixem soltar uma certa fúria (uma fúria certa?) para quem para tal, directa ou indirectamente, contribuiu… Disse.
08 Outubro 2009
Alf.

CASUS
Parte 1. ACS
Fonte: http://sol.sapo.pt/photos/kaos/picture64524.aspx
Poderia dar-se o caso de eventualmente o título sugerir um qualquer caso de estrangeirismo muito em voga. Ou pura e simplesmente um ortográfico erro, perfeitamente normal, por gafe, ou até por distracção do corrector que, quando se escreve em maiúsculas, deixa passar, enfim. Mas não, aqui a putativa confusão com o homónimo, está fora de causa. Pois bem, CASUS é mais C.A.S.U.S. , Cidadãos Abaixo de Suspeita, ou seja, uma sigla que estou certo fará fúria a muito boa gente, que simplesmente as detesta. Aqui nos propomos, analisar algumas personalidades que, por suspeitas ou até insuspeitas razões, fazem alguma tinta correr. Muito embora, na maior parte das vezes, seja uma pura perda de tempo. E o porquê da outra sigla que constitui a baptizada parte um, salta à vista, mesmo dos mais desatentos.
É mesmo: Aníbal Cavaco Silva. Devo confessar que não me revejo neste PR. Na última campanha para as presidenciais, a minha primeira intenção foi a jogar tudo para que este cidadão não fosse eleito. Mas foi. Espero desde já que seja o seu primeiro e último mandato. Uma presidência que acaba por marcar a campanha eleitoral para as legislativas, com um caso estranhíssimo. Ao receio de ser “escutado” pelo Governo, uma palhaçada autêntica, misturada com mails, “encontros discretos na Avenida de Roma” e o despudor dessa espécie que dá pelo nome de José Manuel Fernandes, junta-se a patética declaração pós-eleitoral, que nada esclarece, que lança ainda mais confusão. E sobretudo, mostra a verdadeira face do cidadão ACS que, decididamente perdeu a compostura, deixando cair a máscara de presidente preocupado com causas sociais (alguém acreditou naquilo???), volta a ser, ou a vestir a pele (como disseram grande parte dos comentaristas) de primeiro-ministro dos anos 90. O mesmo tom de voz autoritário, a mesma face carregada e sombria, a imagem do homem cinzento, a que só faltam uns óculos escuros (…). O mesmo discurso retorcido, o mesmo azedume, os mesmos (ou melhor, outros…) tabus, a imagem de marca de um passado recente que, apesar de muitos terem já esquecido, eu não esqueço, eu não tolero, eu não perdoo (se o termo aqui se pode aplicar…). A 21 de Outubro de 2005 escrevi um longo texto, quando este cidadão se apresentou como candidato à Presidência. Quero aqui recordar uma pequena passagem, a propósito do comentário que Jerónimo de Sousa fez ao tempo: “… é preciso ter memória, é preciso não esquecer que, se estamos como estamos, bem podemos agradecer ao homem que ontem se apresentou.” O título do artigo era, pura e simplesmente “Este homem não!”. Ficou e venceu. Cabe a todos os que ainda têm memória, tirá-lo agora de lá.
Este é um apelo, mais um, a toda a esquerda, a todos os verdadeiros republicanos. No dia da implantação da República em Portugal. Se calhar, esta é mais uma daquelas que muitos comentadores, políticos e politólogos chamam “prioridade nacional”. Disse.
05 Outubro 2009
Alf.
A Cena Parte 4. O meu VOTONão sei bem se a lei se aplica aqui, ou seja, se na blogosfera a campanha termina à meia-noite de hoje. Eu faço sempre campanha todos os dias. Habituei-me desde muito jovem a encarar a cidadania global como um símbolo de uma luta pelos direitos humanos, pela dignidade das pessoas, pela igualdade a todos os níveis, pela Democracia participativa, por uma sociedade mais justa. E também uma luta contra a pobreza, contra a exclusão social, contra os privilégios de pessoas e grupos que oprimem a grande maioria, enfim contra o fosso enorme entre pobres e ricos; em Portugal e em todo o mundo. Uma luta que não pode esquecer 4 décadas de fascismo, que não deve esquecer quem conseguiu abrir as portas que Abril abriu.
Serei hoje, por um dia, politicamente correcto, ou seja, respeitando a lei. Para fazer o meu apelo ao VOTO. Aproveito aqui e agora, as palavras simples de Jerónimo “… não há governo à esquerda, não há política de esquerda sem a contribuição decisiva do PCP e da CDU”[1]. Perfeitamente à vontade, dado que não milito em qualquer partido há bastante tempo. Nada me obriga a concordar com tudo o que o PCP faz, ou diz. O meu apoio é um apoio crítico, porém convicto. Um apoio a um imenso grupo de mulheres e homens, muitos jovens, que defendem causas, princípios e ideais seguros de esquerda. Uma esquerda que não precisa de se travestir para se afirmar. E sobretudo na defesa de “…uma política de desenvolvimento económico visando tais objectivos pressupõe na sua realização uma decisiva intervenção do Estado na efectiva regulação da actividade económica e na concretização de políticas que prossigam opções estratégicas nacionais e a valorização do trabalho e dos trabalhadores, questão nuclear de uma política alternativa” [2].
Num momento em que tanto se fala em coligações, alianças e outros acordos ou desacordos do género, Jerónimo diz muito claramente que “…só aceita dialogar uma aliança, se primeiro o PS aceitar políticas e bases programáticas”; e ainda, “o PCP esteve sempre aberto a qualquer discussão; o problema não é aceitar ou não dialogar: o problema é dialogar em torno de quê e procurar convergências em torno de quê” [3]. Ao contrário de alguma esquerda, com propostas muito válidas diga-se de passagem, que talvez iludida pela “dança” das sondagens, vai dando alguns pontapés na coerência…
Entramos então no período de reflexão; já passa de facto da meia-noite, já me sinto um pouco infractor. Irei decerto amanhã reflectir, há sempre tanto para reflectir. Não decerto sobre o meu sentido de voto. O meu voto é segura e decididamente CDU!
Fim de cena.
25 Setembro 2009
Alf.
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(1) In Jornal “Público” de 25 de Setembro
(2) Programa eleitoral do Partido Comunista Português
(3) Idem nota 1
Parte 3. Casos, Gafes, Fitas, Gatos e mais coisas interessantes (ou não…)
http://sic.sapo.pt/online/sites%20sic/gato-fedorento/esmiuca-os-sufragios
Não diria que vale tudo nesta Cena. Mas, inundados que somos, praticamente todos os dias, com notícias mais ou menos desencontradas (?), ficamos com a sensação que nos passa ao largo muita coisa, que deveríamos conhecer melhor. Falo de transparência, claro. Ou da falta dela. Podemos comentar, protestar, ficar mais ou menos furiosos, mas de todo impotentes (salvo seja), uma vez que o afastamento é grande. Resta-nos mesmo contribuir como o Voto, afirmação de cidadania. A abstenção só servirá aquelas(es) que contribuem para a confusão.
TVI. Uma empresa privada, de orientação conhecida, despede (no meio da tal confusão), imiscuindo-se na Cena. Para que se saiba, a conhecida “jornalista” que se apresenta (ou apresentava) “ eu sou a MMG”, deu uma entrevista no mínimo provocatória ao DN uns dias antes de a administração lhe ter tirado o tapete. Nessa entrevista MMG chama "estúpidos" aos seus superiores. Aliás, as palavras "estúpidos" e "estupidez" aparecem várias vezes sempre que MMG se refere à administração e muito boa gente. É muito interessante rever a rábula feita pelos “Contemporâneos” que, para além de ter imensa piada, espelha na íntegra forma despudorada, provocatória e despida de qualquer conteúdo jornalístico que a dita cuja senhora utilizava. Mas há mais: é conhecida a forma como tratava os colegas dos outros canais, de “cobardes”, chegando ao ponto de classificar o programa da RTP 2, “Clube de Jornalistas”, como “uma verdadeira porcaria” e dizendo do Sindicato dos Jornalistas, "… pessoas que nunca fizeram a ponta de um corno na vida". Teve pois, em minha opinião, o que merecia. Claro que a Direita em peso apareceu em peso, como era de esperar, particularmente aqueles que no malfadado Governo de Santana Lopes fizeram o que se sabe e que nem vale a pena falar. E o que é perturbante, é que algumas pessoas de Esquerda tenham embarcado na onda, se bem me faço entender..
Das gafes, a melhor terá sido a da tal senhora que queria (quer?) “… parar a Democracia por 6 meses para pôr tudo na ordem”, ao dar autênticos pontapés na gramática da língua pátria, em várias situações, nomeadamente nas aparições nos “Gato Fedorento”, os quais montaram sobre o tema uma verdadeira profusão de asneiras. Também é de rever, para quem não esteve atento.
O Sr. Silva (até me custa recorrer ao Bokassa da Madeira, mas enfim…) deve contudo ter protagonizado a mais insólita gafe desta Cena. E o problema é muito mais que gafe. O dito senhor “desconfia” que anda a ser espiado pelo Governo, há praticamente ano e meio. Vai daí recorre ao Sr. Lima, seu fiel adorno há 20 anos, para abordar um jornalista, montando uma outra Cena. Deu no que se sabe: o dito senhor já foi demitido, o Sr. Silva tem agora mais um “tabu”, a lembrar os tempos em que desbastou os dinheiros públicos, na qualidade de PM. Bem, se de facto tinha desconfianças, não tinha outra solução senão abrir um inquérito e demitir o Governo. Mas a Direita é mesmo assim, retorcida; o Sr. Silva continua (apesar das suas “preocupações sociais”) a ser a imagem dessa Direita, que não queremos (eu, particularmente não quero mesmo!).
Um dado interessante: tendo-se falado muito durante a campanha, na luta contra a pobreza, na luta pela inclusão social, não ouvi, não li, não vi, qualquer dos partidos enquadrar devidamente essa prioridade com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), um compromisso mundial, assumido nas Nações Unidas em Setembro de 2000, pelos chefes de Estado e de Governo de 189 países, incluindo Portugal, Foi então assinada a Declaração do Milénio, comprometendo-se a lutar contra a pobreza e fome, a desigualdade de género, a degradação ambiental e o vírus do VIH/SIDA. Foi ainda assumido o compromisso de melhorar o acesso à educação, a cuidados de saúde e a água potável. E, para avaliar o cumprimento daquele compromisso, foram estabelecidos 8 ODM ([1]), a alcançar até 2015. Para além de constituir um compromisso de solidariedade internacional, que deve inspirar todos os cidadãos e organizações governamentais e não-governamentais, implica que o futuro Governo do País deve conceder mais e melhor ajuda pública para o desenvolvimento, nomeadamente no que reporta aos países de língua portuguesa. Tal referência poderia fazer contudo toda a diferença, no que significaria uma mobilização para a cidadania global.
Fim do terceiro acto.
24 Setembro 2009
Alf.
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([1]) Os 8 ODM: Pobreza e Fome / Ensino primário universal / Igualdade de género / Mortalidade infantil / Saúde materna / Doenças graves / Sustentabilidade ambiental / Parceria global para o desenvolvimento
In: http://www.objectivo2015.org/pobreza/index.shtml

A Cena
Parte 2. A “Política da Verdade”
A Cena é a tal “politica da verdade”Alguns dados da autora (e intérprete).
Manuela Ferreira Leite, Ministra da Educação do XII Governo Constitucional, de Aníbal Cavaco Silva, de 1993 a 1995. Inventou a “Geração Rasca”, para designar os jovens que terminavam o 10º ano de escolaridade. Esteve no centro da polémica das Lei das Propinas (pouco tempo depois de ter existido uma carga policial contra estudantes do Ensino Superior que se manifestavam frente ao Parlamento). Asfixiou completamente as Escolas Profissionais, através da medida de corte de financiamento público. Afirmou que os salários dos professores se iriam tornar iguais aos de um canalizador. Assinou a Lei de Bases da Educação que faz referência à escolaridade obrigatória até ao 12ºano.
Manuela Ferreira Leite, Ministra de Estado e das Finanças do XV Governo Constitucional, de Durão Barroso, de 2002 a 2004. Inventou a obsessão extrema pelo défice. Promoveu cortes orçamentais cirúrgicos às PME, que tiveram como consequência a falência de algumas delas. Idem às restrições orçamentais feitas às Câmaras Municipais que colocaram muitas delas à beira do colapso económico. Contratualizou, em sede europeia, o projecto do TGV, juntamente com Durão Barroso, então líder do PSD.
Manuela Ferreira Leite, candidata às eleições para a Assembleia da República de 27 de Setembro 2009. Afirma que a geração jovem é fundamental. Propõe corte radical com as actuais medidas da Educação, apoiando os professores (...). Afirma que a escolaridade obrigatória até ao 12ºano terá poucas ou nenhumas vantagens. Critica a obsessão de José Sócrates pelo défice. Propõe um programa de apoio às PME. Propõe rasgar contrato do TGV. Apresenta 2 candidatos na sua lista arguidos em processos de justiça. Defende que, no seu partido, os candidatos a um determinado cargo não o poderão ser a mais nenhum cargo nas eleições que ocorram este ano. Alberto João Jardim é candidato inverso da afirmação anterior. Manifesta-se publicamente, no debate com o PM contra “os espanhóis”. De 2006 a 2008 foi Vogal do Conselho de Administração do Banco Santander.
Basta comparar, não é preciso dizer mais; na realidade, não vale a pena…
A “santinha da ladeira”, como parece ser conhecida por alguns dos seus colegas de Partido. Aquela que propõe “parar a democracia por 6 meses” (uma ironia?). A mulher que elogia publicamente a “democracia” na Madeira. A mulher que diz que o casamento é para procriar. A “outra senhora” segundo a feliz alegoria de Manuel Alegre, nada tem no seu programa de concreto, porque simplesmente nada tem para dizer ao País. E, segundo consta, também ao seu Partido.
Não sei porquê, lembro tempos passados, quando o SNI coordenava, na Emissora Nacional, o programa do salazarismo "Rádio Moscovo não fala verdade"…
Não havia necessidade…
Fim do segundo acto.
22 Setembro 2009
Alf.
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Fontes:
o http://www.sg.min-edu.pt/expo03/min_21_ferreira_leite/expo2.htm
o http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuela_Ferreira_Leite
o http://thoughts-and-letters.blogspot.com/2009/07/cv-da-avozinha.html

A Cena
Parte 1. Mas que cena é esta?
Uma serie de estórias, factos mais ou menos reais, outros assim-assim; alguns ainda de pura inspiração, dislates de consciência, desabafos mais ou menos incontidos, reflexões sérias, honestas e desonestas, puro divertimento e gozo, alguma ansiedade (natural?) no palco imenso de mais uma campanha. Os contornos enquadrativos de uma Cena, que se desenrola no tal palco, que devia representar o País, que de facto passa ainda ao largo de alguns milhões de cidadãos, por razões que a razão conhece, mas que alguns teimam em esquecer, para aliviar talvez a irresponsabilidade dos que usam a irritante frase feita “o interesse nacional está acima dos interesses particulares, o meu desejo é o de servir o meu país”. Bastava citar meia dúzia de casos conhecidos, para desmontar a asserção, tal é a completa e desmesurada promiscuidade entre a pequena política e os grandes interesses que, infelizmente, dominam a Cena.
A primeira parte da Cena é naturalmente dedicada aos que tiveram a responsabilidade de governar durante os 4 últimos anos. As outras partes tentarão visar os que continuam em cena de há muitos e muitos anos atrás, resguardados agora e sempre atrás de um poder oculto que transformam de facto a verdadeira Politica, que devia ser de todos e, não o sendo, distorcem a Democracia, transformando-a num mediático circo, iludindo os que votam para uma sociedade deliberdade, igualdade e fraternidade; e de mais algumas coisas… Razão para não votar? De todo, o apelo ao voto é quase um desespero de causa, ou se quiserem uma causa em si mesmo. Votar pois, apetece mesmo dizer como em tempos “o voto é uma arma” que, bem usada, pode alguma coisa transformar.
Votar por (ou para) causas, ideais, uma qualquer utopia. Ou muito simplesmente por nada de especial, como por exemplo, por protesto. O protesto, pode começar por ser feito de uma forma muito simples: não tivemos 4 anos um governo socialista, mas sim 4 anos de um governo do Partido Socialista. Apesar de, à primeira vista, poder parecer o mesmo, de facto não o é. O PS adoptou uma esquisita, mas conhecida estratégia, de praticar uma politica de direita, a que dá a designação de “reformista e de esquerda moderada”. Uma contradição, uma vez que aquilo na realidade não significa positivamente nada. Primeiro, porque o termo “reformista”nada diz em concreto, é uma abstracção, ou se quiserem uma afirmação de quem quer fazer “reformas”, sem se saber que tipo de reformas. Segundo, a “coisa” a que se chama “esquerda moderada”, também não é substantiva; ou é esquerda ou não é; será uma posição entre a esquerda e a direita(?); será uma posição entre a direita e a esquerda (?). Com toda esta ambiguidade, a realidade mostra um País com: um nível de pobreza assustador, em termos da União Europeia, um sistema bancário e financeiro protegidos em termos de carga fiscal, um número absolutamente intolerável de salários elevadíssimos em cargos de chefia em empresas (públicas e privadas), um critério de privatizações que deu no que sabemos, electricidade, combustíveis, serviços de telecomunicações mais caros, penalizando sempre os mesmos. A direita não faria melhor nem pior, faria exactamente o mesmo. Para “equilibrar”, a politica “reformista e de esquerda moderada”, mostrou alguma disponibilidade na consolidação do Serviço Nacional de Saúde, na promoção de muitos milhares de pessoas a quem foram reconhecidas qualificações (Novas oportunidades), enfim, um tímido combate à evasão e fraude fiscal e o chamado “simplex”.
Não chega, como fácilmente se constata pela frieza dos números que dia a dia vamos conhecendo. Mais de meio milhão de desempregados, uma politica económica que de facto, protege (velada ou directamente) os grandes grupos económicos e, acima de tudo, na continuidade do “centrão”: a rotatividade escandalosa de meia-dúzia (realmente muitos mais) de figuras PS e PSD à frente de empresas públicas. E, por falar em números aqui vai, sem comentários (não vale a pena…), uma notícia de 12 de Setembro da TSF: “o porta-voz da Comissão de Trabalhadores disse que, segundo o relatório do primeiro trimestre da PT, os administradores executivos receberam mais de seis milhões de euros”
A Cena repete-se portanto. E é hora de a Cena mudar. Mas a mudança não é escolher dentro do centrão. Para surpresa de muitos iludidos, que dizem à boca cheia que a diferença entre esquerda e direita se vai esbatendo. Puro engano: esquerda é esquerda, direita é direita, assim mesmo. Precisamos de introduzir na politica uma radicalidade, que significa a já falada defesa de causas e princípios; aliás, assim o dizem muitas figuras conhecidas dentro do Partido Socialista.
Fim do primeiro acto.
20 Setembro 2009
Alf.
ZECA AFONSOme enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou ...
Por entre fotos e nomes
os olhos cheios de coreso peito cheio de amores vãos
Eu vou ... por que não, por que não?”
“Alegria Alegria”, Caetano Veloso (1968)
Por definição é uma estupidez daquelas do tamanho de uma casa assim mesmo uma estação perfeitamente parva no sentido abrangente do termo eu quero lá saber dos hobies dos políticos ou sequer dos sítios onde gozam férias perfeitamente imerecidas digo eu já que acho que eu mereço as curtas ferias que hoje começo e assim me despeço de quem tem a coragem ou desfaçatez de porventura ler os meus posts quem sou eu afinal é tudo tão frívolo e distante a vida entretanto continua as notícias fazem-se sempre haja ou não haja matéria há sempre os torneios de verão das equipas de futebol de topo porem só mesmo o meu Benfica me interessa descobri uma notícia ou várias sobre a justiça portuguesa interessantes como aquela do homem morto há já 4 ou 5 anos que recebe uma notificação sobre a putativa resolução do “seu caso” que já tinha a bonita idade de 20 anos não o morto claro por isso mando ás urtigas esta estação patética quero é descanso e praia se não chover eu gosto é do sol que “me enche de alegria e preguiça” e eu vou por aí ao sabor do vento e não me arrependo de nada pois não e quando voltar tudo estará diferente todos têm direito à sua utopia é a silly season estúpido!
30 Julho 2009
Alf.

“…And you can see them there on Sunday morning
Stand up and sing about what it's like up there
They call it Paradise I don't know why
Partiste. E porque partiste estamos tristes e saudosos, lembrando o amigo, o companheiro de lutas antigas, o camarada, sempre atento às injustiças e à indiferença. Tantos anos de convívio, quantas saudade agora da tua serenidade e atenção; porque sabias sobretudo ouvir e irradiavas simpatia e sabedoria. Mesmo na fase mais aguda da doença nunca perdeste o contacto com a realidade. Adriano, professor de línguas, na latinidade da origem do teu nome, a suavidade constante da tua presença. Adriano, o sindicalista, um homem íntegro, inteiro, na dignidade da sua intervenção, de quem os seus pares sempre disseram: “o melhor de todos nós”. Pena faz que partam assim tão cedo homens desta dimensão, ficamos sempre mais pobres, perante quem faz realmente a diferença. E sabemos que Adriano era diferente, na nobreza da amizade, no porte firme da defesa de causas e princípios que compartilhamos, aprendendo a construir ideais, desconstruindo ao mesmo tempo os mitos e conceitos da indiferença e do medo.
Bem hajas, querido amigo. Aristóteles dizia que “…sem amigos ninguém escolheria viver, mesmo que possuísse todos os demais bens” (1) . Nós viveremos todos os dias um pouco por ti, para que, lá de uma outra dimensão que nunca conheceremos, possas eventualmente dizer: valeu a pena VIVER!
19 Julho 2009
Alf.
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(1) Aristóteles, in 'Ètica a Nicómaco'
A COR MORRE EM JUNHO?