rio torto

rio torto

19 maio 2025

A ALIANÇA DOMINANTE

A partir de agora, uma aliança domina o espectro político português. A aliança da submissão e do medo é a mesma aliança que foi sendo construída por políticas erradas e contra os trabalhadores, de uma social-democracia decadente e incompetente. E, acima de tudo, enganosa e tendencialmente disposta a colaborar com a Direita, nas suas várias fachadas. É dela a responsabilidade primeira pela situação de desalento e desesperança, que atirou grande parte dos cidadãos para os braços da extrema-direita, fenómeno comum ao que se vai passando nesta Europa definitivamente enterrada no seu passado e incapaz de compreender os avanços civilizacionais, que sempre acabou por rejeitar. A aliança nada tem de democrática, sendo antes uma aliança de interesses contra os trabalhadores. Todavia, sempre no caminho do suicídio assistido, o PS, na qualidade de principal intérprete do neoliberalismo “moderno”, deu-lhe uma vez mais a mão, “aprovando” governo, orçamento e presidência da AR. Suicídio que ontem se viria a confirmar com a perda de 20 lugares no Parlamento. 

A aparente simplicidade da análise contrasta logo com a complexidade inerente aos sistemas políticos. O filósofo italiano Mario Perniola e os franceses Guy Debord e Emmanuel Todd, deram importantes contributos para a compreensão da evolução dos fenómenos sociais, da passagem do século XX para o século actual. Se nos centramos em Perniola e na sua “Sensologia”, poderemos encontrar algumas explicações sobre uma transformação radical dos modos de sentir. E, concomitantemente, a ascensão de um novo tipo de Poder, com base no neo-fanatismo, neo-ceticismo, fundamentalismo e niilismo, como manifestações tendentes a reduzir a acção ao imediatismo vulgar e insensato. Quando lemos Debord, compreendemos o poder da sociedade do espectáculo. Ao estudar (e vale mesmo a pena fazê-lo) Todd, percebemos as nuances do declínio do ocidente e as análises do desastre do neoliberalismo.

 

O reforço da Direita e o crescimento do Chega, colocaram a esquerda institucional, representada pelo PS, Livre e BE numa posição fragilizada. Para os trabalhadores, os resultados sugerem um cenário de estagnação ou deterioração das condições laborais e sociais, enquanto a esquerda enfrenta desafios estruturais para se reposicionar como alternativa viável. Na verdade, a actuação da esquerda institucional, com as suas políticas keynesianas, constitui um recuo significativo de representação e uma perda de capacidade de influenciação notável, em termos de retórica parlamentar.

 

Mas o que conta, acima de tudo, a partir de hoje, é a constatação de uma situação de fragilidade cidadã. O custo de vida aumenta (e ...“o povo não aguenta”), os preços sobem e as rendas de casa também, a habitação é sempre preterida, o Serviço Nacional de Saúde degrada-se e não faltará muito para ser entregue aos privados (quem já detêm uma significativa fatia), a Escola Pública não tem investimento suficiente, bem como o Ensino Superior, onde professores e investigadores são desprezados e humilhados. Às reivindicações e exigências dos trabalhadores por um salário digno e um emprego estável, a Direita e o PS afirmam que é necessário um “crescimento da economia” para depois se falar no resto. A degradação dos serviços e dos espaços públicos é uma evidência e a tão querida revisão da Constituição, propósito assumido ou não-assumido de toda a Direita, tem agora privilégio de prioridade absoluta, como se ouviu ontem nas televisões. 

 

Vem hoje a propósito (vem sempre...) a ilusão que foi e as consequências que teve a dita "geringonça", que tanta esperança provocou em toda a Esquerda. Só que a Esquerda nunca esteve no Poder e apenas caucionou a política errática do PS, não conseguindo sequer a reversão mais que necessária das leis laborais da troika, com que o PS concorda, nem a passagem para controle público da energia, da água e dos transportes. Para além do mais, o PS não é um partido que defenda os trabalhadores, antes pelo contrário, pese embora a linguagem e um discurso enganador e hipócrita.  Apesar da devida consideração como partido de Esquerda, pela base que tem, o PS o primeiro responsável pela situação criada no País, de completa traição aos trabalhadores e às suas organizações de classe, um partido de interesses e de completa submissão ao capitalismo neoliberal. Vê-se o que fez e como acabou a sua maioria absoluta. 

Existe um erro sistemático de análise de toda a Esquerda institucional, sem excepção. O Livre, um apêndice do PS, com fantasias armamentistas e com uma política europeia completamente alinhada com os desvarios da Comissão Europeia. O BE com um alinhamento cúmplice ao governo nazi ucraniano, comum a toda a Direita nacional e europeia e com uma posição cada vez mais sectária, patente nas palavras e nos actos de cancelamento de quem se atreve a discordar. Apenas a CDU procurou fazer um "esforço de adaptação", conseguindo fazer passar um discurso adequado de recusa firme de compromisso e até de uma certa coragem, por ter denunciado a lavagem ao cérebro sobre a Ucrânia, sobre a dita "união europeia" e sobre a política desastrosa e cobarde desta Europa decadente. 

 

Todavia, não bastam pequenos “desvios”, ou pequenos avanços para que a luta anticapitalista dos trabalhadores tenha significado prático, na sua condição de explorados. Torna-se cada vez mais necessário a organização e um sentido de verdadeira luta de classe. A Esquerda (que designo) institucional apresenta pouco estímulo para a luta anticapitalista, anticolonial e antifascista que é necessária e urgente. Recorda-se, por exemplo, esta realidade assustadora: o Alentejo da Reforma Agrária é hoje o Alentejo do trabalho escravo e um cemitério de painéis solares. Uma outra realidade indesmentível é a que resulta da constatação evidente: a "democracia" que temos é a democracia burguesa da dominação e da subordinação, fundamentada na propaganda e na submissão. As eleições são devidamente “programadas” e “desenhadas” pelas máquinas de propaganda do centrão partidário, hoje com a exaltação de uma extrema-direita que eles toleraram, aceitaram e institucionalizaram. Por uma poderosa e eficiente máquina demolidora de sondagens, que “ajudam” a formar opinião, pela “estabilidade”, pela “governabilidade” e pelo “interesse do país”. E por um exército de comentadores, na sua imensa maioria, tendenciosos, ignorantes e acéfalos. Roubando a ideia ao insuspeitoAdelino Maltês, é a “república dos comentadores”, de que ele é aliás um bom exemplo.  

 

Não é de esperar por uniões sem sentido à Esquerda. União sim, mas na base, nos trabalhadores, nas lutas conjuntas, na ocupação das ruas, das casas, das empresas. Nas lutas pela habitação. Na luta pela Escola Pública.. Na luta contra o Estado terrorista de Israel. Nas lutas contra a guerra e pelo desarmamento. Na luta contra a NATO, uma organização assassina e terrorista, responsável por todos os conflitos em todo o mundo. Muita luta a travar e tal só se consegue numa perspectiva de classe: rejeitar o poder do Capital e da classe possidente. Criar e amplificar a organização dos trabalhadores, dar sentido revolucionário às greves e a todas as formas de luta para que os trabalhadores avancem para o controle da economia, no sentido da sua emancipação.

Não são palavras de retórica, antes um possível apoio à acção, já que resistir é necessário, mas não é suficiente.


29 abril 2025

A ORIGEM DO APAGÃO DA PROPRIEDADE DA REN E DO ESTADO


Apagou-se o País, escondeu-se uma vez mais o PM, coisa habitual, uma vez que, cada dia que passa, menos tem para dizer (ou dar) aos cidadãos, a não ser a verborreia do costume e a propaganda de uma obra (não)feita. Na prática só deu a cara (ou a voz) ao princípio de uma noite, o dia havia sido angustiante à procura de uma explicação. As que soubemos, dadas pelo presidente da REN (empresa privada, responsável pela gestão do Sistema Eléctrico Nacional e do Sistema Nacional de Gás Natural em Portugal), foram feitas na perspectiva técnica e, quando tal acontece, a utilização de linguagem hermética ajuda a que tudo fique sem explicação. Mas acabou por dizer o mais importante, se querem mais segurança terão (obviamente) que pagar mais pelo serviço. Desde a privatização do sector energético, feito pela Direita unida nos tempos da troica e jamais posta em causa pelo Partido Socialista, tem sido um acumular de lucros para os privados, que nunca aceitariam por em causa uma distribuição de dividendos para prestar um melhor serviço ao consumidor. E já agora, para a Direita, é isso mesmo, o cidadão é um mero consumidor, que acaba sempre “consumido” pelo preço que paga pela energia. Só para memória futura, diga-se que o preço da energia em Portugal é um pouco inferior ao de Espanha, circunstância que facilmente se anula, comparando salários, o nível de vida nos dois países e ainda de outros preços de bens essenciais que, em Espanha, têm valores mais baixos. E, convém que se saiba que no nosso País o sector foi vendido ao desbarato e, em Espanha, o sector é detido pelo Estado em 20%.

 

A E-REDES, responsável pela distribuição de energia em Portugal, indicou que o apagão resultou de um problema na rede eléctrica europeia, especificamente na rede de muito alta tensão em Espanha. Este problema causou um "efeito dominó" que afectou Portugal devido à interconexão das redes ibéricas. A REN confirmou que o apagão teve origem fora de Portugal, com grandes oscilações na rede espanhola por volta das 11 horas e 32 minutos, quando Portugal importava cerca de um terço da sua energia de Espanha (!). As primeiras informações da REN apontavam para uma causa que nem sequer existe, nem nunca existiu, a saber, um "fenómeno atmosférico raro", conhecido como "vibração atmosférica induzida". A tal causa que seria  resultante de oscilações em linhas de alta tensão devido a variações de temperatura, citando a agência Reuters, que tinha obtido a informação junto da SIC. Embora a REN tenha depois desmentido (...), o certo é que confirmou que o apagão teve origem fora de Portugal, com grandes oscilações na rede espanhola.

 

Como este Governo não faz a mínima ideia como a coisa funciona (que o venham desmentir, se puderem...), o ministro da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, admitiu a possibilidade de um ciberataque, dado o impacto em larga escala em vários países, citando Portugal, Espanha, França, Itália e outros. Logo a seguir viria a ser desmentido pelo PM, ancorado na posição do Centro Nacional de Cibersegurança, afinal não havia indícios concretos de um ataque cibernético. Saliente-se entretanto, que o Governo criou um grupo de trabalho para acompanhar a crise e decretou situação de crise energética, enfatizando (através do PM) que a origem do problema não estava em Portugal e pediu à população que “evitasse consumos desnecessários”, uma delícia de expressão para quem não dispunha de energia eléctrica. Este Governo, tal como todos os outros, não cuidou da manutenção e actualização de linhas de alta tensão, sub-estações e sistemas de controlo, necessários para melhorar a rede eléctrica, que enfrenta envelhecimento em algumas infraestruturas. Como se explica o facto de, neste momento, apenas existam 2 pontos de suporte utilizados para repor o fornecimento de energia em Portugal, a central de Castelo de Bode (hídrica, em Abrantes, Santarém) e a central de Tapada do Outeiro (termoeléctrica, em Gondomar, Porto)? 

 

A questão da “propriedade” coloca-se aqui em toda a sua amplitude. A soberania energética refere-se à capacidade de um país ou região garantir o fornecimento de energia de forma autónoma, segura e sustentável, reduzindo a dependência de fontes externas e mitigando vulnerabilidades em crises como o apagão que afectou o País. O tema é crítico também no contexto europeu, dado o elevado grau de interconexão das redes eléctricas e a dependência de importações de energia. A Europa opera uma rede eléctrica altamente interligada, gerida por organizações como a ENTSO-E (Rede Europeia de Operadores de Sistemas de Transmissão de Eletricidade). O apagão, possivelmente originado por uma falha na rede espanhola ou na interconexão franco-espanhola, demonstrou como uma avaria local pode desencadear um efeito dominó em vários países. O nosso País, que importava cerca de um terço da sua energia de Espanha no momento do incidente, foi particularmente afectado, evidenciando a vulnerabilidade de países com menor capacidade de produção própria. Uma eventual conjunção (acumulação) energética com fontes renováveis, como a solar e a eólica, embora essencial para a sustentabilidade, introduz desafios de intermitência, exige sistemas de armazenamento e fontes pilotáveis (como hidroeléctricas ou gás) que nem todos os países possuem em quantidade suficiente. A provável diversificação de fornecedores de energia, exige maior capacidade de armazenamento (baterias, hidrogénio verde) e interconexões robustas. Embora a interconexão tenha contribuído para a propagação do apagão, ela também é essencial para a soberania energética, permitindo que países com excedentes de energia (como a França, com a sua capacidade nuclear) apoiem outros em crise. No caso do nosso País, embora seja útil a interconexão com Espanha, impõe-se uma maior capacidade de produção própria para evitar impactos tão severos em falhas externas. Portugal deve diversificar a sua matriz energética, combinando renováveis com fontes pilotáveis (pequenas centrais modulares nucleares, por exemplo), reduzindo dessa forma a dependência de importações em momentos críticos.  Tal só é possível quando o sector energético passar para o controle público dos cidadãos. Uma vez que o País é líder em energias renováveis, com cerca de 60% da eletricidade proveniente de fontes como hidroeléctricas, eólicas e solares (valor em 2024), deverá fomentar um investimento público em projectos como, por exemplo, o do parque eólico offshore de Viana do Castelo. Só o controle público permitirá, por exemplo, um investimento sério em micro-redes e sistemas de armazenamento (baterias e bombagem hidroeléctrica), por forma a aumentar a autonomia em crises.

 

Colocar em causa a propriedade da REN é pois um desafio, uma exigência dos cidadãos. Como a RNE é privada e distribui dividendos aos accionistas superiores, jamais lhe passaria pela cabeça baixar os dividendos aos accionistas em nome de melhores sistemas de segurança e armazenamento. O seu objectivo é o lucro e por isso não serve aos cidadãos. O apagão sublinhou a importância de sistemas de controlo e monitorização autónomos, capazes de isolar falhas rapidamente e evitar colapsos em cascata. É imperioso investir em redes inteligentes (as designadas “smart grids”), que monitorizam a rede em tempo real e isolam avarias, expandir a bombagem hidroelétrica, com o aproveitamento de barragens existentes (como Alqueva), investir em baterias, criando um Plano Nacional de Armazenamento. E que seja gerido por comunidades de cidadãos, para permitir a operação autónoma de áreas críticas, como hospitais ou centros urbanos.

 

Não se sabe ainda, com precisão, como a aconteceu o apagão. Porventura já se saberá que não terá sido o Putin, com o alicate na mão a cortar a energia, como aparece nas redes sociais. O que se sabe é que o País foi informado pela Antena 1, a Rádio pública, enquanto o governo, cobarde e incompetente, não foi capaz de informar por canais de emergência o que se passava. O que se sabe é que a situação actual do sector energético capturado por privados, nem serve o Estado enquanto tal, nem serve seguramente os cidadãos. Portanto, é mesmo a propriedade que está em causa. 

Recordo o inspirador do título deste artigo quando dizia, que enquanto a energia for tratada como mercadoria, a sua gestão estará sujeita às contradições do capital, seja em mãos privadas ou estatais. Friedrich Engels quando escreveu a obra que dispenso de nomear, sabia bem que a terra sem amos não era apenas uma ideia ou uma aspiração. É, continua a ser, uma exigência.

  

22 dezembro 2024

 ENCOSTAR O GOVERNO À PAREDE

 


 

 

Imagens de terror e de humilhação que da rua passam e entram pelos ecrãs das televisões, qual espectáculo degradante e desrespeitoso da Liberdade.

Assim, um governo indigno e miserável humilhou cidadãos imigrantes, minorias desprotegidas e esquecidas. Lembradas apenas quando o poder quer manifestar o seu desprezo pelas condições em que vivem.

Imagens que pouco diferem da primeira e que deveriam envergonhar os “responsáveis”, autores da ideia e da sua concretização.

O governo da Direita, reaccionária e fascizante, quis encostar à parede os cidadãos, para encontrar uma faca (não se sabe se faca de cozinha ou canivete), supremo castigo para quem vive a trabalhar.

A única resposta possível é mesmo encostar este Governo à parede.

Se querem humilhar os cidadãos na rua, é na rua que têm que ser travados, Governo e Presidente da Câmara de Lisboa, parceiros na “luta” contra os imigrantes.

Impossível ficar indiferente!

À mais que previsível próxima rusga, aleatória em qualquer “benformosa” rua da Cidade, saibamos responder de forma clara, por exemplo, cercando a sede do Governo e encostando à parede todas e todos os montenegrosmelos e quejandos que nos faltam ao respeito e que pretendem, acima de tudo, denegrir cidadãos e lançar a insegurança.

O País não é propriedade desta gente sem escrúpulos!

ENCOSTEMO-LOS À PAREDE!

25 novembro 2024

 A COMPARÊNCIA

 

Porque é que de mim levo o mesmo pressentimento
de jornadas para sempre infrutíferas
que está no morto firmamento
...”

"O Pranto da Escavadora, III", de Pier Paolo Pasolini (1956)

 

A comparência de hoje na Assembleia da República (AR) à farsa orquestrada para comemorar o tal dia de Novembro, curiosamente vinte e cinco, foi classificada por Rodrigo Sousa e Castro como uma fantochada, na entrevista à rádio TSF, às 10 horas da manhã. O ex-militar de Abril, que foi um dos subscritores do chamado “Documento dos Nove”, tem uma visão fática e algo ingénua do levantamento daquele dia. O Grupo, que tinha o mesmo nome do Documento, era constituído pelos ditos oficiais “moderados”, alguns dos que se opunham ao desenvolvimento do processo revolucionário em curso e que haviam derrubado o V Governo Provisório de Vasco Gonçalves, em Agosto de 75. Sousa e Castro procurou, da forma que melhor conseguiu, transmitir o seu desencanto pela actualidade, que descreveu como um avanço de toda a direita reaccionária, tipificada em certas personalidades do PSD, do que ainda resta do CDS e dos grupúsculos da extrema-direita, incluindo os que têm assento parlamentar. Desencanto que diz transforma-se em tristeza profunda por ver o Eanes associado à dita fantochada. 

 

O que faltou dizer (Sousa e Castro não o poderia fazer) é que o 25 de Novembro liquidou por completo a Revolução que se seguiu ao golpe de estado protagonizado pelos militares em 25 de Abril de 1974. E ainda, que o processo revolucionário tinha proporcionado uma tipologia de poder paralelo ao poder de Estado, nos quartéis, nas fábricas e nas empresas, nos campos e nas casas, com o papel fundamental desempenhado por comités de fábrica, unidades colectivas de produção, comissões de trabalhadores, comissões de moradores e outros organismos de base.

Deturpa-se a história, tentando reescrevê-la, inundam-se as consciências com a narrativa pérfida do fantasma da “ditadura comunista”, pretende-se demonstrar que a liberdade só foi possível com o golpe de Novembro. O vício de raciocínio é de tal forma falacioso que, muitas vezes, são os próprios viciadores que ajudam a desfazer a própria narrativa. O 25 de Novembro é a consequência natural do triunfo da normalidade contra um processo revolucionário que foi um dos momentos mais altos do País, em termos de direitos, liberdade e garantias. A liquidação da Revolução de Abril. Até hoje, foi sempre a recuar.

 

Sobre quem colaborou no momento "folclórico de uma era bizarra", classificação de Joana Mortágua (BE), são ainda de salientar as palavras de Pedro Delgado Alves (PS), "não foi uma vitória da direita sobre a esquerda, foi uma vitória da esquerda democrática contra uma deriva sectária e radical”. Se ambos os Partidos considerariam não serem admissíveis “revisionismos, vontades revanchistas ou provocações”, pergunta-se, porque aceitaram participar, porque decidiram comparecer?

A comparência na AR é assim a demonstração pura e dura da realidade no nosso País, vergada à dominação da Direita e à mais triste servidão e submissão de todos os que, dizendo não a apoiar, lhe prestam veladamente tributo e vassalagem. É este, “dentro de mim... o mesmo pressentimento”.

 

 

06 novembro 2024

   MAGA Patológica

 


 

No dia das bruxas e bruxinhas lá do sítio acabou por triunfar esta (ou este). Ficou mais perto de um céu qualquer. Que é patológica, porque alguma patologia tem, pode ser de “pato”, ou outro qualquer animal. Doentio? Sim, claro. E bastante. Mas lá no reino parece ser a/o maior. E isto de duvidar do género dele/a também tem a sua piada, sabemos bem porquê.

Entretanto, a Maga original tinha alguma lógica (era Patalógica, ou seja, uma Pata lógica), sempre a tentar roubar a moeda número um ao Tio Patinhas, esta MAGA (ou este) rouba descaradamente, não é julgado por isso e, elas e eles, ainda votam nele e elegem-no para chefe. Isto poderia parecer estranho um mundo qualquer, mas neste não é assim, porque é o mundo das bruxas, as quais, como se sabe, não existem, mas que as há, é verdade. Entretanto, a outra bruxinha simpática, bonita e bem-disposta, lá foi fazendo a sua guerra, aliás é especialista nisso, mas, como era duma outra facção mais escura, ficou pelo caminho, muito caladinha. Dinheiro parece não lhe ter faltado, das guerras e suas armas e de outras coisas que para aqui não são chamadas.

Num outro reino que tem por hábito prestar vassalagem a este logo se elevaram algumas figuras de proa, congratulando-se com a vitória do ser patológico, apesar de, uns dias antes, lhe terem chamado os piores impropérios. Assim funciona o patológico meio dos bajuladores e do séquito de outros animais caninos. Excitam-se até, na sua ânsia de ser fiéis.

Ainda bem que sou um gato... 

19 outubro 2024

O PS É A MELHOR MULETA DA DIREITA 

 


 

Nada que não se esperasse.
Pedro Nuno Santos deu o golpe final na esperança de quem nele confiava.
O PS, com medo de eleições, vai, uma vez mais, dar a mão à direita, argumentando que é um "partido responsável". Isto deve ler-se na perspectiva seguinte: é RESPONSÁVEL por caucionar as políticas da direita, em mais uma tentativa de destruir o Estado Social em Portugal. É RESPONSÁVEL pela aniquilação de qualquer esperança à Esquerda, porque, apesar do discurso enganoso, acaba sempre do outro lado da barricada.

Um Partido sem rumo e sem ideias, na verdade cada vez mais próximo do PSD, com quem diz divergir, mas que a prática e os factos mostram que afinal o que quer é convergir.

O PS não se livra dos remoques do Ventura, que ora se reclama "líder da oposição". Na verdade, com esta "aliança" com o PSD, fica completamente prisioneiro da estratégica da Direita. Sim, oposição porquê, quando vai caucionar um orçamento do "adversário"?

O PS é um partido perdedor. Mesmo quando ganha alguma coisa está sempre com medo de perder, ou eleitores, ou lugares, ou simplesmente a confiança.

O PS é um partido que nada tem a ver com o nome que usurpou à tradição do movimento operário. 

o PS é um partido de burocratas, sempre a espreitar a melhor oportunidade de salvar o capitalismo e trair os trabalhadores.

O PS não tem cura, é mesmo a melhor MULETA DA DIREITA!

 

09 outubro 2024

A MELHOR DAS OPORTUNIDADES

 

A traição é uma constante, quando se insiste numa “verdade” discutível e perversa e se dispensa o essencial, que consiste em estar atento e defender quem deve ser defendido, quem produz riqueza e é sistematicamente explorado. 

Bater no Partido Socialista (PS) é um verdadeiro exercício democrático. É “obrigatório” chamar este partido à razão, porque sistematicamente navega nas águas turvas da mais alarve “moderação”. Não significa desrespeito pelo Partido. Antes pelo contrário, tem todo o sentido: obrigar o Partido a não perder oportunidades. 

Uma oportunidade como esta não pode, nem deve ser desperdiçada. Num cenário do mais absoluto desprezo pelo cidadão e pelo Estado Social, o Partido que se diz “socialista” só tem uma hipótese de votar, que não o descredibilize por completo: CONTRA.

Não é, pois, admissível que este Partido ainda  esteja a pensar em subterfúgios, equacionando uma putativa abstenção, dando assim mais uma oportunidade de sobrevivência ao triste e sórdido governo da Direita, que não tem o direito de continuar a destruir o País, como muitos outros o tentaram fazer antes. Este governo só tem um caminho possível e nem vale a pena especificar qual. Um governo que admite nunos melos e outras aberrações sociais, está à partida ferido de morte e não tem salvação possível. 

Quem ainda tem alguma salvação é o PS. Votando CONTRA estará a tomar uma posição de classe. Se é (ou não) capaz de o fazer é questão cuja resposta é afinal tão simples quanto isto: recusar a chantagem da Direita e afirmar-se como alternativa. Outra questão será saber se este PS é alternativa. Afinal, nunca o será se alinhar com o situacionismo.

A situação, assim colocada, parece simples. Não ceder, não alimentar ilusões, não pactuar. Mesmo que possam parecer muitos “nãos” ao mesmo tempo. Porque ainda há mais. O malévolo conceito de “sentido de estado” não passa de uma tradução rasteira de “colocar o Estado em sentido”. A Direita obviamente gosta disto. Se o PS também gosta, não vale a pena dizer que é de Esquerda, quando não passa de um apêndice da Direita.

Mas que grande oportunidade de contrariar a “lógica” dos últimos tempos. Será possivelmente a última que o PS tem. Abster-se, significa sofrer de impotência, a doença maior da política, o cancro da chamada “democracia”.

Apenas para dizer que não falei de oportunidades...

05 outubro 2024

 A REPÚBLICA DO CARUNCHO

 

É impossível esquecer imagens com esta. 


Quais insectos que corrompem o tecido social, apresentam-se (sempre) acompanhados pelo poder repressivo, pedem democracia mais “igual e “justa”, vociferam contra “inércia e “vaidades”. De acordo com os relatos da clique jornalística caseira, não deixam de “apontar obstáculos e imperfeições”. Dizem que a “República e democracia estão vivas, mas sabem que têm de mudar e muito”, sem perceber que estão a falar contra eles próprios e contra a sua classe de burocratas. Ao proclamar uma democracia "mais livre, mais igual, mais justa, mais solidária", estão a ofender a Igualdade, a Justiça e a Fraternidade. Abusam da Liberdade, interpretando-a como uma variante arcaica, profundamente anti-republicana.

São o caruncho de uma sociedade podre e castradora.

Não merecem a atenção dos cidadãos, que no dia a dia lutam por uma vida melhor. Ao contrário dos revolucionários que, em 1910, renegaram a monarquia e tentaram erguer uma República soberana. Hoje, mais uma vez, o povo que dizem representar fez questão de nem sequer lhes ligar, não comparecendo ao fausto da sua “festa”, preferindo quiçá parar e pensar no significado de uma “democracia” falsa e hipócrita. Ou em como esta sociedade predadora se tornou um paraíso de milionários e de “verdades” estupidificantes, onde abunda uma multidão de insectos assassinos.

Bem esteve hoje o Presidente, ao afirmar "A melhor maneira que tenho para servir o interesse nacional é não dizer nada". Seja lá o que for o tal “interesse”, iremos assistir ao som do silêncio a que temos direito?

 

01 outubro 2024

COISAS...

Os mesmos "democratas" que estrebucharam em 2022 com a invasão russa da Ucrânia estão agora surdos e mudos com as matanças de Israel em Gaza e agora com a invasão ao Líbano.
É bem claro e evidente que estamos a falar de coisas diferentes.
É bem claro que o que deve contar para todos nós é a posição "sensata" e "moderada" do Ocidente e dos aliados, as verdadeiras e únicas "democracias".
O resto é conversa. Estamos perigosamente perto da estupidez e da cretinice americanas, bem patente  na santa ignorância da maioria e da cega absoluta a tudo o que não é americano.
O que é bom é a NATO e a UE. E quem assim não pensa é "...ruim da cabeça ou doente do pé", como bem canta Dorival Caymmi. Rima e é verdade.
E já agora uma nota de somenos importância. Todas as notícias a "que temos direito" vêm directamente do mesmo lado, ou seja do governo ou do exército de Israel. Claro que isso é para não ficarmos baralhados...

O que nos "descansa" é que os "bons" ( NATO e UE) estão diariamente a fazer esforços "...no sentido de minimizar o conflito". Embora, todos os dias, estejam a fornecer armas e munições para Israel. Mas claro, isso não interessa para nada.

Tem que haver um BASTA!

08 julho 2024

E QUE VIVA A INSUBMISSÃO!



 Situando as coisas, atentemos no triplo verdadeiro significado de “insubmissão”: rebeldia, desobediência, insubordinação.

O viva à insubmissão faz hoje, 8 Julho 2024, todo o sentido, não apenas pela vitória da coligação de Esquerda em França, mas também pelo facto de o Partido maioritário da Nova Frente Popular ser o “França Insubmissa”, de Mélenchon. E ainda pela recusa ao conformismo burguês, que apostava na continuidade, tivesse ela a face macroniana, ou a penista da extrema-direita.

A comunicação social burguesa montou um espectáculo favorável, sobretudo quando apostou, como sempre o faz, em falsas premissas, baseadas na tese perversa que, na Europa, as pessoas cansadas de políticas adversas à sua condição e aos seus direitos, querem apostar em qualquer “coisa diferente”. A perversidade está precisamente no facto de a “tal coisa” ser a extrema-direita, que nada tem para oferecer, a não ser mais miséria (Itália...), mais desigualdade, mais discriminação, mais ódio. Na verdade, o catastrofismo que apregoam é secundado caninamente pelos comentadores do regime, que promoveram e promovem a extrema-direita que dizem combater, que normalizaram as agremiações fascistas, nazis e xenófobas, equiparando-as à uma “extrema-esquerda” que apenas existe na sua limitada imaginação. E, para cúmulo, nas suas teses lerdas e limitadas que contribuem, nos tempos que correm, para a estupidificação colectiva, a principal marca do “venturoso” século XXI.

Claro que há “mas”. Há sempre um “mas” para tudo. Mas (lá está) quando se tenta mascarar a vitória da Esquerda, com afirmações néscias, como “a derrota da extrema-direita não é assim tão má, porque afinal aumentaram o número de votos...”, “o partido de Macron afinal não foi derrotado como o previsto...”, ou “as Esquerdas dificilmente se vão entender...”, chega-se ao delírio máximo do desvario. Aliás, não foi a comunicação social burguesa, através do mecanismo perverso das sondagens, que mais “orientou” para a “inevitabilidade” da ascensão e presumível vitória da extrema-direita? Os “mas” que agora se devem colocar nada têm a ver com a lógica burguesa que, ao distorcer por completo a ideia de democracia, afirmam hoje que “isto” é apenas um intervalo, o que interessa agora são as presidenciais. 

Entretanto, atente-se neste delicioso pormenor: a questão parece ser sempre o personagem (mulher ou homem), a sua pertinência, ou resiliência, sinónimos de um poder fátuo. A verdadeira questão é o sistema, um sistema económico e financeiro que promove diária e permanentemente, desigualdades e injustiças. Precisamente na França, onde hoje há quem não tenha dinheiro para comer, para comprar remédios, ou para ter uma habitação decente, tal foi a fúria neoliberal que se abateu sobre os trabalhadores.

Para os comentadores e para os acólitos jornalistas que os promovem e incentivam o que interessa é mesmo (como sempre aconteceu) desviar atenções para a “personagem”, ocultando o essencial. Ao apostarem no catastrofismo patente, exemplificado em tiradas destas, "desastre para a economia, tragédia na imigração...” ou “vitória da Esquerda é uma verdadeira derrocada para a Europa”, estão a promover quem as profere. Ao procederem desta forma são cúmplices do capital e merecem o repúdio generalizado. A sua falta de credibilidade é, não só, fruto da sua incompetência, mas sobretudo sinal da sua ligação fatal aos interesses do dinheiro. Acordarão num monte de esterco no dia em que os trabalhadores acordarem e tomarem o Poder.

 

Fica, para reflexão, a crítica ao “sistema democrático”, que o Ocidente (e particularmente a Europa) promove e quer impor como único e o melhor para o “nosso modo de vida”. Tal é particularmente sensível a quem, por absoluta impossibilidade, não conhece outro. O que querem dizer quando falam no “reforço da democracia”, ou no “aprofundamento do espaço democrático na Europa”, quando vemos, multiplicados todos os dias sinais de restrições à Liberdade de expressão, gastos sumptuosos de dinheiro para promover e instigar a guerra, imigrantes despojados e atirados ao mar, populações marginalizadas caso não alinhem pelos tais “valores”, cidadãos cada vez mais pobres e sem acesso aos bens essenciais?

A EU vai mesmo conviver mal com a vitória da Esquerda em França. Vai obviamente engolir um sapo do tamanho do seu ego. Esta “união”, que dá palmadinhas nas costas a nazis declarados e a fascistas encapotados, precisa mesmo é de uma insubmissão generalizada, que promova o Conhecimento e que active o melhor do ser humano, para a destruição do sistema que o oprime e o impede de pensar. Bento de Jesus Caraça, disse, nos anos trinta do século passado, “Um pensamento que não passe à acção ou é aborto ou é traição”. Saibamos ler, nas palavras deste Ilustre português, o necessário (hoje, doloroso) apelo à acção.

E que viva a INSUBMISSÃO!

15 junho 2024

 OSLO, “FAROL DE LIBERDADE”?

 

Acordo hoje com a notícia e um programa especial de promoção da Rádio TSF, sobre o “Fórum de Liberdade de Oslo” (Oslo Freedom Forum- OFF), que ora se inicia.

Por terras de Cabo-Verde, onde me encontro, o assunto é completamente estranho e não admira. Tal evento parece apenas ser notícia na Europa, nos EUA e no auto-designado “mundo livre”, que, como é sabido, agrupa as ditas “sociedades desenvolvidas” e que incarnam o espírito do Ocidente, de supremacia branca e convencido que a sua influência é global e que o resto do Mundo lhe tem que prestar vassalagem. Pior, que a imensa maioria do resto do Mundo representa para eles uma ameaça existencial, precisamente porque não partilham os “valores ocidentais”, tidos em absoluto, como “livres” e “democráticos”.

 

Para a organização do dito evento, o grande objectivo é juntar, uma vez mais, “os combatentes pela liberdade e as iniciativas humanitárias em oposição aos regimes autoritários em todo o mundo”. Curiosamente (ou não) o programa da TSF dá voz exclusivamente, aos “combatentes” contra Putin, contra a China e contra todos os gravitam na auréola do império norte-americano e que não vêm mais nada que a “liberdade” do neoliberalismo, que naturalmente dita do alto do seu poder quem é, ou não, “democrático” e “livre”. Um dos mentores (e chefe máximo) deste evento é o bem conhecido “mestre” Garry Kasparov, que do xadrez passou para a política, ressabiado com o Partido Comunista Russo, fundador de uma outra organização política e pretenso candidato à Presidência, mas que não conseguiu reunir no seu País qualquer interesse, embora tenha sido promovido no Ocidente, tal como aconteceu com o “encantador” Alexei Navalny, que considerava os muçulmanos como baratas e que defendia o seu extermínio. Também muito naturalmente, viria a culpar Putin, pelo seu fracasso. Na sua obra, "O Inimigo que Vem do Frio", Kasparov inclui um subtítulo, na edição inglesa, muito significativo, "Why Vladimir Putin and the enemies of the free world must be stopped" (“Por que é que Vladimir Putin e os inimigos do Mundo Livre têm de ser travados”). Como tudo isto fica bem, ao gosto ocidental.

Resta apontar que o OFF é uma conferência anual apoiada, segundo informação da organização, “por várias instituições que concedem doacções na Escandinávia e nos Estados Unidos através do Human Rights Foundation (HRF)”, sendo que a HRF se auto-classifica como “organização sem fins lucrativos que se concentra na promoção e protecção dos direitos humanos a nível mundial, com ênfase no que designa por “sociedades fechadas”.

 

Por falar nisso, por oposição e bem ironicamente, existirão as “sociedade abertas”. E são estas que ignoraram quase completamente o Fórum Económico Internacional de São Petesburgo (SPIEF), realizado de 5 a 8 de Junho. Nesta sua 27ª edição, o SPIEF contou com a presença de mais de 21 mil participantes provenientes de 139 países, tendo como tema central “um mundo multipolar para construir um novo ponto de crescimento”. Esta é curiosamente uma verdadeira Maioria Global, com BRICS (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul), SCO (Organização de Cooperação de Xangai), EAEU (União Económica Euroasiática), CSTO (Organização do Tratado de Segurança Colectiva), CICA (Centro de Informação sobre Contaminação de Ar), União Africana, NAM (Movimento dos Não-Alinhados), entre outros. Aliás, poderá até dizer-se que a maior parte da comunicação social do Ocidente-Sociedade Aberta ocultou simplesmente (para não utilizar um termo mais forte) a realização do SPIEF.

 

Diante da maior farsa dos últimos tempos a que deram o nome de “conferência de paz”, os fantoches ocidentais que promovem a estupidificação colectiva, perante a indiferença cúmplice de tanta “gente conceituada”, também parecem ignorar a declaração da Federação Russa, que diz claramente “Assim que Kiev anunciar a retirada de todos os territórios de DNR, LNR, regiões de Kherson e Zaporozhie e prometer não ingressar na OTAN, Moscovo dará a ordem para cessar-fogo e iniciar negociações”. A verdade, nua e crua, é que a Ucrânia, (ou melhor, o seu presidente) e o Ocidente não querem paz alguma, mas simplesmente a guerra contínua, que massacra primeiramente o povo da Ucrânia e depois os trabalhadores ocidentais, que sofrem as privações e que, em última instância e contra a sua vontade, financiam a guerra. 

 

Como bem afirma o filósofo português Viriato Soromenho Marquesem artigo publicado no Jornal Diário de Notícias, no passado 10 de Junho 2024, “O neoliberalismo e a sua teologia de mercado intoxicaram a construção europeia, desde logo na incompetente arquitectura da Zona Euro, e depois na passividade cúmplice face à subida aguda da desigualdade e da pobreza nos países europeus”. 

 

A estratégia que influencia o dito OFF é a mesma que suporta o neoliberalismo, vive e alimenta-se dele, contra a grande maioria (os 99%). Como têm tudo à disposição, dinheiro, armas, exércitos e propaganda, enganam e escravizam os 1% de todas as formas possíveis.

 

Por favor, estejam atentos e não se deixem enganar!

25 maio 2024

SOBRE A CAPACIDADE DE APRENDIZAGEM

 

Provavelmente uma das maiores janelas de lucidez do ser humano, enquanto pensante e crítico de si e dos outros, é, sem sombra de dúvida, a capacidade de aprendizagem. Diz-se, do ponto de vista pedagógico, que pouco ou nada se ensina a um adulto, se este não mostrar alguma apetência e vontade para aprender. A vontade de aprender e de melhorar o seu estatuto social é uma determinante do ser livre e será meio caminho andado para a efectivação das transformações sociais que o libertem do jugo castrador, particularmente nas sociedades ditas avançadas, onde o “avanço” parece ser apenas no sentido da intensificação da propaganda e da castração mental.

 

Isto a propósito de uma sessão de campanha promovida ontem pela Cooperativa do Povo Portuense, respeitadíssima Entidade da Cidade do Porto e de que sou Membro. Por mais gratificante que tenha sido a ideia de juntar numa sessão, alguns Candidatos, o facto de se tratar de um debate sem direito à participação do público, acabou por constituir um factor de perturbação, ilustrado na circunstância de apenas ter havido uma pergunta de dois participantes e mesmo assim, com a condicionante de ter de ser “uma questão concreta e nunca um comentário”.

 

A sessão serviu essencialmente para mostrar a falta de capacidade da Direita para aprender alguma coisa. A Direita não quer aprender. A Direita não sabe aprender. A Direita embarca, faz parte dela, na onda reaccionária que perpassa nas sociedades ocidentais, convencidas de uma irritante superioridade moral, suportada na falsificação histórica e na ideia que existe uma democracia, baseada na “prosperidade” e na “liberdade”, como se estas asserções consistissem em si algo de concreto e sustentado. A Direita está na crista da onda e dedica-se à “nobre” tarefa de decidir, por exemplo, quem deve concorrer a este acto eleitoral. Deve, ou deveria, como foi claramente afirmado pelo representante da AD, “a estas eleições só deveria concorrer quem é europeísta”. Sendo que são naturalmente eles (os adês) quem decide quem é e quem não é, seja lá o isso for (ser “europeísta”). 

Ficou claramente demonstrado que apenas a Esquerda se preocupa com os reais problemas dos cidadãos. Que foram elencados e devidamente apresentados, perante a impotência (é este o termo preciso) da Direita, que apenas reagiu a tal, com ignorância e impreparação. E com provocações, como foi o caso do representante da IL. A incompetência da Direita ficou patente, de forma evidente, nas questões europeias e nacionais. A Direita tem somente a linguagem de glorificação do Império e do sistema neoliberal, que afunda cada vez mais os trabalhadores e os obriga a prestar vassalagem ao Capital, à banca e ao domínio imperial, do qual a dita “união europeia” é um servil vassalo e quer tornar os cidadãos dependentes, por vezes escravos, das benesses que vão sobrando e com as quais deveremos todos ficar contentes e felizes.

E o que não deixa de ser confrangedor é a posição do Partido, dito Socialista, que enche a boca com os valores de Abril e depois alinha completamente com as teses neoliberais e as práticas de enfeudamento total às directivas da “união”. Na sua incapacidade de aprender, demonstra assim como se verga perante o Capital. A sua postura centrista e “moderada” é aliás a prova sempre evidente de como a “moderação” é apenas um sinal de capitulação.

 

A capacidade de aprendizagem dos organizadores ficou também posta à prova. Não basta a pretensa boa-vontade da organização, nem muito menos servirá de desculpa para uma “moderação” fraca, impreparada e desequilibrada, sob todos os pontos de vista. Quando assim é, e foi na verdade o que aconteceu, a coisa descamba para uma direcção dos trabalhos musculada, por vezes eivada de falta de respeito e de educação. 

A capacidade de aprendizagem é muito mais bonita que o respeitinho...

20 maio 2024

SOMOS NÓS OS TEUS CANTORES (*)

 

Quando escreveu este tema, no ano de 1971, Zeca não poderia vaticinar o que hoje se passa na Palestina.  A Primavera tem monstros e canalhas e o rei vai nu. Mas nós cantamos, porque é preciso lembrar que não podemos esquecer. Hoje cantámos pela Paz, amanhã estaremos na rua, todos os dias se necessário for, para manifestar repúdio pela ocupação israelita e contra o genocídio do povo palestiniano.

 

Diz o Poema do Zeca para te livrares do medo “...Que bem cedo/Há-de o Sol queimar” e avisa, “E tu camarada/Põe-te em guarda/Que te vão matar”, vaticinando os sinais de desgraça que correm num mundo sem vergonha, que apoia, ou no mínimo, consente o terrorismo da ocupação e do genocídio. 

Nos últimos dias, soubemos que  são mais de 35 mil palestinianos assassinados por Israel em Gaza e na Cisjordânia, vítimas dos violentos e constantes ataques das forças de Israel, na maioria, mulheres e crianças. E que Israel matou 31 pessoas no campo de refugiados de Nuseirat, consequência da intensificação dos ataques aéreos e terrestres em Gaza. E ainda que a ocupação israelita cometeu 9 massacres contra famílias na Faixa de Gaza, causando 83 mortes e 105 feridos, entre 17 e 19 de Maio. E que, na semana passada, colonos israelitas armados atacaram um pastor palestiniano e roubaram várias das suas ovelhas na região de Masafer Yatta, localizada a sul de Hebron, na Cisjordânia ocupada. E também que um grupo de colonos armados atacou pastores na área de Hreiba Al-Nabi, em Masafer Yatta, pilhando e matando. E que dezenas de colonos cercaram uma casa na aldeia palestina de Bayt Sakarya, localizada ao sul de Belém, na Cisjordânia ocupada, segundo fontes locais e forçaram Abu Sawi a deixar a sua casa, mas acabaram por ser confrontados pelos habitantes locais e forçados a sair. 

Tudo isto em apenas 2 dias.

 

Entretanto, a resistência intensifica-se.   Em Bruxelas, estudantes da Universidade mudaram o nome de una sala para "Jabalia Hall", em solidariedade com o campo de refugiados de Jabalia, perante os ataques constantes das forças israelitas. As notícias dos mais variados países dão conta de manifestações e outras realizações que denunciam a ocupação e o genocídio, enquanto os seus dirigentes, burocratas comprometidos com o imperialismo norte-americano, fingem não saber de nada e, nalguns casos, ainda aplaudem, como por exemplo, no Reino Unido, apesar dos 800 mil que desfilaram em Londres a 11 de Novembro de 2023, onde as manifestações a favor do cessar-fogo, são qualificadas como “marchas do ódio”. Ou o caso do governo de Portugal, onde o Ministro dos Negócios Estrangeiros e o próprio PM estão mais preocupados com os acordos que S. Tomé e Príncipe terá assinado com a Rússia...

A situação sanitária em Gaza agrava-se de dia para dia, perante a complacência internacional.  Existe uma enorme carência de medicamentos e material médico, para prestar serviços de emergência e cuidados primários em hospitais. A Agência de Obras Públicas e de Socorro das Nações Unidas para os refugiados de Palestina disse que mais de 630 mil pessoas foram obrigadas a fugir de Rafah desde que começou a ofensiva militar de Israel, nomeadamente desde 6 de Maio.

 

Se quem canta seu mal espanta e se a cantiga é uma arma, então que sirva, como no Concerto da Paz, para difundir o repúdio e a indignação. Não é possível admitir que hoje, em França, seja considerado perigoso exibir o lenço palestiniano, ou apenas apelar à Paz, sem ser visto como apoiante do Hamas. Mas, ao mesmo tempo, para promover uma sólida educação para a Paz. Divulgando e disseminando a canção do Zeca “Venha a maré cheia/Duma ideia/Pra nos empurrar/Só um pensamento/No momento/Pra nos despertar".

Assim, poderemos gritar bem alto “Somos nós os teus cantores”: Ergue-te ó Sol de verão/Da matinal canção/Ouvem-se já os rumores/Ouvem-se já os clamores/Ouvem-se já os tambores

 

---

(*) Referências expressas ao tema de Zeca Afonso “Coro da Primavera”, do Albúm “Cantigas do Maio” (1971)

 

 

09 maio 2024

A ESPIGA DA EUROPA NÃO DÁ PÃO



 

Associado a uma simbologia pagã, apropriada, como tantas outras, pela igreja católica, está um antigo ritual ligado à fertilidade e à abundância, que convoca à celebração do tradicional Dia da Espiga. Tradicionalmente, este dia era considerado como um verdadeiro dia santo, em que não se devia trabalhar e que estava reservado para as pessoas e suas famílias fazerem um passeio matinal pelos campos para colherem espigas e um ramo de flores silvestres, aprimorado com oliveira e alecrim.  Ainda existem aldeias portuguesas que celebram este dia, que antes havia sido feriado nacional. Acima de todas as crenças estará a consagração da Primavera e da natureza no seu esplendor. No plano prático encontramos similitude da espiga com o pão, essencial para o sustento.

 

Não se sabe o que o acaso nos pode mostrar, em celebrações como esta. Porque hoje também se celebra o Dia da Europa. Segundo consta do site da UE, o 9 de Maio serve “...para festejar a paz e a unidade do continente europeu”. E mais diz que a data “assinala o aniversário da histórica “Declaração Schuman”, que expôs a visão de Robert Schuman de uma nova forma de cooperação política na Europa, que tornaria impensável uma guerra entre os países europeus.”

Daquilo que sabemos do “projecto” de convergência e de união entre os povos, que teria estado na base da “construção europeia”, pode ser hoje motivo de chacota ler o que ficou atrás citado. Isso e mais a tremenda lavagem ao cérebro dos cidadãos feita pelas agências de informação ao serviço do capitalismo neoliberal, para os levarem a acreditar que há um projecto em seu apoio e ao seu bem-estar. O que vemos é a extensão dos privilégios aos senhores do dinheiro e expansão militar, ao serviço da empresas de armamento e da imposição de um regime colonial aos países da periferia. E o cúmulo de tudo isto é a Europa ser a face do mais profundo desrespeito aos desalojados e despojados, com políticas vergonhosas de discriminação e de humilhação aos chamados não-europeus, plantados em campos de refugiados, por força de políticas atentatórias dos direitos humanos. Uma Europa subjugada ao imperialismo americano, chefiada por um directório não-eleito e com um parlamento esvaziado de sentido e de poder, à mercê de burocratas e oportunistas, com uma linguagem e uma atitude destituídas de sentido humanitário, tendo como único propósito enganar, mentir, desprezar a cultura e reescrever a História. Com milhões e milhões que nunca faltam quando se trata de semear a guerra e a destruição, tentando (e conseguindo...) convencer os cidadãos de que estamos a “defender os valores do ocidente e da civilização”.

O actual primeiro-ministro português, na sua “simplicidade” de raciocínio e no seu conhecido primarismo, disse hoje uma verdade terrível: os portugueses deveriam sentir-se “contribuintes da UE”. Não cidadãos, mas sim “contribuintes”. Como que a preparar o terreno para o grande objectivo desta união desastrosa que é a Europa do século XXI:  o “contribuinte” deve ser “convidado” a “investir na defesa”, ir o mais longe possível na consagração de uma percentagem de 2% para tal desiderato.  Esse é primeiro objectivo, pois temos que nos defender dos russos, que vêm por aí abaixo para anexar o continente. Por mais estúpida que seja a ideia, a verdade é que ela parece prevalecer e é nela que querem que acreditemos.

 

Celebremos então o dia da espiga, com “jarros e perpétuos amores” e “pássaros estúpidos a esvoaçar”, como na canção do Reininho, onde se adora “...o campo, as árvores e as flores” e “todos os bichos do mato”. Mas, na celebração, não nos esqueçamos que esta Europa é uma farsa e uma mentira completa, onde “não há pão, não há sossego”, como na canção do Zeca. Onde o pão para quem precisa é sempre mitigado.

Ao “celebrar” o que querem que celebremos, demos contrapor que a espiga da Europa não dá pão.

05 maio 2024

UMA NOITE DE TERROR NO PORTO

 



 















A noite e a madrugada de 4 de Maio marcam o terror para os imigrantes do Bonfim, barbaramente agredidos por uma horda fascista e racista, na Cidade. São covardes que atentam contra a vida e os direitos humanos, indignos e indigentes, que apenas têm na cabeça excrementos da sua existência miserável. 

Quando encapuzados forçam a entrada em casa de emigrantes e os agridem com paus e sabe lá com que mais, como conta a reportagem do jornal Público, estamos perante (mais) um caso de violência intolerável, provocada por energúmenos que não merecem a Liberdade e que não são capazes de conviver com a diferença e com a tolerância. É absolutamente inadmissível que as polícias apenas consigam dizer que vão investigar, quando se conhece bem esta linguagem, que tolera e permite comportamentos daqueles. Aliás, diga-se de passagem, que as polícias estão quase sempre do lado dos agressores, basta ver a forma como reprimem as pessoas diferentes, nas suas manifestações pacíficas. E já agora, a forma como toleram, no seu seio, verdadeiros racistas e fascistas.

Quem conhece e lida com este tipo de gente, que nem merece que isso lhe chamem, sabe bem que estão dispostos a tudo, mesmo a matar. Querem e ostentam, no seu discurso e actos, a “limpeza”, que não é mais que, pura e simplesmente, sinónimo de eliminação.

Segundo o relato do Jornal, os cidadãos emigrantes fogem assustados pelo telhado e provocam barulho e estragos que alguém se apressa a perguntar “quem paga os prejuízos?”, aparentemente uma lamúria que encobre o sentimento racista e xenófobo de quem acha que “eles” estão a mais e que “...deveriam ir para a sua terra”. Alguém, na sua infinita estupidez, diz não acreditar que a casa tenha sido invadida sem motivo, “...alguma coisa devem ter feito”, a costumeira lengalenga de quem apenas pensa em si próprio e não faz a mínima ideia do que é uma sociedade solidária.

Ao dizermos que tudo isto tem que terminar, como o faz o Presidente da República, salientando que “...a violência racial e a xenofobia não têm lugar na sociedade portuguesa” deveria passar das palavras aos actos e pugnar pela igualdade de tratamento, numa sociedade profundamente desigual. Ao condenar “...veementemente, em meu nome pessoal e do Governo português, os ataques racistas desta noite...”, Montenegro diz exprimir solidariedade “...com as vítimas e reafirmo tolerância zero ao ódio e violência xenófoba”. E não deixa de elogiar “...o trabalho das nossas forças de segurança”. Aqui deve dizer-se, com toda a frontalidade, que aquelas forças são as mesmas a quem se deve atribuir a enorme responsabilidade de nada fazer, na maior parte dos casos, e noutros, de incentivar o “trabalho” dos nazis e racistas.

O principal e verdadeiro problema, é que as políticas que os “responsáveis” defendem e praticam, promovem e semeiam a injustiça e a desigualdade. 

E o medo de ser ... apenas um cidadão.

02 maio 2024

UM PRIMEIRO DE MAIO VERMELHO! 



Este sim.

Após "tantos anos a viver pela calada", ou simplesmente subjugados à ditadura mediática, eis que a rua de repente é invadida e ocupada por quem trabalha e luta, muitas vezes, pela sobrevivência. 

Assim foi no 25 de Abril, assim foi no 1º de Maio. A cor vermelha passou à frente do cinzentismo do Poder. Uma ofensiva necessária? Sim, porque estar à defesa significa recuar sempre, permitindo aos vampiros que continuem a comer tudo e a não deixar nada, alimentando-se do “sangue fresco da manada”. Sim, vampiros, como por exemplo a EDP e as grandes superfícies, Pingo Doce, Auchan, Sonae, Minipreço, Lidl. São estes que, ao mesmo tempo vêem o governo da Direita a baixarem os impostos, obrigam os trabalhadores a trabalharem Sábados, Domingos e feriados, muitas vezes sem receberem a dita “compensação”.

É disto que devemos falar, nomeadamente. Como é possível que se permita às grandes superfícies e hipermercados estarem abertas no Dia do Trabalhador?

A nova forma de escravatura passa (também) por aqui. Há que denunciar, há que impedir a tirania do Capital. É completamente falso que a abertura dos gigantes do mercado favoreça alguém. O que é verdade é que, pela obrigação forçada do trabalho aos fins de semana, se instalou o medo e a submissão. E que é também verdade é que, se andarem por esse mundo, encontram poucos, muito poucos, exemplos como o nosso, onde a parvoíce de ir fazer compras aos Domingos pegou de estaca, em prejuízo dos trabalhadores, cada vez mais explorados.  

Acordem, venham para a rua, o lugar onde a Esquerda deve estar permanentemente, na insubmissão que a deve regular e onde os poderes normalmente acabam sempre por cair.

E que viva o 1º de Maio e a luta internacionalista dos trabalhadores!