12 abril 2026

 UM ENCANTADOR DE MARES

 

 

 

Escrever o teu nome sobre a água

depois bebê-la até ao fim

até a terra ficar seca

e tu afogada em mim. 

Paulo Sucena (2011)

 

 

 

 

 

Imagino um mar imenso de palavras que me acolhem, de tal forma que sinto o bater das asas de um poema 

a procurar uma brisa suave de encantamento e surpresa. 

As palavras vêm de todo o lado, já devidamente pensadas, pesadas de rigor poético e conceptual. 

Nada aqui está ao acaso, muito embora o próprio acaso fique grato de tanta oportunidade. 

Os mestres da música fazem o seu melhor, encantados pelas palavras e prontos a envolvê-las na nota e no tempo certos. 

Deixa lá, Vitorino, que te “caem as palavras / na tarde fria”, imagino o Paulo a verter o adjectivo mais selecto 

e o verbo mais acutilante. Enquanto Dany canta “Ninguém sabe onde nasce a música”, Paulo diz-nos que há aqui

 “Uma celebração da amizade”. E quando Pepe nos traz “Cantiga de Amigos”, entendemos logo que este 

é “Portugal doutra maneira”. Bebemos a “Agua da manhã” e ficamos intrigando as horas, querendo também

 “...uma rosa que não há”.

 

É um mar de palavras, ditas e cantadas por gente de tantos mares. 

Estes, em vez de levarem as palavras nas ondas, juntam-nas numa onda imensa de AMOR, 

onde o adjectivo é uma onda sublime. 

Olha, Irmão Paulo, tu és um encantador de mares...

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