13 ANOS DEPOIS...
Há 13 anos atrás haveria de nascer a ENGENHO&OBRA, no ISEP, Cidade do Porto, Portugal
Na Conferência de fundação (12 Maio 2006), afirmei “Podia ser somente um sonho, porque afinal é o sonho que comanda a vida...”. E que aquela designação social, aquele nome, deixava antever a propensão para o talento, imaginação ou invenção (engenho, do latim “ingenium”), bem como para a concretização orientada (obra).
Hoje, 28 de Março, deixo as funções directivas, que exerci, durante estes anos, um verdadeiro Projecto de Vida, consagrado à Cooperação para o Desenvolvimento.
“A única coisa que transcende a existência do ser humano é a sua obra”, diria Gorky, nada que surpreenda quem tentou aliá-la ao Engenho.
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Aqui deixo o texto da mensagem que enviei, para ser lida, na Assembleia-Geral, para eleger os novos Corpos Sociais, para o triénio 2019/2022
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“Caríssimo Presidente da Assembleia-Geral E&O
Colega e Amigo Fernando Maurício,
Dirijo-me hoje, neste dia 28 de Março de 2019, à Assembleia-Geral, na impossibilidade de estar fisicamente presente, devido a razões de foro clínico.
E faço-o, por me sentir a tal obrigado, na qualidade de Fundador, de ex-Presidente e de ex-Membro da Comissão de Gestão, que ora termina o seu mandato.
Iniciei, no ano de 2005, em conjunto com colegas do ISEP e da FEUP, contactos para criar uma entidade que fosse capaz de consubstanciar iniciativas e projectos, dirigidos fundamentalmente aos países de língua oficial portuguesa e tendo como base os princípios da Cooperação para o Desenvolvimento. Todas e todos nós possuíamos alguma experiência pessoal na matéria, fruto de intervenções pontuais, sobretudo em Angola e Moçambique. O principal objectivo era, partilhar conhecimento e práticas, entendendo que uma Associação, que envolvesse pessoas e organizações, seria a melhor forma de consubstanciar tal desiderato. No ano seguinte, haveria de nascer a ENGENHO & OBRA, com o alto patrocínio e apoio do ISEP, cuja Missão iria reflectir os propósitos que inicialmente foram apontados, com particular realce para os “...projectos integrados de engenharia”.
As funções directivas que desempenhei até hoje, como Vice-Presidente (desde a fundação em 12 de Maio de 2006, até 24 de Novembro de 2007), na qualidade de Presidente (de 25 de Novembro de 2007, até 23 de Março de 2017) e como Membro da Comissão de Gestão (daquela data, até hoje). Durante 13 anos, tive o privilégio de trabalhar com muitas pessoas e instituições, das quais guardo estima, consideração e respeito.
Contribuí para a construção de uma Entidade, que apostou numa marca própria, circunstância a que não é alheio o prestígio que a alcandorou a nível nacional e internacional.
Foram feitos centenas de contactos, estabelecidos dezenas de protocolos, com entidades nacionais e internacionais, públicas e privadas, governamentais e não-governamentais. Foi sempre minha orientação de Presidente, levar a ENGENHO & OBRA, mais longe, no País e fora dele.
Assim aconteceu, e foi com o apoio da Escola Superior de Educação do Politécnico de Lisboa, aberta a Delegação da capital, logo após a fundação, que funcionou até ao ano de 2012.
Foram criadas também as Delegações em países de língua portuguesa: Delegação em Dili - Timor-Leste (entre 2007 e 2011), delegação em Luanda - Angola (desde 2006), Delegação em Maputo – Moçambique, com sede própria na Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane (entre 2006 e 2011) e Delegação em Praia – Cabo-Verde, com sede própria no SIPROFIS - Sindicato dos Professores da Ilha de Santiago (desde 2009). Através delas e dos ilustres Delegados, Mara Vieira (Timor-Leste), Guido Campos (Angola), Maqueto Langa, (Moçambique) e João Pedro Cardoso (Cabo-Verde), foram dados passos gigantescos, nas participações directas em Projectos Internacionais apoiados pela Cooperação Portuguesa, na pesquisa e celebração de Parcerias, na participação em Congressos Internacionais, na identificação de interessados nas Formações GPSI, e finalmente na difusão de conhecimento, partilhado entre a Europa, África e Ásia.
Contribuí ainda, para: o registo da ENGENHO & OBRA, como Organização Não Governamental para o Desenvolvimento, no Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), do Ministério dos Negócios Estrangeiros, 4 meses após a fundação; o reconhecimento, como ONGD Internacional, através da adesão à Plataforma Portuguesa das ONGD, no ano de 2006; a acreditação como Entidade Formadora, junto do Instituto para a Qualidade na Formação, no ano de 2007.
Destaco que, naquela Plataforma, propus a intervenção da ENGENHO & OBRA, em diversos Grupos de Trabalho sectoriais, tendo integrado um deles, durante 5 anos. Propus também, e foi aceite, a integração de uma colega da Escola de Saúde do P. PORTO, como representante nacional, no Grupo de Trabalho da CONCORD “Food Security”, em Bruxelas, no ano de 2015.
Orgulho-me de ter participado directamente, como co-autor na grande maioria dos Projectos que a ENGENHO & OBRA apresentou, a instâncias nacionais e internacionais, até ao ano de 2015, bem como intérprete activo, nos 8 Projectos aprovados e financiados, entre os anos 2007 e 2014.
Contribuí activamente no CLME - Congresso Luso-Moçambicano de Engenharia, uma iniciativa conjunta da FEUP e da Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane, desde o ano de 2007, e incentivei muitos colegas, do ISEP e de outras Instituições de Ensino Superior portuguesas, a apresentar comunicações, o que veio a acontecer, nas edições CLME de 2008 e de 2011, em Simpósios sobre “Cooperação para o Desenvolvimento”, organizados pela ENGENHO & OBRA no seio do Congresso.
E, a propósito de difusão e partilha de conhecimento, destaco mais de uma centena de textos produzidos e mais de 50 comunicações apresentadas, em Portugal, Bélgica, Espanha, Itália, Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.
Partilho todos os sucessos, que foram imensos, com todas e todos os Colegas dos diversos Corpos Sociais da ENGENHO & OBRA, muito particularmente com os Directores. Mas também os partilho com todas/os Técnicos que passaram pela Associação, desde o Secretariado, Informação e Comunicação, até à área de Projecto. Nada seria possível sem elas e eles, que merecem para mim, um respeito imenso. E finalmente, também os partilho com as Entidades que colaboram com a Associação, os Fundadores, ISEP, OXYS e Escola Superior de Educação de Lisboa.
Relativamente aos insucessos, que ocasionaram breves momentos de instabilidade, insatisfação e algumas dificuldade e apertos de tesouraria, assumo-os por completo, porque foi sempre minha a responsabilidade primeira.
Durante estes longos anos, vi partir muita gente boa, que fez história, pelo seu brilho, prestígio e sucesso. Lembro aqui, os Associados, Olímpia Soutinho, José Augusto Rocha e Silva e Raimundo Delgado, colegas e Amigos de longa data. Deles guardo tantas recordações e cumplicidades e um enorme respeito.
Foi por vontade própria que decidi afastar-me dos cargos directivos da ENGENHO & OBRA. Algum cansaço e desgaste, típicos das lides associativas. Mas sobretudo por considerar que a Associação deve afirmar outra identidade, em termos de novos protagonistas.
A elas e a eles, formulo votos de que sejam capazes de continuar a prossecução da Missão e dos grandes Objectivos, consubstanciados nos Estatutos da Associação. As maiores venturas e felicidades também.
Quero finalizar, afirmando que eventuais participações ou simples contribuições da minha parte, na qualidade de Associado de base da ENGENHO & OBRA, serão objecto de análise das respectivas condições concretas e, na medida exacta que os futuros dirigentes da Associação, saibam e sejam capazes de querer integrar, saber e conhecimento adquiridos.
A todos um muito obrigado.
Com muito respeito e alta consideração,
Alfredo Soares-Ferreira”