O “ABRANHOS” DA POLÍTICA EXTERNA
O original era “conde”. Para o Eça, claro, que nele simbolizava um homem sem brio, um burocrata da diplomacia, um oportunista, ignorante e hipócrita, alguém que troca a dignidade do cargo por migalhas de protecção estrangeira, revelando uma falta de "ideias claras" sobre a nação. Em resumo, um "triste farçola" da política internacional. Diagnosticando o “problema” do coitado, parece sofrer da maleita do macaquinho repetidor, que vê o “gigante” trumpista e imediatamente trepa para cima dele, não para ver mais longe, mas para ficar mais quente. Senta-se no ombro do outro e grita aos que ficaram na planície: “Vede como sou grande, como estou perto do sol!”. E esquece-se, o pobre diabo, que ali está apenas como um animal de estimação, um bichinho exótico que o gigante atura enquanto lhe faz cócegas. Não é um aliado, é um pug de salão, um cãozinho de colo da política internacional. E o pior, o mais triste, o mais profundamente “sem brio”, é que ele parece genuinamente feliz a abanar o rabo.
Na verdade, a figura de Rangel não é um vilão digno de ódio, mas um triste boneco digno de sarcasmo, que encarna o provincianismo na era global: a mesma falta de grandeza que outrora nos fazia importar ideias e modas, agora faz-nos importar políticas e lealdades, sem qualquer escrutínio ou dignidade. Um ser que trocou a espinha dorsal por um lugar à sombra do poder alheio, um homem que confunde servir com ser servido pela “protecção” alheia. É a representação plena de um servilismo por amor à arte.
Apetece, porém, perguntar: Rangel é desmiolado, incapaz ou mesmo estúpido? De todo, nós é que somos. Assim ele o afirma, “...as pessoas não entenderam nada da minha posição”. O ajudante, o servo fiel, o canino de salão, pequeno e achatado (o “pug”), julga-se político, mas é apenas uma falha ética, uma "miséria moral". Se o Antero fosse vivo, designaria o sujeito como um "vendido", um filisteu da pior espécie, que troca a Verdade e a Justiça, pela conveniência, um "escravo voluntário" que envergonha a "dignidade da consciência" e a memória dos que lutaram pela autonomia da pátria. Enfim, um provinciano sem grandeza, acocorado perante o poder do dia.
Quando ele se vira para o PS e diz que o “este assunto não deve ser partidarizado”, que raio é que ele pensa que é um Partido Político? Na má consciência e na ignorância boçal reside a antítese do serviço público que, provavelmente, nem sabe o que significa. É a “personificação da decadência”, de que falava Oliveira Martins, um outro Homem da I República. Nele veria certamente um sintoma da "Europa enferma" que se submete, um homem que, ao invés de ser um Cidadão, é um mero "vassalo" dos tempos modernos, vergando a espinha perante o poder americano, traindo o "génio lusitano" que outrora se lançara ao mar sem pedir licença a ninguém.
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