25 abril 2026

A LEGITIMIDADE DA MODERNIDADE REVOLUCIONÁRIA

(52 anos do 25 de Abril)

 

 

É, sem qualquer dúvida, um contraponto, necessário e justo, em tempos de servidão, ao que se diz, voluntária, a defesa de uma nova modernidade, compatível com o 25 de Abril, na sua essência fundamental. Que, lembra-se, foi atacar e derrubar um regime que oprimia, torturava e matava. Muito embora a modernidade clássica se tenha arvorado em destruir as diversas estruturas de pensamento, sociais e culturais, a começar pela obstrução determinada à superstição e à crença, o facto é que o evoluir dos séculos a tornou “líquida”, por força de uma mudança de estado em que os indivíduos são naturalmente tentados a reduzir a complexidade de sua situação a fim de tornarem as causas do sofrimento inteligíveis. Neste segundo quartel de mais um século sobrevivem sucessivos e monstruosos atentados ao racionalismo. O que vem sendo designado como um recuo civilizacional não é mais que a tentativa de um regresso a um passado de trevas e a uma mística estupidificante que desmerece qualquer consideração e não é compaginável com qualquer diálogo. Apenas o combate frontal pode significar algum progresso e, qualquer concessão extra é perfeitamente dispensável. 

 

Quando somos transportados para o Abril da nossa memória, (re)encontramos o que podemos classificar de legitimidade de uma nova modernidade revolucionária. Da necessidade de a colocar como pilar base dos nossos propósitos. Porque, muito simplesmente, os poderes actuais no País nada têm a ver com o vinte e cinco de abril de 74. Antes pelo contrário, incarnam a “reacção” de uma forma tão coesa que até será injusto exigir-lhes algo que nada tem a ver com eles, quer no plano individual, quer nas organizações de que fazem parte, a começar pelos partidos políticos e outras associações corporativas. Mas, será bom admitir, são essas forças do passado que ocupam todos os postos disponíveis do estado burguês. É, por essa e outras razões que se torna perfeitamente escusado e até desgastante falar a essa gente em “democracia”, “valores democráticos”, ou outros qualificativos semelhantes. Quando entoamos hoje “25 de Abril sempre!” é a palavra de ordem velha de mais de cinquenta anos que ganha todo o seu significado: a destruição completa do regime podre da “vampiragem” que vai chupando o “...sangue fresco da manada”..., que afinal “...São os mordomos do universo todo / Senhores à força mandadores sem lei”. E que hoje, com nova roupagem, nos trazem gritaria, espectáculo e mentira, devem ser combatidos com firmeza, nos campos e nas fábricas, nas escolas e nas universidades, enfim, na rua e por todo o lado, sem tréguas nem concessões.             

 

Recuando ao ano de 1867, lembramos este escrito de Marx: o Capital é trabalho morto que, como um vampiro só ganha vida sugando trabalho vivo. Aqui está a metáfora, como uma seta, a apontar a realidade e que o Zeca resumiu no seu poema, em 1963: “Eles comem tudo, eles comem tudo / Eles comem tudo e não deixam nada”. Haverá melhor imagem para explicar actualmente às massas o que é o capitalismo predador? E que resulta na candente questão, o que mudou na prática, no que concerne à exploração e à dominação, hoje “temperada” com o perfume ilusório das “democracias liberais”? 

Exigir direitos pode hoje não ser suficiente, embora seja necessário. Pelo menos no imediato. Que se parta, a vinte e cinco de Abril, para a construção de uma nova modernidade revolucionária, em que prevaleçam a insubmissão e o espírito crítico como armas de destruição do medo e da indiferença. Uma nova atitude de desobediência mais que legítima se deve erguer, despertando as consciências e libertando os corpos, no coro dos caídos que se levantam.

SEMPRE VINTE E CINCO DE ABRIL!

 

 

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