16 outubro 2026

  

 

“A VIOLÊNCIA É O ÚNICO ARGUMENTO DA IGNORÂNCIA”
(“Instabilidade é Não Ter Casa para Viver!”)


As frases são cartazes. 

As palavras contam muito, na emergência social que atravessamos, quando um governantes idiota nos fala de EGOÍSMO, é bom que lhe mostremos o nosso desprezo, um profundo desprezo colectivo. É bom que saiba que não lhe temos respeito algum, ele que teria alguma obrigação de mostrar respeito àqueles para quem (supostamente) governa. Na rua ocupada, onde acampa a força da razão de quem tem razão: não dá para viver assim. Quem sofre a instabilidade provocada por esse e outros governantes ignorantes e espúrios. Quem finalmente parece ter descoberto que “importar” é bom, desde que se “importe” o produto certo, quando ele dá pelo nome de “ocupação”, que fique escrito: sim, é um bom “produto”. 

Resta então ao Poder o último argumento: ignorando como se vive mal em Portugal, querendo mostrar ao mundo a faceta estúpida da mediocridade, usa a violência institucionalizada. Que não subsistam dúvidas sobre as diversas polícias: elas são o sustentáculo do poder burguês, apenas servem para isso, não para proteger quem quer que seja a não ser o poder da força. A polícia de intervenção é a polícia de choque do antigamente, ignorante e violenta. Mas cumpre sempre a sua função, contra os explorados e oprimidos da sociedade: é preciso repetir isto até à exaustão!

O que fica em segundo plano é o Duarte, o burocrata eleito, de falinhas mansas, que perde rapidamente o “verniz”, em frente do acampamento. Porque pensa que é proprietário da Cidade, assim lhe ensinam os manuais de “boas-maneiras” da burguesia que bem representa. É normal que perca as estribeiras, quando lhe ocupam a Praça, a “sua praça”. As palavras que profere, nas cerimónias de salamaleques, caem no vazio completo da sua real ignorância, que leva à violência, quando acossado, isto é, quando o espaço público, que é público porque é de todos, é legitimamente ocupado. Claro que “fica mal” aos olhos dos burgueses privilegiados, claro que é um “excesso”, produto de “extremistas de esquerda”, que se abrigam dentro e fora da tenda de campismo, um símbolo mais que evidente da subversão. Claro que é “feio” acampar em frente do Rivoli, onde um dia te levei ao concerto. É quase tão “feio” como os sem-abrigo e que, por isso, é preciso escondê-los, assim limpando as ruas. Mesmo que a “limpeza” (termo muito caro aos fascistas) implique o roubo descarado dos pertences dos perigosos “agitadores”. Sim, Pedro, és responsável por roubo também.  

Para esta gente, cinzenta, ignorante e EGOÍSTA, os manifestantes por uma habitação condigna são “escumalha”. Embora não usem o termo, é isso mesmo que pensam. Como tal, uma das coisas que devemos fazer é precisamente devolver-lhes a “gentileza”. 

Que seja possível reanimar a rua, proclamando-a como “Chão nosso da nossa batalha”, como na canção e na ideia que a enforma. E nele estará decerto a imensa maioria dos explorados que sofrem a violência institucionalizada da minoria que ocupa tudo e ainda quer ocupar mais, uma vez que o seu EGOÍSMO é “implacável”, assim disse que seria (e foi mesmo) o Duarte presidente. 

 

Se existe algures um poder paralelo, onde se possa acampar, então vale a pena dizer: ACAMPAR É PODER!

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