"Si me quieres escribir
ya sabes mi paradero
em el frente de Gandesa
primera línea de fuego"
Anónimo (1938), Guerra Civil Espanha
Com mágoa e muita tristeza, assistimos ao espectáculo. Tal como na última jornada da liga de futebol (os jogos começam à mesma hora), as cargas policiais tiveram directo, “sensacional”, de brutalidade e violência, frente à calma dos que se manifestavam. A legitimidade do chamado “direito”, espezinhado, apunhalado. E depois, como sempre, o uso do discurso fantástico, fanático: “confronto ente polícias e manifestantes”. Um confronto pressupõe duas forças que se enfrentam; uma carga policial sobre pessoas que se manifestam pacificamente é outra coisa. A linguagem que iguala os dois lados cumpre, na íntegra, a função de retirar legitimidade à vítima e diluir a responsabilidade de quem ordenou e executou a intervenção. O que presenciamos/vimos/ouvimos/sentimos foi a expressão do terror fascizante, pensado/assumido/ordenado, uma carga policial cega e surda, típica de um Poder ridículo/podre/pobre, que deverá ter a resposta que merece e que apenas tem um caminho possível, nas suas múltiplas formas de intervenção. Mas que terão de ter NA RUA a sua expressão real e completa.
Já vimos muitos actos de agressão, desde Novembro de 1975, data em que a Revolução acabou. Já demos muitas respostas. Já nos manifestámos contra os acometimentos à felicidade e ao bem-estar. E não esquecemos que, quem nos ataca, é a classe possidente que pretende, em última análise, espezinhar direitos e princípios, em nome de coisa alguma que não seja, o querer mais, sempre mais. Acontece que, desta vez e mais uma vez, não o vamos permitir.
Por isso, mais logo, estaremos na Praça (tenha ela o nome que tiver). Servem os versos refeitos/reescritos/assumidos, como garantia:
Se me queres encontrar
Já sabes o meu paradeiro
Sete da tarde, Praça (D. JoãoI/Rossio)
Na primeira linha, Companheiro!

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