“Escrever o teu nome sobre a água depois bebê-la até ao fim até a terra ficar seca e tu afogada em mim. ” Paulo Sucena (2011)
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Imagino um mar imenso de palavras que me acolhem, de tal forma que sinto o bater das asas de um poema
a procurar uma brisa suave de encantamento e surpresa.
As palavras vêm de todo o lado, já devidamente pensadas, pesadas de rigor poético e conceptual.
Nada aqui está ao acaso, muito embora o próprio acaso fique grato de tanta oportunidade.
Os mestres da música fazem o seu melhor, encantados pelas palavras e prontos a envolvê-las na nota e no tempo certos.
Deixa lá, Vitorino, que te “caem as palavras / na tarde fria”, imagino o Paulo a verter o adjectivo mais selecto
e o verbo mais acutilante. Enquanto Dany canta “Ninguém sabe onde nasce a música”, Paulo diz-nos que há aqui
“Uma celebração da amizade”. E quando Pepe nos traz “Cantiga de Amigos”, entendemos logo que este
é “Portugal doutra maneira”. Bebemos a “Agua da manhã” e ficamos intrigando as horas, querendo também
“...uma rosa que não há”.
É um mar de palavras, ditas e cantadas por gente de tantos mares.
Estes, em vez de levarem as palavras nas ondas, juntam-nas numa onda imensa de AMOR,
onde o adjectivo é uma onda sublime.
Olha, Irmão Paulo, tu és um encantador de mares...
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